ANPD abre processo administrativo contra a Claro por compartilhamento irregular de dados de clientes com a Serasa

Carla Monteiro/g1
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) notificou a Claro e a Serasa após identificar indícios de problemas no compartilhamento de informações pessoais de clientes da operadora.
Por causa disso, a Claro será submetida a um processo administrativo sancionador, enquanto a Serasa passará por um procedimento de fiscalização.
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A medida contra a Claro teve origem em uma fiscalização que analisou uma parceria firmada entre as duas empresas. Havia sinais de descumprimento da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD).
Pelo acordo, a operadora fornecia dados de seus clientes à Serasa para o desenvolvimento de métodos de análise de crédito e para avaliações de condições de mercado.
Entre as violações apontadas pela ANPD contra a Claro estão o compartilhamento de dados de consumidores de forma considerada irregular, a falta de clareza nas informações prestadas aos clientes e dificuldades de acesso ao responsável de proteção de dados da empresa.
Se as irregularidades forem confirmadas, a operadora poderá ser penalizada com base na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). As sanções podem incluir multa de até R$ 50 milhões por infração e multa de até 2% do faturamento da companhia.
Agora no g1
A ANPD também emitiu orientações à Claro que deverão ser observadas nos contratos de compartilhamento de dados já existentes e nos que vierem a ser firmados.
Segundo o superintendente de Fiscalização da ANPD, Fabrício Guimarães, mais de 100 informações de cada cliente foram compartilhadas pela Claro com a Serasa.
“Existe um limite para esse compartilhamento, que não deve ser excessivo e precisa respeitar o princípio da necessidade, da relevância. Além disso, o compartilhamento de dados precisa ser transparente; os clientes têm que ser informados. Identificamos esses e vários outros problemas na parceria, pedimos várias informações às empresas e elas encerraram o contrato”, disse Guimarães.
Em relação à Serasa, a ANPD vai analisar o nível de transparência oferecido aos titulares dos dados e as ferramentas disponibilizadas para o exercício dos direitos previstos na LGPD.
Também vai verificar se a política de privacidade da empresa esclarece quais entidades compartilham informações com a companhia e com quais terceiros esses dados são compartilhados.
Se forem identificadas irregularidades, o caso da Serasa poderá avançar para uma etapa de sanções.
De acordo com o ciclo mais recente de monitoramento da ANPD, no período entre o segundo semestre de 2023 e o primeiro semestre de 2025, a Serasa lidera o número de denúncias recebidas pela agência.
A Serasa também ocupa a segunda posição em quantidade de reclamações na ANPD
Sobre os prazos de defesa, Claro e Serasa têm 10 dias úteis, contados a partir do recebimento da notificação, para apresentar suas manifestações. O não envio de resposta dentro do prazo poderá ser interpretado como obstrução.

OpenAI, dona do ChatGPT, entra com pedido de IPO; empresa pode valer US$ 1 trilhão

O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT
AP/Michael Dwyer, Arquivo
A OpenAI, criadora do ChatGPT, protocolou nesta segunda-feira (8) um pedido confidencial para uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) nos Estados Unidos.
🔎 Um IPO é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado.
Com a decisão, a OpenAI se junta à concorrente Anthropic, criadora do assistente de inteligência artificial Claude, que tinha feito um pedido confidencial de IPO na última segunda-feira (1º).
A SpaceX, dona da IA Grok e fundada pelo bilionário Elon Musk, definiu o preço de US$ 135 por ação em sua IPO. Ela erá listada na bolsa de valores a partir de sexta-feira (12).
Agora no g1
As três empresas disputam uma corrida ao mercado de ações, apontada por analistas como o teste mais importante da última década em relação ao apetite de investidores por ações de tecnologia de alto crescimento.
O tamanho e os termos da oferta não foram divulgados pela OpenAI, mas a Reuters informou que a gigante mira uma avaliação de até US$ 1 trilhão em sua estreia na bolsa, que pode acontecer em setembro.
O pedido de IPO ocorre após a companhia renegociar a parceria com a Microsoft, uma de suas primeiras investidoras, abrindo espaço para acordos com a Amazon e o Google, por exemplo.
O investimento inicial, que soma US$ 13 bilhões desde 2019, contribuiu para a rápida ascensão da OpenAI e impulsionou o crescimento do negócio de computação em nuvem Azure, da Microsoft.
A OpenAI informou em fevereiro que captou US$ 110 bilhões a uma avaliação de US$ 840 bilhões, com apoio de investidores como SoftBank, Amazon e Nvidia.
Na ocasião, também revelou que o ChatGPT tinha mais de 900 milhões de usuários ativos semanais e mais de 50 milhões de assinantes consumidores.
A empresa afirmou em março que tinha receita mensal de US$ 2 bilhões e que crescia cerca de quatro vezes mais do que companhias como Alphabet, controladora do Google, e Meta, dona de Instagram, WhatsApp e Facebook.
Os IPOs da OpenAI e da Anthropic consolidariam um período de mudanças para o setor de tecnologia e para os mercados globais, com a inteligência artificial crescendo rapidamente como o principal destino de investimentos na década.
No caso da SpaceX, o valor definido pela empresa pode a levar para o maior IPO da história. O objetivo é captar US$ 75 bilhões com base em uma avaliação de mercado da companhia em US$ 1,75 trilhão.
Concorrentes ganham força
A indústria que a OpenAI ajudou a criar rapidamente se tornou mais competitiva, com empresas como a Anthropic correndo para desafiar sua liderança. Ao mesmo tempo, investidores avaliam se o crescimento meteórico do setor de IA pode ser sustentado.
A Anthropic emergiu como uma das principais rivais, com o Claude registrando forte demanda entre desenvolvedores de software para tarefas de programação e algumas empresas utilizando seu modelo mais avançado, Mythos, para identificar vulnerabilidades em seus códigos.
O pedido de IPO da Anthropic aconteceu poucas semanas após a companhia captar US$ 65 bilhões em uma rodada de financiamento que a avaliou em US$ 965 bilhões.
Embora essas ofertas de grande porte possam trazer novo impulso ao mercado de IPOs dos Estados Unidos, alguns banqueiros alertam que elas também podem absorver capital que, de outra forma, seria direcionado a operações menores.
Altman contra Musk
A OpenAI foi fundada em 2015 como uma organização sem fins lucrativos focada em pesquisa, mas criou uma divisão com fins lucrativos quatro anos depois para financiar custos com desenvolvimento de sistemas de inteligência artificial.
Sua estrutura incomum, que concedia à entidade sem fins lucrativos o controle sobre a organização lucrativa, passou por intenso escrutínio no final de 2023, quando o CEO Sam Altman foi brevemente afastado do cargo antes de retornar dias depois, após uma revolta dos funcionários.
Em dezembro de 2024, a OpenAI revelou planos para reformular sua estrutura por meio da criação de uma corporação de benefício público, afirmando que a mudança ajudaria a captar muito mais capital e a flexibilizar restrições impostas por sua controladora sem fins lucrativos.
A reformulação rapidamente se tornou controversa após fortes críticas de Musk, um de seus primeiros apoiadores. O bilionário processou a OpenAI e acusou Altman e outros executivos de transformar a organização sem fins lucrativos em um veículo de enriquecimento privado.
Em maio, um júri dos EUA decidiu contra Musk em seu processo, concluindo que a empresa de IA não era responsável perante a pessoa mais rica do mundo por supostamente ter se desviado de sua missão original de beneficiar a humanidade.
O veredito unânime removeu um importante fator de incerteza para o IPO, com analistas afirmando que ele eliminou um grande obstáculo jurídico que costuma preocupar investidores do mercado acionário.

EUA acusam Baidu, Alibaba, BYD e outras de colaborar com Exército chinês

Bandeiras da China e dos Estados Unidos em uma rua chinesa antes da visita de Donald Trump ao país, em 13 de maio de 2026
Reuters/Maxim Shemetov
O Departamento de Guerra dos Estados Unidos atualizou na segunda-feira (8) a relação de empresas que, segundo o governo americano, colaboram com militares chineses. A nova versão da lista tem 188 empresas e incluiu mais nomes do setor de tecnologia.
Entre elas, estão o buscador Baidu, as fabricantes de robôs Unitree e Robosense Technology, a gigante do comércio eletrônico Alibaba e as fabricantes de chips CXMT e YMTC.
O documento passou a apresentar ainda a montadora BYD, a empresa de biotecnologia WuXi AppTec e a fabricante de equipamentos de telecomunicações Baicells.
Por conta de uma lei recente, a partir do final de junho, o Departamento de Guerra não poderá contratar diretamente de empresas presentes no documento. E, a partir de 2027, o órgão não poderá comprar seus produtos e serviços por meio de terceiros.
Agora no g1
No documento, o Departamento de Guerra afirmou que as empresas “se qualificam para a designação de ‘empresas militares chinesas'” e operam nos EUA. Elas poderão pedir a remoção da lista, segundo o órgão.
Embora o documento não imponha sanções formais às companhias chinesas, elas poderão sofrer danos concretos com a decisão. A inclusão na lista também dá uma mensagem prejudicial sobre essas companhias para fornecedores do governo americano.
A Embaixada da China nos Estados Unidos disse que o governo chinês se opõe à “criação de listas discriminatórias para perseguir empresas chinesas” e que elas cumprem leis e regulações locais.
“Os EUA devem cessar essa prática errônea e criar um ambiente justo, equitativo e não discriminatório para as empresas chinesas”, afirmou a embaixada em nota, segundo a Reuters.
À Reuters, a BYD disse acreditar que sua inclusão na lista de empresas ligadas às forças armadas da China “carece de fundamento factual”.
O Alibaba afirmou à Reuters que não há fundamento para sua inclusão na lista. Em nota, a empresa disse que “não é uma companhia militar chinesa nem faz parte de qualquer estratégia de fusão entre setores civil e militar” e que adotará as medidas legais disponíveis para contestar a classificação.
A WuXi AppTec também contestou a decisão e disse que sua inclusão na lista é equivocada. A empresa afirmou que tomará medidas imediatas para reverter a designação.
Já a Baidu rejeitou “categoricamente” sua inclusão. Em declaração à Reuters, a companhia disse que a alegação de que seria uma empresa militar é “totalmente infundada” e disse que utilizará todos os recursos disponíveis para ser retirada da relação.
Até a última atualização desta reportagem, as outras empresas não tinham respondido aos pedidos de posicionamento feitos pela Reuters.
A decisão atualiza uma lista do início de 2025 e é anunciada menos de um mês após o presidente americano Donald Trump se encontrar com seu correspondente chinês Xi Jinping em Pequim.
O encontro teve troca de elogios, mas terminou com impasses em temas sensíveis como Taiwan, considerado pela China como parte de seu território.
Trump ao lado de Xi Jinping na China, em 13 de maio de 2026
BRENDAN SMIALOWSKI/AFP

Mega-Sena pode pagar R$ 3,5 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.016 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 3,5 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (9), em São Paulo.
No concurso do último sábado (6), uma única aposta simples de 6 números levou o prêmio de R$ 30 milhões. A aposta ganhadora foi feita pelos canais digitais no Distrito Federal, em Brasília. Veja os números sorteados: 09 – 18 – 26 – 31 – 53 – 58.
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O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Instagram agora permite reorganizar posts no perfil; veja como fazer

Instagram lança nova funcionalidade
REUTERS/Dado Ruvic
O Instagram liberou na segunda-feira (8) uma função que permite reorganizar a ordem dos posts exibidos no perfil.
A novidade dá mais liberdade para usuários destacaram conteúdos específicos e renovarem a aparência da grade de seu perfil sem precisar apagar e republicar fotos e vídeos.
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Segundo a Meta, a reorganização pode ser feita diretamente no perfil por meio de um novo menu.
Os posts e reels fixados continuarão aparecendo no topo da página, independentemente da nova ordem escolhida para as demais publicações.
Como reorganizar os posts no Instagram 📲
Abra o seu perfil no Instagram;
Pressione e segure qualquer publicação da grade;
Aguarde a aparição do menu de opções;
Toque em “Reordenar grade”;
Arraste os posts para as posições desejadas;
Confirme as alterações.
Agora no g1
Versão paga do Instagram
O novo recurso chega um pouco depois do Instagram Plus, a versão paga da rede social. Ela começou a ser liberada no Brasil nesta quinta-feira (4). O serviço oferece recursos exclusivos para usuários que pagam R$ 10 por mês.
A assinatura dá mais prioridade aos stories, aumentando as chances de eles serem vistos por mais seguidores. Também permite que as publicações fiquem no ar por 48 horas, em vez das 24 horas atuais.
Ela oferece ainda a opção de criar listas de seguidores parecidas com a de melhores amigos. A ideia é permitir que os stories sejam compartilhados exatamente com o grupo que você quiser.
Instagram Plus
Divulgação/Instagram

O erro cerebral que faz você comprar na alta e perder dinheiro em investimentos; entenda

Efeito manada: o perigo de investir como todo mundo
Seguir as decisões da maioria é um comportamento comum e, na economia, recebe o nome de comportamento de manada. A tendência faz com que muitas pessoas invistam em determinado ativo apenas porque ele está atraindo cada vez mais investidores.
Esse movimento costuma ganhar força em momentos de alta dos mercados. Com mais compradores, os preços sobem, reforçando a percepção de que o investimento é uma aposta segura, mesmo quando a valorização não reflete o valor real do ativo.
Episódios como a bolha das tulipas na Holanda, a crise das empresas de tecnologia e a crise financeira de 2008 mostram os riscos desse comportamento. Especialistas alertam que consenso não é garantia de acerto e que o entusiasmo coletivo pode aumentar a exposição a perdas.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
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Saúde mental já custa US$ 5 trilhões por ano e valor pode triplicar até 2030, diz estudo

NR-1: veja o que muda com a nova regra sobre saúde mental no trabalho
As condições de saúde mental e distúrbios cerebrais já custam cerca de US$ 5 trilhões por ano à economia global — valor que pode ultrapassar US$ 16 trilhões até 2030 caso não haja intervenções efetivas.
É o que aponta o estudo “Creating Workplace Environments that Support Brain Health” (“Criando ambientes de trabalho que apoiam a saúde cerebral”), desenvolvido pela Sodexo em parceria com a Social Impact Partners e a Global Brain Health Initiative.
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Segundo o levantamento, depressão e ansiedade, sozinhas, são responsáveis por US$ 1 trilhão anuais em perda de produtividade e por 12 bilhões de dias de trabalho perdidos todos os anos.
O estudo destaca ainda que funcionários desengajados geram prejuízos estimados em US$ 8,8 trilhões no mundo, o equivalente a 9% do PIB global.
Nesse contexto, especialistas apontam que o ambiente corporativo passou a ocupar papel central na reversão desse quadro. Isso porque os trabalhadores passam, em média, 90 mil horas ao longo da vida no trabalho, o que torna esse espaço estratégico para promover o cuidado com a saúde mental.
“A forma como o trabalho é organizado, como as lideranças se relacionam e como as pessoas descansam e convivem influenciam diretamente na saúde mental. O cuidado precisa estar incorporado ao dia a dia”, afirma Ana Menegotto, vice-presidente de pessoas, comunicação e ESG da Sodexo Brasil.
A executiva destaca que a segurança psicológica não pode ser tratada como uma iniciativa isolada, mas como resultado do design do ambiente e da cultura organizacional.
O debate ganha ainda mais força com a atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR‑1), em vigor desde maio, que ampliou a responsabilidade das empresas sobre os riscos à saúde mental dos trabalhadores. (entenda o que mudou)
Assédio moral no trabalho pode causar consequências na saúde mental e física da vítima
Freepik
A importância do cuidado
O estudo propõe uma abordagem integrada para a saúde mental, considerando fatores como alimentação, sono, atividade física, ambiente físico, conexões sociais, propósito, gestão do estresse, aptidão mental e cuidado preventivo.
A publicação reúne evidências científicas que mostram como esses elementos influenciam diretamente a saúde cognitiva, a produtividade e a capacidade de adaptação das pessoas. Entre os destaques está a defesa de ambientes de trabalho mais saudáveis.
O relatório aponta que fatores como iluminação natural, qualidade do ar, redução de ruídos, espaços de convivência e incentivo ao descanso podem melhorar significativamente o desempenho cognitivo e reduzir o estresse.
Um dos estudos citados mostra que trabalhadores em prédios com melhor ventilação e menor concentração de poluentes tiveram desempenho até 61% superior em testes cognitivos.
A pesquisa também ressalta a importância das relações sociais no ambiente corporativo. Dados reunidos no documento mostram que a solidão aumenta em 31% o risco de demência e está associada a maiores índices de ansiedade, depressão e esgotamento mental.
Além do impacto humano, especialistas defendem que investir em saúde mental também gera retorno financeiro. Segundo o relatório, iniciativas voltadas à saúde cerebral podem adicionar US$ 6,2 trilhões ao PIB global até 2050, com redução de afastamentos, aumento do engajamento e melhora da produtividade.
Para os autores, o avanço dos transtornos mentais exige que as empresas deixem de tratar o tema apenas como benefício corporativo e passem a enxergá-lo como parte da estratégia de negócio.
Nesse cenário, o local de trabalho deixa de ser um fator de risco e passa a atuar como agente de proteção — indicando que cuidar da saúde mental já não é apenas uma responsabilidade social, mas uma condição para a sustentabilidade das organizações.
NR-1: Como saber se você está em um ambiente de trabalho tóxico? Faça o QUIZ e descubra como denunciar

ECA Digital: redes sociais terão novas regras para alertar crimes contra crianças na internet

Ícones do Facebook, Messenger, Instagram, WhatsApp e X
Julian Christ/Unsplash
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital) obrigou redes sociais a comunicarem para autoridades casos suspeitos de crimes contra crianças e adolescentes. Agora, uma regulamentação deverá detalhar como as notificações precisam ser feitas.
As exigências serão incluídas em uma portaria que o Ministério da Justiça e Segurança Pública espera publicar em julho. O objetivo é que as regras do documento ajudem a facilitar a análise dos materiais e acelerar investigações contra redes de exploração sexual infantil.
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Os dados ficarão reunidos no Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, ligado à Polícia Federal. Ele foi criado em março por meio de um decreto presidencial que regulamentou o ECA Digital.
O centro é responsável por fazer a triagem de informações e encaminhar os dados para investigações de órgãos competentes. A PF defendeu que o modelo permite o tratamento massivo de dados, o cruzamento de informações e a atuação integrada entre diferentes órgãos.
Agora no g1
A portaria definirá padrões e prazos para as notificações enviadas pelas redes sociais, adiantou ao g1 Victor Fernandes, secretário nacional de Direitos Digitais do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
“Nós temos buscado agora nesse período para a elaboração da portaria, um diálogo com autoridades policiais estrangeiras para definir qual vai ser o padrão desses relatórios”, afirmou.
“Definir como devem ser os relatórios das plataformas não é trivial porque o volume de informações é muito grande. Hoje, recebemos algo em torno de 2 mil relatórios por dia”, afirmou.
O número inclui principalmente os alertas de redes sociais ligadas ao Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas (NCMEC), entidade sem fins lucrativos que atua nos Estados Unidos e compartilha dados com autoridades brasileiras.
O Brasil recebeu 950 mil denúncias de abuso sexual infantil, aliciamento de crianças ou tráfico sexual infantil enviadas pelas redes sociais em 2025, segundo dados mais recentes do NCMEC. O número representa um aumento de 60% em relação a 2024.
O país é o 6º com mais notificações de crimes digitais contra menores de idade identificados pelas redes sociais, segundo o NCMEC. Os Estados Unidos aparecem no topo, com 2 milhões de alertas em 2025.
Com o Centro Nacional de Proteção à Criança e ao Adolescente, autoridades brasileiras passam a ter um sistema próprio, sem depender de dados enviados por entidades de outros países.
“A ideia é que o centro funcione com o compartilhamento de relatórios para autoridades policiais locais. A portaria que está sendo elaborada vai organizar a estrutura do centro, dizendo como as unidades dentro dele vão funcionar”, disse Fernandes.
Inspiração em órgão dos EUA
O NCMEC, órgão americano que serve de referência para o novo centro de denúncias, foi criado em 1984 pelo Congresso americano após uma onda de sequestros de crianças. Com a chegada da internet, ele passou a combater crimes digitais contra menores de idade.
Uma das frentes de atuação do NCMEC é a CyberTipline, criada em 1998 para receber denúncias de suspeita de exploração sexual infantil enviadas por cidadãos e plataformas digitais. Casos urgentes são encaminhados para autoridades policiais.
Cerca de 23,3 milhões de denúncias de compartilhamento de material de abuso sexual infantil foram enviadas por plataformas à CyberTipline em 2025, o que representou um aumento de 10% em relação ao ano anterior.
As notificações são enviadas por plataformas americanas como Instagram, Facebook e Google, obrigadas por lei a relatarem suspeitas de material de abuso sexual infantil, aliciamento online de crianças ou tráfico sexual infantil em seus servidores.
O novo centro de denúncias no Brasil tem um alcance ainda maior por impactar mais empresas e ter uma relação maior de crimes que devem ser notificados. Por isso, a expectativa é de que autoridades recebam ainda mais alertas.
“O decreto do ECA Digital fala de crimes contra crianças e adolescentes de uma maneira mais ampla, não se restringindo ao abuso e à exploração sexual infantil. O escopo é mais amplo do que a gente tem no NCMEC”, afirmou Fernandes, do Ministério da Justiça e Segurança Pública.
O que dizem as plataformas
A Câmara Brasileira da Economia Digital (camara-e.net), que representa as redes sociais, afirmou que o novo centro “pode contribuir para o aprimoramento da articulação institucional e do encaminhamento de denúncias relacionadas à proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital”.
A entidade, que tem empresas como Google, Meta e TikTok entre as associadas, afirmou ainda que as plataformas “já contam com ferramentas de denúncia, recursos de controle parental, mecanismos de moderação e canais de apoio voltados à promoção de uma experiência digital mais segura”.
Em nota, a associação declarou ainda que “o ECA Digital é um marco importante para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online” e que “acompanha as discussões relacionadas à implementação da regulamentação”.
“A efetividade das medidas depende de responsabilidade compartilhada entre empresas, famílias, educadores, sociedade civil e poder público, com destaque ao diálogo técnico-institucional na construção de mecanismos efetivos quanto à implementação da regulamentação”, disse, em nota ao g1.