INSS prorroga para fevereiro prazo para contestar descontos indevidos em aposentadorias e pensões

O governo federal prorrogou nesta quarta-feira (12) o prazo para contestar descontos indevidos feitos por entidades e associações em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A data final para registrar a reclamação está prevista para esta sexta-feira (14). Mas esse limite foi estendido para 14 de fevereiro de 2026, segundo o governo.
O objetivo é que os beneficiários tenham mais 90 dias para fazer o registro, como adiantou a TV Globo.
Prazo para contestar descontos indevidos do INSS ​termina sexta-feira
Esses descontos estão no centro do escândalo que desviou bilhões de reais de aposentados e pensionistas no país.
Devoluções
De acordo com o balanço mais recente divulgado pelo INSS, mais de 6 milhões de beneficiários afirmaram não ter reconhecido descontos feitos nos últimos anos – o que reduziu o valor que receberam de aposentadorias e pensões.
Em alguns casos, as entidades apresentaram documentos para tentar comprovar a veracidade da autorização para os descontos. Ou seja, negam a irregularidade.
Pedido pode ser feito pelo aplicativo do INSS
INSS/Divulgação
Mais de 4,8 milhões desses beneficiários que contestaram as cobranças (4.827.832 pessoas) estão aptos a aderir ao programa de devolução do dinheiro.
Só que nem todos já pediram o ressarcimento. Até agora, 3,7 milhões (3.737.708 de pessoas) fizeram a adesão.
Isso representa 77,4% do total de beneficiários que podem aderir ao acordo de devolução.
Prazo
O prazo prorrogado, portanto, é a primeira etapa para entrar no programa de ressarcimento das cobranças indevidas em aposentadorias e pensões.
A contestação de descontos que foram feitos nos pagamentos pode ser realizada por três canais:
Meu INSS (aplicativo ou site): serviço “Consultar Descontos de Entidades Associativas”;
Central 135: ligação gratuita, de segunda a sábado, das 7h às 22h;
Correios: mais de 5 mil agências oferecem atendimento assistido e gratuito.
Até agora, foram devolvidos R$ 2,5 bilhões de reais a praticamente todos os 3,7 milhões de aposentados e pensionistas que fizeram a adesão ao programa de ressarcimento.

Avanços tecnológicos devem ajudar consumidores a economizar na conta de luz, diz diretor da Aneel

Avanços tecnológicos e a queda no custo dos medidores inteligentes estão entre os fatores que incentivam a modernização das tarifas de energia e devem facilitar a economia na conta de luz, afirmou nesta quarta-feira (12) o diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Sandoval Feitosa.
Na semana passada, a área técnica da agência propôs que a conta de luz passe a variar de acordo com o horário de consumo, com o objetivo de impulsionar o uso mais racional da energia elétrica e reduzir custos no sistema. A iniciativa ainda está em estudo (veja mais aqui).
Para Feitosa, o modelo atual de tarifa de energia elétrica para baixa tensão é ineficiente. Ele reconhece, contudo, que, sem os recursos tecnológicos disponíveis hoje, havia poucas alternativas para aprimorá-lo.
“A tarifa não traz sinais de preço, não reconhece o custo da energia elétrica ao longo do dia e também ao longo do ano. É uma formatação ineficiente”, disse.
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“Mas nós tínhamos que conviver com essa tarifa porque não tínhamos inovação tecnológica para fazermos essa migração eficiente, sem pressionar a tarifa energia elétrica ao consumidor final”, acrescentou.
“A inovação tecnológica que barateou bastante o preço dos medidores, as tecnologias de digitalização, maior interconectividade da sociedade, e também demanda de consumo de energia cada vez mais qualificado, ou seja, tudo isso misturado dá um cenário ideal, perfeito, para que nós tenhamos uma resposta para uma realidade”, destacou o diretor-geral da Aneel.
Por outro lado, Feitosa observou que o perfil mais dinâmico do consumidor impõe novos desafios à operação tradicional do sistema elétrico.
Segundo ele, o setor era historicamente baseado em uma matriz hidrotérmica, com ampla oferta de recursos hidrelétricos — o que permitia apenas complementar a geração com usinas térmicas nos horários de pico, quando o consumo de energia é maior.
Mas, atualmente, a situação é diferente. “Hoje temos uma variabilidade na geração e temos também, de alguma forma, que respondermos a essa variabilidade na geração com uma variabilidade na carga”, disse Sandoval, complementando que a forma mais adequada de fazê-la é com “sinal de preço”.
O que diz a proposta
Como mostrou o g1, a proposta prevê a criação de três classificações de horário:
💡pico, com tarifa mais alta;
💡intermediário, que corresponde normalmente a uma hora antes e uma hora depois do pico;
💡e fora de pico, que inclui madrugada, fins de semana e feriados.
Em cada faixa, o preço da energia seria diferente, refletindo a demanda do sistema.
Sandoval ressaltou que, dependendo da área de concessão, a tarifa “fora de pico” pode ser até 50% mais barata que a tarifa de pico e 15% do que a convencional.
‘Hora certa’ para consumir energia
Segundo técnicos envolvidos no estudo, a mudança busca dar um “sinal de preço” ao consumidor, deixando claro quanto custa a energia em cada momento do dia.
“A ideia é indicar a hora certa de consumir”, explicou uma fonte que participa das discussões.
Atualmente, a tarifa é uniforme, independentemente do horário de uso. Isso significa que quem consome energia nos períodos de pico paga o mesmo valor de quem utiliza o serviço em horários de menor demanda.
Com o novo modelo, o objetivo é educar o consumidor para concentrar o consumo em horários mais baratos, o que poderia gerar redução na conta de luz ao longo do tempo.
Fontes da Aneel admitem, porém, que a adaptação será gradual, já que o comportamento de consumo tende a mudar de forma lenta.
Implementação gradual
De início, o sistema deve abranger consumidores com maior consumo mensal, acima de 1.000 kWh/mês — grupo que inclui residências grandes e estabelecimentos comerciais.
Essa fase atingiria cerca de 2,5 milhões de unidades consumidoras, responsáveis por 25% do consumo de baixa tensão no país, e começaria em 2026.
Na segunda etapa, prevista para 2027, o modelo seria estendido a quem consome acima de 600 kWh/mês, o que incluiria outro grupo de 2,5 milhões de unidades.
A proposta ainda não tem efeito imediato. Por enquanto, o texto é apenas uma nota técnica, documento de caráter instrutório que precisa ser submetido à consulta pública e, depois, aprovado pela diretoria da Aneel.
Durante o debate, o colegiado também deve discutir se o consumidor poderá optar por retornar ao modelo atual após um período de adaptação.
Sandoval de Araújo Feitosa Neto, diretor da Aneel, durante reunião em comissão do Senado
Roque de Sá/Agência Senado

Galípolo chama poupança de 'Robin Hood às avessas' e defende novo modelo de crédito imobiliário

O presidente do Banco Central do Brasil (BC), Gabriel Galípolo, classificou a poupança como um “Robin Hood às avessas”, ao afirmar que o produto paga menos aos poupadores com menor acesso à informação para financiar crédito mais barato a outros segmentos.
A declaração foi feita nesta quarta-feira (12), em evento do Bradesco Asset, ao explicar por que o BC vem promovendo mudanças estruturais no modelo de crédito imobiliário.
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Segundo Galípolo, a poupança é um instrumento “apoiado na desinformação”, pois oferece liquidez diária e rendimento abaixo da taxa básica de juros, enquanto financia o crédito habitacional. Para ele, esse arranjo beneficia quem toma o empréstimo e penaliza quem investe.
“Você acaba sub-remunerando o poupador para oferecer crédito mais barato a quem está do outro lado — o que não é, do ponto de vista da progressividade da política econômica, a forma mais adequada. Ela [a poupança] é um Robin Hood às avessas”
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Novo modelo de financiamento imobiliário
Diante da queda nos depósitos da poupança, o Banco Central busca antecipar a transição para um novo modelo de financiamento imobiliário, sustentado por captações no mercado. Anunciada no início de outubro, a nova linha de crédito para compra da casa própria será voltada à classe média.
Segundo Galípolo, a estratégia busca aproximar o prazo dos recursos captados pelos bancos ao período dos empréstimos concedidos. Isso permite um maior equilíbrio entre as entradas e saídas de dinheiro — o que reduz a necessidade de manter parte dos recursos parados como depósitos compulsórios no Banco Central.
🤔 Depósitos compulsórios são recursos que os bancos obrigatoriamente precisam deixar guardados no Banco Central, e que não podem ser usados para fazer empréstimos ou investimentos. O objetivo é garantir a segurança do sistema financeiro.
Como era e como fica com o novo modelo
➡️ Pelas regras atuais, 65% dos recursos captados pelos bancos por meio da caderneta de poupança têm que ser direcionados obrigatoriamente ao crédito imobiliário; 15% estão livres para outras operações; e 20% ficam retidos no BC (os chamados depósitos compulsórios).
👉 Nesse modelo, o volume de crédito imobiliário depende do quanto as pessoas mantêm na poupança. Nos últimos anos, como muita gente tirou dinheiro da poupança, o volume de crédito encolheu.
Segundo Galípolo, esse novo desenho tende a aumentar a sensibilidade das taxas às decisões de política monetária do BC, fortalecendo o papel dos juros como instrumento de controle da atividade econômica.
“Se você conseguir aumentar essa sensibilidade, no final do dia você vai até aumentar a potência da política monetária do ponto de vista estrutural.”
Inflação em direção à meta
Sobre a política monetária, Galípolo afirmou que a trajetória da inflação rumo à meta de 3% tem sido mais lenta que o previsto.
“Até agora o que a gente assiste é que a política monetária funciona, mas de maneira mais lenta do que se vê no livro-texto”, disse.
O presidente do BC explicou, ainda, que a reação mais lenta da economia à política de juros reforça a necessidade de manter a taxa básica elevada.
🔎 Na semana passada, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu manter a Selic em 15% ao ano e reiterou que a taxa seguirá em patamares elevados por um “período prolongado”, até que a inflação alcance a meta.
No entanto, parte do mercado considerou a ata do Copom divulgada ontem mais branda, inclusive ao já incorporar preliminarmente nas projeções o efeito da isenção do Imposto de Renda sobre a economia.
Com a inflação abaixo do esperado em outubro, a ata disparou o aumento das apostas no mercado de que o BC poderia iniciar o ciclo de cortes da Selic já em janeiro de 2026.
De acordo com Galípolo, os dados mostram que a economia brasileira “está desacelerando, crescendo a taxas menores”, e a política monetária tem tido efeito, “mas de maneira gradual”.
Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, participa de entrevista à imprensa em Brasília 27/03/2025
Reuters

Tarifaço derruba importação de café brasileiro pelos EUA em mais de 50%, mas Trump quer isentar produto, diz associação

Afinal, café bom vai todo pra fora do Brasil?
As importações de café brasileiro pelos Estados Unidos caíram 51,5% no acumulado entre agosto e outubro, na comparação com o mesmo período de 2024, informou o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), nesta quarta-feira (12).
Entre o início do tarifaço e o fim de outubro, os Estados Unidos compraram 983.970 sacas de 60 kg. Nos mesmos três meses do ano anterior, foram mais de dois milhões.
“O Brasil sempre foi o produtor mais competitivo e é o principal provedor ao mercado de café dos EUA, mas a taxação de 50% torna inviável o envio do produto para lá. Esses embarques que temos observado são de contratos antigos”, diz Márcio Ferreira, presidente do Cecafé.
O presidente teme que, se as tarifas continuarem, o gosto do consumidor norte-americano mude, o que pode dificultar a retomada do mercado pelo Brasil. Isso porque já existem misturas de cafés (os chamados blends), sendo feitas nos EUA sem o grão brasileiro.
De janeiro a outubro, a queda foi de 28,1% ante 2024, somando 4,7 milhões de sacas. Apesar disso, o conselho informa que os EUA continuam sendo o principal importador do café brasileiro, responsável por 14,2% das vendas.
Segundo o Cecafé, representantes da indústria cafeeira dos EUA informaram que a Casa Branca avalia retirar as tarifas sobre o café brasileiro. O motivo seria a necessidade do produto e o aumento dos preços internos.
“Mas depende de sinalização positiva do Palácio do Planalto sobre as condições desejadas”, diz a nota da Cecafé.
Na terça-feira, o presidente Donald Trump afirmou que vai reduzir “algumas tarifas” sobre as importações do café, sem dizer de quais países, segundo a agência Reuters.
Atualmente, o café está na seção 3 da ordem executiva assinada por Trump, que inclui recursos naturais não produzidos pelos EUA. Para que as taxas sejam suspensas, é preciso um acordo bilateral entre os países.
O objetivo do Cecafé é transferir o produto para a seção 2, que permite a importação com tarifa zero.
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Não é só o tarifaço
As exportações totais de café, incluindo para outros países além dos EUA, tiveram uma queda de 20% em outubro na comparação com o mesmo mês em 2024. Foram 4 milhões de sacas ante 5 milhões no ano anterior.
Apesar da queda em volume, a receita cresceu 12,6% no mesmo período, somando US$ 1,6 bilhão.
Desde janeiro, a queda em volume foi similar, de 20,3% frente ao mesmo período do ano anterior. Já a receita cambial teve um crescimento de 27,6%, saltando de US$ 9,9 bilhões para US$ 12,7 bilhões.
Para Ferreira, além do tarifaço, outras questões têm prejudicado a exportação.
“O recuo das exportações era aguardado, principalmente por virmos de remessas recordes em 2024 e de uma safra com menor potencial produtivo. O cenário foi agravado, contudo, pela infraestrutura defasada nos portos brasileiros, que segue impossibilitando o embarque de centenas de milhares de sacas”, diz o presidente.
As vendas também foram impactadas pelas maiores cotações no mercado internacional.
A Alemanha, segundo maior comprador do café brasileiro, reduziu as importações em 35,4% entre janeiro e outubro, em comparação com 2024. No mesmo período, as compras da Itália caíram 19,7%, as do Japão cresceram 18,5% e os da Bélgica declinaram 47,5%.
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Governo divulga lotes de 4 marcas de azeites considerados impróprios para o consumo; veja quais

Entenda as fraudes de azeite mais comuns no Brasil
Quatro marcas de azeite foram desclassificadas por fraude, divulgou o Ministério da Agricultura nesta quarta-feira (12). São elas a Royal, a Godio, a La Vitta e a Santa Lucia.
Segundo nota do governo, os produtos não atendem aos padrões de identidade e qualidade estabelecidos pela legislação.
As amostras coletadas apontaram a presença de óleos vegetais de outras espécies na composição, o que caracteriza fraude. Por isso, elas são consideradas impróprias para consumo.
As 4 marcas foram desclassificadas e tiveram o recolhimento determinado.

O g1 entrou em contato com as empresas, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Veja outras marcas que já tiveram lotes proibidos em 2025
O que fazer se encontrar essas marcas no supermercado?
Comercializar os azeites fraudados constitui infração grave e os estabelecimentos que fazem a venda podem ser responsabilizados, informa o Ministério da Agricultura.
Caso a compra já tenha sido realizada, o governo orienta que o consumo seja interrompido imediatamente e que seja solicitada uma substituição, prevista pelo Código de Defesa do Consumidor.
Denúncias sobre a venda desses produtos podem ser registradas no canal oficial Fala.BR.
Ministério da Agricultura dá algumas pistas para encontrar um azeite de qualidade
Arte/g1
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De onde vem o azeite

Inflação na Argentina acelera para 2,3% em outubro com alta do dólar

Entenda por que, na Argentina, jornal e DVD contam mais que streaming na inflação
A inflação na Argentina foi de 2,3% em outubro, segundo o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), divulgado nesta quarta-feira (12) pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec). O resultado veio ligeiramente acima da expectativa de economistas.
O dado representa uma aceleração em relação aos 2,1% registrados em setembro. Já o índice acumulado em 12 meses até outubro ficou em 31,3%, abaixo dos 31,8% registrados no mês anterior. Segundo o ministro da Economia, Luís Caputo, trata-se da menor taxa anual desde julho de 2018.
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Os setores de maior alta em outubro foram o de transporte (3,5%) e o de habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis (2,8%). Na sequência, vieram bens e serviços diversos (2,4%), roupas e calçados (2,4%) e bebidas alcoólicas e tabaco (2,4%).
Os dados do Indec mostram que o índice oficial de preços da Argentina apresentou progresso ao longo do primeiro ano de gestão do presidente ultraliberal Javier Milei. Em 2025, no entanto, a taxa mensal estagnou entre 2% e 3%, ficando apenas algumas divulgações abaixo de 2%.
O país passa por um forte ajuste econômico sob o comando de Milei. Nos últimos meses, uma crise política afetou as expectativas, e o líder argentino buscou o apoio de Donald Trump, nos Estados Unidos, para conter a instabilidade nos mercados e no câmbio. (leia mais abaixo)

Ajuste econômico e impacto nos preços
A Argentina, que já vinha enfrentando uma forte recessão, passa por uma ampla reforma econômica. Após tomar posse, em dezembro de 2023, Milei decidiu paralisar obras federais e interromper o repasse de dinheiro para os estados.
Foram retirados subsídios às tarifas de água, gás, luz, transporte público e serviços essenciais. Com isso, houve um aumento expressivo nos preços ao consumidor.
O país também observou uma intensificação da pobreza no primeiro semestre de 2024, com 52,9% da população nessa situação. Já no primeiro semestre de 2025, o percentual caiu para 31%.
Por outro lado, o presidente conseguiu uma sequência de superávits (arrecadação maior do que gastos) e retomada da confiança dos investidores.
Crise política
Nos últimos meses, no entanto, Milei tem enfrentado uma forte crise política após um suposto escândalo de corrupção envolvendo Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente.
Um áudio gravado por um ex-aliado de Javier Milei, no qual Karina é acusada de corrupção, vazou para a imprensa e está sendo investigado pela Justiça. Leia mais aqui.
Em meio à crise, Javier Milei sofreu uma dura derrota, em setembro, nas eleições da província de Buenos Aires — a mais importante da Argentina, que concentra quase 40% do eleitorado nacional.
Os reflexos foram sentidos no mercado: os títulos públicos, as ações das empresas e o peso argentino despencaram um dia após o pleito.
Com o resultado, a moeda argentina atingiu seu menor valor histórico até então, cotada a 1.423 por dólar. Conforme mostrou o g1, o peso derreteu mais de 27% frente ao dólar em 2025, liderando as perdas no ano. O cenário é bastante prejudicial para a inflação.
Apoio de Trump e vitória nas eleições legislativas
O pessimismo no mercado surgiu após investidores demonstrarem preocupação de que o governo de Javier Milei não conseguiria avançar com sua agenda de cortes de gastos e reestruturação das contas públicas na Argentina.
A partir de então, ocorreram sucessivas quedas do peso em relação ao dólar, levando o Banco Central da Argentina a retomar intervenções no câmbio para controlar a disparada da moeda norte-americana (leia mais abaixo).
A volatilidade só começou a ceder depois que o governo dos EUA anunciou apoio à Argentina. Em 20 de outubro, os países oficializaram um acordo de swap cambial de US$ 20 bilhões. Além disso, foi prometido outro incentivo do mesmo valor, elevando o socorro financeiro para US$ 40 bilhões.
Na prática, as medidas aumentam o volume de dólares nas reservas argentinas e buscam recuperar a confiança dos investidores.
Após a confirmação do apoio financeiro pelo governo de Donald Trump, Javier Milei obteve, em 26 de outubro, uma vitória importante nas eleições para a Câmara dos Deputados e o Senado, o que ajudou a conter a disparada do dólar — e pode garantir a continuidade das reformas do atual governo.
Milei anunciou pacote de medidas para tentar aumentar a circulação de dólares na economia argentina
Agustin Marcarian/Reuters
Acordo com o FMI
No início do governo Milei, a melhora nos indicadores econômicos fez com que o líder alcançasse, em 11 abril, um acordo de US$ 20 bilhões em empréstimos junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI). A primeira parcela, de US$ 12 bilhões, foi disponibilizada ao país poucos dias depois.
O repasse dos recursos representa um voto de confiança do fundo internacional no programa econômico do presidente argentino. Os valores anunciados se somam a dívidas antigas do país junto ao FMI, que já superavam os US$ 40 bilhões.
Nesse cenário, reduzir a inflação é fundamental para o governo do líder argentino, que deseja eliminar completamente os controles de capitais que prejudicam os negócios e os investimentos. Para isso, Milei quer que a inflação permaneça abaixo de 2% ao mês.
Logo após o acordo com o FMI, o banco central da Argentina anunciou uma redução dos controles cambiais, o chamado “cepo”. A flexibilização determinou o fim da paridade fixa para o peso argentino e introduziu o “câmbio flutuante” — quando o valor da moeda é determinado pela oferta e demanda do mercado.
Com isso, o governo de Javier Milei passou a ensaiar o fim do sistema de restrição cambial que estava em vigor desde 2019, limitando a compra de dólares e outras moedas estrangeiras pelos argentinos. A deterioração recente nos mercados, porém, fez o país voltar a intervir no câmbio. (leia abaixo)
Medidas econômicas
Nos últimos meses, o governo e o Banco Central da Argentina lançaram medidas de naturezas monetária, fiscal e cambial para injetar dólar no país, com o objetivo de fortalecer o cumprimento do acordo com o FMI para a recuperação econômica.
Em 22 de maio, o governo também anunciou sua decisão de permitir que os cidadãos utilizem dólares mantidos fora do sistema financeiro — ou seja, guardados “debaixo do colchão” — sem a obrigatoriedade de declarar a origem dos recursos.
Em 10 de junho, lançou medidas como a flexibilização no uso de pesos e dólares no mercado de títulos públicos e um plano de captação de empréstimo de US$ 2 bilhões com emissões de títulos. Além disso, se comprometeu a reduzir a emissão de moeda pelo BC.
Já na semana anterior às eleições de Buenos Aires — e em meio à forte queda do peso frente ao dólar —, o governo de Milei anunciou sua intervenção no mercado de câmbio.
O secretário de Finanças, Pablo Quirno, afirmou em 2 de setembro que o Tesouro Nacional atuaria diretamente na compra e venda de dólares para garantir oferta suficiente e evitar desvalorizações abruptas.
O objetivo do governo é estabilizar a inflação, reforçar as reservas comerciais, melhorar o câmbio e atrair investimentos, enquanto avança no rigoroso ajuste econômico promovido por Milei.

Banco do Brasil tem lucro de R$ 3,8 bilhões no 3º trimestre, queda anual de 60%

Agência do Banco do Brasil
Divulgação
O Banco do Brasil (BB) reportou nesta quarta-feira (12) lucro líquido gerencial de R$ 3,8 bilhões no terceiro trimestre, queda de 60,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
O ganho, registrado em um período de forte redução do retorno sobre o patrimônio, ficou acima da expectativa dos analistas, de R$ 3,6 bilhões.
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O lucro contábil, por sua vez, totalizou R$ 3 bilhões, queda de 0,2% na comparação trimestral e de 66% em um ano.
O banco também informou nesta quarta que revisou sua projeção anual de lucro, que passou da faixa de R$ 21 bilhões a R$ 25 bilhões para a de R$ 18 bilhões a R$ 21 bilhões.
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Já o custo do crédito foi ajustado para a faixa de R$ 59 bilhões a R$ 62 bilhões, frente aos R$ 53 bilhões a R$ 56 bilhões previstos anteriormente.
A margem financeira bruta do BB atingiu R$ 26,4 bilhões no terceiro trimestre, alta 5,1% na comparação trimestral e de 1,9% na anual.
Enquanto isso, a carteira de crédito expandida atingiu R$ 1,28 trilhão, avanço de 7,5% nos últimos 12 meses e retração de 1,2% no trimestre.
Segundo o banco, a inadimplência acima de 90 dias encerrou setembro em 4,93%, uma alta de 0,72 ponto percentual na comparação com junho.
Já a inadimplência da carteira agro atingiu 5,34%, aumento de 1,85 ponto, principalmente na cultura da soja e nas regiões Centro-Oeste e Sul do país, informou o Banco do Brasil, que também citou o efeito dos pedidos de recuperação judicial no segmento.
* Com informações da agência de notícias Reuters.