Executiva que comanda o Signal contesta previsões de 'apocalipse de IA' e diz que risco é o uso descuidado da inteligência artificial

Meredith Whittaker acredita que não há evidências científicas de que a inteligência artificial possa se voltar contra os seres humanos.
Alvaro Alvarez/ BBC
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Meredith Whittaker rejeita as previsões catastróficas sobre a inteligência artificial (IA) que ganham destaque no noticiário. Para ela, os alertas de que a tecnologia poderia se voltar contra a humanidade se baseiam em um temor “sem fundamento científico”.
“O risco é muito real”, afirma Whittaker, presidente da Signal Foundation, organização responsável pelo aplicativo de mensagens criptografadas Signal. “Mas não tem nada a ver com essas histórias fantasiosas contadas por garotos alarmistas.”
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Whittaker considera que o perigo mais imediato está no uso irresponsável da tecnologia.
Ela menciona um suposto caso noticiado pela emissora americana CNN, no qual um chatbot utilizado pelos serviços de inteligência dos Estados Unidos teria inventado informações sobre um navio chinês que supostamente transportava material nuclear.
Segundo a reportagem, o episódio levou os EUA a preparar uma resposta militar.
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“Quase entramos em guerra com a China”, afirma Whittaker ao BBC Global Women, do Serviço Mundial da BBC. “Um sistema que fornece informações de inteligência falsas e quase provoca uma guerra com a China não pode ser considerado superinteligente, seja qual for o critério adotado.”
O Signal tem entre 40 milhões e 70 milhões de usuários, segundo estimativas — um número muito inferior ao do concorrente WhatsApp, que conta com cerca de 3 bilhões de usuários, também segundo estimativas.
No entanto, o aplicativo Signal é conhecido por sua postura rigorosa na proteção da privacidade dos usuários. Seus servidores não têm acesso à identidade de quem envia as mensagens, o que reduz a quantidade de informações que podem ser obtidas por terceiros ou invasores.
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Protesto contra o Projeto Maven
Whittaker foi apontada pela revista americana Time como uma das pessoas mais influentes na área de IA.
Ela participa de discussões sobre o futuro da tecnologia em alguns dos principais centros de poder do mundo, de empresas do Vale do Silício à sede do governo britânico, em Downing Street, passando pelo Fórum Econômico Mundial, em Davos (Suíça), e pelo Vaticano.
Ela estudou literatura na graduação e começou a trabalhar no Google em 2006, como funcionária temporária em um cargo inicial, sem formação em ciência da computação.
Whittaker ganhou notoriedade no fim de 2017, quando soube por um colega da existência do Projeto Maven, um contrato secreto entre o Google e o Departamento de Defesa dos Estados Unidos para desenvolver sistemas de IA capazes de identificar alvos para ataques com drones.
Ela compreendeu o que significava “encurtar a cadeia de ataque”: reduzir o intervalo entre a identificação de um alvo por uma máquina e a decisão humana de disparar, deixando menos tempo para avaliar as consequências.
“Isso vai fazer com que informações de inteligência e dados de má qualidade pareçam confiáveis”, lembra ter dito publicamente.
No ano seguinte, Whittaker ajudou a organizar uma paralisação que mobilizou cerca de 20 mil funcionários.
Eles protestavam contra a atuação do Google em diversas questões, incluindo o que consideravam uma implementação apressada de novas tecnologias. O Google desistiu do contrato, que foi assumido pela Palantir.
Whittaker critica a falta de apoio de investidores de capital de risco a startups comandadas por mulheres
Alvaro Alvarez/ BBC
Whittaker relaciona diretamente o Projeto Maven ao ataque com mísseis dos EUA contra uma escola no Irã neste ano. Segundo ela, a operação utilizou o sistema e se baseou em informações de inteligência desatualizadas, que identificavam a escola como um alvo militar.
“Era exatamente isso que estávamos alertando em 2017”, afirma.
A Palantir foi procurada pelo programa Global Women e declarou que “não há evidências de que o software da empresa tenha sido responsável por essa terrível tragédia”.
A empresa acrescentou que “a Palantir não é responsável pelos dados utilizados pelo sistema nem pela identificação de falhas nas informações de inteligência”.
No início deste ano, Louis Mosley, diretor da Palantir no Reino Unido e na Europa, disse à BBC que “sempre há uma pessoa envolvida no processo, portanto a decisão final é sempre tomada por um ser humano”.
As Forças Armadas dos EUA ainda não divulgaram os resultados da investigação sobre o ataque à escola em Minab, no Irã, mas o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, afirmou que os militares “jamais atacariam alvos civis”.
‘Tenho princípios’
Governos, incluindo o do Reino Unido, defendem ter mais acesso às conversas em aplicativos de mensagens como o Signal e o WhatsApp. Uma das principais justificativas é a de proteger mulheres e crianças.
Durante a semana de tecnologia London Tech Week 2026, o então primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, afirmou que as empresas de tecnologia teriam de identificar e bloquear imagens de nudez nos dispositivos usados por crianças, sob pena de enfrentar novas leis.
Whittaker argumenta que as crianças conseguiriam contornar qualquer medida desse tipo e classifica a proposta do governo como “um sistema sem precedentes de controle das comunicações e das informações”.
O Departamento de Ciência, Inovação e Tecnologia do Reino Unido informou à BBC que está preparando propostas de mudanças na lei sobre o assunto.
O Signal deixaria de operar em algum país, incluindo o Reino Unido, caso fosse obrigado a enfraquecer a criptografia de suas mensagens?
“Sim! Meu Deus, eu tenho princípios”, responde Whittaker. “Eles não mudam conforme meu humor. Nem por orientação de consultores.”
Segundo Whittaker, se fosse necessário submeter à vigilância pessoas “que confiam em nós, às vezes em situações de vida ou morte, e que poderiam ter essas informações usadas contra elas”, a empresa “deixaria de atuar naquele mercado”.
O aplicativo está total ou parcialmente bloqueado na Rússia, na China e no Irã.
Whittaker aconselha mulheres que trabalham com tecnologia a não se deixar intimidar
Alvaro Alvarez/ BBC
Rani Govender, responsável pela área de segurança infantil na internet da Sociedade Nacional para a Prevenção da Crueldade contra Crianças (NSPCC, na sigla em inglês), disse à BBC que a organização recebe relatos de crianças que foram aliciadas e levadas a usar plataformas com criptografia de ponta a ponta, nas quais são coagidas a produzir material de abuso sexual infantil.
“As empresas de tecnologia são responsáveis pelas decisões que tomam ao desenvolver seus produtos e não podem ignorar os riscos que essas escolhas podem representar para as crianças.”
Mas o Signal conta com o apoio de algumas organizações de defesa dos direitos das mulheres, especialmente de países do Sul Global, cujas integrantes também utilizam o aplicativo.
“Em tempos de vigilância estatal e ataques cibernéticos, o Signal é uma ferramenta de sobrevivência”, afirma Hera Hussain, fundadora da Chayn, organização de combate à violência de gênero que atua em todo o sul da Ásia.
“Como qualquer plataforma, ele também pode ser usado por pessoas mal intencionadas, e precisamos reconhecer essa realidade.”
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‘O que vamos fazer com as cozinhas?’
Cito a Whittaker um caso ocorrido no Canadá, em que policiais trocaram mensagens racistas e misóginas em um grupo do Signal. O conteúdo só veio a público depois que um dos participantes o repassou à imprensa.
O advogado de um dos policiais afirmou que os homens acreditavam que suas conversas no Signal eram tão privadas e seguras quanto as que tinham dentro de casa.
“Se eles tivessem conversado na cozinha e um dos amigos os tivesse dedurado, a pergunta seria: ‘O que vamos fazer com as cozinhas?'”, questiona Whittaker.
“O aplicativo precisa funcionar para todos, caso contrário não funciona para ninguém. Esse é o princípio dos direitos fundamentais. Eles valem até para os idiotas.”
Ela menciona o caso de uma mulher nos EUA que foi presa depois que a Meta (dona de Instagram, WhatsApp e Facebook) entregou a autoridades mensagens que mostravam que ela havia ajudado a filha a ter acesso a um aborto em um Estado onde o procedimento havia sido criminalizado.
Segundo Whittaker, a privacidade das comunicações protege as pessoas de diferentes ameaças, como “um marido abusivo, um policial misógino com acesso a um banco de dados ou um governo autoritário que acredita que as mulheres não devem estudar”.
Pergunto o que ela diria a uma mulher que deseja trabalhar na área de tecnologia, mas se sente intimidada pelo machismo no setor.
“Você gosta mesmo disso?”, questiona. “Quando se senta diante de um computador, sente aquela empolgação? Gosta de experimentar e desenvolver sistemas de inteligência artificial?”
Ela faz uma pausa antes de continuar: “Você consegue lidar com ambientes interessantes, mas complicados, onde nem todo mundo vai ser simpático? Porque não há nada mais perigoso do que demonstrar covardia diante de alguém que pratica intimidação”.
Pergunto se esses ambientes estão cheios de pessoas assim.
Uma colega de Whittaker intervém: “Acho que já são 14h”, horário combinado para o fim da entrevista.
Whittaker sorri. “Eu diria para não ser puxa-saco”, afirma, usando uma expressão para se referir a quem bajula excessivamente pessoas em posição de autoridade.
“Isso não vai ajudar em nada. Não ria de uma piada se você não a achar engraçada.”
Essa reportagem é parte do Global Women, do Serviço Mundial da BBC, que compartilha histórias importantes e inéditas sobre mulheres ao redor do mundo.
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Oliveiras destruídas e lavouras bloqueadas por tropas israelenses: a luta para produzir azeite em Gaza

O agricultor palestino Haidar Abu Middain, de 60 anos, caminha por suas terras danificadas
REUTERS/Mahmoud Issa
Haidar Abu Middain, de 60 anos, levanta um galho ressecado de uma oliveira caída e o joga de lado, sobre o solo árido do que um dia foi um dos pomares mais prósperos da região central de Gaza.
O pomar da família, dividido com irmãos e tios, ocupava 900 dunums — cerca de 90 hectares — repletos de oliveiras que, nesta época do ano, estariam carregadas de frutos maduros.
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Toda a família participava da colheita de cerca de 1.500 toneladas de azeitonas, reunidas em cestos.
Parte da produção era vendida in natura, e o restante era prensado, gerando azeite suficiente para encher até 900 tambores de 16 litros, recipiente em que o produto costuma ser comercializado.
Hoje, quase metade do pomar encontra-se além da “linha amarela”, vigiada por tropas israelenses que impedem os palestinos de acessar dois terços da Faixa de Gaza. A outra metade, embora ainda acessível, foi em grande parte destruída por tratores.
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Apenas 20 ou 30 árvores continuam de pé. Abu Middain estima que elas produzirão apenas dois tambores de azeite, quantidade insuficiente até para atender às necessidades da própria família.
“Antes da guerra, a colheita era uma bênção; era o suficiente para garantir o sustento de nossas famílias”, disse ele à Reuters. “A produção daqui costumava ser suficiente para abastecer toda a região central, tanto com azeite quanto com azeitonas.”
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Cultura e refúgio
Antes da guerra, as azeitonas eram um dos principais símbolos da agricultura de Gaza. Delas se extraía azeite em quantidade suficiente para compor a base da dieta local, com um pequeno excedente exportado para Israel.
Os pomares sombreados, que cercavam as cidades de concreto de Gaza, serviam de refúgio para as famílias em um dos territórios mais densamente povoados do mundo.
Mas, um ano após o cessar-fogo que encerrou os principais combates, quase todos esses pomares foram arrasados por tratores.
As autoridades agrícolas de Gaza estimam que, de um total de 2 milhões de oliveiras que existiam no território, restem apenas 150 mil.
A previsão é de uma colheita de cerca de 5 mil toneladas de azeitonas, ante as 40 mil habituais, resultando na produção de apenas 700 toneladas de azeite, contra as 5 mil produzidas normalmente.
Palestinos colhem azeitonas de uma árvore em uma propriedade agrícola em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza
REUTERS/Mahmoud Issa
Azeite mais caro
Nesta época do ano, os mercados de Gaza costumavam ficar repletos de cestos de azeitonas e barris de azeite recém-extraído. Hoje, quase não há produto disponível.
O pouco que chega ao mercado é vendido por cerca de três vezes o preço praticado antes da guerra, quase US$ 500 por barril. O valor está muito acima do que as famílias de Gaza podem pagar, relata Imad al-Ajrami, de 33 anos, cliente de um mercado em Deir al-Balah.
As autoridades informam que apenas sete prensas de azeite continuam em operação, número muito inferior às cerca de 40 que existiam antes da guerra. Elas mal funcionam, diz Fawaz Zidan, que manteve sua prensa aberta em Deir al-Balah.
“Comparado aos anos anteriores à guerra, é como se não restasse nada. Não há azeitonas; tudo foi arrasado por tratores, as azeitonas desapareceram”, disse ele, enquanto moradores formavam fila com galões de plástico para coletar o azeite fresco que saía da prensa.
Palestinos sentam-se em um lagar de azeitonas em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 5 de outubro de 2026.
REUTERS/Mahmoud Issa
Em Deir al-Balah, pequena área no centro de Gaza declarada pelas forças israelenses como “zona segura” e que não foi invadida durante o conflito, um dos poucos olivais remanescentes do território serve de refúgio para Khalil Mansi e sua família durante a colheita.
Eles colhiam as azeitonas verdes. Os frutos caíam dos galhos e produziam um som ritmado ao atingir o pano branco estendido no chão. Meninos descalços subiam em escadas para alcançar os galhos mais altos.
Eles colhiam as azeitonas verdes; os frutos caíam dos galhos, produzindo um som ritmado ao atingir o pano branco estendido no chão. Meninos, descalços, subiam em escadas para alcançar os galhos mais altos.
Meninas, sentadas logo abaixo, separavam as azeitonas das folhas e gravetos. Mais tarde, a família sentou-se para um piquenique à sombra.
Ahmed Khader, de 38 anos, saiu para trabalhar na colheita. Segundo ele, antigamente a temporada garantia emprego por dois ou três meses a trabalhadores como ele. Agora, sente-se grato por conseguir uma única diária.
“Mas ainda precisamos garantir o sustento dos nossos filhos, colocar algo para eles comerem; queremos tentar ganhar o nosso pão de cada dia.”
Palestinos comem em uma plantação de oliveiras em Deir Al-Balah, na região central da Faixa de Gaza, em 20 de setembro de 2026.
REUTERS/Mahmoud Issa
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País mais feliz do mundo, Finlândia enfrenta crise, pode cortar serviços públicos e benefícios

Helsinque, capital da Finlândia
Unsplash/Tapio Haaja
O clima é de apreensão na Finlândia, eleita o país mais feliz do mundo por nove anos consecutivos. Um inverno mais rigoroso do que o habitual se aproxima, acompanhado do orçamento de austeridade mais duro dos últimos anos.
Com eleições marcadas para abril de 2027, a discussão já não gira em torno de quanto cortar, mas de quais serviços públicos, benefícios sociais e aposentadorias sofrerão as maiores reduções.
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Apesar das dificuldades econômicas, a Finlândia continua liderando o Relatório Mundial da Felicidade, que classifica os países a partir da avaliação que seus habitantes fazem da própria vida. Na edição de 2026, o Brasil apareceu na 32ª posição entre 147 países.
A dívida pública e o déficit fiscal da Finlândia estão nos piores níveis desde a década de 1990, quando uma crise bancária e o colapso da União Soviética, então um importante parceiro comercial, mergulharam o país nórdico em uma profunda recessão.
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Endividamento dispara desde a pandemia
Em setembro, o instituto nacional de estatísticas da Finlândia confirmou que a dívida pública havia chegado a 90,3% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre. Antes da pandemia de covid-19, esse percentual era de aproximadamente 65%.
Para efeito de comparação, a dívida bruta do governo geral brasileiro correspondia a 82,5% do PIB em julho de 2026, segundo o Banco Central. Os indicadores, porém, seguem metodologias distintas.
Mais uma vez, os problemas a leste do país ajudam a explicar a situação. A Finlândia ampliou os gastos com defesa depois de ingressar na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em 2023, um ano após o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia.
Finlândia entra formalmente na Otan
Helsinque, que antes dependia da Rússia para cerca de um terço de seu abastecimento energético, também enfrentou custos muito mais elevados durante a transição para outros fornecedores.
O governo finlandês gasta mais do que arrecada desde a crise financeira mundial de 2008 e 2009, em parte devido ao envelhecimento da população e ao crescimento econômico lento. Em setembro, o Tesouro Nacional projetou que o déficit fiscal chegaria a 4,2% do PIB em 2026.
União Europeia pressiona por redução do déficit
A União Europeia (UE) intensificou a pressão sobre a Finlândia para reduzir o déficit fiscal. Pelas regras do bloco, os países-membros devem manter o déficit público abaixo de 3% do PIB e a dívida pública dentro do limite de referência de 60%.
Em janeiro, o Conselho da UE abriu um procedimento por déficit excessivo contra a Finlândia e deu ao país até o fim de 2028 para corrigir a situação.
O governo do primeiro-ministro Petteri Orpo, que assumiu o poder em junho de 2023, anunciou que pretendia economizar cerca de 9 bilhões de euros durante a atual legislatura.
Petteri Orpo celebra vitória do partido Coligação Nacional, de direita, na eleição da Finlândia, em 2023
Antti Aimo-Koivisto/Lehtikuva via AP
Mas, segundo economistas, quem vencer as próximas eleições terá que promover cortes muito mais profundos.
“As estimativas atuais variam entre 8 bilhões e 11 bilhões de euros”, afirmou à Jarkko Kivisto, assessor do departamento de política monetária e pesquisa do Banco da Finlândia.
No início de 2026, todos os partidos políticos, com exceção de um, concordaram em apoiar a adoção de um mecanismo de contenção da dívida pública, pelo qual o próximo governo se comprometeria a reduzir o déficit fiscal para cerca de 2% do PIB até 2031.
Governo descarta aumento de impostos
Até agora, o Partido da Coalizão Nacional, de centro-direita, liderado por Orpo, é o único que prometeu realizar cortes adicionais de 9 bilhões de euros caso o primeiro-ministro conquiste um segundo mandato.
Além de novas economias nas áreas de saúde, assistência social e benefícios sociais, Orpo pretende promover mudanças nos regimes de previdência vinculados ao emprego, sem reduzir os benefícios atualmente pagos.
Enquanto os social-democratas defendem uma combinação de cortes de gastos e aumentos de impostos, Orpo pretende alcançar sua meta sem elevar a carga tributária. Isso significa que os serviços públicos terão que arcar com a maior parte do ajuste.
Kivisto, porém, fez um alerta: “O déficit é tão grande que seria necessário um pacote que incluísse aumentos de impostos e cortes de despesas.”
Bandeiras da Finlândia e da Otan são expostas no topo dos mastros em Helsinki, capital finlandesa
Lehtikuva/Antti Hamalainen via REUTERS
Embora a proporção de pessoas em risco de pobreza na Finlândia seja inferior à média da UE, o desemprego é o mais alto entre os países do bloco.
Em agosto, a taxa de desemprego finlandesa estava em 10,3%, pouco acima dos 10% registrados na Espanha, segundo a Eurostat, agência de estatísticas da UE. Entre os jovens, o desemprego chegou a 23,3%, diante de uma média de 15,4% na UE.
Com a queda já registrada no consumo das famílias, Lauri Holappa, diretor do Centro Finlandês de Nova Análise Econômica, alertou que uma nova rodada de austeridade representaria um duro golpe para a economia do país.
“Mais de um quarto da população trabalha no setor público. Portanto, se esses trabalhadores enfrentarem a ameaça de demissão, a taxa de poupança aumentará e o consumo privado voltará a cair”, afirmou.
Uma sucessão de crises, desde a pandemia de covid-19 até a alta dos juros e os impactos econômicos globais das guerras na Ucrânia e no Irã, prejudicou as tentativas de reduzir o déficit fiscal. A proposta orçamentária para 2027 ainda prevê um rombo de 12,4 bilhões de euros.
Gastos militares crescem após invasão russa
Antes mesmo da guerra na Ucrânia, a Finlândia já havia se comprometido a comprar 64 caças F-35A dos Estados Unidos, em um acordo de aproximadamente 8,4 bilhões de euros.
Ao longo de mais de quatro anos de guerra da Rússia contra a Ucrânia, o país nórdico elevou seus gastos militares de 4,5 bilhões para mais de 8 bilhões de dólares por ano, segundo o Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (Sipri).
Enquanto a paz não vem, Europa se mantém em alerta, preparando a população para um confronto maior
Em abril, o governo anunciou que aumentaria ainda mais as despesas com defesa, para 3,2% do PIB, percentual próximo da meta de 3,5% da Otan.
Com os preços do petróleo ainda próximos de 100 dólares por barril devido à guerra no Irã, o governo tem resistido à pressão para ampliar os subsídios aos combustíveis.
Isso apesar de o Banco da Finlândia ter registrado um aumento de 50% no custo da energia importada nos primeiros meses do conflito.
A transição da Finlândia para fontes renováveis de energia, juntamente com a entrada em operação da usina nuclear Olkiluoto 3, em 2023, ajudou a evitar uma crise energética mais grave.
Ainda assim, o banco central alertou durante o verão europeu que a manutenção dos preços elevados do petróleo e do gás resultaria em “menor crescimento econômico e inflação mais alta” em 2027.
Por outro lado, alguns segmentos do setor exportador finlandês estão em forte expansão, impulsionados pela demanda por metais e pelas encomendas à indústria naval.
Holappa comparou esse desempenho ao dos “anos de ouro da Nokia”, período em que a fabricante de celulares, então líder de mercado, impulsionava o crescimento econômico do país.
“Existe a possibilidade de que o setor exportador nos tire desta recessão”, avaliou, desde que a demanda do restante da Europa permaneça elevada.
Investidores ainda confiam na economia finlandesa
Apesar das dificuldades para reduzir o déficit fiscal, a reação dos mercados ao endividamento da Finlândia tem sido moderada até agora.
As agências de classificação de risco mantiveram a perspectiva de crédito do país estável, com exceção da S&P, que a alterou para negativa em abril, sem rebaixar a nota de crédito.
Em 6 de outubro, o governo finlandês pagava um prêmio de risco de 0,38 ponto percentual em relação à Alemanha para tomar empréstimos com prazo de dez anos. Na França, esse diferencial era de 1,28 ponto percentual e, na Itália, de 1,07 ponto percentual.
Em outras palavras, os investidores ainda consideram a dívida finlandesa uma das mais seguras da Europa.
Isso, porém, desde que o próximo choque econômico não seja uma nova disparada prolongada dos preços do petróleo, uma escalada das tensões com a Rússia ou uma crise de dívida em toda a Europa, tendo a França como epicentro.
Em março de 2027, a Finlândia ainda poderá ser eleita o país mais feliz do planeta pelo décimo ano consecutivo. Mas ninguém sabe por quanto tempo os sorrisos vão durar quando, um mês depois, chegar a conta de décadas de endividamento.
Vista de Helsinque, capital da Finlândia; país tem um dos mais altos PIBs per capita e é o ‘mais feliz do mundo’
Ints Kalnins/Reuters

Após três anos de alta, pedidos de recuperação judicial no agro caem no 2º trimestre

Seu café tradicional mudou? Entenda o que está diferente na composição
O agronegócio brasileiro registrou 448 pedidos de recuperação judicial no segundo trimestre, volume 20,7% menor que o observado no mesmo período do ano anterior.
Foi a primeira queda para um segundo trimestre desde 2022, segundo análise da Serasa Experian divulgada nesta segunda-feira (19).
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O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também mostrou retração em relação aos três primeiros meses de 2026, quando as solicitações de recuperação judicial somaram 474 (-5,5%).
Apesar de positiva diante do atual cenário de endividamento dos produtores rurais, a desaceleração deve ser interpretada com cautela, disse o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.
“A retração nesse segundo trimestre registrada em pelo menos dois dos três perfis analisados pode estar relacionada a um período de maior entrada de receitas para parte dos produtores, à sazonalidade das atividades agropecuárias e ao avanço de renegociações com credores”, explicou Pimenta.
“Por isso, é importante acompanhar se essa redução será sustentada nos próximos trimestres”, acrescentou. Segundo ele, o ambiente segue desafiador, com custos elevados e crédito mais seletivo.
O Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do Brasil, continuou liderando o número de pedidos de recuperação judicial entre os estados, com 107 registros.
Em seguida aparecem Goiás (84), São Paulo (72), Minas Gerais (54) e Paraná (42).
Por atividade, o cultivo de soja — principal cultura do país — concentrou 70 solicitações de recuperação judicial, seguido pela criação de bovinos, com 28, segundo a Serasa.
Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa física caíram 10,5% na comparação com o segundo trimestre de 2025, para 197. Já as solicitações de produtores pessoa jurídica recuaram 34,2%, para 160.
Na análise por porte, os produtores classificados como “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 70 pedidos.
Em seguida aparecem os grandes proprietários, com 51 solicitações; os pequenos, com 39; e os médios, com 37.
Chapéu, produtor rural
Foto de setengah lima sore

Uber escapa de indenização de R$ 2,3 bilhões pedida por taxistas de Londres

Táxis tradicionais de Londres circulam pela Oxford Street, na capital britânica.
REUTERS/Belinda Jiao/File Photo
A Uber conseguiu, nesta segunda-feira (19), derrubar dois processos que pediam cerca de £ 340 milhões (R$ 2,3 bilhões) em indenizações.
As ações foram movidas por milhares de taxistas tradicionais de Londres e por duas antigas empresas de transporte privado.
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A empresa foi processada em 2024 por supostas irregularidades na obtenção de uma licença para operar serviços de transporte privado na capital britânica.
Os autores das ações alegaram que a Uber forneceu informações “enganosas e imprecisas” à Transport for London, responsável pelo sistema de transportes da cidade.
Agora no g1
Os processos, apresentados à Alta Corte de Londres, pediam quase £ 200 milhões (R$ 1,35 bilhão) em indenizações para cerca de 13 mil taxistas tradicionais.
Outra ação, movida em nome das empresas Kabbie e Iride, que encerraram suas atividades, reivindicava cerca de £ 140 milhões (cerca de R$ 945 milhões).
A Uber negou as acusações e argumentou que os processos foram apresentados após o prazo legal de seis anos para esse tipo de ação, o que justificaria sua rejeição.
Em decisão por escrito, o juiz Simon Birt afirmou que os autores poderiam ter descoberto a suposta fraude antes de 2018, seis anos antes da apresentação dos processos.
Assim, rejeitou as ações com base no prazo legal, sem analisar o mérito das acusações.
“Estamos satisfeitos que o tribunal tenha rejeitado todas essas ações por completo, na primeira oportunidade possível, e que a decisão de hoje tenha colocado definitivamente essas questões antigas no passado”, afirmou um porta-voz da Uber.
Os processos se concentravam nas informações fornecidas pela Uber à Transport for London quando a empresa obteve, em 2012, sua primeira licença para operar serviços de transporte privado.
Desde então, a companhia conquistou uma parcela significativa dos clientes dos tradicionais táxis pretos de Londres, conhecidos como black cabs.
“Estamos obviamente muito decepcionados e, junto com a equipe jurídica, estamos avaliando todas as opções disponíveis para os taxistas que movem a ação”, afirmou um porta-voz da RGL Management, empresa que administrou os processos em nome dos autores.
A decisão desta segunda-feira antecede um processo ainda maior envolvendo a Uber em Londres, previsto para a próxima semana.
Na ocasião, a empresa enfrentará a autoridade tributária britânica em uma disputa fiscal de mais de £ 1 bilhão (R$ 6,75 bilhões).

Elon Musk promete dar ações da SpaceX a crianças dos EUA; doação pode valer R$ 53 bilhões

O presidente dos EUA, Donald Trump, e o fundador e CEO da SpaceX e da xAI, Elon Musk, falam com jornalistas na entrada da Casa Branca após um almoço com líderes do setor de tecnologia na Sala Leste, em Washington.
Jonathan Ernst / Reuters
O empresário Elon Musk afirmou que pretende destinar parte de suas ações da SpaceX a cada criança nos Estados Unidos a partir de 2027. A declaração foi publicada em uma postagem na rede social X nesta segunda-feira (19), na qual ele acrescentou que essa será a primeira de várias iniciativas do tipo.
“Esta será a primeira de muitas”, escreveu Musk, segundo a tradução exibida na publicação.
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Segundo dados do censo de 2025, os EUA têm aproximadamente 72 milhões de crianças.
Se cada uma recebesse uma ação da SpaceX, a distribuição poderia movimentar cerca de US$ 10,5 bilhões (R$ 53,3 bilhões), considerando o preço de US$ 146,03 por ação no fechamento de sexta-feira (16)
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Musk, porém, não explicou como a iniciativa funcionaria na prática. Não há informações sobre os critérios para receber as ações, o calendário de distribuição ou se os papéis seriam depositados em contas de investimento destinadas às crianças, como as chamadas Contas Trump.
O empresário, de 55 anos, tinha uma fortuna estimada em US$ 904 bilhões (R$ 4,59 trilhões), segundo o Índice de Bilionários da Bloomberg.
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🔍 A SpaceX desenvolve foguetes e veículos para missões espaciais e opera a rede de internet por satélite Starlink. Musk também tem participações em empresas como a fabricante de carros elétricos Tesla, a Neuralink, de tecnologia cerebral, e a The Boring Company, que atua na construção de túneis.
Segundo dados divulgados pelo Business Insider, Musk detém cerca de 4,77 bilhões de ações da SpaceX, o equivalente a aproximadamente 36% da empresa. A distribuição de 72 milhões de papéis representaria cerca de 1,5% de sua participação.
Se novas doações forem realizadas, a fatia do empresário na companhia poderá diminuir ainda mais. Até o momento, porém, Musk não detalhou como pretende executar a proposta.
Na semana passada, o patrimônio do empresário voltou a superar a marca de US$ 1 trilhão, equivalente a cerca de R$ 5,17 trilhões. A alta foi impulsionada pela valorização das ações da SpaceX.
Segundo a Fortune, a fortuna de Musk passou de US$ 976,9 bilhões para US$ 1,04 trilhão após os papéis da empresa acumularem alta de 16,07% em uma semana.
O empresário já havia ultrapassado US$ 1 trilhão em junho, quando a SpaceX abriu capital. Depois, perdeu a marca com a queda das ações.
Simulador permite gastar toda a fortuna de Musk com hambúrgueres, cavalos, mansões e mais
O que são as Contas Trump
A proposta de Musk surge em meio a iniciativas para ampliar o acesso de crianças americanas ao mercado financeiro.
No início deste ano, o governo dos EUA lançou as chamadas Contas Trump, contas de investimento com vantagens fiscais.
O programa prevê um depósito inicial de US$ 1.000 (cerca de R$ 5.073) pelo governo federal para crianças elegíveis nascidas entre 2025 e 2028.
Michael Dell, fundador da empresa de tecnologia Dell Technologies, e sua mulher, Susan Dell, empresária e filantropa, anunciaram uma doação de US$ 6,25 bilhões para contas de investimento de 25 milhões de crianças nos EUA.
Em julho, Gwynne Shotwell, presidente da SpaceX, e seu marido também prometeram doar ações da empresa para mais de 2 milhões de crianças.

Volkswagen planeja congelar salários até 2030, diz conselho de trabalhadores

Veículo elétrico Volkswagen ID. UNYX 08 em linha de produção na fábrica da Volkswagen Anhui, em Hefei, na China.
REUTERS/Florence Lo/Foto de arquivo
A Volkswagen planeja congelar os salários de seus 660 mil funcionários em todo o mundo até 2030, segundo o Conselho Global de Trabalhadores da montadora alemã.
A informação foi divulgada nesta segunda-feira (19) e confirma uma reportagem publicada anteriormente pelo jornal alemão Süddeutsche Zeitung.
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O conselho afirmou ter recebido informações internas sobre os planos da direção da empresa. Procurada, a Volkswagen se recusou a comentar o que classificou como “especulações”.
Um porta-voz informou que uma nova rodada de negociações, prevista para esta semana, será a oportunidade para discutir eventuais propostas relacionadas aos custos com pessoal.
Agora no g1
O Conselho Global de Trabalhadores classificou a proposta como “absurda” e afirmou esperar forte resistência à iniciativa, que considera “bastante irrealista”.
“Na Volkswagen, a evolução salarial é decidida na mesa de negociações, não por decreto da diretoria executiva”, afirmou um porta-voz do sindicato alemão IG Metall.
Segundo o Süddeutsche Zeitung, a ausência de reajustes salariais pode representar uma perda de cerca de 10% no poder de compra dos funcionários afetados até 2030, devido à inflação.
As novas diretrizes globais de gestão, previstas para entrar em vigor no quarto trimestre, também incluem cortes na remuneração variável, nos pagamentos extras, nos benefícios e no número de postos de trabalho.
A relação entre a Volkswagen e os representantes dos trabalhadores se deteriorou nos últimos meses, enquanto o CEO Oliver Blume avança com um plano de reestruturação considerado o mais radical da história da montadora alemã.

Dólar abre em queda, na reta final da eleição e com petróleo no radar

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (19) em queda, com um recuo de 0,37% perto das 9h, cotado a R$ 5,0538. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
A última semana de campanha antes das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão, principalmente após o debate promovido entre Lula (PT) e Flávio (PL) pelo Grupo Bandeirantes, no final de semana. Na agenda, investidores ainda avaliam novos dados do Boletim Focus e o noticiário internacional, com manifestações na Europa e a divulgação do PIB da China.
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▶️ O primeiro debate eleitoral entre Lula e Flávio quadro eleitoral é o foco nesta segunda-feira. No encontro, que marcou o primeiro confronto entre os dois candidatos nesta eleição, Lula e Flávio falaram sobre diversos temas e trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações. (veja mais abaixo)
Quando será o debate presidencial da Globo? Veja a data e o horário
▶️Na agenda econômica, o Boletim Focus apontou uma queda nas projeções do PIB para este ano. As estimativas do mercado passaram de 1,85% na semana passada para 1,83% nesta semana. A projeção para a inflação, por sua vez, seguiu a mesma para 2026, mas subiu de 4,30% para 4,32% em 2027.
▶️No exterior, chama atenção a intensificação dos protestos na Europa. O movimento, iniciado por estudantes em meados de setembro, tem reivindicações sobre o sistema educacional e ganhou adesão de sindicatos, reunindo mais de meio milhão de pessoas na França. Protestos menores também aconteceram na Bélgica, na Itália e em Portugal.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +1,77%;
Acumulado do mês: -1,96%;
Acumulado do ano: -7,58%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,32%;
Acumulado da semana: -1,74%
Acumulado do mês: +10,24%;
Acumulado do ano: +27,50%.
Como foi o primeiro debate entre Lula e Flávio?
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), candidatos à Presidência da República, participaram na noite de domingo (18) do primeiro debate do segundo turno das eleições de 2026.
Foi o primeiro confronto direto entre os dois candidatos em um debate nesta eleição.
Ao longo de três blocos, Lula e Flávio discutiram segurança pública, economia, saúde, produtividade, relações com os Estados Unidos e redução da maioridade penal. Também trocaram acusações e provocações sobre corrupção e investigações.
No primeiro confronto direto, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre um voto dado pelo então deputado estadual, em 2009, contra a ampliação da licença-maternidade de servidoras.
Flávio afirmou que não tem “absolutamente nada contra as mulheres”, mas não explicou o voto.
Em seguida, Flávio questionou Lula sobre a empresária e lobista Roberta Luchsinger e sobre investigações envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente.
Roberta e Fábio Luís são investigados em três inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF) que apuram suspeitas de tráfico de influência em órgãos federais para beneficiar empresários. Roberta nega irregularidades e afirma que sua relação com Lulinha é de amizade.
Em nota divulgada no sábado (17), o Palácio do Planalto afirmou que Lula nunca teve interlocução com Roberta, nunca recebeu demandas dela e não tem conhecimento das supostas tratativas mencionadas pela empresária. Disse ainda que não existe contrato do governo federal com Roberta.
O embate passou então para acusações de corrupção. Flávio citou o esquema de descontos indevidos em benefícios do INSS e acusou o governo Lula de não proteger os aposentados.
Lula afirmou que o esquema foi descoberto e combatido em seu governo. A Polícia Federal indiciou 48 pessoas na primeira investigação sobre as fraudes. O presidente também cobrou explicações de Flávio sobre o pedido de R$ 134 milhões feito ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
A Polícia Federal investiga suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção no financiamento do filme.
Flávio é investigado no inquérito. Na sexta-feira (16), a PF pediu ao ministro André Mendonça, do STF, mais 90 dias para a investigação.
Em entrevista à TV Globo também na sexta, Flávio afirmou que o contrato de R$ 134 milhões “não foi cumprido”. O senador nega irregularidades.
Na sequência, Flávio Bolsonaro voltou à economia, criticou os juros e acusou o presidente de usar o Bolsa Família com objetivo eleitoral.
Lula, por sua vez, retomou a segurança pública e questionou o adversário sobre posições relacionadas à política de armas e a casos de violência no Rio de Janeiro.
Lula também questionou Flávio sobre o fim da escala 6×1 e perguntou se o adversário pretendia propor mudanças na medida. Flávio afirmou que não. O candidato do PL votou a favor do fim da escala 6×1 no Senado, depois de ter se posicionado contra a proposta.
Na reta final do confronto, Lula questionou Flávio sobre sua proximidade com o presidente da Argentina, Javier Milei, e perguntou se pretendia adotar no Brasil o modelo econômico argentino. Flávio não respondeu diretamente e afirmou que governos de direita precisam “consertar” problemas deixados por governos de esquerda.
Flávio afirmou ainda que pretende fazer um “tesouraço” na corrupção do governo Lula.
Veja o que é #FATO ou #FAKE na entrevista de Lula à Globo.
Veja o que é #FATO ou #FAKE na entrevista de Flávio à Globo.
Bolsas globais
Na Ásia, as ações chinesas fecharam em alta, impulsionadas por ações do setor financeiro, em meio aos dados mais otimistas do PIB do terceiro trimestre.
A economia chinesa cresceu 4,5%em relação ao mesmo período do ano anterior, superando as previsões e reduzindo a pressão sobre Pequim para ampliar estímulos.
O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,4%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, avançou 0,1%. No Japão, o Nikkei caiu 0,62%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, teve alta de 1,76%. O Hang Seng, de Hong Kong, permaneceu fechado.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Cédulas de dólar
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