Governo publica regra que permite manter o Bolsa Família durante análise do BPC

Bolsa Família; cartão bolsa família
Setas/Divulgação
Brasileiros inscritos no Bolsa Família e que desejarem solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vão poder continuar no programa até que a análise pelo governo federal seja concluída.
O desligamento do Bolsa Família ocorrerá somente no final do processo e se o BPC for concedido. A nova regra começou a valer na terça-feira (2).
A alteração decorre de um acordo entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública da União, firmado após a aprovação da lei que mudou o cálculo da renda familiar para a concessão do BPC, passando a incluir na conta valores antes desconsiderados, como os do Bolsa Família.
A mudança cria agora uma espécie de “período de transição” entre os dois benefícios e permite que o pedido do BPC siga para análise mesmo se a renda da família superar o valor permitido em função do Bolsa Família (ver detalhes abaixo).
Critérios de acesso ao BPC
O novo cálculo para a concessão do BPC teve como objetivo, segundo o governo informou à época, evitar o acúmulo de benefícios.
Veja as regras básicas para a concessão do benefício:
ter renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo;
ter idade igual ou superior a 65 anos ou alguma deficiência verificada por meio de avaliação biopsicossocial;
estar inscrito no Cadastro Único, com CPF de todos os integrantes da família e demais informações atualizadas;
possuir registro biométrico na Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou, transitoriamente, no Título de Eleitor ou na Base da Polícia Federal; e
morar no Brasil.
Todos os rendimentos passaram, portanto, a ser considerados para o cálculo da renda familiar, com algumas exceções.

São elas:
bolsas de estágio supervisionado;
rendimentos de contrato de aprendizagem;
valores de auxílio financeiro temporário ou indenização por rompimento/colapso de barragem;
BPC recebido por outra pessoa idosa ou com deficiência da família;
benefício previdenciário de até um salário mínimo concedido a pessoa idosa (com mais de 65 anos) ou com deficiência, limitado a um por membro; e
auxílio-inclusão e a respectiva remuneração, quando utilizados apenas para manter o BPC de outro integrante do mesmo grupo familiar.
Como vai funcionar
O formulário de requerimento do BPC passou a incluir uma declaração em que o solicitante informa ser responsável familiar do Bolsa Família e autoriza o desligamento voluntário do programa caso o benefício seja o único motivo para a negativa do pedido.
Na análise, o INSS identifica, entre os pedidos que ultrapassam o limite de renda, aqueles em que existe o recebimento do Bolsa Família. Se o requerente for o responsável familiar e tiver preenchido a declaração, o órgão faz uma segunda avaliação desconsiderando os valores do programa.
Se, nesse novo cálculo, a renda ficar dentro do limite, o pedido segue normalmente para análise dos demais critérios do BPC. Em caso de aprovação, o INSS envia a declaração ao Ministério do Desenvolvimento Social, que interrompe o pagamento do Bolsa Família.

Entidades vão contestar no STF decisão do Congresso Nacional que dificulta aborto legal em crianças

Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em crianças vítimas de estupro
Entidades e organizações da sociedade civil que integram o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) questionarão, no Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão de uma resolução que orientava o procedimento de aborto legal por crianças vítimas de estupro, direito garantido por lei.
O PDL foi aprovado primeiro na Câmara dos Deputados (veja como cada deputado votou), depois, em menos de dois minutos, no Senado Federal em votação simbólica – modalidade em que não fica registrado quais senadores votaram a favor ou contra.
A ação terá o PSOL como autor e será apresentada à Corte após a promulgação do projeto de decreto legislativo (PDL) pelo Congresso.
🔎 A decisão dos deputados e senadores suspende integralmente os efeitos de Resolução 258 do Conanda. A norma trazia orientações para o atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora da proposta que derrubou a resolução, diz que o Conanda extrapolou suas competências e tentou legislar no lugar do Congresso. Este argumento deve ser contestado na ação judicial.
“Vamos argumentar que o Conanda não extrapolou o seu limite de capacidade normativa. A decisão do Senado é que interfere na competência do Conanda. O conselho tem autonomia para estabelecer essas garantias”, afirma a presidente do órgão, Delia Martis, à GloboNews.
A ação no STF deve ser endossada apenas por entidades da sociedade civil, embora o governo federal também tenha representantes no Conanda.
A estátua ‘A Justiça’, em frente ao prédio do STF e ao fundo Prédio do Congresso Nacional.
TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Votação relâmpago
Diferentemente de quando passou pela Câmara dos Deputados e motivou discussões acaloradas, em novembro de 2025, a votação no Senado Federal foi aprovada em 1 minuto e 42 segundos, sem falas ou intervenções de parlamentares.
“Vamos argumentar que o Conanda não extrapolou o seu limite de capacidade normativa. A decisão do Senado é que interfere na competência do Conanda. O conselho tem autonomia para estabelecer essas garantias”, afirma a presidente do órgão, Delia Martins, à GloboNews.
O silêncio no plenário é reflexo direto da influência do período eleitoral.
Os ministérios dos Direitos Humanos e das Mulheres estavam em alerta desde que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que pautaria o PDL nesta semana.
Dias antes, já tinham destacado interlocutores para visitar gabinetes do Senado e defender a manutenção da resolução. Mas foram pegos de surpresa com a votação sendo apresentada fora da pauta.
Defensores da resolução afirmam que ela não inova nem cria novas regras, mas organiza o atendimento de crianças vítimas de violência sexual que engravidam.
“Nós não estamos obrigando a fazer o aborto, mas dizendo que a criança tem o direito de não carregar o fruto de uma violência sexual”, diz um integrante do Executivo.
Aliados de Damares Alves, por outro lado, admitem que a votação foi facilitada pelo fato de o governo não ter “colocado o time em campo” e enfrentado o tema. A avaliação entre eles é a de que o Planalto não quis se desgastar com um tema espinhoso na véspera das eleições.
A resolução, que entrou em vigor em janeiro de 2025, destaca que a gestação em crianças e adolescentes é um processo que “representa risco à saúde física, psicológica e mental que pode resultar em impactos sociais no seu pleno desenvolvimento, aumento de adoecimento, incapacidade e mortes”.

Trump 'rompe trégua com Lula' e causa 'tempestade' no Brasil: o que disse a imprensa internacional sobre tarifas

Lula diz que foi pego de ‘surpresa’ com novas propostas de tarifas dos EUA
As recentes medidas do governo dos Estados Unidos de ameaçar o Brasil com novas tarifas e de classificar facções brasileiras de “terroristas” romperam uma “trégua” entre os presidentes Lula e Donald Trump e provocaram uma “tempestade política” pré-eleição, analisou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (3).
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“Os dois anúncios romperam uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado — uma das maiores alíquotas sob a política comercial de Trump”, diz a reportagem assinada por repórteres em Brasília e Londres.
O “FT” associou as medidas a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro”, referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios mirando o Brasil.
A tentativa de Flávio, segue o FT, é de “se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina”.
Em 28 de maio, os EUA anunciaram que estavam designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país.
Já na terça-feira (2) o governo americano anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro “irrazoáveis” que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.
O jornal britânico escreve que “Trump desencadeou uma tempestade política”, levando o presidente Lula a usar as medidas recentes para atacar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao incentivar a política americana. O FT também conta que Lula rotulou as novas tarifas como “TariFlávio”.
Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço “o tornou mais popular”, assim como o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento contra os Estados Unidos.
O FT ressalta, no entanto, que Flávio foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas”, citando o vídeo em que o pré-candidato diz que pediu a Trump para não impor novas taxas.
A reportagem também avalia que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro”, mas que uma série de sinais “foram amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro”.
Na terça, Trump divulgou uma foto sua com Flávio Bolsonaro, classificando-o de “um jovem inteligente que ama seu país”.
Segundo Traumann disse ao jornal, o conjunto de declarações e medidas também mostram que os EUA “querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula”.
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026.
AFP
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Enam, exame para quem quer entrar na magistratura, deve reunir mais de 30 mil pessoas neste domingo

Mais de 30 mil bacharéis em Direito vão fazer a 5ª edição do ENAM
Mais de 31 mil bacharéis em Direito devem participar, neste domingo (7), da 5ª edição do Exame Nacional da Magistratura (Enam), realizado em todas as capitais brasileiras. O exame é uma etapa obrigatória para quem deseja concorrer a cargos de juiz no país.
Segundo a organização, 31.538 candidatos tiveram a inscrição confirmada nesta edição. São Paulo lidera o número de participantes, com 5.787 inscritos, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.
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A prova será aplicada no período da tarde, das 13h às 18h (horário de Brasília). Os portões serão fechados às 12h30, e a recomendação é que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora e meia de antecedência.
⏰ A organização também reforça que não haverá tolerância para atrasos, e que o acesso ao local de prova será permitido apenas com documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul.
Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Exame Nacional da Magistratura é uma etapa obrigatória para quem deseja participar de concursos para juiz em tribunais estaduais, federais, trabalhistas e militares.
📎 Na prática, o Enam não oferece vagas diretamente. Ele funciona como uma etapa de habilitação: apenas os aprovados podem se inscrever nos concursos da magistratura.
O certificado tem validade de dois anos e pode ser prorrogado uma única vez por igual período.
A proposta do exame é estabelecer um padrão nacional de seleção e reduzir as diferenças entre os concursos realizados pelos tribunais em cada estado.
Inscritos para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM) se encaminham para local de prova, no DF
TV Globo/Reprodução
Estrutura da prova e regras
A prova será composta por 80 questões objetivas de múltipla escolha, que abordam os seguintes conteúdos:
Direito Constitucional;
Direito Administrativo;
Direito Civil;
Direito Penal;
Empresarial;
Processual Civil;
Direitos Humanos;
Formação Humanística.
Para ser habilitado, o candidato da ampla concorrência precisa atingir pelo menos 70% de acertos. Já os participantes de ações afirmativas têm exigência mínima de 50%.
Ainda conforme as regras do edital, é obrigatório apresentar documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul para realizar a prova.
A organização recomenda ainda que os participantes verifiquem previamente o local de prova, que já está disponível para consulta no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora.
Os locais de prova estão distribuídos em todas as capitais brasileiras e podem ser consultados pelos candidatos nos canais oficiais da organização do exame.
‘Acho que nós vamos conseguir selecionar uma quantidade relevante de pessoas muito qualificadas para se tornarem juízes’, disse Barroso
‘Exame valoriza o raciocínio’
Em entrevista ao g1, o diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, afirmou que o Enam foi criado para mudar o foco dos concursos para juiz.
“Nós temos que fugir daquele candidato que vira uma máquina de fazer prova (…) Não se trata de decorar artigos de lei ou da Constituição. O exame valoriza o raciocínio, a resolução de problemas e a capacidade de lidar com situações concretas”, disse.
Para o ministro, o exame também contribui para alterar o perfil dos futuros magistrados.
“O concurso de juiz não é democrático, não é acessível (…) a dificuldade objetiva acaba criando uma barreira para muitas pessoas (…) o Enam veio olhar para uma outra camada da sociedade”.
Segundo dados da Enfam, nesta quinta edição, as mulheres são maioria entre os inscritos, representando 55,14% do total, enquanto homens somam 44,83%. O levantamento também aponta a participação de 5.187 pessoas negras, 1.709 pessoas com deficiência, além de indígenas e quilombolas.
Os dados, segundo o ministro, apontam um sutil avanço.
Após quatro edições da prova, a Enfam afirma que o Enam já reúne cerca de 17 mil candidatos habilitados em todo o país.
Na avaliação do ministro, o exame já começa a impactar a formação dos candidatos que participam dos concursos da magistratura.
“Eu considero um sucesso, especialmente pela qualidade dos candidatos que chegam aos concursos e aos cursos de formação”, disse.
O banco de habilitados passou a ser utilizado como etapa prévia obrigatória para concursos da magistratura em diferentes ramos do Judiciário, o que, segundo a Enfam, contribui para maior uniformidade no perfil dos candidatos em nível nacional.
Questionado sobre o esquema de segurança do exame, o ministro afirmou ainda que o processo segue padrões rígidos de segurança e sigilo. Segundo ele, nas edições anteriores não houve registro de ocorrências relevantes.
“Em segurança, predomina o sigilo. Mas posso afirmar que, nas quatro edições do Enam, não tivemos nenhum caso grave”, completou o ministro.

GAC Aion UT traz a dúvida: vale abrir mão de equipamentos por mais potência? g1 testou

GAC Aion UT traz a dúvida: vale abrir mão de equipamentos por mais potência? g1 testou
O GAC Aion UT é um dos poucos lançamentos da marca chinesa no Brasil em 2026, depois da chegada de cinco modelos de uma só vez no ano passado. Trata-se do elétrico mais barato da GAC com rivais que já estão no pódio dos mais vendidos do Brasil: BYD Dolphin Mini, Dolphin e o Geely EX2.
Para ter chances contra o trio, o Aion UT traz uma proposta incomum entre os chineses: abre mão de uma longa lista de equipamentos para apostar mais em potência e espaço interno.
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O modelo parte de R$ 139.990. O valor fica acima dos R$ 118.990 do Dolphin Mini, o carro elétrico mais vendido do Brasil em 2026, e abaixo dos R$ 149.990 do segundo colocado, o Dolphin.
O g1 testou o carro em um trajeto totalmente urbano em São Paulo (SP), para avaliar se a redução de itens e conforto vale a pena em um mercado que se acostumou a acabamentos mais macios, em vez de plástico rígido.
Começando pelo visual externo, o Aion UT segue um estilo mais padronizado visto em carros chineses. A dianteira fechada e levemente pontuda, as linhas suaves e a quase ausência de ângulos retos na carroceria reforçam essa impressão.
As maçanetas ficam alinhadas à carroceria, embora apenas pareçam retráteis. Elas lembram o modelo usado no Chevrolet Corsa, aquele que fica “embutido” na porta.
GAC Aion UT
O visual não chega a ser feio, mas também não se destaca nem mostra muita personalidade. Ele lembra modelos de outras marcas chinesas, como Leapmotor C10 e Geely EX2 — este segundo é o mais parecido, mas é menor e tem quase metade da potência.
Por dentro GAC, o padrão segue o mesmo. A central multimídia de 14,6 polegadas concentra muitas funções e aposta em um visual mais limpo. Além dos controles do ar-condicionado, a tela reúne também os ajustes dos retrovisores e até a abertura do teto solar.
É justamente aqui que está a principal aposta da GAC. Diferente de modelos chineses recentes, como o Geely EX2 e até o Chevrolet Spark EUV — o segundo desenvolvido e produzido pela chinesa SAIC —, o Aion UT usa principalmente plástico rígido no acabamento.
Esse acabamento não é tão monótono quanto o visto em muitos carros da Volkswagen. A proposta se aproxima mais da Fiat, com o uso de diferentes texturas e tons do mesmo material para dar mais “movimento” ao interior.
GAC Aion UT é quase todo de plástico, inclusive na costura preta
divulgação/GAC
Há até uma costura falsa nas portas, que tenta imitar o acabamento em couro. As únicas áreas macias de verdade ficam onde os braços se apoiam: no apoio lateral das portas e na extensão do console central elevado.
Esse nível de simplicidade é incomum entre os carros chineses lançados desde 2023. Outra mudança em relação ao que o público brasileiro se acostumou está no teto solar: em vez de abrir para ventilação, ele funciona apenas como uma superfície de vidro para entrada de luz, sem abertura.
A terceira diferença aparece na lista de equipamentos mais enxuta da versão de entrada. No GAC Aion UT não há sequer piloto automático simples, item presente até mesmo no Chevrolet Onix de 2017.
Carregador de celular por indução e bancos com ajustes elétricos? Só na versão topo de linha. Até os auxílios ao motorista, como o freio automático de emergência, ficam restritos à opção mais cara.
GAC Aion UT
GAC Aion UT
Com tantas limitações, o modelo de entrada poderia parecer sem graça. Ainda assim, a escolha da GAC foi oferecer, mesmo na versão mais simples, bom espaço interno e desempenho.
Esse espaço não aparece no porta-malas, que tem apenas 340 litros, mas se destaca na área para as pernas dos ocupantes. Mesmo com os bancos dianteiros ajustados para pessoas de 1,80 metro, quem vai atrás e tem a mesma altura não chega a encostar os joelhos nos bancos.
GAC Aion UT
divulgação/GAC
Isso se explica por dois fatores: apesar de ser um hatch, o Aion UT tem 4,27 metros de comprimento, seis centímetros a mais que um Volkswagen T-Cross, por exemplo. Já a distância entre-eixos é cinco centímetros maior que os 2,70 metros do sedã Toyota Corolla, conhecido pelo bom espaço para as pernas.
Na largura, o carro acomoda bem quatro pessoas, com duas no banco traseiro. Até três adultos conseguem viajar ali, embora com os braços mais apertados. Em compensação, o assoalho plano ajuda a evitar disputa por espaço para as pernas.
A potência é outro ponto bastante positivo. São 204 cv e 21,5 kgfm de torque, que se mostraram mais ariscos do que os números quase idênticos do motor elétrico do BYD Dolphin Plus.
Carro é esperto
GAC Aion UT
divulgação/GAC
Passada a lista de acabamento, mãos ao volante e, mesmo com subidas longas de São Paulo (SP) e dois adultos a bordo, as retomadas e acelerações aconteceram sem dificuldade.
Ultrapassar outro carro, mesmo em subida e com o ar-condicionado ligado, não foi difícil para o Aion UT. Em nenhum momento o motor pareceu no limite, mesmo com o acelerador pressionado até o fim. Nos semáforos, ele chegou a arrancar à frente de todas as motos.
O Aion UT é ágil, mais do que outros carros com potência semelhante, mesmo sendo pesado e com aerodinâmica pouco voltada à esportividade. Pelo visual, inclusive, ele não sugere esse comportamento mais dinâmico.
A resposta ao acelerador, bastante sensível, aparece tanto no modo esportivo quanto no modo normal. Ela fica mais suave apenas no modo econômico, em que a entrega de potência acontece de forma mais gradual.
Essa característica levou à inclusão de dois ajustes extras: um chamado “estacionamento confortável” e outro que promete reduzir o enjoo dos ocupantes. A ideia é simples: aumentar o tempo de resposta do acelerador, fazendo com que a potência seja entregue de forma ainda mais gradual.
Com qualquer uma delas ativada, o carro balança menos nas acelerações e frenagens. Isso tende a reduz a sensação de enjoo e garante mais controle em manobras de estacionamento.
Como o trajeto foi feito em ruas bem asfaltadas, não foi possível avaliar a suspensão com precisão. Ainda assim, a reportagem percebeu que os poucos solavancos causados por irregularidades no piso foram bem absorvidos.
Isso pode passar a impressão de uma suspensão mais macia e confortável, porém menos voltada à estabilidade em velocidades acima de 100 km/h.
GAC Aion UT: vale a pena?
GAC Aion UT
divulgação/GAC
A troca de uma lista mais completa de itens de série por mais espaço faria mais sentido se o porta-malas também fosse maior. Ainda assim, o desempenho mais ágil em um carro de entrada chamou atenção.
Esse comportamento não aparece da mesma forma em concorrentes como o BYD Dolphin ou o Chevrolet Spark EUV, que são mais comedidos em potência, mas entregam mais conforto e itens de série em um preço praticamente idêntico:
BYD Dolphin GS: a partir de R$ 149.990;
Chevrolet Spark EUV: a partir de R$ 144.990.
A dose extra de desempenho passa a sensação de que o Aion UT pode encarar a estrada com mais segurança do que concorrentes próximos.

Pressionadas por sanções dos EUA, empresas estrangeiras começam a deixar Cuba

Muitos exilados cubanos nos EUA
Carl Juste/Miami Herald/ZUMA/picture alliance
A poucos dias do fim do prazo dado pelos Estados Unidos para que empresas estrangeiras rompam seus vínculos com o conglomerado econômico-militar Gaesa, alvo de sanções de Washington, várias companhias já encerraram ou reduziram substancialmente suas atividades em Cuba.
Em 1º de maio, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que endurece as sanções contra Cuba, reiterando que a ilha comunista, situada a 150 km da costa da Flórida, representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos.
A administração Trump, que impõe desde janeiro um bloqueio petrolífero à ilha, também voltou sua atenção para o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), vinculado às Forças Armadas cubanas e uma das primeiras entidades sancionadas sob a nova ordem executiva.
Em consequência, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro estabeleceu a próxima sexta-feira (5) como prazo final para que empresas estrangeiras com negócios ligados ao Gaesa reajustem suas operações ou enfrentem sanções dos Estados Unidos.
Em Cuba, milhares de manifestantes protestam contra ameaças dos EUA
Essas medidas podem implicar dificuldades de acesso ao sistema financeiro internacional e à realização de transações, proibição de que bancos trabalhem com essas empresas ou congelamento de ativos.
Nesse contexto, várias redes hoteleiras já anunciaram sua retirada ou a redução de suas operações na ilha.
Contexto geopolítico
A rede espanhola Meliá anunciou nesta quarta-feira (3) que encerrará suas operações em 15 hotéis administrados em Cuba em parceria com o Gaesa, embora não tenha mencionado os outros 19 estabelecimentos que opera com o Ministério do Turismo cubano.
“Diante dos acontecimentos e circunstâncias que vêm ocorrendo no contexto geopolítico, social, jurídico e econômico da República de Cuba”, a Meliá informa que “adotou a decisão de concluir imediatamente a prestação dos serviços de gestão e comercialização” desses hotéis na ilha, afirmou a empresa em comunicado.
A Meliá se junta à rede espanhola Iberostar e à canadense Blue Diamond, que anunciaram nos últimos dias o encerramento parcial ou total de suas operações turísticas em Cuba.
A Iberostar deixou de administrar 12 hotéis operados em Cuba em associação com o Gaesa, embora continue trabalhando com outras seis unidades pertencentes ao Ministério do Turismo, informaram à AFP várias fontes próximas ao assunto.
Iberostar e Meliá foram as primeiras redes hoteleiras espanholas a chegar a Cuba, depois que a ilha se abriu ao turismo internacional para tentar superar a crise provocada pela queda do bloco soviético em 1991.
Na segunda-feira, a rede canadense Blue Diamond informou à AFP que encerrava suas operações em Cuba devido à situação atual do setor, em um momento em que a ilha enfrenta crescente pressão dos Estados Unidos.
EUA voltam atrás e autorizam petroleiro russo a atracar em Cuba
O grupo asiático Archipelago International também estuda limitar sua presença ou abandonar a ilha, segundo fontes próximas ao setor ouvidas pela AFP.
Ativa no setor de mineração, também na mira de Washington, a canadense Sherritt tornou-se, em 7 de maio, a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída de Cuba, onde extraía níquel e cobalto desde a década de 1990 por meio da empresa mista General Nickel Company S.A.
“O impacto para a economia cubana da saída de todas essas companhias internacionais no curto prazo é devastador”, declarou à AFP o economista e consultor cubano Daniel Torralbas. Isso “transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos”, acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, firme opositor do governo de Havana, acusou há duas semanas os líderes cubanos de roubo e corrupção por meio do Gaesa.
Rubio lembrou que o ex-presidente Raúl Castro, atualmente denunciado pela Justiça americana, foi o fundador do Gaesa, que, segundo o Departamento de Estado dos EUA, possui ativos avaliados em 18 bilhões de dólares (R$ 90,3 bilhões) e controla até 70% da economia cubana.
Na terça-feira, o governo cubano defendeu o papel do conglomerado, criado na década de 1990 para contornar o embargo americano em vigor desde 1962 e gerar divisas para impulsionar a economia do país.

O que acontece com a comida que sobra? Conheça projetos que reduzem desperdício, fome, poluição e prejuízos no agro

Como combater o desperdício de alimentos pode ajudar a reduzir fome
Poluição, fome, aumento dos preços e prejuízos financeiros: o enorme desperdício de alimentos mundo afora causa impactos sobre a economia, o meio ambiente e a população.
Cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos são jogadas fora por ano, segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).
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Na lavoura, falhas de planejamento e manejo podem fazer plantações se perderem e gerar excesso de oferta. Nos supermercados e feiras, muitos produtos acabam descartados porque não atendem ao padrão estético exigido pelos consumidores.
Um pimentão muito pequeno, grande demais ou com manchas, por exemplo, pode ficar encalhado na prateleira até apodrecer.
Para mitigar a questão, surgem iniciativas que buscam reduzir parte dessas perdas.
Algumas apostam na doação de alimentos que sobrariam para pessoas em situação de vulnerabilidade. Outras difundem técnicas de manejo para ajudar produtores a aumentar a durabilidade e a qualidade das plantações.
Até mesmo os resíduos orgânicos podem ganhar um novo destino. Projetos de compostagem permitem que alimentos estragados retornem à terra de forma sustentável, fechando um ciclo de reaproveitamento sem causar impactos ao meio ambiente.
O g1 visitou quatro cidades de São Paulo para mostrar como essas soluções ajudam a combater o desperdício.
️➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série “PF: Prato do Futuro”, onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil.
Combate ao desperdício e à fome
Em meio aos altos índices de desperdício de alimentos, o Brasil tem quase 7 milhões de pessoas passando fome e 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
São famílias que até conseguem acessar comida, mas muitas vezes não conseguem comprar alimentos frescos, como frutas, legumes e verduras.
Uma das soluções para mitigar os dois problemas são os bancos de alimentos. Neles, excedentes da produção e sobras do varejo são distribuídos a pessoas em situação de vulnerabilidade.
Desde 2023, o governo investiu R$ 25 milhões na modernização desses bancos, segundo o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome.
Esses bancos podem ser criados por empresas privadas, pela sociedade civil organizada ou por governos estaduais. Já o governo federal fica responsável por regulamentar o funcionamento deles, explica Patrícia Chaves Gentil, diretora do Departamento de Promoção da Alimentação Adequada e Saudável do ministério.
Os bancos podem dar suporte a projetos como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae) e a entidades sociais, como cozinhas solidárias.
Segundo o Pacto Contra a Fome, apenas 1% das pessoas em situação de insegurança alimentar recebem alimentos redistribuídos.
“Isso não resolve a fome, mas é uma ferramenta muito importante de alívio emergencial de uma crise que nós vivemos todos os dias, de as pessoas não terem o que comer”, afirma Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome.
O g1 visitou dois bancos de alimentos e acompanhou o dia a dia de trabalho deles: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA), de Campinas (SP), e o Sesc Mesa Brasil, que atua em todo o país e é o maior banco de alimentos privado da América Latina. (confira no vídeo no início da reportagem).
Tanto o ISA quanto o Sesc Mesa Brasil fazem parcerias com comerciantes. O primeiro funciona dentro da Ceasa de Campinas e é mantido pelos permissionários. Já o segundo faz também coleta em supermercados e até mesmo em lavouras.
Em ambos os casos, os produtos passam por uma triagem antes da redistribuição, para garantir que apenas produtos de qualidade cheguem às ONGs. Além de distribuir alimentos, as instituições também oferecem cursos profissionalizantes em parceria com outras organizações.
No caso do ISA, os alimentos que não servem para consumo humano, mas ainda não estão estragados, são doados para pequenas propriedades rurais alimentarem seus animais.
Os alimentos estragados são enviados para a Usina Verde de Campinas, onde passam por compostagem. (saiba mais abaixo).
Veja também: ‘Não conhecia rúcula, salsa, couve’: como a agricultura mudou vidas em um deserto alimentar do Brasil
Como minimizar perdas
Da lavoura ao suco: como diminuir perdas no campo
Tudo aquilo que é descartado ao longo da produção, da lavoura ao comércio, é chamado de perda. Além do desperdício de alimentos, isso também gera prejuízo financeiro para os produtores.
As perdas podem ser evitadas com técnicas adequadas. É o caso do produtor Emílio Cesar Favero, sócio e diretor da Alfacitrus, que cultiva cítricos como laranja, limão e tangerina. O g1 visitou a fazenda dele em Santa Maria da Serra (SP) e a indústria em Engenheiro Coelho (SP). (Veja no vídeo acima).
Uma das técnicas usadas é a colheita manual com monitoramento para identificar o momento certo da retirada das frutas. Assim, é possível evitar que elas estraguem no pé. A colheita manual também previne danos às frutas e ajuda a aumentar sua durabilidade.
Além disso, os produtos são transportados em caixas plásticas, que oferecem menos risco de contaminação do que as de madeira.
Na indústria, a estratégia é aproveitar o máximo possível das frutas. As que atendem ao padrão para venda in natura são higienizadas e recebem uma camada de cera para aumentar a durabilidade.
Já as que não têm o tamanho ideal ou apresentam manchas, mas estão em perfeitas condições de consumo, são enviadas para o preparo de suco.
As frutas estragadas vão para a compostagem e depois retornam à lavoura como adubo. Essa triagem é feita em diversas etapas, com análise humana e também por inteligência artificial. O sistema tira cerca de 30 fotos de cada fruta para avaliar suas condições e definir seu destino..
Segundo Favero, os principais fatores que ainda causam perdas são pragas, doenças e problemas climáticos, como geadas e secas. Ele afirma que as pragas exigem manejo constante e que o clima pode surpreender os produtores.
Saiba também: Como a chegada da internet mudou a vida de agricultores em 4 anos
Reciclando os alimentos
Usina verde transforma alimentos desperdiçados em adubo
O desperdício causa prejuízos ao meio ambiente. Isso porque, ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Ele também produz chorume, que contamina o lençol freático.
Estima-se que os alimentos descartados em aterros gerem entre 8% e 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, segundo o Pnuma.
Por isso, a compostagem pode ser uma solução ao transformar esses alimentos em adubo.
O g1 visitou a Usina Verde de Campinas, que recebe todos os alimentos que estragam na Ceasa da cidade, diminuindo a necessidade de lixões. (veja no vídeo acima)
O fertilizante produzido é usado em hortas urbanas, canteiros e parques da cidade, ajudando a reduzir esse tipo de custo de manutenção.
Além dessas iniciativas, em 2025, foi lançada a Estratégia Intersetorial para Redução de Perdas e Desperdício de Alimentos, instituída por meio de Resolução da Câmara Interministerial de Segurança Alimentar e Nutricional (Caisan).
A iniciativa conta com parceria com instituições científicas, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), e ainda está em fase de formulação.
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O que explica o desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome
Créditos deste episódio da série ‘PF: prato do futuro’
Coordenação editorial: Raphael Martins
Edição e finalização de vídeos: Cadu Lando
Narração: Vivian Souza
Reportagem: Vivian Souza
Produção: Vivian Souza
Roteiro: Vivian Souza
Coordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana Mendicelli
Coordenação de arte: Julio Dubiella
Ilustração e infografia: Bruna Azevedo
Fotografia: Cadu Lando e Kaique Mattos
Motion Design: Thalita Ferraz
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