Pequenos insetos, grandes negócios: mulheres transformam hobby por abelhas em fonte de renda no ES

Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no ES
A técnica de enfermagem Kátia dos Santos poderia ter desistido das abelhas após sofrer um choque anafilático causado por uma picada do inseto. O quadro foi tão grave que ela precisou passar por dois anos de tratamento. Mas abandonar a atividade nunca foi uma opção. “Eu fiz o tratamento para não precisar deixar a apicultura”.
Cinco anos depois de deixar a área da saúde, Kátia trabalha com a criação de abelhas, produz cosméticos feitos com mel, própolis e outros produtos das colmeias, e também percorre diferentes estados capacitando produtores e pessoas interessadas em investir na atividade, como hobby ou fonte de renda.
📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp
“Se eu não fizesse tratamento, seria inviável. Eu tomava o próprio veneno da abelha uma vez por semana em forma de injeção. Fui persistente. Tem que gostar. Porque depois que você entra nessa área, não quer mais sair”, contou Kátia Abelha, como é conhecida em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo.
Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
A história dela é um dos exemplos de como mulheres de diferentes profissões transformaram a criação de abelhas em empreendedorismo e mudança de vida.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel, a advogada Eva Pires Dutra, a fisioterapeuta Giovana Branco e a própria Kátia seguiram caminhos diferentes até chegar ao mesmo destino: encontraram nas abelhas uma nova possibilidade de negócio.
Em comum, todas elas investiram em conhecimento antes de transformar a atividade em fonte de renda.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o 1º contato com abelhas há mais de uma década
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Da programação para a meliponicultura
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o primeiro contato com abelhas há mais de uma década, após se mudar para uma casa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.
O que começou como um interesse pessoal e uma válvula de escape para o dia a dia logo se transformou em uma atividade que hoje ocupa boa parte da sua rotina.
“Sou da área de programação, não tem nada a ver com natureza. Mas fui me envolvendo e me apaixonando por esse mundo das abelhas”, contou.
Mulheres fazem sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
LEIA TAMBÉM:
X-BOLO: Doce viraliza nas redes e promete aumentar vendas de confeiteiras no ES
FÉ QUE SUSTENTA: Festa da Penha movimenta turismo e transforma rotina de empreendedores
‘CPF CAPIXABA’: quase 100 baleias-jubarte nasceram no litoral do ES em 2025, mostra pesquisa inédita
Ao longo dos anos, ela buscou cursos de capacitação, porque não bastava apenas gostar da atividade. Ela também participou de treinamentos oferecidos por associações do setor e passou por programas de empreendedorismo.
Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão do Agronegócio e sonha em criar uma agroindústria familiar.
Além da produção de mel, Luana investe em sabonetes, velas, bebidas artesanais e outros produtos derivados das abelhas. Também atua como educadora ambiental, levando conhecimento sobre as abelhas nativas sem ferrão para escolas.
Segundo ela, a participação na Associação de Meliponicultores Capixabas foi fundamental para ampliar o conhecimento técnico e enxergar novas oportunidades de negócio.
“As abelhas mudaram completamente a minha vida. Esses bichinhos tão pequenos fizeram coisas grandiosas e mudaram minha rota”, afirmou.
Luana destacou ainda que o mercado tem valorizado cada vez mais produtos artesanais e sustentáveis, o que foi incentivo a mais para empreender na área.
“As pessoas querem saber a origem do que consomem. Quando você une conservação ambiental, produção artesanal e qualidade, o produto ganha valor”, disse.
Advogada Eva Pires Dutra começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
O hobby que pode virar negócio
A advogada Eva Pires Dutra, de 53 anos, representa outra etapa dessa jornada empreendedora. Há cerca de um ano e meio, começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do estado.
A produção ainda é pequena e voltada ao consumo próprio, mas os planos já incluem a comercialização de mel e própolis. “Hoje, ainda é mais um hobby, mas o objetivo é ter uma produção comercial de mel e própolis”, afirmou ela, já pensando lá na frente.
Para se preparar, Eva buscou capacitações e passou a participar de grupos de criadores. Segundo a advogada, a troca de experiências com outros produtores tem sido tão importante quanto os cursos.
“Aprendo muito com outros criadores. A troca de experiências é muito importante e nos faz crescer de forma consistente na atividade”, disse.
Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Ela explicou que a principal dificuldade está no tempo necessário para consolidar a produção. “A produção de abelha sem ferrão é pequena. É preciso formar várias colônias para alcançar uma quantidade que permita comercialização.”
Mesmo assim, acredita que a atividade tem potencial econômico e ambiental.
“A meliponicultura é promissora não apenas pela venda de mel, própolis e outros produtos, mas também pelos serviços de polinização. Onde têm abelhas, a produção aumenta”, destacou.
Fisioterapeuta Giovana Branco superou o esgotamento profissional criando uma empresa de apicultura
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Uma nova carreira após o esgotamento profissional
A fisioterapeuta Giovana Branco chegou à apicultura em um momento de mudança de vida. Após enfrentar um quadro de esgotamento profissional, ela começou a buscar alternativas ligadas à saúde, ao bem-estar e ao uso de produtos naturais.
“Eu comecei a buscar algo mais natural para orientar meus pacientes. Foi assim que conheci o própolis verde e me interessei pelas abelhas”, contou.
O interesse inicial se transformou em negócio. Para estruturar a atividade, Giovana buscou mentorias, cursos técnicos e programas de capacitação voltados ao empreendedorismo.
Ela criou a empresa, montou uma estrutura de produção e conquistou certificações para comercializar os produtos.
O resultado veio rapidamente. Em um concurso realizado durante o Congresso Brasileiro de Apicultores e Meliponicultores, em Florianópolis, o mel produzido pela empresa conquistou o terceiro lugar nacional.
“Foi um orgulho enorme. A gente concorreu com produtores do Brasil inteiro. Isso mostrou que é possível crescer quando existe dedicação e capacitação”, afirmou.
Para Giovana, a busca por conhecimento é permanente. Ela acredita que a atividade pode representar uma oportunidade para outras mulheres que desejam empreender.
“A apicultura e a meliponicultura são atividades sustentáveis e lucrativas. O mel é só o começo. Existem muitas possibilidades de trabalhar com os produtos das abelhas”, afirmou.
Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo
Arquivo pessoal
De aluna a instrutora
Se para algumas dessas mulheres a criação de abelhas começou como hobby ou complemento de renda, para Kátia a atividade acabou se transformando em uma nova profissão em São Domingos do Norte, onde mora.
Depois de deixar a enfermagem, ela passou a estudar os diferentes usos dos produtos das colmeias e se especializou na produção artesanal de cosméticos.
Hoje, ela ensina outras mulheres a produzir sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
“A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar. A gente mostra que é possível criar novas fontes de renda a partir dos produtos das abelhas”, explicou a empreendedora.
Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Ao lado do marido, Juliano Cordeiro, conhecido como “Juliano Abelha”, ela transformou a atividade em um negócio familiar.
Há cinco anos, ele também deixou a carreira no serviço público para se dedicar integralmente à apicultura. O casal investiu em cursos, treinamentos e especializações até se tornar referência na área.
Hoje, os dois ministram capacitações em diferentes estados brasileiros para produtores, associações, cooperativas e instituições ligadas ao setor, inclusive com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A atuação foi além da produção de mel. Eles criaram um espaço voltado à formação de produtores e ao desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à apicultura e à meliponicultura.
A rotina da família passou a girar em torno das abelhas. Os filhos Davi, de 17 anos, e Aaron, de 7, também acompanham parte das atividades e cresceram vendo os pais transformarem uma paixão em profissão.
Rotina da ‘Família Abelha’ passou a girar em torno das abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Abelhas movimentam outras cadeias produtivas
O impacto das abelhas vai além dos produtos vendidos pelas empreendedoras. A atividade também contribui para a agricultura e ajuda a gerar renda dentro das propriedades rurais.
Segundo José Roberto Gonçalves, gerente corporativo de Agropecuária da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), as abelhas desempenham papel fundamental na cafeicultura, especialmente nas lavouras de café conilon.
“As abelhas possuem uma contribuição importante nesse processo, favorecendo maior produtividade e uniformidade na maturação dos frutos das lavouras de café conilon”, explicou Gonçalves.
Além de ajudar na produção agrícola, a atividade pode representar uma nova fonte de receita para os agricultores.
“Os produtores que possuem apiários em suas propriedades, além de potencializarem a produção de café conilon, contam com uma segunda atividade econômica, gerando mais renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida”, afirmou.
O interesse crescente pela atividade tem levado mais cafeicultores a buscar qualificação. Na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, a cooperativa mantém um apiário utilizado em ações de capacitação e, nos últimos dias, promoveu cursos voltados a cooperados que conciliam a produção de café com a criação de abelhas.

Alguns desses cursos foram ministrados pelo casal ‘Abelha’. Para Gonçalves, a capacitação é essencial para quem deseja crescer na atividade.
“A participação em capacitações possibilita o acesso às informações que contribuem para uma condução mais assertiva da criação de abelhas, tanto para apicultores experientes quanto para produtores que estão iniciando na atividade”, disse.
Kátia e Juliano Abelha criam e dão aulas sobre abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Capacitação transforma interesse em negócio
O papel do conhecimento também é destacado pelo Sebrae. Segundo o analista Daywidson Stabenow, a capacitação é um dos fatores que permitem transformar uma atividade complementar em um negócio estruturado.
“A capacitação ajuda a transformar um conhecimento técnico ou uma habilidade prática em uma atividade economicamente viável. O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma mais estratégica e identifica oportunidades que antes não via”, explicou.
Para ele, as histórias das produtoras refletem uma tendência crescente do empreendedorismo feminino.
“Essas histórias mostram a força da mulher, a determinação e a capacidade de adaptação. Cada vez mais as mulheres têm buscado autonomia financeira, geração de renda e realização dos seus projetos pessoais”, afirmou.
O analista também destaca que a cadeia produtiva das abelhas oferece oportunidades para pequenos empreendedores.
“Além da comercialização do mel, existem diversos produtos derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real. Isso amplia as possibilidades de receita e de novos negócios”, destacou.
Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Conhecimento como ponto de partida
Embora tenham histórias diferentes, as quatro mulheres compartilham um mesmo aprendizado: empreender exige preparo.
Foi por meio de cursos, treinamentos, mentorias, associações e programas de capacitação que elas encontraram caminhos para transformar interesse em oportunidade de negócio.
Mais do que produzir mel, própolis, cosméticos ou outros derivados das colmeias, elas passaram a enxergar possibilidades de geração de renda, valorização ambiental e independência financeira.
Agora, enquanto ampliam a produção e planejam novos passos, elas ajudam a mostrar que o empreendedorismo pode nascer nos lugares mais inesperados, até mesmo a partir de insetos que pesam poucos gramas, mas movimentam uma cadeia produtiva capaz de transformar vidas.
Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

O que a SpaceX espera ao estrear na bolsa de valores — e como ela pode fazer de Elon Musk o primeiro trilionário

A SpaceX contrói e opera os foguetes e a infraestrutura de lançamento que dão suporte à sua subsidiária Starlink
Getty Images
A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, divulgou um preço sugerido por ação antes de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Caso saia pelo valor estimado, seria a maior IPO da história.
Em um documento que detalha os planos para a operação, a SpaceX informou que cada ação deve sair por US$ 135 (cerca de R$ 686), elevando o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,75 trilhão, ou aproximadamente R$ 8,9 trilhões.
Anunciar um preço estimado com tanta antecedência é algo incomum, e o valor representa um aumento expressivo em relação à avaliação de mercado anterior da empresa, de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,4 trilhões), feita no início deste ano.
China e SpaceX aceleram corrida espacial
A divulgação não significa que as ações serão vendidas pelo preço proposto, já que isso será decidido pelos compradores. O valor pode subir ou cair.
A SpaceX fabrica foguetes, oferece um serviço de internet via satélite chamado Starlink e também é dona da empresa de inteligência artificial xAI.
Em geral, as empresas só divulgam o preço das ações no dia anterior ao início das negociações na bolsa de valores.
A SpaceX deve começar a ser negociada na bolsa Nasdaq em 12 de junho, o que faz da sua estimativa de preço uma das mais antecipadas, se não a mais antecipada, da história do mercado de ações.
A empresa pretende captar US$ 75 bilhões (R$ 381 bilhões), o que seria um recorde para um IPO. O atual recorde pertence à gigante do petróleo saudita Saudi Aramco, que captou US$ 25,6 bilhões em 2019.
Se as ações da empresa forem vendidas pelo preço estimado de US$ 135 ou acima desse valor, a SpaceX se tornará imediatamente uma das empresas mais valiosas do mundo.
Com isso, Elon Musk, que controla mais de 80% da SpaceX por meio de suas próprias ações na companhia, poderia se tornar trilionário.
Mas esse resultado não é garantido.
Segundo dados da Dealogic, empresa de pesquisa sobre mercados de capitais, em quase metade das companhias que abriram capital nos últimos 30 anos, o valor caiu em relação ao da estreia.
“Não há dúvida de que a avaliação é incrivelmente alta”, disse Samuel Kerr, diretor de pesquisa de mercados de capitais da Mergermarket.
Elon Musk deve se tornar a pessoa mais rica do mundo com a estreia da SpaceX na bolsa de valores
REUTERS
Ele observou que a relação entre o preço da SpaceX e suas vendas é maior do que a de qualquer outra grande empresa do grupo que os investidores chamam de “Mag 7” — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Nvidia, Microsoft e Tesla, outra empresa de Musk.
“Mas a SpaceX está sendo avaliada com base em receitas e lucros futuros, e não no presente, e alguns investidores podem estar dispostos a ignorar isso”, acrescentou Kerr.
Em 2025, a Space Exploration Technologies, nome oficial da SpaceX, teve receita de US$ 18,6 bilhões, mas registrou prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões.
Nos três primeiros meses deste ano, as vendas somaram US$ 4,7 bilhões, mas a empresa teve prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões.
Segundo o balanço da empresa, a SpaceX possui US$ 102 bilhões ativos, como foguetes e outros equipamentos, mas também US$ 60,5 bilhões em dívidas.
Além da exploração espacial, a empresa investe pesado em inteligência artificial (IA), redes sociais, serviços de internet via satélite e centros de dados.
No início deste ano, a SpaceX comprou a xAI, outra empresa de Musk, conhecida por seu chatbot Grok.
A xAI começou como parte do X, antigo Twitter, e usava o acesso aos textos e informações em tempo real da plataforma para treinar sua inteligência artificial.
Há anos, Musk defende que desenvolver infraestrutura no espaço é a melhor forma de garantir os recursos necessários para sustentar o funcionamento da IA, já que há escassez de terra disponível no planeta.
Ele já apresentou planos para lançar satélites de IA e, no futuro, construir centros de dados em órbita.
“A SpaceX já foi uma empresa simples. Era uma empresa de lançamentos, depois também provedora de internet por satélite, e agora é uma empresa de redes sociais e um laboratório de IA”, disse Laurence Pevsner, sócio da empresa de capital de risco Lux Capital, à BBC.
“O laboratório de IA é o que realmente está elevando a avaliação, e acho que essa é uma aposta arriscada para os acionistas”, acrescentou.
O movimento da SpaceX ocorre no momento em que outras gigantes da tecnologia buscam captar mais recursos para financiar seus investimentos em IA.
No início desta semana, a empresa de IA Anthropic revelou seus planos para uma oferta pública de ações ainda neste ano, enquanto a Alphabet, dona do Google, anunciou que pretende captar US$ 80 bilhões para investir em IA.
A OpenAI também avalia abrir capital ainda este ano, de acordo com a imprensa.

O que a SpaceX espera ao estrear na bolsa de valores — e como ela pode fazer de Elon Musk o primeiro trilionário

A SpaceX contrói e opera os foguetes e a infraestrutura de lançamento que dão suporte à sua subsidiária Starlink
Getty Images
A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, divulgou um preço sugerido por ação antes de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Caso saia pelo valor estimado, seria a maior IPO da história.
Em um documento que detalha os planos para a operação, a SpaceX informou que cada ação deve sair por US$ 135 (cerca de R$ 686), elevando o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,75 trilhão, ou aproximadamente R$ 8,9 trilhões.
Anunciar um preço estimado com tanta antecedência é algo incomum, e o valor representa um aumento expressivo em relação à avaliação de mercado anterior da empresa, de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,4 trilhões), feita no início deste ano.
China e SpaceX aceleram corrida espacial
A divulgação não significa que as ações serão vendidas pelo preço proposto, já que isso será decidido pelos compradores. O valor pode subir ou cair.
A SpaceX fabrica foguetes, oferece um serviço de internet via satélite chamado Starlink e também é dona da empresa de inteligência artificial xAI.
Em geral, as empresas só divulgam o preço das ações no dia anterior ao início das negociações na bolsa de valores.
A SpaceX deve começar a ser negociada na bolsa Nasdaq em 12 de junho, o que faz da sua estimativa de preço uma das mais antecipadas, se não a mais antecipada, da história do mercado de ações.
A empresa pretende captar US$ 75 bilhões (R$ 381 bilhões), o que seria um recorde para um IPO. O atual recorde pertence à gigante do petróleo saudita Saudi Aramco, que captou US$ 25,6 bilhões em 2019.
Se as ações da empresa forem vendidas pelo preço estimado de US$ 135 ou acima desse valor, a SpaceX se tornará imediatamente uma das empresas mais valiosas do mundo.
Com isso, Elon Musk, que controla mais de 80% da SpaceX por meio de suas próprias ações na companhia, poderia se tornar trilionário.
Mas esse resultado não é garantido.
Segundo dados da Dealogic, empresa de pesquisa sobre mercados de capitais, em quase metade das companhias que abriram capital nos últimos 30 anos, o valor caiu em relação ao da estreia.
“Não há dúvida de que a avaliação é incrivelmente alta”, disse Samuel Kerr, diretor de pesquisa de mercados de capitais da Mergermarket.
Elon Musk deve se tornar a pessoa mais rica do mundo com a estreia da SpaceX na bolsa de valores
REUTERS
Ele observou que a relação entre o preço da SpaceX e suas vendas é maior do que a de qualquer outra grande empresa do grupo que os investidores chamam de “Mag 7” — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Nvidia, Microsoft e Tesla, outra empresa de Musk.
“Mas a SpaceX está sendo avaliada com base em receitas e lucros futuros, e não no presente, e alguns investidores podem estar dispostos a ignorar isso”, acrescentou Kerr.
Em 2025, a Space Exploration Technologies, nome oficial da SpaceX, teve receita de US$ 18,6 bilhões, mas registrou prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões.
Nos três primeiros meses deste ano, as vendas somaram US$ 4,7 bilhões, mas a empresa teve prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões.
Segundo o balanço da empresa, a SpaceX possui US$ 102 bilhões ativos, como foguetes e outros equipamentos, mas também US$ 60,5 bilhões em dívidas.
Além da exploração espacial, a empresa investe pesado em inteligência artificial (IA), redes sociais, serviços de internet via satélite e centros de dados.
No início deste ano, a SpaceX comprou a xAI, outra empresa de Musk, conhecida por seu chatbot Grok.
A xAI começou como parte do X, antigo Twitter, e usava o acesso aos textos e informações em tempo real da plataforma para treinar sua inteligência artificial.
Há anos, Musk defende que desenvolver infraestrutura no espaço é a melhor forma de garantir os recursos necessários para sustentar o funcionamento da IA, já que há escassez de terra disponível no planeta.
Ele já apresentou planos para lançar satélites de IA e, no futuro, construir centros de dados em órbita.
“A SpaceX já foi uma empresa simples. Era uma empresa de lançamentos, depois também provedora de internet por satélite, e agora é uma empresa de redes sociais e um laboratório de IA”, disse Laurence Pevsner, sócio da empresa de capital de risco Lux Capital, à BBC.
“O laboratório de IA é o que realmente está elevando a avaliação, e acho que essa é uma aposta arriscada para os acionistas”, acrescentou.
O movimento da SpaceX ocorre no momento em que outras gigantes da tecnologia buscam captar mais recursos para financiar seus investimentos em IA.
No início desta semana, a empresa de IA Anthropic revelou seus planos para uma oferta pública de ações ainda neste ano, enquanto a Alphabet, dona do Google, anunciou que pretende captar US$ 80 bilhões para investir em IA.
A OpenAI também avalia abrir capital ainda este ano, de acordo com a imprensa.

Brasil, França ou Espanha? Seleção de R$ 9 bilhões é a mais valiosa da Copa; veja ranking

Ruas do Rio são enfeitadas para Copa do Mundo
Os jogadores mais valorizados do planeta, distribuídos entre 48 seleções, começam em 11 de junho a disputa da Copa do Mundo de 2026.
A França, dona de um elenco cheio de estrelas, lidera não só o ranking da FIFA — que classifica as seleções de acordo com o desempenho internacional —, mas também a lista das equipes mais valiosas do Mundial.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Juntos, os atletas franceses convocados para a competição somam 1,53 bilhão de euros em valor de mercado — o equivalente a R$ 9 bilhões pela cotação de 28 de maio. Em seguida aparece a Inglaterra, com 1,32 bilhão de euros, ou R$ 7,78 bilhões.
O Brasil ocupa a sexta posição entre as seleções mais valiosas, com 912,2 milhões de euros em valor de mercado (R$ 5,37 bilhões). Além de França e Inglaterra, a seleção brasileira fica atrás de Espanha, Portugal e Alemanha. (veja o ranking completo abaixo)
🔎 Os valores têm como base dados do site Transfermarkt, especializado em estimativas de valor de mercado no futebol. A plataforma calcula os valores dos atletas com base na demanda do mercado e considera fatores como taxas de transferência, idade, desempenho, potencial futuro, salário e tempo de contrato dos jogadores.
Veja os detalhes abaixo:
Ranking de seleções mais valiosas da Copa
Arte/g1
Os dados também mostram quais são os jogadores mais valiosos de cada seleção. Entre os destaques estão o francês Kylian Mbappé, o espanhol Lamine Yamal e o norueguês Erling Haaland. Cada um tem valor de mercado estimado em 200 milhões de euros (R$ 1,17 bilhão).
O brasileiro mais valorizado é o atacante Vini Jr., estimado em 150 milhões de euros (R$ 882,5 milhões).
Juntos, todos os jogadores convocados das dez equipes somam mais de R$ 57 bilhões em valor de mercado.
Veja os jogadores mais caros de cada uma delas:
Kylian Mbappé (França) — R$ 1,17 bilhão
Lamine Yamal (Espanha) — R$ 1,17 bilhão
Erling Haaland (Noruega) — R$ 1,17 bilhão
Vini Jr. (Brasil) — R$ 882,5 milhões
Jude Bellingham (Inglaterra) — R$ 823,7 milhões
João Neves (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Vitinha (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Florian Wirtz (Alemanha) — R$ 647,2 milhões
Ryan Gravenberch (Holanda) — R$ 529,5 milhões
Enzo Fernández (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Julián Álvarez (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Jérémy Doku (Bélgica) — R$ 382,4 milhões
LEIA TAMBÉM:
Convocação vale publi? Como Neymar e outros atletas da seleção podem lucrar após lista da Copa
O troféu da Copa do Mundo da FIFA é exibido no Canadá.
IMAGN IMAGES via Reuters

Brasil, França ou Espanha? Seleção de R$ 9 bilhões é a mais valiosa da Copa; veja ranking

Ruas do Rio são enfeitadas para Copa do Mundo
Os jogadores mais valorizados do planeta, distribuídos entre 48 seleções, começam em 11 de junho a disputa da Copa do Mundo de 2026.
A França, dona de um elenco cheio de estrelas, lidera não só o ranking da FIFA — que classifica as seleções de acordo com o desempenho internacional —, mas também a lista das equipes mais valiosas do Mundial.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Juntos, os atletas franceses convocados para a competição somam 1,53 bilhão de euros em valor de mercado — o equivalente a R$ 9 bilhões pela cotação de 28 de maio. Em seguida aparece a Inglaterra, com 1,32 bilhão de euros, ou R$ 7,78 bilhões.
O Brasil ocupa a sexta posição entre as seleções mais valiosas, com 912,2 milhões de euros em valor de mercado (R$ 5,37 bilhões). Além de França e Inglaterra, a seleção brasileira fica atrás de Espanha, Portugal e Alemanha. (veja o ranking completo abaixo)
🔎 Os valores têm como base dados do site Transfermarkt, especializado em estimativas de valor de mercado no futebol. A plataforma calcula os valores dos atletas com base na demanda do mercado e considera fatores como taxas de transferência, idade, desempenho, potencial futuro, salário e tempo de contrato dos jogadores.
Veja os detalhes abaixo:
Ranking de seleções mais valiosas da Copa
Arte/g1
Os dados também mostram quais são os jogadores mais valiosos de cada seleção. Entre os destaques estão o francês Kylian Mbappé, o espanhol Lamine Yamal e o norueguês Erling Haaland. Cada um tem valor de mercado estimado em 200 milhões de euros (R$ 1,17 bilhão).
O brasileiro mais valorizado é o atacante Vini Jr., estimado em 150 milhões de euros (R$ 882,5 milhões).
Juntos, todos os jogadores convocados das dez equipes somam mais de R$ 57 bilhões em valor de mercado.
Veja os jogadores mais caros de cada uma delas:
Kylian Mbappé (França) — R$ 1,17 bilhão
Lamine Yamal (Espanha) — R$ 1,17 bilhão
Erling Haaland (Noruega) — R$ 1,17 bilhão
Vini Jr. (Brasil) — R$ 882,5 milhões
Jude Bellingham (Inglaterra) — R$ 823,7 milhões
João Neves (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Vitinha (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Florian Wirtz (Alemanha) — R$ 647,2 milhões
Ryan Gravenberch (Holanda) — R$ 529,5 milhões
Enzo Fernández (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Julián Álvarez (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Jérémy Doku (Bélgica) — R$ 382,4 milhões
LEIA TAMBÉM:
Convocação vale publi? Como Neymar e outros atletas da seleção podem lucrar após lista da Copa
O troféu da Copa do Mundo da FIFA é exibido no Canadá.
IMAGN IMAGES via Reuters

PIX x Zelle: veja as diferenças entre os sistemas de pagamento do Brasil e dos EUA

PIX x Zelle: entenda a diferença entre os dois sistemas de pagamentos
O Zelle, sistema de pagamentos dos Estados Unidos, ficou entre os assuntos mais comentados nas redes sociais nesta quinta-feira (4), após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro compará-lo ao PIX em entrevista à rádio TMC.
A declaração ocorre em meio a críticas do governo Donald Trump ao modelo brasileiro, com acusações de que o país favorece a ferramenta em detrimento de empresas americanas. (entenda mais abaixo)
Mas afinal, qual é a diferença entre os dois sistemas? Veja abaixo:
PIX x Zelle
Reprodução/GloboNews
Público x privado
O PIX é um sistema de pagamentos instantâneos público. A ferramenta foi desenvolvida e lançada pelo Banco Central do Brasil em 2020. O BC também é responsável pela regulação e pela infraestrutura tecnológica necessária para o funcionamento do sistema.
Já o Zelle — cuja pronúncia é “Zell” — foi lançado em 2017 e é uma iniciativa privada do sistema bancário dos Estados Unidos.
O sistema foi criado pela Early Warning Services, empresa de tecnologia financeira controlada por grandes bancos dos Estados Unidos, como Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.
Integração limitada
Embora o Banco Central estude permitir transferências diretas do PIX para contas no exterior, o sistema brasileiro — assim como o americano — ainda está limitado a operações entre contas nacionais.
A principal diferença, portanto, está no grau de integração com o sistema financeiro.
Enquanto o PIX funciona em qualquer banco, fintech ou instituição financeira autorizada pelo Banco Central, o Zelle é restrito às instituições participantes do sistema.
Segundo dados oficiais, o Zelle está disponível em mais de 2.400 aplicativos de bancos e cooperativas de crédito.
Uso no dia a dia
Enquanto o Zelle é voltado principalmente para transferências entre pessoas e transações de pequenas empresas, o PIX pode ser usado em diversas situações do dia a dia.
Segundo o Banco Central, além de transferências entre pessoas, o PIX também pode ser usado para:
pagamentos em estabelecimentos comerciais e prestadores de serviços;
pagamentos entre empresas;
recolhimento de receitas públicas e contribuições; e
pagamento de cobranças e faturas, como contas de serviços públicos.
Além disso, o PIX é gratuito para pessoas físicas e costuma ter custo mais baixo para empresas. Já o Zelle pode ou não ser gratuito, a depender das tarifas cobradas pelo banco ou cooperativa de crédito. De acordo uma pesquisa realizada no terceiro trimestre do ano passado, no entanto, “quase todos” os bancos e cooperativas que disponibilizam o sistema não cobram taxas de consumidores.
Por fim, enquanto o PIX é instantâneo, o Zelle pode levar alguns minutos para que o valor fique disponível ao destinatário.
Dá pra cancelar um pagamento?
Segundo o site oficial do Zelle, o usuário só pode cancelar um pagamento se o destinatário ainda não estiver cadastrado na plataforma.
“Se o destinatário já estiver cadastrado no Zelle, o dinheiro será enviado diretamente para a conta bancária dele e não poderá ser cancelado”, alerta o site.
Já o PIX conta com o Mecanismo Especial de Devolução (MED), usado para ajudar vítimas de fraude. O Banco Central ressalta, no entanto, que a ferramenta não garante o ressarcimento.
“A recuperação depende da análise do caso e da existência do saldo na conta do recebedor ou de demais envolvidos na fraude”, diz o BC.
No caso de transferências feitas por engano, não há normas específicas do Banco Central ou do Conselho Monetário Nacional (CMN) sobre devolução. Ainda assim, o BC lembra que o Código Penal trata da apropriação indevida e orienta os consumidores a procurar o banco para tentar reaver o dinheiro.
O PIX também conta com uma funcionalidade que permite ao recebedor devolver valores enviados por engano diretamente pelo aplicativo do banco.
LEIA TAMBÉM
BC favorece o PIX? Entenda por que o sistema de pagamento está na mira de Trump
Governo Trump conclui que PIX é ‘injusto’: por que sistema brasileiro incomoda tanto os EUA e o que pode acontecer com ele agora?
EUA propõem sobretaxa a 60 países por falha no combate ao trabalho forçado; Brasil está na lista

Como cultivar morango?

Morango Sul de Minas
EPTV/Reprodução
Precisa de orientações sobre como cultivar morango? A recomendação é a publicação do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar).
O material traz todos os detalhes sobre os tipos de canteiro que podem ser utilizados, as variedades para plantio, o espaçamento ideal e os cuidados necessários para evitar as pragas e doenças mais comuns da cultura.
📱Acesse aqui
O que faz um ovo ser jumbo? Idade da galinha ajuda a explicar

Planalto conta com encontro entre Lula e Trump durante o G7, na França

Planalto aposta em encontro entre Lula e Trump no G7
Integrantes do Palácio do Planalto contam com um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula do G7, na França.
Lula confirmou nesta quarta-feira (3) sua ida à cúpula. O encontro de líderes vai acontecer entre os dias 15 e 17 de junho em Evian, na França.
Segundo afirmaram fontes do Planalto ao blog, não há agenda entre os presidentes marcada, mas como o grupo de líderes presentes é menor, um encontro será “inevitável”. Lula tentará falar de tarifas e reforçar parcerias com o presidente dos EUA.
🔎 O G7 é formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Lula foi convidado a participar do encontro este ano pelo anfitrião — o presidente da França, Emmanuel Macron.
O Brasil não faz parte do grupo, no entanto, desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023, Lula tem sido chamado a participar das reuniões.
Uma investigação do escritório norte-americano concluiu, na terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
Essa sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve se somar à taxa proposta em outro relatório dos EUA, divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
➡️ O primeiro texto previa a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O segundo, um adicional de 12,5%. Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximos aos 40% impostos no ano passado — caso entre em vigor.
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
O presidente afirmou nesta quarta que não foi comunicado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos sobre as propostas de novas tarifas comerciais a produtos brasileiros, e que pretende enviar uma nova carta a Donald Trump.
Ele disse que foi surpreendido pelo anúncio e que o país “não pode aceitar” o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil.
Lula deu a declaração durante reunião ministerial no Palácio do Planalto. Durante a fala inicial, o petista reforçou discursos anteriores, em que criticou o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, e o chamou de “latinoamericano frustrado”.

SpaceX define preço de US$ 135 por ação para estreia na bolsa americana

Nave Starship, da SpaceX, durante seu 12º voo
Reuters/Steve Nesius
A SpaceX anunciou publicamente, nesta quarta-feira (3), o preço de US$ 135 por ação para sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Nova York, rompendo com o modelo tradicional de definição de preços de Wall Street e destacando a intenção de Elon Musk de captar valores recordes do seu próprio modo.
🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado.
A decisão da empresa de divulgar o preço uma semana antes da oferta, algo raro entre grandes IPOs nos Estados Unidos, reforça a imagem de Musk no mercado financeiro como um empreendedor ousado e bem-sucedido.
A empresa pretende captar US$ 75 bilhões, o maior valor já obtido em um IPO, o que a avaliaria em US$ 1,75 trilhão e a colocaria imediatamente entre as dez empresas mais valiosas dos Estados Unidos.
A empresa começará na quinta-feira da próxima semana (10) a apresentação a investidores, com a definição final do preço prevista para 11 de junho; a negociação das ações na Nasdaq deve começar no dia seguinte.
Agora no g1
Musk também vem mudando práticas comuns em IPOs da SpaceX de várias maneiras, como ao propor maior participação de investidores individuais na distribuição das ações, defender uma inclusão mais rápida em índices e organizar a governança para manter forte controle do fundador.
“Nada neste IPO é normal em qualquer aspecto, mas, por outro lado, este é o maior IPO da história, então talvez isso não seja surpreendente”, disse um investidor que planeja comprar ações na oferta.
Levando à estrada
O roadshow é a etapa em que empresas e bancos consultam investidores para definir uma faixa de preço para a venda de ações. Esse processo valoriza tanto o relacionamento dos bancos com potenciais investidores quanto sua leitura do mercado para a oferta.
Após uma série de reuniões preliminares com investidores antes do roadshow, a SpaceX indicou buscar uma avaliação de cerca de US$ 1,75 trilhão, enquanto parte do mercado apontava para US$ 1,5 trilhão ou menos.
Os planos da empresa, incluindo o valor a ser captado, podem mudar à medida que uma nova rodada de conversas com investidores se inicia, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Em Wall Street, houve uma corrida para garantir participação na operação, impulsionada pela reputação de Musk e pelo potencial de geração de milhões de dólares em taxas. Um investidor afirmou que há a percepção de que grandes instituições estão “se posicionando antecipadamente” ao dizer que investiram cedo — o que reflete e reforça o poder de influência de Musk sobre o mercado.
Outros aspectos da oferta da SpaceX também chamam atenção. Grandes bancos internacionais, como Mizuho, Deutsche Bank, UBS e Barclays, foram incentivados a focar na atração de investidores pessoas físicas de alta renda em seus países.
No passado, esse público recebia menos atenção, já que os bancos priorizavam o retorno de grandes gestoras de ativos, como a Fidelity Investments, e de fundos hedge, como a Citadel.