EUA dizem que Espanha aceitou cooperação militar após ameaça de Trump, mas governo espanhol nega

Donald Trump, presidente dos EUA, e Pedro Sanchez, primeiro-ministro da Espanha
Yves Herman/Reuters
Após Trump ameaçar cortar relações comerciais com a Espanha na terça-feira (3), a Casa Branca disse nesta quarta-feira (4) que o país aceitou cooperar com o exército dos EUA. Minutos depois, o ministro das Relações Exteriores espanhol negou “de forma categórica” que o país vá cooperar, em entrevista à rádio Cadena SER.
Karoline Leavitt, porta-voz da Casa-Branca, disse em entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira: “Sobre a Espanha, acho que eles ouviram a mensagem de Trump ontem de forma alta e clara. E entendo que nas últimas horas eles concordaram em cooperar com os militares dos EUA. Sei que as Forças Armadas dos EUA estão coordenando com seus correspondentes na Espanha”.
Vinte minutos depois, o ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, desmentiu “de forma categórica” a informação e disse que “não tinha a mínima ideia” do que Leavitt estava dizendo.
“A posição do Governo da Espanha sobre a guerra no Oriente Médio, os bombardeios no Irã e o uso das nossas bases não mudou uma vírgula sequer”, afirmou Albares. “Nossa posição de ‘não à guerra’ continua sendo clara e contundente (…) Há um acordo bilateral, e fora do marco desse acordo não haverá nenhum uso das bases sob soberania espanhola. Qualquer operação precisa estar dentro do marco da ONU.”
Mais cedo, o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sanchez disse que Trump está “brincando de roleta russa” com o destino de milhões de pessoas com a guerra contra o Irã e que ele não seria cúmplice das ações norte-americanas apenas pelo medo de retaliação.
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A fala de Sánchez ocorreu após Trump ter ameaçado cortar as relações comerciais com a Espanha devido à posição do país sobre o conflito. O líder norte-americano reclamou que os espanhóis não deixaram os EUA utilizarem suas bases para lançar ataques contra o Irã (leia mais abaixo).
“É assim que começam as grandes catástrofes da humanidade. Você não pode jogar roleta russa com o destino de milhões”, disse Sánchez a Trump em pronunciamento nacional televisionado.
As tensões entre os dois aliados da Otan aumentaram após Sánchez ter classificado os bombardeios dos EUA e de Israel contra o Irã como imprudentes e ilegais e, posteriormente, proibir o uso de aeronaves americanas nas bases que os EUA têm no sul da Espanha para a ofensiva contra Teerã. Veja no mapa abaixo onde elas estão:
Mapa mostra bases dos EUA na Espanha, que o governo espanhol proibiu a utilização para ataques contra o Irã.
Dhara Pereira/Arte g1
A Comissão Europeia também saiu em defesa da Espanha nesta quarta-feira ao afirmar que está “pronta” para defender os interesses da União Europeia.
Sánchez também afirmou que o mundo não pode resolver seus problemas com conflitos e bombas, e que o governo espanhol é totalmente contra essa guerra.
“A posição do governo espanhol pode ser resumida em três palavras: ‘Não à guerra’. Não vamos ser cúmplices de algo que é ruim para o mundo nem contrário aos nossos valores e interesses simplesmente para evitar represálias de alguém”, afirmou Sánchez, em aparente referência às ameaças comerciais de Trump.
Sánchez destacou os efeitos colaterais negativos da Guerra do Iraque, desde o aumento do terrorismo jihadista até a disparada nos preços da energia, para argumentar que as consequências deste ataque ao Irã são igualmente incertas e que ele não levará a uma ordem internacional mais justa.
Trump ameaçou cortar relações comerciais com a Espanha
Trump fala na Casa Branca em 03 de março de 2026
Mark Schiefelbein/AP
Donald Trump afirmou na terça-feira (3) que os EUA iriam Pocortar todas as relações comerciais com a Espanha depois que o governo espanhol não autorizou o uso de suas bases pelos militares norte-americanos no ataque ao Irã.
“A Espanha tem sido terrível. Na verdade, eu disse ao Scott [Bessnet, secretário do Tesouro] para cortar todas as relações com a Espanha. A Espanha chegou a dizer que não podemos usar as bases deles. E tudo bem. Podemos usar a base deles se quisermos. Podemos simplesmente entrar voando e usá-la. Ninguém vai nos dizer que não podemos usá-la”, disse Trump.
Após a fala de Trump, o governo espanhol disse que os EUA devem seguir as regras do direito internacional e os acordos bilaterais de comércio com a União Europeia.
A declaração de Trump foi dada durante entrevista na Casa Branca. Ele falou sobre a ofensiva americana ao Irã enquanto recebia o primeiro-ministro da Alemanha, Friedrich Merz.
Seguindo com sua postura otimista, Trump falou sobre o ataque feito ao prédio da Assembleia dos Peritos, responsável por escolher o próximo líder supremo do país, e afirmou:
“Tudo foi destruído no Irã. Estamos muito bem. Hoje houve outro ataque à nova liderança. O pior cenário é que alguém tão ruim quanto o anterior assuma o poder. Gostaríamos de ver alguém lá que seja melhor”.
O presidente norte-americano também aproveitou para condenar o governo iraniano e acusou Teerã de atacar civis.
“O Irã está atacando países que não têm nada a ver com o que está acontecendo. Está atingindo apenas instalações civis”, afirmou.
Também nesta terça, um general da Guarda Revolucionária iraniana advertiu que se os bombardeios de Israel e Estados Unidos contra o Irã continuarem, “todos os centros econômicos” do Oriente Médio serão alvo de represálias.
“Dizemos ao inimigo que, se decidir atacar nossos principais centros, nós atacaremos todos os centros econômicos da região”, afirmou o general Ebrahim Jabari.
“Fechamos o estreito de Ormuz. Atualmente, o preço do petróleo passa dos 80 dólares e em breve atingirá os 200 dólares”, acrescentou, citado pela agência de notícias Isna. O barril do Brent superou, nesta terça-feira, os 85 dólares pela primeira vez desde julho de 2024.

Caso Master: investigação revela 'milícia' para ameaças, espionagem e propina para servidores do BC

Quem é Daniel Vorcaro, dono do Banco Master preso em nova operação da PF
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do banco Master, voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) pela Polícia Federal em São Paulo em uma investigação que apura um esquema bilionário de fraudes financeiras.
O cunhado dele, Fabiano Zettel, também era alvo de mandado de prisão e se entregou. A defesa disse que “em que pese não ter tido acesso ao objeto das investigações, Fabiano está à inteira disposição das autoridades”.
As prisões foram autorizadas pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em sua primeira ação como relator do caso, que assumiu no mês passado.
🔎 Segundo a PF, o esquema financeiro envolve a venda de títulos de crédito falsos pelo Banco Master. O nome da operação é uma referência à falta de controles internos nas instituições envolvidas para evitar crimes de gestão fraudulenta, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.
Veja as principais informações da operação ponto a ponto:
Por que Daniel Vorcaro foi preso de novo?
Daniel Vorcaro foi preso novamente após pedido da PF. O ministro André Mendonça concordou com o pedido da polícia e fundamentou a prisão na necessidade de garantir a ordem pública e econômica, evitar destruição de provas e coação de testemunhas e para assegurar a aplicação da lei penal.
As principais justificativas do ministro para decretar a nova prisão foram:
Ocultação patrimonial: segundo o pedido de prisão, após ser solto liberdade, Vorcaro continuou ocultando recursos. A PF afirmou que, em janeiro de 2026, foram bloquados mais de R$ 2,2 bilhões de uma conta vinculada ao pai de Vorcaro. A defesa do pai de Vorcaro afirmou que desconhece a conta e o dinheiro. (veja mais detalhes)
Ataques ao BC: De acordo com a investigação, logo após a soltura de Vorcaro em 2025, a organização criminosa que seria liderada por ele teria iniciado o “Projeto DV”, contratando influenciadores para atacar a reputação do Banco Central.
Periculosidade e uso de violência: A investigação da PF revelou diálogos em que Vorcaro emite ordens diretas para que sua “milícia privada”, que tinha a alcunha de “A Turma”, praticasse atos violentos. Entre os episódios citados, destaca-se o plano de forjar um assalto para agredir fisicamente o jornalista Lauro Jardim, do jornal “O Globo”. Vorcaro explicitou a intenção de mandar “quebrar todos os dentes” do profissional.
Obstrução de justiça e monitoramento ilegal: Vorcaro utilizava um grupo liderado Luiz Phillipi Mourão, o “Sicário”, para acessar ilegalmente sistemas sigilosos da PF, do Ministério Público Federal (MPF) e da Interpol. Vorcaro teria tido acesso antecipado a informações sobre diligências investigativas, o que coloca em risco a integridade dos servidores públicos envolvidos na apuração.
Risco de fuga e dilapidação patrimonial: No pedido de prisão, a PF relatou que Vorcaro possui jatos privados e extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais, além de evidências de que estaria dilapidando esses bens para evitar a aplicação da lei penal.
PF prende Daniel Vorcaro, dono do Banco Master
Reprodução
INFOGRÁFICO – Entenda nova fase da operação Compliance Zero, que prendeu Daniel Vorcaro
Arte/g1
Quem mais foi preso?
Além de Daniel Bueno Vorcaro, Mendonça decretou a prisão preventiva de outros três investigados, apontadas como necessárias para neutralizar o braço armado e financeiro da organização visando garantir a integridade física de autoridades, jornalistas e testemunhas.
Fabiano Campos Zettel: Identificado como o operador financeiro e cunhado de Vorcaro. Ele era responsável por intermediar pagamentos, estruturar contratos simulados para lavar dinheiro e custear as atividades da “Turma”.
Luiz Phillipi Machado De Moraes Mourão: Preso em Belo Horizonte (MG), atuava como o líder operacional de “A Turma”, a milícia privada do grupo. Era o responsável por coordenar o monitoramento de adversários, obter dados sigilosos ilegalmente, e executar atos de intimidação e coação.
Marilson Roseno Da Silva: Policial federal aposentado que integrava a estrutura de monitoramento e intimidação e também foi preso em Belo Horizonte (MG). Utilizava sua experiência e contatos na carreira policial para coletar dados sensíveis e realizar vigilância de indivíduos considerados críticos aos interesses do Banco Master.
Outros alvos da operação
Além dos presos, outros investigados foram alvos da operação e vão ter que cumprir medidas cautelares. São eles: Paulo Sérgio Neves de Souza, Belline Santana, Leonardo Augusto Furtado Palhares e Ana Claudia Queiroz de Paiva. As restrições incluem:
uso de tornozeleira eletrônica;
proibição de manter contato com qualquer testemunha ou investigado da operação;
proibição de ausentar-se da comarca de residência e do país, com entrega obrigatória do passaporte em 48 horas;
suspensão do exercício de função pública e proibição de acesso às dependências do Banco Central (BC), especificamente para Paulo Sérgio e Belline. A dupla já havia sido afastada pelo BC.
Paulo Sérgio e Belline ocupavam cargos de chefia no Banco Central. Em nota, o BC afirmou que já havia identificado indícios de ‘vantagens indevidas’ recebidas pelos dois e que afastou os servidores, do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas. Além disso, informou a PF sobre o caso.
‘Puxão de orelha’ na PGR
Em um dos trechos da decisão, Mendonça deu “puxão de orelha” na Procuradoria-Geral da República (PGR). Em 27 de fevereiro, a PF pediu ao STF a prisão preventiva dos investigados, ao afirmar que o grupo mantinha uma “estrutura de vigilância e coerção privada” voltada ao monitoramento de alvos e à intimidação de pessoas ligadas às investigações.
Ao receber o pedido, Mendonça concedeu 72 horas para manifestação da PGR. O órgão afirmou que não havia, no pedido, “indicação de perigo iminente, imediato, que induza a extraordinária necessidade de tão rápida e necessariamente sucinta análise do pleito”.
Na decisão, o ministro rebate essa avaliação. Segundo ele, a representação da Polícia Federal “traz sérias evidências da continuada prática de crimes de gravíssima repercussão”. Mendonça afirma ainda que a urgência do caso é clara.
“É preciso ressaltar que a urgência na tramitação deste feito decorre do perigo iminente a bens jurídicos da mais elevada relevância e de envergadura constitucional”, destacou.
O relator afirma que a avaliação da PGR ignorou indícios relevantes apresentados pela investigação. Em um trecho mais direto, Mendonça diz lamentar a postura da PGR diante de “robusto quadro fático-probatório” e que a demora revela-se “extremamente perigosa para a sociedade”.
Como funciona “A Turma”?
“A Turma” é descrita nas fontes como um núcleo de intimidação e obstrução de justiça, funcionando como uma estrutura de vigilância e coerção privada, definida como uma “milícia privada”, a serviço dos interesses de Daniel Bueno Vorcaro e do Banco Master.
Liderança e composição
Comando estratégico: Daniel Vorcaro emitia ordens diretas para atos de intimidação contra concorrentes, ex-empregados e jornalistas;
Coordenação operacional: Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão (o “Sicário”) era o responsável por organizar as diligências, coordenar as equipes e executar as ordens de monitoramento e pressão; e
Operador técnico: Marilson Roseno da Silva, policial federal aposentado, utilizava sua experiência e contatos para realizar vigilância, localizar alvos e coletar dados sensíveis.
Modus operandi
Obtenção ilegal de dados: O grupo acessava sistemas restritos de órgãos como a **Polícia Federal, o Ministério Público Federal e até organismos internacionais como FBI e Interpol**, utilizando credenciais de terceiros para obter informações sigilosas.
Monitoramento e vigilância: Realizavam o acompanhamento presencial e telemático de alvos, incluindo autoridades e profissionais da imprensa.
Violência e coação: Há registros de ordens para “moer” funcionários e planos detalhados para forjar assaltos com o intuito de agredir fisicamente jornalistas.
Atuação digital: O grupo simulava solicitações oficiais de órgãos públicos para remover perfis e conteúdos críticos em plataformas digitais.
Estrutura financeira
Remuneração: Mensagens indicam que Luiz Phillipi recebia cerca de R$ 1 milhão por mês de Vorcaro para dividir entre “a turma” e “os meninos”.
Operacionalização: Os pagamentos eram viabilizados por Fabiano Zettel e Ana Claudia Queiroz de Paiva, utilizando empresas como a Super Empreendimentos e a King Participações como contas de passagem para ocultar a origem do dinheiro.
Ameaças a jornalista e empregados
As ameaças e ações de coerção visavam silenciar críticos e garantir os interesses do Banco Master. Entre os alvos, o jornalista Lauro Jardim. Vorcaro demonstrou descontentamento com notícias publicadas pelo profissional e ordenou monitoramento constante.
“Esse Lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”, escreveu o banqueiro.
Luiz Phillipi Mourão confirmou que colocaria pessoas seguindo o jornalista para “pegar tudo dele”.
Vorcaro também utilizava “A Turma” para exercer controle e intimidar colaboradores que considerava uma ameaça. Ao se sentir ameaçado por uma funcionária, Vorcaro ordenou:
“Tem que moer essa vagabunda”, solicitando em seguida que seu endereço fosse levantado para futuras ações.
Para intimidar um funcionário que teria feito uma gravação indesejada, Vorcaro sugeriu agressões a um chefe de cozinha ligado ao funcionário.
“O bom de dar sacode no chef de cozinha primeiro. O outro já vai assustar”, escreveu.
Luiz Phillipi Mourão realizava o acompanhamento presencial e telemático de ex-colaboradores, chegando a questionar Vorcaro se havia telefones específicos para monitorar.
Espionagem e acesso ilegal a dados
O grupo utilizava credenciais de terceiros para acessar sistemas sigilosos para obter informações sensíveis sobre alvos de interesse. Luiz Phillipi Mourão também fraudava solicitações oficiais de órgãos públicos, para remover perfis e links negativos em plataformas digitais.
O grupo obtinha informações sigilosas mediante o acesso indevido a sistemas restritos de órgãos públicos. Para isso, utilizavam credenciais funcionais pertencentes a terceiros, o que permitia a extração de dados protegidos por sigilo institucional. De acordo com a PF, o grupo acessou ilegalmente bases de dados da:
Polícia Federal (PF);
Ministério Público Federal (MPF);
Organismos internacionais, especificamente o FBI e a Interpol.
As atividades incluíam a obtenção de dados pessoais e institucionais de autoridades, jornalistas, concorrentes empresariais e ex-empregados.
Marilson Roseno da Silva realizava vigilância presencial, localizava alvos e realizava diligências informais para levantamento de informações estratégicas. O grupo monitorava até mesmo telefones de indivíduos de interesse para acompanhar seus passos.
Viagem à Disney; propina para servidores
A atuação de Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana, servidores do BC é descrita como uma cooptação institucional para servir aos interesses privados do Banco Master e de seu controlador, Daniel Vorcaro.
Ambos os servidores atuavam como uma espécie de “consultores informais” e Vorcaro e do Banco Master. Paulo Sérgio dava sugestões a Vorcaro sobre como se comportar e quais argumentos utilizar em reuniões com o próprio presidente do Banco Central.
Os servidores também revisavam documentos como minutas de ofícios e comunicações que o Banco Master pretendia enviar ao Departamento de Supervisão Bancária, onde trabalhavam, antes da formalização dos documentos, sugerindo alterações e ajustes estratégicos.
Também utilizavam seus cargos para antecipar informações sensíveis da autarquia. Paulo Sérgio chegou a alertar Vorcaro antecipadamente sobre movimentações financeiras que haviam sido detectadas pelos sistemas de monitoramento do BC, permitindo que o banco tomasse medidas para evitar questionamentos regulatórios.
Existia um grupo de mensagens específico entre Vorcaro, Paulo Sérgio e Belline para a discussão direta de estratégias e compartilhamento de documentos de interesse do Banco Master.
Recebimento de vantagens indevidas
A “assessoria” prestada pelos servidores era remunerada por meio de mecanismos ilícitos. Belline Santana recebeu propostas de contratação simulada por meio da empresa Varajo Consultoria para justificar o repasse de propinas.
Segundo a PF, há fortes indícios de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio custeando despesas pessoais, como a contratação de guias para uma viagem do servidor e sua família aos parques da Disney e Universal, em Orlando (EUA).
As investigações identificaram uma estrutura de lavagem de dinheiro para que os pagamentos não saíssem diretamente de Vorcaro para os servidores, utilizando “contas de passagem” e empresas interpostas.
R$ 2 bilhões ‘ocultados’ na conta do pai
Segundo a PF, Vorcaro ocultou mais de R$ 2,2 bilhões em uma conta bancária em nome do pai, Henrique Moura Vorcaro, mesmo após ter sido solto no fim de 2025.
O pedido foi acolhido pelo ministro André Mendonça, que autorizou nova ordem de prisão no âmbito do caso do Master. Vorcaro foi preso.
🛫 Segundo o documento, a PF sustenta que o risco de fuga de Vorcaro permanece elevado, citando a existência de “jatos privados” à disposição do investigado e um “extenso patrimônio no exterior, inclusive em paraísos fiscais”.
💵 Os investigadores também afirmam que começam a aparecer sinais de dilapidação desse patrimônio, o que reforçaria a necessidade da prisão.
Em nota, a defesa de Henrique Vorcaro, pai de Daniel Vorcaro, afirmou que “são incorretas as informações divulgadas no sentido de que a conta mencionada na decisão do STF seja de sua titularidade”.
“A defesa reafirma desconhecer a existência de qualquer conta e com tais valores e reitera ser imperativo que os fatos sejam devidamente esclarecidos. Entende-se a legítima preocupação com a reparação dos danos, mas ressalta ser essencial preservar a correção das informações divulgadas”, disseram os advogados.
As autoridades relatam que as descobertas só foram possíveis após a Segunda Fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 14 de janeiro de 2026.
💰 Na ocasião, medidas de bloqueio financeiro revelaram um montante de R$ 2.245.235.850,24, registrado na conta do pai do banqueiro e mantido junto à CBSF DTVM, mais conhecida no mercado como REAG.
Ocultação ocorria enquanto FGC sangrava
No mesmo trecho, a PF faz uma comparação direta entre a ocultação dos recursos e o prejuízo causado pelo Banco Master, que teria deixado um rombo de quase R$ 40 bilhões no mercado financeiro — valor atualmente coberto pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
“Enquanto o Fundo Garantidor de Crédito sangrava para cobrir o rombo bilionário deixado pelo Banco Master no mercado financeiro, montante que alcança quase 40 bilhões de reais, Daniel Vorcaro ocultava de seus credores e vítimas mais de 2 bilhões de reais junto a empresa conhecida por lavar dinheiro das mais perigosas organizações criminosas do Brasil, conduta ilícita que se perpetuou mesmo após ter sido posto em liberdade”, afirmou a PF.
Os investigadores afirmam ainda que a conduta delitiva “se perpetuou mesmo após” a soltura do banqueiro, reforçando a tese de reiteração criminosa.

Caso Master: veja o que faziam os servidores afastados no Banco Central

A nova fase da operação Compliance Zero da Polícia Federal (PF), em que o banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser preso, também afastou dois servidores que ocuparam cargos importantes nos últimos anos no Banco Central (BC): Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana.
Os dois, que já eram alvo de investigação interna do Banco Central, comandaram, respectivamente, a Diretoria de Fiscalização (Difis) e o Departamento de Supervisão Bancária (Desup) Eles foram afastados pelo BC em janeiro.

🔎O BC possui oito diretorias. Elas estão diretamente ligadas à presidência da instituição (veja mais abaixo). Os diretores são indicados pelo presidente da República e aprovados pelo Senado.
Nas funções, os dois servidores afastados nesta quarta-feira (4) chegaram a assinar uma série de documentos hoje sob foco da PF por terem dado sobrevida a negócios suspeitos do Master.
A auditoria do Banco Central investigava fatos relativos ao Banco Master desde 2018, quando Daniel Vorcaro conseguiu autorização para comprar o Banco Máxima.

Entenda quais as atribuições dessas áreas chave do Banco Central.
Diretoria de Fiscalização
Como diz o nome do cargo, a Diretoria de Fiscalização (Difis) do Banco Central é a principal responsável pela supervisão das instituições autorizadas a operar no Brasil.
Essa diretoria precisa estar sempre atenta ao risco que cada instituição apresenta e à saúde do sistema financeiro como um todo.

No monitoramento feito das instituições, a chamada Difis acompanha o modelo de negócio e a solvência financeira dos bancos, ou seja, se eles têm condições de honrar obrigações, especialmente, as de longo prazo, e se estão cumprindo as normas e os regulamentos vigentes.

No desempenho dessas atribuições, cabe ao chefe da Difis, por exemplo, representar o Banco Central no Comitê de Supervisão Bancária da Basileia em assuntos relacionados à área de fiscalização.

Esse comitê é o fórum internacional para discussão e formulação de recomendações para o gerenciamento de riscos e de crises do sistema financeiro.
Departamento de Supervisão
O Departamento de Supervisão Bancária (Desup) está no guarda-chuva da Diretoria de Fiscalização do Banco Central. O Desup monitora o capital e a liquidez dos bancos e acompanha as práticas de gestão e de controle interno das instituições.
Esse é o departamento que sinaliza sobre a necessidade de medidas preventivas e o que cuida da classificação de risco das instituições. Os integrantes do Desup também supervisionam conglomerados financeiros liderados por bancos, como é o caso do Master e das instituições ligadas a ele.
INFOGRÁFICO – Organograma do Banco Central
Arte/g1
Posicionamento do BC
Em nota, o Banco Central declarou que a instituição está convicta no trabalho desenvolvido pela Polícia Federal (PF).
O Banco Central informa que identificou indícios de percepção de vantagens indevidas por dois servidores de seu quadro permanente de pessoal, durante revisão interna dos processos de fiscalização e liquidação do Banco Master. De imediato, o Banco Central afastou cautelarmente os referidos servidores do exercício de seus cargos e do acesso às dependências da instituição e a seus sistemas, instaurou procedimentos correcionais para apuração dos fatos e comunicou os indícios de prática de crimes à Polícia Federal.
O Banco Central afirmou ainda “que, observado o devido processo legal e o direito à ampla defesa, as condutas infracionais identificadas receberão a devida resposta sancionatória, de acordo com a lei.”​

Rússia pode interromper fornecimento de gás para a Europa devido à alta de preços da energia iraniana, diz Putin

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em coletiva de imprensa de fim de ano em Moscou em 19 de dezembro de 2025.
Sputnik/Gavriil Grigorov/Pool via REUTERS
A Rússia pode interromper o fornecimento de gás para a Europa, em meio a uma alta nos preços da energia desencadeada pela crise com o Irã, alertou o presidente Vladimir Putin nesta quarta-feira (4). Ele ainda vinculou a possibilidade ao desejo da União Europeia de proibir a compra de gás russo e gás natural liquefeito.
Os preços do petróleo e do gás dispararam após o ataque dos EUA e de Israel ao Irã e os ataques de Teerã contra países árabes vizinhos do Golfo. O conflito paralisou a navegação no Estreito de Ormuz e forçou a interrupção da produção de GNL do Catar e da maior refinaria de petróleo da Arábia Saudita.
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Putin afirmou que os preços do petróleo estavam subindo devido à “agressão contra o Irã” e às restrições ocidentais ao petróleo russo, enquanto os preços do gás na Europa estavam subindo porque os consumidores estavam dispostos a comprar volumes de gás a preços mais altos devido aos eventos no Oriente Médio e ao fechamento do Estreito de Ormuz.
Questionado por Pavel Zarubin, principal correspondente do Kremlin na televisão estatal russa, sobre os planos europeus de impor uma proibição total às importações russas de gás natural por gasoduto até o final de 2027 e de proibir novos contratos de curto prazo de GNL russo a partir do final de abril de 2026, Putin disse que poderia ser mais benéfico para a Rússia parar de vender gás agora.
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“Agora outros mercados estão se abrindo. E talvez seja mais vantajoso para nós parar de abastecer o mercado europeu neste momento. Para entrarmos nesses mercados que estão se abrindo e nos estabelecermos neles”, disse Putin, segundo uma transcrição divulgada pelo Kremlin.
“Isto não é uma decisão, é, neste caso, o que se chama de reflexão em voz alta. Vou certamente instruir o governo a trabalhar nesta questão em conjunto com as nossas empresas”, disse o presidente russo.
A Rússia detém as maiores reservas de gás natural do mundo e é o segundo maior exportador de petróleo. Moscou perdeu grande parte de seu lucrativo mercado europeu depois que a Europa buscou reduzir sua dependência da energia russa devido à invasão da Ucrânia em 2022.
O lugar da Rússia no mercado europeu foi ocupado pela Noruega, pelos Estados Unidos e pela Argélia.
O mercado de gás perdido da Rússia
A Rússia costumava fornecer cerca de 40% do gás natural que chegava aos gasodutos da União Europeia. No ano passado, esse percentual caiu para apenas 6%, segundo a própria UE. Em 2007, a Gazprom, gigante russa do gás controlada pelo Estado, era a terceira maior empresa do mundo, com um valor de mercado superior a US$ 330 bilhões. Hoje, seu valor é de apenas US$ 40 bilhões.
Putin afirmou que a Rússia era um fornecedor confiável, mas que o caos energético desencadeado pela crise com o Irã havia levado os compradores a estarem dispostos a pagar preços altíssimos por grandes volumes de gás.
“Surgiram clientes dispostos a comprar o mesmo gás natural a preços mais altos, neste caso devido aos acontecimentos no Oriente Médio, ao fechamento do Estreito de Ormuz e assim por diante”, disse Putin. “Isso é natural; não há nada aqui, não há agenda política – são apenas negócios.”
“Se surgirem compradores desse nível de qualidade, então eu acho, e até tenho certeza, que alguns fornecedores tradicionais, como os americanos e as empresas americanas, certamente deixarão o mercado europeu em busca de mercados que paguem mais”, disse Putin.
Com a Europa se afastando do gás russo, Moscou tem se voltado cada vez mais para a China, o maior consumidor e importador de energia do mundo, para a venda de petróleo, gás natural canalizado e GNL.
“A Rússia sempre foi e continua sendo uma fornecedora de energia confiável para todos os nossos parceiros, incluindo, aliás, os europeus”, disse Putin. “E continuaremos a trabalhar dessa maneira com aqueles parceiros que também são parceiros confiáveis ​​— por exemplo, aqueles da Europa Oriental, como a Eslováquia e a Hungria.”

Governo regulamenta regras de proteção a produtores nacionais em acordos como o aprovado entre Mercosul-União Europeia

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou nesta quarta-feira (4) um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de “salvaguardas bilaterais”, ou seja, mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária.
A salvaguarda pode ser aplicada, por exemplo, no âmbito do acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As normas não serão exclusivas para a União Europeia e valerão para outros acordos que contenham cláusulas de salvaguarda.
🔎As salvaguardas poderão ser adotadas quando houver aumento significativo das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, capaz de ameaçar ou causar prejuízo à indústria brasileira.
Na prática, elas servirão como um “freio” previsto em acordos comerciais, permitindo ao país, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar uma “fôlego” aos produtores locais, enquanto o setor se ajusta à concorrência externa.
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A norma estabelece que essas medidas só poderão ser aplicadas após uma investigação conduzida pelo Departamento de Defesa Comercial da Secretaria de Comércio Exterior. A decisão final caberá à Câmara de Comércio Exterior (Camex), com base em parecer técnico.
Entre as atribuições da Camex estão:
aplicação de medidas provisórias ou definitivas,
prorrogação dessas medidas, a eventual alteração das recomendações técnicas
decisão sobre aplicar ou não as salvaguardas.
O decreto também determina que a Secretaria de Comércio Exterior será responsável por iniciar e encerrar investigações. Já o Departamento de Defesa Comercial será a “autoridade investigadora” para avaliar a existência de prejuízo ou ameaça à indústria brasileira.
Assinatura do tratado do acordo entre Mercosul e União Europeia
Reprodução/TV Globo
Acordo Mercosul e UE
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia que será votado no Senado nesta quarta-feira reacendeu o debate sobre mecanismos de proteção comercial as chamadas salvaguardas.
Enquanto a União Europeia aprovou regras específicas para proteger seus produtores agrícolas, o Brasil editou um decreto para organizar a aplicação de seus próprios instrumentos de defesa comercial de maneira mais genérica, mirando não só o acordo do Mercosul com a UE.
Embora tratem do mesmo tema, os modelos adotados pelos dois lados são diferentes.
O que a União Europeia aprovou
A União Europeia regulamentou a aplicação das salvaguardas previstas no acordo com o Mercosul com foco especial em produtos agrícolas considerados sensíveis para os produtores locais, como carne bovina e aves.
Agricultores europeus comemoram em Estrasburgo, na França, a decisão do Parlamento Europeu de levar acordo comercial UE-Mercosul à Justiça, no dia 21 de janeiro de 2026
Yves Herman/Reuters
Os dispositivos estabeleceram gatilhos objetivos para iniciar uma investigação. Os mecanismos poderão ser acionados quando:
as importações dos produtos forem cerca de 5% acima da média dos últimos 3 anos;
as importações estiverem pelo menos 5% abaixo do preço relevante no mercado interno da UE.
Esses critérios funcionam como um “sinal de alerta” e, caso sejam atingidos, permitem à Comissão Europeia abrir investigação e, se for constatado prejuízo, suspender temporariamente preferências tarifárias concedidas ao Mercosul.
Os gatilhos estabelecidos pela União Europeia geraram preocupação, principalmente no setor de agronegócio brasileiro. A avaliação é que produtos brasileiros, como a carne vermelha e o frango, já superam os gatilhos mesmo sem o acordo entre os blocos.

Senado aprova acordo entre Mercosul e União Europeia

Imagem da assinatura do acordo do Mercosul-UE
Reprodução/YouTube
O Senado aprovou nesta quarta-feira (4), por unanimidade, o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia (UE), que pode criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo. O Senado é a última etapa de análise no Brasil para a entrada em vigor do acordo entre os blocos.
🌍O tratado, assinado em 17 de janeiro no Paraguai, prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos.
Negociado há mais de 25 anos, o tratado prevê a redução gradual de tarifas, regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios.
No Senado, a relatoria ficou a cargo da líder do PP, Tereza Cristina (PP-MS), que chamou o acordo de “incomensurável” em função das possibilidades que ele abre em relação a redução de tarifas e desenvolvimento econômico das regiões envolvidas.
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“O alcance do Acordo ultrapassa, de forma incomensurável, a redução de tarifas ou o estabelecimento de quotas. Seu potencial realmente transformador reside nas disciplinas voltadas a temas emergentes que estruturam as bases da competitividade contemporânea: investimentos, fluxos financeiros, serviços, meios de pagamento, transferência de tecnologia, acesso a compras governamentais e regras de concorrência, entre outros”, disse Cristina.
700 milhões de pessoas
O acordo criará uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, ligando os dois blocos em um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.
A expectativa é que o acordo comercial passe a integrar melhor os mercados dos dois blocos, reduza tarifas e amplie o fluxo de bens e investimentos entre a América do Sul e a zona do euro
Apesar da investida de legisladores da União Europeia, que impuseram um revés ao acordo comercial ao encaminhá-lo ao Tribunal de Justiça da União Europeia — movimento que pode atrasar a implementação em até dois anos —, a expectativa de diplomatas é que o documento passe a ser aplicado de forma provisória já em março.
União Europeia vai aplicar provisoriamente acordo com o Mercosul
“O mundo atual é mais fragmentado, mais cético e mais protecionista. Isso torna o acordo com nossos parceiros europeus ainda mais atual — e ainda mais necessário”, afirmou a relatora.
Já o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enalteceu o compromisso e a celeridade do Congresso Brasileiro para aprovação da proposta que está em discussão há três décadas.
“O parlamento brasileiro demonstra mais uma vez uma maturidade institucional que nós temos e que a cada movimento como este é a constatação de que o parlamento brasileiro está ao lado dos grandes temas de interessa da sociedade”.
Salvaguardas bilaterais
Ainda na tarde desta terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou um decreto que regulamenta a aplicação de medidas chamadas de “salvaguardas bilaterais” , ou seja, são mecanismos de proteção comercial para acordos de livre comércio ou acordos que prevejam alguma preferência tarifária.
A medida pode ser aplicada, por exemplo, ao acordo firmado entre o Mercosul e a União Europeia. As normas não serão exclusivas para a União Europeia e valerão para outros acordos que contenham cláusulas de salvaguarda.
As salvaguardas poderão ser adotadas quando houver aumento significativo das importações em relação à produção nacional ou ao consumo interno, capaz de ameaçar ou causar prejuízo à indústria brasileira.
Na prática, é como um “freio” previsto em acordos comerciais, assim o país pode, por exemplo, elevar tarifas, limitar volumes importados ou suspender preferências tarifárias para dar uma “fôlego” aos produtores locais, enquanto o setor se ajusta à concorrência externa.
Procedimento é repetido nos países
Além da tramitação no Brasil, o acordo Mercosul-União Europeia precisa ser aprovado internamente por cada país do Mercosul, de acordo com seus próprios ritos legislativos.
Somente após a ratificação por todos é que o tratado estará plenamente em vigor. Até lá, o acordo pode entrar em funcionamento em momentos distintos em cada país, a depender do avanço dos processos internos.