Guerra no Irã expõe racha no Brics expandido

Cúpula do Brics no Rio de Janeiro em 2025
Eraldo Peres/AP/dpa/picture alliance
A ofensiva lançada pelos Estados Unidos e Israel contra o Irã e a retaliação subsequente do regime de Teerã contra países do Golfo expuseram um racha interno no Brics, que não só deixou de emitir uma declaração conjunta até o momento como mostrou posicionamentos públicos divergentes entre seus membros.
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Atualmente, o Brics é formado por dez países: Brasil, Rússia, China, Índia, África do Sul, Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. A Arábia Saudita costuma ser listada como membro, mas ainda não oficializou seu ingresso.
Enquanto países como Brasil, Rússia e China emitiram notas condenado a ofensiva conjunta de Israel e os EUA contra o Irã, outros membros, como Emirados Árabes Unidos e Índia se concentraram em condenar as retaliações do Irã. A África do Sul, por sua vez, tentou se equilibrar manifestando preocupação com a escalada do conflito.
A falta de coesão e de um posicionamento conjunto contrasta com a reação conjunta observada em junho de 2025, na guerra de 12 dias iniciada por Israel contra o Irã e que também contou com participação dos EUA.
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À época, quando a presidência era ocupada pelo Brasil, os dez países do bloco divulgaram uma nota conjunta classificando os ataques israelenses como uma “violação do direito internacional e da Carta das Nações Unidas”. O mesmo texto também pedia a abertura de “canais de diálogo” com o objetivo de “desescalar a situação e resolver suas divergências por meios pacíficos”.
O conflito de 2026 tem diferenças com a guerra de 12 dias do ano passado. Há oito meses, o Irã também retaliou a ofensiva israelense, mas suas ações militares não atingiram alvos nos Emirados Árabes Unidos e na Arábia Saudita como ocorreu desta vez.
Oficialmente, o Irã afirma que só tem mirado bases dos EUA em países do Oriente Médio. “Não estamos atacando nossos vizinhos nos países do Golfo Pérsico, estamos atacando a presença dos EUA nesses países”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Aragchi. No entanto, foram registrados danos em alvos sem relação direta com os militares dos EUA, como aeroportos civis, refinarias e até prédios de luxo.
Em resposta, a Arábia Saudita advertiu que “se reserva ao direito” de reagir ao que chamou de “ataque covarde do Irã”. Por outro lado, os Emirados Árabes Unidos afirmaram descartar ação militar contra o Irã e apelaram para que as Nações Unidas busquem uma solução para o conflito.
Para especialistas, a estratégia do Irã de levar o conflito a monarquias do Golfo visa pressionar esses países a cobrarem os EUA por um cessar-fogo. Além da Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, mísseis e drones do Irã também atingiram alvos no Bahrein, Catar, Omã, Jordânia, Síria, Iraque e Kuwait.
Emirados Árabes Unidos sofreram danos provocados pelo Irã
Reuters
Racha pós-expansão
Em 2001, o economista Jim O’Neill cunhou o termo Bric para identificar Brasil, Rússia, Índia e China como economias que cresciam rapidamente e que tinham potencial para se tornar potências econômicas globais até 2050.
Apesar das diferenças em ideologias políticas e estruturas sociais, os formuladores de políticas dos quatro países passaram a trabalhar juntos, inicialmente por meio de conversas informais.
Com a consolidação das negociações, a primeira cúpula dos países foi realizada em Ecaterimburgo, na Rússia, em 2009. Um ano depois, a África do Sul foi convidada a juntar-se ao bloco emergente, acrescentando o “S” ao acrônimo Brics.
Entre 2023 e 2025, o bloco passou por uma grande expansão, ganhando seis novos membros: Egito, Etiópia, Emirados Árabes Unidos, Irã e Indonésia. (Os sauditas foram convidados, mas passaram a evitar oficializar a entrada após seus aliados dos EUA começarem ameaçar com tarifas países que se alinharem ao bloco.
À época, a expansão foi em grande resultado de pressão da China, enquanto o Brasil tentou resistir por temor de perder protagonismo no grupo. Após a expansão, o assessor especial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para assuntos internacionais, Celso Amorim, também afirmou que o grupo “não poderia se expandir indefinidamente”, sob o risco de perder “coesão”.
Em abril de 2025, um encontro do Brics que reuniu ministros do Exterior dos países do bloco já havia terminado sem a divulgação de comunicado conjunto, mas posteriormente, em julho, na reunião de líderes, os membros chegaram a um consenso em temas como reforma das Nações Unidas e solução de dois Estados para os territórios palestinos e Israel, resultando numa declaração oficial.
Posições divergentes sobre o atual conflito
No momento, a presidência rotativa do Brics é ocupada pela Índia, que mantém relações estreitas com os Estados Unidos e Israel. Entre diplomatas brasileiros, não há expectativa que os indianos convoquem uma reunião para articular um posicionamento comum em relação ao atual conflito.
Entre os quatro membros fundadores do Brics, a posição indiana é a que mais tem contrastado. O premiê indiano, Narendra Modi, evitou comentar num primeiro momento o ataque israelense que matou o “líder supremo” do Irã, Ali Khamenei, preferindo condenar publicamente a retaliação iraniana que provocou danos na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Bahrein, além de denunciar o que chamou de “violação da soberania e da integridade territorial” do Kuwait, Catar e Omã. Nenhuma declaração semelhante em relação ao Irã foi divulgada pelo premiê.
No último domingo (01/03), Modi também relatou que teve uma conversa telefônica com o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, e disse ter transmitido “preocupações da Índia” e reiterado “a necessidade de um rápido fim das hostilidades”. Modi também não relatou ter contatado qualquer autoridade iraniana. A posição de Modi provocou críticas de membros da oposição indiana.
Brasil tentou resistir à expansão que ampliou grupo para dez membros
Li Xueren/Xinhua/picture alliance
Já a Rússia e a China foram explícitas em se posicionar contra a ação israelo-americana contra o Irã.
Poucas horas depois de as bombas israelenses e americanas começarem a atingir Teerã, o representante da Rússia nas Nações Unidas, Vassily Nebenzia, classificou o ataque como um “ato não provocado de agressão armada contra um Estado-membro soberano e independente da ONU”.
Em nota, o governo russo também chamou a ação dos EUA e Israel de “irresponsável”, “premeditado” que viola “os princípios e normas fundamentais do direito internacional”. A Rússia é um dos poucos aliados do regime de Teerã e nos últimos anos dependeu dos iranianos para o fornecimento de drones militares para uso na frente de guerra ucraniana.
A China, compradora petróleo iraniano, por sua vez, se expressou em termos semelhantes aos da Rússia, com uma porta-voz afirmando que “os ataques dos EUA e de Israel não foram autorizados pelo Conselho de Segurança da ONU e violam o direito internacional”.
No entanto, nem Moscou nem Pequim emitiram sinais de que pretendem ir além das condenações verbais contra as ações de Israel e EUA, sinalizando que não vão correr para socorrer os iranianos.
A África do Sul, que tem relações hostis com Israel e paralelamente tenta encontrar algum equilíbrio com os EUA de Donald Trump, divulgou uma posição mais genérica. Por um lado, em nota, o presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, afirmou em relação à ofensiva israelo-americana que “a autodefesa antecipada não é permitida pelo direito internacional”, mas se concentrou em argumentar que “o confronto militar nunca trouxe uma paz sustentável” e pedir uma solução diplomática. A declaração não menciona os países envolvidos e em geral usa linguagem menos direta que a China e Rússia.
Brasil e membros restantes
Entre os membros originais do Brics, o Brasil foi a única democracia que divulgou uma condenação explícita contra a ofensiva de EUA e Israel, mencionando diretamente os dois países.
“O governo brasileiro condena e expressa grave preocupação com os ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra alvos no Irã. Os ataques ocorreram em meio a um processo de negociação entre as partes, que é o único caminho viável para a paz, posição tradicionalmente defendida pelo Brasil na região”, afirmou o Itamaraty, em nota divulgada no último sábado (28/02).
Na segunda-feira, foi a vez de o Itamaraty divulgar uma nova nota, condenando a retaliação do Irã contra países do Golfo. “O Brasil insta todas as partes a respeitar o Direito Internacional e condena quaisquer medidas que violem a soberania de terceiros Estados ou que possam ampliar o conflito, tais como ações retaliatórias e ataques contra áreas civis. O Brasil se solidariza com a Arábia Saudita, o Bahrein, o Catar, os Emirados Árabes Unidos, o Iraque, o Kuwait e a Jordânia — objetos de ataques retaliatórios do Irã em 28 de fevereiro.”
Entre os outros membros novatos do Brics, a Indonésia usou linguagem genérica em seu posicionamento, “lamentando o fracasso nas negociações entre os EUA e o Irã” e apelando para que as partes priorizem a diplomacia. O país também se ofereceu como mediador.
A Etiópia, por sua vez, se mantém discreta, e expressou publicamente solidariedade ao Kuwait, alvo de retaliação do Irã. Aliado dos EUA, mas receoso do aumento da força de Israel no Oriente Médio, o Egito evitou comentar a ofensiva inicial dos israelo-americana, preferindo instar o Irã a parar de lançar ataques a alvos em países do Golfo e pedir que todos os lados demonstrem contenção.

Agência alfandegária dos EUA diz que sistema de reembolso de tarifas estará pronto em 45 dias

O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com a imprensa após chegar ao Texas, em 27 de fevereiro de 2026
REUTERS/Elizabeth Frantz
A agência alfandegária dos Estados Unidos está preparando um sistema que ficará pronto dentro de 45 dias para processar reembolsos relacionados às tarifas de importação impostas pelo presidente do país, Donald Trump.
As sobretaxas foram consideradas ilegais pela Justiça norte-americana e os importadores não terão que arcar com elas, disse um representante norte-americano nesta sexta-feira (6).
A declaração de Brandon Lord, um dos principais funcionários da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês), foi feita enquanto os advogados do governo se reuniam com um juiz federal de comércio para definir um processo de devolução de US$ 166 bilhões em pagamentos de tarifas para cerca de 330.000 importadores.
As tarifas, que eram uma parte central da política econômica do presidente Donald Trump, foram consideradas inconstitucionais pela Suprema Corte dos EUA no mês passado.
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No entanto, a Suprema Corte não informou como as tarifas cobradas deveriam ser reembolsadas, o que preocupou os pequenos importadores, pois o processo seria proibitivamente caro e demorado.
“Esse novo processo exigirá um mínimo de apresentação por parte dos importadores”, disse Lord em sua declaração, que foi protocolada na Corte de Comércio Internacional dos EUA no momento em que os advogados do governo Trump começaram a se reunir com o juiz Richard Eaton, da Corte de Comércio Internacional dos EUA.
Eaton convocou a reunião para discutir como o governo dos EUA executará sua ordem emitida na quarta-feira, instruindo o CBP a começar a reembolsar tarifas a possíveis centenas de milhares de importadores usando o processo interno existente da agência.
Lord disse que a agência alfandegária prevê que o processo de restituição exigirá que os importadores apresentem uma declaração ao sistema de computador do CBP, conhecido como ACE, detalhando os pagamentos de tarifas, e que o sistema e o CBP validarão esses pagamentos e processarão as restituições com juros.
Cada importador receberá um único pagamento do Departamento do Tesouro dos EUA, independentemente de quantas entradas separadas de mercadorias o importador tiver feito.
Lord não estimou quanto tempo levará para processar as restituições, mas disse que o CBP não será capaz de cumprir a ordem de Eaton na quarta-feira. Eaton contemplou um sistema no qual os reembolsos seriam automaticamente devolvidos aos importadores por meio da plataforma existente, sem documentação ou informações do importador.
“Os procedimentos administrativos e a tecnologia existentes não são adequados para uma tarefa dessa escala e exigirão trabalho manual que impedirá que o pessoal cumpra integralmente a missão de fiscalização da agência”, disse Lord ao explicar por que a CBP não poderá usar o sistema existente.
A ordem de Eaton vai exigir que a agência revise manualmente a documentação de cada encomenda, um processo que, segundo Lord, exigirá mais de 4 milhões de horas de trabalho.

Governo Trump autoriza venda de ouro da Venezuela aos Estados Unidos

O governo de Donald Trump emitiu nesta sexta-feira (6) uma autorização para a venda de parte do ouro venezuelano aos Estados Unidos, em uma nova flexibilização das sanções de Washington contra Caracas desde a queda de Nicolás Maduro no início do ano.
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Segundo um documento publicado no site do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, as transações com a Companhia Geral de Mineração da Venezuela (Minerven) ou suas filiais voltam a estar autorizadas.
A licença permite, por enquanto, apenas as trocas por meio dos Estados Unidos e para empresas estabelecidas no país, as quais estão autorizadas a reexportar o metal precioso.
Ela prevê um procedimento de rastreabilidade para garantir que o ouro provenha efetivamente da Venezuela e proíbe transações com destino ao Irã, Coreia do Norte, Rússia, China e Cuba, uma condição que já se aplica às vendas de petróleo venezuelano.
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Os Estados Unidos já voltaram a autorizar a exportação de petróleo venezuelano. Mas mantêm o controle sobre o processo: o produto gerado pela venda do petróleo bruto, assim como os impostos vinculados, devem ser depositados em um fundo específico supervisionado pelo Departamento do Tesouro e atualmente sediado no Catar.
Este procedimento também será aplicado às vendas de ouro.
A licença do Tesouro sobre o ouro venezuelano se tornou pública depois que o secretário do Interior do governo Trump, Doug Burgum, concluiu na quinta-feira (5) uma visita de dois dias à Venezuela, e ambos os países anunciaram o restabelecimento das relações diplomáticas.
Burgum, que durante a visita manteve conversas com a presidente interina Delcy Rodríguez, ex-vice-presidente de Maduro, disse que dezenas de empresas haviam manifestado interesse em investir na Venezuela.
O governo Trump afirma que administra de fato a Venezuela e controla os vastos recursos naturais do país após a derrubada de Maduro durante uma incursão de forças especiais americanas em 3 de janeiro.
Após a captura de Maduro e da esposa, Cilia Flores, que foram levados de avião para Nova York para serem julgados por acusações de narcotráfico, o secretário de Energia de Trump, Chris Wright, tornou-se em fevereiro o primeiro alto funcionário dos Estados Unidos a viajar para a Venezuela.
Além do petróleo, a Venezuela é rica em minerais como ouro e diamantes, além de bauxita, coltan e outros materiais raros usados para fabricar computadores e telefones celulares.
Barras de ouro
Reuters

Passageiros indisciplinados: Anac aprova multas que chegam a R$ 17,5 mil e proibição de embarque

A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) aprovou novas regras para passageiros que violam e desrespeitam regras ou comprometem a segurança de pessoas a bordo de aeronaves ou nas dependências do aeroporto. Os atos incluem agressões físicas ou verbais durante o voo, tumultos a bordo e danos à infraestrutura aeroportuária, por exemplo.
🔎A norma regulamenta a Lei do Voo Simples e passa a valer 6 meses depois da data de publicação no Diário Oficial. Durante esse período, a Anac, as companhias aéreas e a Polícia Federal farão ajustes em relação ao compartilhamento de informações entre os órgãos.
As punições podem levar a multas de até R$ 17,5 mil e proibição de realizar voos domésticos. As sanções serão aplicadas conforme a gravidade dos atos praticados.
A proposta estabelece um procedimento padronizado para lidar com passageiros indisciplinados, que começa pela aplicação de advertências verbais e pode chegar ao acionamento de autoridades policiais, retirada de pessoas da aeronave e aplicação de punições mais graves pela Anac.
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Em casos de retirada do voo, a companhia aérea não terá obrigação de transportar o passageiro até o destino final nem de oferecer assistência material, como hotel, alimentação ou reacomodação.
Segundo a Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear), os casos que envolvem passageiros indisciplinados cresceram 66% em 2025, em relação ao ano anterior. Foram registradas, ao todo, 1.764 ocorrências no ano passado.
Policiais federais entram em avião para retirar passageiro
Daiana Cordeiro/Acervo pessoal
‘No Fly List’, os passageiros proibidos de voar
Para casos classificados como gravíssimos, o passageiro poderá ser incluído em uma lista restritiva de impedimento de voo, conhecida como “No Fly List”.
Nesses casos, válidos apenas para voos domésticos, a pessoa será impedida de comprar passagens aéreas e embarcar em voos, caso já tenha adquirido algum. A proibição valerá para todas as companhias aéreas.
Haverá restituição total dos valores gastos nas passagens nas situações de impedimento de embarque em voos futuros.
Outros países e companhias já punem passageiros
A França endureceu as regras contra passageiros indisciplinados no fim do ano passado. Quem tumultuar ou perturbar a tranquilidade na aeronave será multado em até 20 mil euros – o equivalente a aproximadamente R$ 124.240, e poderá ser proibido de viajar por quatro anos.
A maior companhia europeia de voos domésticos, RyanAir, também aplica multas a passageiros que tenham condutas que levem à expulsão de voos. O valor inicial é de 500 libras.
Avião da Ryanair
AFP
A Índia tem um dos sistemas mais detalhados da chamada “No Fly List”. Para infrações leves a proibição de voar é de até 3 meses, para níveis mais graves passa a ser de 6 meses e em casos de ameaça à segurança o impedimento é de, no mínimo, 2 anos.
Os Estados Unidos aplicam sanções severas a passageiros indisciplinados, fiscalizadas pela Federal Aviation Administration (FAA), a agência do governo responsável pela aviação civil do país. Interferir nas funções da tripulação é considerado violação da lei federal e as multas podem chegar a mais de US$ 43 mil por infração.
Passageiro retirado de voo em Brasília
Em janeiro deste ano um passageiro precisou ser retirado de um voo pela polícia federal (PF) por causa de uma discussão com a tripulação sobre o modo avião de celular.
Passageiro é tirado de voo em Brasília após conflito sobre ‘modo avião’ de celular
Segundo passageiros ouvidos pelo g1, o homem afirmou que não colocaria o celular no modo avião e se negou a mostrar o aparelho. A tripulação pediu que ele desembarcasse, mas, diante da recusa, acionou a PF.
O voo, que saía de Brasília com destino ao aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, decolou com quase 2h de atraso por causa do ocorrido.

Petróleo sobe quase 30% na semana por guerra no Oriente Médio

Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã
Os preços do petróleo dispararam cerca de 30% nesta semana, para níveis sem precedentes desde 2023, num contexto em que o conflito no Oriente Médio paralisa boa parte dos fluxos de hidrocarbonetos provenientes do Golfo Pérsico.
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O barril de Brent do Mar do Norte fechou nesta sexta-feira (6) em 92,69 dólares, o que representa um aumento de mais de 8% em relação à quinta-feira e de 27,88% na semana.
Seu equivalente americano, o West Texas Intermediate (WTI), encerrou em 90,90 dólares, uma alta de mais de 12% na sessão e de 35,63% na semana.
Em poucas sessões, os preços encareceram mais de 20 dólares por barril. Desde o início do ano, o aumento supera os 30 dólares.
“Já vi esse tipo de situação antes, mas essa está começando a adquirir proporções dramáticas”, comenta à AFP Ole R. Hvalbye, analista do SEB.
“Preocupam-me muito as consequências de longo prazo”, em particular a eclosão de uma recessão econômica, acrescenta.
O aumento das cotações acelerou-se ainda mais nesta sexta-feira após declarações do presidente americano, Donald Trump, que exige uma “capitulação” do Irã.
O país é um importante produtor de petróleo. Mas o conflito teve sobretudo como consequência paralisar o tráfego no Estreito de Ormuz, por onde transita aproximadamente 20% da produção mundial do óleo bruto.
“O mercado está passando de uma avaliação puramente geopolítica dos riscos a levar em conta perturbações operacionais tangíveis”, destacam em nota os economistas do JPMorgan.
“A cada dia em que o Estreito de Ormuz permanece fechado, o mercado petrolífero fica mais tenso”, explicou à AFP Giovanni Staunovo, analista do UBS.
Medidas adotadas
Alguns países do Golfo já foram obrigados a reduzir o ritmo de sua atividade.
“O Iraque já diminuiu seu fornecimento em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, e o Kuwait parece estar atingindo seus limites de armazenamento e, na prática, fechando a maior parte de sua capacidade de refino destinada à exportação”, segundo os especialistas do JPMorgan.
Para prevenir a escassez, a China pediu às suas principais refinarias que suspendam suas exportações de diesel e gasolina, de acordo com a agência Bloomberg.
E na quinta-feira o governo dos Estados Unidos autorizou, por um mês, o fornecimento à Índia de petróleo russo submetido a sanções, enquanto o conflito no Oriente Médio afeta diretamente o abastecimento de Nova Délhi.
A Marinha americana escoltará os navios mercantes que tentarem cruzar o Estreito de Ormuz “assim que for razoável”, assegurou nesta sexta o secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright.
“Isso pode facilitar a retomada do tráfego, mas não ao nível de antes da guerra”, alertam os analistas da Eurasia Group.
Segundo Jason Gabelman, da TD Cowen, a reação do mercado tem sido até agora “moderada” graças a “estoques saudáveis” que “poderiam cobrir até um mês de fechamento” do Ormuz.
Um navio da marinha é visto navegando no Estreito de Ormuz, por onde passa grande parte do petróleo e gás do mundo, em 1º de março de 2026.
SAHAR AL ATTAR / AFP

Guerra no Irã: petróleo sobe quase 30% na semana por conflito no Oriente Médio

Petróleo chega a US$ 90 com guerra no Irã
A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma alta de quase 30% nos preços do petróleo nos mercados internacionais nesta semana.
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A interrupção do tráfego no Estreito de Ormuz — rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo — elevou as preocupações com o abastecimento global e pressionou as cotações.
O barril do Brent encerrou esta sexta-feira (6) cotado a US$ 92,69, alta superior a 8% em relação ao dia anterior e de 27,88% no acumulado da semana.
Já o petróleo americano West Texas Intermediate (WTI) fechou a US$ 90,90, avanço de mais de 12% no dia e de 35,63% na semana.
Em poucos dias, o preço do barril subiu mais de US$ 20, e desde o início do ano o aumento já supera US$ 30.
Especialistas avaliam que a valorização reflete a combinação entre risco geopolítico elevado e impactos concretos no fluxo de energia.
Escalada da guerra no Irã
A tensão aumentou ainda mais nesta semana, após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que passou a exigir a “rendição incondicional” do Irã.
O país é um dos principais produtores globais de petróleo e o conflito acabou afetando diretamente a navegação no Golfo Pérsico.
Segundo empresas que monitoram rotas marítimas, o tráfego de petroleiros no Estreito de Ormuz praticamente parou desde o início da guerra.
Cerca de 300 embarcações estão paradas na região aguardando condições de segurança para seguir viagem.
Ataques também atingiram navios que transportam petróleo.
Em terra, o conflito também se intensificou.
O Irã lançou uma nova série de mísseis contra Israel, levando milhões de pessoas a buscar abrigo. A ofensiva ocorreu após fracassarem tentativas diplomáticas em Washington para interromper os ataques americanos.
No mesmo período, um submarino dos EUA afundou um navio de guerra iraniano próximo ao Sri Lanka, em um episódio que deixou ao menos 80 mortos.
Sistemas de defesa aérea da Otan também interceptaram um míssil iraniano lançado em direção à Turquia.
Diante do risco de interrupções prolongadas no fornecimento de energia, alguns países produtores já começaram a reduzir suas atividades.
O Iraque diminuiu sua produção em cerca de 1,5 milhão de barris por dia, em meio a dificuldades de armazenamento e exportação.
Vista aérea da costa iraniana e da ilha de Qeshm, no estreito de Ormuz
Reuters
Rotas de petróleo entram em alerta
Especialistas alertam que, caso o bloqueio no Estreito de Ormuz continue, cerca de 3,3 milhões de barris diários podem deixar de chegar ao mercado internacional em poucos dias.
Outros países também adotaram medidas emergenciais.
A China pediu que suas principais refinarias suspendam exportações de diesel e gasolina, enquanto os EUA autorizaram temporariamente o fornecimento de petróleo russo à Índia, apesar das sanções vigentes.
O Catar, maior exportador de gás natural liquefeito do Golfo, declarou força maior nas exportações após ataques a instalações energéticas. Fontes do setor indicam que pode levar pelo menos um mês para que a produção volte ao normal.
Para tentar reduzir os riscos à navegação, o governo americano afirmou que a Marinha dos EUA poderá escoltar navios mercantes que tentarem atravessar o Estreito de Ormuz, embora analistas avaliem que o fluxo dificilmente voltará ao nível anterior ao início da guerra no curto prazo.
Alta do petróleo pode pressionar combustíveis e inflação
A alta do petróleo já começa a gerar preocupações sobre seus efeitos na economia global.
Segundo o especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e diretor da Mix Fiscal, Fabrício Tonegutti, a interrupção na principal rota de exportação de petróleo do Oriente Médio tende a pressionar os preços da energia e gerar impactos em diversos setores.
“O conflito aumentou o risco de interrupção de petróleo no Oriente Médio, isso fez com que o preço do barril subisse de US$ 65 para US$ 90 nos últimos dias. Quando o preço do petróleo sobe no mercado internacional, isso acaba impactando diretamente o Brasil”, explica.
De acordo com ele, o primeiro efeito costuma aparecer nos combustíveis, já que o país utiliza referências internacionais para definir preços, mesmo sendo produtor de petróleo.
“O diesel ficando mais caro significa que o frete também vai encarecer, o que ocasiona o aumento do preço dos alimentos, produtos de supermercado e praticamente tudo que depende da logística para chegar ao consumidor final”, afirma.
Tonegutti acrescenta que o encarecimento da energia tende a pressionar a inflação e pode chegar ao bolso dos consumidores em poucas semanas.
“Não é um efeito imediato, mas costuma aparecer em algumas semanas”, diz.
Segundo ele, a evolução do conflito será determinante para o comportamento das cotações. Caso a tensão diminua, os preços podem recuar.
Por outro lado, se a crise persistir na região, alguns analistas já projetam que o barril de petróleo pode se aproximar da marca de US$ 100.
Infográfico – Estreito de Ormuz
Arte/g1