Estudo da Fiep aponta queda do PIB e risco de desemprego com fim da escala 6×1

Fim da escala 6×1 pode piorar crescimento da economia e aumentar informais, diz economista
Um estudo divulgado nesta terça-feira (10) pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), em parceria com a Tendências Consultoria, alerta para possíveis efeitos negativos da proposta de redução da jornada semanal de trabalho no Brasil.
Segundo o levantamento, a mudança em discussão no Congresso — que pode reduzir a jornada de 44 para 36 horas semanais e acabar com a escala 6×1 — pode provocar queda do Produto Interno Bruto (PIB), aumento do desemprego e avanço da informalidade.
A análise foi apresentada em Brasília durante o seminário “Modernização da jornada de trabalho”, promovido pela Coalizão das Frentes Parlamentares do Setor Produtivo. O encontro reuniu parlamentares, especialistas e representantes do setor produtivo para discutir mudanças nas regras trabalhistas no país.
De acordo com o estudo, mudanças abruptas na jornada de trabalho podem gerar impactos econômicos relevantes, especialmente quando não são acompanhadas por ganhos de produtividade.
As simulações realizadas pela consultoria indicam que, mesmo em um cenário considerado otimista, o efeito sobre a economia seria significativo. Nesse cenário, a economia teria um ganho de produtividade de 2%. Ainda assim, o PIB brasileiro poderia cair até 3,7% no primeiro ano após a mudança na jornada de trabalho.
No horizonte de cinco anos, a queda acumulada poderia chegar a 4,9%.

Além das simulações econômicas, o estudo também reúne evidências de pesquisas nacionais e internacionais sobre propostas de redução da jornada de trabalho.
Ao g1, o deputado federal Luiz Gastão Bittencourt da Silva (PSD-CE) afirmou que o tema já chegou à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Segundo ele, uma possibilidade discutida por parlamentares seria reduzir gradualmente a jornada semanal.
“E eu tenho defendido, e eu acho que há um meio consenso com todos, inclusive do setor produtivo, que, se nós reduzirmos de forma paulatina de 44 para 40 horas semanais como jornada, você já estaria extinguindo a escala 6 por um.”
Supermercados
Reprodução/ TV Gazeta
Até 1,5 milhão de trabalhadores podem ser afetados
Segundo a Fiep, a redução da jornada sem aumento proporcional da produtividade pode elevar custos para as empresas. Como consequência, parte delas poderia reduzir contratações ou cortar postos de trabalho.
A estimativa apresentada pelo estudo indica que cerca de 1,5 milhão de trabalhadores formais podem enfrentar risco de demissão ou migração para a informalidade.
“O custo com pessoal representa uma das principais componentes da estrutura de custos das empresas, especialmente em atividades intensivas em trabalho. Elevação nesse tipo de custo podem afetar decisões operacionais e estratégicas das empresas, como redução do horário de funcionamento dos estabelecimento e demissões, gerando uma redução da atividade dessas empresas”, argumenta Guilherme Hakme, diretor da Fiep.
Pesquisas analisadas no relatório também apontam algumas estratégias que empresas tendem a adotar diante da redução das horas trabalhadas, como:
diminuir o número de horas contratadas;
substituir trabalhadores mais experientes por profissionais com salários menores;
aumentar a rotatividade da mão de obra.
Renda pode não aumentar
Outro efeito apontado pelo estudo envolve o rendimento dos trabalhadores.
A redução da jornada pode elevar o salário por hora trabalhada. No entanto, o salário mensal tende a permanecer estável caso as empresas reduzam as horas contratadas.
Nesse cenário, cresce também a chamada dupla ocupação. Isso ocorre quando um trabalhador precisa ter dois empregos para manter o mesmo nível de renda.
Apesar disso, o relatório também destaca que jornadas menores podem trazer alguns benefícios, como redução da fadiga e possível aumento de produtividade em determinadas atividades.
Segundo os pesquisadores, trabalhadores mais descansados tendem a produzir mais em alguns setores. Ainda assim, esses ganhos costumam ser limitados e nem sempre compensam a redução do tempo total de trabalho.
Diferenças entre setores
A Fiep afirma que a indústria brasileira possui realidades muito diferentes.
Alguns segmentos operam com alto nível de automação e margens maiores. Outros dependem fortemente de mão de obra e enfrentam concorrência internacional intensa.
Uma mudança uniforme na jornada poderia aumentar custos para empresas com menor margem de lucro. Isso pode reduzir investimentos e afetar empregos.
Para o deputado Luiz Gastão, o debate precisa considerar diferentes formas de organização do trabalho em cada atividade.
“O que nós não concordamos, e não só eu, mas boa parcela do setor produtivo e tudo, é que existem escalas de compensação, existem escalas de regime corrido que trabalham, por exemplo, 6 horas por dia. Se trabalhar 6 dias por semana, vai dar no máximo 36 horas, que já é abaixo dessas das 40 horas previstas.”
Ainda de acordo com a Fiep, o risco é transformar uma medida voltada ao bem-estar do trabalhador em um fator de instabilidade econômica.
A federação defende que a modernização das relações de trabalho é necessária. No entanto, avalia que mudanças devem ocorrer com negociação coletiva e adaptação às características de cada setor.
“A discussão dessa reforma deveria ser feita de forma mais lenta de modo a considerar um conjunto amplo de aspectos econômicos, de modo a permitir que a sociedade discuta de forma informada os custos e benefícios para empresas e trabalhadores”, complementa o presidente da Fiep.
O estudo também destaca que o Brasil precisa avançar primeiro em políticas de aumento da produtividade.
Entre as medidas citadas estão:
modernização tecnológica das empresas;
qualificação contínua dos trabalhadores;
políticas industriais focadas;
melhora do ambiente de negócios;
acesso a crédito;
simplificação tributária.
Luiz Gastão defende que eventuais mudanças levem em conta os impactos para empresas com maior uso de mão de obra.
“E há de se ter uma compensação para as micro e pequenas empresas ou as empresas que têm grande insumo de mão de obra, para que elas não percam a competitividade e elas possam estar no mercado e continuar vivendo no mercado, podendo contratar e fazendo com que os setores possam se adaptar.”
Metodologia usada por bancos centrais
Para estimar os impactos da mudança na jornada, a Tendências utilizou um modelo econômico chamado DSGE. Esse tipo de modelo é amplamente empregado por bancos centrais e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) para simular cenários macroeconômicos.
Os pesquisadores analisaram dois cenários: um com ganho de produtividade e outro sem avanço significativo nessa área.
Nos dois casos, os resultados indicaram impacto negativo para o emprego e para a atividade econômica no curto prazo.
Experiências internacionais
O estudo também analisou experiências de redução de jornada em países como Alemanha, França, Portugal, Japão, Canadá, Bélgica e Eslovênia.
Segundo o levantamento, muitos desses casos registraram:
efeitos nulos ou negativos sobre o emprego;
queda de produtividade quando o ganho não acompanhou a redução de horas;
aumento de custos para as empresas.
Apenas dois estudos internacionais encontraram efeitos positivos para geração de empregos. Mesmo nesses casos, os resultados foram considerados ambíguos.
Para a Fiep, o debate sobre jornada de trabalho é legítimo e precisa avançar no país. A entidade afirma que está aberta à discussão, mas defende que as mudanças sejam feitas com base em dados técnicos e diálogo entre governo, empresas e trabalhadores.
Segundo a federação, decisões estruturais sobre o mercado de trabalho precisam considerar os efeitos sobre crescimento econômico, competitividade e geração de renda.
“A literatura mostra que há riscos de que essa reforma gere custos desproporcionalmente maiores aos benefícios, como, ausência de geração de emprego, aumento da informalidade, e queda relevante do PIB. Pode-se discutir formas alternativas de melhorar o ganho de bem estar de parte da população com jornada de trabalho mais longa, inclusive de forma mais eficiente para esse grupo da população”, afirma Guilherme Hakme.
Outros estudos
Outros levantamentos recentes também analisaram possíveis impactos da redução da jornada de trabalho no Brasil e apontam desafios semelhantes, especialmente em setores com baixa produtividade ou forte dependência de mão de obra.
Um estudo apresentado também nesta terça (10) pelo economista André Portela, da Fundação Getulio Vargas (FGV EESP), destaca que a redução da jornada com manutenção integral dos salários eleva o custo por hora trabalhada. No caso de uma mudança de 44 para 36 horas semanais, o custo da hora poderia subir cerca de 22%.
Segundo o pesquisador, empresas tendem a reagir de três formas diante desse aumento: repassar parte do custo aos preços, acelerar processos de automação ou reorganizar equipes e turnos.
O resultado final dependeria do nível de produtividade e da capacidade de adaptação de cada setor.
Portela também ressalta que o mercado de trabalho brasileiro é muito heterogêneo. Pequenas empresas, que têm menor capacidade de investimento e tecnologia, podem enfrentar mais dificuldades para absorver mudanças abruptas.
⚠️ Análises setoriais também indicam impactos relevantes.
Um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) estima que, apenas no comércio, a adequação a jornadas menores poderia elevar a folha de pagamento em cerca de 21%. Parte desse custo tende a ser repassada ao consumidor.
Segundo o levantamento, cada aumento de 1% no custo do trabalho pode elevar a informalidade em cerca de 0,34%.
O estudo também projeta que o setor poderia enfrentar queda de atividade e redução de margens mesmo com reajustes de preços.
🏝️ No turismo, que utiliza amplamente a escala 6×1, o impacto sobre preços e demanda também seria significativo, segundo a CNC.
🧑‍🌾 No agronegócio, análises da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) destacam que atividades rurais seguem ciclos naturais de produção e nem sempre se adaptam a jornadas fixas.
Culturas como café, uva e laranja e atividades contínuas, como a pecuária leiteira, exigem trabalho em períodos específicos. Segundo a entidade, mudanças rígidas na legislação poderiam elevar custos, exigir novas contratações e afetar a competitividade internacional do setor.
Estudos citados por entidades empresariais também indicam possíveis efeitos macroeconômicos mais amplos.
Já o levantamento apresentado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) estima que a redução da jornada para 40 horas semanais poderia gerar aumento de custos de até R$ 267 bilhões para empresas brasileiras.
A entidade também cita pesquisas que projetam impactos relevantes sobre o crescimento econômico caso a redução ocorra sem ganhos expressivos de produtividade.
Para economistas ouvidos nesses estudos, o principal desafio para uma redução sustentável da jornada no Brasil é elevar a produtividade do trabalho. Sem esse avanço, a mudança pode pressionar custos, reduzir investimentos e estimular a informalidade.
Ao mesmo tempo, muitos especialistas defendem que o debate deve considerar também aspectos sociais, como qualidade de vida e equilíbrio entre trabalho e descanso.

Senado aprova criação de novos cargos no Poder Executivo; impacto é de R$ 5,3 bilhões

Fachada do Congresso Nacional.
Leonardo Sá/Agência Senado
O Senado aprovou nesta terça-feira (10) projeto que cria 17,8 mil cargos nos Ministérios da Educação (MEC) e no da Gestão e Inovação em Serviços Públicos (MGI). A matéria segue para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antes de virar lei.
O texto, apresentado pelo governo federal, terá impacto de R$ 5,3 bilhões em 2026 – valor confirmado pelo MGI e pelo líder do governo no Congresso e relator da proposta, Randolfe Rodrigues (PT-AP).
O senador afirmou que o texto beneficiará 270 mil servidores e que o montante que será gasto já está previsto na lei orçamentária deste ano e terá de ser incorporado no balanço dos próximos anos.
O Ministério da Gestão afirmou que, apesar de estarem previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026, os valores “não necessariamente serão executados integralmente no ano porque eles dependem da implantação dos Institutos Federais de Educação e da realização ou finalização dos concursos”.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
O impacto da proposta nas contas públicas se divide da seguinte forma:
criação dos 17,8 mil cargos no MEC, incluídas as instituições federais, e no MGI: R$ 1,1 bilhão;
criação de um plano especial para os cargos do MEC: R$ 91,2 milhões;
reajuste das carreiras do Executivo: R$ 4,2 bilhões.
O projeto cria o Instituto Federal do Sertão Paraibano, a partir de um desmembramento do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). O presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), patrocinou esta medida e acompanhou nesta terça a votação do texto no Senado.
O texto muda as regras para incentivar a qualificação, por exemplo, de professores que atuam em instituições federais- de escolas básicas e universidades. O incentivo, por meio do aumento da remuneração, acontece à medida que o servidor obtém uma formação acadêmica acima daquela exigida pelo concurso que o selecionou.
Pelo projeto, o novo programa vai incluir servidores com fundamental incompleto e considerar fatores como:
participação em grupos de trabalho e projetos de apoio à pesquisa;
recebimento de premiação;
assumir função de direção;
produção de conhecimento científico.
O projeto:
cria a carreira de Analista Técnico do Poder Executivo (ATE). Com isso, servidores de funções de nível superior, de diferentes áreas, vão ser classificados por essa nova classificação, com objetivo de “unificar as carreiras” e “simplificar a gestão”. O salário do nível mais alto dessa carreira vai pular de R$ 4.620,50 para R$ 9.716,48 a partir de abril deste ano;
reajusta a remuneração para os cargos de médico e médico veterinário, que são técnicos administrativos em Educação;
reajusta também o salário das carreiras tributária e aduaneira da Receita Federal e de auditoria fiscal do Trabalho;
transforma cargos de nível superior e médio, da Cultura, em analista em atividades culturais e assistente técnico administrativo;
reorganização a carreira de perito federal territorial, que passará a ser supervisionada pelo MGI;
cria uma gratificação temporária de apoio a atividades técnicas, para servidores que exerçam funções no Poder Executivo, mas que façam parte de cargos sem um plano de carreira ainda estruturado.
A instituição sem partido República.org avalia que apesar de a revisão de carreiras ser “essencial para a modernização da gestão pública”, é necessário “reduzir as desigualdades entre elas”. “Algumas carreiras chegam a ganhar 150% a mais que outras, com as mesmas atribuições”, apontou a entidade.
“Em nota, a República.org afirma que esses ajustes dentro do funcionalismo público devem sempre mirar a melhor organização das carreiras, já que hoje a administração pública federal tem cerca de 290 tabelas salariais diferentes. É preciso mirar uma reestruturação ampla de todas as carreiras para garantir regras mais simples”, afirmou.

Ministério Público junto ao TCU pede afastamento do presidente do IBGE, Marcio Pochmann

Marcio Pochmann, presidente do IBGE, enfrenta crise interna
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O procurador Júlio Marcelo de Oliveira, do Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu o afastamento do presidente do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Marcio Pochmann. O g1 entrou em contato com o IBGE e aguarda posicionamento do órgão.
Segundo o MP, há supostas irregularidades na condução do órgão. De acordo com o procurador, as medidas do presidente do IBGE que estão sendo questionadas estão sucessivas substituições de servidores de carreira em cargos técnicos por recém-ingressos até a tentativa de criação da Fundação IBGE+.
No documento, o procurador menciona sucessivas exonerações e substituições de servidores de carreira por ocupantes de funções técnicas estratégicas no âmbito do IBGE, como nomeação de servidores recém admitidos e ainda em estágio probatório em funções de “elevada complexidade técnica”.
Isso, segundo o procurador, revela um “quadro institucional preocupante”. Oliveira também menciona a tentativa de criação da Fundação IBGE+ que, dentre outros fatores, poderia extrapolar as atribuições legais do órgão.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
“Ainda que se trate fundação de direito privado vinculada ao IBGE, a utilização da estrutura, da marca institucional, do corpo técnico ou de competências legalmente atribuídas ao Instituto exigiria autorização legislativa expressa, sob pena de violação ao princípio da legalidade estrita”, diz o procurador.
“A criação de entidade paralela, com possível captação de recursos próprios e atuação em áreas sensíveis de produção e tratamento de dados oficiais, não pode decorrer de ato meramente administrativo da Presidência”, diz o documento.
Em outro trecho, o procurador destaca, ainda, atos de gestão que poderiam fragilizar a autonomia técnica e a credibilidade dos dados oficiais, como o cálculo do Produto Interno Bruto (PIB).
“Nesse cenário, a eventual manipulação indevida — ainda que indireta — de parâmetros metodológicos, premissas técnicas ou processos de validação interna, com o objetivo de influenciar resultados conjunturais, configuraria violação grave aos princípios constitucionais da legalidade, da moralidade e da eficiência”, destaca o procurador.
“O resultado do PIB influencia diretamente expectativas de crescimento, decisões de investimento, comportamento do mercado financeiro, formulação da política fiscal e monetária, além de impactar classificações de risco soberano”, complementa o membro do MPTCU.

Mega-Sena, concurso 2.982: prêmio acumula e vai a R$ 65 milhões

G1 | Loterias – Mega-Sena 2982
O sorteio do concurso 2.982 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (10), em São Paulo. Nenhuma aposta acertou as seis dezenas, e o prêmio para o próximo sorteio acumulou em R$ 65 milhões.
Clique aqui para seguir o canal de Loterias do g1 no WhatsApp
Veja os números sorteados: 02 – 35 – 41 – 46 – 49 – 58
5 acertos – 27 apostas ganhadoras: R$ 87.399,64
4 acertos – 2.786 apostas ganhadoras: R$ 1.396,18
O próximo sorteio da Mega será na quinta-feira (12).
Mega-Sena, concurso 2.982
Reprodução/Caixa
Como funciona a Mega-sena
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Mega-Sena bilhete volante Loterias
Millena Sartori/g1

Mega-Sena completa 30 anos com R$ 43,8 bilhões em prêmios e 980 bilhetes milionários

Volantes da Mega-Sena
Rafa Neddermeyer / Agência Brasil
A caminhada de muitos brasileiros até as casas lotéricas em cidades de todo o país teve uma motivação frequente nas últimas três décadas: apostar na Mega-Sena.
A loteria mais famosa do Brasil completa 30 anos neste dia 11 com um balanço bilionário. Segundo a Caixa Econômica Federal, as apostas movimentaram R$ 115,2 bilhões desde o primeiro sorteio, realizado em 11 de março de 1996.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Só em prêmios, o total pago chega a R$ 43,8 bilhões — pouco menos que os R$ 46 bilhões destinados a repasses sociais a partir da arrecadação com as apostas.
🔎 Além dos valores pagos aos vencedores, parte da arrecadação das loterias financia áreas como saúde, segurança, educação, cultura e esporte. Segundo a Caixa, esses repasses somam mais de 56% do total, enquanto o prêmio bruto corresponde a 43,79%.
Veja os vídeos em alta no g1:
Veja os vídeos que estão em alta no g1
Ao todo, 980 apostas da Mega-Sena já receberam prêmios milionários desde a criação da loteria, afirma o diretor-presidente da Caixa Loterias, Renato Siqueira.
O maior prêmio já pago em um concurso regular da Mega-Sena — ou seja, sem considerar a Mega da Virada — foi de R$ 317,8 milhões, em 1º de outubro de 2022.

Veja abaixo curiosidades e como funciona a Mega.
O primeiro sorteio da história
O primeiro sorteio da Mega-Sena, com prêmio estimado em R$ 1,2 milhão, foi realizado em 11 de março de 1996.
As seis dezenas sorteadas foram 04, 05, 30, 33, 41 e 52 — e nenhum apostador acertou. Com isso, o prêmio acumulou em R$ 1,7 milhão.
Aumento da arrecadação
A arrecadação da Mega-Sena cresceu de forma expressiva nas últimas décadas. No início dos anos 2000, os sorteios movimentavam “poucos milhões” de reais — como o concurso 500, que arrecadou R$ 3,9 milhões em 2003.
Dez anos depois, as apostas já superavam R$ 40 milhões e, em 2025, concursos regulares passaram a ultrapassar R$ 50 milhões, segundo a Caixa.
Na Mega da Virada mais recente, a arrecadação atingiu o recorde de R$ 3,05 bilhões.
Os maiores prêmios da Mega da Virada
Os concursos especiais da Mega da Virada pagaram, de longe, os maiores prêmios da história da loteria. Em 2025, a arrecadação recorde fez o prêmio superar, pela primeira vez, a marca de R$ 1 bilhão. Veja abaixo os maiores valores já pagos como prêmio principal:
2025: R$ 1,09 bilhão
2024: R$ 635,4 milhões
2023: R$ 588,8 milhões
2022: R$ 541,9 milhões
2021: R$ 378,1 milhões
2020: R$ 325,2 milhões
2017: R$ 306,7 milhões
2019: R$ 304,2 milhões
2018: R$ 302,5 milhões
2014: R$ 263,2 milhões
As chances de levar o prêmio máximo
A “sorte” — tanto na Mega-Sena quanto na Mega da Virada — varia conforme a quantidade de números escolhidos. Em uma aposta simples, com seis dezenas, a probabilidade de acertar o prêmio máximo é de uma em mais de 50 milhões, segundo a Caixa.
Com 20 números, as chances aumentam para uma em 1.292. O preço, porém, também dispara: esse tipo de aposta custa R$ 232,5 mil.
Os números mais sorteados
O número 10 é o mais sorteado da história da Mega-Sena, com 352 aparições. Em seguida vem o 53, que já saiu 340 vezes, segundo a Caixa. Veja abaixo as dez dezenas mais frequentes:
10 – 352 vezes
53 – 340 vezes
37 – 325 vezes
5 – 323 vezes
34 – 321 vezes
33 – 319 vezes
38 – 319 vezes
27 – 318 vezes
32 – 317 vezes
46 – 315 vezes
Os 10 estados com mais bilhetes premiados
Estados do Sudeste do país concentram o maior número de prêmios máximos da Mega-Sena, segundo a Caixa Econômica Federal.
O levantamento — que também inclui os sorteios da Mega da Virada — coloca São Paulo na liderança, com 312 bilhetes premiados. Veja os dez maiores:
São Paulo: 312
Rio de Janeiro: 156
Minas Gerais: 146
Paraná: 112
Distrito Federal: 61
Rio Grande do Sul: 60
Bahia: 59
Goiás: 54
Santa Catarina: 38
Pernambuco: 36
Números de ‘Lost’ na Mega?
Em maio de 2024, um sorteio da Mega-Sena chamou a atenção de fãs da série “Lost”. Cinco dos seis números usados pelo personagem Hugo “Hurley” em uma loteria na trama apareceram no concurso 2.720 da Mega.
As dezenas sorteadas foram 08, 15, 16, 23, 42 e 43. Na série, Hurley aposta em 4, 8, 15, 16, 23 e 42 — e leva o prêmio. Apesar da coincidência, ninguém acertou as seis dezenas na vida real e o prêmio acumulou.
Em ‘Lost’, Hugo ‘Hurley’ Heyes (Jorge Garcia) ficou milionário após ganhar na loteria
Divulgação
Como jogar na Mega
As apostas para a Mega-Sena podem ser feitas pelo aplicativo Loterias Caixa, pelo portal Loterias Caixa ou em qualquer lotérica do país. Clientes do banco também podem fazer suas apostas pelo internet banking.
Para jogar, basta marcar de 6 a 20 números dentre os 60 disponíveis nos volantes ou deixar que o sistema escolha as dezenas, por meio da Surpresinha. A aposta simples custa R$ 6.
Quem aposta também pode escolher participar do concurso por meio de bolões, preenchendo o campo específico no volante.
Além disso, o jogador pode adquirir cotas de bolões organizados pelas unidades lotéricas. Nesse caso, poderá ser cobrada uma tarifa de serviço adicional de até 35% do valor da cota.
Como resgatar o prêmio
O sortudo poderá receber o prêmio nas agências da Caixa. Pelas regras, valores iguais ou acima de R$ 10 mil são pagos no prazo mínimo de dois dias úteis após o ganhador se apresentar em uma agência.
Os documentos necessários são o bilhete premiado ou o comprovante da aposta, além de documento pessoal com foto e CPF.
A Caixa lembra que, se o bilhete foi emitido na lotérica, é importante que o ganhador se identifique no verso do bilhete premiado antes mesmo de sair de casa.
As informações necessárias são: nome completo, número do documento de identificação e CPF. Dessa forma, diz a instituição, o apostador garante que ninguém mais retire o prêmio.
O ganhador tem até 90 dias corridos, a partir da data do sorteio, para receber. Passado esse período, o prêmio prescreve e o valor é repassado ao Fundo de Financiamento Estudantil (FIES).
No caso de prêmios de até R$ 2.112,00, como em outros concursos, os valores podem ser recebidos nas casas lotéricas.

O Brasil pode viver novo boom das commodities com a guerra?

Agronegócio brasileiro.
Willam Roth/Secom-RR
A guerra travada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã tem lançado incerteza sobre os rumos da economia global. A alta no petróleo, com o bloqueio do Estreito de Ormuz pela Guarda Revolucionária iraniana e redução na oferta dos países no Golfo Pérsico, já leva analistas a apostarem numa inflação generalizada como uma das consequências do conflito.
Além do petróleo, o choque econômico também atinge em cheio a oferta de fertilizantes, já que cerca de um terço do insumo passa por Ormuz. O Irã, por si só, é um dos maiores exportadores de ureia, um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizado por agricultores de todo o mundo.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O impacto dessa crise nos preços ainda é incerto, mas uma alta nas commodities já vem ocorrendo nas últimas semanas.
O índice CRB, um dos principais termômetros de matérias-primas básicas como petróleo e alimentos, atingiu, a última segunda-feira (09/03), a maior cotação desde 2011. E a tendência, segundo especialistas, é que esse movimento se mantenha, pelo menos enquanto durar o conflito.
Veja os vídeos em alta no g1:
Veja os vídeos que estão em alta no g1
É esse ponto que levanta questões sobre o papel do Brasil nesse cenário. O país é não só o maior produtor de alimentos do mundo, como o sexto maior produtor de petróleo bruto e décimo no ranking de exportadores do combustível fóssil. Tem, assim, grande parte de sua balança comercial dependente de produtos primários.
Foi justamente um incremento na cotação desses itens que gerou o que ficou conhecido como “boom das commodities”, a partir do início do século 21 até o começo da década de 2010. O período beneficiou a economia brasileira, contribuindo para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) e para a consolidação do país como grande economia exportadora de matérias-primas.
No entanto, de acordo com especialistas consultados pela DW, o cenário atual é distinto. Mesmo assim, existe a possibilidade de que o Brasil se beneficie do contexto causado pelo conflito no Oriente Médio – mas não sem se livrar dos choques.
Fumaça sobe após ataque à refinaria de petróleo da Bapco em Sitra, no Bahrein, em 9 de março de 2026.
REUTERS/Stringer
Um novo boom das commodities?
O fechamento do Estreito de Ormuz tem impactado diretamente na oferta de produtos como petróleo, gás natural e fertilizantes. É uma diferença fundamental em relação ao boom das commodities, basicamente fomentado pelas altas taxas de crescimento da economia da China.
O país asiático registrou, entre 2002 e 2011, uma alta do PIB acima de 9%, propulsionada principalmente pela rápida expansão industrial chinesa. Houve maior demanda por matérias-primas, o que gerou uma oportunidade para o Brasil. Foi durante esse também, em 2009, que a China se tornou o maior parceiro comercial brasileiro.
Mas, desde então, a economia chinesa vem reduzindo as taxas de crescimento e, neste ano, pela primeira vez desde 1991, o país asiático colocou como meta uma alta anual do PIB abaixo dos 5%.
É para lá que o Brasil manda 80% da sua soja, produto brasileiro mais vendido para o exterior, que correspondeu a 34,5% das exportações do país em 2025 – registrando um total de US$ 34,5 bilhões na balança comercial brasileira do ano passado. O país asiático compra ainda 56% do minério de ferro produzido no Brasil e 45% do petróleo bruto.
Um bloqueio mais prolongado no Estreito de Ormuz, com o recrudescimento na guerra no Irã, deverá pressionar para uma alta das commodities agrícolas como efeito cascata a partir do encarecimento dos combustíveis e dos fertilizantes, aliada à incerteza que gera especulação no mercado.
“Para a China, por exemplo, o fornecimento de grãos do Brasil deverá ficar no mesmo patamar. Só que, se houver alta dos preços, isso gera uma maior receita. Não é uma coisa muito significativa, mas pode acontecer”, explica Francisco Américo Cassano, professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Santa Cecília. “Não vejo como um novo boom, mas como um aumento da exportação”, complementa.
Um fator a mais poderá ser causado pelo choque nos fertilizantes: os próximos meses serão cruciais para o início do plantio em países do Hemisfério Norte, o que também pode gerar uma redução na oferta por lá e o redirecionamento das compras para países como o Brasil, onde as safras ocorrem no segundo semestre.
Cassano, no entanto, acredita que as chances de isso ocorrer são menores. “Mesmo porque o Donald Trump não tem tanto interesse desse conflito se alastrar por tanto tempo, porque ele vai sofrer o mesmo problema de inflação dentro dos Estados Unidos”.
Cenários de curto e longo prazo
O fato de estar fora da região de conflito realmente pode fazer com que o Brasil se beneficie do cenário atual, analisa Jorge Arbache, professor de economia da Universidade de Brasília (UnB).
“O país se torna uma opção de investimento de uma forma geral, exatamente porque está longe das tensões. Tem uma política de se manter distanciado, está longe do ponto de vista geográfico e político e tem várias oportunidades de negócios – na agricultura, na energia e diversos outros setores”, aponta o economista.
Segundo ele, o contexto internacional tende a fazer com o que país siga atraindo investimento direto estrangeiro, fluxo que já vem ocorrendo nos últimos por causa do aumento das incertezas na geopolítica mundial.
“É muito provável que os preços da energia e alimentos subam mesmo após o fim da guerra, por causa da mudança climática. Quando você coloca a geopolítica em cima, os efeitos são ainda maiores”, diz Arbache. “Isso tende a ser benéfico no médio e longo prazo, mas de maneira condicionada, porque é um cenário de incertezas”, ressalta o professor.
Já no curto prazo, a situação é mais complicada. O aumento da percepção de risco nos mercados pode atingir o risco de crédito e o risco-país, impactando principalmente os países emergentes. A elevação do preço do petróleo e fertilizantes pode afetar a economia brasileira e chegar no consumidor, com choques no valor do frete e dos alimentos, por exemplo.
Mas mesmo uma alta nas commodities, lembra Cassano, com o mercado externo pagando mais caro nos alimentos, por exemplo, deve gerar mais inflação para o consumidor interno.
“Os preços tendem a subir também porque o produtor está recebendo mais lá fora e isso impacta diretamente os preços internos, gerando mais inflação”, afirma o professor da Universidade Santa Cecília.
Além disso, os efeitos da guerra no Irã sobre incertezas e decisões de investimento vão continuar, mesmo se o conflito chegar ao fim nas próximas semanas. As retaliações do Irã em países vizinhos no Golfo Pérsico causaram estragos em plantas energéticas e reservatórios em importantes para países como Emirados Árabes, Catar e Arábia Saudita.
“Essas nações têm grandes fundos soberanos, que são investidores inclusive no Brasil – muito provavelmente, isso vai fazer com que eles reduzam esses aportes”, pontua Arbache.
Segundo ele, no entanto, mesmo que o cenário ainda seja incerto quanto a previsões, o consumidor poderá voltar a ganhar no longo prazo, com um aumento da atratividade do Brasil que impulsionará a atividade econômica, gerando mais emprego.
“Mas, no curto prazo, deve perder, como praticamente todo mundo. É uma guerra com impactos generalizados por causa da globalização. É uma guerra que mirou um alvo e está acertando em vários outros, com múltiplas complicações econômicas”, finaliza o professor da UnB.

Menus de R$ 7 mil, estrelas Michelin e abusos: chef premiado é denunciado por agressões e humilhações

Noma, comandado pelo chef dinamarquês René Redzepi, se tornou um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional.
Noma/ Divulgação
Três estrelas Michelin, menus de R$ 7 mil por pessoa e uma reputação construída ao longo de duas décadas. Foi assim que o Noma, comandado pelo chef dinamarquês René Redzepi, se tornou um dos nomes mais celebrados da alta gastronomia internacional.
Mas essa imagem de excelência começou a ruir depois que ex-funcionários vieram a público denunciar uma cultura de abusos dentro da cozinha do restaurante.
Uma reportagem do jornal “The New York Times” reuniu relatos de agressões físicas e constrangimentos públicos. Cerca de 35 ex-funcionários que trabalharam no Noma entre 2009 e 2017 foram ouvidos pelo jornal.
“Ele batia, cutucava e empurrava funcionários por erros pequenos e às vezes chegava a socar alguém quando perdia a paciência”, relatou um ex-trabalhador ao veículo.
Os relatos também descrevem jornadas de trabalho extremamente longas dentro da cozinha, muitas vezes ultrapassando 12 ou até 16 horas por dia durante os períodos mais intensos do restaurante.
Ex-funcionários disseram ainda que parte significativa da equipe era formada por estagiários estrangeiros que recebiam pouca ou nenhuma remuneração pelo trabalho, apesar da carga pesada de tarefas.
Veja os vídeos que estão em alta no g1
As denúncias já tiveram consequências imediatas. Dois patrocinadores desistiram de apoiar uma temporada de jantares — conhecidos como “pop-ups”, quando restaurantes operam por um período limitado em outra cidade — que o Noma estava prestes a iniciar em Los Angeles.
A American Express e a startup de hospitalidade Blackbird anunciaram que retiraram o apoio ao evento, que teria ingressos de US$ 1,5 mil (cerca de R$ 7,7 mil ) por pessoa e estava com todas as reservas esgotadas.
As duas empresas afirmaram que vão reembolsar clientes que haviam comprado ingressos por meio delas e doar o dinheiro arrecadado a organizações que defendem trabalhadores do setor de restaurantes.
“As práticas passadas de René, segundo ele próprio admitiu, eram inaceitáveis e abomináveis”, afirmou Ben Leventhal, fundador da Blackbird, em comunicado.
“Não podemos simplesmente nos apoiar no tempo decorrido e em alegações de reabilitação quando essas coisas ressurgem.”
Uma porta-voz da Resy, plataforma de reservas da American Express, afirmou que a empresa também decidiu se afastar do patrocínio do evento e que os recursos envolvidos serão redirecionados para iniciativas em apoio aos trabalhadores do setor de hospitalidade em Los Angeles.
“Nossa prioridade é apoiar a comunidade gastronômica e não permitir que essa decisão prejudique as muitas pessoas que trabalharam arduamente para dar vida a este projeto, desde agricultores locais até fornecedores e outros profissionais envolvidos”, afirmou a empresa.
Considerado um dos restaurantes mais influentes da gastronomia contemporânea, o Noma ajudou a redefinir a culinária moderna com pratos experimentais e forte uso de ingredientes locais, sazonais e muitas vezes colhidos diretamente na natureza.
René Redzepi
The Best Chef Awards
Localizado em Copenhagen, capital da Dinamarca, o restaurante foi eleito cinco vezes o melhor do mundo pela lista The World’s 50 Best Restaurants e acumula três estrelas no Michelin Guide.
Redzepi também recebeu reconhecimento internacional ao longo da carreira. A revista Time já o descreveu como um “Deus da Gastronomia”, e o chef foi nomeado cavaleiro por suas contribuições à cultura dinamarquesa.
Segundo os relatos reunidos pelo The New York Times, no entanto, o ambiente dentro da cozinha do restaurante era marcado por pressão extrema e episódios frequentes de agressividade.
Ex-funcionários disseram ao jornal que Redzepi reagia com violência a erros considerados pequenos. Alguns relataram empurrões e tapas durante o serviço; outros afirmaram que o chef chegou a arremessar objetos ou usar utensílios de cozinha para atingir funcionários.
Além da violência física, trabalhadores também disseram ter sido alvo de humilhações públicas diante de colegas.
Em alguns casos, segundo os depoimentos, o chef teria ameaçado funcionários estrangeiros com deportação ou com a possibilidade de nunca mais conseguirem emprego em restaurantes de prestígio.
O The New York Times também descreve uma cultura de trabalho extremamente exigente, com equipes frequentemente submetidas a longos turnos e forte pressão para manter o padrão de excelência do restaurante.
Em alguns períodos, segundo os relatos, estagiários representavam uma parcela significativa da força de trabalho na cozinha — muitos deles vindos de outros países para ganhar experiência em um restaurante de prestígio, mas recebendo pouca ou nenhuma remuneração.
Noma, em Copenhague, foi eleito um dos melhores restaurantes do mundo
Instagram
Repercussão nas redes e protestos
As acusações começaram a ganhar visibilidade nas últimas semanas, quando um ex-funcionário do restaurante, Jason Ignacio White, passou a publicar nas redes sociais relatos sobre episódios de abuso ocorridos durante o período em que trabalhou no local.
Após a publicação da reportagem do The New York Times, organizações de defesa de trabalhadores também passaram a pressionar o restaurante.
O grupo One Fair Wage anunciou que pretende realizar um protesto em frente ao restaurante temporário do Noma no bairro de Silver Lake.
A organização pede compensação para funcionários que trabalharam no restaurante e mudanças nas políticas de trabalho da empresa.
O que diz o restaurante
Procurado pelo The New York Times, o Noma não respondeu imediatamente aos pedidos de comentário sobre as denúncias.
Uma porta-voz do restaurante afirmou ao jornal que, nos últimos anos, a empresa implementou mudanças internas, incluindo a criação de estruturas formais de recursos humanos, treinamento para gestores e maior flexibilidade nos horários de trabalho.
Sobrevivente de trabalho escravo em vinícolas vira agente fiscal e ampara outras vítimas