
Crise no campo: pedidos de recuperação judicial saltam entre produtores rurais
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Os pedidos de recuperação judicial no agronegócio somaram 474 no primeiro trimestre deste ano, alta de 21,9% em relação ao mesmo período de 2025.
O avanço foi impulsionado pelo aumento das solicitações feitas por produtores rurais que atuam como pessoa jurídica, em um cenário de crescimento das dívidas e dos custos no setor, informou a Serasa Experian nesta quarta-feira (12).
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O indicador, que reúne pedidos feitos por produtores rurais que atuam como pessoa física e jurídica, além de empresas da cadeia produtiva, também registrou alta na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando foram contabilizadas 408 solicitações de recuperação judicial.
Ainda assim, o total ficou abaixo do pico registrado no terceiro trimestre de 2025, quando houve 628 pedidos.
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“O ambiente de crédito mais seletivo, combinado à manutenção dos altos custos de produção e ao maior nível de alavancagem dos produtores, continuou afetando o fluxo de caixa no campo”, afirmou, em nota, o head de agronegócio da Serasa Experian, Marcelo Pimenta.
Segundo ele, a evolução desse cenário até o fim do ano dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições de renegociação das dívidas.
“Por isso, reforçamos que renegociar dívidas e manter um planejamento financeiro devem ser prioridades, enquanto a recuperação judicial precisa permanecer como o último recurso”, afirmou.
Mato Grosso concentra maior número de solicitações
Mato Grosso, principal produtor de grãos, oleaginosas e gado do país, registrou o maior número de pedidos de recuperação judicial entre os Estados, com 135 registros.
Na sequência aparecem Goiás (73), Paraná (50) e Mato Grosso do Sul (38), também importantes produtores de grãos.
Entre as atividades, o cultivo de soja, principal cultura agrícola do país, concentrou 137 pedidos, seguido pela criação de bovinos, com 42, segundo a Serasa.
Os pedidos de recuperação judicial de produtores rurais que atuam como pessoa jurídica cresceram 73,5% em relação ao primeiro trimestre de 2025, chegando a 196. Foi o maior avanço anual entre os três perfis analisados.
Já os produtores rurais classificados como pessoa física “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários, concentraram 60 pedidos.
Os pequenos proprietários registraram 44 solicitações, os grandes, 41, e os médios, 37. Ao todo, o segmento de pessoas físicas somou 182 pedidos, uma queda de 6,7% em relação ao mesmo período de 2025.

