
Fundo de ações brasileiras despenca 19% nos EUA após reeleição de Lula
O fundo de investimentos EWZ, que acompanha o desempenho de ações de grandes empresas brasileiras na bolsa de Nova York, registrava queda de 27,35% no pré-mercado desta segunda-feira (26), após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por volta das 9H39 (horário de Brasília), o fundo era negociado a US$ 30,94, contra US$ 42,59 no fechamento de sexta-feira (23).
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A pressão também atingiu o mercado de câmbio brasileiro. O dólar abriu a sessão desta segunda-feira em forte alta e, por volta das 9h, avançava 8,65%, cotado a R$ 5,4248. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h. (Veja mais detalhes do dia no mercado).
O EWZ é um fundo negociado em bolsa, conhecido pela sigla ETF, que reúne ações de grandes empresas brasileiras.
Por ser negociado nos EUA, funciona como um dos indicadores da percepção dos investidores estrangeiros sobre o mercado brasileiro.
🔎 Como a bolsa brasileira não funciona aos domingos, o EWZ é uma das referências utilizadas para acompanhar a reação dos investidores ao resultado das eleições antes da abertura do mercado nacional.
Na noite de domingo (25), após a confirmação da vitória de Lula, o fundo já havia registrado queda de cerca de 19% nas negociações realizadas fora do horário regular do mercado, período conhecido como after hours.
O desempenho contrasta com o registrado na sexta-feira (23), quando o EWZ encerrou o pregão em alta de 1,77%.
Ações brasileiras também registram fortes perdas
O desempenho negativo não ficou restrito ao EWZ. As ações de grandes empresas brasileiras negociadas nos EUA, conhecidas como ADRs, também registravam fortes quedas no pré-mercado.
Os papéis da Petrobras registravam perdas de aproximadamente 20%. Entre os bancos, o Itaú recuava 28,5%, Bradesco caía 26,8% e Nubank perdia 24%.
Já as ações do Mercado Livre, empresa com forte presença no Brasil, apresentavam desvalorização de 10,3%.
O movimento também atingiu outros mercados. Durante as negociações na Ásia, os contratos futuros do real para novembro caíam cerca de 10%, enquanto um fundo que acompanha a bolsa brasileira e é negociado em Tóquio registrou perdas de 15%.
Em meio à reação negativa dos mercados, o banco americano JP Morgan reduziu sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros após a reeleição de Lula.
A classificação passou de overweight, quando o banco recomenda uma exposição maior a determinado investimento, para marketweight, que indica uma posição mais próxima da média do mercado.
Em relatório, o analista Vinicius Moreira e sua equipe afirmaram que o resultado das eleições deve provocar uma forte revisão dos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira. Isso porque parte dos investidores vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro.
Segundo o JP Morgan, três fatores devem concentrar as atenções do mercado nos próximos dias:
a reação da oposição ao resultado eleitoral, especialmente após Flávio Bolsonaro não reconhecer a derrota;
a formação da equipe do novo governo;
os efeitos das oscilações do mercado sobre as decisões econômicas do presidente.
O banco também prevê que empresas mais dependentes da economia brasileira, como as dos setores de consumo e serviços, sejam mais afetadas pelas quedas na bolsa.
Já as companhias exportadoras podem apresentar um desempenho relativamente melhor, uma vez que a valorização do dólar aumenta, em reais, as receitas obtidas com vendas ao exterior.
📉 Os analistas alertaram ainda para a possibilidade de acionamento do na bolsa brasileira. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas, com o objetivo de conter movimentos desordenados no mercado.
Por que o mercado reagiu negativamente?
Nas últimas semanas, parte dos investidores vinha apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de mudanças na política econômica e de medidas mais rigorosas para controlar as contas públicas.
Esse otimismo havia impulsionado os ativos brasileiros. Na sexta-feira, a bolsa acumulava valorização de quase 7% em relação ao período anterior ao primeiro turno das eleições. No mesmo intervalo, o real havia ganhado quase 5% de valor diante do dólar.
Com a reeleição de Lula, investidores passaram a rever essas apostas, provocando uma onda de vendas de ativos brasileiros.
Uma das principais preocupações está relacionada à situação das contas públicas. O governo terá o desafio de conter o crescimento da dívida, ao mesmo tempo em que mantém os gastos com programas sociais e investimentos.
Para o mercado financeiro, a dúvida é se o presidente conseguirá equilibrar essas prioridades sem comprometer a trajetória da dívida pública.
Caso os investidores entendam que existe um risco maior de descontrole das contas, poderão exigir juros mais elevados para emprestar dinheiro ao governo. Esse movimento também pode encarecer o crédito para empresas e consumidores.
A percepção de maior risco fiscal e a possibilidade de desvalorização do real também podem dificultar novos cortes na taxa básica de juros.
O movimento ocorre depois de um período de valorização expressiva da bolsa brasileira. Em 5 de outubro, o Ibovespa havia registrado sua maior alta diária desde março de 2020. Até sexta-feira, o índice acumulava ganhos superiores a 27% em 2026.
Fundo de ações brasileiras despenca 26% em Nova York após reeleição de Lula
Energepic.com/Pexels
*Com informações da agência Reuters

