O que Lula promete para o seu bolso? Veja as propostas para trabalhadores, aposentados e empresários

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, gesticula durante um comício de campanha antes do segundo turno das eleições, em Juiz de Fora, Minas Gerais, Brasil, em 16 de outubro de 2026
REUTERS/Pilar Olivares
Reeleito neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) dará início ao quarto mandato de sua carreira política em janeiro de 2027. O plano de governo traz uma série de diretrizes para temas estruturais do país.
No mercado de trabalho, por exemplo, Lula concentra propostas na renda e na jornada de trabalho, enquanto, na economia, o presidente eleito dá mais peso à atuação do Estado, ao crédito e a políticas públicas.
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Veja abaixo quais propostas de Lula podem mexer com sua vida financeira, de acordo com o seu perfil.
Agora no g1
👔 Sou empregado CLT ou doméstico
🏛️ Sou servidor público
📱 Sou trabalhador por conta própria
💼 Tenho meu próprio negócio
🔎 Estou procurando emprego
🎓 Sou estudante
👴 Sou aposentado ou pensionista
🤝 Recebo benefícios sociais
🛒 Custo de vida e apoio às famílias
🚜 Trabalho no campo
🏠 Quero comprar minha casa
⚠️ A reportagem considera exclusivamente a proposta apresentada no plano de governo.
👔 Sou empregado CLT ou doméstico
Salário mínimo e remuneração: Promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação.
Relações e regras de trabalho: Propõe rever regras trabalhistas que, segundo o plano, favorecem a precarização, combater fraudes em terceirizações e fortalecer a negociação coletiva. Também prevê retomar a participação dos sindicatos nas homologações de rescisões trabalhistas.
Imposto de Renda (IR): Defende isenção total do IR para rendimentos mensais de até R$ 5 mil, com compensação por meio da tributação da renda dos mais ricos.
Relações sindicais: Defende retomar a participação obrigatória dos sindicatos nas rescisões trabalhistas.
Igualdade salarial e de acesso ao mercado de trabalho: Propõe reforçar a aplicação da Lei de Igualdade Salarial entre homens e mulheres e combater discriminações no acesso ao trabalho, inclusive por raça, etnia, deficiência, orientação sexual, identidade de gênero e classe.
⚠️ O plano de Lula previa o fim da escala 6×1 e a redução da jornada para 40 horas semanais, sem redução salarial. A mudança foi aprovada pelo Congresso e promulgada neste mês.
Fim da escala 6×1 é oficializado no Diário Oficial; quando entra em vigor? Veja datas
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🏛️ Sou servidor público
Carreiras e relações de trabalho no serviço público: Propõe regulamentar o direito à negociação coletiva no setor público e ampliar o diálogo entre governo e servidores por meio da Mesa Nacional de Negociação Permanente. Também defende a valorização e a qualificação do funcionalismo.
Piso do Magistério e combate a supersalários: Prevê manter o Piso Nacional do Magistério e apoiar a formação de docentes por meio de iniciativas como o Pé-de-Meia Licenciaturas e o Bolsa Mais Professores.
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📱 Sou trabalhador por conta própria: autônomo, informal ou trabalhador por aplicativo
Trabalho por aplicativo: Defende regulamentar o trabalho em plataformas digitais, com regras sobre remuneração, condições de trabalho e direitos trabalhistas e previdenciários, além de transparência sobre decisões tomadas pelos algoritmos das plataformas, como critérios de bloqueio, taxas de comissão e distribuição de corridas.
Previdência e proteção social: Propõe ampliar a proteção social de trabalhadores autônomos, com cobertura previdenciária e proteção em casos de acidentes, doenças e períodos sem trabalho. Também prevê formas mais flexíveis de contribuição à Previdência e maior fiscalização contra a pejotização irregular.
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💼 Tenho meu próprio negócio: MEIs, micro e pequenas empresas e empregadores no geral
Crédito e apoio ao negócio: Propõe ampliar o acesso de autônomos e pequenos negócios ao crédito, inclusive por meio de fundos garantidores, além de oferecer qualificação e assistência técnica. Também prevê facilitar o acesso a compras públicas e financiar ações de digitalização e aumento da produtividade.
Burocracia, impostos e regras para empresas: Propõe simplificar o ambiente de negócios e assegurar tratamento tributário específico às pequenas empresas durante a implementação da reforma tributária.
⚠️ Em 21 de outubro, Lula sancionou uma lei que perdoa a dívida de MEIs, amplia o limite de faturamento da categoria e permite a contratação de mais funcionários. Saiba mais.
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🔎 Estou procurando um emprego
Geração de vagas: Defende associar políticas de crédito público, assistência técnica, incentivos fiscais e compras governamentais à geração de empregos. Também prevê estimular oportunidades de trabalho em áreas de interesse coletivo, como conservação ambiental, cultura, esporte e economia do cuidado.
Primeiro emprego e recolocação profissional: Propõe ampliar políticas de qualificação e inserção profissional, inclusive para trabalhadores afetados pelas transformações tecnológicas e pessoas com mais de 60 anos. Também prevê ampliar, na rede Sine, uma plataforma que reúna vagas, cursos, certificações e orientação profissional.
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🎓 Sou estudante
Apoio financeiro e acesso aos estudos: Propõe aprimorar o Pé-de-Meia e ampliar a assistência estudantil no ensino superior, incluindo alimentação e moradia. Também prevê manter os investimentos em cursinhos populares e continuar expandindo a rede de institutos federais.
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👴 Sou aposentado ou pensionista
Reajuste dos benefícios e salário mínimo: Promete manter a política de valorização do salário mínimo, com reajustes acima da inflação.
Fila do INSS, fraudes e consignado: Propõe concluir a modernização e o aprimoramento dos serviços previdenciários e continuar reduzindo o tempo de espera pela concessão de benefícios do INSS.
Saúde, medicamentos e cuidados na velhice: Defende manter o Farmácia Popular, com revisão dos produtos oferecidos gratuitamente e ampliação dos locais de retirada, além da inclusão de exames laboratoriais e de acompanhamento de doenças crônicas. Para os idosos, propõe ampliar Centros-Dia, vagas públicas em instituições de longa permanência e atendimento domiciliar.
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🤝 Recebo benefícios sociais
Benefícios sociais e acesso ao trabalho: Propõe fortalecer a proteção social, com mais recursos e expansão e modernização da rede de atendimento. Também prevê ampliar políticas de enfrentamento da pobreza infantil e de acesso a serviços públicos.
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🛒 Custo de vida e apoio às famílias
Inflação, juros e contas básicas: Propõe manter a inflação sob controle e criar condições para uma redução sustentada dos juros, com responsabilidade fiscal. Também prevê buscar o barateamento da energia elétrica e reduzir os efeitos da volatilidade dos preços internacionais sobre os combustíveis.
Endividamento das famílias: Propõe continuar monitorando o endividamento das famílias, manter mecanismos de controle de gastos excessivos com apostas on-line e aprimorar as regras de oferta e concessão de crédito, ampliando a proteção ao consumidor.
Creches e rede de cuidados: Propõe ampliar o apoio a estados e municípios para expandir a educação infantil e fortalecer a Política Nacional de Cuidados. Também prevê apoiar Cuidotecas e estruturas como lavanderias públicas, cozinhas solidárias e restaurantes populares, além de criar um programa de capacitação de cuidadores.
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🚜 Trabalho no campo
Crédito e financiamento rural: Propõe ampliar os recursos do Plano Safra e manter juros compatíveis com a atividade agropecuária, com prioridade para investimentos em máquinas e tecnologias. Para a agricultura familiar, prevê ampliar o crédito, priorizar a produção de alimentos da cesta básica e simplificar o acesso aos recursos.
Seguro rural e proteção contra perdas: Promete fortalecer o seguro rural e, para a agricultura familiar, ampliar o acesso ao seguro e reforçar o Garantia-Safra. Também propõe discutir um instrumento para cobrir perdas decorrentes de quebras severas de safra.
Regularização e titulação da terra: Propõe ampliar o acesso ao crédito fundiário e avançar na regularização e titulação de terras. Também prevê acelerar a titulação de territórios quilombolas e a regularização fundiária de povos e comunidades tradicionais.
Fertilizantes e custos de produção: Propõe acelerar a produção nacional de fertilizantes e fomentar a produção de bioinsumos para reduzir a dependência de produtos importados.
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🏠 Quero comprar minha casa
Programas habitacionais e financiamento: Propõe manter e ampliar o Minha Casa, Minha Vida para todas as faixas de renda, com foco nas famílias de menor renda. Também prevê fortalecer o Compra Assistida para a aquisição de imóveis prontos.
Regularização e escritura do imóvel: Promete assegurar recursos para concluir obras de urbanização e regularização fundiária em favelas e periferias e apoiar novos projetos. Também prevê destinar imóveis e terrenos da União à regularização de moradias de famílias que já vivem nesses locais.
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INSS inicia pagamento de benefícios de outubro; veja calendário

Simulador do INSS mostra valores e tempo de contribuição pelas novas regras de aposentados
Os aposentados, pensionistas e beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) começam a receber os pagamentos referentes ao mês de outubro a partir desta segunda-feira (26)
O calendário é definido conforme o número final do cartão do benefício, sem considerar o dígito verificador (número que aparece após o traço).
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Recebem primeiro os segurados que ganham até um salário mínimo. Quem recebe acima do piso nacional terá o pagamento liberado na sequência.
Veja as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo:
Final 1: 26/10
Final 2: 27/10
Final 3: 28/10
Final 4: 29/10
Final 5: 30/10
Final 6: 3/11
Final 7: 4/11
Final 8: 5/11
Final 9: 6/11
Final 0: 9/11
Quem recebe acima de um salário mínimo
Finais 1 e 6: 03/11
Finais 2 e 7: 04/11
Finais 3 e 8: 05/11
Finais 4 e 9: 06/11
Finais 5 e 0: 09/11

Como conferir o dígito verificador
O calendário leva em conta o número final do cartão de benefício, sem considerar o último dígito verificador, que aparece depois do traço.
Para quem ganha até o mínimo, o calendário começa com benefício com final 1.
Para os que recebem acima desse valor, o calendário inicia com os cartões de final 1 e 6. No dia seguinte, são pagos os finais 2 e 7, e assim por diante.
LEIA TAMBÉM: Aposentadoria 2026: entenda as regras de transição que valem a partir deste ano
Como consultar o benefício
Aposentados e pensionistas do INSS podem consultar o valor a receber do seu benefício pelo aplicativo “Meu INSS” ou no site meu.inss.gov.br.
Também é possível obter informações pelo telefone 135, que funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h.
Para acessar, é necessário informar CPF e senha cadastrados no portal Gov.br.

Arquivo Pessoal

PIB cresceu, desemprego caiu, mas juros e dívidas pesaram: veja o balanço da economia de Lula 3

O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT) à reeleição, discursa durante cerimônia no Palácio do Planalto, em Brasília, Brasil, em 13 de outubro de 2026
REUTERS/Adriano Machado
A economia brasileira cresceu, o desemprego caiu para o menor nível da série histórica e a renda média do trabalho avançou durante o terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mesmo com a melhora dos indicadores, Lula não teve vida fácil para derrotar Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno.
Lula foi reeleito com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% do adversário, em uma disputa que mostrou como os avanços da economia tiveram alcance limitado na hora de conquistar o eleitorado.
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A vitória, por uma margem estreita, não elimina o paradoxo enfrentado pelo governo: os resultados positivos da atividade econômica não se traduziram em uma sensação generalizada de bem-estar financeiro.
Para economistas ouvidos pelo g1, uma das explicações está no fato de que o crescimento econômico não beneficiou todos os setores e trabalhadores da mesma forma. Além disso, a situação financeira das famílias continua pressionada pelo custo de vida, pelas dívidas e pelos juros elevados, que limitam a folga no orçamento.
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Indicadores positivos, alívio limitado no bolso
O desempenho da atividade econômica e do mercado de trabalho está entre os pontos favoráveis do terceiro governo Lula. O país acumulou três anos seguidos de crescimento, o desemprego atingiu mínimas históricas, enquanto a renda real avançou e o emprego formal se expandiu. (veja no infográfico abaixo)
Esses resultados, porém, não significam que todos tenham sentido a melhora na mesma medida. Para Silvia Matos, coordenadora do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/Ibre), os indicadores agregados escondem diferenças importantes entre os setores da economia e, consequentemente, entre os grupos da população.
“O PIB é uma média que reúne setores e famílias que estão, digamos, uns no micro-ondas e outros que estão no freezer. A média parece boa, mas não necessariamente está melhor para todo mundo.”
A economista observa que atividades como a agropecuária e a indústria extrativa são influenciadas por fatores como os preços internacionais das commodities. Já o comércio e parte da indústria dependem mais das condições internas, especialmente do consumo das famílias.
A diferença também aparece no mercado de trabalho. José Luis Oreiro, professor do departamento de economia da Universidade de Brasília (UnB), observa que boa parte das novas vagas se concentrou em serviços que exigem menor qualificação.
Em contrapartida, não houve avanço semelhante nas atividades que exigem formação superior e costumam pagar salários mais altos.
O salário mínimo oferece outra referência para avaliar os limites do ganho de poder de compra. Segundo Oreiro, o piso nacional atual de R$ 1.621 ainda está relativamente próximo, em termos reais, dos níveis de 2012 e 2013, apesar da retomada dos reajustes acima da inflação no governo Lula 3.
📊 Corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a variação do custo de vida das famílias, os R$ 622 pagos em 2012 equivaleriam a R$ 1.393 em setembro de 2026. Já os R$ 678 de 2013 corresponderiam a R$ 1.424.
Para quem recebe entre um e três salários mínimos, a alta do preço dos alimentos representa uma pressão adicional, acrescenta o professor. Mesmo quando a inflação desacelera, os preços não necessariamente caem: eles podem continuar subindo, apenas em um ritmo menor.
Como as famílias de menor renda destinam uma parcela maior do orçamento à alimentação, a continuidade desses aumentos dificulta a preservação do poder de compra, mesmo quando a inflação perde força.
“É aquele efeito catraca: o preço dos alimentos subiu desde a pandemia e não caiu, pelo contrário, continuou subindo, porém menos intensamente. E, infelizmente, para as pessoas mais pobres, isso pesa muito”, diz Oreiro.
O que melhorou e o que ainda pesa na economia do Lula 3
Arte/g1
Endividamento consome renda e limita o efeito das renegociações
A pressão sobre o orçamento não vem apenas dos preços. O custo do crédito e o acúmulo de dívidas também reduzem a parcela da renda disponível para outras despesas, limitando o efeito positivo do crescimento do emprego e dos rendimentos.
Em julho de 2026, as famílias destinaram 28,7% da renda mensal ao pagamento de dívidas, segundo dados do Banco Central. Desse total, 17,2% foram usados para amortizar o principal — ou seja, “devolver” o valor emprestado — e 11,5% para pagar juros. O comprometimento total permanecia próximo do recorde de 29,7%, registrado em fevereiro.
O percentual de famílias endividadas também aumentou. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a proporção passou de 78% em janeiro de 2023 para 81,7% em setembro deste ano. O cartão de crédito é a principal modalidade de dívida, presente em 85,2% das famílias endividadas.
Em meio a esse cenário, o governo lançou três edições do programa de renegociação de dívidas Desenrola, com o objetivo de aliviar as contas das famílias. Para Alessandra Ribeiro, sócia e economista da Tendências Consultoria, as iniciativas podem ajudar a reduzir as dívidas no curto prazo, mas não eliminam as condições que favorecem o endividamento.
“As duas primeiras mobilizaram renegociações intermediadas por plataformas que conectavam bancos e famílias. Já a terceira edição buscou ampliar a coordenação do governo federal com as instituições financeiras para obter descontos maiores que poderiam superar 90%.”
A redução das dívidas pode liberar dinheiro para outras despesas no curto prazo. O problema, segundo Ribeiro, é que esse alívio não altera fatores como os juros elevados, a escassez de crédito de longo prazo e as dificuldades de planejamento do orçamento familiar.
“Sem essas mudanças, a família pode usar o dinheiro liberado para cobrir outras pendências e voltar a se endividar”, explica a economista.
Desenrola: veja o alcance das três edições do programa
Arte/g1
Contas públicas pressionam os juros
As condições de crédito enfrentadas pelas famílias também estão ligadas à condução da política econômica. Entre os fatores que influenciam os juros estão as decisões do governo sobre gastos e arrecadação, e a avaliação dos investidores sobre a capacidade de o país administrar sua dívida.
Na avaliação de Ribeiro, a dificuldade de controlar as despesas obrigatórias é um dos principais problemas da política fiscal do terceiro governo Lula. Ela cita os reajustes do salário mínimo acima da inflação, a vinculação dos pisos de saúde e educação à arrecadação e a expansão dos benefícios sociais entre os fatores que pressionaram os gastos.
📈 As contas do Governo Central, que reúnem o Tesouro Nacional, a Previdência Social e o Banco Central, registraram déficit primário de R$ 228,5 bilhões em 2023, R$ 42,9 bilhões em 2024 e R$ 61,7 bilhões em 2025. Entre janeiro e agosto de 2026, o saldo também foi negativo, em R$ 94,9 bilhões.
A dificuldade de obter superávits primários — quando as receitas do governo superam as despesas, sem contar os juros da dívida — contribui para o aumento do endividamento público, avalia a economista. Em agosto de 2026, a Dívida Bruta do Governo Geral chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), o equivalente a R$ 11,1 trilhões, segundo o BC.
Matos também critica a decisão de ampliar os gastos no início do mandato sem garantir receitas permanentes para financiá-los. Na avaliação da economista, a PEC da Transição, que abriu espaço para despesas fora do teto de gastos então vigente, ampliou o desequilíbrio das contas públicas.
“O governo entrou com acelerador a mil, tendo os gastos da PEC da Transição sem assegurar de onde viriam as receitas para financiá-los. Ele já entrou com um buraco fiscal muito maior para o período de quatro anos”, afirma Matos.
O desequilíbrio das contas públicas pode afetar a economia por diferentes caminhos.
💰 Quando investidores consideram que a dívida pode continuar crescendo sem uma perspectiva clara de estabilização, podem exigir uma remuneração maior por meio de juros mais altos para financiar o governo.
📊 Ao mesmo tempo, a expansão dos gastos pode pressionar a demanda e a inflação, dificultando uma redução dos juros. A intensidade desses efeitos depende das condições da economia e da avaliação do Banco Central.
A trajetória da taxa básica de juros, a Selic, ajuda a dimensionar esse cenário. Ela começou 2023 em 13,75% ao ano, recuou para 10,5% em 2024, subiu a 15% em 2025 e estava em 13,75% perto das eleições do segundo turno.
🔎 Quando a Selic permanece elevada, os juros cobrados em empréstimos e financiamentos tendem a subir, tornando mais caro comprar a prazo. Com isso, as famílias podem adiar a compra de bens de maior valor, como carros e imóveis, ou reduzir outros gastos. As empresas, por sua vez, podem postergar investimentos, o que limita o ritmo da atividade econômica.
Matos chama esse mecanismo de “multiplicador fiscal negativo”: em vez de estimular de forma duradoura a economia, o aumento dos gastos públicos pode contribuir para pressões inflacionárias e juros mais altos.
Oreiro, por sua vez, critica o desenho do arcabouço fiscal — o conjunto de regras que orienta a evolução das despesas e das contas públicas e substituiu o antigo Teto de Gastos. Para o professor, o modelo tenta conciliar uma meta para o crescimento dos gastos com outra para o resultado primário, sem dispor de instrumentos independentes para garantir o cumprimento de ambas.
Ele também ressalta que o pagamento de juros representa uma parcela expressiva do desequilíbrio das contas públicas. Para o economista, a discussão fiscal deveria ir além do controle dos gastos e incluir o custo de financiar o próprio endividamento do Estado.
“Combater o desequilíbrio fiscal olhando para o déficit primário, sem considerar o pagamento de juros, é como se o rabo estivesse balançando o cachorro”, argumenta Oreiro.
PIB cresce, mas brasileiro ainda aperta o cinto
Reforma tributária e independência do BC
Apesar das críticas à condução das contas públicas e dos juros, os economistas também identificam medidas do terceiro governo Lula com potencial para produzir efeitos positivos ao longo do tempo.
A reforma tributária sobre o consumo é um dos principais pontos de convergência entre eles. A mudança busca reduzir distorções no sistema de impostos, simplificar regras e melhorar as condições para a atividade econômica.
Para Ribeiro, a aprovação da reforma foi um avanço, mesmo que o texto final não corresponda à proposta ideal. “Foi a reforma possível, mas ainda assim é algo que vai trazer efeitos positivos para a economia brasileira ao longo do tempo.”
Matos também avalia positivamente a manutenção da autonomia do Banco Central e a condução da política monetária sob a presidência de Gabriel Galípolo, indicado por Lula e muito questionado pelo mercado financeiro quando seu nome surgiu como sucessor de Roberto Campos Neto.
“Ele surpreendeu muito positivamente. Ele tem o nome dele a zelar e sabe que se jogar a toalha, desanda tudo. O Banco Central é muito técnico e tem a independência”, diz a economista.
Essa avaliação, porém, contrasta com a expectativa de parte do governo de que a chegada de Galípolo ao comando do BC provocasse uma mudança na política de juros.
“Havia uma expectativa na esquerda de que, com Galípolo, a política monetária mudaria de direção. Mas ela não mudou, pelo contrário, ela ficou mais ortodoxa do que era com Campos Neto”, ressalta Oreiro.
Política industrial enfrenta obstáculos
A política industrial é outro ponto de crítica do professor da UnB. Para ele, a Nova Indústria Brasil não conseguiu elevar de forma significativa a participação da indústria de transformação no PIB nem gerar empregos industriais em escala relevante.
Em sua avaliação, os incentivos ao setor perderam força diante dos juros elevados e da valorização do real. Isso porque o custo alto dos empréstimos dificultou os investimentos das empresas, enquanto uma moeda brasileira mais valorizada tornou os produtos nacionais mais caros para compradores estrangeiros.
“Taxa de juros muito elevada e custo de capital alta faz com que as empresas não sejam competitivas no mercado internacional. A taxa real de câmbio está defasada e isso também atrapalha as exportações de produtos manufaturados”, argumenta.
Ribeiro, por sua vez, destaca medidas do governo que considera positivas na área tributária. Entre elas, estão a revisão de benefícios fiscais que, na avaliação da economista, já não se justificavam e a tributação de fundos mantidos no exterior.
“Na nossa avaliação ele acertou: o governo revisou muitas isenções tributárias que não faziam mais sentido, incluindo a questão dos fundos offshore”, diz Ribeiro.
Na política externa, Ribeiro considera positiva a tentativa de diversificar os parceiros comerciais do Brasil e reduzir a dependência dos mercados dos Estados Unidos e da China.
👉 Essa estratégia ganha peso em um cenário de incerteza no comércio internacional, marcado por novas tarifas de Donald Trump sobre parte dos produtos brasileiros e pelos conflitos na Ucrânia e Irã, que afetaram as cadeias de fornecimento.
“O governo buscou reduzir a vulnerabilidade do Brasil em relação à EUA e China, buscando outros mercados, fazendo acordos comerciais com outras regiões como UE-Mercosul. Há ainda negociações com o Japão e o Canadá”, afirma.
Polarização e frustração de expectativas
Acontece que a avaliação do governo não depende apenas dos indicadores econômicos ou das medidas adotadas. Fatores políticos e mudanças sociais também influenciam a forma como a população interpreta os resultados da gestão.
Para Matos, essas transformações mudaram a maneira como parte da população, especialmente a classe C — com renda domiciliar mensal entre R$ 2.525 e R$ 10.885 —, enxerga o papel do Estado.
Segundo a economista, há uma valorização maior do empreendedorismo e da prosperidade individual, acompanhada de resistência à ideia de depender de políticas sociais. A expansão das igrejas pentecostais também faz parte desse cenário, na avaliação dela.
O governo Lula lançou e ampliou medidas voltadas a essa parcela da população, como a retomada e a expansão do “Minha Casa, Minha Vida”, a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês e um Desenrola voltado a microempreendedores individuais (MEIs).
As iniciativas, porém, não foram suficientes para garantir ao presidente uma base de apoio mais sólida entre esses eleitores, capaz de reduzir as dificuldades na disputa.
Matos considera que o PT não compreendeu plenamente essas mudanças nem a amplitude da coalizão política que levou Lula de volta à Presidência. Para ela, a vitória eleitoral foi resultado de uma frente ampla contra Jair Bolsonaro, e não apenas do apoio ao projeto petista. Por isso, avalia que o governo deveria ter adotado uma agenda mais próxima do centro político.
“O PT acha que venceu as eleições de 2022, quando, na verdade, foi o Bolsonaro que perdeu. Quem venceu, de fato, foi a frente ampla. A agenda, do ponto de vista político e econômico, era para ser mais de centro.”
Na avaliação da economista, a polarização também dificulta que o desempenho econômico seja avaliado de forma isolada. A identificação política pode pesar mais do que os resultados de determinadas atividades ou políticas públicas.
O agronegócio é um exemplo. Embora tenha apresentado resultados que Matos considera positivos, isso não significa necessariamente que os empresários e trabalhadores do setor avaliem bem o governo.
“Não é só a economia que explica, há muito de visão de mundo. Cada um está no seu grupo e, por definição, o outro é o inimigo. Não é uma avaliação 100% numérica.”
Oreiro aponta outro fator que ajuda a explicar a avaliação do governo: a distância entre o que parte da população esperava e o que efetivamente aconteceu.
Segundo o professor, a volta de Lula à Presidência alimentou a expectativa de que a prosperidade associada aos primeiros mandatos do petista seria retomada rapidamente. A melhora dos indicadores, na avaliação dele, não foi suficiente para corresponder a essa expectativa.
“As pessoas estavam muito esperançosas que ele retornaria com a prosperidade do governo Lula 1 e 2, até do governo Dilma 1. Houve uma frustração de expectativas: melhorou, mas não o que as pessoas esperavam. Os brasileiros lembram de como era bom em 2011 e 2012, e ainda não voltaram àquele padrão.”

Fundo de ações brasileiras despenca 26% em Nova York após reeleição de Lula

Fundo de ações brasileiras despenca 19% nos EUA após reeleição de Lula
O fundo de investimentos EWZ, que acompanha o desempenho de ações de grandes empresas brasileiras na bolsa de Nova York, registrava queda de 27,35% no pré-mercado desta segunda-feira (26), após a confirmação da reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Por volta das 9H39 (horário de Brasília), o fundo era negociado a US$ 30,94, contra US$ 42,59 no fechamento de sexta-feira (23).
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A pressão também atingiu o mercado de câmbio brasileiro. O dólar abriu a sessão desta segunda-feira em forte alta e, por volta das 9h, avançava 8,65%, cotado a R$ 5,4248. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tem abertura prevista para as 10h. (Veja mais detalhes do dia no mercado).
O EWZ é um fundo negociado em bolsa, conhecido pela sigla ETF, que reúne ações de grandes empresas brasileiras.
Por ser negociado nos EUA, funciona como um dos indicadores da percepção dos investidores estrangeiros sobre o mercado brasileiro.
🔎 Como a bolsa brasileira não funciona aos domingos, o EWZ é uma das referências utilizadas para acompanhar a reação dos investidores ao resultado das eleições antes da abertura do mercado nacional.
Na noite de domingo (25), após a confirmação da vitória de Lula, o fundo já havia registrado queda de cerca de 19% nas negociações realizadas fora do horário regular do mercado, período conhecido como after hours.
O desempenho contrasta com o registrado na sexta-feira (23), quando o EWZ encerrou o pregão em alta de 1,77%.
Ações brasileiras também registram fortes perdas
O desempenho negativo não ficou restrito ao EWZ. As ações de grandes empresas brasileiras negociadas nos EUA, conhecidas como ADRs, também registravam fortes quedas no pré-mercado.
Os papéis da Petrobras registravam perdas de aproximadamente 20%. Entre os bancos, o Itaú recuava 28,5%, Bradesco caía 26,8% e Nubank perdia 24%.
Já as ações do Mercado Livre, empresa com forte presença no Brasil, apresentavam desvalorização de 10,3%.
O movimento também atingiu outros mercados. Durante as negociações na Ásia, os contratos futuros do real para novembro caíam cerca de 10%, enquanto um fundo que acompanha a bolsa brasileira e é negociado em Tóquio registrou perdas de 15%.
Em meio à reação negativa dos mercados, o banco americano JP Morgan reduziu sua recomendação para o real e os títulos públicos brasileiros após a reeleição de Lula.
A classificação passou de overweight, quando o banco recomenda uma exposição maior a determinado investimento, para marketweight, que indica uma posição mais próxima da média do mercado.
Em relatório, o analista Vinicius Moreira e sua equipe afirmaram que o resultado das eleições deve provocar uma forte revisão dos preços dos ativos brasileiros nesta segunda-feira. Isso porque parte dos investidores vinha apostando na vitória de Flávio Bolsonaro.
Segundo o JP Morgan, três fatores devem concentrar as atenções do mercado nos próximos dias:
a reação da oposição ao resultado eleitoral, especialmente após Flávio Bolsonaro não reconhecer a derrota;
a formação da equipe do novo governo;
os efeitos das oscilações do mercado sobre as decisões econômicas do presidente.
O banco também prevê que empresas mais dependentes da economia brasileira, como as dos setores de consumo e serviços, sejam mais afetadas pelas quedas na bolsa.
Já as companhias exportadoras podem apresentar um desempenho relativamente melhor, uma vez que a valorização do dólar aumenta, em reais, as receitas obtidas com vendas ao exterior.
📉 Os analistas alertaram ainda para a possibilidade de acionamento do na bolsa brasileira. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações quando o Ibovespa registra quedas muito acentuadas, com o objetivo de conter movimentos desordenados no mercado.
Por que o mercado reagiu negativamente?
Nas últimas semanas, parte dos investidores vinha apostando em uma vitória de Flávio Bolsonaro, diante da expectativa de mudanças na política econômica e de medidas mais rigorosas para controlar as contas públicas.
Esse otimismo havia impulsionado os ativos brasileiros. Na sexta-feira, a bolsa acumulava valorização de quase 7% em relação ao período anterior ao primeiro turno das eleições. No mesmo intervalo, o real havia ganhado quase 5% de valor diante do dólar.
Com a reeleição de Lula, investidores passaram a rever essas apostas, provocando uma onda de vendas de ativos brasileiros.
Uma das principais preocupações está relacionada à situação das contas públicas. O governo terá o desafio de conter o crescimento da dívida, ao mesmo tempo em que mantém os gastos com programas sociais e investimentos.
Para o mercado financeiro, a dúvida é se o presidente conseguirá equilibrar essas prioridades sem comprometer a trajetória da dívida pública.
Caso os investidores entendam que existe um risco maior de descontrole das contas, poderão exigir juros mais elevados para emprestar dinheiro ao governo. Esse movimento também pode encarecer o crédito para empresas e consumidores.
A percepção de maior risco fiscal e a possibilidade de desvalorização do real também podem dificultar novos cortes na taxa básica de juros.
O movimento ocorre depois de um período de valorização expressiva da bolsa brasileira. Em 5 de outubro, o Ibovespa havia registrado sua maior alta diária desde março de 2020. Até sexta-feira, o índice acumulava ganhos superiores a 27% em 2026.
Fundo de ações brasileiras despenca 26% em Nova York após reeleição de Lula
Energepic.com/Pexels
*Com informações da agência Reuters

Mercado financeiro baixa estimativa de inflação e de alta do PIB neste ano

O mercado financeiro reduziu sua estimativa de inflação neste ano e também passou a projetar uma alta menor da atividade econômica neste ano.
As informações fazem parte do “Boletim Focus”, divulgado nesta segunda-feira (26) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A queda na estimativa de inflação acontece apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que eleva o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação recuou de 5,22% para 5,19%;
➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 4,32% para 4,34%;
➡️ Para 2028, a previsão permaneceu em 3,75%;
➡️ Para 2029, a estimativa continuou em 3,50%.
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Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Produto Interno Bruto
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado financeiro reduziu sua estimativa de 1,83% para 1,80% na semana passada.
Com isso, os analistas estimam desaceleração da economia neste ano, visto que, em 2025, o PIB cresceu 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Para 2027, a projeção do mercado de crescimento do PIB caiu de 1,32% para 1,31%.
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
Corte dos juros
O mercado financeiro também manteve a projeção de cortes na taxa de juros neste ano.
Atualmente, a taxa está em 13,75% ao ano — após cinco cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,25% ao ano na última semana, embutindo duas novas reduções até o fim do ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado recuou de 12% para 11,75% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas caiu de 10,50% para 10% ao ano.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro baixou sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano de R$ 5,13 para R$ 5,05 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos recuou de R$ 5,22 para R$ 5,15 por dólar.

Dólar tem alta de 12% e sobe a R$ 5,60 após vitória de Lula no 2º turno; ações brasileiras caem no exterior

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em alta nesta segunda-feira (26), com um avanço de 12,25% perto das 9h40, cotado a R$ 5,6048. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O resultado do 2º turno das eleições presidenciais é o principal destaque da sessão. Com a reeleição de Lula (PT), a expectativa é que os investidores reavaliem suas projeções para os juros, o câmbio e as contas públicas. O Boletim Focus e novos dados econômicos também ficam no radar.
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▶️ A vitória de Lula (PT) muda o cenário esperado pelo mercado. Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas. Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história.
A expectativa é de forte alta do dólar e queda substancial da bolsa nesta segunda-feira. Já os juros futuros, que mostram as expectativas do mercado para as taxas de juros nos próximos meses e anos, registravam forte alta nos contratos mais longos.
▶️ Na agenda econômica, o Boletim Focus fica no centro das atenções. O documento, que reúne as projeções do mercado para a economia brasileira, ainda não incorporou uma reação do mercado à vitória de Lula no domingo (25), uma vez que as expectativas foram coletadas até sexta-feira. Dados de confiança do investidor e investimento estrangeiro direto também ficam no radar.
▶️ No exterior, investidores continuam a acompanhar os preços do petróleo, em meio aos esforços diplomáticos para aliviar a guerra entre os Estados Unidos e o Irã. Ainda assim, preocupações sobre possíveis novas interrupções no fornecimento da commodity continuam a pairar no mercado.
Em meio ao noticiário, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,40% perto das 7h40, cotado a US$ 115,09. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, tinha perdas de 1,95%, a US$ 101,26 o barril.
▶️ Ainda no cenário internacional, reuniões de juros de vários bancos centrais ficam na mira. A principal expectativa dos investidores é pela decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), prevista para quarta-feira, e que pode trazer mais uma alta de juros no país. Para o Banco Central Europeu (BCE) e o Banco do Japão (BoJ), a projeção do mercado é de manutenção das taxas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -1,57%;
Acumulado do mês: -3,50%;
Acumulado do ano: -9,03%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: -0,17%
Acumulado do mês: +10,06%;
Acumulado do ano: +27,28%.
Vitória de Lula muda projeções do mercado
A vitória do presidente Lula (PT) para um quarto mandato traz uma forte pressão de baixa nos ativos locais nesta segunda-feira (26).
Lula venceu a disputa pelo Planalto com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do senador Flávio Bolsonaro (PL), considerando quase 100% das urnas apuradas.
Como a maioria das pesquisas divulgadas nas últimas semanas apontava vantagem de Bolsonaro no 2º turno, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
A expectativa do mercado é que a B3 ative os mecanismos de interrupção de negociações logo cedo.
“O principal foco dos investidores será a condução da política fiscal no quarto mandato de Lula. A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e a credibilidade das metas fiscais serão determinantes para a confiança dos agentes econômicos”, disse Gabriel Mollo, analista da Daycoval Corretora.
Ainda assim, especialistas destacam que o governo pode tentar ganhar de volta a confiança do mercado.
“Em paralelo, a equipe econômica sinaliza uma PEC com revisão de gastos obrigatórios e busca do centro da meta fiscal”, afirmou Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM.
Pelas regras da B3, o circuit breaker é acionado quando o Ibovespa cai mais de 10% em relação ao valor de fechamento anterior, com interrupção da negociação por 30 minutos. Após reabertura, se a queda atingir 15%, o mecanismo é novamente acionado, com interrupção por uma hora. Uma terceira paralisação ocorre no caso de queda de 20%.
Ações brasileiras caem no exterior
A vitória de Lula também já se reflete nas ações brasileiras negociadas no exterior. O EWZ, principal fundo que acompanha os papéis brasileiros, negociado em Nova York, caía 26,16% antes da abertura dos mercados nesta segunda-feira (26).
Na véspera, o fundo de índice já havia recuado mais de 19%.
Risco de disputa na Justiça
Alguns profissionais também acreditam que a vitória do petista não será o único fator para a volatilidade nos mercados financeiro. Isso porque a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin de prorrogar o horário de votação das 17h às 19h, em função de problemas no deslocamento de eleitores em várias cidades, deve gerar questionamentos na Justiça.
Em pronunciamento após a derrota, Flávio não reconheceu o resultado e disse que pedirá anulação do pleito.
“Não dá para descartar discussões sobre uma eventual judicialização do resultado ou outros desdobramentos políticos. Esse ambiente de incerteza tende a impactar os preços dos ativos”, avaliou William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
Quando foi a última vez que o circuit breaker foi acionado?
A última vez que a B3 precisou ativar o mecanismo de interrupção de negócios do Ibovespa, conhecido como “circuit breaker”, foi durante a pandemia de Covid-19, em 2020. Naquele momento, o índice chegou a cair mais de 14% em um dia, em meio à preocupação com os desdobramentos do coronavírus e a deterioração dos mercados financeiros globais.
Essa, no entanto, não foi a única vez que a B3 acionou esse mecanismo. Entre os episódios marcantes em que o circuit breaker foi acionado, estão:
1997 – Crise asiática: queda de 10,19% no Ibovespa.
1999 – Desvalorização do real: Ibovespa caiu 10,29% no dia.
2008 – Crise do subprime nos EUA: houve seis interrupções em menos de um mês.
2020 – Pandemia de covid-19: o circuit breaker foi acionado seis vezes em março, algo inédito na história da bolsa brasileira.
Alguns outros momentos de forte queda do Ibovespa foram:
24/04/2020: -5,45% após saída de Sérgio Moro do Ministério da Justiça;
28/10/2020: -4,25%, com aumento dos casos de Covid-19 e proximidade das eleições nos EUA;
22/02/2021: -4,87% após intervenção do governo de Jair Bolsonaro na Petrobras;
05/12/2025: -4,31% após pré-candidatura de Flávio Bolsonaro para as eleições de 2026.
Veja as maiores altas e baixas do Ibovespa e do dólar na história
Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026.
Arte/g1
Bolsas Globais
Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta segunda-feira, conforme investidores adotavam uma postura mais cautelosa diante de uma semana movimentada, marcada por importantes reuniões de bancos centrais.
O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,19%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 0,04%. No Japão, o Nikkei recuou 0,80% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,46%. O Hang Seng, de Hong Kong, teve ganhos de 0,51%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar.
Jornal Nacional/ Reprodução

Modelo de IA da Anthropic acessou dados de eleitores dos EUA

Por que Trump quer mudar o nome da IA?
O modelo de inteligência artificial Claude, da Anthropic, contornou por conta própria o acesso pago a um portal do estado da Geórgia, nos Estados Unidos, para consultar dados de eleitores locais.
A informação, divulgada pelo Axios no domingo (25) com base em declarações de um porta-voz da Anthropic, pode reforçar o receio de que sistemas de IA escapem ao controle humano, a menos de uma semana das eleições de meio de mandato nos EUA, marcadas para 3 de novembro.
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Nesse caso, Claude acessou a contagem de votos no estado da Geórgia, onde mais de um milhão de eleitores já haviam votado antecipadamente.
O acesso ocorreu enquanto o modelo era treinado no âmbito de um projeto interno de pesquisa estatística.
Embora os dados sejam públicos, o acesso a eles é pago. Claude obteve as informações ao contornar o sistema, sem solicitar autorização a seus criadores.
Segundo um porta-voz da Anthropic, porém, Claude não acessou o sistema de registro de eleitores nem alterou ou baixou dados referentes aos votos.
Anthropic, OpenAI e Google relataram recentemente incidentes envolvendo modelos de IA que executaram, por conta própria, ações não solicitadas.
Em um dos casos, agentes de IA da OpenAI, capazes de atuar de forma autônoma, acessaram plataformas do governo dos EUA por iniciativa própria.
Diante da multiplicação de incidentes de segurança relacionados à inteligência artificial, grandes empresas de tecnologia dos EUA assinaram, no fim de setembro, na Casa Branca, um código de boa conduta não vinculante.
Anthropic é a criadora do assistente de IA Claude
Matteo Della Torre/NurPhoto via Getty Images/BBC