Presidente da Audi é acusado de violar regras da empresa ao aparecer com Trump em comício eleitoral

Trump cumprimenta Gernot Döllner, CEO da Audi.
Mike Stewart/ AP Photo
O presidente da Audi, Gernot Doellner, foi duramente criticado nesta segunda-feira (26) após aparecer ao lado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um comício de campanha na Geórgia, um dos estados em disputa nas eleições de meio de mandato.
O executivo apareceu ao lado de Trump durante o anúncio dos planos para a construção de uma fábrica de US$ 4 bilhões (R$ 20,2 bilhões), a primeira da Audi nos Estados Unidos, com capacidade para produzir cerca de 200 mil SUVs por ano. (entenda mais abaixo)
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Em comunicado, a presidente do IG Metall, principal sindicato industrial da Alemanha, e vice-presidente do conselho de supervisão da Volkswagen, controladora da Audi, Christiane Benner, afirmou que a presença de Doellner no comício foi “profundamente constrangedora”.
“A forma como Gernot Doellner se apresentou e apresentou a Audi nos EUA é profundamente constrangedora, politicamente inaceitável e indigna da empresa”, disse. Segundo Benner, a aparição violou as regras internas da Audi.
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“Doellner também está violando flagrantemente as regras de sua própria empresa, que exigem expressamente neutralidade política no período que antecede as eleições”, afirmou Benner.
Segundo a Reuters, o código de conduta proíbe compromissos públicos com partidos políticos ou candidatos, assim como patrocínio a esses eventos, nos três meses anteriores a uma eleição.
Benner ressaltou que a decisão final sobre o investimento cabe ao conselho de supervisão da Volkswagen, que já enfrenta tensões em meio à ampla reestruturação da montadora.
O primeiro-ministro do estado alemão da Baixa Saxônia, Olaf Lies, também criticou a presença de Doellner no comício de Trump.
“Um comício de campanha não pode ser o lugar certo para anunciar um investimento dessa magnitude”, disse. O estado da Baixa Saxônia é o segundo maior acionista da Volkswagen.
Nesta segunda-feira (26), o governo alemão afirmou que a presença do presidente da Audi ao lado de Trump foi uma decisão da empresa.
“Trata-se de uma decisão empresarial relativa a onde a empresa investe e, neste caso, onde o CEO da empresa atua. Não tenho mais nada a acrescentar”, disse o porta-voz adjunto do governo, Sebastian Hille.
Nova fábrica nos Estados Unidos
O presidente Donald Trump anunciou no sábado (24) que a montadora alemã Audi planeja investir US$ 4 bilhões (R$ 20,2 bilhões) na construção de sua primeira fábrica nos Estados Unidos, com capacidade para produzir 200 mil veículos por ano.
A Audi confirmou os planos para o investimento em comunicado e informou que a nova fábrica deve criar cerca de 4,5 mil empregos.
“Estou empolgado em anunciar um grande investimento na indústria automobilística no grande estado da Geórgia”, disse Trump durante o comício, a poucos dias das eleições de meio de mandato de 3 de novembro, que definirão o controle do Congresso americano.
A Audi, controlada pela Volkswagen, afirmou em comunicado que o início da construção está previsto para 2027, e o da produção, para o começo da década de 2030.

Oferta de crédito no PIX dependerá de autorização prévia do cliente, define Banco Central

O Banco Central informou nesta segunda-feira (26) que as ofertas de empréstimos dos bancos no ambiente do PIX, sistema de transferência em tempo real, depender de consentimento prévio e específico do usuário, com intervalo mínimo de 24 horas entre a habilitação e a primeira oferta.
Regulamentada por meio de resolução, a medida tem por objetivo, de acordo com a autoridade monetária, reforçar as responsabilidades das instituições financeiras na oferta e concessão de crédito. A norma entra em vigor em 1º de julho de 2027.
“O BC estabeleceu novas regras para a oferta de crédito durante a iniciação de transações PiIX com maior proteção e transparência para os usuários. As instituições deverão disponibilizar informações e ferramentas como simulador de crédito e ambiente para consulta das operações contratadas”, acrescentou a instituição.
Propaganda de crédito dos bancos
O BC também definiu, por meio de resolução, que as instituições deverão oferecer mecanismo claro para o bloqueio de propagandas e ofertas ativas. A norma entra em vigor em 31 de março de 2027.
A nova regulamentação, explicou a autoridade monetária, reforça as regras e amplia o controle dos clientes sobre propagandas e ofertas ativas de crédito que recebem.
“Para clientes em situação de maior vulnerabilidade financeira ou risco de endividamento excessivo, a proteção será reforçada: ofertas de crédito dependerão de autorização prévia, específica e inequívoca e somente poderão ter como finalidade melhorar suas condições financeiras, como em renegociações, portabilidade ou migração para produtos mais vantajosos, sem oferta de novos recursos”, informou o BC.
Painel de dívidas
Outra medida do Banco Central define que as instituições financeiras deverão oferecer aos clientes um painel de dívidas consolidadas — reunindo informações sobre suas operações de crédito e ampliando a transparência sobre o nível de endividamento e o comprometimento da capacidade de pagamento.
A norma entra em vigor em 1º de julho de 2027.
“Antes de novas contratações, deverão também apresentar simulações dos custos da operação e de seu impacto financeiro, além de alertas para situações de maior risco. Inicialmente, o painel contemplará operações mantidas na própria instituição e, posteriormente, incorporará dados do SCR e do Open Finance, permitindo uma visão mais abrangente do endividamento”, informou o Banco Central

Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa? Entenda o que o mercado tenta antecipar

Como as eleições mexem com a Bolsa e o dólar
Antes mesmo de os brasileiros irem às urnas no último domingo (25), as eleições já estavam no radar dos mercados. Desde o começo do ano, foram vários os momentos de altas e baixas no dólar, na bolsa e nas taxas de juros, associados a falas de candidatos e pesquisas eleitorais.
As movimentações refletem as apostas do mercado sobre os rumos da economia no próximo governo. Não à toa, a virada do presidente Lula (PT) no 2º turno já trouxe um forte impacto para os mercados financeiros nesta segunda-feira (26).
Acompanhe as cotações do dólar e do Ibovespa nesta segunda-feira.
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Isso porque, além de Flávio Bolsonaro (PL) ter saído na frente no 1º turno das eleições, a grande maioria das pesquisas eleitorais divulgadas nas últimas semanas também apontava vantagem do candidato do PL no 2º turno.
Assim, a reeleição do petista surpreendeu parte dos investidores, que agora recalibram suas apostas e avaliam os possíveis efeitos do novo mandato sobre juros, câmbio, Bolsa e contas públicas.
Oscilações de mercado.
Jornal Nacional/ Reprodução
“Os preços refletem expectativas sobre crescimento, inflação, juros e, no Brasil, sobretudo a trajetória fiscal”, explica o chefe de investimentos do ASA, Rogerio Freitas.
Por que as eleições mexem com dólar, bolsa e juros?
O mercado costuma sofrer grandes oscilações em momentos como esse porque tenta antecipar os efeitos que as propostas e a vitória de determinado candidato podem ter sobre a economia.
Dados históricos mostram que o Ibovespa, o dólar e os juros futuros costumam reagir com maior intensidade em períodos eleitorais e diante de notícias políticas, principalmente quando aumentam as incertezas sobre as contas públicas e os rumos da economia.
🔎 Os efeitos aparecem de formas diferentes em cada mercado. A bolsa reage às expectativas dos investidores para a economia e para o desempenho das empresas. Já o dólar responde à percepção de risco e aos movimentos de entrada e saída de recursos do país.
Recentemente, a notícia de reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo governo Lula a 17 dias das eleições presidenciais, fez o real se desvalorizar em relação ao dólar e a bolsa brasileira cair aos 185 mil pontos, com as preocupações com o impacto do aumento do benefício sobre as contas públicas.
Da mesma forma, pesquisas eleitorais divulgadas nos últimos meses, que mostraram um avanço de Flávio Bolsonaro (PL) na disputa, também tiveram repercussão nos mercados.
Em 10 de setembro, uma pesquisa que mostrou Flávio numericamente à frente de Lula (PT) em uma eventual disputa de segundo turno coincidiu com queda de 0,18% do dólar, a R$ 5,1026, e alta de 1,42% do Ibovespa, aos 188.268 pontos.
Como o g1 mostrou, a vitória de Flávio era vista pelo mercado financeiro como mais favorável ao equilíbrio das contas públicas. Dessa forma, a vitória do petista traz um momento de maior estresse aos mercados financeiros, com uma forte alta do dólar e queda da bolsa na sessão.
“A volatilidade tende a crescer perto das eleições, mas os primeiros atos do eleito pesam mais que o discurso de campanha. Mas cada eleição precisa ser lida no seu próprio contexto”, diz Freitas, do ASA.
Essa maior volatilidade, no entanto, não se limita aos períodos eleitorais. O noticiário político também pode mexer com os mercados, especialmente quando envolve medidas capazes de afetar a inflação, os juros e a atividade econômica.
“Há períodos em que, mesmo diante de escândalos políticos, outros fatores pesam mais, como o fluxo de capital estrangeiro para o país”, afirma Alvaro Maia, banker da StoneX. O analista lembra que o Mensalão, em 2006, teve forte repercussão política, mas influência limitada sobre os mercados.
“Isso porque havia mais dinheiro circulando nos mercados internacionais, os bancos no exterior estavam mais dispostos a emprestar recursos, as commodities estavam em alta e as ações brasileiras eram negociadas a preços relativamente baixos em relação aos resultados das empresas. Então, a política acabou ficando um pouco em segundo plano”, explica Maia.
Abaixo, o g1 mostra o histórico das cotações do dólar e do Ibovespa desde 1994, com destaque para alguns períodos de maior oscilação. Em seguida, confira dicas para investir em momentos de maior volatilidade.
Histórico do dólar e do Ibovespa de 1994 a 2026.
Arte/g1
Como investir em momentos de volatilidade?
Na hora de investir, uma das recomendações é recorrer à renda fixa para atravessar períodos de maior volatilidade com mais segurança.
“Em um momento em que temos juros em dois dígitos, a renda fixa está especialmente atrativa. São várias opções, com destaque para os títulos públicos prefixados ou para os fundos de renda fixa”, comenta Maia.
Já Freitas, do ASA, afirma que o melhor a fazer é “manter a estratégia de longo prazo e fazer ajustes na carteira sem agir por impulso”.
“Grande parte do resultado vem da forma como os investimentos são distribuídos. Diversificar, inclusive no exterior, ajuda a reduzir riscos, enquanto uma reserva de fácil acesso evita que o investidor precise vender ativos em momentos de queda. O tempo é o maior aliado”, diz.
Outro cuidado é adequar a carteira ao perfil de cada investidor e à sua tolerância ao risco. Quem tem um perfil mais conservador, por exemplo, tende a concentrar uma parcela maior dos recursos em investimentos menos sujeitos a oscilações. Já quem aceita correr mais riscos pode ter uma fatia maior em ativos como ações.