
Preço do vinho europeu caiu pouco após acordo UE-Mercosul, mas pode recuar 20% até 2034, diz executiva da World Wine
Kelsey Knight/Unplash
O preço do vinho europeu ainda não registra uma queda expressiva após a entrada em vigor, em caráter provisório, do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia.
A expectativa é que essa redução se intensifique nos próximos anos e alcance cerca de 20% até 2034, quando a tarifa de importação será totalmente eliminada.
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Na World Wine, uma das maiores importadoras de vinhos do Brasil, os preços para o consumidor caíram entre 2% e 2,5% em maio, quando a alíquota de importação dos vinhos europeus recuou de 27% para 24%.
O acordo prevê uma redução gradual da tarifa de importação. A próxima etapa reduzirá a alíquota para 21% em 1º de janeiro de 2027. (veja o cronograma abaixo)
“O que o acordo fez foi criar uma trajetória clara de redução, o que é muito bom porque nos permite planejar a precificação ao longo do tempo”, afirma Juliana La Pastina, CEO do Grupo La Pastina, dono da World Wine.
Veja como ficam as taxas de importação de vinhos europeus e de champanhe até 2034.
Arte/g1
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Efeito ‘tímido’
Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, consultoria especializada no mercado de vinhos, avalia que a redução da alíquota de importação de 27% para 24% ainda tem impacto limitado sobre os preços.
Segundo ele, a reposição dos estoques com a tarifa de 21%, prevista para janeiro, deve tornar a redução de preços mais perceptível para o consumidor.
“O mercado brasileiro enfrenta atualmente um cenário de estoques elevados, compostos por produtos adquiridos sob uma taxa de câmbio significativamente superior à atual”, afirma.
Galtaroça afirma ainda que as margens de lucro de importadores, distribuidores e varejistas já não têm espaço para novos reajustes.
Segundo ele, o alto volume de estoques, a ampla oferta de marcas e a redução dos investimentos do varejo, em razão do alto custo do crédito, aumentaram a concorrência entre fornecedores e dificultam novos cortes de preços.
Crescimento do interesse por vinhos europeus
Apesar dos desafios enfrentados pelo setor, Juliana La Pastina afirma que os dados da World Wine mostram um aumento do interesse dos brasileiros por vinhos europeus.
“Na Europa, no nosso caso, a gente tem a França como a origem de maior volume de importação, mas temos sentido cada vez mais um interesse maior por vinhos da Espanha, Itália, Portugal”, afirma.
A World Wine atua tanto na venda direta ao consumidor quanto no abastecimento de restaurantes e supermercados.
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