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Irã transforma funeral de Ali Khamenei em demonstração de poder
A OPEP+, aliança formada pelos países da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP) e produtores aliados, como a Rússia, concordou com um novo aumento nas metas de produção a partir de agosto, informou o grupo em comunicado divulgado neste domingo (5).
A decisão amplia a oferta global em um momento em que os preços do petróleo recuam, impulsionados pela reabertura gradual do Estreito de Ormuz para as exportações.
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O grupo concordou, durante uma reunião online, em elevar as cotas de produção em 188 mil barris por dia a partir de agosto, além dos aumentos de mesmo volume aprovados para junho e julho.
Os sete principais membros da OPEP+, grupo que reúne a OPEP e produtores aliados, como a Rússia, elevaram suas cotas de produção entre abril e julho em quase 800 mil barris por dia.
No entanto, esse aumento permaneceu, em grande parte, apenas no papel devido à guerra entre EUA e Israel contra o Irã, que fechou o Estreito de Ormuz ao tráfego de petroleiros de alguns dos principais integrantes da OPEP+, incluindo Arábia Saudita, Kuwait e Iraque.
Sinais de recuperação
A produção da OPEP+ caiu para 33,13 milhões de barris por dia em maio, segundo dados da OPEP, ante 42,77 milhões de barris por dia em fevereiro.
A recuperação começou em junho, impulsionada pelos esforços dos EUA para ajudar os Emirados Árabes Unidos e outros integrantes da OPEP+ a ampliar as exportações de petróleo. Ainda assim, a produção segue abaixo dos níveis registrados antes da guerra.
Apesar das persistentes interrupções no fornecimento, os preços do petróleo voltaram aos níveis pré-guerra, pressionados pela queda das importações chinesas, pelo aumento das exportações de produtores de fora do Oriente Médio e por uma liberação recorde de estoques estratégicos globais coordenada pela Agência Internacional de Energia.
“O grupo dos sete continuou a reverter seus cortes de produção, como amplamente esperado”, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo. “O foco no curto prazo permanecerá em quantos petroleiros conseguirão cruzar o Estreito de Ormuz e na rapidez com que a demanda e as importações chinesas de petróleo bruto se recuperarão.”
Um memorando de entendimento entre Washington e Teerã para encerrar a guerra também ajudou a convencer os investidores de que a oferta acabará retornando aos níveis normais.
Iraque pressiona por cotas maiores
🔍Na sexta-feira (3), o petróleo Brent era negociado próximo de US$ 72 por barril, abaixo dos picos recentes de mais de US$ 120 e de volta aos níveis observados pouco antes do ataque de EUA e Israel ao Irã, em 28 de fevereiro.
Além de definir as metas de produção, a OPEP+ também enfrenta outros desafios após a saída dos Emirados Árabes Unidos do grupo e a sinalização do Iraque de que pretende obter cotas maiores.
A OPEP+ reúne 21 membros, entre eles o Irã. Nos últimos anos, porém, apenas sete países — além dos Emirados Árabes Unidos, antes de sua saída — participaram da gestão mensal da produção.
Esses sete produtores — Arábia Saudita, Rússia, Iraque, Kuwait, Argélia, Cazaquistão e Omã — vêm aumentando a produção como parte da reversão gradual de um corte de oferta de 1,65 milhão de barris por dia, acordado em 2023, quando o grupo ainda contava com os Emirados Árabes Unidos.
Os Emirados Árabes Unidos deixaram a aliança no fim de abril por desejarem alinhar sua capacidade de produção de forma mais próxima à produção efetiva, sem as restrições impostas pelo grupo.
A partir de agosto, considerando a saída dos Emirados Árabes Unidos em 1º de maio, os sete principais membros ainda terão cerca de 379 mil barris por dia do corte original para devolver ao mercado, segundo cálculos da Reuters.
Com o aumento de agosto já definido, o grupo terá revertido completamente o corte de 2023 caso aprove mais um aumento de volume semelhante para setembro, na próxima reunião, marcada para 2 de agosto.
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JN
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Brasileiros vão aos EUA tentar barrar tarifaço de Trump
Começam nesta segunda-feira (6) as audiências públicas promovidas pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), etapa considerada decisiva na investigação comercial americana que propõe uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros.
As audiências fazem parte do processo, baseado na Seção 301 da legislação comercial americana, e permitem que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem seus argumentos antes da decisão final dos Estados Unidos. (saiba mais sobre as audiências)
🔎 O USTR é órgão é responsável por formular a política comercial dos Estados Unidos. Também conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas como a imposição de tarifas.
Representantes da indústria e do agronegócio brasileiros estarão entre os participantes. Eles pretendem convencer o governo americano de que a sobretaxa prejudicaria não apenas exportadores brasileiros, mas também empresas, consumidores e cadeias produtivas dos EUA.
Entre os participantes estão a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) e a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), além de representantes dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.
Enquanto isso, equipes técnicas dos governos dos dois países devem se reunir ainda nesta semana para alinhar os preparativos de uma última rodada de negociações de alto nível antes de 15 de julho, prazo em que Washington decidirá se avança com a imposição das tarifas.
Tarifaço de Trump: veja como café, mel e pescado vão tentar escapar das novas taxas
A defesa da indústria brasileira
A estratégia da indústria brasileira é mostrar que as economias dos dois países são fortemente integradas e que a tarifa também elevaria custos para empresas americanas.
▶️ Indústria de transformação
A Fiesp, que representa as indústrias paulistas, defenderá que a tarifa de 25% não tem justificativa técnica nem econômica e pode prejudicar empresas e consumidores de ambos os países.
Em São Paulo, os segmentos mais expostos são justamente os de maior valor agregado, como máquinas e equipamentos, autopeças, alimentos industrializados, madeira, móveis e outros produtos manufaturados.
Segundo estimativas da CNI, caso a medida seja adotada:
31,6% das exportações brasileiras para os Estados Unidos passarão a pagar tarifa total de 37,5% (soma dos 25% da investigação comercial com outros 12,5% de outra acusação americana, de “falha no combate ao trabalho forçado” no país);
35,2% de toda a pauta exportadora brasileira para o mercado americano será atingida pela nova sobretaxa;
Somadas às tarifas já existentes da Seção 232, 54,1% das exportações brasileiras para os Estados Unidos ficarão sujeitas a algum tipo de tarifa adicional.
Durante a audiência, a entidade também pretende rebater quatro pontos da investigação dos EUA:
Propriedade intelectual: defenderá que o Brasil reduziu o estoque de patentes no INPI, reforçou o combate à pirataria e ampliou ações de fiscalização;
Tarifas de importação: afirmará que os acordos comerciais brasileiros têm alcance limitado e que cerca de metade das importações vindas dos EUA já entra no país com tarifa zero ou reduzida por regimes especiais;
Desmatamento: argumentará que o crescimento da produção agrícola decorre principalmente de ganhos de produtividade e tecnologia, e não da expansão sobre áreas de floresta;
Relação bilateral: defenderá maior integração comercial e cooperação técnica entre Brasil e Estados Unidos, em vez da criação de novas barreiras.
Fiesp: ‘Tarifa não faz sentido econômico’
Roberto Azevêdo, Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp
Divulgação
O presidente do Conselho Superior de Comércio Exterior da Fiesp, Roberto Azevêdo, afirmou ao g1 que a entidade pretende demonstrar que as acusações feitas pelo USTR não se sustentam.
“A prática brasileira não é discriminatória, não é desleal nem ilegal do ponto de vista das regras internacionais do comércio, e não prejudica as empresas americanas”, diz Azevêdo.
Na investigação, o governo americano questiona os acordos comerciais do Brasil com países como México e Índia, alegando que eles concedem tarifas preferenciais a produtos de setores específicos.
O governo brasileiro rebate, afirmando que esses acordos são legítimos, seguem as regras da OMC e não podem ser considerados prática passível de sanções comerciais.
Azevêdo, que também é ex-diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), ressalta que a tarifa proposta também não produzirá os efeitos pretendidos pelos EUA.
“Essa tarifa não faz sentido do ponto de vista econômico. Ela não vai resolver os problemas apontados pelo USTR. Pelo contrário, vai aumentar os custos das cadeias produtivas no Brasil e nos Estados Unidos, elevar os preços para o consumidor e prejudicar as empresas dos dois países.”
Segundo Azevêdo, o caminho passa por ampliar a negociação entre os governos. “O governo brasileiro poderia ser ainda mais proativo e criativo na busca de soluções. Negociar não é entreguismo nem perder soberania. É buscar ganhos recíprocos para os dois lados.”
O Brasil encaminhou, na quarta-feira (1º), uma resposta aos EUA sobre a investigação aberta pelo governo Donald Trump.
No documento, assinado pelo chanceler Mauro Vieira, o Brasil afirma que as críticas do governo americano ao Pix e a decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) não têm relação com comércio, mas com divergências sobre políticas internas.
Roberto Azevêdo afirma que, embora a defesa técnica apresentada pelo Brasil seja consistente, a solução depende de articulação política. “Não basta apresentar argumentos jurídicos, é necessário que as instâncias políticas estejam constantemente envolvidas para buscar uma solução”.
CNI defende diálogo para evitar prejuízos aos dois países
Complexo Industrial e Portuário do Pecém
Divulgação/CNI
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defenderá, durante a audiência, que a tarifa adicional de 25% não tem justificativa jurídica, econômica ou estratégica e pode prejudicar empresas brasileiras e americanas.
Em entrevista ao g1, a gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, Constanza Negri, afirmou que não há evidências de que empresas americanas sejam discriminadas no Brasil.
“Na nossa perspectiva, fica claro que essas medidas não têm justificativa em nenhum dos três planos: jurídico, econômico ou estratégico”, afirmou.
Segundo ela, a relação comercial entre os dois países é complementar e a sobretaxa elevaria custos para toda a cadeia produtiva.
“Qualquer medida que encareça ou crie barreiras para essa relação trará prejuízos não apenas para o Brasil, mas também para os Estados Unidos”, disse.
A executiva também afirmou que a indústria defende a priorização das negociações entre os governos e alertou que a principal preocupação do setor é a incerteza gerada pelas mudanças sucessivas na política comercial dos EUA.
“O setor privado vem sofrendo não apenas pela queda das exportações, mas também pela grande imprevisibilidade. As empresas não sabem a qual tarifa estarão sujeitas”, afirmou.
▶️ Máquinas e equipamentos
Divulgação
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos
A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) pedirá a exclusão do setor de uma eventual tarifa adicional de 25%, argumentando que a relação comercial entre Brasil e EUA é baseada em cadeias produtivas integradas, e não em concorrência direta.
Os Estados Unidos são o principal destino das exportações brasileiras de máquinas e equipamentos e concentram cerca de um quarto das vendas externas do setor. Em 2025, no entanto, as tarifas impostas pelo governo americano levaram a uma queda de mais de 9% nessas exportações.
🛺 Além da tarifa global de 10% em vigor desde fevereiro de 2026, parte dos produtos também está sujeita às tarifas da Seção 232, aplicadas ao aço e ao alumínio. Antes de todo o tarifaço, a maior parte das máquinas brasileiras entrava no mercado americano com taxa zero.
A principal linha de defesa da Abimaq será mostrar que uma sobretaxação também prejudicaria a indústria americana.
Segundo a entidade, 82% das exportações brasileiras de máquinas para os Estados Unidos ocorrem entre empresas do mesmo grupo econômico, como uma matriz americana e sua filial no Brasil.
Para a Abimaq, isso mostra que as cadeias produtivas dos dois países são altamente integradas e que uma sobretaxa elevaria os custos da própria indústria americana, que depende desses componentes e equipamentos.
Ao g1, a diretora de Comércio Exterior da Abimaq, Patrícia Gomes, afirmou que muitos equipamentos são desenvolvidos sob encomenda, passam por processos de certificação e exigem relacionamento de longo prazo entre fabricantes e clientes.
“É muito difícil substituir um fornecedor de máquinas e equipamentos. Estamos falando de projetos de médio e longo prazo, com equipamentos certificados e desenvolvidos em conjunto com os clientes.”
Segundo a executiva, uma ruptura nessas cadeias elevaria os custos da própria indústria americana e afetaria investimentos em setores estratégicos, como construção, logística, mineração, energia e transporte.
Apesar de defender a exclusão integral do setor, a Abimaq reconhece que o cenário ainda é incerto e considera mais provável a ampliação da lista de produtos isentos. (saiba mais)
“Nosso objetivo é buscar a exclusão do setor de máquinas e equipamentos. Mas, diante das incertezas, também trabalhamos para ampliar a lista de exceções caso as tarifas sejam mantidas.”
▶️ Siderurgia
O Sindicato da Indústria do Ferro no Estado de Minas Gerais (Sindifer), que representa as empresas produtoras de ferro-gusa no principal estado exportador do produto no país, pedirá a exclusão do ferro-gusa brasileiro da tarifa.
⚙️ O ferro-gusa é a matéria-prima usada na fabricação de aço e de peças de ferro fundido. O produto abastece siderúrgicas e fundições e é considerado um insumo essencial para diversos segmentos industriais.
A entidade afirma que o produto é essencial para siderúrgicas americanas, não tem relação com os temas investigados pelo USTR e é difícil de ser substituído.
Também destaca que cerca de 83% das exportações brasileiras de ferro-gusa têm como destino os EUA e que a produção nacional utiliza carvão vegetal de florestas plantadas, reduzindo emissões de carbono.
▶️ Agronegócio
Café solúvel está entre os produtos fora da lista de isenção e que podem ser taxados.
Consciência Café. – Divulgação.
No caso do agronegócio, três segmentos brasileiros — mel, café solúvel e pescados — participam das audiências nos Estados Unidos para tentar evitar a nova tarifa proposta por Trump.
A estratégia central é demonstrar que a medida pode pressionar preços ao consumidor, elevar a inflação e também afetar cadeias produtivas dentro da própria economia americana.
Na defesa do setor, participarão entidades como:
Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA);
Sociedade Rural Brasileira;
União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA);
Associação Brasileira da Indústria do Arroz (Abiarroz);
Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé);
Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (ABICS);
União Nacional do Etanol de Milho (UNEM);
Associação Brasileira dos Exportadores de Mel.
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que representa mais de 5 milhões de produtores rurais, afirma que as tarifas prejudicam uma relação comercial considerada complementar entre os dois países.
Em manifestação enviada ao USTR, a entidade sustenta que os acordos comerciais brasileiros com países como México e Índia seguem as regras da OMC e não causam prejuízos aos Estados Unidos.
Segundo a CNA, esses acordos representam cerca de 1,9% das importações brasileiras, enquanto os Estados Unidos seguem como o segundo maior fornecedor do mercado brasileiro.
🔎 A CNA também contesta a associação entre o crescimento do agronegócio e o desmatamento ilegal, afirmando que o aumento da produção ocorreu principalmente por ganhos de produtividade e inovação tecnológica. Como exemplo, cita que, entre 2005 e 2026, a produção de grãos cresceu 213%, enquanto o desmatamento na Amazônia caiu 79%.
Como alternativa às tarifas, a entidade defendeu o fortalecimento da cooperação bilateral em áreas como agricultura sustentável, biocombustíveis e facilitação do comércio, destacando também a dependência da agropecuária brasileira de insumos importados dos Estados Unidos.
Se os herdeiros forem maiores e capazes e houver cessão de direitos, a homologação do acordo dependerá apenas da verificação de sua regularidade e da livre manifestação de vontade das partes.
Especialistas avaliam que, assim como no tarifaço de 2025, existe espaço para o Brasil negociar nesta nova ameaça tarifária dos EUA.
Jornal Nacional/ Reprodução
Pelo menos três setores do agronegócio estão nos EUA para tentar reverter a nova rodada de tarifas propostas por Donald Trump contra produtos brasileiros, em uma audiência pública que acontece nesta segunda-feira (6), em Washington.
É o caso de empresas e associações ligadas à exportação de café solúvel, pescados e mel, que não estão entre os principais volumes vendidos aos Estados Unidos, mas acabaram entrando na ofensiva de Trump para ampliar seu poder de negociação em outras frentes.
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“Sabemos que tudo isso faz parte de uma negociação mais ampla. Os Estados Unidos buscam um acordo em temas como minerais críticos, terras raras, PIX, big techs e outros assuntos”, avaliou Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Em 1º de junho, Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX. No dia seguinte, ele anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falhas no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil.
Em ambos os casos, uma longa lista de exceções foi apresentada para evitar uma alta de preços no mercado americano.
A carne bovina, um dos produtos mais exportados pelo Brasil aos EUA, entrou na lista, mesmo sendo alvo de críticas e investigações abertas pelo presidente americano. Uma delas apura se frigoríficos brasileiros que produzem nos EUA estão concentrando mercado e contribuindo para uma disparada de preços da carne.
Durante o mês de junho, o g1 conversou com empresas e associações que estão nos EUA para defender o Brasil contra a ameaça de novas sobretaxas. A seguir, veja como serão feitas as defesas de cada setor.
🍯 Mel vai mostrar que os EUA não têm como substituir o Brasil
☕ Café solúvel mira impacto sobre preços e empregos
🐟 Pescados destacam sustentabilidade e segurança alimentar
Mel vai mostrar que os EUA não têm como substituir o Brasil
O mel será defendido tanto por importadores americanos como por brasileiros, representados pela Associação Brasileira de Exportadores de Mel e pela Lambertucci Trade Solution, empresa especializada em promover o produto brasileiro em outros países.
Segundo a diretora da companhia, Joelma Lambertucci de Brito, a defesa vai destacar os seguintes pontos:
que o Brasil é o maior fornecedor de mel para os EUA: Cerca de 83% do mel orgânico importado pelos EUA é brasileiro. Considerando apenas o mel convencional, 75% das importações americanas têm origem no Brasil.
que não há concorrência com o produtor americano no mel orgânico: enquanto a apicultura americana é voltada principalmente para a polinização e para o mel convencional, o Brasil reúne condições ideais para produzir mel orgânico.
o impacto direto para o consumidor: a imposição de tarifas deve provocar aumento dos preços e até falta de mel orgânico nas prateleiras americanas. Não há produção doméstica suficiente para suprir a demanda.
a dificuldade de substituição: a conversão de uma área de produção convencional para orgânica exige, no mínimo, um ano de transição. Isso significa que os EUA não conseguiriam substituir o fornecimento brasileiro por outro país em curto prazo.
o risco de prejuízos e perda de empregos nos EUA: esse ponto da defesa contará com o depoimento de importadores americanos, que têm maior peso político.
Brito foi uma das pessoas que fez um trabalho de lobby nos EUA para explicar a importância do mel brasileiro para o mercado americano.
Ela participou de reuniões com o Departamento de Agricultura (USDA) e o Escritório de Comércio dos EUA (USTR) e, nessas conversas, percebeu um enorme desconhecimento por parte do governo americano sobre o peso do mel brasileiro nos EUA.
Ela conta que ouviu frases como: “eu consumo esse mel todo dia e não sabia que vinha do Brasil.”
Segundo Brito, esse desconhecimento acontece porque o setor e o governo brasileiros falharam em divulgar a importância do mel brasileiro para esse mercado. “Não adianta simplesmente ser o maior fornecedor, você tem que realmente propagar”, comenta.
“Vamos crer que a gente vai conseguir essa isenção. Mas se a gente não conseguir, vamos continuar nosso trabalho de lobby com os formadores de opinião em Washington. Isso deve ser contínuo para melhorar a rede de apoio ao mel brasileiro”, conclui.
Café solúvel mira impacto sobre preços e empregos
Dentre os cafés, o solúvel é o único que ficou de fora da lista de isenções do tarifaço. Tanto o café em grão, como o torrado e o moído estão protegidos caso Trump siga em frente com as taxas.
O setor será defendido pela própria Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics), com o apoio da BMJ Consultores Associados.
Dentre os pontos da defesa, estão:
a dependência do café solúvel brasileiro: os EUA produzem apenas 6% do café solúvel que consomem. O restante é importado, principalmente do Brasil e do México, diz a Abics.
o peso do Brasil nas importações: em 2024, antes do tarifaço, o Brasil respondeu por 37% de todo o café solúvel importado pelos Estados Unidos.
o impacto na inflação nos EUA: sem uma produção interna forte, as tarifas devem elevar o preço do café solúvel para o consumidor americano.
a importância para a economia americana: parte da agregação de valor do café solúvel é feita nos EUA: são as empresas de lá que envasam e fazem a distribuição, o que gera emprego.
Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Abics, diz que as tarifas sobre o café solúvel não têm nenhuma lógica, justamente pelo fato de o Brasil não ser concorrente dos americanos neste setor.
Ele conta ainda que um fato curioso é que o café solúvel aromatizado foi beneficiado pelas isenções, enquanto a versão tradicional ficou de fora. “Acreditamos que possa ter ocorrido alguma falha na classificação dos códigos, porque não faz sentido”, afirma.
Outra hipótese levantada pela Abics é a de que os americanos estejam tentando reindustrializar o setor.
“Mesmo que os EUA decidam produzir mais café solúvel, ainda precisariam importar a matéria-prima. Além disso, trata-se de uma indústria que não leva menos de quatro ou cinco anos para ser instalada. Esse, inclusive, é um dos argumentos que estamos apresentando”, afirma.
Pescados destacam sustentabilidade e segurança alimentar
A defesa do pescado brasileiro será feita pela maior associação de pescados dos EUA, a National Fisheries Institute (NFI), conta Eduardo Lobo, presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Pescado (Abipesca).
Caso as novas taxas sejam aplicadas, o setor pode ser tarifado em 37,5% nos Estados Unidos.
Segundo ele, a apresentação deve repetir, em grande parte, os pontos levados ao governo americano no ano passado, quando o setor enfrentou tarifas de 50%.
Brasil não concorre com os EUA: a tilápia é o principal exemplo, já que os EUA dependem das importações para abastecer o mercado.
Fornecedor estratégico: segundo o setor, o Brasil funciona como um fornecedor de segurança para os EUA, que hoje dependem fortemente da China para suprir parte da demanda por tilápia.
Padrões sanitários, trabalhistas e ambientais: a defesa destacará que a produção brasileira segue normas internacionais, sem trabalho infantil ou escravo.
Produção de baixo impacto ambiental: o setor também vai ressaltar que a pesca brasileira é predominantemente artesanal, realizada por pequenas embarcações familiares, o que reduz os impactos ambientais em comparação com a pesca industrial em larga escala.
O g1 procurou a National Fisheries Institute para saber mais detalhes sobre a defesa, mas não teve resposta até a publicação desta reportagem.
Em depoimento ao Escritório de Comércio dos EUA (USTR) no dia 5 de maio, o diretor jurídico da entidade, Bob DeHaan, pediu ao governo Trump que não taxasse a importação de pescados. Na ocasião, ele disse que a medida, caso adotada, vai pressionar a inflação aos consumidores americanos.
“Os estoques pesqueiros dos EUA já são explorados em seu limite sustentável e, por questões climáticas e geográficas, muitas vezes não há substitutos produzidos no próprio país. Por isso, os fornecedores americanos precisam recorrer ao mercado internacional”, disse DeHaan, segundo nota publicada pela NFI.
O presidente da Abipesca reforça que o Brasil não é o principal fornecedor de pescados para os Estados Unidos. A liderança desse mercado é ocupada pela China.
Atualmente, os produtos brasileiros respondem por cerca de 5% de todas as importações americanas de pescado. Nos últimos anos, porém, importadores dos EUA vinham ampliando as compras do Brasil na tentativa de reduzir a dependência dos fornecedores chineses, diz Lobo.
Repetitivo vai definir se precatório e RPV podem ser expedidos antes do trânsito em julgado
IBGE: veja cargos, salários, datas e como se inscrever em seleção com mais de 8 mil vagas
As inscrições para o processo seletivo simplificado do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para o 12º Censo Agropecuário, Florestal e Aquícola foram prorrogadas até a próxima quinta-feira (9), às 14h.
Os interessados devem se inscrever exclusivamente pela internet, no site da banca organizadora, o Instituto Brasileiro de Formação e Capacitação (IBFC). A taxa de inscrição é de R$ 53.
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O edital prevê isenção da taxa para candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e para doadores de medula óssea que atendam aos critérios estabelecidos.
Ao todo, o processo seletivo oferece 8.238 vagas temporárias distribuídas em cinco cargos de nível médio, com salários que variam de R$ 2.128 a R$ 4.008, além de benefícios.
As oportunidades estão distribuídas por todo o país e abrangem atividades administrativas, operacionais, de supervisão e de suporte tecnológico relacionadas à realização do levantamento.
Confira abaixo a relação de cargos, salários e número de vagas:
Além dos salários, os contratados terão direito a auxílio-alimentação de R$ 1.192, auxílio-transporte, auxílio pré-escolar, férias proporcionais e 13º salário proporcional.
Os aprovados serão contratados por tempo determinado para atuar na coleta de informações, supervisão de equipes, suporte administrativo e apoio tecnológico das operações censitárias.
🔎 O Censo Agropecuário é uma das principais pesquisas realizadas pelo IBGE e tem como objetivo reunir informações sobre a estrutura e a produção dos estabelecimentos rurais brasileiros. Os dados levantados ajudam a orientar políticas públicas, programas de financiamento e ações voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário.
Quem pode participar?
Todos os cargos exigem ensino médio completo. Além disso, os candidatos devem atender aos seguintes requisitos:
ter, no mínimo, 18 anos na data da contratação;
estar em dia com as obrigações eleitorais;
estar em dia com as obrigações militares, no caso dos candidatos do sexo masculino;
possuir aptidão física e mental para exercer a função;
atender aos demais requisitos previstos no edital.
Para os cargos de Agente Censitário Supervisor (ACS), Agente Censitário Regional (ACR) e Agente Operacional Regional (AOR), também é exigida Carteira Nacional de Habilitação (CNH) categoria B válida.
Como será a prova?
A seleção contará com uma prova objetiva de múltipla escolha composta por 60 questões. Os conteúdos cobrados incluem:
Língua Portuguesa;
Raciocínio Lógico;
Ética no Serviço Público;
Geografia;
conhecimentos específicos de cada cargo.
A prova terá duração de quatro horas e será aplicada no município escolhido pelo candidato durante a inscrição, no dia 27 de setembro.
Para ser aprovado, será necessário obter pelo menos 18 pontos no total da avaliação e acertar ao menos uma questão em cada disciplina exigida para a função pretendida.
O processo seletivo prevê reserva de vagas para grupos específicos:
25% para pessoas pretas e pardas;
5% para pessoas com deficiência;
3% para indígenas;
2% para quilombolas.
Os candidatos que optarem pelas vagas reservadas concorrerão simultaneamente na ampla concorrência e nas listas específicas de cotas, desde que cumpram os procedimentos de validação previstos no edital.
Quanto tempo dura o contrato?
Os aprovados serão contratados inicialmente por até 12 meses para atuar nas operações do Censo Agropecuário 2026.
Os contratos poderão ser prorrogados de acordo com as necessidades do IBGE e o andamento dos trabalhos de coleta de dados, respeitando o limite máximo de 48 meses previsto na legislação federal para contratações temporárias.
Durante o período de trabalho, os contratados passarão por avaliações periódicas de desempenho. Entre os critérios observados estão assiduidade, produtividade, cumprimento de prazos e qualidade das atividades executadas.
O desligamento poderá ocorrer caso o profissional apresente desempenho considerado insuficiente.
Cadastro Reserva
Os candidatos aprovados além do número inicial de vagas formarão cadastro de reserva e poderão ser convocados posteriormente, de acordo com as necessidades do instituto ao longo da execução do Censo Agropecuário.
Na prática, isso significa que candidatos fora das vagas imediatas ainda podem ser chamados durante a vigência da seleção, caso surjam novas demandas ou desistências.
Cronograma
09 de julho — Encerramento das inscrições
21 de setembro — Divulgação do cartão de convocação da prova
27 de setembro — Aplicação da prova objetiva
28 de setembro — Divulgação do gabarito preliminar
3 de novembro — Resultado definitivo da prova objetiva
18 de dezembro — Resultado final da seleção
IBGE: vagas para profissionais em todo o Brasil
Tânia Rêgo/Agência Brasil/ARQUIVO
Estatuto da Pessoa com Deficiência: mais de uma década consolidando direitos