Empresários de EUA e Brasil defendem ampliar comércio em áreas como data centers, automóveis e minerais

Em uma carta pública endereçada a autoridades dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e de Donald Trump, associações que representam empresários brasileiros e americanos defenderam a ampliação do comércio entre os dois países em diversas áreas, entre as quais data centers, automóveis e minerais críticos.
A carta foi enviada pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (AmCham) e pela US Chamber of Commerce no contexto em que autoridades do Brasil e dos Estados negociam um eventual acordo em torno do tarifaço sobre produtos brasileiros vendidos no mercado americano. O prazo para o acordo é 15 de julho.
Estimativas da CNI dão conta de que, se implementado, o tarifaço vai atingir cerca de 4,2 mil produtos brasileiros exportados para o mercado americano, o que representa US$ 15 bilhões.
Itamaraty mapeia mais de 40 empresas americanas contra tarifaço
Nesse cenário, os empresários defendem, por exemplo:
➡️ampliar o acesso em alguns mercados (entre os quais segurança energética e data centers);
➡️aprofundar a cooperação regulatória em setores como o automotivo e o farmacêutico);
➡️apoiar uma moratória da OMC (transmissões eletrônicas);
➡️acelerar o exame de patentes;
➡️cooperação em minerais críticos.
“Encorajamos ambos os governos a alcançar entendimentos concretos no curto prazo, que contribuam para uma solução negociada no âmbito das investigações da Seção 301 envolvendo o Brasil e evitem a proposta de aplicação de tarifas adicionais sobre determinados produtos brasileiros”, afirma um trecho da carta.
“O avanço […] por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”, concluíram as entidades.
O documento é endereçado aos ministros Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), além de Marco Rubio (secretário de Estado americano) e Jamieson Greer (representante comercial da Casa Branca).
Em resposta à carta, o Ministério das Relações Exteriores afirmou: “Agradecemos as sugestões do setor privado e continuamos empenhados na negociação e no diálogo com as autoridades norte-americanas, diálogo que já dura um ano, em defesa do interesse nacional.”
Tarifas dos EUA podem ter efeito imediato apesar de prazo de negociação
Anadolu via Getty Images
À espera da decisão
O Brasil tenta convencer o UTSR a rever a proposta de aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
Há expectativa de reuniões entre equipes brasileiras e americanas antes do dia 15 de julho, data limite para o órgão decidir sobre as tarifas.
Nesta semana, o órgão abriu a fase de audiências públicas da investigação, reunindo representantes de associações empresariais brasileiras e americanas dos setores de café, arroz, açúcar, etanol de milho, ferro-gusa, rochas ornamentais, madeira, papel, calçados, mel e propriedade intelectual.
Para o presidente da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham), Abrão Neto, “a aplicação de novas tarifas seria prejudicial para ambas as economias, com impactos negativos para o setor produtivo e os consumidores dos Estados Unidos, além de perda de competitividade das exportações brasileiras para um mercado crucial”.
Neto mencionou, ainda, que a participação dos Estados Unidos no comércio total do Brasil caiu para 11,2% nos cinco primeiros meses de 2026, o menor nível já registrado. As importações brasileiras provenientes dos Estados Unidos também recuaram 11% no mesmo período.
“Essas tendências sugerem que tarifas adicionais podem reduzir ainda mais a presença comercial e a influência econômica dos EUA em um dos maiores mercados emergentes do mundo, abrindo espaço para que concorrentes estrangeiros ampliem sua participação de mercado às custas das empresas americanas”, complementou.
O sentimento geral é que a reversão das tarifas é impossível, mas que o alcance da medida possa ser reavaliado diante dos prejuízos à economia americana.
Governo mapeou empresas americanas contra o tarifaço
Como mostrou o g1, o Ministério das Relações Exteriores mapeou 43 empresas e associações comerciais americanas que pedem que produtos brasileiros não sejam tarifados com base na investigação aberta feita pelo governo de Donald Trump.
Os pedidos foram apresentados sob o argumento de que não há substitutos produzidos no mercado doméstico para esses produtos.
As entidades também alertaram que a aplicação das tarifas elevaria os custos para consumidores americanos e para indústrias dos Estados Unidos que utilizam esses itens como insumos para a fabricação de outros produtos.
A informação consta da resposta oficial enviada pelo governo brasileiro ao Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês).
Entenda a investigação contra o Brasil
Os Estados Unidos concluíram uma investigação comercial contra o Brasil e propuseram a aplicação de uma tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros exportados ao mercado americano.
A medida ainda não entrou em vigor e depende da realização de consultas públicas e do cumprimento de etapas previstas na legislação dos EUA.
Segundo o relatório do Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio americano.
🛑 Entre os pontos citados estão o funcionamento do PIX, decisões judiciais envolvendo redes sociais, acordos comerciais com outros países, falhas no combate ao desmatamento ilegal, barreiras ao etanol americano, problemas relacionados à proteção da propriedade intelectual e deficiências no combate à corrupção.
Apesar da proposta de taxação, os EUA incluíram uma ampla lista de exceções para produtos considerados estratégicos. Entre os itens que podem ficar isentos estão café, certas carnes, frutas, fertilizantes, medicamentos, aeronaves e peças, além de minerais estratégicos.

Como alunas de escola pública criaram negócio para combater a pobreza menstrual no RS

Alunas produzem absorventes para distribuir kits contra a pobreza menstrual
Na biblioteca de uma escola municipal na periferia de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, um grupo de adolescentes decidiu transformar uma conversa antes cercada de vergonha em acolhimento, informação e impacto social.
Foi ali que nasceu o coletivo “Garotas de Vermelho”, criado por estudantes da Escola Municipal Saint Hilaire para combater a pobreza menstrual e abrir espaço para debates sobre saúde, violência e dignidade feminina.
A iniciativa surgiu depois que as próprias meninas perceberam que muitas colegas não tinham acesso a absorventes ou sequer conseguiam falar sobre menstruação dentro de casa e na escola.
“A menstruação era um assunto escondido”, conta a estudante Joana Souza, uma das criadoras do projeto.
Como alunas de escola pública usam empreendedorismo contra pobreza menstrual no RS
Reprodução/PEGN
Além de rodas de conversa, o coletivo distribui itens de saúde menstrual para meninas em situação de vulnerabilidade. O grupo também criou kits com absorventes reutilizáveis e bolsas térmicas. A lógica é simples: cada kit vendido ajuda a financiar outro que será doado gratuitamente.
Com ações educativas voltadas para crianças e adolescentes, o projeto já passou por mais de 30 escolas da capital gaúcha e se tornou referência em debates sobre dignidade menstrual e prevenção à violência sexual.
As conversas acontecem de “menina para menina”, o que, segundo as estudantes, faz com que as participantes se sintam mais seguras para compartilhar experiências e dúvidas.
O impacto da iniciativa levou o grupo a conquistar destaque nacional no Desafio Liga Jovem, competição de empreendedorismo voltada para estudantes.
Como alunas de escola pública usam empreendedorismo contra pobreza menstrual no RS
Reprodução/PEGN
A experiência abriu portas para mentorias, eventos e até uma viagem para Madri, onde as adolescentes apresentaram o projeto em espaços de inovação.
Hoje, o sonho das jovens é ampliar o alcance da iniciativa para que mais meninas tenham acesso a itens básicos de saúde menstrual e informação sobre o próprio corpo.
“A educação empreendedora contribui para a transformação social”, afirma a professora Maria Gabriela de Souza, orientadora do projeto.
Coletivo Luisa Marques
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Pesquisa afasta ideia de que startups e empreendedorismo são apenas para jovens

Jovens empreendedores: eles criam soluções, movimentam a economia e constroem o futuro
O mercado de trabalho brasileiro está passando por uma transformação profunda. Cada vez mais jovens decidem pular a busca pelo primeiro emprego formal para abrir o próprio negócio.
Dados recentes mostram que o número de empreendedores com até 29 anos subiu de 3,9 milhões em 2012 para 4,9 milhões em 2024. Esse movimento sugere um desejo por autonomia, mas será que apenas o entusiasmo juvenil garante o sucesso?
Nosso estudo, publicado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), traz evidências que ajudam a entender melhor esse fenômeno e permite entender o que é sustentável de fato nesta tendência.
O mito do jovem prodígio versus a realidade dos dados
Reportagem publicada pelo jornal O Globo destaca histórias de sucesso de jovens com pouco mais de 20 anos. No entanto, a pesquisa acadêmica faz um alerta importante sobre o perfil de quem realmente prospera. O estudo identifica que o perfil de fundadores com maiores chances de êxito é o de profissionais maduros, acima de 40 anos.
Essa evidência refuta a ideia comum de que o empreendedorismo é um “jogo apenas para jovens”. A maturidade traz uma menor aversão ao risco calculado e maior capacidade de realização. Além disso, o sucesso está muito ligado à experiência prévia em outras empresas e a uma formação acadêmica sólida.
Educação: o diferencial entre sobreviver e crescer
O levantamento do Sebrae mostra que o nível de escolaridade desses novos empresários aumentou. O grupo com ensino médio completo passou de 33% para 47% em pouco mais de uma década. Além disso, 17% dos jovens empreendedores já concluíram o ensino superior. Nosso estudo ratifica a formação acadêmica como um fator essencial para o sucesso.
De forma mais específica, o estudo revela que 70% dos fundadores de startups de sucesso possuem pós-graduação. Pessoas com mais tempo de estudo sentem-se mais confiantes para detectar oportunidades de negócio.
A educação formal ajuda a transformar a “vontade de fazer” em processos de gestão estruturados. Sem isso, o empreendimento corre o risco de ser apenas uma ocupação temporária por falta de opção.
Design: muito além de uma “logomarca bonita”
Um ponto comum entre a reportagem indicada e a pesquisa é a importância da tecnologia e da diferenciação. Muitos jovens usam ferramentas digitais para baratear a entrada no mercado. Mas o estudo da UERJ mostra que um dos segredos para inovação sustentável está numa boa gestão do Design.
Para muitos, o design é apenas a estética do produto. Do ponto de vista acadêmico, ele é um processo de tomada de decisão para resolver problemas de forma criativa. O uso estratégico do design permite que a empresa entenda melhor as necessidades do cliente.
Isso acontece por meio do que os pesquisadores chamam de abordagem Design Thinking. O Design Thinking organiza o pensamento crítico de forma criativa e colaborativa para criar soluções que as pessoas realmente queiram usar.
O desafio do aprendizado constante
Durante uma palestra em 2024 a professora da UERJ e assessora da diretoria de Tecnologia da Faperj, Renata Angeli, explicou que a troca de informações e experiências é vital para esses jovens. Esta afirmação é consistente com os achados acadêmicos e está associado ao conceito de meta-aprendizado.
O meta-aprendizado é, basicamente, a capacidade de “aprender a aprender” de forma contínua. Os programas de aceleração apoiam diretamente no desenvolvimento dessa competência ao permitir que o empreendedor se dedique à sua ideia.
Em um mundo onde as tecnologias mudam rápido, o empreendedor não pode parar de estudar. O estudo sugere que as universidades precisam ensinar liderança e autonomia de forma transversal. Isso prepararia o jovem para lidar com o fracasso, que ainda é um grande tabu no Brasil.
Aprender com o erro é um pré-requisito para inovar em ambientes de incerteza.
O crescimento do empreendedorismo jovem é uma notícia positiva para a economia. No entanto, para que esses 4,9 milhões de brasileiros gerem riqueza real, é preciso ir além do CNPJ. A ciência mostra que a combinação de educação superior, experiência de mercado e gestão do design é um dos caminhos que separam uma ideia passageira de um negócio escalável.
O jovem empreendedor de 2026 tem a tecnologia a seu favor. Mas ele precisará da disciplina da gestão e da sensibilidade do design para transformar sua energia em inovação duradoura.
Rodrigo Schoenacher foi bolsista da Capes entre 2019 e 2020 e atualmente exerce o cargo de Diretor de Operações na Conservação Internacional Brasil.

IA ainda não provoca queda generalizada do emprego, mas dificulta entrada de jovens, diz OCDE

Inteligência Artificial no trabalho: até onde ela ajuda ou atrapalha?
Reprodução/Freepik
A inteligência artificial não está provocando uma “queda generalizada” do emprego nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), onde a taxa de desemprego se mantém próxima de seu mínimo histórico.
As informações são do relatório sobre as perspectivas do emprego para 2026 publicado pela organização.
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“A taxa de desemprego na área do OCDE está em 4,9%, um nível próximo de seu mínimo histórico de 4,8% registrado em junho de 2023. Além disso, prevemos que o emprego nos países da OCDE continuará crescendo 0,3% neste ano e 0,6% no próximo”, declarou o secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, durante a apresentação do relatório à imprensa.
“Até o momento, não há indícios de que o maior uso da inteligência artificial por parte das empresas esteja provocando uma queda generalizada da demanda por mão de obra”, destacou Cormann.
“Embora a IA esteja modificando as competências que as empresas procuram e, claramente, tenha impacto sobre a demanda, por enquanto não está enfraquecendo as perspectivas de emprego nem para os jovens nem para os trabalhadores em geral. A IA está transformando o trabalho, mais do que reduzindo-o”, afirmou.
Agora no g1
No entanto, o relatório destaca que “a incorporação dos jovens no mercado de trabalho é especialmente difícil” e que “os recentes avanços da inteligência artificial generativa” provavelmente não são alheios a esta situação.
Segundo o relatório da organização econômica, que reúne 38 países da América, Europa, Ásia e Oceania, o mercado de trabalho também demonstrou resiliência diante da guerra no Oriente Médio, que provocou um forte aumento dos preços da energia.
“A criação de emprego se manteve sólida, apesar dos efeitos do conflito em curso no Oriente Médio. O número de vagas, que constitui um indicador antecipado da demanda por mão de obra, diminuiu desde 2022 em relação ao máximo alcançado após a pandemia”, explicou Cormann.
No entanto, acrescentou: “desde a escalada do conflito, as vagas se estabilizaram em termos gerais”.
“No conjunto, as perspectivas de emprego são positivas, mas muitos trabalhadores ainda não percebem plenamente os benefícios de um mercado trabalhista dinâmico, especialmente no que diz respeito à sua remuneração”, acrescentou o secretário-geral da OCDE.
Em quase um terço dos países da OCDE, os salários reais “continuam sendo inferiores aos registrados há cinco anos”, afirmou.

Vai comprar o Chevrolet Sonic? Veja 8 pontos que você precisa saber antes de fechar negócio

Chevrolet Sonic: vai ter problema na correia? É melhor que os rivais? Veja respostas
A Chevrolet já vendeu mais de 5 mil unidades do Sonic e, por isso, o g1 criou uma lista com detalhes importantes para quem considera comprar o SUV.
É preciso saber como cuidar da nova correia banhada a óleo, conhecer os preços dos acessórios, entender a política de preços promocionais da GM e como o Sonic se comporta ao volante.
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Cara de SUV, alma de hatch
O g1 foi o primeiro veículo de comunicação a testar o Chevrolet Sonic. Na ocasião foi possível perceber em primeira mão que o Sonic tem vários argumentos que fazem dele um SUV, mas que na prática as sensações são de um hatch maior.
O acerto da suspensão é justo e não tem a flutuação comum de carros com suspensão elevada. As imperfeições do solo podem ser percebidas pelo acerto firme, mas sem incomodar. A direção comunica bem e a frente do Sonic é ágil.
Repórter do g1 faz teste do Chevrolet Sonic em concessionária de São Paulo
Carlos Cereijo / g1
A posição de dirigir lembra a do Onix mais do que a do Tracker. O que pode ser um ponto positivo para quem quer comprar o primeiro SUV, mas não gosta da posição alta de dirigir nem do acerto desajeitado de um utilitário esportivo popular.
Por outro lado, o cliente que busca um carro com alma de SUV talvez fique decepcionado. Neste caso, é melhor já pular para alguma configuração do Tracker.
Peças compartilhadas
Uma estratégia adotada por quase todas as montadoras é compartilhar componentes que o consumidor não vê, como câmbio, motor, parte eletrônica e itens de segurança. Em geral, são peças que ficam escondidas sob a carroceria ou atrás dos revestimentos de plástico do automóvel.
Alguns fabricantes também compartilham partes da carroceria para ganhar escala e acelerar o processo de desenvolvimento de novos modelos. Com o Sonic, não é diferente. Portas e vidros, por exemplo, são os mesmos utilizados no Onix.
Chevrolet Sonic RS 2027 tem portas e vidros laterais do Onix.
Divulgação / GM
Essa prática também é adotada por outras montadoras. A Fiat Strada utiliza as portas e para-brisa do Mobi, enquanto o Volkswagen Nivus compartilha as portas com o Polo.
O desafio ao desenvolver um novo carro utilizando peças já existentes é fazer com que esses componentes sejam integrados de forma harmoniosa, sem transmitir a impressão de um projeto remendado.
No caso do Sonic, o resultado parece ter sido positivo, já que, à primeira vista, não é possível perceber rapidamente que essas peças são as mesmas usadas em um modelo bastante comum nas ruas brasileiras.
Medida de porta-malas
Quando o Sonic foi apresentado, a Chevrolet sempre o comparou ao Nivus, embora o posicionamento de preço tenha ficado mais próximo do Tera. O g1 já fez comparativo entre Chevrolet Sonic, Fiat Pulse e Volkswagen Tera.
Com 392 litros de capacidade, ele consegue oferecer um bom uso no dia a dia, mesmo custando menos que o Volkswagen Nivus.
Também é importante observar como as montadoras medem a capacidade do porta-malas. Algumas divulgam o volume em litros, considerando o compartimento totalmente preenchido com líquido. Aproveitando cada frestinha, por menor que seja. Método que não reflete o uso na vida real.
Metodologia VDA para medição de volume de porta-malas reflete melhor o uso real.
Divulgação / Skoda
🔎 Na prática, o método VDA é o mais representativo. Nesse sistema, pequenos blocos de espuma com volume de um litro são acomodados no porta-malas, o que permite medir de forma mais fiel a capacidade de uso do compartimento.
Por isso, ao comparar o volume do porta-malas entre diferentes modelos, vale prestar atenção ao método de medição utilizado. E, claro, nada substitui ver o carro pessoalmente para avaliar o espaço disponível no uso real.
Correia banhada a óleo
O g1 já abordou esse tema no ano passado, quando o Onix recebeu uma atualização para tentar conter as reclamações de clientes que relatavam problemas com o componente. O curioso é que a Chevrolet nunca admitiu oficialmente a existência de um defeito, mas apresentou uma solução.
Antes de explicar as mudanças, é preciso entender o problema:
Segundo a Chevrolet, com o passar do tempo, ou em casos de manutenção inadequada (como falta de troca de óleo, uso de lubrificante fora da especificação, óleo falsificado), a parte traseira da correia, oposta à parte dos dentes, começava a se esfarelar.
Isso acontecia porque o óleo criava um ambiente ácido e reagia com a correia, esfarelando-a.
Esse material podia entupir dutos do motor, provocando falhas, acendimento da luz de injeção e outros problemas que levavam a reparos mais caros.
Correia dentada banhada a óleo da Chevrolet
André Fogaça/g1
De acordo com a GM, esse desgaste era provocado pelo uso de óleo inadequado ou fora das especificações recomendadas. Para resolver a situação, a Chevrolet adotou algumas medidas.
A primeira foi trocar o fornecedor da correia. Segundo a montadora, o novo componente é mais resistente caso o óleo utilizado esteja fora da especificação.
A segunda medida foi reforçar a orientação de que o motor deve utilizar exclusivamente óleo 0W20 com certificação Dexos.
A terceira foi ampliar a garantia da correia para 15 anos. A Chevrolet também reforça que a correia banhada a óleo exige menos manutenção e, desde que todas as revisões sejam feitas corretamente, a substituição do componente só é necessária aos 240 mil quilômetros.
O Chevrolet Sonic utiliza a mesma tecnologia. Segundo a GM, o modelo já sai de fábrica equipado com essa nova correia e deve seguir as mesmas recomendações. Resta saber se essas mudanças serão suficientes para reduzir as reclamações dos clientes.
Preço promocional
Quando o Chevrolet Sonic foi anunciado, o preço inicial era de pouco menos de R$ 129.990 para a versão Premier e de quase R$ 135.990 para a versão RS, a mesma testada pelo g1.
Logo depois, esse valor passou a aparecer com um asterisco no site da montadora. Ao montar o Chevrolet Sonic no configurador, os preços são diferentes: a versão Premier custa R$ 134.990, enquanto a RS chega a R$ 140.990.
Nos termos e condições do preço promocional, é possível verificar que o financiamento precisa ser feito por um banco específico, além da exigência de condições de entrada, parcelas ou da entrega de um veículo na troca.
Portanto, o preço efetivo do Chevrolet Sonic é o que aparece no configurador do site. A condição promocional está em vigor até o dia 31 de julho de 2026.
Chevrolet Sonic 2027
Divulgação / GM
Pedido é diferente de venda
Outro ponto importante envolve a divulgação de “recordes de vendas”. E essa não é uma prática exclusiva da Chevrolet, mas também de outras montadoras.
A GM divulgou que o Sonic alcançou 14 mil pedidos. Isso pode dar a impressão de que a marca vendeu 14 mil unidades do modelo no mês de maio.
No entanto, os números oficiais de vendas divulgados nos relatórios da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) consideram os emplacamentos, ou seja, os veículos efetivamente licenciados.
Ao observar esses dados, não há 14 mil unidades do Sonic emplacadas em maio de 2026. Foram vendidos naquele mês 2.778 Sonic.
O número divulgado pela empresa corresponde às reservas ou intenções de compra feitas pelos consumidores, que podem até ter realizado um pagamento para garantir o veículo ou demonstrar interesse na aquisição.
Pela legislação, porém, a pré-venda tem regras diferentes. Mesmo nessa etapa, ainda existe a possibilidade de desistência por parte do cliente, com devolução do valor pago, conforme as condições previstas em contrato.
A reportagem do g1 entrou em contato com o Procon de São Paulo para entender a prática das campanhas de pré-vendas das montadoras. Segundo a entidade, a pré-venda pode ser equiparada a um pré-contrato entre as partes: fornecedor e consumidor.
Ali são estabelecidas todas as regras e condições daquela contratação, como valores e formas de pagamento, datas e prazos, características do objeto da transação, condições para desistência, entre outras especificidades.
Especificamente quanto às compras de carro feitas fora da concessionária física (como internet ou plataformas digitais), o Código de Defesa do Consumidor prevê a possibilidade de desistência da compra em até sete dias, a contar da data da aquisição ou do recebimento do produto. Nesses casos, os valores pagos pelo consumidor deverão ser devolvidos.
Por isso, quando montadoras divulgam recordes, o que está sendo informado são recordes de pedidos ou de intenções de compra, e não de veículos efetivamente emplacados naquele momento.
Preço dos acessórios
A Chevrolet estreou no Sonic o desenho da sua nova “gravatinha”. E o SUV também trouxe a novidade do logo iluminado na grade dianteira.
O item chama a atenção, mas não vem de série em nenhuma das versões. É preciso desembolsar R$ 800. Os adesivos em preto e vermelho nos para-lamas são mais R$ 698.
Para seguir essa identidade nas rodas o preço é de R$ 390. No para-choque dianteiro, os filetes custam R$ 850.
Galerias Relacionadas
Quem gostou da iluminação customizável em LED para cabine vai precisar desembolsar R$ 1.163. Soleiras de porta com o logo Sonic custam mais R$ 447.
O departamento de cores, assim como outras marcas, também tem valores diferentes. Na versão Premier, a cor de série é o azul. Já o branco custa R$ 950 e prata, cinza, preto e vermelho custam R$ 1.800.
No Sonic RS, a cor que vem sem custo é a preta. Por R$ 950 dá para levar a carroceria em branco. Pelas cores vermelho e cinza, a GM pede R$ 1.800.
Promoção na conectividade
O Sonic tem uma nova configuração dos serviços conectados da Chevrolet. Os modelos equipados com o sistema OnStar passam a sair de fábrica com o plano Basics incluído por oito anos.
Entre as funções disponíveis estão o acesso ao aplicativo myChevrolet, diagnósticos remotos, localização do veículo e comandos à distância, como travar e destravar as portas ou ligar o motor antes da viagem para climatizar a cabine.
Quem quiser ampliar os recursos pode contratar o plano OnStar Protect, que acrescenta atendimento de segurança e emergência 24 horas. A promoção de gratuidade vale por 1 mês e tem mais dois meses após registro de cartão de crédito.
O sistema OnStar Protect reúne outras funcionalidades. Em caso de acidente, por exemplo, os sensores do carro podem acionar automaticamente a central OnStar. A equipe tenta contato com os ocupantes e, quando necessário, encaminha o chamado aos serviços públicos de emergência.
Outro recurso disponível é o assistente de recuperação veicular, que auxilia na localização do automóvel em casos de roubo ou furto. Todas essas funções atuam em conjunto com os demais sistemas eletrônicos do veículo.
Em julho de 2026, os preços mensais do OnStar são R$ 104,90 pelo pacote Connect e R$ 124,90 pelo pacote Protect. O combo com os dois planos, chamado de Protect&Connect sai por R$ 149,90.

Waze ganha IA para motoristas conversarem com o app, modo moto e novo controle de voz no Brasil

Waze ganha IA para motoristas conversarem com o app, modo moto e novo controle de voz no Brasil.
Google
O app de navegação Waze anunciou nesta segunda-feira (13) uma série de novos recursos de inteligência artificial para o serviço no Brasil. Entre as novidades está uma ferramenta que permite conversar com o app em linguagem natural para enviar atualizações para o mapa.
A empresa também está lançando o “Modo moto”, que exibe o tempo estimado do trajeto para quem viaja de motocicleta. O Google Maps já oferece essa função há mais tempo, e ela só agora chega ao Waze.
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Outro lançamento é o modo “Menos falante”, que permite reduzir a quantidade de interações por voz do Waze durante a navegação.
As novidades chegam em um momento em que várias empresas tentam incorporar IA aos seus serviços para melhorar a experiência dos usuários.
Só neste ano, o Google Maps ganhou um modo de conversação, a Siri (assistente virtual da Apple) ficou mais inteligente com a integração do Gemini, e a Alexa+, assistente da Amazon reformulada com IA generativa, também chegou ao Brasil.
Converse com o Waze
Waze Map Mate
Reprodução/YouTube Waze
Anunciado para alguns usuários em fase de testes em 2025, o “Waze Map Mate” enfim foi lançado para todos no Brasil. O recurso permite que motoristas relatem ocorrências, como acidentes, buracos, obras e congestionamentos, usando comandos de voz.
Será possível dizer frases como “O número desta casa mudou para [número]”, “Tem uma lixeira no meio da rua Y” ou “Parece que tem carros parados à frente!”.
Para usar a ferramenta, basta tocar no botão de alertas e descrever a situação naturalmente. O aplicativo usa o Gemini para interpretar o que foi dito e gerar a sugestão de atualização do mapa.
Segundo o Google, que é dono do Waze, as sugestões serão enviadas aos editores de mapas, que vão verificar as informações antes de atualizar o aplicativo. O recurso funciona em celulares Android e iPhone (iOS).
Modo menos falante
Recurso de “instruções por voz” do Waze.
Divulgação/Google
Em coletiva com a imprensa, executivos do Google disseram que os brasileiros gostam de personalizar o Waze com vozes temáticas, mas alguns usuários podem considerar que o aplicativo possa estar falando demais.
A partir de agora, o menu “Instruções por voz” passa a oferecer as opções “Normal”, “Menos falante”, “Apenas alertas” e “Desativado”.
Segundo o Google, o modo “Menos falante” reduz a quantidade de instruções por voz e prioriza mensagens mais curtas. Ainda assim, o usuário continuará recebendo alertas considerados críticos, como avisos sobre perigos, conversões e mudanças de faixa.
Modo moto
Modo modo no Waze.
Divulgação/Google
Outra novidade é o Modo Moto, que passa a informar ao motociclista o tempo estimado de uma viagem feita de motocicleta. Segundo a empresa, o sistema usa IA para considerar restrições específicas para motos e informar sobre buracos, lombadas, fins de acostamento e pontes estreitas.
O Waze afirma que conta com uma equipe de editores que pilotam motocicletas para ajudar a manter as informações do recurso atualizadas. A função, que já estava disponível no Google Maps, chega agora ao Waze e pode ser usada em celulares Android e iPhone (iOS).
Mais recursos de IA no Waze
O Waze está ampliando o uso de inteligência artificial e, para isso, tem aproveitado a tecnologia do próprio Google para tentar melhorar a experiência no aplicativo. A empresa está levando mais uma vez o Gemini, rival do ChatGPT, ao Waze para ajudar os usuários a encontrar destinos.
Será possível fazer perguntas como “Encontre um estacionamento perto do meu destino”, “Encontre um posto de gasolina próximo com os preços mais baixos” ou “Encontre uma cafeteria aberta agora”. O aplicativo exibirá uma lista de recomendações e dará a opção de iniciar a navegação.
Outra novidade é a navegação personalizada, recurso que busca entender melhor as preferências do motorista. Segundo o Waze, se o usuário costuma preferir rodovias a ruas locais com mais semáforos, por exemplo, o aplicativo poderá destacar essa rota após o destino ser informado.
“Ele sugere rotas com base nas suas viagens anteriores e na análise dos padrões de trânsito locais”, explicou a empresa. A função pode ser desativada a qualquer momento nas configurações.
WhatsApp ganha nomes de usuário e vai dispensar número para começar conversa

Volkswagen pode cortar mais 50 mil empregos e elevar total de demissões para 100 mil

Volkswagen Taos muda para encarar SUVs concorrentes
A Volkswagen poderá precisar cortar cerca de 50 mil empregos adicionais para alcançar um nível de competitividade semelhante ao de seus concorrentes, afirmou o presidente-executivo da montadora, Oliver Blume, em um comunicado interno enviado aos funcionários.
A declaração confirma, pela primeira vez, que a empresa avalia eliminar até 100 mil postos de trabalho.
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Blume tenta reestruturar a maior fabricante de automóveis da Europa, cujos lucros vêm sendo pressionados pelos bilhões de euros em custos com tarifas, pela forte concorrência no mercado chinês e pela necessidade de tornar sua rede de fábricas na Alemanha mais eficiente.
Após já ter acertado o corte de 50 mil vagas em todo o grupo, incluindo as subsidiárias Porsche e Audi, a companhia avalia novas medidas para reduzir despesas.
Segundo o comunicado, a Volkswagen identificou que seus custos são cerca de 20% maiores do que os de empresas concorrentes.
Na prática, isso significaria, em uma estimativa teórica, a necessidade de eliminar outros 50 mil empregos em todo o mundo.
“Estamos avaliando, em todas as marcas, empresas e regiões, quantos ajustes são realmente necessários e viáveis”, afirmou Blume no documento.
Até então, a Volkswagen vinha evitando comentar as notícias de que estudava eliminar até 100 mil postos de trabalho.
O comunicado foi divulgado depois que representantes dos trabalhadores cobraram explicações da diretoria sobre o plano de reestruturação apresentado por Blume ao conselho de supervisão da empresa na quinta-feira.
Fontes com conhecimento do assunto disseram que os representantes dos funcionários no conselho barraram as propostas, que incluíam cortes de empregos e o possível fechamento de quatro fábricas.
Segundo Blume, a empresa ainda não conseguiu definir um uso economicamente viável para as unidades de Emden, Hanover, Zwickau e Neckarsulm na década de 2030.
O executivo afirmou, porém, que prefere buscar “soluções inteligentes” em vez de fechar fábricas.
Entre as alternativas já mencionadas estão o uso das instalações pela indústria de defesa ou a produção, na Europa, de modelos da Volkswagen desenvolvidos na China.
Fábrica da Volkswagen em Wolfsburg, produção do Golf
divulgação/Volkswagen