Governo deve aumentar etanol na gasolina para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos

Nova composição da gasolina deve passar a ter 32% de etanol
Marcello Casal Jr./Agência Brasil
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) deve se reunir nesta terça-feira (14) para anunciar o aumento da mistura de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.
A medida vem sendo discutida por integrantes do governo nos últimos meses. Especialistas, no entanto, avaliam que a medida pode aumentar o risco de desgaste em motores mais antigos ou sem calibração específica para essa mistura.
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A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) já havia defendido a realização de mais estudos antes da implementação da medida. (veja mais abaixo)
Segundo engenheiros, um dos principais desafios é a compatibilidade dos materiais, especialmente em veículos importados ou mais antigos, projetados para rodar apenas com gasolina e desenvolvidos para teores menores de etanol.
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O etanol misturado à gasolina é do tipo anidro, ou seja, passa por um processo de desidratação na usina. Mesmo assim, ele tem a capacidade de absorver água do ambiente e pode levá-la para o interior do motor.
A presença de água pode afetar componentes metálicos do motor que não foram projetados para essa condição. Além disso, a combinação de etanol e água aumenta a condutividade elétrica, favorecendo a corrosão eletroquímica.
Todos os componentes que entram em contato direto com o combustível precisam estar preparados para essa nova concentração de etanol.
A lista engloba:
tanque;
boia;
bomba de combustível;
linhas de combustível metálicas ou plásticas;
bico injetor;
câmara de combustão;
pistões;
vedações.
Alguns desses componentes podem suportar a nova mistura, mas, segundo os especialistas, a mudança exige testes detalhados para confirmar essa resistência.
“As avarias principais que podem ocorrer seriam de corrosão ou desgaste nos componentes do sistema de injeção, pois podem provocar falhas de funcionamento, aumento das emissões e consumo e até dano total, principalmente na bomba e injetores”, explica Rogério Gonçalves, engenheiro e diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA).
Maior concentração de etanol na gasolina pode aumentar desgastes de componentes do motor
Arte / g1
Segundo Gonçalves, como os automóveis mais antigos não foram projetados para esse percentual mais elevado de etanol, eles tendem a sofrer mais com a mudança, embora a reação varie de acordo com o motor.
O especialista afirma que o consumo tende a aumentar tanto nos modelos flex quanto nos veículos movidos exclusivamente a gasolina, devido ao menor poder calorífico do etanol em relação à gasolina.
🔎 O poder calorífico é a quantidade de energia que um combustível consegue fornecer na forma de calor. Um quilograma de etanol hidratado, vendido nos postos, fornece cerca de 6.300 quilocalorias (kcal). Já um quilograma de gasolina A, combustível puro produzido na refinaria, fornece cerca de 10.400 kcal.
Estimar com precisão o impacto no consumo é difícil porque diversos fatores influenciam o rendimento do veículo no dia a dia.
Embora seja possível estimar essa diferença com base na energia fornecida por cada combustível, a variação pode ser imperceptível para o motorista no uso cotidiano.
Gonçalves explica que os testes oficiais de consumo são realizados em laboratório, em ambiente controlado, com o veículo instalado em um dinamômetro, sob temperatura monitorada e seguindo um ciclo padronizado.
Manutenção de alguns carros pode ficar mais cara com aumentio de tanol na gasolina
Divulgação
Revisões podem ficar caras
No mercado de manutenção, profissionais afirmam que os componentes mais suscetíveis à nova mistura são borrachas e mangueiras, que podem ressecar e apresentar vazamentos.
“Além disso, a bomba de combustível e os bicos injetores podem oxidar ou travar, porque o álcool facilita a corrosão dessas partes metálicas e plásticas”, explica Fábio Rhoden, sócio proprietário da oficina Flacht Motorsport & Classic Center.
O motorista pode perceber que o veículo está sentindo os efeitos da nova mistura logo nas primeiras horas do dia, diz Rhoden, quando o motor passa a demorar mais tempo para dar a partida de manhã.
O risco é maior nos veículos fabricados há 20 ou 30 anos, equipados com carburador ou sistemas de injeção eletrônica mais simples, que não conseguem ajustar automaticamente a mistura para essa proporção maior de etanol. Essa função é realizada pela ECU, o “cérebro” do motor.
A ECU (Unidade de Controle Eletrônico) é o computador que gerencia o funcionamento do motor em tempo real. Ela recebe informações de sensores que monitoram parâmetros como rotação, temperatura, quantidade de ar admitido, posição do acelerador e composição dos gases de escape.
Unidade de Controle Eletrônico (ECU) do motor a combustão é o cérebro do carro
Divulgação / Bosch
Com esses dados, a ECU compara o funcionamento do motor com os parâmetros de calibração desenvolvidos pela montadora e calcula, centenas de vezes por segundo, a quantidade ideal de combustível a ser injetada, o momento exato da ignição e o funcionamento de sistemas como o comando variável de válvulas e o turbocompressor.
Em seguida, envia comandos aos atuadores, como bicos injetores, bobinas e corpo de borboleta, ajustando continuamente o funcionamento do motor para equilibrar desempenho, consumo, emissões e durabilidade.
Nos veículos que não conseguem se ajustar à nova mistura, o motor trabalha em temperaturas mais elevadas e pode apresentar falhas frequentes. Já os modelos importados modernos sem tecnologia flex chegam ao limite de compensação da ECU e registram aumento expressivo no consumo.
“Os carros antigos (carburados ou com injeções simples) não conseguem se ajustar sozinhos para queimar tanto etanol”, avisa Rhoden.
Além disso, esses veículos podem apresentar oscilação da marcha lenta, perda de potência e pequenos engasgos durante as acelerações.
Troca das velas de ignição pode acontecer antes do previsto
Divulgação / Flacht Motorsport & Classic Center
A elevação do teor de etanol também pode acelerar o entupimento do filtro de combustível. O etanol desprende a sujeira acumulada no fundo do tanque.
Além disso, pode antecipar a troca das velas de ignição devido ao maior calor gerado na combustão. Essa “queima” das velas de ignição pode ocorrer quando o motor não foi projetado ou calibrado para funcionar com uma concentração maior de etanol na gasolina.
Nesses casos, a ECU pode não conseguir compensar corretamente a mudança na proporção da mistura ar-combustível.
Como o etanol tem características de combustão diferentes da gasolina e exige maior volume de combustível para atingir a mistura ideal, o motor pode operar com uma mistura mais pobre (mais ar do que combustível na câmara) ou apresentar falhas de combustão em determinadas condições.
Isso aumenta a carga sobre o sistema de ignição, fazendo com que as velas trabalhem sob maior esforço elétrico e térmico, o que acelera o desgaste e pode reduzir sua vida útil.
Na maioria dos casos, a vela não “queima” apenas pelo aumento do teor de etanol, mas por uma combinação de calibração inadequada, componentes incompatíveis e funcionamento do motor fora das condições para as quais foi desenvolvido.
Bolso pode sentir
E as consequências para o bolso podem ser pesadas. Segundo Vinicius Giungi, proprietário de Benimports e especializado na importação de componentes para carros, as peças mais procuradas normalmente são velas, bicos injetores, bombas de combustível de baixa e alta pressão, sensores do sistema de alimentação, corpo de borboleta, mangueiras e componentes de vedação.
As marcas que mais buscam esses componentes são Audi, BMW, Mercedes, Porsche, Land Rover e os Volkswagen importados, como o Golf GTI.
Segundo o empresário, vários reparadores e donos desses veículos reclamam de problemas associados ao aumento do etanol na gasolina.
“Esse é um tema recorrente entre proprietários e reparadores de veículos importados premium, principalmente modelos turbo, de injeção direta e veículos importados de forma independente”, explica.
Segundo Giungi, os defeitos mais comuns encontrados nos componentes do sistema de alimentação e injeção são:
Entupimento parcial ou total dos bicos injetores, causado por depósitos e impurezas que comprometem a pulverização do combustível;
desgaste prematuro das bombas de combustível (baixa e alta pressão), resultando em perda de pressão e falhas de alimentação;
ressecamento, endurecimento e perda de elasticidade de mangueiras e vedações, o que pode ocasionar vazamentos;
oxidação de conectores e terminais elétricos da bomba e dos injetores e boias de combustível, agravada pela umidade ou contaminação;
travamento ou funcionamento irregular de bicos injetores, prejudicando a pulverização e a dosagem do combustível;
baixa vida útil de velas de ignição.
Bico Injetor Bosch para Bmw 320 (F30) feita entre 2012 e 2019
Reprodução
Substituir alguns desses componentes sai caro. Cada bico injetor para BMW 320, fabricada entre 2012 e 2019, sai a partir de R$ 1.256 cada, e ainda é preciso somar a mão de obra.
A bomba de combustível de um Range Rover Evoque, feito entre 2011 e 2019, custa mais de R$ 1.900.
Giungi explica que os preços praticados por empresas que importam peças de maneira independente costumam ser significativamente mais competitivos do que os das concessionárias. E mesmo assim assustam.
“Trabalhamos com peças originais (OEM), produzidas pelos mesmos fabricantes que fornecem componentes para as montadoras na linha de produção”, explica.
Anfavea pede cautela
A Anfavea afirmou que é favorável aos biocombustíveis e reconhece o papel do etanol na descarbonização da frota brasileira de veículos leves.
Segundo Igor Calvet, presidente da entidade, a preocupação da indústria automobilística se restringe à necessidade de que qualquer aumento na mistura seja precedido por um cronograma rigoroso de testes.
“Nós temos discutido, na verdade, é que o aumento da mistura deve ser precedido de testes. Esse é o único ponto da Anfavea”, explica Calvet.
Igor Calvet, presidente da Anfavea
Divulgação | Anfavea
O executivo explica que, de acordo com as normas técnicas e as regras da ABNT, a adoção de uma mistura com 32% de etanol exige ensaios de engenharia com margem de segurança para garantir que os motores suportem a abrasividade do combustível e que os sensores estejam calibrados conforme a legislação.
A manifestação sobre a importância dos testes foi feita em conjunto com o Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores (Sindipeças).
A entidade afirma que os testes adicionais são uma garantia para o consumidor. “A gente só queria ter a tranquilidade de que não haverá nenhum problema”, diz Calvet.
Segundo o executivo, a indústria automotiva já produz veículos compatíveis com biocombustíveis, mas defende rigor técnico antes da adoção de novas políticas para combustíveis no país.
Indústria do etanol defende medida
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a proposta de aumentar a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina para 32% foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com participação de órgãos do governo, instituições de pesquisa e representantes dos setores automotivo, energético e regulatório.
Segundo a entidade, o setor produtor de etanol contribuiu com informações sobre capacidade produtiva, segurança energética e impactos da mudança.
A entidade diz que a proposta é baseada em estudos desenvolvidos no programa Combustível do Futuro, incluindo ensaios realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia, em São Paulo.
De acordo com a Unica, os testes avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos exclusivamente a gasolina, representativos da frota brasileira.
Os resultados, segundo a entidade, indicaram que a ampliação da mistura para 32% é tecnicamente viável.
Sobre os veículos mais antigos, a Unica afirma que os estudos incluíram modelos movidos apenas a gasolina e que representam a frota brasileira.
Segundo a entidade, os ensaios não identificaram impactos em desempenho, dirigibilidade, partida ou funcionamento geral desses veículos.
A associação também diz que os testes não encontraram evidências de aumento de desgaste ou danos aos motores nas condições avaliadas e que os sistemas eletrônicos dos veículos analisados conseguiram ajustar automaticamente a mistura entre ar e combustível.
A entidade também afirma que o setor tem capacidade para atender ao aumento da demanda por etanol anidro. Segundo a Unica, a necessidade adicional seria de cerca de 1 bilhão de litros por ano em relação ao E30, enquanto a produção prevista para a safra pode crescer cerca de 4 bilhões de litros, impulsionada pela expansão do etanol de milho e das usinas de cana-de-açúcar.
Segundo a associação, a ampliação da mistura também pode reduzir a importação de aproximadamente 800 milhões de litros de gasolina por ano e ampliar a participação de um combustível renovável produzido no Brasil.

Conselho pode votar aumento de etanol na gasolina de 30% para 32% nesta terça

O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) pode decidir, nesta terça-feira (14), sobre o aumento da mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina, de 30% para 32%.
A decisão já era esperada desde maio, mas foi adiada em três ocasiões após cancelamentos e mudanças na agenda do colegiado.
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Segundo o Ministério de Minas e Energia, a adoção do E32 pode reduzir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina. Na avaliação da pasta, esse volume seria suficiente para tornar o Brasil autossuficiente no abastecimento do combustível.
LEIA TAMBÉM: Governo adia reunião que pode aumentar etanol na gasolina de 30% para 32%; veja quais carros podem sentir os efeitos.
A proposta integra a política do Combustível do Futuro, marco regulatório criado para ampliar o uso de combustíveis renováveis e reduzir as emissões de gases de efeito estufa no setor de transportes.
Em junho de 2025, a mistura obrigatória já havia sido elevada de 27,5% para os atuais 30%.
Demanda por etanol
Para a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica), o aumento da mistura representa uma continuidade da política brasileira de incentivo aos biocombustíveis.
“A medida foi construída no âmbito do programa Combustível do Futuro, com base em estudos técnicos, e reforça o uso de um combustível renovável produzido no Brasil, contribuindo para a segurança energética, a descarbonização e a redução da dependência de importações de gasolina”, afirmou a entidade ao g1.
A Unica estima que a mudança elevará em cerca de 1 bilhão de litros por ano a demanda por etanol anidro em comparação com a mistura atual de 30%.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, tem defendido que a adoção do E32 é respaldada por estudos técnicos que comprovam a segurança da nova mistura para a frota brasileira.
Mudança ocorre em meio à volatilidade do petróleo
A decisão do CNPE deve ocorrer em um momento de volatilidade no mercado internacional de petróleo, provocado pelas tensões no Oriente Médio.
Nesse cenário, o governo aposta na ampliação da participação do etanol na gasolina como uma forma de reduzir a dependência de importações, aumentar a oferta doméstica de combustível e diminuir a exposição do país às oscilações do mercado internacional.
Na semana passada, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que o governo vai avaliar nesta semana a retirada parcial ou total do subsídio à gasolina criado pelo governo para conter os efeitos da guerra no Oriente Médio sobre os preços dos combustíveis.
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle
A recente escalada nas tensões geopolíticas e seus efeitos sobre o mercado internacional de petróleo já impactam os preços dos combustíveis no Brasil. Levantamento do Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara aponta que, embora o país não enfrente risco de desabastecimento, a alta global do petróleo e fatores internos seguem pressionando gasolina, etanol e diesel, com reflexos diretos no custo de vida. O Núcleo de Economia do Sincomercio Araraquara segue monitorando os dados divulgados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) a fim de avaliar o comportamento do preço dos combustíveis no município e no Brasil. No mês de fevereiro, os preços dos combustíveis em Araraquara registraram variações típicas, influenciadas majoritariamente por questões nacionais e sazonais, como mudanças tributárias e a menor oferta de cana-de-açúcar. No período, o etanol e a gasolina tiveram seus preços inflacionados; já o preço do gás de cozinha registrou queda, enquanto o óle
Na última quinta-feira (9), o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nas redes sociais que o governo mantém o compromisso de retirar os subsídios concedidos à gasolina, mas que a medida dependerá da estabilização dos preços internacionais dos combustíveis.
Na mesma publicação, Motta disse que acertou com o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e com o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, o avanço da proposta que tramita na Câmara dos Deputados sobre o assunto.
“Com relação ao PLP dos combustíveis, o Governo Federal segue comprometido em retirar o subsídio que está sendo dado para a gasolina, necessitando apenas de mais um tempo para aguardar a estabilização do preço decorrente do conflito no Irã”, escreveu.

Após promessas, supermercados seguem sem ampliar venda de ovos livres de gaiolas, diz estudo

Ovo caipira, orgânico, convencional e enriquecido: g1 explica as diferenças
A maioria dos supermercados não apresentou avanços na transição para a venda exclusiva de ovos de galinhas criadas fora de gaiolas, segundo o estudo Observatório do Ovo, da ONG Alianima, realizado anualmente.
Desde 2015, grandes empresas dos setores de alimentação e hotelaria passaram a anunciar compromissos públicos para substituir ovos de galinhas criadas em gaiolas por sistemas livres, conhecidos como “cage-free”. (saiba mais abaixo)
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Atualmente, mais de 160 empresas brasileiras já assumiram esse compromisso. As próprias empresas definiram prazos para cumprir as metas, que vão de 2021 a 2030.
Mas, segundo o levantamento, 64% das redes não aumentaram o percentual de marcas de ovos livres de gaiolas ou ainda apresentaram retrocessos. Além disso, 24% das empresas que assumiram a meta não prestam contas sobre o avanço.
O Carrefour é uma das redes citadas no relatório. A empresa assumiu compromisso público com a transição, mas, no último ano, reduziu a participação de ovos livres em seus supermercados, de 21,4% para 20,2%.
A rede também foi apontada como a única entre as que assumiram compromisso de não oferecer ao menos uma marca de ovos livres em todas as lojas.
Outro exemplo é o Pague Menos, que não apresentou evolução.
O g1 entrou em contato com as duas empresas, mas não recebeu retorno até a última atualização desta reportagem.
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O que tem dificultado a transição?
Para o levantamento, a Alianima ouviu redes de supermercados, que apontaram os principais desafios da transição:
as regiões Norte e Nordeste foram classificadas como as mais difíceis para abastecimento de ovos livres;
67% das empresas relataram o alto custo do produto como um obstáculo;
44% apontaram a falta de conhecimento dos consumidores sobre o assunto;
33% afirmaram ter baixa aceitação do produto pelos clientes. No entanto, 78% disseram que a transição provoca uma percepção positiva da marca;
22% afirmaram haver falta de apoio de associações.
Enquanto isso, 33% das empresas afirmaram não encontrar dificuldades na transição.
Saiba mais: Conheça uma grande com sistema “cage free”
Qual a diferença do ‘cage free’?
Cage free: sistema permite que galinhas sejam criadas soltas no galpão
Em muitos sistemas de criação, a galinha é confinada em gaiolas assim que começa a botar. Até 11 animais dividem o mesmo espaço, sem conseguir ciscar, apenas comer e botar ovos.
No sistema “cage free”, isso não acontece e a ave fica livre durante toda a produção.
O Instituto Certified Humane Brasil estabelece normas para a criação com foco no bem-estar animal e concede certificação às empresas que seguem esses padrões.
Por exemplo, as regras estabelecem que o espaço do aviário pode conter, no máximo, de 7 a 11 aves por metro quadrado. Além disso, cada ave precisa de um espaço de 5 cm nos comedouros e 15 cm nos poleiros.
Também é preciso deixar água e comida à vontade para os animais.
Tipos de ovos são definidos pela criação das galinhas
Arte/G1
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Mega-Sena pode pagar R$ 25 milhões nesta terça-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.030 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 25 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (14), em São Paulo.
No concurso do último sábado (11), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 06 – 11 – 25 – 45 – 48 – 58.
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O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

'Necromancia digital': como a IA está recriando pessoas mortas e dividindo opiniões

Morre o ator britânico e neozelandês Sam Neill, aos 78 anos
A morte de Sam Neill, nesta segunda-feira (13), voltou a inundar a internet com imagens e vídeos criados por inteligência artificial para retratar o ator após a morte.
Conhecido por interpretar o paleontólogo Alan Grant na franquia “Jurassic Park”, o ator foi “recriado” como um fantasma entre dinossauros ou chegando aos portões do parque em meio às nuvens.
Imagem de IA cria o ator Sam Neill ao “chegar no céu” com o portão do Jurassic Park
Reprodução/ X
O mesmo aconteceu em maio, após a morte do fisiculturista Gabriel Ganley, aos 22 anos. Entre os vídeos criados por IA, um mostra sua “chegada ao céu” em uma “academia nas nuvens”.
As “homenagens” reacenderam o debate sobre a manipulação da imagem de pessoas mortas e os limites do uso da IA. O fenômeno tem um nome: “necromancia digital”.
IA cria academia no céu em homenagem da morte de Gabriel Ganley
Reprodução/ Internet
🔎 A “necromancia” é popularmente conhecida como a prática de se comunicar com os mortos ou invocar seus espíritos. A versão digital descreve o ato de manipular vozes, imagens e traços de personalidade de pessoas falecidas para gerar conteúdos produzidos com IA.
A tendência é cercada de controvérsias, pois o conteúdo feito por IA pode transformar o luto em um produto e criar “fantoches digitais” de pessoas que não podem mais se defender.
É o que explica Elaine Kasket, professora de psicologia da Universidade de Bath, no Reino Unido, e autora do livro “All the Ghosts in the Machine: The Digital Afterlife of Your Personal Data” (“Todos os fantasmas na máquina: a vida após a morte digital dos seus dados pessoais”, em tradução livre).
Não é de hoje
A grande novidade é que a criação dos avatares deixou de depender de pessoas com conhecimento técnico avançado. Hoje em dia, a criação dos chamados “grief bots”, ou “robôs de luto”, tornou-se mais comum com a popularização das ferramentas de IA.
Plataformas como ChatGPT e Claude, por exemplo, podem ser usadas para transformar os “restos digitais” — mensagens, áudios e vídeos de uma pessoa falecida — em avatares.
Esse uso indiscriminado de ferramentas para “reviver” personalidades também pode distorcer a memória dessas pessoas. Essa é a reclamação de Flávia Christina, filha de Pelé. Recentemente, ela criticou vídeos desse tipo e afirmou ficar desconfortável com imagens do pai: “não são atitudes normais dele”.
O assunto talvez chamasse menos atenção quando era usado com mais parcimônia ou quando não havia alternativa. Em Hollywood, dublês e computação gráfica foram usados para concluir as cenas do ator Paul Walker em Velozes e Furiosos 7, lançado em 2015.
No ano seguinte, a franquia Star Wars também recriou digitalmente o ator Peter Cushing em Rogue One: Uma História Star Wars.
Maria Rita e Elis Regina cantam “Como Nossos Pais” em publicidade
Divulgação/Volkswagen
No Brasil, o caso de maior repercussão ocorreu em 2023, quando a Volkswagen usou IA para criar um dueto entre a cantora Elis Regina, morta há 44 anos, e sua filha, Maria Rita. A montadora utilizou tecnologia de deepfake para recriar Elis na campanha.
Na internet, as reações se dividiram, e órgãos reguladores passaram a analisar o caso.
O Conar chegou a abrir uma investigação para apurar se a campanha violava o Código Brasileiro de Autorregulamentação Publicitária. Além disso, um projeto do senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL) propunha estabelecer diretrizes para o uso de imagens e áudios de pessoas falecidas por meio de IA. Ambos acabaram arquivados.
Segundo Kasket, a regulamentação não avança com rapidez suficiente para reduzir os riscos do uso inadequado da IA após a morte, e figuras influentes podem se tornar alvo de interesses políticos ou comerciais.
“Qualquer pessoa pode usar restos digitais para manipular os mortos como fantoches”, afirma a professora.
Ela observa ainda que alguns governos são fortemente influenciados por empresas de tecnologia, o que pode ainda comprometer a proteção da privacidade dos cidadãos.
Como solução, a especialista defende a criação de um modelo de direitos da personalidade que se estenda além da morte física e limite legalmente o uso de restos digitais para replicação ou personificação.
Pessoalmente, Kasket já tomou precauções: “Coloquei uma cláusula de ‘não me transforme em bot’ no meu testamento, embora isso ainda não seja legalmente aplicável no Reino Unido”.
Mercado do luto
Além da vulnerabilidade de quem morreu, especialistas também apontam a exploração dos familiares. No setor conhecido como “grief tech”, ou “tecnologia do luto”, empresas passaram a criar versões virtuais de pessoas falecidas para que amigos e parentes possam interagir com esses clones digitais.
Essa prática também ganhou espaço entre pessoas comuns com a popularização dos “grief bots”, ou “robôs do luto”. Como qualquer pessoa pode criar clones digitais, também pode oferecer esse tipo de serviço a famílias enlutadas.
Foi nesse contexto que surgiram casos polêmicos. No ano passado, o jornalista Jim Acosta, ex-âncora da CNN nos Estados Unidos, entrevistou um avatar criado por inteligência artificial de Joaquin Oliver, jovem de 17 anos morto no massacre em uma escola de Parkland, na Flórida, em 2018.
“A família de Jennifer Ann Crecente pouco pôde fazer quando alguém utilizou o Character.AI para representar a jovem assassinada. Chegou-se a comentar que um autor que cria um personagem fictício tem mais controle sobre a forma como outras pessoas representam esse personagem do que os familiares de uma pessoa falecida têm sobre a imagem de seu ente querido”, disse Elaine Kasket.
A professora ressalta que o luto é uma experiência individual. Por isso, é impossível prever o efeito que uma inovação tecnológica terá sobre quem enfrenta uma perda. “O que uma pessoa experimenta como algo bem-vindo ou útil pode ser inútil ou até traumático para outra”, afirma.
A maior preocupação, segundo a especialista, é a tentativa da indústria de tecnologia de tratar o luto como um “problema” que precisa ser resolvido. Para ela, o luto não é uma patologia, mas uma parte fundamental da experiência humana.
“A ideia de ‘resolver’ experiências humanas como o luto mostra a extensão em que ele está sendo plataformizado”, explica, acrescentando que usar robôs para isso pode ser prejudicial ao processo natural de perda.

A mesma IA pode ter te avaliado mal e rejeitado seu currículo em várias empresas, diz pesquisa

Por que ninguém responde seu currículo?
Você envia currículo atrás de currículo. A resposta quase nunca chega. Quando chega, é automática, padronizada e fria: “não seguimos com sua candidatura”. A sensação é de que centenas de empresas tenham chegado, ao mesmo tempo, à mesma conclusão sobre você.
Um estudo liderado por pesquisadores da Universidade Stanford sugere uma explicação técnica para essa experiência, cada vez mais comum e já apontada pelo g1 em abril. Talvez você não esteja sendo rejeitado por várias empresas diferentes, mas, na prática, pelo mesmo sistema repetidas vezes.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A pesquisa, intitulada “Algorithmic Monocultures in Hiring”, é a mais abrangente já realizada sobre recrutamento mediado por inteligência artificial. Os pesquisadores analisaram uma base inédita de dados reais, com mais de 3,4 milhões de candidatos e cerca de 4 milhões de candidaturas avaliadas em 156 empresas de 11 setores da economia.
O volume de dados já chama atenção, mas há um detalhe ainda mais relevante: todas essas candidaturas foram avaliadas por algoritmos desenvolvidos por um mesmo fornecedor de tecnologia.
Isso permitiu observar um fenômeno que costuma passar despercebido por candidatos, empresas e até pesquisadores do mercado de trabalho. Quando muitas organizações utilizam sistemas semelhantes para selecionar profissionais, as decisões deixam de ser totalmente independentes.
🔎 Os autores chamam esse fenômeno de “monocultura algorítmica”. O conceito foi emprestado da agricultura, em que grandes áreas são ocupadas por uma única espécie de cultivo. Embora esse modelo possa trazer ganhos de eficiência, também cria vulnerabilidades, já que qualquer problema tende a se espalhar rapidamente.
Um estudo de Stanford sugere que candidatos podem estar sendo rejeitados repetidamente pela mesma lógica algorítmica, mesmo ao se inscreverem em empresas diferentes.
Pexels
Empresas diferentes decidem de forma parecida
No mercado de recrutamento e seleção, o que está sendo padronizado não é a produção, mas os critérios usados para decidir quem avança ou não em um processo seletivo.
Durante décadas, as decisões de contratação ficaram nas mãos de recrutadores, gestores e equipes com visões próprias. Mesmo diante de currículos semelhantes, era comum que chegassem a conclusões diferentes.
Com a expansão dos sistemas automatizados, parte dessa diversidade tende a desaparecer. Empresas diferentes podem acabar utilizando modelos que analisam candidatos de forma muito parecida, reproduzindo os mesmos padrões em larga escala.
Na prática, quem procura emprego pode se deparar com várias portas de entrada aparentemente independentes, mas abertas ou fechadas pela mesma lógica.
🔎 Essa possibilidade levou os pesquisadores a investigar um fenômeno chamado “rejeição sistêmica”. O termo descreve situações em que um candidato se inscreve em várias vagas e é rejeitado em todas elas. Esse tipo de experiência sempre existiu, mas o que chamou a atenção dos pesquisadores foi a frequência com que isso ocorre quando os processos seletivos são influenciados pelos mesmos sistemas.
Os dados mostram que cerca de 10% dos candidatos que se inscrevem em quatro vagas são rejeitados em todas elas. O padrão se mantém mesmo quando o número de candidaturas aumenta. Entre os candidatos que se inscrevem em 10 vagas, aproximadamente 4% acumulam 10 rejeições consecutivas.
À primeira vista, os percentuais podem parecer modestos. Do ponto de vista estatístico, porém, eles revelam um padrão importante: as rejeições se acumulam com uma frequência maior do que a esperada em decisões independentes.
Para verificar se esse comportamento poderia ser explicado apenas pelo acaso, os pesquisadores compararam os resultados com uma linha de base teórica e com evidências de estudos anteriores sobre processos de recrutamento sem centralização algorítmica.
A conclusão foi clara: as rejeições sucessivas não são apenas fruto do azar ou da coincidência. Elas refletem uma lógica de avaliação que se repete entre diferentes empresas.
Essa dinâmica ajuda a explicar outra característica cada vez mais comum nos processos seletivos. Na maioria dos casos, os algoritmos não tomam a decisão final de contratação. Eles atuam antes, como um filtro inicial que define quais candidatos avançam e quais são eliminados.
Assim, muitos profissionais podem ser eliminados antes mesmo de um recrutador analisar seus currículos. Do ponto de vista do candidato, a experiência é silenciosa: não há entrevista, contato com a empresa nem, muitas vezes, uma explicação para a rejeição.
Parte da frustração de quem busca emprego pode estar ligada justamente a essa etapa oculta do processo. O currículo é enviado, mas não chega a disputar a vaga de fato.
A chamada “monocultura algorítmica” faz com que diferentes empregadores avaliem profissionais com critérios semelhantes, reduzindo a diversidade de decisões.
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Perfis semelhantes tendem a receber respostas semelhantes
Os pesquisadores encontraram evidências de que candidatos com características semelhantes tendem a receber avaliações parecidas, mesmo quando se candidatam a empresas diferentes.
🔎 Quando um sistema considera um perfil pouco adequado, há uma chance significativa de que outros sistemas semelhantes cheguem à mesma conclusão. E vice-versa.
O ponto central é que os modelos de IA compartilham critérios semelhantes de classificação. Com isso, uma avaliação inicial, que pode ser limitada ou imperfeita, ganha peso ao ser reproduzida em diferentes processos seletivos.
Diante desse cenário, os pesquisadores testaram uma questão prática: enviar mais candidaturas ainda aumenta as chances de conseguir uma vaga?
A resposta é sim. Mas esse ganho tende a ser menor quando as decisões se repetem.
Nas simulações, um candidato precisaria se inscrever em cerca de 10 vagas para ter uma alta probabilidade de receber ao menos uma recomendação positiva em um cenário de decisões independentes.
Quando os processos são influenciados por sistemas centralizados, esse número sobe para cerca de 25 candidaturas para atingir uma probabilidade de 99,9%.
A concentração do mercado amplia os efeitos
Os resultados do estudo não dizem respeito apenas aos algoritmos. Eles também levantam questionamentos sobre a estrutura do mercado de tecnologia aplicada ao recrutamento.
Hoje, muitas empresas utilizam soluções desenvolvidas por um número relativamente pequeno de fornecedores. Alguns atendem organizações de diferentes setores e operam em grande escala.
Essa concentração amplia os efeitos da monocultura algorítmica.
Quando um único sistema influencia decisões em dezenas ou centenas de empresas, eventuais falhas deixam de ser casos isolados. O mesmo vale para limitações ou vieses incorporados aos modelos.
Por isso, os pesquisadores defendem que a concentração tecnológica merece atenção não apenas do ponto de vista concorrencial, mas também pelos impactos sobre as oportunidades profissionais.
Apesar da crescente influência da inteligência artificial nos processos seletivos, o setor ainda opera com pouca transparência, segundo os pesquisadores.
Os próprios autores destacam que estudos independentes em larga escala são raros. A principal razão é que as plataformas raramente disponibilizam seus dados para análises externas.
Isso cria obstáculos tanto para a fiscalização quanto para o avanço do conhecimento. Sem acesso às informações, torna-se mais difícil identificar falhas, medir vieses e entender como esses sistemas afetam diferentes grupos.
O desafio é especialmente relevante porque essas decisões têm impacto direto sobre o acesso ao emprego, à renda e às oportunidades de carreira.

Supermercados fechados aos domingos: estudo aponta queda de faturamento das lojas no ES

Estudo mostra impacto no coportamento com supermercados fechados aos domingos no ES
O fechamento de supermercados e atacarejos aos domingos no Espírito Santo, em vigor desde 1º de março, já apresenta impacto no faturamento das empresas, segundo um estudo da Scanntech, empresa especializada em inteligência de mercado.
Segundo o levantamento, o estado capixaba vinha registrando crescimento acima da média nacional no início do ano, mas passou a apresentar desempenho inferior ao restante do país após a entrada em vigor da medida. Parte da queda pode estar atrelada ao fechamento das lojas aos domingos.
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Nos meses de janeiro e fevereiro, antes do fechamento aos domingos, o faturamento do varejo alimentar no Espírito Santo cresceu 3% em relação ao mesmo período de 2025. No Brasil, o avanço foi de 2,3%. Ou seja: o estado apresentava crescimento acima da média nacional.
Já em março e abril, o cenário mudou. Enquanto o faturamento dos supermercados e atacarejos no Espírito Santo caiu 1,3%, a média nacional registrou crescimento de 0,7%, segundo a Scanntech. Ou seja: mesmo com crescimento menor na média nacional, no estado capixaba houve retração no setor.
A empresa informou que o estudo foi elaborado com base em dados de vendas coletados diretamente de supermercados e atacarejos e representa cerca de 64% do mercado capixaba no setor.
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Supermercado no Espírito Santo.
Reprodução/TV Gazeta
Consumidores mudaram dia das compras
O levantamento apontou que, com o fechamento das lojas aos domingos, os consumidores passaram a concentrar as compras em outros dias da semana.
Em março, as vendas cresceram principalmente às segundas-feiras (15%) e terças-feiras (25,3%). Em abril, o movimento foi maior às quartas-feiras (14,8%) e quintas-feiras (34,3%).
Segundo o head de Inteligência de Mercado da Scanntech, Felipe Passareli, os dados indicam uma rápida adaptação dos consumidores à nova rotina.
Na época da mudança, algumas redes ampliaram o horário de funcionamento às sextas e aos sábados para atender à demanda que antes era registrada aos domingos.
Algumas categorias perderam mais vendas
O estudo também identificou que algumas categorias foram mais afetadas do que outras. Produtos como perfumaria, carnes e bebidas não alcoólicas registraram desempenho inferior ao observado no restante do país.
Para Passareli, isso ocorre porque os consumidores passaram a buscar alguns produtos em estabelecimentos especializados.
“Quando o domingo deixa de ser opção, o consumidor migra para açougues, farmácias e lojas especializadas. Por categoria, os maiores descolamentos aparecem em azeite, frios industrializados e café”, afirmou.
Atacarejo no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Atacarejos tiveram maior impacto
De acordo com a pesquisa, os atacarejos foram o formato de loja mais afetado pela mudança. No Espírito Santo, o faturamento desse segmento caiu 5,8%, enquanto a retração nacional foi de 0,7%.
O levantamento também apontou que os supermercados de menor porte sentiram mais os efeitos do fechamento aos domingos:
Nas lojas com um a quatro caixas, o desempenho ficou 6,1 pontos percentuais abaixo do observado no restante do país;
entre estabelecimentos com cinco a nove caixas, a diferença foi de 2,1 pontos percentuais;
Já nas lojas com dez ou mais caixas, o impacto foi de 0,2 ponto percentual.
Segundo Passareli, os dados indicam que “quanto menor a loja, maior o efeito” da medida.
O g1 procurou a Associação Capixaba de Supermercados (Acaps) e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Espírito Santo (Fecomércio-ES) para comentar os resultados do estudo, mas não recebeu retorno até a publicação desta reportagem.
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