PPA 2026 abre inscrições e convoca o mercado a celebrar as ideias que 'falam brasileiro'

PPA Milton Cunha
TV Globo
Alô, criativos do Brasil! Estão abertas, até 7 de agosto, as inscrições para o PPA – Prêmio Profissionais do Ano 2026, um dos mais tradicionais reconhecimentos da publicidade brasileira. E, neste ano, quem faz essa convocação é Milton Cunha, protagonista da campanha que celebra o talento de transformar o jeito brasileiro de viver, falar, rir e se comunicar em campanhas memoráveis.
Com o conceito “Ideia boa fala brasileiro”, a comunicação reforça uma convicção que move o PPA há quase cinco décadas: não existe criatividade igual à do brasileiro. Aquela que nasce da conversa de esquina, do meme que vira assunto nacional, do improviso genial, do bordão que pega, da história bem contada e das ideias que entram na cultura e ficam.
Nas peças, que serão veiculadas nas plataformas da Globo, Milton Cunha assume o papel de tradutor oficial da publicidade em “brasileiro”. Entre praia, feira, carro de som e muito bom humor, ele transforma expressões do mercado em versões bem mais familiares para qualquer brasileiro.
Afinal, como o próprio Milton resume: “Se é cria do Brasil, é criativo”. ​⭐​
As influenciadoras Chaiany Andrade e Renata Saldanha ampliam a conversa nos ambientes digitais, ajudando a levar o convite para profissionais de todas as regiões do país.
“A criatividade do brasileiro é única e, quando aplicada à publicidade, transforma ideias em campanhas poderosas. Há 48 anos, o PPA reconhece os trabalhos de maior impacto do mercado que foram exibidos nas plataformas Globo, sempre valorizando a capacidade de incorporar elementos que traduzem a identidade do nosso país”, comenta Andrea Sanches, diretora de Marketing Publicitário da Globo.
Para Milton Cunha, símbolo máximo da brasilidade, o PPA carrega uma memória afetiva profunda, já que ele acompanha o prêmio desde as primeiras edições, ainda em Belém, no Pará.
“A premiação sempre foi um símbolo de excelência, de profissionais que superam a lógica padrão para alcançar uma atmosfera artística verdadeiramente inventiva e potente. Estrelar a campanha neste ano é uma alegria imensa e o coroamento de uma carreira, afinal é um prêmio que celebra a inteligência e a sagacidade”, celebra.
Alice Bandeira, gerente de Criação de Marca e Comunicação da Globo, destaca que a criatividade brasileira não é apenas uma característica do nosso povo, mas uma forma de enxergar o mundo, e reforça: “Com Milton Cunha, a campanha dá protagonismo aos publicitários que transformam ideias em cultura”.
Como funciona o concurso 🏆
Agências de todas as regiões do Brasil podem inscrever seus trabalhos em 16 categorias, divididas entre as classes Nacional e Regional.
No cenário Nacional, disputam os formatos:
🎥Filme 30″;
🎞️Filme 30+”;
💡Campanha;
🔗Integrada;
🎯Inovações em Conteúdo; e
🤝Valor Social.
A categoria Integrada traz uma evolução importante, com a possibilidade de inscrição de campanhas exibidas também nas telas da Eletromidia.
Outro destaque é a ampliação do escopo e a mudança de nome da categoria Ações em Conteúdo, que agora passa a se chamar Inovações em Conteúdo, que avaliará o conjunto de ações de conteúdo coproduzidos pela Globo e agências e exibidas no ecossistema da empresa.
Veja as datas
Os jurados se reunirão de forma remota no dia 22 de setembro e presencial na Globo SP, no dia 24 para eleger os melhores trabalhos.
Os finalistas serão anunciados em 28 de setembro, após a avaliação de um júri composto por profissionais de diferentes áreas do marketing e da comunicação.
A cerimônia de premiação será realizada no Dia da Criatividade, 17 de novembro, em São Paulo. Vai ser no palco do PPA que vamos conhecer também a equipe vencedora da categoria especial LED Globo – Luz na Educação.
Pela primeira vez, alunos de publicidade e marketing de todo o país participaram da premiação e inscreveram campanhas com o tema “O papel da educação na transformação social”. O projeto vencedor, avaliado pelo júri do PPA, terá seu filme exibido nas plataformas da Globo, ampliando a visibilidade dos jovens criadores e de suas ideias. 🎓
Em 48 anos de história, o PPA já avaliou mais de 47 mil peças e distribuiu mais de 3.400 troféus, reconhecendo e celebrando o talento de profissionais de todas as regiões do Brasil.
As inscrições e o regulamento completo podem ser acessados em ppa.globo/
Uma nova categoria do prêmio PPA – Profissionais do ano vai reconhecer o talento dos jovens estudantes

UE não flexibilizará exigências sanitárias para a carne brasileira, diz embaixador da Irlanda, que preside o bloco europeu

União Europeia veta importações de carne e produtos de origem animal do Brasil
O embaixador da Irlanda no Brasil, Martin Gallagher, afirmou que a União Europeia não flexibilizará as exigências sanitárias para que a carne brasileira volte a ser exportada ao bloco. A Irlanda ocupa a presidência rotativa do Conselho da União Europeia, iniciada em 1º de julho e com duração de seis meses.
Gallagher ressaltou que as regras europeias sobre o uso de antimicrobianos na produção animal não são recentes e vinham sendo discutidas com as autoridades brasileiras havia anos.
“Essas exigências relacionadas aos padrões para uso de antimicrobianos não são novas. Elas já são conhecidas há bastante tempo, e a União Europeia vinha mantendo diálogo com as autoridades brasileiras sobre esses padrões há algum tempo”, afirmou em entrevista ao g1.
Segundo ele, a retirada do Brasil da lista de países autorizados a vender produtos carne ao mercado europeu foi uma decisão “técnica” e caberá ao governo brasileiro adotar as medidas necessárias para atender aos padrões exigidos.
🔎 Antimicrobianos são substâncias utilizadas para tratar e prevenir infecções em animais. Alguns desses medicamentos também podem ser empregados como promotores de crescimento, prática restringida pela legislação europeia.
No início de junho, a União Europeia oficializou a retirada do Brasil da lista de países considerados aptos a cumprir as normas do bloco para o controle do uso de antimicrobianos na produção animal. Com isso, o país ficará impedido de exportar carnes e outros produtos de origem animal para o mercado europeu a partir de 3 de setembro.
Até então, o Brasil estava autorizado a vender ao bloco carne bovina, de frango e de cavalo, além de tripas, pescado e mel. Com a decisão, todos esses produtos perderão acesso ao mercado europeu.
Na semana passada, a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) afirmou que “há grandes chances” de a produção de carnes brasileira não conseguir se adequar às novas exigências da União Europeia a tempo de evitar a suspensão das exportações.
Segundo a entidade, o ciclo de produção da pecuária bovina dificulta a adaptação às novas regras, que levaria cerca de 30 meses.
Gallagher destacou que outros países sul-americanos conseguiram atender às exigências da União Europeia e, por isso, permanecem habilitados a exportar.
“Outros países da América do Sul conseguiram atender às exigências da União Europeia. A decisão tomada pelo comitê responsável por esse tema foi uma decisão técnica. O comitê avaliou diversos países, e aqueles que atenderam tecnicamente aos requisitos permaneceram na lista de exportadores autorizados a vender para a União Europeia”, disse.
Rebanho de gado vacinado contra a febre aftosa no Pará – Arquivo
Divulgação / Adepraá
De acordo o embaixador, o critério adotado pelo bloco é objetivo.
“A regra é muito simples: quem atende aos padrões permanece na lista; quem não atende, deixa de fazer parte dela. Os padrões técnicos estão no centro da União Europeia e do próprio projeto europeu”, defendeu.
Apesar da decisão, Gallagher afirmou que o governo brasileiro mantém diálogo com a Comissão Europeia para buscar uma solução. Segundo ele, o bloco segue aberto às negociações.
“Acredito que esse seja exatamente o caminho correto”, afirmou, ao defender que impasses desse tipo sejam resolvidos por meio do diálogo.
Questionado sobre quais medidas poderiam permitir a retomada das exportações, o embaixador disse que o Brasil precisará implantar um sistema capaz de garantir o cumprimento das exigências sanitárias europeias.
Ele afirmou que a União Europeia está disposta a discutir com o governo brasileiro os caminhos para essa adequação, mas reforçou que a responsabilidade é das autoridades brasileiras.
“No fim das contas, porém, a responsabilidade é do lado brasileiro, que precisa estabelecer os padrões necessários”, disse.
Para explicar a posição do bloco, Gallagher comparou o caso às exigências sanitárias impostas pelo próprio Brasil aos produtos importados.
“Se eu quiser exportar produtos da Irlanda para o Brasil, também preciso cumprir os requisitos sanitários e fitossanitários brasileiros antes de poder comercializar esses produtos. É o mesmo princípio. O Brasil não reduziria seus padrões apenas porque a Irlanda deseja exportar determinado produto. Da mesma forma, a União Europeia também não fará isso”, ilustrou.
Perguntado se uma solução poderá ser alcançada antes de 3 de setembro, quando a suspensão das exportações passa a valer, o embaixador disse que não participa diretamente das negociações e, por isso, não pode prever um prazo. Ainda assim, afirmou acreditar que o impasse poderá ser resolvido ao longo do tempo, desde que o diálogo entre as partes seja mantido.
Acordo Mercosul-União Europeia
Ainda que avalie ser cedo para medir o impacto real, o diplomata disse que já é possível sentir os primeiros impactos do acordo, que começou a valer em maio.
“Hoje tivemos acesso a dados comerciais que mostram que, nos dois primeiros meses de implementação do acordo, houve um aumento de aproximadamente R$ 10 bilhões nas exportações brasileiras para a União Europeia”, afirmou ele, ressaltando que ainda não é possível atribuir que o crescimento decorra exclusivamente do acordo, mas que já é possível observar aumento do comércio entre Brasil e União Europeia.
“Além disso, nos seis primeiros meses deste ano, registramos um crescimento de cerca de 13% nas exportações brasileiras para a UE. Portanto, tudo indica que o acordo começa a produzir efeitos, embora seja necessário mais tempo para avaliar plenamente seus resultados”, complementou.
Promulgado em maio pelo Congresso Nacional do Brasil, o acordo cria uma das maiores zonas de livre comércio do mundo.
Assinado em 17 de janeiro no Paraguai após mais de 25 anos de negociação, o acordo prevê a redução ou eliminação gradual de tarifas de importação e exportação, que chegam a mais de 90% do comércio total entre os blocos.
Além disso, estabelece regras comuns para comércio de produtos industriais e agrícolas, investimentos e padrões regulatórios
No que diz respeito à União Europeia, o acordo foi encaminhado à Corte Europeia de Justiça para que ela emita um parecer. A Corte tem seu próprio calendário, explicou o embaixador, acrescentando que espera que não haja demora para os próximos passos.
“Mas, como acontece em qualquer sistema democrático, o Judiciário é independente. Portanto, precisamos permitir que a Corte realize seu trabalho no seu próprio ritmo”, concluiu.

Tarifaço de Trump: governo deve iniciar nesta terça reuniões com setores afetados pela nova taxa

O governo federal deve iniciar nesta terça-feira (21) uma série de reuniões com representantes dos setores que potencialmente impactos pela tarifa de 25% anunciada na semana passada pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
O objetivo dos encontros é identificar as principais demandas de cada segmento e definir medidas de apoio.
A coordenação dos encontros ficará a cargo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O vice-presidente, Geraldo Alckmin, e o ministro da Fazenda, Dario Durigan, devem participar das reuniões.
O Plano Brasil Soberano, criado no ano passado em resposta às primeiras tarifas impostas pelos Estados Unidos, será ampliado para atender os setores atingidos pela nova medida.
EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
Na última semana, Durigan afirmou que o governo já dispõe de instrumentos para proteger empresas e empregos diante dos impactos da medida.
“Nós já temos prontos os mecanismos de proteção das nossas empresas e dos nossos empregos. Portanto, com coordenação do ministro Márcio Elias Rosa, os setores afetados serão mais uma vez chamados ao diálogo e nós ampliaremos e reforçaremos o Plano Brasil Soberano, que dá apoio a quem foi injustamente afetado pelo tarifaço dos Estados Unidos”, disse.
Apesar dos impactos esperados sobre alguns segmentos da economia, Durigan avaliou que a decisão do governo de Donald Trump não deve comprometer a atividade econômica do país como um todo.
O governo calcula que 18% das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetadas com o novo tarifaço imposto pelo governo Donald Trump contra produtos do Brasil.
LEIA TAMBÉM: Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa
Entenda o caso
Na semana passada, o governo dos Estados Unidos confirmou a aplicação de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros após concluir uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês).
🔎A medida foi adotada com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo usado pelo governo americano para apurar práticas consideradas prejudiciais ao comércio do país.
Apesar da nova taxa, uma extensa lista de produtos foi excluída da sobretaxa. O governo brasileiro reagiu afirmando que a medida não tem justificativa econômica e foi motivada por razões políticas.
Em nota, o governo Lula classificou a decisão como um “marco lastimável” na relação bilateral e afirmou que poderá recorrer à Lei da Reciprocidade Econômica.
A tarifa começa a ser aplicada nesta quarta-feira (22).
Operação de transporte de cargas em porto
Bruno Leão/ Sedecti
Andamento das negociações
Conforme a avaliação de negociadores brasileiros envolvidos nas conversas, quando as negociações começaram efetivamente no ano passado — após o encontro Lula e Trump na Malásia —, foi possível obter avanços junto ao governo americano.
Entretanto, a partir de meados de maio e junho, os representantes da Casa Branca passaram a se mostrar “inflexíveis”, apresentando questões “inegociáveis” para o Brasil, como mudanças no PIX e na legislação sobre minerais críticos.
Além disso, conforme integrantes da diplomacia brasileira, os dados apresentados sobre desmatamento, por exemplo, foram desconsiderados, sem contrapropostas ou indicações por parte dos americanos.
Cerca de dez dias antes do anúncio, houve uma reunião técnica entre negociadores dos dois países, e o Brasil apresentou uma proposta de encaminhamento acerca dos seis pontos levantados pelo USTR na abertura da investigação comercial, mas não recebeu resposta.
Em razão do prazo dado pelo governo americano, e a sinalização de que os argumentos brasileiros seriam rejeitados, um eventual adiamento do tarifaço passou a ser considerado “improvável” pelo governo brasileiro.
Mesmo assim, auxiliares do presidente Lula passaram a tentar contato com interlocutores de Donald Trump para tentar uma última rodada de negociação. Na véspera do prazo para os EUA decidirem sobre as novas taxas, integrantes dos dois países se reuniram e o Brasil disse que o tarifaço era “injusto”.
De acordo com ministros, a ordem do presidente Lula foi que o Brasil não deixasse a mesa de negociação e não deixasse a ideologia contaminar as conversas. A avaliação do governo brasileiro foi que a decisão do USTR de recomendar as tarifas foi política e ideológica.
Os Estados Unidos são o segundo maior parceiro comercial do Brasil. De acordo com o governo, dos 10 produtos americanos mais vendidos no Brasil, oito entram sem tarifa.
Além disso, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin, a tarifa média aplicada aos principais produtos com origem americana têm tarifa média de 3%. Diante disso, Alckmin passou a dizer que o tarifaço americano não faz “sentido”.

Petróleo cai após sinal de mediação entre EUA e Irã

Navio no Estreito de Ormuz nesta terça, 21 de julho.
Stringer / Reuters
Os preços do petróleo recuaram nesta terça-feira (21) após surgirem sinais de uma possível mediação entre Estados Unidos e Irã para tentar conter a escalada da guerra. Mesmo com novos ataques registrados nas últimas horas, investidores reagiram à informação de que mediadores apresentaram uma proposta de cessar-fogo de dez dias entre os dois países.
Durante a madrugada, o petróleo Brent, referência global, caía 0,9%, para US$ 88,44 por barril (cerca de R$ 450,05). Nos Estados Unidos, o WTI, usado como referência no país, recuava 0,9%, para US$ 82,50 por barril (cerca de R$ 419,82).
Segundo a Reuters, uma autoridade iraniana afirmou que Teerã recebeu uma proposta de cessar-fogo temporário de dez dias, em uma tentativa de preservar o memorando de entendimento assinado em 17 de junho. O acordo provisório tinha como objetivo abrir caminho para um entendimento mais amplo que encerrasse a guerra iniciada em 28 de fevereiro.
Analistas do ING ouvidos pela Reuters afirmaram que o mercado vê com cautela, mas também com esperança, a possibilidade de uma desescalada do conflito. No entanto, destacaram que persistem diferenças significativas entre Washington e Teerã e que as negociações devem enfrentar obstáculos. O banco também lembrou que o presidente dos EUA, Donald Trump, prometeu retaliar após a morte de militares americanos em ataques recentes.
Agora no g1
Os esforços diplomáticos ocorrem em meio à continuidade dos confrontos. Durante a noite, Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques. A Guarda Revolucionária iraniana realizou novas ações contra ativos militares americanos na região, enquanto o Comando Central dos EUA (Centcom) anunciou o início de uma nova rodada de bombardeios contra alvos iranianos.
O mercado também acompanha os riscos ao transporte marítimo. Nesta terça, uma embarcação que navegava pelo Estreito de Ormuz relatou ter sido atingida por um projétil de origem desconhecida. Segundo a agência britânica UKMTO, a tripulação abandonou o navio e se refugiou em um bote salva-vidas.
Além disso, o fluxo de embarcações pelo Estreito de Ormuz voltou a cair diante do aumento da cautela após os ataques entre Estados Unidos e Irã. A região é considerada uma das principais rotas para o comércio global de petróleo.
Outro fator de preocupação foi a declaração dos rebeldes houthis do Iêmen, alinhados ao Irã. O grupo afirmou na segunda-feira (20) que pretende impor um bloqueio naval à Arábia Saudita, o que pode abrir uma nova frente de tensão e elevar os riscos para o fornecimento mundial de energia.

Excesso de cautela com defeso eleitoral gera apagão de dados públicos que compromete acesso à informação

Aviso usado nas páginas do governo federal bloqueadas em função do defeso: fenômeno causado por cautela excessiva com legislação eleitoral prejudica desnecessariamente quem trabalha com pesquisa de dados públicos.
Reprodução
Notícias do Ibama sobre a queda do desmatamento, reportagem da Agência Brasil sobre a menor taxa de mortalidade infantil em 34 anos e o portal de notícias do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) estão inacessíveis, assim como vários outros portais relevantes. Não se trata de falha técnica, mas de falha jurídica.
Desde 4 de julho de 2026 vigora o chamado “defeso eleitoral”, um período de três meses que antecede o pleito em que a legislação eleitoral impõe uma série de condutas vedadas aos agentes públicos.
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Dentre elas, está a proibição de publicidade institucional dos órgãos públicos. Isso levou diversos órgãos e entidades da Administração Pública de todo o país a retirar do ar, por precaução, volumes expressivos de dados indispensáveis. Dados destinados a pesquisa científica e formulação de políticas públicas.
O fenômeno não é pontual. O Arquivo Nacional, por exemplo, restringiu o acesso a todas as notícias publicadas em seu portal antes de 3 de julho deste ano. A plataforma Brasil Participativo ocultou processos participativos já encerrados.
Agora no g1
Alguns estados anunciaram a suspensão integral de sites e redes sociais oficiais até 25 de outubro. Em julho de 2026, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) chegou a retirar do ar cerca de 146 mil matérias jornalísticas sob a mesma justificativa.
O resultado é um apagão temporário de dados que atinge quem pesquisa, quem informa e quem depende dessas informações para trabalhar.
O que a lei realmente proíbe?
A legislação eleitoral proíbe, nos três meses que antecedem o pleito, a “publicidade institucional dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos”, ressalvada a propaganda de produtos e serviços com concorrência no mercado e os casos de grave e urgente necessidade pública, assim reconhecidos pela Justiça Eleitoral.
O objetivo é legítimo: impedir que a máquina pública seja usada para promover governantes-candidatos, o que romperia a igualdade de oportunidades entre os concorrentes.
A questão central está no alcance da expressão “publicidade institucional”, sobre o qual a jurisprudência do TSE não é uniforme.
Uma primeira orientação (TSE, AgR-AI nº 51.738), mais restritiva e hoje predominante, sustenta que, no período vedado, é proibida toda e qualquer publicidade institucional, independentemente de seu teor informativo, educativo ou de orientação social, advertidas apenas as exceções legais.
Uma segunda interpretação (TSE, Rp nº 1.238) condiciona a vedação à prévia caracterização do conteúdo como publicidade institucional, assim entendida a divulgação promovida, autorizada e custeada pelo Poder Público para enaltecer atos e realizações da gestão.
Deste modo, a inserção de conteúdo meramente informativo em sítio oficial “não tem a potencialidade de propaganda” que a lei coíbe.
A divergência, porém, é mais aparente que real. Mesmo uma leitura restritiva pressupõe que se esteja, antes, diante de publicidade institucional, limiar que o dado técnico ou científico, despido de moldura promocional, não ultrapassa.
Publicidade não é sinônimo de informação. Conteúdos meramente informativos e técnicos não se confundem com promoção da gestão. As próprias orientações do Poder Executivo federal para 2026 fazem essa distinção.
Tanto a cartilha de condutas vedadas da Advocacia-Geral da União (AGU) quanto a cartilha de defeso eleitoral da Secretaria de Comunicação Social (Secom) separam a publicidade institucional das informações divulgadas em cumprimento aos deveres de transparência ativa.
O que elas exigem é apenas a adequação das páginas: remoção de nomes, símbolos, slogans e elementos de enaltecimento pessoal ou governamental.
Em suma: a lei manda retirar a propaganda, não os dados. A estatística sobre o desmatamento produzida pelo Inpe não é, em si, publicidade institucional.
Tampouco um boletim epidemiológico ou o relatório de consulta pública de uma Agência Reguladora é publicidade.
O que pode caracterizar ilícito eleitoral é a finalidade promocional que eventualmente acompanha esses conteúdos. Este deveria ser o real escopo da restrição legal.
Urna eletrônica
Reprodução/TV Globo
Quando a cautela excessiva viola a lei
A retirada indiscriminada de conteúdo decorre de uma interpretação ampliativa movida mais pelo receio de sanções do que pela determinação da norma. Na dúvida, o gestor suprime tudo.
Este é o fenômeno, já identificado pela literatura especializada, chamado “apagão das canetas”.
O fenômeno gera paralisia decisória que consiste na recusa, hesitação ou omissão de autoridades e gestores públicos em tomar decisões. Essa inércia decorre de uma autodefesa corporativa: o medo paralisante de sofrer responsabilização pessoal.
Essa cautela tem um custo jurídico e social. A Lei nº 12.527/2011 (Lei de Acesso à Informação) estabelece a publicidade como preceito geral e o sigilo como exceção. E obriga os órgãos públicos a divulgar, independentemente de requerimento, as informações de interesse coletivo que produzem.
A Lei nº 13.848/2019 (Lei Geral das Agências Reguladoras) determina que os relatórios de consultas públicas permaneçam disponíveis nos sites das agências.
A transparência administrativa, por fim, decorre diretamente do princípio constitucional da publicidade, previsto no artigo 37 da Constituição da República.
Não há na legislação eleitoral qualquer dispositivo que suspenda esses deveres durante o período eleitoral.
O paradoxo é evidente. Para evitar uma conduta que potencialmente viola a lei eleitoral, órgãos públicos passam a violar efetivamente deveres legais gerais e específicos de transparência que regem a sua atuação.
Aplicativos de órgãos públicos
Reprodução
Os custos para a ciência e para as políticas públicas
Para a pesquisa científica, os efeitos são imediatos. Séries históricas de dados ambientais e sanitários ficam temporariamente inacessíveis justamente no segundo semestre, quando boa parte dos artigos, dissertações e teses precisa ser fechada.
Quem depende de transparência ativa, isto é, de dados publicados espontaneamente na internet, passa a ter de recorrer a pedidos formais pela Lei de Acesso à Informação para obter documentos que já estavam públicos. Os prazos de resposta podem inviabilizar cronogramas inteiros de pesquisa.
Para as políticas públicas, o dano é análogo. Gestores estaduais e municipais, conselhos de políticas públicas e organizações da sociedade civil, que precisam desses dados no planejamento e no controle social, ficam sem acesso.
Um apagão de quase quatro meses, repetido a cada dois anos por força do calendário eleitoral brasileiro, cria lacunas recorrentes de memória institucional.
A situação seria irônica, se não fosse triste: o período eleitoral é exatamente o momento em que o eleitor mais precisa de informação qualificada sobre o desempenho dos governos. Mal aplicada, a regra criada para proteger a igualdade eleitoral empobrece o debate público que deveria proteger.
Período eleitoral é o momento em que o eleitor mais precisa de informação qualificada
Alejandro Zambrana/Secom/TSE/Divulgação
Possíveis soluções
O problema vem sendo documentado desde 2022 pelo Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas e pela Transparência Brasil, que apresentaram ao TSE sugestões para que as resoluções eleitorais garantam expressamente o cumprimento da Lei de Acesso à Informação durante o período vedado.
Esse é o caminho normativo. A Resolução TSE nº 23.735/2024 já avançou nessa direção. Seu artigo 15, parágrafo 4º, estabelece que, observada a adequação dos sítios oficiais prevista nos parágrafos 2º e 3º (remoção de nomes, símbolos e slogans que identifiquem autoridades e governos), não configura publicidade institucional vedada a manutenção de páginas de internet destinadas ao estrito cumprimento dos deveres de transparência fiscal (artigo 48-A da Lei de Responsabilidade Fiscal) e de acesso à informação (artigos. 8º e 10 da Lei nº 12.527/2011).
No entanto, tal regulação deve ser reforçada, tornando inequívoco que a vedação de publicidade institucional não autoriza a supressão de dados, séries históricas, documentos técnicos e demais conteúdos de transparência ativa.
Há também um caminho administrativo. Controladoria-Geral da União, Tribunais de Contas e Ministério Público podem fiscalizar a supressão indevida de informações públicas como violação dos deveres de transparência, e não apenas a manutenção indevida de propaganda.
Hoje, o gestor teme sanção apenas pelo excesso de publicidade. Se a ocultação ilegal de dados também gerar responsabilização, o cálculo de incentivos se equilibra.
Por fim, existe uma solução técnica, relacionada ao desenho institucional da comunicação oficial dos órgãos públicos. Sites públicos podem separar, desde a origem, a camada de comunicação promocional (marcas de gestão, slogans, balanços laudatórios) da camada de dados e serviços. Com essa arquitetura, o defeso eleitoral exigiria apenas desativar a primeira camada, sem tocar na segunda.
A experiência de 2026 mostra que a solução oposta, apagar tudo por precaução, é flagrantemente desproporcional e juridicamente insustentável.
Entre a propaganda que a lei proíbe e o dado que a Constituição manda publicar há uma linha razoavelmente clara.
A legislação eleitoral existe para impedir o abuso da máquina pública, não para restringir o acesso da sociedade às informações que documentam a atuação do Estado e servem de subsídio para diversas atividades relevantes de interesse público.
É preciso que a Justiça Eleitoral, a Administração Pública e os demais órgãos de controle definam, com precisão, as situações em que a divulgação de dados e informações públicas se dê com finalidade, explícita ou implícita, de propaganda eleitoral.
O apagão de dados nesta eleição já é um fato consumado. Devemos nos mobilizar para que isso não se repita nos próximos pleitos.
Rodrigo Borges Valadão não presta consultoria, trabalha, possui ações ou recebe financiamento de qualquer empresa ou organização que poderia se beneficiar com a publicação deste artigo e não revelou nenhum vínculo relevante além de seu cargo acadêmico.

'Piratinha', 'hemorroida' e outros: a linha entre humor e assédio que leva apelidos no trabalho a indenizações

Apelidos no trabalho: quando a brincadeira passa do limite
“Pano de pia. 8h da manhã e já está fedendo”, “Buzina de avião. Não serve para nada”, “Cesta básica. Tem tudo, menos carne”, “Tartaruga Ninja. Tartaruga para chegar e ninja para sair”.
Em vídeos curtos que viralizam nas redes sociais, colegas de trabalho trocam esse tipo de apelido para debochar de comportamentos do dia a dia. É uma piada fácil de entender, e o público logo reconhece alguém que “se encaixa” na descrição.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O perfil de Cleitinho Ramalho e Maria das Neves viralizou com um vídeo nesse estilo, que acumulou quase 300 milhões de visualizações no TikTok. Nos comentários, usuários entram na brincadeira e criam novos rótulos, como “Cólica. Nenhuma mulher gosta”, “Sensor. Só trabalha quando o chefe aparece”, entre outros.
Mas o que parece piada levanta uma discussão importante: até que ponto apelidar colegas é uma brincadeira e quando isso ultrapassa o limite?
O assunto não é novidade para a Justiça do Trabalho. Há diversos casos em que apelidos deram origem a processos, e nem todos tiveram o mesmo desfecho.
Um dos casos mais conhecidos envolve uma trabalhadora de Belo Horizonte (MG), que atuava como analista de suporte comercial e era chamada de “piratinha” por colegas e gerentes, em referência ao fato de ser cega de um olho.
Testemunhas confirmaram que o apelido era recorrente e que a funcionária demonstrava incômodo. Mesmo assim, o comportamento continuou.
O Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas Gerais entendeu que o apelido configurava uma ofensa direta à dignidade da trabalhadora por destacar uma deficiência física. A empresa foi condenada a pagar R$ 15 mil por danos morais.
Por outro lado, um julgamento do TRT da 15ª Região, em Campinas (SP), analisou o caso de um operador de máquinas que alegou ter sido humilhado ao ser chamado de “hemorroida”. O pedido foi negado.
A decisão considerou que o próprio trabalhador havia dado origem ao apelido ao mostrar uma foto de sua condição de saúde aos colegas. Também ficou comprovado que o empregador não utilizava o apelido nem incentivava a prática.
Sem a participação ou omissão da empresa, o tribunal entendeu que não havia nexo para responsabilizá-la. Por isso, concluiu que não houve ato ilícito capaz de gerar dano indenizável.
Não existe uma regra automática. Situações semelhantes podem ter desfechos diferentes, dependendo do contexto, das provas e da interpretação sobre o impacto, explicam especialistas ouvidos pelo g1.
Abaixo, aprofunde-se mais sobre o tema a partir dos seguintes pontos:
O que define um apelido como pejorativo
Quando vira assédio moral
Todo mundo riu
A responsabilidade das empresas
E quando isso vai parar nas redes?
Como provar que houve abuso
Com a popularização de vídeos nas redes sociais, apelidos entre colegas ganharam visibilidade e também podem se tornar provas em processos trabalhistas.
TikTok/ Reprodução
O que define um apelido como pejorativo
No ambiente de trabalho, apelidos não são proibidos. O que os torna problemáticos é o conteúdo que carregam e a forma como são utilizados.
A advogada Fernanda Garcez explica que a questão central não é a presença de humor, mas a existência de exposição vexatória, ou “brincadeiras” que reforçam estereótipos ou fragilidades pessoais.
“Os critérios que mais pesam na análise são: o apelido ressalta uma característica física, uma condição de saúde, uma deficiência ou outra vulnerabilidade pessoal? Ele foi repetido ao longo do tempo? A pessoa demonstrou desconforto, mesmo sem fazer reclamação formal? Quem utilizava o apelido, apenas colegas ou também superiores? Quanto mais respostas ‘sim’ a essas perguntas, maior a probabilidade de o caso ser enquadrado como assédio moral. A jurisprudência é clara nessa direção”, explica a advogada.
O professor de Direito do Trabalho Platon Neto reforça o mesmo ponto: quando o apelido atinge uma fragilidade da pessoa, a tendência é que a Justiça o considere pejorativo, mesmo que não tenha havido essa intenção.
Quando vira assédio moral
O assédio moral ocorre quando alguém é submetido a situações repetidas que causam constrangimento ou humilhação no trabalho.
Nem todo apelido configura assédio automaticamente. No entanto, ele pode passar a configurar quando faz parte de uma dinâmica mais ampla.
Alguns fatores pesam nessa avaliação:
se o apelido é usado repetidamente, e não apenas de forma pontual;
se expõe um aspecto sensível da pessoa;
se há demonstração de incômodo;
se líderes ou gestores participam da prática.
Quanto mais esses elementos aparecem juntos, maior a chance de que a situação seja considerada assédio.
Todo mundo riu
Os vídeos que viralizam nas redes sociais trazem um elemento que pode confundir essa análise: muitas vezes, todos parecem estar se divertindo. Mas essa reação não encerra o debate.
Especialistas apontam que, no ambiente profissional, o riso pode ser uma forma de adaptação. Muitas pessoas evitam se posicionar para não gerar conflito, comprometer relações ou até por receio de prejudicar o próprio emprego.
Por isso, a Justiça do Trabalho já reconhece que a ausência de reclamação formal não elimina a possibilidade de assédio. Da mesma forma, o fato de alguém participar da brincadeira não significa, necessariamente, que esteja confortável com ela.
Por outro lado, quando há provas de que o próprio trabalhador incentivava o apelido ou não demonstrava qualquer incômodo, esse comportamento pode influenciar a decisão, como ocorreu no caso de Campinas.
A responsabilidade das empresas
As empresas têm o dever de garantir um ambiente de trabalho respeitoso. Isso inclui agir diante de situações de constrangimento.
Se o apelido circula livremente e não há qualquer ação, pode haver omissão, que ocorre quando a empresa deixa de agir diante de um problema que deveria resolver, explica Platon Neto.
Se chefes ou gestores utilizam o apelido, a situação se torna ainda mais grave, pois o trabalhador pode se sentir pressionado a aceitar.
“Se o apelido circulava apenas entre colegas, sem chegar ao conhecimento da gestão, a responsabilidade é menor. Mas, se era usado pelos próprios supervisores, se era notório no ambiente e a empresa não tomou providências, a responsabilidade é direta”, afirma o advogado.
E quando isso vai parar nas redes?
Os vídeos nas redes sociais trazem um elemento novo para essa discussão: a exposição pública.
As gravações podem ser utilizadas como prova em processos trabalhistas. Elas ajudam a demonstrar não apenas a existência do apelido, mas também o contexto, a frequência e a participação de diferentes níveis hierárquicos.
Para o trabalhador, isso pode fortalecer uma ação. Para a empresa, representa um risco significativo, já que a prova é pública e difícil de contestar.
Além disso, a exposição nas redes sociais amplia o dano. O apelido deixa de ser restrito ao ambiente interno e pode afetar a imagem do trabalhador em um espaço muito mais amplo, segundo Platon Neto e Fernanda Garcez.
Como provar que houve abuso
As provas que costumam ser mais eficazes na prática são:
testemunhas que presenciaram o uso do apelido e possam confirmar que a vítima demonstrava incômodo;
registros escritos, como e-mails, mensagens de WhatsApp ou comunicações internas;
vídeos ou fotos;
e qualquer comunicação em que o trabalhador tenha manifestado, mesmo informalmente, que não queria ser chamado daquela forma.
“Quando há prova efetiva da prática, em geral a condenação ocorre. Existem exceções, a depender dos fatos, especialmente quando o próprio empregado deu origem e incentivou a conduta, como no caso citado do TRT da 15ª Região”, conclui Fernanda Garcez.

Vinhos importados mais baratos perdem espaço com inflação, enquanto rótulos premium avançam

Taça de vinho
wavebreakmedia_micro/freepik
A queda do poder de compra da classe média-baixa provocou uma redução de 9% no volume de vinhos importados de menor preço, aponta levantamento da consultoria Ideal.BI.
Em contrapartida, o setor passou a investir em marcas premium, de maior valor agregado. Elas representaram um terço de toda a receita gerada pelas compras do exterior no primeiro trimestre e atingiram o maior preço médio dos últimos 10 anos: de US$ 31,2 por caixa de 9 litros.
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Segundo o levantamento, o mercado nacional movimentou R$ 4,18 bilhões e alcançou um patamar inédito de abastecimento, com 10,22 milhões de caixas, alta de 12% em volume na comparação com o primeiro trimestre do ano passado.
Esse recorde foi impulsionado pelas expectativas do setor em relação à entrada em vigor do Acordo de Livre Comércio entre a União Europeia e o Mercosul.
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A América do Sul registrou sua maior participação histórica no volume de embarques para o Brasil, representando 65% do total. O Uruguai foi o país que mais ampliou o fornecimento para o mercado brasileiro, com aumento de 44%. Em seguida aparece a Argentina, com crescimento de 16%.
O setor de espumantes teve alta de 9% em volume, apesar da queda de 24% nas importações. A retração foi puxada principalmente pelos embarques espanhóis, que recuaram 57%.
Para Felipe Galtaroça, CEO da Ideal.BI, o recorde de volume também é consequência da recuperação dos vinhos tintos importados. Após dois anos de quedas consecutivas, eles ganharam 2 pontos percentuais de participação no mercado e passaram a responder por 70% do faturamento total.
Enquanto isso, a participação dos vinhos rosés caiu para 5%. Já os brancos mantiveram fatia de 25% da receita.
Apesar dos números inéditos de abastecimento, o consumo de vinhos ficou praticamente estável no início de 2026, com crescimento de 1,2%. Já o de espumantes caiu 1,4%.
De acordo com o relatório, o mercado de vinhos do Brasil deve encerrar 2026 com a produção de 56,8 milhões de caixas, alta de 6,9% em relação a 2025. Os espumantes devem alcançar mais de 4 milhões de caixas.
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Trump prepara novas tarifas contra dezenas de países, diz Financial Times

O presidente dos EUA, Donald Trump, durante um pronunciamento à nação no Salão Leste da Casa Branca, em Washington
SAUL LOEB/Pool via REUTERS
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve anunciar novas tarifas sobre dezenas de países já nesta semana, informou o Financial Times nesta terça-feira. A taxa global temporária de 10% está prevista para expirar na sexta-feira (24).
Segundo o jornal, as novas tarifas devem ficar no mesmo patamar dos atuais 10%, mas o governo americano também conduz outras investigações que podem abrir caminho para a adoção de alíquotas mais altas.
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Na quarta-feira (15), Trump anunciou uma nova tarifa de 25% para produtos brasileiros, com uma extensa lista de exceções, como carnes, café, petróleo, aronaves, sucos de laranja. Cinco dias depois, foi a vez do Canadá ser taxado em 50%.
As novas tarifas vêm após a Suprema Corte ter derrubado, em fevereiro deste ano, as taxas recíprocas anunciadas em abril de 2025. Após a decisão, os EUA anunciaram uma taxa global de 10%, que expira nesta sexta.
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Autoridades americanas defenderam cautela
Segundo o Financial Times, autoridades de alto escalão têm aconselhado Trump a preservar a estabilidade nas relações com os parceiros comerciais e a respeitar os acordos firmados por Washington para reduzir tarifas em 2025.
O jornal avalia ainda que a guerra comercial lançada por Trump coincide com a escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã, que pressiona os mercados de energia e aumenta o risco de um conflito regional.
Isso tem gerado custos econômicos nos EUA. Nesta semana, por exemplo, o preço da gasolina subiu para mais de US$ 4 por galão.
Uma pesquisa realizada pela Focaldata para o Financial Times no início deste mês mostrou que mais de dois terços dos eleitores desaprovavam a forma como Trump lidava com o custo de vida.
“Acredito que a principal influência sobre as alíquotas tarifárias seja o ambiente político e as preocupações com o poder de compra, que limitam a capacidade de Trump de ampliar as medidas”, afirmou ao FT Michael Smart, diretor-gerente da Rock Creek Global Advisors, consultoria de Washington.
Autoridades americanas amenizaram parte das tarifas mais duras propostas inicialmente por Trump ao conceder isenções para produtos importantes ao consumidor, como carne bovina e café, e reduzir algumas taxas sobre itens feitos de aço e alumínio.
Após duas investigações comerciais recentes sobre minerais críticos e peças de aeronaves, autoridades recomendaram que os EUA negociasse com seus parceiros comerciais, em vez de avançar com novas tarifas.
“Mas indica que agora é necessária uma abordagem mais cautelosa, principalmente às vésperas das eleições de meio de mandato.”
As tarifas que podem ser anunciadas nesta semana devem variar entre 10% e 12,5% para 60 países, com base em investigações sobre práticas de trabalho forçado. O Brasil está entre os países que podem ser enquadrados na alíquota de 12,5%.
Os Estados Unidos iniciaram a investigação em março, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, juntamente com outra apuração sobre excesso de capacidade industrial, e realizaram audiências públicas sobre as ropostas.
Essa segunda investigação inclui União Europeia, China, Singapura, Suíça, Noruega, Indonésia, Malásia, Camboja, Tailândia, Coreia do Sul, Vietnã, Taiwan, Bangladesh, México, Japão e Índia.

Embraer anuncia venda de dois aviões ao Japão e parceria para integrar míssil ao cargueiro C-390

E-175 da Embraer
Divulgação
A Embraer anunciou nesta terça-feira (21) que recebeu uma encomenda firme de duas aeronaves E175 da companhia aérea japonesa Fuji Dream Airlines (FDA). O anúncio foi feito durante o Farnborough International Airshow, no Reino Unido.
O pedido já foi incluído na carteira da fabricante brasileira e prevê entregas em 2027 e 2028.
Com a nova compra, a Fuji Dream Airlines ampliará sua frota, formada exclusivamente por aviões da Embraer. Atualmente, a companhia opera 15 aeronaves da fabricante, sendo dois modelos E170 e 13 E175.
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Os novos jatos terão configuração de classe única, com capacidade para 84 passageiros, e serão utilizados na expansão da malha regional da empresa no Japão.
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Segundo a Embraer, o E175 é voltado para operações de alta frequência e rotas de menor distância, características que atendem ao perfil da companhia japonesa.
Integração de míssil
Também durante o Farnborough Airshow, a Embraer anunciou a assinatura de um memorando de entendimento com a empresa norte-americana Anduril para estudar a integração do míssil de cruzeiro Barracuda-500M ao cargueiro militar C-390 Millennium.
O projeto prevê que o armamento possa ser lançado por meio de sistemas paletizados instalados na aeronave, permitindo o emprego simultâneo de diversas munições em operações militares.
Segundo as empresas, a parceria busca ampliar as capacidades operacionais do C-390, tornando a aeronave apta a executar missões com armamentos de longo alcance, além das funções que já desempenha atualmente, como transporte de tropas e cargas, evacuação médica, missões humanitárias, combate a incêndios e busca e salvamento.
Projeto de integração de míssil ao C-390 Millennium, da Embraer
Divulgação/Embraer
O C-390 Millennium é o maior projeto militar da Embraer e já foi adquirido pela Força Aérea Brasileira (FAB) e por países como Portugal, Hungria, Coreia do Sul, Holanda, Áustria, República Tcheca, Uzbequistão, Suécia, Emirados Árabes Unidos, Eslováquia e Lituânia.
O Barracuda-500M teve seu primeiro teste de voo em 2024 e, desde então, vem sendo submetido a uma série de avaliações para validar seu desempenho e ampliar as possibilidades de emprego pelas forças armadas dos Estados Unidos e de países aliados.
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EUA podem perder para o Brasil o papel de maior exportador agrícola do mundo, diz Financial Times

Colheita de soja em Não-Me-Toque, município do Rio Grande do Sul.
Diego Vara/Reuters
Uma reportagem publicada nesta terça-feira (21/7) no britânico Financial Times, um dois principais jornais de finanças do mundo, afirma que os Estados Unidos correm o risco de perder para o Brasil o posto de maior exportador agrícola do mundo.
Segundo o Departamento de Agricultura americano e o Ministério da Agricultura brasileiro, os EUA exportaram US$ 171 bilhões em produtos agrícolas no ano passado, apenas US$ 2 bilhões a mais do que o Brasil. Em 2021, essa diferença foi de US$ 56 bilhões.
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O texto diz que as exportações brasileiras no agro cresceram 6% no primeiro semestre de 2026, atingindo um recorde de US$ 87 bilhões, graças não só ao seu papel de maior produtor mundial de soja e das carnes bovina e avícola, mas também do sucesso de cultivos como o algodão, que tinha os EUA como seu principal exportador, mas que foi ultrapassado pelo Brasil.
O papel da China
Para os analistas ouvidos pela reportagem britânica, que esteve nos Estados de Iowa, nos EUA, e em Mato Grosso, no Brasil, a principal razão por trás desta mudança está nas “perturbações comerciais desencadeadas pelas tarifas impostas pelo presidente Donald Trump”.
Isso porque a China, um dos maiores compradores do mundo, reduziu significativamente suas importações dos americanos depois que o republicano impôs tarifas ao país em 2018, ainda durante seu primeiro mandato na Casa Branca.
Um gráfico que acompanha a reportagem mostra que, em 2016, a China comprava volumes semelhantes de soja do Brasil e dos EUA. As exportações brasileiras já cresciam, mas em ritmo mais moderado.
Última visita de Trump a China, em maio de 2026, foi definida mais por uma retórica simbolista do que por anúncios concretos
Getty Images via BBC
Com a retaliação de Pequim às tarifas de Washington em 2018, porém, esse crescimento se acelerou. Em 2025, o Brasil exportou mais de 80 milhões de toneladas de soja para a China, enquanto os EUA não chegaram à casa das dezenas de milhões de toneladas.
Os dados são do UN Comtrade (United Nations Commodity Trade Statistics Database), considerado o maior e mais abrangente repositório público de estatísticas de comércio internacional.
O Financial Times diz que, embora os EUA sigam capazes de produzir “safras extraordinárias”, “as margens de lucro estão desaparecendo à medida que as tensões comerciais e os preços baixos deixam sua marca no Meio-Oeste”.
Segundo a reportagem, a estimativa da American Farm Bureau Federation, a maior organização e grupo de lobby de agricultores e pecuaristas dos EUA, é de que o setor tenha no próximo ano prejuízos de US$ 138 por acre para a soja, US$ 167 para o milho, US$ 145 para o trigo e US$ 406 para o algodão.
A ascensão de Mato Grosso
O Financial Times lembra que “a força do setor agrícola do Brasil não é apenas consequência da política comercial americana”, mas é algo que vem sendo construído ao longo das últimas décadas.
A reportagem conta que o Brasil, hoje líder ainda na exportação de café, cana-de-açúcar e suco de laranja, dependia de importações para alimentar sua população até os anos 1970. A situação mudou quando o país passou a tirar vantagem de seu território, capaz de gerar duas ou até três safras no mesmo ano.
Isso se deve, em parte, à disponibilidade e ao baixo custo da terra, principalmente nas regiões de fronteira, mas também à expansão da produção para áreas antes consideradas inférteis ou de difícil cultivo, que ganharam sobrevida com “o tratamento de solos pobres em nutrientes e o desenvolvimento genético de culturas adaptada ao clima”.
“Esse modelo de produção contínua ajuda a diluir os custos fixos e, normalmente, melhora as margens das propriedades rurais”, explicou Raphael Bulascoschi, analista da corretora de commodities StoneX, ao periódico britânico.
Mas o Brasil, acrescentam os especialistas ouvidos pelo Financial Times, também se prepara para cenários menos favoráveis, diante das altas taxas de juros internas, da queda nos preços das commodities e, após a guerra entre Irã e Israel, da alta no preço dos fertilizantes, que vêm, em sua vasta maioria, de fora.