ES vai ganhar polo logístico do agronegócio com aeroporto e galpões para café, pimenta e fertilizantes

Obras da pista de pouso e dos galpões no Orletti Park Log, em Pinheiros, Norte do Espírito Santo
Divulgação/Orletti Park Log
Produtores e empresários estão investindo na construção de um complexo logísitico do agronegócio localizado na cidade de Pinheiros, no Norte do Espírito Santo. A área terá 350 mil metros quadrados, com galpões e até um aeroporto.
O complexo deverá abrigar empresas de diferentes áreas, como fertilizantes e do comércio de café e outras culturas do agronegócio da região. “O agronegócio de toda a região vem crescendo muito forte. Estamos falando de café conilon, pimenta e outras culturas”, disse Thiago Orletti, idealizador do Orletti Park Log.
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O empresário também enxerga outras possibilidades para o complexo, para diversificar as atividades no local. Os valores que serão investidos no negócio não foram divulgados.
“Já começaremos com uma empresa de comércio de café e com uma outra que fará distribuição, mistura e fabricação de fertilizantes e três estruturas diferentes. Vejo possibilidades para packing house (casa de embalagem e beneficiamento) de frutas, outros tipos de serviços, agroindústria e comércio. O aeroporto vai dar muito dinamismo para isso aqui”.
A pista do aeroporto, que é o grande chamariz do projeto, terá 1.100 metros e poderá receber voos noturnos. No local, haverá ainda um hangar para guardar aeronaves e receber passageiros.
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“Começamos a perceber a necessidade de áreas maiores e mais modernas para que os empresários pudessem tocar os seus negócios e, além disso, a necessidade cada vez maior de pistas adequadas para aeronaves. Os produtores estão usando cada vez mais para trabalhar, afinal, os negócios estão crescendo, e precisamos receber os clientes, muitos vêm de fora do Brasil. Muita gente não vem a Pinheiros por falta de pistas adequadas para pousar. Isso vai acabar quando a nossa pista estiver pronta”, explicou Thiago Orletti, idealizador do Orletti Park Log.
A estapa de asfalto da pista começa em agosto e, na sequência, os empreendedores darão entrada na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) para que a operação seja autorizada.
“Queremos começar a usar o quanto antes, mas dependemos da autorização do órgão regulador. Sobre os armazéns, as obras dos primeiros já estão sendo concluídas e, nas próximas semanas, começaremos a operar”, explicou Orletti.
*Com informações de Abdo Filho.
Em 2025, o Espírito Santo exportou US$ 186,2 milhões para o Oriente Médio, com destaque para o café e a pimenta-do-reino
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Milei promove reforma do Banco Central e 'shutdown' em caso de déficit na Argentina

Presidente argentino Javier Milei em cerimônia que comemorou o 172º aniversário da Bolsa de Valores de Buenos Aires.
Mariana Nedelcu / Reuters
O presidente argentino, Javier Milei, apresentou nesta quinta-feira um pacote de reformas que inclui uma reorganização do Banco Central (BCRA) para aumentar a disciplina monetária e uma iniciativa para suspender atividades não essenciais do Estado em caso de déficit prolongado.
Em pronunciamento na TV, Milei detalhou seu plano para o BCRA, que busca proibir o financiamento monetário do Estado e das províncias. O projeto de lei estabelece que “a missão fundamental do Banco Central volta a ser a de preservar o valor da moeda”, ressaltou o presidente.
A mudança também busca dificultar os mecanismos de remoção das autoridades do órgão, para “blindar o presidente do BCRA e a diretoria dos abusos da política”, disse Milei, que criticou os governos anteriores e afirmou que “o Banco Central tem sido uma ferramenta que permitiu o roubo da alta política”.
O presidente também anunciou um projeto para implementar um “shutdown”, ou fechamento do governo, em caso de déficit fiscal prolongado, durante o qual “as atividades não essenciais do Estado serão paralisadas, os novos gastos serão congelados e nenhum contrato será concedido”. Durante esse período, nem os legisladores nem o alto escalão do Executivo “receberão um único peso de salário”.
O anúncio gerou uma resposta imediata do principal sindicato de trabalhadores do Estado (ATE), cujo líder, Rodolfo Aguiar, destacou que o fechamento “já começou” na prática, devido às políticas do governo. “Muitos serviços essenciais já não estão sendo garantidos por causa do ajuste, de cortes, do esvaziamento e de demissões em massa”, publicou no X.
O presidente apresentou ainda um projeto de “liberalização profunda” do mercado de capitais e uma “reforma estrutural do mercado de seguros”. Todas as iniciativas terão que ser aprovadas pelo Congresso antes de entrar em vigor, mas Milei não informou quando elas serão submetidas ao Legislativo.
O Ministro da Economia, Luis Caputo, disse que o presidente explicou os detalhes da reforma à diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, e que a funcionária saiu dessa reunião “muito satisfeita”. O Fundo já havia manifestado seu apoio ao projeto de reforma, que considera fundamental para facilitar o retorno da Argentina aos mercados financeiros e o acesso ao crédito.
Para o economista Daniel Marx, diretor da consultoria Quantum, o anúncio da reforma “busca reduzir o risco associado às eleições presidenciais de 2027, que muitas vezes se manifesta na Argentina em movimentos financeiros fortes”.
Agora no g1

Aplicativo do Tesouro Direto será desativado a partir de 17 de agosto

Logo do Tesouro Direto
Reprodução
O aplicativo do Tesouro Direto será desativado a partir de 17 de agosto, informou o programa na quinta-feira (30). A partir dessa data, usuários poderão acessar investimentos apenas pelo Portal do Investidor ou pelo aplicativo da instituição financeira onde mantêm conta.
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Segundo o Tesouro Direto, a mudança faz parte da “construção de uma nova experiência” para os investidores, que será apresentada futuramente. Ainda não há previsão para o lançamento da nova plataforma.
Com o fim do aplicativo, os investidores poderão continuar acompanhando a carteira, consultar títulos, verificar a rentabilidade, realizar aplicações e resgates, acessar o histórico de operações e gerenciar os investimentos por meio do Portal do Investidor.
O Tesouro Direto ressaltou que a desativação do aplicativo não altera os investimentos já realizados. Os títulos, valores aplicados, rentabilidade e demais informações permanecerão preservados, sem necessidade de qualquer ação por parte dos participantes do programa.
Agora no g1

Dívida pública sobe 10 pontos do PIB na parcial do governo Lula e atinge 81,9%, maior nível em mais de 5 anos

A dívida do setor público consolidado registrou alta de ponto percentual em junho, atingindo 81,9% do PIB — o equivalente a R$ 10,8 trilhões, segundo dados do Banco Central.
🔎 A dívida do setor público consolidado é um conceito fiscal que representa o montante total das obrigações financeiras assumidas por um ente da Federação (União, Estados, Distrito Federal e Municípios).
🔎 O indicador é considerado um termômetro da chamada “solvência” de uma nação, ou seja, da capacidade de honrar seus compromissos futuros. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.
Com isso, a dívida pública já subiu 10,2 pontos percentuais na parcial da atual gestão do governo Lula, visto que somava 71,7% do PIB no final de 2022.
Esse também é o maior nível desde abril de 2021, em meio à pandemia da Covid-19, quando o endividamento do setor público totalizou 82,6% do PIB.
A dívida pública também já se aproxima, com isso, do recorde histórico, atingindo justamente durante a pandemia, devido ao forte aumento de gastos públicos, de 87,7% do PIB.
💵 A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado financeiro, interpretado como um sinal da capacidade do país de honrar seus compromissos financeiros de curto, médio e longo prazo. Quanto maior o indicador, maior o risco de um calote em momentos de crise.
➡️ Com uma dívida mais alta, impulsionada pelos gastos públicos nos últimos anos da gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, há uma pressão maior sobre a taxa de juros brasileira. Isso se reflete nos juros cobrados pelo mercado financeiro ao setor produtivo da economia, restringindo o crescimento do país.
Comparação internacional
➡️ No padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), referência para comparação internacional — que inclui títulos públicos que estão na carteira do BC no endividamento brasileiro —, a dívida do país é muito maior: 95,8% do PIB (patamar de junho).
➡️Por esse conceito, a dívida brasileira já está bem mais próxima do recorde histórico, registrado em fevereiro de 2021 — quando somou 96,7% do PIB.
A série histórica da dívida brasileira, pelo padrão do Fundo Monetário Internacional (FMI), começou a ser calculada pelo Banco Central no fim de 2001. Naquele momento, somava cerca de 67% do PIB.
➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).
Crescimento da dívida
Os números do BC mostram que o endividamento permaneceu relativamente estável até 2014, o último ano do primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT).
No primeiro ano do segundo mandato de Dilma, em 2015, a dívida deu um salto de 10 pontos percentuais. Em 2016, subiu outros seis pontos percentuais. Dilma sofreu “impeachment” em agosto daquele ano.
Os dados do BC mostram que a dívida continuou crescendo na gestão Temer, e atingiu seu ápice em 2020, sob Jair Bolsonaro, por conta de gastos extraordinários relacionados com a Covid-19.
Apesar de mais de R$ 660 bilhões em despesas extraordinárias com a pandemia, a dívida caiu quando se considera toda gestão Bolsonaro, pois estava em 87,1% do PIB em 2019 (início do mandato), terminando 2022 (último ano do governo) em 83,9% do PIB.
No terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o endividamento subiu seis pontos percentuais em cerca de dois anos e meio por conta do aumento de despesas públicas, algo que tem pressionado a taxa de juros, tais como:
PEC da transição: governo aprovou, ainda em 2022, a chamada PEC da transição, por meio da qual ampliou o limite para gastos públicos, permanentemente, em cerca de R$ 170 bilhões por ano.
Reajuste real do salário mínimo: governo Lula retomou a política de reajustes reais do salário mínimo, ou seja, aumentos acima da inflação (limitada a 2,5%). Esse foi um dos principais fatores a elevar as despesas, visto que os benefícios previdenciários não podem ser menores que o salário mínimo.
Pisos saúde e educação: governo retomou a política de que os gastos mínimos em saúde e educação são atrelados à receita, e não mais à inflação do ano anterior (essas rubricas estavam dentro do teto de gastos, do presidente Temer, até então).
Pagamento de precatórios atrasados: o que injetou R$ 92,3 bilhões na economia no fim de 2023, início de 2024. A Fazenda admite que isso influenciou a aceleração no ritmo de crescimento do setor de serviços.
Reajustes a servidores públicos: governo retomou política de reajustes a servidores públicos, que estava represada no governo Jair Bolsonaro, com base na inflação. Houve ampla mesa de negociação com cerca de 100 categorias contempladas.
Dívida pública por mandatos pelo critério do FMI
Lula 1 (2003 a 2006): queda de 11,5 pontos do PIB;
Lula 2 (2006 a 2010): recuo de 2,2 pontos do PIB;
Dilma 1 (2010 a 2014): queda de 0,8 ponto do PIB;
Dilma 2 (2014 a agosto de 2016): alta de 10,7 pontos do PIB;
Temer (setembro 2016 a dezembro de 2018): alta de 12,5 pontos do PIB;
Bolsonaro (2019 a 2022): recuo de 0,8 ponto do PIB;
Lula 3 (2023 até junho de 2026): alta parcial de 10 pontos percentuais