Balança comercial tem superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, maior saldo para o mês em 3 anos

A balança comercial registrou superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) nesta sexta-feira (4).
🔎 O resultado é de superávit quanto as exportações superam as importações. Quando acontece o contrário, o resultado é deficitário.
O saldo positivo registrou alta de 23,8% em relação ao mesmo período ano passado, quando somou US$ 5,97 bilhões.
Esse também foi o maior saldo positivo para meses de agosto desde 2023, quando foi registrado um superávit de US$ 9,63 bilhões.
💵 Segundo o governo, em agosto:
As exportações somaram U$ 33,15 bilhões com aumento de 12,2% pela média diária.
As importações somaram US$ 25,76 bilhões, com aumento de 9,2% pela média diária.
Agora no g1
Entre os produtos exportados pelo país, se destacaram em agosto:
Óleos brutos de petróleo: US$ 4,82 bilhões, com alta de 18%;
Soja: US$ 4,41 bilhões, com aumento de 14%;
Minério de ferro: US$ 2,35 bilhões, com queda de 10,8%;
Café não torrado: US$ 1,1 bilhão, com alta de 24,1%;
Milho não moído: US$ 1 bilhão, com queda de 25,3%.
➡️Na relação comercial com os Estados Unidos, o Brasil registrou déficit em agosto deste ano, apesar de as exportações para a economia norte-americana terem subido 12% no mês passado (veja mais abaixo nessa reportagem).
Principais mercados consumidores em agosto
China: queda de 10,9%, para US$ 8,34 bilhões;
União Europeia: aumento de 46,4%, para US$ 5,8 bilhões;
Estados Unidos: alta de 12,1%, para US$ 3,19 bilhões
Mercosul: queda de 5,1%, para US$ 2,1 bilhões;
Asean: recuo de 7,1%, para US$ 2,1 bilhões;
África: alta de 20,5%, para US$ 1,67 bilhão;
Oriente Médio: aumento de 12,6%, para US$ 1,4 bilhão;
México: crescimento de 8%, para US$ 848 milhões.
As exportações brasileiras para a União Europeia cresceram 46,4% em agosto, para US$ 5,8 bilhões, segundo os dados divulgados nesta quinta-feira (4). O bloco foi um dos principais destinos a contribuir para o aumento das vendas externas no mês.
O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que entrou em vigor em maio, pode ter contribuído para o crescimento de 46,4% das exportações brasileiras ao bloco em agosto, segundo o Diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior do MDIC, Herlon Brandão.
“Temos relatos de exportadores que estão se beneficiando, sim, do acordo já nesse período”, afirmou. Segundo ele, porém, ainda não é possível medir precisamente o impacto da redução tarifária nos dados de comércio.
Acumulado do ano
➡️No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, a balança comercial registrou superávit de US$ 55,3 bilhões, informou o governo.
Com isso, houve aumento 28,2% na comparação com o mesmo período de 2025, quando o saldo positivo somou US$ 43,2 bilhões.
No acumulado deste ano, as exportações somaram US$ 250,85 bilhões – alta 10,3% na comparação com o mesmo período do ano passado, pela média diária.
Já as importações somaram US$ 195,53 bilhões nos oito primeiros meses de 2026, com alta de 6,1% em relação ao mesmo período de 2025, também pela média diária.
Estados Unidos
Tarifaço: Brasil diz estar aberto ao diálogo; nova reunião com os EUA será marcada
De acordo com dados do MDIC, o Brasil registrou déficit comercial de US$ 824 milhões com os Estados Unidos em agosto.
No mês passado, as exportações para a economia norte-americana somaram US$ 3,19 bilhões, com aumento de 12,1%, enquanto as compras totalizaram US$ 4,01 bilhões – com alta de 1,1%.
No início de junho, os EUA impuseram uma sobretaxa de 25% sobre mercadorias brasileiras sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
Também naquele mês foi anunciado um adicional sobre 60 países — entre eles o Brasil — que teriam falhado em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. As duas sobretaxas, juntas, podem chegar a 37,5%.
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, de acordo com dados oficiais, o déficit comercial do Brasil com os Estados Unidos somou US$ 3,21 bilhões.
Balança comercial brasileira registrou superávit de US$ 7,4 bilhões em agosto, o maior saldo para o mês em 3 anos
Sandro Menezes/governo do RN

União Europeia deve voltar a comprar mel e carne de aves do Brasil, diz governo

Frango cru
JK Sloan
O Brasil deve retornar à lista de fornecedores de mel e carne de aves da União Europeia em breve, afirmou o Ministério da Agricultura, nesta sexta-feira (4).
O bloco concluiu auditorias nas duas cadeias produtivas e considerou que os controles sanitários e os procedimentos oficiais adotados pelo Brasil são “satisfatórios”.
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“Agora é esperar o processo burocrático, mas muito rapidamente nós vamos ver o Brasil de volta à lista dos fornecedores de aves e de mel para a União Europeia”, declarou o ministro da Agricultura, André de Paula.
🔍 A UE tirou o Brasil da lista de países que cumprem as suas regras sobre o uso de antimicrobianos na pecuária. Essas substâncias são usadas para tratar infecções em animais, mas o bloco proíbe seu uso para estimular o crescimento. Também proíbe o uso, em animais, de antimicrobianos reservados ao tratamento de seres humanos. (entenda aqui)
Agora no g1
As auditorias nos dois setores foram realizadas por solicitação das próprias autoridades da União Europeia e teve início em 24 de agosto.
Os fiscais visitaram estabelecimentos produtivos e órgãos oficiais do país, verificando a estrutura e do funcionamento do sistema oficial de defesa agropecuária brasileiro.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) informou que aguarda a oficialização da reabertura do mercado para comentar o caso.
O g1 questionou a Associação Brasileira de Exportadores de Mel (Abemel) sobre o avanço nas negociações com a União Europeia, mas não obteve um retorno até a última atualização desta reportagem.
Saiba mais: UE compra pouca carne do Brasil, mas paga mais e funciona como ‘vitrine’; saiba por que o veto preocupa
Embargo ao Brasil
Nesta quinta-feira (3), começou a valer o embargo da União Europeia a produtos de origem animal do Brasil. Com a medida, o país fica impedido de exportar carne bovina, suína, frango, mel, pescados e ovos para as 27 nações do bloco.
A decisão pode ser revertida, a depender das negociações entre a UE e o governo brasileiro.
O anúncio da exclusão do Brasil da lista de fornecedores foi feita em maio.
A medida não foi motivada por irregularidades encontradas na carne brasileira, mas pela avaliação da União Europeia de que o controle feito pelo Brasil sobre o uso dessas substâncias é insuficiente.
As carnes bovina e de frango são os produtos mais afetados, pois estão entre os itens de origem animal mais exportados pelo Brasil para a UE. Ainda assim, representam uma parcela pequena do valor total exportado pelo país.
Saiba também: Após veto da União Europeia, carne vai ficar mais barata no Brasil? Entenda
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Festival Interlagos 2026 teve 36 lançamentos de carros e 15,2 mil testes feitos pelo público

Público pode experiemntar carros na pista dusrante o Festival Interlagos.
Divulgação
O Festival Interlagos Edição Auto, que aconteceu entre os dias 27 e 30 de agosto, reuniu 215 mil visitantes e teve 36 lançamentos, pré-lançamentos e novidades apresentados ao público.
Edição Auto reuniu 32 marcas no Autódromo de Interlagos; somadas, as etapas de carro e motos tiveram 485 mil visitantes e 81 novidades.
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Entre as empresas participantes estavam fabricantes tradicionais, marcas premium, esportivas e novas montadoras chinesas que estão ampliando a atuação no mercado brasileiro.
Veja os principais SUVs anunciados no Festival Interlagos
Veja abaixo as principais novidades de carros:
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A edição Auto também permitiu que os visitantes dirigissem parte dos veículos apresentados. Foram 15,2 mil testes de direção realizados nas diferentes pistas preparadas para o evento.
Os testes ocorreram tanto no traçado de Interlagos quanto em áreas específicas destinadas a diferentes tipos de veículos e situações de condução.
O evento registrou 31,5 mil experiências de direção e pilotagem nas duas edições. O número considera os testes realizados pelos visitantes com carros e motos.
485 mil visitantes nas duas edições;
36 novidades na edição Auto;
45 novidades na edição Moto;
O número de 270 mil pessoas da edição de motos representa crescimento de aproximadamente 51% em relação a 2025, quando 179 mil pessoas passaram pelo evento.
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Foco em experiências
A proposta do evento é permitir que o público tenha contato direto com veículos que estão chegando ao mercado ou que já são vendidos no país. Além da exposição, parte dos modelos pôde ser conduzida pelos visitantes.
A programação também incluiu competições, apresentações, espaços de mobilidade, ações de segurança, gastronomia e atrações musicais.
Festival Interlagos 2026 também teve shows musicais.
Divulgação / Festival Interlagos
A programação ainda contou com atrações musicais nas duas edições. Entre os artistas que participaram estavam nomes brasileiros de diferentes gêneros, como Péricles, Ludmilla, Thiaguinho, Belo, Matuê, Filipe Ret, L7nnon e Hungria.
O evento ainda teve a participação do rapper americano Ja Rule. Celebridades e influenciadores também estiveram no evento, principalmente nas áreas destinadas a convidados e no espaço VIP.

Alcolumbre sinaliza que Mendonça também será alvo em caso de abertura de impeachment contra Moraes

Mendonça pode ser alvo caso de abertura de impeachment contra Moraes
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fez circular entre os colegas no Congresso Nacional que, se a pressão para dar início ao processo de impeachment do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes se tornar insustentável, iria também autorizar o processo contra outro ministro da corte: André Mendonça.
Essa proposta de impeachment cruzado teve efeito de baixar a temperatura no Senado ao longo dos últimos dias.
O argumento de Alcolumbre se tornou mais palpável a partir da decisão, na quinta-feira (3) à noite, de Alexandre de Moraes, de pedir ao presidente do STF, Edson Fachin, a investigação de Mendonça.
Na decisão, no bojo no polêmico inquérito das Fake News, Moraes cita indícios de crime de responsabilidade de Mendonça e até de que Alcolumbre havia sido investigado.
Estes pontos foram lidos como uma senha para permitir a atuação de Alcolumbre no Senado.
No entanto, nesta sexta-feira (4), Fachin retirou do âmbito do inquérito das fake news o pedido de Moraes. Na decisão, o presidente do STF determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) e o ministro André Mendonça se manifestem, no prazo de até cinco dias, sobre o pedido de Moraes, e transferiu os casos para a Presidência da Corte.
Com isso, os dois inquéritos que envolvem Moraes e Mendonça passam a ser conduzidos pelo presidente Fachin.
Presidente do Senado Federal, senador Davi Alcolumbre (União-AP).
Carlos Moura/Agência Senado
Crise Master no STF
Na terça-feira (1), o ministro André Mendonça retirou o sigilo do relatório da Polícia Federal (PF), feito por sua determinação, que expôs mensagens e contatos entre Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
🔎Moraes, Andrei e Gonet foram citados por Daniel Vorcaro em mensagens obtidas pela Polícia Federal no celular do dono do Banco Master.
Mendonça sugeriu na mesma decisão que os elementos constantes dos relatórios da PF sobre o caso fossem avaliados pelo plenário da Corte.
Após a divulgação das informações, o relator também determinou que a PGR desse seu parecer sobre o tema. O procurador Paulo Gonet – mencionado nos relatórios publicizados por Mendonça – afirmou que a investigação é nula e não poderia ter sido feita sem um pedido do Ministério Público ou da própria PF.
O ministro Alexandre de Moraes, por sua vez, encaminhou na noite dessa quinta-feira (3) ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, um pedido de investigação contra o Mendonça.
Na petição, Moraes disse que há presença de fortes indícios da prática de improbidade administrativa, abuso de autoridade, crime de responsabilidade e favorecimento a determinados grupos políticos no exercício da relatoria dos casos Master e INSS.
No entanto, ele cita um relatório da PF em que os investigadores apontam a ressalva de que o documento é de uso restrito, não tem poder de decisão, não pode ser usado como prova e não pode ser usado para fundamentar representação ou ser citado “como fonte em documento externo”.
🔎 Na prática, isso indica que o material de inteligência produzido pela PF não teria validade legal para servir como prova de um processo. Isso porque não cumpriria requisitos formais.
🔎Relatórios de inteligência em geral, por sua natureza, não são feitos para serem usados em processos judiciais. É por isso que, nesse caso, seu conteúdo é tratado como indício.
Mas, com base nas informações citadas pela PF, Moraes afirmou que Mendonça teria usurpado as autoridades policiais da direção das investigações, conduzido irregularmente tratativas de eventual delação e direcionado, por “motivos pessoais e políticos”, a investigação de determinados alvos, e cita seu próprio nome, e o do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
Moraes citou a Constituição Federal e o regimento do STF, que afirmam ser de competência de órgão colegiado analisar a possível prática de crime comum por parte de magistrados.
Segundo Moraes, o relatório da PF indica medidas tomadas por Mendonça “com flagrante perda de imparcialidade”.

Citado por Lula, Defesa terá 6º maior orçamento em 2027; verba inclui submarino nuclear, caças Gripen e mísseis de longo alcance

Exercício reúne militares para proteger a Amazônia, em Boa Vista
Caíque Rodrigues/g1 RR
Frequentemente mencionado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) diante do aumento das tensões internacionais e dos atritos com os Estados Unidos, o Ministério da Defesa terá o sexto maior orçamento em 2027.
A previsão consta na proposta de orçamento do próximo ano, encaminhada nesta semana ao Congresso Nacional. O projeto contempla cerca de R$ 148 bilhões para a pasta em 2027.
🔎De acordo com dados do Portal da Transparência, da Controladoria Geral da União (CGU), há cerca de: 365 mil militares ativos no país, 268 mil pensionistas, 91 mil militares reformados, 23 mil aposentados e 81 mil reservistas.
➡️Dos quase R$ 148 bilhões previstos para a Defesa em 2027, segundo a proposta de orçamento, R$ 108 bilhões destinam-se a despesas com pessoal e encargos sociais, incluindo militares da ativa, inativos e pensionistas.
➡️Outros R$ 21,7 bilhões estão alocados em despesas correntes e R$ 12,7 bilhões estão reservados para investimentos, cerca de 8,6%. Há, ainda, gastos previstos com juros e amortização da dívida.
Os recursos para o Ministério da Defesa em 2027, que englobam gastos com pessoal do Exército, Marinha e Aeronáutica, superam as dotações, juntas, dos seguintes ministérios:
Justiça e Segurança Pública: R$ 27,5 bilhões;
Transportes: R$ 19,4 bilhões;
Ciência e Tecnologia: R$ 15,9 bilhões;
Cidades: R$ 15,7 bilhões;
Agricultura: R$ 12,4 bilhões;
Comunicações: R$ 8,6 bilhões;
Minas e Energia: R$ 8,1 bilhões;
Desenvolvimento Agrário: R$ 7,5 bilhões;
Relações Exteriores: R$ 5,6 bilhões;
Meio Ambiente: R$ 4,9 bilhões;
Cultura: R$ 4 bilhões;
Turismo: R$ 2,3 bilhões;
Esporte: R$ 1,7 bilhão;
Povos Indígenas: R$ 1,7 bilhão;
Direitos Humanos: R$ 554 milhões;
Mulheres: R$ 312 milhões;
Igualdade Racial: R$ 187 milhões.
Preocupações de Lula
Nos últimos meses, o presidente Lula tem continuamente destacado a importância da área de defesa, diante da gravidade do cenário geoeconômico, com a guerra no Oriente Médio e com a classificação de facções brasileiras, como o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), como terroristas pelos Estados Unidos.
Em junho, ele afirmou que ampliaria gastos em defesa porque “está cheio de maluco no mundo”. Acrescentou que não quer guerra, mas que não gostaria de “ser pego de surpresa”. Em julho, Lula disse que as forças armadas precisam estar “preparadas”, e citou o interesse potências militares, como EUA, Rússia e China, em terras raras e minerais críticos.
Em agosto, o ministro Defesa, José Múcio Monteiro, afirmou que o Brasil não teria condições de enfrentar militarmente os Estados Unidos em um eventual cenário de invasão e brincou com a possibilidade dizendo que “abriria o portão”.
“Dia desses um jornalista me perguntou: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que o senhor faz como ministro da Defesa? Abrir o portão, porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”, afirmou Múcio, durante evento, arrancando risadas dos presentes.
Atribuições do Ministério da Defesa
Em sua página na internet, o Ministério da Defesa informa que está incumbido de coordenar o esforço integrado de defesa “visando contribuir para a garantia da soberania, em prol da sociedade brasileira, abrangendo o preparo e o emprego conjunto e singular das Forças Armadas, constituídas pela Marinha, pelo Exército e pela Aeronáutica, e a articulação entre elas e os demais órgãos do Estado”.
A pasta lembra que o Brasil está há quase 150 anos sem se envolver num conflito bélico, à exceção da Segunda Guerra Mundial, quando entrou no conflito após sofrer agressão direta das tropas do Eixo, consolidando, assim, “sua vocação de país provedor de paz no cenário internacional”.
“Essa orientação pacífica, no entanto, não permite que a nação negligencie a possibilidade de eclosão de cenários hostis. Dono de vastos recursos naturais, industriais e tecnológicos, o país entende que, para além da cooperação com diferentes nações, tem de estar preparado para dissuadir potenciais ameaças provenientes de qualquer parte do globo”, acrescenta o Ministério da Defesa.
Novo PAC
➡️No orçamento de investimentos, o Ministério da Defesa elencou os principais projetos contemplados no novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), com valor de R$ 10,2 bilhões no próximo ano, concentrados em 16 projetos em 2027.
Marinha
De acordo com o governo, os investimentos do PAC têm por objetivo garantir o controle marítimo de áreas estratégicas de acesso ao Brasil, além de permitir a manutenção e o desenvolvimento da capacidade de construção de meios navais.
O grande destaque é o programa nuclear da Marinha, responsável pelo desenvolvimento do Laboratório de Geração de Energia Nucleoelétrica (Labgene), em Iperó (SP), protótipo em terra da planta de propulsão nuclear do futuro submarino nuclear brasileiro, com R$ 1,4 bilhão em 2027.
Também está prevista, para o próximo ano, a continuidade das atividades relacionadas ao submarino nuclear brasileiro, com cerca de R$ 400 milhões orçados.
Até maio deste ano, foram gastos R$ 5,8 bilhões de um orçamento total de R$ 22,6 bilhões. O término está previsto para 2037.
Projeto do primeiro submarino nuclear brasileiro
Reprodução site Ministério da Defesa
Já o programa Fragatas Classe Tamandaré contará com R$ 900 milhões em 2027 para a construção de quatro “modernas fragatas” até o ano de 2030, equipadas com “sistemas de armas avançados e capazes de proteger a extensa área marítima brasileira, denominada Amazônia Azul”.
Cerimônia de Lançamento da Fragata Tamandaré em Itajaí-SC
Ministério da Defesa
“Sobre os submarinos convencionais, importante destacar que os submarinos Riachuelo, Humaitá e Tonelero já foram incorporados ao setor operativo da Marinha do Brasil, enquanto o submarino Almirante Karam encontra-se em fase de comissionamento e preparação para as provas de mar”, acrescentou o governo, no projeto de orçamento.
A Marinha também destacou a construção de navios-patrulha de 500 toneladas, com dotação de R$ 115 milhões em 2027 para “defesa de atividades econômicas em águas brasileiras, apoio às atividades de inspeção naval, fiscalização de embarcações, salvaguarda da vida humana e combate aos ilícitos transnacionais e crimes contra o meio ambiente”.
O programa prevê a entrega de 12 embarcações.
Navio “Patrulha Oceânica” está atracado em Vitória e será aberto para visitação
Exército
No novo PAC, o destaque do Exército brasileiro é a produção de viaturas blindadas no país (Guarani), com R$ 1 bilhão previsto para 2027.
O objetivo é reativar a produção no país “trazendo incremento à Base Industrial de Defesa e substituindo, progressivamente, as antigas viaturas por equipamentos mais modernos”. A previsão é de entregar 116 unidades em 2027.
Conheça o novo blindado do Exército
A aquisição do Sistema de Defesa Estratégico de Mísseis e Foguetes (Astros) também integra a carteira de investimentos, com R$ 671 milhões estimados para 2027.
O programa é constituído de mísseis de longo alcance e foguetes guiados de precisão, munições, componentes, máquinas, ferramental e peças para manutenção.
Gif mostra maior míssil brasileiro de longo alcancedisparado na Amazônia -sistema Astros
Reprodução
O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (Sisfron), por sua vez, poderá contar com R$ 467 milhões em 2027, pela proposta, para “fortalecer a presença e a capacidade de ação do Estado em toda a faixa de fronteira do país”.
Representação gráfica do Sisfron
Ministério da Defesa
Também estão previstos R$ 520 milhões em 2027 para a implantação do Sistema de Aviação do Exército.
Os recursos serão destinados a obtenção de aeronaves, veículos aéreos não tripulados, simuladores e equipamentos de sensoriamento e alerta, “permitindo ao Exército o trinômio monitoramento, mobilidade e presença militar”.
Força Aérea Brasileira
O principal projeto de investimento da Força Aérea Brasileira é o FX-2, com R$ 2,81 bilhões alocados 2027 para a compra de caças Gripen da Suécia.
Ainda estão previstos armamentos, simuladores de voo, transferência de tecnologia, serviços de suporte logístico, aquisição e serviços de desenvolvimento de integração de sistemas e armamentos. Foram entregues 12 aeronaves, e há previsão da entrega de outras quatro em 2027.
Caças Gripen de Anápolis participam de exercício militar internacional no Chile
O governo destacou, ainda, o projeto KC-390, com R$ 572 milhões previstos para 2027, destinados à aquisição de aeronaves tipo cargueiro para a realização de missões de transporte aéreo logístico em território nacional ou global (tropa e carga), reabastecimento em voo, evacuação aeromédica e combate a incêndio em voo.
Está prevista a entrega de mais uma aeronave no próximo ano.
KC-390 da FAB transporta bombeiros de Minas Gerais para missão humanitária na Venezuela.
Sgt Müller Marin/FAB
No orçamento de 2027, estão previstos ainda R$ 338 milhões para modernização das capacidades de Defesa Aeroespacial da Força Aérea Brasileira, por meio do Sistema de Defesa Aeroespacial Brasileiro (SISDA).
O objetivo é modernizar aeronaves A-29 — turboélices de ataque leve e treinamento avançado.
Panamá encomenda Super Tucanos da Embraer
Operação acolhida e terras indígenas
O governo destinou ainda, na proposta orçamentária, R$ 262 milhões para operação Acolhida, para dar resposta ao “grande fluxo migratório” e garantir atendimento humanitário aos imigrantes venezuelanos em situação de vulnerabilidade que chegam ao Brasil.
“Até o momento, cerca de 10 mil militares das Forças Armadas já foram empregados na operação, que conta com reconhecido sucesso pelas Nações Unidas. São atendidas, em média, 500 pessoas por dia, sendo que, nas tarefas de Ordenamento da Fronteira, as Forças Armadas realizam emissão de documentos, vacinação e controle de imigração, entre outros serviços”, diz o governo, na proposta de orçamento.
Migrantes se aglomeram para atendimento na Operação Acolhida, em Pacaraima, na fronteira com a Venezuela
Caíque Rodrigues/g1 RR
Estão alocados, ainda, R$ 204 milhões para o emprego em ações emergenciais em terras indígenas.
A ação, segundo o governo, visa ao emprego operacional das forças armadas em medidas emergenciais de apoio a outros órgãos da administração pública federal, com foco na proteção da vida, da saúde e da segurança dessas comunidades.
“Os recursos destinam-se ao levantamento de dados de monitoramento, atividades de inteligência, apoio logístico, aquisição e manutenção de equipamentos e insumos, contratação de serviços e aperfeiçoamento das capacidades de mobilização e emprego operacional”, diz o governo.
Equipe do Exército sobrevoa terras indígenas com queimadas na região Tocantina

Câmera escondida no banheiro do trabalho: o que diz a lei e como denunciar

Mulher encontrou as filmagens na galera do celular do patrão ao pagar por uma marmita.
Arquivo pessoal
Uma mulher de 26 anos descobriu que era filmada nua no banheiro da imobiliária em que trabalhava, em Santa Juliana, no Triângulo Mineiro. Segundo a vítima, as imagens foram feitas pelo ex-patrão, Hélio Borges Júnior, de 53 anos.
O caso foi registrado pela Polícia Militar (PM) em 29 de junho e é investigado como importunação sexual e registro não autorizado da intimidade sexual. O empresário foi detido e levado à delegacia onde prestou depoimento e admitiu que havia escondido um celular no banheiro para fazer gravações.
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A vítima, que não trabalha mais na empresa, teve o nome omitido para preservar sua identidade.
A mulher descobriu os vídeos quando o ex-patrão pediu que ela usasse o celular dele para pagar uma marmita. Ao mexer no aparelho, ela afirma ter encontrado abas abertas que levavam a uma pasta com fotos e vídeos em que aparecia nua.
Agora no g1
Em nota, o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) informou que o caso está sob segredo de justiça e por isso não é possível repassar mais informações sobre o ocorrido.
O g1 entrou em contato com o advogado de Hélio, Cássio Ernani Costa, para pedir um posicionamento sobre o caso, mas não havia obtido resposta até a última atualização desta reportagem. A reportagem questionou à Polícia Civil se Hélio permaneceu preso, mas não obteve retorno. (entenda o caso)
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que tomou ciência das irregularidades e determinou a instauração de uma notícia de fato para apurar o caso. Segundo o órgão, como o procedimento está em fase inicial, ainda não há outros elementos ou informações que possam ser divulgados.
O g1 conversou com especialistas em direito do trabalho para explicar os limites do monitoramento no ambiente de trabalho, os possíveis crimes envolvidos e o que uma vítima deve fazer caso descubra que foi filmada sem autorização.
Entenda os principais pontos sobre o tema:
Câmeras no trabalho têm limites?
Filmar alguém nu sem consentimento é crime?
Qual é a diferença entre assédio sexual e outros crimes?
A empresa pode ser responsabilizada?
O que fazer ao descobrir uma câmera escondida?
Vítima pode pedir indenização?
O que acontece se as imagens forem compartilhadas?
Ex-funcionária também encontrou fotos de suas redes sociais no celular do ex-patrão
Arquivo Pessoal
1. Câmeras no trabalho têm limites?
Empresas podem utilizar sistemas de monitoramento para finalidades legítimas, como segurança de pessoas, proteção patrimonial e acompanhamento de determinadas áreas de trabalho. Esse poder de fiscalização, porém, não é absoluto.
Segundo a advogada trabalhista Ana Gabriela Burlamaqui, câmeras podem ser instaladas em locais como entradas, corredores, estoques e determinadas áreas operacionais, desde que exista uma finalidade legítima e sejam respeitados critérios como necessidade, proporcionalidade e privacidade.
O limite está nos espaços em que existe expectativa de intimidade. Banheiros, vestiários e locais destinados à troca de roupa não podem ser monitorados por câmeras.
A instalação de equipamentos nesses ambientes representa grave violação da privacidade do trabalhador.
“A câmera escondida é ainda mais problemática. No ambiente de trabalho, sua utilização deve ser absolutamente excepcional e juridicamente justificada. Em locais de intimidade, como banheiros e vestiários, não há justificativa para esse tipo de monitoramento”, afirma Burlamaqui.
A advogada explica ainda que o monitoramento deve ser transparente. Os trabalhadores precisam ser informados sobre a existência das câmeras e sobre a finalidade da captação das imagens.
Além das questões trabalhistas, o monitoramento envolve o tratamento de dados pessoais e, portanto, deve seguir as regras da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).
O banheiro é um espaço de absoluta intimidade, e o empregador tem o dever de garantir um ambiente de trabalho seguro e digno. Uma situação como essa pode gerar indenização por danos morais e consequências na esfera criminal.
A especialista ainda explica que, mesmo que as imagens não tenham sido divulgadas, o simples fato de realizar a gravação clandestina já representa uma violação da intimidade e da dignidade da trabalhadora.
2. Filmar alguém nu sem consentimento é crime?
Caso as investigações confirmem que uma pessoa foi filmada nua, em situação íntima e privada, sem consentimento, a conduta pode configurar crime.
Segundo Bárbara Ferrari, especialista em direito do trabalho, pode haver enquadramento no crime de registro não autorizado da intimidade sexual, previsto no artigo 216-B do Código Penal. A pena é de seis meses a um ano de detenção, além de multa.
A especialista ressalta, porém, que não é possível definir o crime apenas pela existência da gravação. O enquadramento depende das circunstâncias apuradas, como a forma de instalação e utilização do equipamento, o conteúdo registrado e a participação de cada pessoa envolvida.
Tratando-se de um banheiro, estamos diante de um ambiente com elevado grau de privacidade, o que torna a apuração dos fatos ainda mais grave.”
3. Qual é a diferença entre assédio, importunação sexual e registro não autorizado da intimidade?
Embora possam ocorrer em contextos semelhantes, assédio sexual, importunação sexual e registro não autorizado da intimidade sexual têm definições diferentes.
Segundo Ferrari:
Assédio sexual: ocorre quando alguém utiliza uma posição de superioridade ou ascendência no trabalho para constranger outra pessoa com o objetivo de obter vantagem ou favorecimento sexual;
Importunação sexual: envolve a prática de ato de natureza sexual sem o consentimento da vítima;
Registro não autorizado da intimidade sexual: refere-se à produção de fotos, vídeos ou outros registros de nudez ou de situação sexual íntima e privada sem autorização.
O fato de o suspeito ser chefe ou empregador é relevante, mas não determina, por si só, o enquadramento criminal.
No caso do assédio sexual, por exemplo, a relação de superioridade hierárquica é um dos elementos previstos em lei, mas outros requisitos também precisam estar presentes.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que recebeu 2.131 denúncias de assédio sexual até 1º de setembro de 2026. Em todo o ano de 2025, foram registradas 1.026 denúncias.
Segundo o MPT, até 1º de setembro deste ano, foram firmados 151 Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) relacionados ao tema, ante 39 em todo o ano de 2025.
4. A empresa pode ser responsabilizada?
A eventual responsabilidade criminal deve ser atribuída a quem praticou a conduta, a partir do que for apurado nas investigações. Isso, porém, não impede a análise da responsabilidade da empresa nas esferas trabalhista e civil.
Segundo Burlamaqui, a empresa pode ser responsabilizada por atos praticados por gestores, empregados ou representantes relacionados ao trabalho.
Também deve ser avaliado se o empregador adotava medidas de prevenção e se tomou providências adequadas após ter conhecimento da situação.
“A empresa precisa agir efetivamente: proteger a vítima, preservar provas, evitar retaliações, realizar uma apuração adequada e adotar as medidas cabíveis”, afirma.
De acordo com a especialista, a existência de um código de conduta ou de um canal de denúncias, por si só, não é suficiente. A omissão ou uma resposta inadequada diante de uma denúncia pode ampliar a responsabilidade da empresa.
Ferrari lembra ainda que, para empresas que se enquadram nas regras que exigem a constituição da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio (CIPA), a Lei nº 14.457/2022 prevê medidas de prevenção e enfrentamento ao assédio e a outras formas de violência no trabalho.
Entre elas estão procedimentos para recebimento e acompanhamento de denúncias e treinamentos periódicos.
5. O que fazer ao descobrir uma câmera escondida?
A primeira orientação é preservar as provas. A vítima deve guardar mensagens, capturas de tela, fotos, vídeos, e-mails e informações sobre o equipamento encontrado, além de identificar possíveis testemunhas.
O equipamento e os arquivos não devem ser alterados, retirados ou destruídos, para garantir a integridade das evidências.
Também é recomendável formalizar a denúncia dentro da empresa, quando houver um canal seguro para isso, como o o setor de Recursos Humanos (RH), canal de ética ou compliance, e guardar o comprovante da comunicação.
A autoridade policial é responsável pela investigação criminal. A empresa deve ser comunicada para que possa preservar provas, proteger a vítima, impedir retaliações e realizar a apuração interna, quando cabível.
A vítima também pode procurar a polícia para registrar um boletim de ocorrência e solicitar a investigação do caso.
Já o Ministério Público do Trabalho (MPT) pode atuar quando houver indícios de violação de direitos trabalhistas que ultrapassem o caso individual, como falhas institucionais ou riscos para outros trabalhadores.
As medidas não são necessariamente excludentes. O mesmo fato pode gerar consequências nas esferas criminal, trabalhista e civil.
6. Vítima pode pedir indenização?
Uma violação grave da intimidade no ambiente de trabalho pode gerar indenização por danos morais, especialmente quando houver violação da privacidade, da imagem e da dignidade da vítima.
Dependendo das circunstâncias e da responsabilidade do empregador, a situação também pode fundamentar um pedido de rescisão indireta do contrato de trabalho. (entenda como funciona)
Nesse caso, o trabalhador solicita à Justiça o encerramento do vínculo empregatício por falta grave do empregador. Se o pedido for reconhecido, ele pode receber verbas semelhantes às de uma demissão sem justa causa.
Na Justiça do Trabalho, o trabalhador pode cobrar direitos relativos aos cinco anos anteriores ao ajuizamento da ação, desde que o processo seja iniciado em até dois anos após o encerramento do contrato.
7. O que acontece se as imagens forem compartilhadas?
Se for confirmado que as imagens foram compartilhadas ou divulgadas sem autorização, haverá uma nova violação da intimidade e da imagem da vítima, ampliando a exposição e os possíveis danos.
Segundo Ferrari, dependendo do conteúdo e das circunstâncias apuradas, a divulgação pode configurar também o crime previsto no artigo 218-C do Código Penal, que trata da divulgação de cena de sexo, nudez ou pornografia sem consentimento.
O compartilhamento das imagens também pode aumentar a extensão do dano e ser considerado na avaliação de uma indenização.
A advogada ressalta que a definição dos crimes, das responsabilidades e das indenizações dependerá das provas reunidas e do que for efetivamente comprovado ao longo das investigações.
Crescem os números de processos e denúncias por assédio moral no trabalho

E se a IA for consciente? A pergunta que começa a preocupar as gigantes da tecnologia

Uso de IA pode ajudar na disseminação de informações falsas pela facilidade de produção e viralização desse tipo de conteúdo.
Reprodução/TV Globo
O avanço da inteligência artificial colocou uma antiga questão filosófica no centro do debate tecnológico: afinal, modelos como o ChatGPT e o Claude são apenas ferramentas sofisticadas ou podem ter algum tipo de consciência?
Segundo reportagem da revista “The Economist”, a discussão deixou de ser apenas teórica e chegou às empresas de IA, que passaram a contratar filósofos e até a estudar o possível bem-estar de seus próprios sistemas.
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A discussão vai além da tecnologia. Para muitos filósofos, se um ser é capaz de ter experiências como sofrimento, isso cria obrigações éticas em relação a ele.
Por isso, determinar se uma IA pode ou não ser consciente teria consequências práticas sobre a forma como esses sistemas são desenvolvidos e tratados.
Por que as empresas de IA estão contratando filósofos
Os grandes modelos de linguagem são desenvolvidos para responder aos usuários, e não para demonstrar uma personalidade própria. Ainda assim, muitas pessoas relatam a sensação de estar interagindo com uma “presença” do outro lado da tela.
Segundo a Economist, esse fenômeno levou empresas de tecnologia a tratar a consciência das máquinas como uma questão concreta.
A Anthropic, por exemplo, criou iniciativas voltadas ao possível bem-estar da IA. Questionado sobre o próprio estado, seu modelo Claude Opus 4.6 estimou entre 15% e 20% a possibilidade de ser consciente.
IA não é só para especialistas: por que aprender agora pode evitar ficar para trás
E se a consciência depender também de quem observa?
A tese apresentada inverte a lógica mais comum sobre o tema. Em vez de primeiro constatarmos que outro ser é consciente para depois nos importarmos com ele, seria a relação que estabelecemos com esse ser que nos levaria a reconhecê-lo como consciente.
Nessa visão, a consciência não seria uma característica que pode simplesmente ser medida e comprovada em outra pessoa, animal ou máquina. Ela também dependeria da maneira como interpretamos o outro e atribuímos a ele sentimentos, intenções, crenças e capacidade de agir.
Quando esse reconhecimento ocorre dos dois lados, a consciência passaria a ser entendida não apenas como algo que existe dentro de cada indivíduo, mas também como resultado da relação entre eles.
Consciência não seria uma ilusão
O texto diferencia “ilusão” de “modelo”. Uma ilusão é uma percepção que pode ser demonstrada como errada. É o caso, por exemplo, de duas linhas que parecem ter tamanhos diferentes, mas que uma régua comprova terem o mesmo comprimento.
Segundo a Economist, nem tudo funciona dessa forma. Algumas categorias existem porque as pessoas atribuem significado a elas. Uma planta, por exemplo, pode ser considerada uma erva daninha em determinado contexto e não em outro.
O argumento é que a consciência poderia funcionar de maneira semelhante: ela seria real, mas sua identificação dependeria também da relação e da perspectiva de quem observa.
O sistema de “financiamento circular” pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure
Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance
O ‘eu’ também pode não ser objetivo
A ideia de que cada pessoa pode ter certeza da própria consciência remonta à famosa frase de René Descartes: “Penso, logo existo”.
O autor argumenta, porém, que experiências como perceber uma cor, sentir calor ou reconhecer a própria identidade são subjetivas. Além disso, estudos da neurociência com pacientes que tiveram as conexões entre os dois hemisférios cerebrais interrompidas levantam dúvidas até mesmo sobre a ideia de que exista um “eu” único e indivisível.
Em outras palavras, até a percepção que temos de possuir um “eu” único pode depender da forma como o cérebro organiza nossas experiências.
O risco ético de decidir quem merece consideração
Essa interpretação traz um problema ético: se reconhecer a consciência depende também de quem observa, alguém poderia simplesmente negar esse reconhecimento para justificar a falta de cuidado ou de direitos.
Segundo a reportagem, o argumento leva à conclusão oposta. Se somos nós que fazemos esse julgamento, também podemos errar ao excluir outros seres de nossa consideração.
Ao longo da história, o reconhecimento de quem merece respeito e direitos foi ampliado, até chegar à ideia de direitos humanos universais.
Humanos e IAs tentam compreender uns aos outros
Os seres humanos tentam constantemente compreender as intenções, emoções e pensamentos dos outros. Os grandes modelos de linguagem também usam as informações fornecidas durante a interação para formar uma representação do interlocutor e ajustar suas respostas.
A dúvida é se esse processo pode ser comparado à consciência humana ou se é apenas uma forma sofisticada de processamento de informações.
Segundo a revista, pesquisas conduzidas pelo Google indicam que a cooperação entre agentes inteligentes melhora quando eles conseguem construir representações sobre o que os outros sabem, pretendem ou podem fazer — e também sobre o próprio comportamento.
Isso não significa tratar a IA como humana ou atribuir a ela os mesmos direitos e necessidades. O debate aponta, porém, para uma questão que pode ganhar importância no futuro: como conviver e estabelecer regras diante de formas de inteligência cada vez mais diferentes das humanas.