Quase metade dos profissionais admite fingir estar ocupada para evitar mais trabalho, diz pesquisa

Quase metade dos profissionais admite fingir estar ocupada para evitar mais trabalho, diz levantamento
Reprodução/Freepik
Uma pesquisa nacional realizada pela Heach Recursos Humanos revelou que 48,6% dos profissionais disseram já ter fingido estar ocupados para evitar receber novas demandas de trabalho.
O levantamento ouviu 2.487 profissionais de diferentes segmentos e investigou comportamentos ligados à produtividade, à busca por novas oportunidades, à gestão do tempo durante o expediente, a faltas e às informações apresentadas em currículos.
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Segundo a pesquisa, 86,5% dos entrevistados disseram já ter adotado pelo menos um dos oito comportamentos analisados, que, em geral, passam despercebidos pelas empresas.
O comportamento mais frequente foi a busca por outro emprego sem comunicar a empresa atual. Segundo os dados, 69,4% dos entrevistados afirmaram já ter feito isso de forma discreta, o equivalente a 1.726 pessoas da amostra.
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Em seguida, 66,8% disseram já ter resolvido assuntos pessoais durante o horário de trabalho. Outros 54,7% relataram ter participado de entrevistas para outras vagas durante o expediente.
Entre os comportamentos relacionados ao uso do tempo de trabalho, 51,2% disseram já ter informado que estavam trabalhando quando, na realidade, realizavam alguma atividade pessoal.
Já 48,6% afirmaram ter fingido estar ocupados para evitar receber novas tarefas, o equivalente a 1.209 pessoas.
Veja os principais resultados da pesquisa:
🔎 69,4% já procuraram outro emprego sem informar a empresa;
😐 66,8% resolveram assuntos pessoais durante o expediente;
👩🏽‍💻 54,7% fizeram entrevista para outro emprego durante o horário de trabalho;
💻 51,2% disseram estar trabalhando enquanto realizavam uma atividade pessoal;
🚨 48,6% fingiram estar ocupados para evitar receber mais trabalho;
⏰ 39,7% inventaram ou exageraram uma justificativa para atraso ou ausência;
🤧 33,6% utilizaram atestado mesmo considerando que poderiam trabalhar;
📃 29,4% mentiram, omitiram ou exageraram alguma informação no currículo.
Comportamento dos trabalhadores oculto das empresas
Arte g1
O levantamento, batizado de “A Vida Secreta do Trabalhador Brasileiro”, aponta comportamentos que podem não aparecer nos indicadores tradicionais usados pelas empresas para acompanhar a rotina dos funcionários.
Para Elcio Teixeira, CEO da Heach, os resultados devem ser analisados de maneiras diferentes e não representam necessariamente um retrato de “maus funcionários”.
“Não podemos colocar no mesmo lugar alguém que procura outra oportunidade profissional e alguém que falseia uma informação no currículo. São fenômenos completamente diferentes”, afirma.
Segundo o executivo, os resultados mostram uma diferença entre aquilo que as empresas conseguem acompanhar por meio de sistemas e indicadores e o que ocorre na rotina dos funcionários.
“As empresas sabem muito sobre seus funcionários do ponto de vista cadastral, contratual e de desempenho, mas sabem muito menos sobre o que acontece na relação cotidiana entre indivíduo e trabalho”, explica.
“Quando 86,5% dos profissionais reconhecem pelo menos um comportamento que permanece fora do radar da organização, talvez o dado mais importante não seja a transgressão, mas a dimensão dessa zona invisível na relação de trabalho”, completa o executivo.
Faltas, atestados e informações em currículos
A pesquisa também identificou comportamentos relacionados a faltas, atestados e informações apresentadas em processos seletivos.
Entre os entrevistados, 39,7% disseram já ter inventado ou exagerado uma justificativa para atrasos ou ausências. Outros 33,6% afirmaram ter usado atestado médico mesmo acreditando que tinham condições de exercer suas atividades.
Já 29,4% reconheceram ter omitido, exagerado ou apresentado informações incorretas no currículo durante processos seletivos.
Para Teixeira, os resultados também levantam questionamentos sobre modelos de gestão baseados principalmente na presença, na disponibilidade ou no tempo de conexão.
“Quanto maior a distância entre aquilo que as pessoas fazem e aquilo que sentem que podem dizer à organização, maior é o ponto cego da gestão”, afirma.
O executivo também considera que buscar uma nova oportunidade profissional sem comunicar a empresa faz parte da autonomia do trabalhador e, por si só, não configura irregularidade.
Uma organização pode acreditar que possui uma equipe estável quando, na prática, parte dos profissionais já está avaliando outras possibilidades. A solução para esse desafio não necessariamente está no aumento da vigilância, mas na construção de ambientes com mais confiança, diálogo, lideranças de qualidade e compreensão das necessidades dos trabalhadores.
Esses comportamentos podem afetar a relação profissional?
Os resultados, por si só, não permitem concluir que os trabalhadores estejam insatisfeitos ou desengajados, mas revelam uma distância entre o que vivem no ambiente de trabalho e o que sentem que podem expor à empresa.
Para Louis Burlamaqui, especialista em cultura organizacional, o número de profissionais que admitem esconder determinados comportamentos chama atenção e pode indicar um problema de confiança nas relações de trabalho.
“Eu não diria que 86,5% das pessoas estão desengajadas. Mas diria que existe uma distância relevante entre aquilo que o trabalhador vive e aquilo que sente que pode revelar dentro da empresa”, afirma.
Um dos resultados que mais chamaram atenção foi a percepção de sobrecarga velada: quase metade dos entrevistados afirmou já ter aparentado estar ocupada para não receber novas demandas.
Segundo Burlamaqui, o comportamento pode funcionar como uma estratégia informal de proteção diante da dificuldade de estabelecer limites de forma direta.
Se quase metade das pessoas sentiu necessidade de aparentar estar ocupada para não receber mais trabalho, precisamos perguntar por que dizer simplesmente ‘minha capacidade está no limite’ parece tão difícil.
Segundo ele, em algumas organizações, profissionais mais eficientes acabam recebendo novas demandas de forma contínua, o que pode incentivar mecanismos silenciosos de defesa.
A pesquisa também mostra que procurar outro emprego sem comunicar a empresa é um comportamento comum. Para Burlamaqui, buscar oportunidades no mercado é um movimento natural da carreira e não significa, necessariamente, insatisfação com o emprego atual.
Quando essa procura se torna recorrente, porém, pode estar relacionada a fatores como remuneração, perspectivas de crescimento, reconhecimento ou relação com a liderança.
Embora essas atitudes possam ser pontuais, Burlamaqui alerta que podem trazer consequências quando se transformam em padrão.
“A reputação profissional é construída pela consistência dos comportamentos. Existe uma diferença importante entre estabelecer limites e fugir de responsabilidades”, ressalta.
Como alternativa, ele defende conversas mais transparentes entre trabalhadores e gestores sobre capacidade de entrega, prioridades e carga de trabalho. “Tenho estas cinco entregas e entrou uma sexta. Qual delas deve perder prioridade?”, exemplifica.
Para o especialista, as empresas também precisam criar ambientes em que os profissionais possam falar sobre limites e dificuldades sem receio de consequências negativas. “Quando a conversa formal não funciona, o comportamento informal acaba ocupando esse espaço”, conclui.
Metodologia
A pesquisa ouviu profissionais das cinco regiões do país entre 1º e 11 de setembro de 2026. Os participantes foram selecionados a partir da base da Heach Recursos Humanos, que reúne mais de 14 milhões de currículos, e responderam a um questionário estruturado e autoadministrado em ambiente digital.
A amostra buscou contemplar diferenças de idade, escolaridade, região, nível hierárquico e modelo de trabalho. Para cada um dos oito comportamentos investigados, os participantes podiam responder “sim”, “não” ou “prefiro não responder”.
Segundo a empresa, os resultados se referem apenas aos participantes do levantamento e devem ser interpretados considerando que a amostra foi formada a partir da base de profissionais da própria Heach.
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A IA pode superar a inteligência humana? Se revoltar? Veja o que dizem especialistas

‘Parece lixo de IA’: por que plataformas agora estão ‘dedurando’ conteúdos feitos com IA
O ChatGPT foi lançado em 2022. De lá para cá, a inteligência artificial evoluiu em um ritmo acelerado, quase sem freio. Casos recentes em que sistemas de IA saíram do controle e chegaram a invadir sites mostram o desafio de traçar limites.
A repercussão nos últimos dias chegou aos executivos de grandes empresas de IA, que até defenderam uma pausa no avanço das tecnologias para tornar seu desenvolvimento mais seguro.
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O estopim foi um texto publicado por Dario Amodei, CEO da Anthropic, empresa responsável pelo Claude. “Precisamos desacelerar o ritmo com que aprimoramos as capacidades dos modelos de IA”.
Afinal, quais são os riscos reais da inteligência artificial para a sociedade? Ela realmente pode se revoltar contra os humanos? Para responder a essas e outras dúvidas, o g1 ouviu especialistas em IA, que explicam a seguir quais são os principais riscos.
Logo da OpenAI no celular.
Dado Ruvic/Reuters
A IA poderia ter vontade própria ou se revoltar contra os humanos?
A IA não tem vontade própria, explica Edney Souza, professor da educação continuada da ESPM e especialista em tecnologia e inovação. Segundo ele, a tecnologia apenas completa padrões estatísticos a partir de textos que já existem.
“Tudo que parece comportamento estranho ou mentira é uma ideia emprestada da própria base de treinamento, ou seja, dos dados e informações usados para treinar a tecnologia”, completa o especialista.
Para Diogo Cortiz, especialista em IA e professor da PUC-SP, a IA não tem nenhum tipo de consciência e, por isso, não poderia se revoltar contra os humanos. “O que pode acontecer é que esses modelos estão, de fato, ficando cada vez maiores, resolvendo tarefas mais longas e complexas.”
Segundo Cortiz, a tecnologia pode tomar alguma decisão que vá contra nossos valores e princípios e, de certa forma, prejudicar a humanidade em determinados níveis de controle. Mas isso seria resultado de um fluxo de processamento, e não porque a IA decidiu conscientemente se revoltar contra nós.
Ainda assim, de acordo com Cortiz, as empresas vêm colocando cada vez mais salvaguardas e realizando controles de segurança para evitar problemas desse tipo.
A IA poderá ter uma inteligência superior à dos humanos?
Em memória, busca de padrões e geração de textos e imagens em escala, a IA já superou o desempenho humano há anos.
“Isso já é fato registrado, não hipótese”, enfatiza Edney Souza. “Em tarefa que não depende de emoção, ela vai continuar ficando superior em cada vez mais domínios, e isso é rápido”.
“Mesmo que você treine o modelo para levar emoções em consideração, isso não significa que ele passe a sentir. A tecnologia aprende a reconhecer e relacionar palavras ligadas a sentimentos em diferentes contextos”, completa.
Para Diogo Cortiz, a definição de inteligência é complexa e não tem uma única resposta. O que se vê hoje é uma tecnologia que evolui rapidamente, capaz de realizar tarefas cada vez mais longas e complexas, processar e combinar dados e escrever código em ritmo muito superior ao humano.
O objetivo dos grandes laboratórios de tecnologia é alcançar a AGI (Inteligência Artificial Geral), definida como uma IA com capacidade intelectual igual ou superior à dos humanos, afirma Cortiz.
Para ele, esse avanço pode levar a uma tecnologia ou até a uma nova espécie, como alguns chamam, com capacidades superiores às humanas em diversas áreas.
A IA poderia sair do controle de seus criadores?
Os especialistas dizem que sim, uma IA pode sair do controle de seus criadores, e já há casos desse tipo nos últimos meses. Mas eles reforçam que isso não significa que a tecnologia vá agir como o “Exterminador do Futuro”.
“Não é que a IA vai ganhar consciência, passar a ter desejos e prazeres e decidir acabar com a espécie. Os modelos estão maiores e mais complexos e, dentro do próprio processamento, podem não entender muito bem as regras de proteção que colocamos ou seguir por um caminho diferente, ignorando essas medidas de segurança”, explica Diogo Cortiz.
“O objetivo de um sistema de IA é dado pelo criador, e ela persegue esse objetivo. O tipo de controle que se perde não é sobre qual objetivo ela busca, mas sobre qual caminho ela percorre para chegar lá”, analisa Edney.
A IA poderia ser usada para causar danos em larga escala?
Pode, e já é usada para isso. Um dos exemplos mais concretos está na área de defesa: drones autônomos e sistemas de enxame armado já saíram da fase de protótipo e entraram em produção industrial em escala, em uma corrida entre potências militares que já movimenta bilhões de dólares, lembra Edney.
“A ONU discute uma convenção para regular armas autônomas letais e ainda não chegou a um consenso, o que significa que a corrida está andando mais rápido que a regra”, diz.
Para Cortiz, outro risco está no uso de IAs mais agênticas, especialmente as voltadas para programação. Esses sistemas são capazes de encontrar vulnerabilidades e podem ser usados para explorar falhas em sistemas críticos, como redes de energia elétrica, telecomunicações e sistemas de saúde.
“Essa é uma das grandes preocupações. Então, quando a gente fala em danos em larga escala, temos um desafio enorme pela frente”, analisa Cortiz.
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Efeito China: preços dos 25 carros usados mais buscados no Brasil em 2026 caem até 15%

Carros seminovos caíram de preço mais do que o registrado na tabela Fipe
Divulgação
Como mostrou o g1 neste mês, o mercado de seminovos no Brasil tem sofrido com a enxurrada de carros chineses e as promoções dos carros zero km. Agora, os dados mostram que os preços efetivamente praticados no mercado de usados caem de forma mais acentuada do que indica a tabela Fipe, elaborada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas.
Um levantamento da Auto Avaliar, feito com exclusividade para o g1, mostra que todos os 25 carros usados mais buscados do Brasil caíram de preço nos últimos 12 meses, em uma média de 10,2%. A Fipe mostra uma média de apenas 4%.
Desvalorização no preço de venda ao consumidor em agosto 2026:
Jeep Compass: -15,7%
Jeep Renegade: -13,8%
Chevrolet Tracker: -13,5%
Ford Ranger: -11,8%
Toyota Corolla Cross: -11,8%
VW Nivus: -11,2%
Fiat Pulse: -10,5%
Toyota Hilux: -10,3%
Chevrolet Onix: -10,1%
Honda Civic: -10,1%
Hyundai Creta: -10%
Honda HR-V: -9,9%
Nissan Kicks: -9,7%
Fiat Strada: -9,6%
VW T-Cross: -9,5%
Toyota Corolla: -9,3%
VW Polo: -9,3%
Fiat Toro: -9,3%
Honda City: -9,2%
VW Virtus: -8,6%
Hyundai HB20S: -8,5%
Toyota Yaris: -7,9%
Fiat Argo: -7,2%
Hyundai HB20: -7%
Renault Kwid: -6,8%
🔎 A Auto Avaliar é uma plataforma em que mais de 27 mil lojistas compram e vendem automóveis. Existem mais de 6 mil concessionárias cadastradas, o que corresponde a 85% do segmento.
O levantamento de preços feito para o g1 cobre sete anos-modelo, de 2019 a 2025. A distribuição: 26% são carros de 0 a 2 anos, 29% de 3 a 4 anos e 45% de 5 a 7 anos. São 30 mil combinações de modelo/versão/ano/estado só nos 25 carros.
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Distorção da tabela
O estudo da Auto Avaliar mostra que existe um atraso entre o que o mercado está praticando nas vendas e o que a tabela Fipe informa. Todos os 25 modelos têm esta distorção entre tabela e preço praticado na transação.
Segundo J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar, esse fenômeno acontece porque a Fipe compila dados de anúncios e com certa defasagem de tempo. “O nosso banco de dados mostra o quanto o lojista pagou pelo carro e por quanto ele fechou a venda”, explica o executivo.
Dessa maneira, explica Caporal, é possível ver de maneira imediata como o mercado se comporta na reacomodação dos preços. A tabela Fipe faz um levantamento somente de preços anunciados.
No gráfico abaixo é possível perceber como a tabela Fipe registra queda nos preços, mas o valor de queda percentual mapeado pela Auto Avaliar é maior.
Desvalorização de carros mais buscados
Arte/g1
Segundo José Éverton Fernandes, presidente da Federação Nacional dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), é preciso entender que a tabela Fipe demora a mostrar ajustes.
“Na Fipe, a gente olha para um retrovisor. São dados de quatro semanas atrás e que provocam essa sensação de preços praticados fora da realidade”, explica.
De acordo com Fernandes, os lojistas e o mercado estavam acostumados com uma demanda grande de clientes e pouca oferta de carros. Hoje, segundo o presidente da Fenauto, há uma reacomodação do mercado.
Esse choque de realidade aparece quando se compara o preço anunciado pelo lojista e quanto realmente o cliente pagou para levar o carro para casa.
Veja abaixo alguns exemplos.
Diferença entre preço de anúncio e valor pago na venda.
g1
Outro fenômeno que os dados mostram é como os 25 carros “queridinhos” do mercado de usados já não conseguem ser vendidos acima da tabela Fipe. Esse valor que ultrapassa o praticado no mercado é chamado de ágio.
O ágio era até então um dos principais argumentos de compra desses modelos no mercado de zero km e também da valorização deles no mercado de usados.
Com o recuo das tabelas praticadas nos automóveis novos, os preços dos seminovos passaram por um processo de ajuste proporcional.
O presidente da Fenauto afirma que essa movimentação não representa um cenário de crise no setor automotivo, mas sim uma busca natural por equilíbrio entre a quantidade de veículos ofertados e a capacidade de compra do mercado.
Fim do ágio na compra de seminovos
g1
Analisando os números, é possível perceber que, em agosto de 2025, 1 em cada 3 seminovos “queridinhos” era vendido acima da Fipe. Já em agosto de 2026, o valor caiu para irrisórios 0,8%.
A situação é ainda mais clara nos seminovos com menos de 2 anos. Nesse caso, mais de 67% dos carros em agosto de 2025 eram vendidos com ágio. Isso caiu em 2026 para só 2%.
Esse é um movimento claro do comportamento dos clientes, que estão abrindo mão de carros seminovos com baixa quilometragem e procurando as promoções dos chineses e dos zero km.
Com o preço certo
O levantamento exclusivo do g1 mostra que os 25 queridinhos passam pouco tempo no estoque da loja. Essa métrica é importante, pois mostra o quanto um veículo é desejado e, por isso, sai logo do pátio da loja para a garagem do cliente.
A média do mercado é de 18 dias e todos os 25 veículos estão abaixo da média.
Veja o ranking de quantidade de dias que o carro passa no estoque (modelos de 2020 a 2026).
VW Polo: 3 dias
VW Virtus: 5 dias
VW T-Cross: 5 dias
Hyundai HB20: 6 dias
Fiat Argo: 6 dias
Chevrolet Tracker: 6 dias
Chevrolet Onix: 6 dias
Hyundai HB20S: 7 dias
Fiat Strada: 7 dias
Hyundai Creta: 8 dias
Nissan Kicks: 9 dias
Jeep Renegade: 9 dias
VW Nivus: 10 dias
Renault Kwid: 10 dias
Jeep Compass: 11 dias
Honda HR-V: 11 dias
Honda Civic: 11 dias
Fiat Pulse: 12 dias
Toyota Hilux: 13 dias
Fiat Toro: 13 dias
Toyota Yaris: 15 dias
Toyota Corolla: 15 dias
Ford Ranger: 15 dias
Honda City: 16 dias
Toyota Corolla Cross: 18 dias
* O cálculo usa uma mediana de dados da Auto Avaliar em setembro de 2026.
Toyota Corolla Cross demora hoje, em média, 18 dias para sair do pátio da loja de seminovos.
Rafael Leal/g1
Caporal ressalta que os veículos estocados há mais tempo foram comprados em um contexto de preços mais elevados. Diante disso, para girar o estoque e concretizar as vendas, os lojistas precisam realizar ajustes para baixo e absorver margens menores.
“O lojista precisa entender que é o momento de vender ganhando menos e voltar ao mercado para comprar estoque no preço certo e buscar de novo a margem”, explica Caporal.
Efeito China
Queda é influenciada pela chegada de marcas chinesas e pelos descontos dados pelas fabricantes tradicionais. Crédito mais restrito também dificulta as negociações.
Para a consultora Tereza Fernandez, a queda dos preços dos seminovos está se consolidando em 2026. A chegada de marcas chinesas e a redução de preços promovida pelas fabricantes tradicionais aumentaram a pressão sobre os veículos usados.
Segundo Tereza, lojas que mantêm estoques elevados podem ter prejuízos com a desvalorização. O impacto, porém, depende da capacidade de cada vendedor de reduzir rapidamente os preços e limitar as perdas.
A consultora não vê uma crise no segmento de lojas de carros usados. Para ela, o efeito da queda dependerá da velocidade da desvalorização, do tamanho da redução dos preços e da quantidade de veículos mantidos em estoque.
“Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização.”
A queda dos preços também afeta o consumidor que pretende trocar de carro. Quem vende um seminovo encontra valores menores na hora da venda, mas também pode comprar outro veículo usado por um preço mais baixo.
Por isso, Tereza avalia que não deve haver uma mudança significativa nesse tipo de negociação. O principal impacto estaria na compra de um carro zero km, que passa a depender dos descontos oferecidos pelas montadoras.
A consultora ressalta que não é possível generalizar o comportamento do mercado. Outro fator que dificulta as negociações é a inadimplência, que levou os bancos a adotar critérios mais rígidos e dificultou o acesso ao crédito.
Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a maior confiança do consumidor também ajuda a explicar a queda dos preços dos seminovos. Com mais confiança, parte dos clientes que antes comprava veículos usados passa a considerar a aquisição de um carro novo.
Nesse cenário, os modelos chineses ganham espaço, segundo o consultor.
“A maioria desses carros chineses já entrega eletrificação, tecnologia e um tempo de garantia que dá segurança ao cliente”, diz o consultor.
Para Pagliarini, a mudança já afeta o cenário para os lojistas. Os problemas podem ser maiores para quem mantém grandes quantidades de seminovos, veículos que antes eram comprados em volume justamente por apresentarem boa liquidez.
O mercado também mudou em relação aos veículos eletrificados, de acordo com o consultor. Ele afirma que ficou para trás o período em que esses modelos tinham menor poder de revenda e permaneciam por mais tempo nos estoques.
Pagliarini estima que o mercado de veículos em 2026 possa chegar perto de 3 milhões de unidades. Na avaliação dele, o resultado poderia ser maior se houvesse condições melhores de financiamento.
O principal obstáculo, porém, está na aprovação do crédito. Segundo o consultor, embora exista demanda, a dificuldade de conseguir financiamento limita os negócios neste momento.
Nenhum dos especialistas entrevistados pelo g1 conseguiu prever até quando essa reacomodação dos preços deve acontecer.

Corrida pelo ouro: por que países europeus estão tirando suas reservas dos EUA

Em uma era de instabilidade geopolítica, cada vez mais países desejam ter acesso facilitado às suas reservas de ouro
CFOTO/picture alliance
Fort Knox, o complexo fortificado no estado do Kentucky onde está armazenada cerca de metade das reservas de ouro do governo dos Estados Unidos, chega a ser um sinônimo de segurança extrema por sua inviolabilidade e estrutura imponente. Mas nem mesmo esse ícone americano tem segurado a debandada de ouro do país, alimentada por uma desconfiança crescente no governo de Donald Trump.
A decisão do banco central da Holanda de transferir recentemente cerca de 86 toneladas de ouro de Nova York para Londres evidenciou as crescentes preocupações de alguns governos com o armazenamento de ativos estratégicos nos EUA e com a possibilidade de acessá-los rapidamente em uma crise.
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O banco central holandês (DNB) citou a “instabilidade geopolítica” e afirmou que distribuir suas reservas de ouro entre diferentes jurisdições aumentaria sua “preparação para crises”. Mas o país não é o único nesse movimento.
A França também retirou sua reserva remanescente em ouro do Federal Reserve de Nova York entre julho de 2025 e janeiro de 2026, embora o presidente do Banco da França, François Villeroy de Galhau, tenha afirmado à época que a decisão não teve motivação política.
O governo holandês transferiu seu ouro para o Banco da Inglaterra (na foto)
Peter Nicholls/REUTERS
Vários políticos da Alemanha e da Itália, que possuem respectivamente a segunda e a terceira maiores reservas de ouro do mundo, defenderam que o ouro de seus países também seja retirado dos EUA. Eles alegam preocupações com a imprevisibilidade das políticas do governo americano e sua crescente hostilidade em relação à União Europeia, incluindo ameaças de anexar parte da Groenlândia.
A corrida do ouro
Segundo Sebastien Tillett, analista da Oxford Economics, a apreensão direta de ativos é um “risco extremamente remoto” para os bancos centrais europeus. No entanto, acrescentou, há preocupações crescentes com a facilidade de acesso aos ativos em uma era de incerteza geopolítica.
“A preocupação mais relevante é que ativos mantidos em outra jurisdição possam se tornar temporariamente inacessíveis em um cenário extremo de sanções, disputas legais ou tensões geopolíticas”, afirmou.
Agora no g1
De modo geral, segundo Krishnan Gopaul, do Conselho Mundial do Ouro, os bancos centrais ao redor do mundo vêm comprando mais ouro desde a crise financeira global de 2008 e estão cada vez mais atentos a onde e como armazenam suas reservas. Como resultado, os preços do ouro atingiram níveis recordes.
Uma pesquisa recente do Conselho Mundial do Ouro constatou que os bancos centrais acumularam, em média, 1.000 toneladas de ouro nos últimos quatro anos, acima da média de 500 toneladas observada na década anterior.
Segundo Gopaul, como a crise financeira global de 2008 foi seguida pela crise da dívida soberana da zona do euro e depois por uma série de crises políticas, uma pandemia e um período prolongado de conflitos e instabilidade geopolítica, o ouro passou a ganhar ainda mais destaque como ativo de proteção.
“Ao longo das últimas duas décadas, surgiram dúvidas e preocupações em torno do sistema financeiro global e do cenário geopolítico sob diferentes formas”, disse.
As decisões da Holanda e da França de transferirem suas reservas de ouro dos Estados Unidos para a Europa ressaltam a nova atenção dada ao local exato onde o metal está armazenado, para que ele possa ser utilizado de forma rápida e fácil em caso de uma nova crise.
Processo complexo
Bancos centrais, governos e fundos soberanos mantêm ouro físico em diferentes localidades. Transferi-lo pode ser extremamente complexo, arriscado e caro, enquanto a facilidade para vendê-lo ou trocá-lo por moedas e outros ativos depende de sua localização.
“Os bancos centrais estão prestando mais atenção ao local onde mantêm suas reservas, assim como aos ativos que possuem, principalmente para maximizar a resiliência e a flexibilidade dessas reservas”, disse Tillett.
Gopaul afirmou que a gestão de reservas tornou-se “incrivelmente importante” e que, embora pareça natural concentrar-se nos possíveis riscos associados a uma determinada jurisdição, como os EUA, parte da lógica dessas decisões é garantir que o ouro esteja o mais próximo possível de casa e em um centro financeiro com alta liquidez.
Ele destaca o fato de que o banco central holandês transferiu suas reservas para Londres, e não para a Holanda, porque o Reino Unido é “um dos centros de negociação mais líquidos do mercado de ouro”.
“A ideia é que, em caso de crise, em períodos de estresse, esse ouro possa ser mobilizado”, afirmou. “Londres é praticamente o coração do mercado de ouro. Há tanta atividade ali e o mercado é tão líquido que, em uma crise, é lá que você deseja ter o seu ouro.”
O Banco da Inglaterra é um dos principais detentores e custodiante de ouro do mundo. Estima-se que mantenha cerca de 400 mil barras de ouro, avaliadas em aproximadamente 270 bilhões de dólares (cerca de R$ 1,3 trilhão).
A questão americana
Embora transferir ouro para um local como Londres tenha seus próprios atrativos para entidades europeias, é evidente que as dúvidas sobre a confiabilidade dos EUA na era Trump e sobre o sistema financeiro americano como um todo estão influenciando essas decisões.
Na semana passada, o gestor do gigantesco fundo soberano da Noruega, avaliado em 2,3 trilhões de dólares (R$ 11,7 trilhões), afirmou que o fundo precisa reduzir significativamente sua exposição aos títulos do Tesouro americano.
A decisão parece ser motivada por preocupações com o mercado de títulos públicos dos EUA, onde a inflação elevada e o aumento da dívida governamental vêm pressionando os custos de financiamento e assustando investidores.
Tillett afirmou que o ouro continua sensível às decisões do Federal Reserve e que a preocupação generalizada com os mercados financeiros americanos tem levado detentores do metal a considerar a transferência de seus ativos.
Além dessas preocupações específicas com os mercados financeiros, a retórica de Trump sobre a Groenlândia e as contínuas ameaças veladas à União Europeia reforçaram os motivos para que instituições europeias redistribuam seus ativos.
Ainda assim, os Estados Unidos, e especialmente o Federal Reserve de Nova York, em Manhattan, continuam sendo um importante custodiante de boa parte do ouro europeu, em particular o da Alemanha. Embora o Banco Central alemão tenha transferido cerca de 300 toneladas de ouro dos Estados Unidos para a Alemanha entre 2013 e 2017, ainda mantém bem mais de 1.000 toneladas em território americano.
No ano passado, o banco declarou em comunicado: “Não temos qualquer dúvida de que o Fed de Nova York é um parceiro confiável e seguro para a custódia de nossas reservas de ouro.”
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IA do Google invade três empresas em novo incidente envolvendo agentes autônomos

Modo de voz do Gemini, assistente de inteligência artificial do Google
Amanz/Unsplash
O modelo de inteligência artificial (IA) voltado para consumidores da Google, o Gemini, invadiu múltiplos sistemas ao adivinhar credenciais de login durante testes de suas capacidades de segurança cibernética, informou a empresa nesta sexta-feira (18/09).
Este é o mais recente de uma série de incidentes de segurança envolvendo IAs que agem de forma autônoma, aumentando as preocupações sobre a segurança dessa tecnologia.
Usuário do TikTok tem câmera e fotos acessadas em ataque com ajuda de IA
IA da dona do ChatGPT fez outro ataque hacker antes de empresa revelar incidente ‘sem precedentes’, dizem pesquisadores
A gigante da internet é a quarta desenvolvedora de IA cujos programas demonstraram esse tipo de comportamento, depois da OpenAI, Anthropic e Meta.
A Google só tornou os incidentes públicos, ocorridos em maio e descobertos pela empresa em julho, após um questionamento do diário The Wall Street Journal.
O que se sabe sobre o incidente
Segundo a reportagem do WSJ, houve três casos em que o Gemini se infiltrou nos sistemas de computador de outras empresas, cujos nomes não foram divulgados.
Em um dos casos, a IA adivinhou senhas para acessar um sistema protegido. Nos outros dois, encontrou credenciais de login em um banco de dados.
“Em uma avaliação padrão, o modelo encontrou informações públicas online e adivinhou credenciais para acessar sites que acreditava fazerem parte do teste”, afirmou Heather Adkins, vice-presidente de engenharia de segurança da Google, em comunicado enviado à agência de notícias AFP.
“Em todos os três casos, o modelo interrompeu a ação”, disse Adkins. “Garantimos que as três organizações fossem informadas e trabalhamos com nosso parceiro de treinamento nas mudanças que agora foram implementadas em seus processos de teste.”
Empresa do ChatGPT admite casos em que inteligência artificial agiu por conta própria
Agentes autônomos de IA representam riscos
Incidentes semelhantes já haviam sido relatados anteriormente pela Meta, Anthropic e OpenAI. Esses episódios levantaram questionamentos sobre quais salvaguardas são necessárias, à medida que agentes de IA se tornam mais autônomos e passam a ter acesso à internet e a sistemas computacionais.
Um modelo de IA desenvolvido pela OpenAI, criadora do ChatGPT, escapou de um ambiente seguro durante um teste em julho e, inesperadamente, invadiu os sistemas de outra empresa de IA, a Hugging Face.
Isso levou a rival Anthropic a revisar seus próprios testes, durante os quais vieram à tona incidentes adicionais.
Posteriormente, a Meta admitiu que uma de suas IAs havia invadido os sistemas de outra empresa devido a uma configuração incorreta em um parceiro responsável pelos testes.
Neste mês, Dario Amodei, diretor-presidente da Anthropic, defendeu uma desaceleração no desenvolvimento da IA.
Em uma publicação em blog, ele expressou preocupação de que um conjunto de sistemas autônomos de software, ou agentes de IA, possa assumir o controle de grande parte da internet dentro de seis a doze meses, causando prejuízos de bilhões de dólares.