Sistema 'puro' ou 'híbrido'? Empresas do Simples têm 10 dias para escolher; veja como ficam MEI e nanoempreendedor

As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional, regime simplificado de tributação, têm até o fim de setembro para escolher entre o sistema “híbrido” de recolhimento dos novos tributos sobre o consumo ou a permanência no modelo tradicional — conhecido como Simples “puro”.
A necessidade de opção foi definida pelo Comitê Gestor do Simples Nacional (CGSN), que publicou resolução estabelecendo que a escolha feita até o fim desse mês terá validade para o primeiro semestre de 2027. A escolha decorre da reforma tributária sobre o consumo, aprovada em 2023.
Se o empresário fizer a opção pelo regime híbrido em setembro e se arrepender, a decisão poderá ser revista depois que a alíquota da CBS for definida pelo Senado, diz a Receita Federal.
Em março do ano que vem, o prazo de escolha será aberto novamente para as empresas do Simples, desta vez com validade para as vendas do segundo semestre do próximo ano.
➡️Dados da Receita Federal indicam que o Simples Nacional concentrava 7,35 milhões de empresas, sem contar MEIs e nanoempreendedores, no fim de 2025, o equivalente a 28,6% do total de empresas ativas no país
Agora no g1
“Setembro será um mês fundamental para as empresas. Não estamos falando apenas de uma escolha burocrática ou de uma simples adesão a um regime. A empresa precisa analisar antecipadamente qual modelo pode ser mais adequado, considerando os impactos tributários e comerciais da reforma tributária. Deixar essa avaliação para os últimos dias pode aumentar muito o risco de uma decisão equivocada”, avaliou Welinton Mota, diretor tributário da Confirp Contabilidade.
Lula sanciona texto que regulamenta a reforma tributária
Ricardo Stuckert / PR
Entenda
Sistema híbrido: ao optar por esse modelo, a empresa permanece no Simples Nacional para os demais tributos, mas passa a recolher a CBS e o IBS, os novos tributos sobre o consumo criados pela reforma tributária.
Com isso, pode aproveitar créditos desses tributos sobre suas compras e também transferir créditos para empresas que adquirirem seus produtos ou serviços.
Por exemplo: se a alíquota do IVA for de 20%, um produto vendido ao consumidor final por R$ 100 terá R$ 20 de imposto. Ao longo da cadeia produtiva, as empresas poderão descontar créditos relativos aos tributos pagos nas etapas anteriores, de modo que a tributação recaia apenas sobre o valor agregado em cada fase.
🔎 A Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) é o tributo federal criado pela reforma tributária para substituir impostos como PIS e Cofins. Já o Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) será compartilhado por estados e municípios e vai substituir tributos como ICMS e ISS. Juntos, CBS e IBS formarão o novo sistema de tributação sobre o consumo no país.
Sistema puro: a empresa permanece no regime tradicional do Simples, em que, em regra, não aproveita créditos dos tributos incidentes nas etapas anteriores da cadeia produtiva nem transfere créditos tributários a seus clientes na venda de bens ou serviços.
g1 em 1 minuto: Empresas têm até setembro para escolher como pagar o Simples Nacional 2027
Vantagens e desvantagens do novo regime
Analistas ouvidos pelo g1 avaliaram que as regras criadas na reforma tributária, com o uso dos chamados créditos tributários por quem optar pelo novo regime, tendem a trazer desafios para esses empreendedores, tais como:
necessidade de uma melhor organização da contabilidade, pois será necessário um detalhamento maior nas notas fiscais;
atenção à cadeia de fornecimento, pois impostos não pagos em cadeias anteriores não poderão ser abatidos;
impossibilidade de atrasar o recolhimento dos impostos, no caso de pagamentos eletrônicos, por conta do chamado “split payment”, que será obrigatório a partir de 2028.
De acordo com Rodrigo Totino, advogado especializado em Direito Tributário e sócio gestor da MBT Advogados Associados, o empresário não deverá olhar apenas para a alíquota do futuro imposto, mas sim para a cadeia na qual está inserido para tomar sua decisão.
Para ele, a atividade, a estrutura de custos e o perfil dos clientes precisam entrar na conta.
➡️Para as empresas que estão no “meio da cadeia produtiva”, ou seja, que compram e vendem de outras empresas, pode ser mais vantajoso optar pelo regime “híbrido” — que gera créditos tributários para seus compradores.
Nesse caso, as compradoras poderão aproveitar os créditos gerados no sistema não cumulativo.
➡️Já as empresas que estão no “final da cadeia”, isto é, que vendem diretamente para o consumidor final, tendem a ter mais benefícios permanecendo no Simples “puro”, que não gera créditos.
“Para empresas do Simples que vendem predominantemente para outras empresas, minha orientação é optar pelo regime regular do IBS e da CBS [sistema híbrido] dentro do prazo de setembro e aproveitar o período posterior para realizar os cálculos com informações mais completas. Como a opção poderá ser cancelada até 30 de novembro, haverá espaço para comparar créditos, débitos, carga tributária e impacto nos preços antes da decisão definitiva para 2027”, avaliou Rodrigo Totino, da MBT Advogados Associados.
➡️Ele observou, porém, que a escolha pelo “sistema híbrido” acrescenta complexidade à operação diária. “Será preciso acompanhar créditos, débitos, fornecedores, clientes, custos e formação de preços'”, explicou.
👉🏽 Em entrevista ao g1, o subsecretário de Gestão Corporativa da Receita Federal, Juliano Neves, informou que a maior parte das empresas do Simples Nacional faz justamente vendas direto ao consumidor final. Nesse caso, segundo ele, não é necessário optar pelo sistema híbrido (que permite transferência de créditos).
“A empresa do Simples ele vai ter que ver qual é o modelo de negócio dela. É uma empresa que quase só vende direto para o consumidor final? Mantém o Simples puro que vai ser mil vezes mais fácil para ela. Ela é uma empresa do Simples meio de cadeia? Ou seja, ela compra de alguém e vende pra uma outra empresa que vai fazer para frente. Aí talvez faça sentido para ela sair do Simples puro e ir para essa situação híbrida, porque aí ela consegue transferir crédito para quem quer estar comprando”, explicou Juliano Neves, da Receita.
MEI e nanoempreendedor
A Receita Federal informou que nada muda para o microempreendedor individual, que têm limite anual de faturamento de até R$ 81 mil, e para o chamado “nanoempreendedor” — cuja receita, por ano, não pode superar R$ 40,5 mil.
➡️Eles não poderão transferir créditos, ficando, deste modo, no Simples “puro”.
“O MEI, ele vai pagar um valor fixo de CBS e IBS e o MEI, ele não transfere crédito para frente. Então o MEI não entra nessa [regime híbrido]”, disse Juliano Neves, da Receita Federal.
Ato conjunto da Receita e do Comitê Gestor do IBS (tributo sobre o consumo dos estados e municípios) diz, ainda, que os nanoempreendedores não precisa mais se inscrever no CNPJ e nem emitir a nota fiscal eletrônica até o final de 2028.
➡️A Receita Federal esclareceu, também, que nada muda para o consumidor final com a reforma tributária.
“O consumidor final, ele nunca sequer vai ver diferença na vida dele se tem ‘split’ ou não tem ‘split’. Nem hoje, nem amanhã, nem em 2035. Porque para pessoa que está fazendo a compra final, pra ele é irrelevante se por trás tem um ‘split’ ou não”, concluiu Neves, do Fisco.

Mega-Sena pode pagar R$ 28 milhões neste domingo; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.060 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 28 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (20), em São Paulo.
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No concurso da última quinta-feira (19), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Preços mais altos, salários menores: como o clima extremo afeta o bolso das famílias no mundo todo

Mudanças climáticas: um dos maiores desafios é de onde vai sair o dinheiro para ajudar a proteger florestas e reduzir a poluição
Jornal Nacional/ Reprodução
Os últimos 11 anos foram os mais quentes já registrados no planeta. Essa mudança climática se manifesta em eventos extremos, como ondas de calor e incêndios florestais. Mas menos evidentes são os preços mais altos e os salários menores associados a um mundo cada vez mais quente.
Segundo um estudo de 2026 da MIT Sloan School of Management e da UCLA School of Law, as mudanças climáticas já elevaram as despesas médias das famílias americanas em 900 dólares (cerca de R$ 4,6 mil) por ano, chegando a mais de 1,3 mil dólares em um de cada dez condados dos Estados Unidos.
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Esses custos não existiriam em um mundo sem mudanças climáticas. Eles incluem o aumento dos seguros residenciais (em média 600 dólares mais caros), a elevação de impostos estaduais e federais devido aos custos de recuperação de desastres ou aos impactos da fumaça dos incêndios florestais sobre a saúde, por exemplo.
“A inação climática não é apenas um fracasso ambiental; ela funciona como um imposto sobre todas as famílias americanas”, escreveram os pesquisadores.
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Como as mudanças climáticas afetam a renda
Um relatório de 2024 do Instituto Potsdam para Pesquisa sobre Impactos Climáticos, na Alemanha, estimou que os danos das mudanças climáticas à agricultura, à infraestrutura e à saúde, bem como as perdas de produtividade, podem custar à economia mundial 38 trilhões de dólares por ano até 2050.
Mas de que forma os eventos climáticos extremos impulsionados pelas mudanças do clima já afetaram salários e orçamentos familiares?
“Se não conseguirmos descobrir quanto as mudanças climáticas já estão nos custando com os dados que temos, projetar o futuro se torna quase impossível”, afirmou Derek Lemoine, professor de economia da Universidade do Arizona, que estimou uma redução de 12% na renda dos americanos à medida que as temperaturas globais aumentaram. A comparação é feita com um cenário sem mudanças climáticas.
Lemoine mostra como extremos de temperatura em um condado dos Estados Unidos estão provocando impactos econômicos em cascata em localidades distantes com clima mais ameno, devido à interconexão do comércio e das cadeias de suprimentos.
“Muitos estudos analisam as mudanças climáticas como se elas alterassem o clima em apenas um ano e em um único lugar por vez”, disse Lemoine à DW.
Em vez disso, ele busca entender como, se uma onda de calor destruir plantações de milho em todo o território americano, outras indústrias que dependem desse milho, incluindo produtores de gado e de alimentos, serão afetadas à medida que a commodity se tornar mais escassa e mais cara.
“À medida que os custos [dos produtores afetados em toda a cadeia de suprimentos do milho] aumentam”, disse Lemoine, “isso fará com que a renda de todos os que dependem deles diminua”.
Os impactos do clima sobre o comércio também já são sentidos na Alemanha, onde os níveis recordes de baixa do rio Reno, a via navegável interior mais movimentada da Europa, podem reduzir em até 0,2% a produção econômica alemã no terceiro trimestre de 2026, observou o Instituto Kiel para a Economia Mundial em julho.
O clima seco prolongado associado às mudanças climáticas é o responsável, já que a capacidade de transporte caiu para apenas 15% em alguns trechos do rio que conecta o maior porto da Europa, em Roterdã, na Holanda, a grande parte do oeste da Alemanha.
Pressão sobre problemas econômicos já existentes
Um estudo australiano também analisa como mudanças climáticas amplas, e não apenas choques locais provocados por eventos extremos isolados, levaram gradualmente à queda da produtividade e da produção econômica.
Timothy Neal, pesquisador do Instituto para Risco e Resposta Climática da Universidade de New South Wales, na Austrália, foi coautor de um relatório que mostra que o aquecimento global reduziu a produção econômica do estado de NSW em cerca de 18% em média, o equivalente a 21.288 dólares australianos (cerca de R$ 80 mil) por pessoa em 2024.
“Os danos já foram bastante severos”, disse Neal à DW, acrescentando que, em um cenário sem aquecimento global, os cidadãos teriam “preços mais baixos para os alimentos” e “menos pobreza”.
O relatório menciona secas em partes de NSW em meados e no final da década de 2010 que reduziram a produtividade em todo o estado em até 10 bilhões de dólares australianos, devido à queda das colheitas e da renda agrícola, ao aumento dos custos da água e à maior dependência de assistência governamental.
Esses impactos financeiros se acumularam ao longo do tempo em toda a economia do estado, influenciando os custos de alimentos, seguros e manutenção de infraestrutura.
Nas palavras do relatório, esses efeitos também “agravam pressões econômicas já existentes e contribuem para ampliar as disparidades entre regiões”, o que significa aumento da desigualdade de renda e riqueza.
Foto mostra a Rodovia 89 com árvores queimadas de um lado e árvores não queimadas do outro no local do incêndio Dixie, um incêndio florestal perto da cidade de Greenville, no estado da Califórnia, EUA, em 7 de agosto de 2021
REUTERS/Fred Greaves
A adaptação climática pode limitar os custos?
“A ação climática não deve ser vista apenas como uma questão ambiental, mas também como uma decisão economicamente sensata”, afirmou Frank Jotzo, economista e comissário da Comissão Net Zero de NSW, que trabalha para descarbonizar o estado e encomendou o estudo citado acima.
Ao se referir a “investimentos defensivos contra as mudanças climáticas”, como o reforço de estradas, ferrovias e infraestrutura de transporte marítimo para adaptação a um mundo mais quente, Jotzo acrescentou que “se não fosse pelas mudanças climáticas, poderíamos estar investindo esse dinheiro e esse esforço em outras coisas”.
No entanto, medidas de adaptação, como a ampliação das áreas verdes nas cidades para reduzir os efeitos das ilhas de calor, serão fundamentais para evitar impactos econômicos muito mais severos no futuro.
As ondas de calor europeias de 2026, por exemplo, já custaram cerca de 180 bilhões de euros (R$ 1,06 trilhão), valor equivalente a todo o crescimento econômico projetado para a União Europeia neste ano, segundo uma análise.
A adaptação também envolverá o fortalecimento do sistemas de saúde e da rede hospitalar para enfrentar os efeitos das ondas de calor, que reduzem a produtividade à medida que trabalhadores submetidos ao estresse térmico se cansam mais rapidamente ou têm dificuldade para dormir, observou Jotzo.
Mas Lemoine afirma que a adaptação ao declínio econômico provocado pelas mudanças climáticas é tão “cara por si só” que pode agravar a perda de renda e ser ineficaz se não for implementada de forma abrangente.
Somente quando “todos os lugares” estiverem protegidos dos eventos climáticos extremos, será possível enfrentar os impactos econômicos em cascata, diz ele.
Ainda assim, tanto a adaptação quanto uma rápida redução das emissões que aquecem o planeta são necessárias para evitar perdas de renda impulsionadas pelas mudanças climáticas, que tendem a se agravar se o aquecimento global ultrapassar as metas estabelecidas pelo Acordo de Paris.
“Mudanças climáticas sem controle criariam um peso permanente sobre os salários e a produtividade”, concluiu Jotzo.

Pagar para pedir demissão? Por que jovens japoneses contratam empresas para evitar o confronto com o chefe

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CDC/ Amanda Mills
Para Y.M., um japonês de pouco mais de 20 anos, o primeiro emprego após a universidade, numa empresa de vendas do setor imobiliário, se transformou em um teste diário de resistência. Entre os colegas, era ele quem costumava ser alvo de gritos e reprimendas.
Segundo relato publicado no site da consultoria trabalhista e de recursos humanos Leadbrain, sediada em Tóquio, Y.M. procurava uma forma discreta de deixar o emprego.
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Preocupado com a opinião dos colegas, relutante em preocupar os pais e decidido a evitar conflitos no ambiente de trabalho, ele recorreu ao celular para buscar uma alternativa: um serviço terceirizado de demissão, que comunica o desligamento ao empregador em nome do funcionário.
No Japão, desaparecer do trabalho sem aviso prévio é conhecido como bakkure, prática que guarda certa semelhança com o chamado “ghosting” nos relacionamentos.
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Em muitos países, abandonar um emprego sem comunicação é visto como uma atitude irresponsável. Dentro da lógica das interações sociais japonesas, porém, desaparecer pode ser uma forma de evitar confrontos e preservar a harmonia, ao menos na aparência.
Pagar para ir embora
A procura por empresas que intermedeiam pedidos de demissão está em alta. A Albatross, uma das principais companhias do setor, auxilia cerca de 450 pessoas por mês a deixar seus empregos sem contato direto com os superiores.
O serviço custa aproximadamente 120 euros (cerca de R$ 713) para trabalhadores em tempo integral. A maioria dos clientes é formada por jovens profissionais dos setores de serviços e manufatura. O processo pode ser concluído em até 15 minutos.
“As razões que levam as pessoas a pedir que nos encarreguemos da demissão vão de violência física a assédio sexual”, afirmou Yuka Hamada, diretora-executiva da Albatross. “São pessoas vulneráveis e que não se sentem capazes de pedir demissão por conta própria.”
Uma pesquisa da consultoria Shikigaku com trabalhadores japoneses de 20 a 49 anos mostrou que cerca de um terço dos entrevistados relatou ter sofrido algum tipo de assédio no ambiente de trabalho.
Harmonia acima de tudo
A cultura corporativa tradicional japonesa ganhou forma durante o período de crescimento econômico do pós-guerra e está fortemente associada ao conceito de emprego vitalício.
Nesse contexto, a lealdade à empresa é tratada como uma virtude central, e muitos gestores interpretam pedidos de demissão como uma afronta pessoal. Por isso, diversos jovens trabalhadores hesitam em comunicar sua saída diretamente.
“Anunciar a intenção de pedir demissão pode parecer não apenas o encerramento de um contrato, mas também uma forma de decepcionar pessoas ou trair expectativas que se buscou atender durante anos”, afirmou Hiroki Nakamori, professor associado da Escola de Pós-Graduação em Estudos de Design Social da Universidade Rikkyo.
Segundo Hiroshi Ono, professor de gestão de recursos humanos da Escola de Negócios da Universidade Hitotsubashi, o Japão é uma sociedade pouco inclinada ao confronto, onde se espera que os indivíduos se adaptem aos compromissos assumidos com a empresa e sua cultura organizacional.
“Quem perturba a harmonia não costuma ser bem-visto. Por isso, alguém que está saindo pode sentir que o melhor é simplesmente desaparecer sem causar alarde”, disse Ono. “Agir coletivamente e em harmonia é considerado um sinal de força”, acrescentou.
Essa tendência a evitar conflitos tem raízes profundas na sociedade japonesa. A Constituição dos Dezessete Artigos, compilada no início do século 7 e considerada um importante marco do pensamento político do Japão antigo, já defendia que a harmonia deveria ser priorizada e as disputas evitadas.
Desaparecer sem deixar de ser educado
Mas até mesmo abandonar um emprego pode ser feito de maneira considerada cortês. “Os clientes podem não se despedir nem agradecer diretamente à empresa. Nesses casos, a agência pode transmitir essas mensagens em seu nome”, afirmou Hamada.
Trata-se de um dos paradoxos da cultura corporativa japonesa. Mesmo ao optar por desaparecer, muitos funcionários sentem a obrigação de seguir o princípio do meiwaku, que valoriza a redução de transtornos para os outros e a preservação da ordem coletiva.
Essa preocupação também se estende aos pertences deixados no local de trabalho. “Mesmo quando o cliente pretende desaparecer completamente, orientamos que esvazie sua mesa antes de sair”, disse Hamada.

Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins, no ES

Tangerina: produtores apostam no clima frio e na tecnologia para colher mais tarde
A colheita de tangerina poncan em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo, acontece em momentos diferentes entre as propriedades que cultivam o produto. Enquanto parte dos agricultores encerra a colheita em julho, safra padrão do fruto, outros produtores unem tecnologia e adaptações ao clima de altitude para começar a colheita mais tarde.
Por conta dessa estratégia, a tangerina acaba sendo colhida praticamente durante todo o ano no estado: no período normal de safra e até nos meses que, teoricamente, seriam de entressafra.
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O município de Domingos Martins é o principal polo produtor de tangerina do estado. No ano passado, a região registrou uma produção de quase 15 mil toneladas, o que representa metade de toda a safra capixaba de tangerina poncan, segundo dados da Secretaria de Agricultura do Estado (Seag).
Para os produtores, retardar a colheita é o caminho para suprir a falta de trabalhadores locais e obter melhor remuneração pelo produto no mercado.
Diferença térmica dita o ritmo da colheita de tangerina poncan em Domingos Martins, no Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
Mecanização ajuda a suprir escassez de mão de obra
O uso de maquinário moderno e novos equipamentos tem sido uma das alternativas para mitigar a falta de trabalhadores temporários na região do distrito de Aracê.
Além do auxílio tecnológico, os produtores locais contam com sistemas de ajuda mútua entre vizinhos e amigos, prática conhecida como “camisada”.
Na propriedade do agricultor Sandro Salvador, que possui uma área de 4 hectares com 3.000 plantas, a colheita da poncan começou em julho. Ele estima colher entre 3.000 e 4.000 caixas nesta safra.
Para dar conta do manejo, Sandro substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator, conhecido na região como “jatão”.
“Coisa que a gente gastava três a quatro dias, hoje estou gastando nem meio dia, eu consigo fazer. Antigamente, a gente tinha que carregar em cima do trator uma bombinha manual no caso e com a mangueira. Você fica arrastando aqui atrás dias e dias para lá e para cá”.
Sandro Salvador substituiu a pulverização foliar manual por um pulverizador acoplado ao trator para ampliar colheita
Reprodução/TV Gazeta
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De acordo com especialistas, a agilidade na pulverização e nutrição foliar é essencial para proteger a lavoura de pragas. Em março, por exemplo, o excesso de chuvas dificultou o tráfego manual nas plantações, gerando queda de frutos antes que o controle pudesse ser feito.
Altitude e clima frio atrasam colheita nas montanhas
O calendário da colheita em Domingos Martins é diretamente determinado pela altitude das propriedades, que variam de 700 a mais de 1.000 metros. Essa diversidade geográfica gera uma grande amplitude térmica no distrito de Aracê.
Segundo técnicos agrícolas, quanto maior a altitude e mais frio o clima, mais lenta se torna a atividade fisiológica da planta. Esse fator prolonga o desenvolvimento da tangerina, mantendo o fruto preso ao pé de forma saudável por mais tempo.
A diferença térmica dita o ritmo da colheita. Nas propriedades localizadas nas partes mais baixas, a colheita começou ainda no final de maio. Já nas lavouras situadas acima de 1.000 metros de altitude, o processo de colheita tem início apenas em meados de agosto.
No entanto, a extensão da safra até o fim do mês depende do clima: o tempo seco e quente ajuda a esticar o prazo, enquanto a ocorrência de chuvas pode forçar uma colheita antecipada para evitar o apodrecimento das frutas.
Foco na entressafra: colheita em setembro garante preço maior
Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins
Reprodução/TV Gazeta
No limite entre Domingos Martins e Venda Nova do Imigrante, a mais de 1.000 metros de altitude, a colheita do produtor José Rubens está apenas começando em agosto.
Para reter os frutos no pé com qualidade, ele realiza um monitoramento rigoroso contra a mosca-da-fruta — um dos principais problemas do pomar — instalando armadilhas de feromônio ao redor da plantação.
“Esse monitoramento é muito importante para que você saiba o que está acontecendo dentro do seu pomar. Se tem uma quantidade de mosca da fruta que você vê que tem que fazer algum procedimento, aí você coloca ou um fungicida ou um inseticida de acordo com a necessidade”, explicou José Rubens.
Após colhida, a poncan é submetida a uma triagem de classificação para atender a diferentes perfis de compradores. As frutas são organizadas em Padrão 1, Padrão 2, Poncan Mista (médias a grandes) e separadas de acordo com as dimensões (graúda em uma caixa, média-pequena em outra).
A principal estratégia comercial de José Rubens, contudo, baseia-se em árvores antigas que ele identificou em sua lavoura após anos de observação. Estas plantas possuem características genéticas naturais que atrasam a maturação e seguram os frutos nos galhos mesmo após o término geral da safra na região.
“São variedades que conseguem chegar com a maturação a partir de setembro, quando a maioria dos produtores já não tem mais a poncan. E é um período em que ela pega um preço muito superior ao de hoje”, conclui o produtor.
Produtores de tangerina poncan unem altitude e tecnologia para ter colheita o ano todo em Domingos Martins
Reprodução/TV Gazeta
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Renault Boreal acumula prêmios, mas não decola em vendas; g1 testou e mostra prós e contras

Renault Boreal na versão Techno
Carlos Cereijo / g1
O Renault Boreal chegou em 2025, enfileirou alguns prêmios e criou expectativa de um novo capítulo para a marca junto com o irmão Kardian. O SUV mostrou que a marca francesa conseguiu dar um salto de qualidade, mas as vendas são tímidas.
Hoje é vendido nas versões Evolution por R$ 179.990, Techno de R$ 199.990 e Iconic por R$ 214.990. Entre janeiro e agosto de 2026, a Renault emplacou 7.633 unidades do Boreal.
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No mesmo período, a Jeep vendeu 36.341 Compass. E a Toyota conseguiu vender 25.564 Corolla Cross, mesmo ainda sentindo as consequências do acidente na fábrica de Porto Feliz (SP) no final de 2025.
Até o Jaecoo 7 da Omoda&Jaecoo conseguiu ultrapassar o Boreal com 11.769 unidades vendidas. Sendo que mais que 7 mil desses SUVs importados da China são da versão mais barata, Elite, que custa R$ 189 mil.
Nos últimos meses, a Renault fez promoções para o Boreal com bônus de até R$ 22 mil e incluiu o modelo na estratégia do Move Aplicativos com descontos para taxistas e motoristas de aplicativo.
O g1 testou a versão Techno para descobrir os pontos positivos e negativos do Boreal. Será que o SUV é uma boa opção? Vale a pena aproveitar os descontos?
Renault lança Koleos no Brasil e quer clientes de SUVs chineses
Conforto anestesiado
O Renault Boreal utiliza a Renault Group Modular Platform, conhecida como RGMP. A arquitetura foi desenvolvida para ser utilizada em veículos de diferentes tamanhos e segmentos e permite trabalhar com diferentes configurações de carroceria e sistemas de propulsão.
No Boreal, a suspensão dianteira é do tipo McPherson e a traseira utiliza eixo de torção. A estrutura traseira permite a instalação de uma barra estabilizadora interna de 30 mm.
A direção elétrica também está integrada à lógica da plataforma. A assistência pode ser modificada de acordo com o modo de condução escolhido, ficando mais leve no Comfort e mais firme no Sport.
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O Boreal tem uma personalidade que é comum a vários SUVs modernos. As marcas abandonaram a ideia de que esses veículos precisam transmitir robustez. Ao contrário, a ideia é um carro grande, alto, mas com comandos e sensação de conforto.
O resultado é uma direção elétrica anestesiada e que aposta na assistência variável para criar sensações. No modo esportivo, a firmeza extra é só uma lembrança de como deve ser um carro divertido de dirigir.
E a Renault sabe muito bem acertar a direção de um esportivo, mesmo sem custar os R$ 200 mil. O finado Sandero RS é um exemplo perfeito de esmero em acerto.
A suspensão foi calibrada, segundo a Renault, para combinar dirigibilidade e conforto. Esse trabalho foi finalizado pela equipe de engenharia da Renault Tecnologia Américas no Autódromo Oscar Cabalén, na Argentina.
O Boreal tem conjunto que precisa equilibrar o centro de massa mais alto e as rodas de 18 polegadas. O SUV chega a um resultado interessante para o dia a dia.
Cabine do Renault Boreal na versão Techno
Carlos Cereijo / g1
Tecnologia
A arquitetura eletrônica da RGMP foi preparada para receber diferentes sistemas e tecnologias de assistência ao motorista, além de soluções de segurança e gerenciamento de energia.
Outro recurso associado à arquitetura eletrônica é o Multi-Sense, que permite selecionar cinco modos de condução: Eco, Comfort, Sport, Personal e Smart. A seleção pode ser feita pela tela multimídia ou por um comando giratório no console central.
Os modos modificam diferentes características do veículo:
Resposta do pedal do acelerador;
Esforço da direção;
Informações exibidas no painel;
Iluminação interna.
No Smart, esses parâmetros são adaptados automaticamente por algoritmos que alternam entre as configurações Eco, Comfort e Sport.
Motor 1.3 turbo do Renault Boreal foi desenvolvido em parceria com a Daimler, dona da marca Mercedes-Benz
Carlos Cereijo / g1
Motor e câmbio
O Renault Boreal tem motor 1.3 turbo TCe flex e a transmissão automática de dupla embreagem de seis marchas banhada a óleo. Desenvolvido em parceria com a Daimler, o propulsor é produzido no Brasil, em São José dos Pinhais (PR).
O motor entrega 163 cv e 27,5 kgfm de torque. De acordo com dados do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro, o Boreal registrou:
Gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada.
Etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada.
A transmissão possui modos de condução Sport, Eco e My Sense, além de recursos eletrônicos integrados.
A função creeping permite que o carro inicie o movimento suavemente ao soltar o pedal do freio, facilitando manobras e rodagem em congestionamentos. No Boreal, isso ajuda em manobras em baixa velocidade, pois o câmbio não “salta” quando a embreagem acopla ao tentar, por exemplo, estacionar.
O veículo dispõe ainda de assistente de partida em rampas (HSA) e freio de estacionamento eletrônico inteligente, que gerencia a sincronização da posição P para evitar trancos.
Equipamentos
Por fora, a configuração Techno do Boreal tem rodas de 18 polegadas com desenho Mountain e acabamento preto. Também fazem parte da versão as barras longitudinais no teto, a antena do tipo shark e os faróis de neblina.
A cabine tem duas telas de 10 polegadas. O painel de instrumentos digital pode apresentar a reprodução do mapa de navegação, enquanto a tela central reúne as funções de entretenimento e conectividade.
Na Techno, a central utiliza os serviços do Google integrados ao sistema. Estão disponíveis Google Maps, Google Play e Google Assistant, além de mais de 100 aplicativos.
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O Google Maps pode ser utilizado diretamente pela central, com informações de trânsito em tempo real e atualizações automáticas. Já o Google Assistant permite utilizar comandos de voz para funções como navegação, música e chamadas, e também para determinadas funções do veículo, como o ar-condicionado.
A Techno tem ainda ar-condicionado automático digital de duas zonas, com saídas de ar para os ocupantes traseiros. O console central é elevado e possui um compartimento refrigerado.
Há quatro portas USB-C, duas na dianteira e duas na traseira, além de carregador de celular por indução.
Os bancos dianteiros da versão têm ajustes elétricos e regulagem lombar para motorista e passageiro.
O porta-malas tem capacidade para 522 litros. Com os bancos traseiros rebatidos, o volume chega a 1.279 litros. A base do compartimento fica em uma posição que facilita o acesso à área de carga.
A iluminação ambiente é outro recurso da Techno. O sistema permite escolher entre 48 cores e pode trabalhar em conjunto com os modos de condução.
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A vida a bordo do Boreal é boa. O volante com botões físicos e tamanho correto facilita a vida do motorista. Mesmo com telas grandes, os controles de ar-condicionado e modos de condução estão no painel e console, fáceis de acessar.
A manopla de câmbio singela e tímida comete o mesmo pecado de manoplas de carros como o Porsche 911. São menores e mais chatas de operar, e não liberam espaço no console central. Pelo menos tem bastante espaço no banco traseiro, o que é bom.
A cabine é bem construída e distancia o Boreal do primo, o Kwid. Talvez esteja aí um dos desafios do SUV. Prometer uma experiência premium numa marca conhecida pelo apelo racional dos carros populares.
Segurança
Nesta versão, o Boreal conta com seis airbags, sendo dois frontais, dois laterais e dois de cortina.
Entre os sistemas de assistência estão:
Controle de velocidade adaptativo;
Alerta de distância segura;
Alerta de permanência em faixa;
Alerta de ponto cego;
Frenagem automática de emergência (que funciona também em curvas);
Reconhecimento de placas de velocidade;
Limitador de velocidade.
A Techno também conta com alerta de saída segura dos ocupantes. O sistema utiliza os radares laterais traseiros para identificar a aproximação de veículos antes que uma porta seja aberta.
Outro recurso é o alerta de tráfego cruzado traseiro, que monitora a aproximação de veículos, motos ou bicicletas durante manobras de ré.
O conjunto inclui ainda sensores de estacionamento dianteiros, laterais e traseiros e câmera de ré.
A Techno também pode utilizar câmera 360 graus. O sistema reúne quatro câmeras para criar uma visão dos arredores do veículo e auxiliar nas manobras em espaços apertados.
O Boreal possui ainda assistente de estacionamento semiautônomo. Com o auxílio das câmeras e dos radares, o sistema pode assumir os movimentos necessários para realizar determinadas manobras de estacionamento.
Há também assistente de partida em rampa e sensor de fadiga, que monitora o comportamento do motorista e pode emitir alertas quando identifica sinais de cansaço ou desatenção.
Renault Boreal na versão Techno
Carlos Cereijo / g1
Bom produto
A conclusão é que o Boreal é um SUV com os predicados certos, mas que chega num momento de mercado em transição. O cliente brasileiro nessa faixa dos R$ 200 mil já espera que os carros sejam híbridos e com uma outra experiência a bordo.
O g1 já mostrou que seminovos entre R$ 100 mil e R$ 200 mil estão com quedas fortes nos preços por conta dos carros chineses e dos descontos das marcas tradicionais.
Também pesa para a Renault o fato de que a marca francesa nunca conseguiu emplacar modelos caros no Brasil. Sempre performou bem com Sandero ou Duster, mas o SUV compacto era o teto de preço que o brasileiro, na maioria, estava disposto a pagar.
Não é à toa que a Renault rapidamente se mexeu para criar uma aliança com a Geely no Brasil. Os franceses parecem ter entendido que seria mais eficiente apresentar a marca chinesa, emplacar suas novidades com preço maior e entrar neste segmento sem ter de levar o legado da Renault.
Se o cliente for mais tradicional e não quiser levar um híbrido, o Boreal pode ser uma alternativa. A dica seria aproveitar os descontos e se planejar para ficar mais tempo com o SUV. Isso ajudaria a evitar o derretimento do preço no mercado de seminovos num prazo de dois a três anos.
Renault Boreal Techno: R$ 199.990
Assentos: 5
Comprimento: 4,56 m
Largura: 1,84 m
Altura: 1,65 m
Entre-eixos: 2,70 m
Porta-malas: 522 litros (VDA)
Peso: 1.423 kg
Rodas: 18 polegadas
Pneus: 225/55 R18
Suspensão dianteira: Independente, do tipo McPherson
Suspensão traseira: Eixo de torção com barra estabilizadora, rodas semi-independentes
Freios dianteiros: Discos ventilados
Freios traseiros: Discos sólidos
Direção: Elétrica
Motor: Dianteiro, 1.3 turbo flex, quatro cilindros em linha, 16 válvulas e injeção direta
Combustível: flex
Potência: 163 cv com etanol e 156 cv com gasolina
Torque: 27,5 kgfm com etanol ou gasolina
Câmbio: Automático de dupla embreagem
Marchas: 6
Tração: Dianteira
0 a 100 km/h: 9,5 segundos com etanol e 9,8 segundos com gasolina
Velocidade máxima: 180 km/h, limitada eletronicamente
Gasolina: 11,2 km/l na cidade e 13,6 km/l na estrada.
Etanol: 7,8 km/l na cidade e 9,4 km/l na estrada.
Tanque de combustível: 50 litros

Casa própria vira sonho distante, e jovens gastam mais com pequenos luxos; entenda

Pobreza de luxo: por que o presente vale mais que o futuro?
A chamada “pobreza de luxo” passou a circular nas redes sociais para descrever um comportamento em que jovens mantêm gastos com viagens, restaurantes, eletrônicos e outros pequenos luxos, muitas vezes recorrendo ao crédito ou ao parcelamento, enquanto metas de longo prazo, como comprar um imóvel, parecem cada vez mais fora de alcance.
O termo não faz parte do vocabulário formal da economia, mas ajuda a resumir uma mudança de comportamento: diante da dificuldade de realizar objetivos maiores, cresce a disposição para gastar com aquilo que é possível aproveitar no presente. Quanto mais distante parece o futuro, maior tende a ser o peso das recompensas imediatas.
As redes sociais ajudam a alimentar essa lógica ao exibir viagens, jantares e produtos desejados sem necessariamente mostrar o custo, as dívidas ou o planejamento envolvidos. A expressão surge justamente dessa combinação entre grandes conquistas que parecem inacessíveis e uma oferta constante de pequenos prazeres que ainda cabem no orçamento.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Nostalgia milionária: por que adultos pagam fortunas por brinquedos da infância

Jogos de cartas do Pokémon é inspirado no desenho clássico dos anos 90
Hennzo Pinheiro/Arquivo Pessoal
Brinquedos e colecionáveis que fizeram parte da infância de uma geração movimentam hoje cifras que vão muito além do universo infantil. Adultos passaram a gastar grandes quantias para comprar objetos que remetem à infância — e, em alguns casos, essas peças chegam a valer centenas de milhares ou até milhões de reais.
O mercado de cartas de Pokémon é um dos exemplos mais impressionantes. Uma reportagem do jornal “Financial Times” mostrou que, em fevereiro, uma carta Pikachu Illustrator, de 1998, foi vendida por US$ 16,5 milhões (R$ 84,81 milhões), um recorde mundial.
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Outras cartas individuais também foram negociadas por mais de US$ 1 milhão (R$ 5,14 milhões).
Há também casos de cartas compradas por valores baixos que, anos depois, alcançaram preços muito maiores. Uma carta Mario Pikachu, por exemplo, foi vendida recentemente por cerca de £20 mil (R$ 138 mil), depois de ter sido comprada por £30 (R$ 208,20) oito anos antes.
Agora no g1
O dinheiro não vem apenas de grandes colecionadores
Nos últimos anos, quem acompanhou Pokémon desde o início da franquia chegou à faixa dos 30 e 40 anos e passou a ter mais dinheiro disponível para comprar os itens que marcaram sua infância. A nostalgia, nesse caso, se combina com maior poder de compra.
“Essa geração tem como nostalgia o Pokémon”, disse Elliot Cabrol ao Financial Times, comerciante de cartas que trabalha com o produto há mais de 20 anos.
Segundo ele, muitas pessoas compram os itens como forma de reviver a infância.
O tamanho desse mercado também aparece nos valores das negociações.
Jordan Dunne deixou, em 2025, o emprego como analista de dados em um escritório de advocacia para trabalhar com cartas de Pokémon. Ele disse que seu negócio deve chegar a cerca de £4 milhões (R$ 27,76 milhões) em vendas neste ano, contra £1,2 milhão (R$ 8,32 milhões) em 2025.
Em transmissões ao vivo no eBay, ele já vendeu cartas individuais por mais de £2 mil (R$ 13,88 mil) e afirmou que algumas delas podem gerar até £60 mil (R$ 416,4 mil) em vendas em poucas horas.
Em apenas três semanas de agosto, Dunne vendeu três cartas de sua própria coleção por cerca de £300 mil (R$ 2,082 milhões). Um ano antes, havia comprado as mesmas peças por metade desse valor.
O movimento também aparece entre pessoas que não vivem do mercado de colecionáveis. Um carpinteiro de 25 anos, por exemplo, voltou recentemente a colecionar cartas de Pokémon como fazia quando era mais novo.
Ao Financial Times, ele disse que compra conjuntos antigos em estado impecável e os guarda pensando em repassá-los aos filhos no futuro.
O valor das peças está ligado à dificuldade de encontrá-las
As cartas antigas foram produzidas há décadas, e poucas sobreviveram em boas condições. Já as cartas novas continuam sendo produzidas em grandes quantidades, o que torna mais fácil encontrar exemplares semelhantes.
A diferença de preço pode ser enorme até entre cartas praticamente iguais. Uma carta rara de Pikachu foi vendida recentemente por cerca de £250 mil (R$ 1,735 milhão) em estado considerado perfeito, enquanto um exemplar em condições um pouco piores valia aproximadamente £15 mil (R$ 104,1 mil).
O estado das peças ajuda a explicar por que os colecionadores pagam tanto. Empresas especializadas avaliam as cartas em uma escala de 1 a 10, levando em conta detalhes como riscos, bordas danificadas e o posicionamento da imagem.
Uma versão de Pikachu de 2002, por exemplo, tem apenas 35 exemplares avaliados com a nota máxima.
O tamanho do interesse sobrecarregou até o sistema de avaliação das cartas. Em agosto, uma empresa especializada analisou mais de 1,3 milhão de cartas de Pokémon, dez vezes mais do que no mesmo mês de 2021.
Em maio, a empresa chegou a interromper o recebimento de cartas de menor valor por falta de capacidade.
A procura também aparece em eventos
Uma feira de cartas realizada em Farnborough, na Inglaterra, recebeu 10 mil pessoas em 2026, o dobro do ano anterior. Alguns compradores carregavam caixas trancadas com códigos personalizados e milhares de libras em dinheiro. Comerciantes chegaram a evitar divulgar seus nomes por medo de roubos.
Esse tipo de preocupação não é apenas teórica. Uma loja de colecionáveis em Londres foi invadida, e cartas de alto valor e outros produtos foram roubados.
No ano anterior, um homem foi preso em Manchester depois que policiais encontraram com ele um conjunto de cartas de Pokémon roubadas avaliado em £250 mil (R$ 1,735 milhão).
E no Brasil?
Os colecionadores brasileiros também gastam grandes quantias com itens raros e nostálgicos. O empresário Paulo de Carvalho, de 45 anos, começou a colecionar brinquedos antigos ainda na adolescência.
Hoje, ele tem um galpão em Cubatão (SP) com aproximadamente cinco mil itens que remetem à sua infância.
O empresário contou ao g1 que tinha 13 anos quando começou a vender antiguidades com o avô, que era colecionador de moedas e cédulas.
“Tive uma infância difícil e vi a paixão que ele tinha. Isso me fez pensar: ‘Por que não colecionar brinquedos da minha infância que eu não pude ter?'”, explicou Paulo.
Colecionador Paulo de Carvalho, de 45 anos, com a espada que sonhava ter quando era criança
Abner Reis/TV Tribuna
A mesma lógica de nostalgia aparece em produtos mais recentes e baratos, como Funko Pop, Lego, Sylvanian Families, Hot Wheels, Star Wars e jogos de tabuleiro, como War.
Um exemplo atual é a coleção de bonecos de Dragon Ball Z lançada pelo Burger King. O conjunto com os seis bonecos foi anunciado em 31 de agosto como uma ação promocional da rede de fast-food e, menos de 15 dias depois, já era vendido em outros sites por R$ 299,90.
Todas essas histórias têm um elemento em comum: personagens que fizeram parte da infância dos compradores passaram a representar algo mais do que um brinquedo.
Para parte desse público, comprar esses objetos não significa necessariamente voltar a brincar. É uma maneira de guardar uma lembrança da própria infância — e, em alguns casos, de transformar essa lembrança em um item pelo qual outras pessoas também estão dispostas a pagar muito dinheiro.
Pokémon é tema de exposição em shopping de Salvador
Divulgação