Daniel Klabin, herdeiro da empresa de papel e celulose, se torna o bilionário mais velho do Brasil

Da esquerda para a direita: presidente da ABF, dr. Edgard Leite, sra. Maria Isabel Klabin e dr. Daniel Miguel Klabin.
Divulgação/Academia Brasileira de Filosofia
Aos 97 anos, o engenheiro e empresário Daniel Miguel Klabin passa a ocupar o posto de bilionário mais velho do Brasil. Ele assume a posição após a morte de João Jacob Vontobel também aos 97 anos.
Nascido em 11 de maio de 1929, Klabin tem uma fortuna estimada em R$ 1,6 bilhão, segundo o ranking de bilionários da Forbes de 2026.
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O patrimônio está baseado em sua participação na estrutura empresarial da família Klabin, fundadora do grupo que se tornou um dos maiores produtores de papel e celulose do país.
Daniel é sócio e diretor-presidente da Daro Participações S.A., holding que participa da estrutura de controle da Klabin. Também dirige a Daram Participações Ltda. e a Daram Comercial Agropecuária Ltda.
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Além de herdeiro e acionista da família fundadora, Klabin construiu uma longa trajetória na própria empresa. Ao longo de mais de sete décadas ligado aos negócios familiares, acompanhou diferentes ciclos de expansão da Klabin S.A. e presidiu o Conselho de Administração da companhia em sete ocasiões, nos exercícios de 1981, 1987, 1993, 1999, 2005, 2011 e 2017.
Atualmente, é membro suplente do Conselho de Administração da companhia.
Engenheiro formado em 1952
Daniel é filho de Wolff C. Klabin e Rose Haas Klabin e neto de Israel Chaim V. Klabin e Feiga Zlata Lafer. Sua participação nos negócios da família segue uma estrutura em cascata, organizada da seguinte maneira:
Daniel é sócio e diretor-presidente da Daro Participações S.A. e herdeiro da família;
A Daro Participações S.A. é acionista da Klabin Irmãos S.A. (KISA);
E a Klabin Irmãos S.A. é a holding de controle do Grupo Klabin, com 52,3% das ações ordinárias da Klabin S.A. e 19,36% do capital total.
Antes de se tornar uma das figuras mais longevas da família Klabin, Daniel seguiu carreira na engenharia.
Ele se formou em Engenharia Civil em 1952 pela Escola Nacional de Engenharia da Universidade do Brasil, instituição que atualmente corresponde à Escola Politécnica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Na juventude, trabalhou em projetos de desenvolvimento industrial no antigo Estado da Guanabara e em outros estados.
Sua trajetória profissional, porém, ficou especialmente ligada aos negócios da família. Na Klabin, participou dos principais ciclos de crescimento da companhia e ocupou posições na governança da empresa durante décadas.
A família e a continuidade dos negócios
Daniel Klabin é casado com Maria Izabel Catão Klabin. O casal tem três filhos:
Rose Klabin;
Amanda Klabin Tkacz; e
David Klabin.
Entre os filhos, Amanda ocupa a presidência do Conselho de Administração da Klabin S.A. Ela também é sócia e diretora da Daro Participações S.A. e da Daram Participações Ltda.
As homenagens recebidas
Ao longo da trajetória, Daniel recebeu diferentes títulos e condecorações.
Entre eles estão a Medalha Tiradentes e o respectivo diploma, concedidos pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) em 2023, e a Cadeira de Membro Titular Notável por Honra ao Mérito da Academia Brasileira de Filosofia, em junho de 2025.
Também recebeu a Ordem do Mérito do Pensamento Brasileiro – Medalha Antonio Paim, em dezembro de 2022, e o título de Doutor Honoris Causa pela Academia Brasileira de Filosofia, em agosto de 2017.
Sua lista de condecorações inclui ainda:
Comendador da Ordem de Rio Branco, em 2002;
Cavaleiro da Ordem do Mérito Militar, em 1999;
Medalha do Pacificador Duque de Caxias, em 1963;
Cidadão Correiapintense, título concedido pela Câmara Municipal de Correia Pinto (SC), em 1992.

Vale a pena ser mesário? Veja quantos dias de folga você ganha e outros benefícios

Mesário conferindo documento / Eleição
Tomaz Silva/Agência Brasil
Trabalhar nas eleições não é considerado um emprego temporário e não dá direito a salário. Mas também não é um trabalho voluntário sem compensação.
Quem atua como mesário tem direito a dois dias de folga para cada dia trabalhado nas eleições, sem desconto no salário. O treinamento também garante outros dois dias de folga.
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Ou seja, quem participa do treinamento, trabalha no primeiro turno e também no segundo pode acumular até seis dias de folga.
📎 O segundo turno, no entanto, não acontece em todos os locais. Ele só é realizado quando necessário nas disputas para presidente da República e governador. Em 2026, está marcado para 25 de outubro.
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Os mesários também recebem R$ 65 de auxílio-alimentação por turno de votação. Quem trabalha nos dois turnos, portanto, recebe R$ 130 no total.
Para quem presta concursos públicos, o trabalho como mesário pode trazer outra vantagem: o serviço eleitoral pode ser usado como critério de desempate, desde que essa possibilidade esteja prevista no edital.
Estudantes de instituições conveniadas também podem aproveitar o trabalho eleitoral e o treinamento para cumprir atividades extracurriculares.
Há ainda estados que oferecem benefícios adicionais. No Paraná, por exemplo, mesários têm direito a meia-entrada em eventos culturais e esportivos por dois anos após a eleição. Também há previsão de isenção de taxa em determinados concursos públicos estaduais e municipais, conforme a legislação aplicável.
Neste ano, 1.922.579 pessoas se cadastraram como voluntárias ou foram convocadas para atuar como mesárias nas eleições de 2026. Elas serão distribuídas por 516.785 seções eleitorais em 2.641 zonas eleitorais espalhadas pelo país.
Regras para as folgas
As datas das folgas devem ser combinadas entre empregado e empregador. O mesário recebe uma declaração da Justiça Eleitoral que comprova os dias de serviço prestados.
A pessoa pode, por exemplo, negociar o uso dos dias de uma só vez ou separadamente, inclusive emendando com férias ou feriados. Outro ponto importante é que, se o trabalhador tiver mais de um emprego, o direito às folgas vale para todos os vínculos empregatícios que mantinha na época em que atuou nas eleições.
Já quem muda de emprego depois de trabalhar como mesário deve ficar atento. A legislação não garante a transferência dessas folgas para o novo vínculo empregatício.
Como ser mesário?
Para as eleições de 2026, o período de nomeação dos mesários ocorreu entre 7 de julho e 28 de agosto. Ainda assim, o cadastro para mesário é permanente e pode ser feito com antecedência para os próximos pleitos.
A inscrição como voluntário não significa convocação automática. A Justiça Eleitoral avalia a necessidade de cada seção eleitoral e convoca os voluntários de acordo com a demanda local. Por isso, é possível se cadastrar e não ser chamado para atuar naquele pleito.
O treinamento dos mesários que atuarão nas eleições deste ano começou no dia 17 de agosto. A capacitação é realizada por meio de um aplicativo que funciona em celulares e tablets. O prazo para conclusão termina às 23h59 de 3 de outubro, véspera do primeiro turno.
No dia da votação, o próprio aplicativo também pode ser utilizado como uma espécie de guia, com orientações sobre os procedimentos de abertura e encerramento da seção eleitoral.
Quem pode ser mesário?
Em regra, pode atuar como mesário quem:
está com o título eleitoral em situação regular;
não se enquadra nas situações de impedimento previstas pela Justiça Eleitoral.
Entre os impedidos estão:
candidatos e parentes de candidatos até o segundo grau, além de cônjuges e companheiros;
integrantes de diretórios partidários que exerçam funções executivas;
autoridades e agentes policiais;
ocupantes de cargos de confiança do Poder Executivo;
pessoas que integram a Justiça Eleitoral; e
menores de 18 anos.
Também existem regras para evitar que parentes ou pessoas com determinados vínculos profissionais componham a mesma mesa receptora de votos.
Eleições de 2026
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. O eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Estão em disputa os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
Ao todo, 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar.

Rico Melquíades: entenda o assédio eleitoral e as acusações em ação de R$ 5 milhões

MPT pede indenização de R$ 5 milhões contra Rico por assédio eleitoral; ele se retrata
O influenciador digital Rico Melquíades é alvo de uma ação por assédio eleitoral contra funcionárias domésticas. Na ação, o Ministério Público do Trabalho em Alagoas (MPT-AL) pede indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos e o cumprimento de 18 obrigações.
Segundo o órgão, Rico teria pressionado funcionárias por divergências políticas, exposto dados pessoais das trabalhadoras nas redes sociais e ferido a dignidade delas.
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A Justiça do Trabalho concedeu, neste sábado (19), tutela provisória de urgência para impedir que o influenciador pratique assédio eleitoral contra empregados. A decisão é da 11ª Vara do Trabalho de Maceió.
Caso descumpra as determinações judiciais, Rico deverá pagar multa de R$ 300 mil por infração, por trabalhador prejudicado e a cada constatação.
“A proximidade do pleito agrava o perigo da demora, exigindo resposta jurisdicional enérgica e pedagógica, apta a cessar a continuidade do ilícito e a impedir sua reiteração ou repetição em relação a qualquer outro trabalhador”, afirmou o Juízo do Trabalho na decisão.
De acordo com o Ministério Público do Trabalho, o influenciador teria misturado relações de trabalho, disputas políticas e produção de conteúdo para as redes sociais.
Entre as condutas apontadas pelo órgão estão:
Condicionar contratações, demissões, salários, folgas ou benefícios à preferência política ou ao voto das trabalhadoras;
Investigar a posição eleitoral das funcionárias por meio de redes sociais, grupos de mensagens e registros públicos;
Usar informações pessoais da equipe para produzir conteúdo e gerar engajamento, visualizações e lucro nas redes sociais.
O MPT também afirma que o influenciador teria usado sistemas e ferramentas digitais para classificar ou monitorar funcionárias de acordo com suas opiniões políticas. Segundo o órgão, foi justamente esse aspecto que levou ao enquadramento do episódio como assédio eleitoral.
O que é assédio eleitoral?
Assédio eleitoral ocorre quando alguém tenta influenciar a escolha política de um trabalhador usando sua posição ou poder no ambiente de trabalho. Isso pode acontecer por meio de ameaças, promessas de benefícios, pressões diretas ou até mensagens indiretas.
Nem sempre há uma frase como “vote em determinado candidato”. Muitas vezes, a pressão ocorre de outras formas. É o caso de mensagens que associam determinado resultado eleitoral ao fechamento da empresa, à perda de empregos, à redução de salários ou a dificuldades econômicas.
Levantamento do Tribunal Superior do Trabalho (TST), divulgado com exclusividade pelo g1, mostrou que essa foi a forma mais comum entre os processos analisados. Conhecida como “terror psicológico”, a prática aparece em 81,9% dos casos.
⚠️ Nessas situações, o trabalhador é exposto a cenários negativos apresentados como consequência de determinada escolha política.
Mas o assédio eleitoral não se limita a esse tipo de situação.
Entre outras formas comuns estão:
ameaças de demissão;
promessas de benefícios ou promoções;
pressão para participar de campanhas políticas;
exigência do uso de materiais eleitorais;
tentativas de descobrir em quem o funcionário pretende votar;
constrangimentos em reuniões;
retaliações por posições políticas;
mensagens que relacionam resultados eleitorais a desemprego ou prejuízos financeiros.
Nos últimos anos, esse tipo de prática também migrou para o ambiente digital. Pesquisas do TST mostram que aplicativos de mensagens e redes sociais aparecem em parte dos casos analisados.
Entre os exemplos estão grupos corporativos usados para propaganda política, compartilhamento obrigatório de conteúdo eleitoral e monitoramento do posicionamento político de empregados.
Desde 2023, a Justiça do Trabalho registrou 738 processos por assédio eleitoral no país. Os dados constam no Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado após a adoção de mecanismos específicos para identificar esses casos.
➡️ O número de denúncias é muito maior do que o de processos que chegam à Justiça. Em 2022, por exemplo, o MPT recebeu 3.370 denúncias de assédio eleitoral, recorde da série. Em 2026, até o momento, foram 472, mas o número ainda pode crescer porque o período eleitoral está em andamento.
O influencer Rico Melquiades
TV Senado/Reprodução
O que a Justiça determinou
Além do pedido de indenização de R$ 5 milhões por danos morais coletivos, quantia que, segundo o MPT, deverá ser destinada a fundos públicos ou projetos sociais, o órgão pediu que a Justiça determine uma série de medidas.
Parte delas foi concedida na tutela provisória de urgência.
Entre as determinações estão:
Garantir o direito ao voto, permitindo que os funcionários votem livremente nos dois turnos, com ajustes nas escalas de trabalho e sem descontos salariais ou ameaças de represália;
Proibir exigências políticas, impedindo a cobrança de alinhamento partidário ou a participação obrigatória em atos de campanha;
Excluir conteúdos que contenham dados íntimos, humilhações ou exigências relacionadas às posições políticas dos trabalhadores, nos termos definidos pela decisão;
Publicar uma retratação nas redes sociais, com o mesmo destaque das publicações originais, esclarecendo que a preferência política de um funcionário não pode ser usada como critério para contratação, manutenção ou demissão.
A decisão estabelece multa de R$ 300 mil por infração, a cada constatação e por trabalhador prejudicado, em caso de descumprimento das determinações judiciais.
Em manifestação no processo, o MPT afirma que o influenciador teria adotado comportamento abusivo e ilegal no ambiente de trabalho para influenciar o voto dos funcionários.
O órgão também aponta suposta exposição indevida da intimidade dos trabalhadores e discriminação em razão de convicções políticas.
O réu praticou comportamento abusivo, doloso e ilegal no ambiente de trabalho, objetivando finalidades ilícitas. Essas foram manipular, orientar ou direcionar o voto dos trabalhadores na eleição que se aproxima.”
“Isso impõe constrangimento e exposição indevida da intimidade de empregados, além de tendente a influenciar a livre manifestação de pensamento, intentando orientar o próprio ato de votar dos seus empregados, e promovendo nítida discriminação a depender da convicção política do funcionário, o que é gravíssimo.”
O que diz Rico Melquíades
O g1 procurou o influenciador, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Nas redes sociais, Rico se retratou e pediu desculpas aos trabalhadores. (veja no vídeo acima)
Em vídeo publicado após a repercussão do caso, ele afirmou ter consciência de sua responsabilidade como influenciador e disse que nenhum funcionário deve sofrer coação ou imposição por parte do empregador.
“Nenhum funcionário deve sofrer qualquer tipo de coação ou imposição por parte do seu empregador. Respeito no ambiente de trabalho deve ser mútuo, garantindo a liberdade de expressão, de opinião política e o direito do voto livre e secreto”, afirmou.
Rico também disse que as mulheres que aparecem no vídeo citado pelo MPT são familiares dele e que as publicações foram feitas com consentimento. “Todas as meninas que aparecem no vídeo são da minha família. É minha tia, minha irmã, minha mãe e minha prima. E todo o vídeo que eu posto com elas tem o consentimento”, declarou.
No sábado (12), o influenciador publicou um vídeo em que aparece questionando as funcionárias sobre quem paga os salários delas e dizendo que quem fosse petista seria demitida.
“Não quero petista aqui dentro [de casa] também. Você é PT, Manuela? Responda. Você vai ser PT, Manuela? Está demitida. Traga a sua carteira [de trabalho]. Vai para a rua, viu? Pode trazer a sua carteira”, disse.
Manuela responde aos questionamentos apenas com um “aham”. Outra funcionária, que não teve o nome revelado no vídeo, afirmou ser petista, mas disse que, por causa do trabalho, desistiu de apoiar candidatos da legenda. (veja no vídeo abaixo)
MP eleitoral pede investigação de Rico Melquiades por coação eleitoral contra funcionárias
Na noite desta segunda-feira (21), Rico publicou um novo comunicado nas redes sociais sobre a ação movida pelo MPT. Segundo ele, o órgão pediu que se abstivesse de publicar determinados tipos de conteúdo, após um entendimento inicial de que as publicações poderiam ser interpretadas como assédio eleitoral.
Rico afirmou estar tranquilo e disse acreditar que o caso será esclarecido. Informou ainda que seus advogados estão cuidando da situação e que, até lá, não deve publicar conteúdos que envolvam sua irmã, Manuela, sua prima, Leilane, sua mãe e sua tia, Betânia, citadas nos vídeos.
Na noite desta segunda-feira (21), Rico Melquíades publicou comunicado no Instagram
Reprodução/Instagram
Como denunciar casos de assédio eleitoral?
O assédio eleitoral pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), inclusive por meio de canais eletrônicos. O trabalhador pode denunciar de forma anônima ou, caso se identifique, solicitar sigilo de seus dados.
É recomendável fornecer o máximo possível de informações, como nome da empresa, pessoas envolvidas, local, data e descrição dos fatos. Mensagens, e-mails, fotos, vídeos e outros documentos também podem ser anexados.
Dependendo do caso, a denúncia pode ser encaminhada à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), especialmente quando houver indícios de infração ou crime eleitoral.
Veja os principais canais:
Ministério Público do Trabalho (MPT): recebe denúncias de irregularidades trabalhistas pelo site do órgão e pelo aplicativo Pardal MPT.
Justiça do Trabalho: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e os Tribunais Regionais do Trabalho possuem canais de atendimento e ouvidorias para receber relatos relacionados ao tema.
Centrais sindicais: disponibilizam canal para denúncias de pressões políticas, demissões ou cortes de benefícios relacionados à escolha eleitoral.
Ministério Público Eleitoral (MPE): pode ser acionado em situações que envolvam possíveis crimes ou irregularidades eleitorais.
Sindicato: o sindicato da categoria também pode receber denúncias e orientar o trabalhador sobre seus direitos.
Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas;
Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União;
Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação é gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas;
Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados;
Disque 100: serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.

Lei Seca: drogômetro terá de diferenciar uso de remédio de 'abuso na balada', diz secretário

Lei Seca
Divulgação/Magno Segllia GOVRJ
Em agosto deste ano, uma nova resolução do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) estabeleceu novas regras para a fiscalização da Lei Seca. Entre as novidades está a regulamentação do uso do “drogômetro”. (entenda como funciona abaixo)
Em entrevista ao g1, o secretário nacional de Trânsito, Adrualdo de Lima Catão, reconheceu que a lista de substâncias detectadas pelo drogômetro inclui substâncias presentes em medicamentos usados em hospitais e também vendidos em farmácias.
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Segundo Adrualdo, um exemplo é o Venvanse, usado no tratamento do transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
“Tomar medicamento prescrito pelo médico normalmente, como esses tratamentos, né, Venvanse, proíbe dirigir? Não. Resposta não, objetiva, não tem proibição nenhuma. Nenhuma proibição”, disse o secretário.
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Catão também afirma que ainda há pontos a serem definidos para o uso adequado do equipamento. Um deles é estabelecer um limite aceitável para a quantidade da substância detectada.
“A lei não quer pegar vestígio (…), ela quer saber se o cidadão consumiu mesmo (…). A mesma coisa vai acontecer agora no caso do drogômetro. Ele não vai poder ser certificado se ele só pegar vestígio”, diz.
Sobre o medicamento usado no tratamento do TDAH, o secretário ressalta que ele também pode ser usado de forma ilegal.
“O cara pegou uma caixa de Venvanse e foi pra balada. E ficou doidão. Isso é outra coisa. É totalmente diferente. Então o equipamento tem que tá calibrado para pegar o segundo caso, não o primeiro”, complementa.
Mas como o equipamento poderá fazer essa distinção? Para entender a questão, é preciso saber primeiro quais substâncias o teste é capaz de detectar.
O que o drogômetro detecta?
O drogômetro tem como objetivo identificar substâncias psicoativas que alteram a capacidade de decisão do motorista.
Segundo o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), já existe no Brasil um teste de saliva capaz de detectar uma série de drogas. Esse equipamento funciona como um “drogômetro”.
Em nota enviada ao g1, o Inmetro informou que o teste permite a detecção preliminar das seguintes substâncias:
Anfetamina;
Cocaína;
MDMA (ecstasy);
6-MAM (heroína);
LSD;
Δ9-THC (cannabis);
Fentanil;
Cetamina;
K2 (canabinoides sintéticos);
Morfina;
Metanfetamina;
MDPV.
Das 12 substâncias listadas, cinco estão presentes, direta ou indiretamente, em medicamentos vendidos em farmácias. Isso levanta uma dúvida: um motorista pode ser multado por ter tomado um medicamento?
No entanto, os especialistas ouvidos pelo g1 foram unânimes ao reforçar a afirmação do secretário nacional de Trânsito: fazer um tratamento médico regular, por si só, não impede uma pessoa de dirigir.
Quais substâncias estão em remédios vendidos na farmácia?
Segundo Tula Beck Bisol, doutora em química e professora do Instituto Federal de Santa Catarina, são elas:
Morfina: opioide usado em hospitais e também presente em medicamentos como o Dimorf.
Fentanil: opioide mais potente que a morfina, usado em ambiente hospitalar e também encontrado em adesivos aplicados na pele para o tratamento de dores crônicas intensas.
Cetamina: segundo especialistas, essa substância está presente em medicamentos usados no tratamento de dores crônicas e da depressão. Uma de suas versões, chamada escetamina, também é utilizada em medicamentos e em ambiente hospitalar.
Δ9-THC: composto derivado da cannabis que pode estar presente em medicamentos à base de CBD ou THC, como o Mevatyl.
Anfetamina: sua presença ocorre de forma indireta, porque o princípio ativo do medicamento se transforma em anfetamina após ser metabolizado pelo organismo. O Venvanse, usado no tratamento do TDAH, é um exemplo.
O infectologista pediátrico e diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, ressalta que, embora sejam vendidos em farmácias, esses medicamentos são de venda controlada.
“Medicamentos com essas substâncias (anfetaminas e derivados de morfina) são vendidos em farmácias com receituário especial. Pacientes devem ser alertados sobre o risco de sonolência, alteração de humor, desmaios e etc”, revela Kfouri.
Laura Marise, farmacêutica do Nunca Vi 1 Cientista, afirma que, mais importante do que conhecer o princípio ativo, é ler a bula do medicamento. A orientação é a mesma dada por Kfouri.
A farmacêutica também explica que os procedimentos hospitalares já preveem um período para que o organismo elimine a substância.
“A pessoa que recebeu anestesia só vai ter alta do hospital muitas horas depois da anestesia ter passado. Nesse momento é bem provável que não seja possível mais detectar anestésico. A não ser que o procedimento tenha sido feito de maneira irregular, e a pessoa foi liberada logo em seguida, ou se ela usou como droga”, diz Laura.

'Soltamos a besta': como o mundo se dividiu sobre até onde deixar a IA avançar

Um modelo de datacenter
Crédito: Divulgação
Uma frase ajuda a resumir o espírito dos dias atuais: “Soltamos a besta”. A declaração foi feita por Maliyka Muhammad, analista nova-iorquina de 46 anos, em uma série de entrevistas da agência de notícias AFP com pessoas de oito países e reflete um sentimento que atravessa fronteiras, gerações e ideologias.
Nesta semana, a preocupação com a inteligência artificial (IA) ganhou espaço quase ao mesmo tempo no Vaticano, em Bruxelas, Genebra, na Casa Branca e no Vale do Silício.
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Já não se discute apenas o que essa tecnologia pode fazer, mas também até onde ela deveria ser autorizada a avançar.
É aí que surge uma divisão no Ocidente: de um lado, os que defendem uma desaceleração diante do risco de perder o controle; de outro, os que acreditam que fazer isso agora significaria ceder terreno à China.
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Esse choque de visões também aparece longe dos gabinetes. Em Roma, a arquiteta Frida Awrohum usa IA no trabalho, mas admite que ainda sente medo.
Na Indonésia, uma estudante se pergunta se algum ser humano conseguiria responder tão bem quanto um chatbot. Em Xangai, um empresário teme que as futuras gerações enfrentem “verdadeiras dificuldades” para encontrar emprego.
No Chile, uma jovem de 19 anos acredita que a tecnologia “está nos tornando mais burros”.
Nem todos, porém, veem uma ameaça. O italiano Diego Sermattei, de 18 anos, comemora o fato de a ferramenta resolver pesquisas instantaneamente.
Já a japonesa Konno Hazuki, de 29 anos, não se sente ameaçada porque, segundo ela, a ausência de emoções limita algumas das capacidades que uma pessoa pode oferecer aos clientes.
Mas o debate já não se limita às percepções individuais.
Ele também chegou às instituições religiosas e às grandes empresas de tecnologia, onde uma parcela crescente da discussão gira em torno de quem deve estabelecer os limites e até onde convém permitir que esses sistemas avancem.
Vaticano e Vale do Silício emitem alertas
No Vaticano, o papa Leão 14 alertou na quarta-feira (16/09) para o risco de “delegar a algoritmos decisões que pertencem exclusivamente à consciência humana” e pediu que as relações sociais preservem “substância real e profundidade pessoal”.
Papa Leão XIV grava vídeo para participantes do Halleluya 2026.
REUTERS/Yara Nardi
Não foi a primeira vez que ele se manifestou sobre o tema. Em maio, publicou uma encíclica na qual defendia o “desarmamento” da IA para impedir que ela “domine a humanidade”.
Os alertas também se intensificaram dentro do próprio setor de tecnologia no fim de semana. O diretor-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio em que defendeu “um ritmo mais lento” para a indústria e propôs auditorias independentes obrigatórias para os modelos mais avançados.
Em uma rara convergência entre rivais, recebeu o apoio de Sam Altman, da OpenAI, e de Elon Musk, da xAI.
Altman alertou depois para dois riscos que, em sua avaliação, poderiam levar o desenvolvimento da IA por um caminho indesejado. Um deles é perder o “controle do futuro”; o outro, concentrar poder demais nas mãos de uma única empresa, laboratório ou país.
Segundo o executivo, uma IA extraordinariamente poderosa usada para impor uma determinada visão de mundo poderia produzir resultados “extremamente distópicos”. Por isso, ele defendeu um marco legal federal que preveja avaliações preventivas dos modelos durante o desenvolvimento.
Nem todos os líderes do setor compartilham a mesma visão. Mark Zuckerberg disse ser favorável ao uso de avaliadores independentes, mas rejeitou a ideia de frear o desenvolvimento.
O chefe da Meta sustenta que cada laboratório tem “a responsabilidade e o incentivo” para adotar, por conta própria, medidas destinadas a tornar seus modelos mais seguros.
A preocupação aumentou ainda mais com a renúncia de Jacob Coxon, pesquisador que trabalhou na Anthropic e na OpenAI. Ele afirmou que as duas empresas avançavam rumo a sistemas superinteligentes que, segundo seu alerta, poderiam chegar a extinguir a humanidade “antes do fim da década”.
O debate também coincidiu com movimentos nos mercados. A agência de notícias Reuters informou sobre quedas nas ações ligadas à IA depois que diversos líderes do setor defenderam uma redução no ritmo de desenvolvimento da tecnologia.
EUA e China disputam os rumos da regulação
A discussão sobre tecnologia atravessou divisões políticas incomuns em Washington. Bernie Sanders, senador de esquerda, e Steve Bannon, ex-assessor de Donald Trump, participaram do mesmo encontro promovido pelo Future of Life Institute e manifestaram fortes reservas sobre os rumos do setor, apesar de partirem de posições políticas radicalmente diferentes.
Sanders anunciou que pretende apresentar uma lei para “proibir permanentemente” o desenvolvimento de uma superinteligência artificial, que comparou às armas nucleares. Bannon, por sua vez, defendeu o rompimento dos vínculos dos Estados Unidos com o setor chinês de IA.
A convergência terminou aí. Sanders defendeu negociações com Pequim para conter os sistemas mais avançados, enquanto Bannon propôs isolar o setor chinês de IA do ecossistema tecnológico americano.
O plano prevê restringir o acesso chinês a componentes avançados, afastar cidadãos chineses dos laboratórios americanos de IA e impedir que entidades chinesas acessem os mercados de capitais dos Estados Unidos.
Em Pequim, o jornal oficial rejeitou a ideia de que a corrida pela IA deva ser vista como um jogo de soma zero, em que o avanço de uma potência necessariamente implicaria perdas para a outra.
O periódico afirmou nesta semana que a IA “não é um monopólio das grandes potências” e defendeu que Washington e Pequim cooperem na gestão dos riscos associados ao desenvolvimento da tecnologia.
Ao mesmo tempo, acusou os Estados Unidos de adotar um “duplo padrão” ao questionar a destilação de modelos chineses quando, segundo o jornal, empresas americanas também recorrem à prática.
Trump e o presidente chinês, Xi Jinping, têm reunião prevista para a próxima semana em Washington, em um momento em que a IA também desponta como um dos temas centrais das conversas bilaterais.
Trump minimiza riscos
Em contraste com os que defendem maior cautela, Trump adotou o discurso oposto. O presidente americano classificou como uma “farsa” a ideia de que a IA possa destruir a humanidade e disse que impor limites ao desenvolvimento da tecnologia favoreceria a China.
Jensen Huang apresenta modelos de laptops usando GPUs RTX Spark.
REUTERS/Ann Wang
Durante uma conversa com o diretor-executivo da Nvidia, Jensen Huang, na cúpula All-In, em Los Angeles, Trump brincou sobre os chips de IA e descreveu os centros de dados como “o petróleo dos próximos 20 ou 25 anos”.
Seu vice-presidente, JD Vance, também demonstrou ceticismo em relação às propostas de regulação e afirmou achar “estranho” que as próprias empresas de IA peçam ao governo para regulá-las.
A tensão com a Anthropic acrescenta mais um elemento ao debate. O conflito começou depois que a empresa rejeitou determinados usos militares do Claude, entre eles a vigilância dentro dos Estados Unidos e o uso de armas autônomas.
A posição acabou lhe custando acesso a alguns contratos do Pentágono. A companhia reagiu na Justiça e obteve decisão favorável em um dos processos.
Bruxelas e ONU elevam exigências
Na Europa, a resposta combina restrições, supervisão e coordenação regulatória. Na quarta-feira, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs novas barreiras de acesso às redes sociais com base na idade.
O plano impediria o acesso de menores de 13 anos e prevê contas especiais, sob supervisão, para adolescentes de 13 a 15 anos.
Ao defender maior proteção para crianças e adolescentes, Von der Leyen alertou para o risco de menores serem “arrastados para conteúdos cada vez mais extremos”.
A proposta pode abrir uma nova frente de atrito com Trump, que há tempos critica a regulamentação tecnológica europeia.
Ao mesmo tempo, a presidente anunciou que a Comissão Europeia discutirá com as grandes empresas de tecnologia medidas para avaliar e reduzir os riscos dos sistemas de IA mais avançados e coordenará esse trabalho com parceiros como Canadá e Reino Unido.
Mas as propostas europeias também enfrentam críticas. Simeon de Brouwer, assessor de políticas da organização EDRi, afirmou que as restrições etárias “apenas adiam” a exposição dos jovens a determinados riscos, sem alterar o modelo de negócios que, segundo ele, os mantém dependentes das plataformas.
De Genebra, o alto comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, elevou o tom dos alertas. Ele afirmou que falhas em sistemas cada vez mais autônomos poderiam afetar infraestruturas e serviços essenciais.
Também advertiu que o avanço da IA pode enfraquecer mecanismos criados para evitar cenários relacionados a armas de destruição em massa.
Sua avaliação resume boa parte do dilema que marca o debate mundial. Para Türk, nenhum país nem empresa alguma deveria decidir sozinha quais riscos o restante do mundo deve assumir.

Gasolina sobe nos EUA e Trump diz que alta é 'baixo preço a pagar' por guerra no Irã

Um posto de gasolina da Terrible’s, na Sunset Road, exibe os preços dos combustíveis enquanto um avião da Southwest Airlines se prepara para pousar no Aeroporto Internacional Harry Reid, na sexta-feira (18), em Las Vegas, nos Estados Unidos.
Bizuayehu Tesfaye/Las Vegas Review-Journal via AP
Sob o sol forte do sul do Texas, Quinten Martinez acompanha os números subirem rapidamente no visor da bomba de combustível. Aos 28 anos, o entregador da Amazon lembra de quando abastecer o carro não exigia escolher qual despesa caberia no orçamento.
“Vai ter dinheiro para comprar comida nesta semana?”, questionou. “Ou vamos colocar gasolina no tanque para conseguir ir trabalhar?”
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A dúvida de Martinez traduz para o cotidiano de muitos americanos uma das consequências econômicas da guerra dos Estados Unidos com o Irã.
A disparada da gasolina aperta o orçamento das famílias, eleva os custos de pequenos negócios e aumenta a insatisfação com o presidente Donald Trump às vésperas das eleições legislativas de novembro.
Agora no g1
Na semana passada, em um evento de campanha na Carolina do Norte, Trump minimizou o impacto da disparada dos combustíveis.
“Está um pouco mais alto. É um preço muito baixo a pagar pelo que fizemos”, afirmou Trump sobre a guerra, descrita por ele como necessária para impedir que o Irã obtenha uma arma nuclear.
Preço na bomba pesa na decisão do eleitor
Apesar da avaliação de Trump, estrategistas dos dois principais partidos americanos dizem que poucos indicadores econômicos devem ter tanta influência sobre os eleitores neste ano quanto o preço da gasolina.
Isso ocorre porque o combustível torna visível uma pressão econômica que poderia parecer abstrata. O motorista encontra o preço na bomba várias vezes por semana, enquanto trabalhadores que dependem do carro precisam abastecer para garantir a própria renda.
A gasolina também está subindo em uma época do ano em que os motoristas americanos normalmente encontram algum alívio.
🔎 No dia 18 de setembro, o preço médio nacional chegou a US$ 4,48 por galão (R$ 23,03), segundo a associação automotiva AAA. Como um galão americano corresponde a aproximadamente 3,8 litros, o preço equivalia a cerca de US$ 1,18 por litro (R$ 6,07).
O valor aumentou aproximadamente US$ 0,17 (R$ 0,87) em uma semana, US$ 0,40 (R$ 2,06) em um mês e US$ 1,27 (R$ 6,53) em comparação com o mesmo período do ano passado.
“Os preços da gasolina importam porque são um dos poucos indicadores econômicos que os eleitores vivenciam e enxergam em tempo real”, afirmou o veterano estrategista republicano Chris Wilson.
“O preço está literalmente diante deles várias vezes por semana. Por isso, eu não minimizaria a frustração que estamos observando, sobretudo entre os eleitores das classes trabalhadora e média.”
As entrevistas realizadas ao longo da semana encontraram frustração e decepção entre eleitores de diferentes partidos.
Democratas e independentes demonstraram maior disposição para punir os republicanos nas urnas pelas dificuldades econômicas.
Parte dos apoiadores de Trump entre a classe trabalhadora, porém, pretende continuar votando no Partido Republicano, mesmo insatisfeita com a condução da economia pelo presidente.
Republicanos também demonstram insatisfação
Dan Lloyd, carpinteiro de 63 anos que votou em Trump, pagava US$ 4,39 por galão (R$ 22,56) de gasolina para abastecer sua caminhonete em Mesa, no Arizona, quando lamentou a decisão do presidente de entrar no conflito.
“Ele prejudicou a si mesmo ao entrar nisso”, afirmou Lloyd sobre Trump. “Onde está todo aquele petróleo da Venezuela? Achei que estivéssemos cheios de gasolina e de tudo, mas não. O povo americano sempre paga a conta, seja nos juros, na comida ou na gasolina.”
Mesmo assim, Lloyd pretende votar no Partido Republicano nas eleições legislativas.
“Acho que o Partido Democrata perdeu o rumo”, afirmou. “Sinto que todo o sistema está à beira do colapso.”
Em Edinburg, no Texas, Kristin Jimenez, de 52 anos, mostrou-se menos preocupada com o preço depois de abastecer sua Mercedes.
“Já pagamos o mesmo preço sob presidentes republicanos e já pagamos esse preço sob presidentes democratas”, afirmou Jimenez, mãe e proprietária de uma pequena empresa.
Ela pretende votar em um candidato republicano, por considerar o partido “o menor de dois males”, e diz que a gasolina não terá peso em sua decisão.
“Não nos importamos em pagar US$ 8 (R$ 41,12) por um café no Starbucks, mas temos problema em pagar US$ 4 R$ 20,56 na bomba?”, questionou. “Façam isso fazer sentido.”
A mais de 2.400 quilômetros dali, na região central de Michigan, Garth Johnson tenta equilibrar as contas de uma empresa de limpeza pesada. O negócio utiliza vários veículos movidos a gasolina e uma máquina abastecida com diesel.
O diesel custava US$ 6,79 por galão (R$ 34,90), cerca de US$ 1,79 por litro (R$ 9,20), enquanto ele abastecia seu utilitário esportivo.
Johnson, de 35 anos, votou em Trump, mas ainda não sabe o que fará em novembro. Ele diz não se considerar qualificado para contestar a avaliação do presidente sobre a guerra, embora já sinta a pressão financeira do conflito na própria rotina.
“Gosto de muitas das coisas que ele fez”, afirmou Johnson, antes de acrescentar: “Sou um cara pequeno e preciso viver a minha vida.”
Outros eleitores querem responder nas urnas
Na Virgínia, onde a votação antecipada já estava em andamento na sexta-feira, o engenheiro Alan Johnson, de 60 anos, afirmou que Trump parece não ter “nenhuma empatia” pelos americanos que enfrentam dificuldades financeiras.
“Com os preços da gasolina como estão e continuando a subir, precisamos fazer alguma coisa. Tomara que os democratas consigam chegar ao poder e mudar o rumo das coisas”, afirmou Johnson.
Naquela manhã, ele votou em candidatos democratas ao Senado e à Câmara dos Representantes.
Em Raleigh, na Carolina do Norte, a professora Brittney Bivins vê a alta dos combustíveis como um sinal de que Trump e o Partido Republicano não estão enfrentando os problemas que mais afetam pessoas como ela.
“Ele realmente não se importa com as pessoas comuns”, afirmou a professora de 45 anos.
“Ele pode pagar pela gasolina, mas a maioria de nós não pode. Então, parece que ele não está nem sequer conectado com o próprio povo.”
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com repórteres antes de embarcar no Air Force One na Base Aérea Conjunta Andrews, em Maryland, em 9 de setembro de 2026.
Foto de BRENDAN SMIALOWSKI/AFP
Bivins se define como independente e pretende apoiar os democratas nas eleições, especialmente a ala socialista democrática que vem ganhando espaço dentro do partido.
Em um posto de gasolina de Lansing, em Michigan, Rina Risper gastou US$ 50 (R$ 257) para comprar oito galões de gasolina premium, o equivalente a aproximadamente 30 litros.
“Quando cheguei, fiquei realmente chocada e pensei: bem, talvez eu devesse beber água em vez de comprar aquela garrafa de qualquer coisa que custava US$ 4,99 (R$ 25,65)”, afirmou Risper.
Ela acredita que as tarifas comerciais de Trump devem agravar ainda mais os problemas relacionados ao custo de vida.
“Não estamos em Miami. Estamos em Lansing, Michigan”, afirmou. “Isso realmente vai afetar a nossa população.”
Maioria diz que governo Trump piorou a economia
A percepção de que o orçamento está mais apertado aparece também nas pesquisas nacionais.
Segundo levantamento da Fox News divulgado na quarta-feira, o número de eleitores que dizem estar ficando financeiramente para trás é mais de três vezes maior que o daqueles que afirmam estar avançando.
Em um momento no qual a economia e o custo de vida aparecem entre as principais preocupações do eleitorado, os democratas têm vantagem de 15 pontos percentuais sobre os republicanos quando os entrevistados são questionados sobre qual partido administraria melhor a inflação e os preços.
A pesquisa mostra que 61% dos eleitores consideram o preço da gasolina um problema importante para a própria família. Dois anos antes, eram 48%.
Os gastos com saúde são apontados como um problema importante por 52%, ante 44% em 2024.
A maioria também demonstra preocupação com o preço da moradia e dos alimentos, embora esses dois indicadores não tenham registrado aumento na comparação apresentada pela pesquisa.
No total, 63% dos eleitores afirmam que o governo piorou a economia. Em setembro de 2025, essa parcela era de 52%. A avaliação negativa inclui um quarto dos republicanos.
Entre os eleitores do partido, apenas 46% dizem que o governo melhorou a economia, enquanto cerca de um quarto não percebe impacto.
De volta ao sul rural do Texas, região onde o Partido Republicano avançou nas últimas eleições, Martinez não esconde a frustração.
Trump “gosta de afirmar que somos a melhor economia do mundo”, disse o entregador da Amazon. Mas, nas cidades mais rurais, “você não vê nenhuma dessas vitórias, não vê nenhuma das melhoras de que ele está falando”.
“Você só vê as dificuldades da vida cotidiana”, afirmou.

Sem dar pistas sobre próximos passos, BC diz que manterá 'restrição adequada' na política de juros para conter inflação

O Banco Central reafirmou nesta terça-feira (22) que manterá “perseverança, firmeza e serenidade’ na condução da política de juros, pois isso colaborará para a chamada “reancoragem das expectativas”, ou seja, trazer as projeções de inflação para as metas dos próximos anos, com menor custo para a economia.
A informação consta na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, realizada na semana passada, quando a taxa básica de juros da economia caiu de 14% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte seguido da Selic.
“No contexto atual de incerteza em níveis historicamente elevados, com riscos assimétricos na direção altista para os preços, o Comitê reitera que a magnitude do ciclo de calibração [definição dos juros] será ajustada à luz da evolução do cenário, de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, acrescentou o BC.
BC corta juros pela 5ª vez, mas nova queda é incerta
➡️Ao não dar indicação sobre os próximos passos nas decisões sobre a taxa de juros, o Banco Central deixou a porta aberta para tomar a decisão que julgar adequada nas próximas reuniões do Copom. Na semana passada, o mercado financeiro passou a acreditar em mais um corte de juros neste ano, com a taxa terminando 2026 em 13,50% ao ano.
🔎 A Selic é o principal instrumento do BC para conter a inflação, que tem efeitos, principalmente, sobre a população mais pobre. Quando a taxa sobe, por exemplo, o crédito fica mais caro, o que reduz empréstimos, investimentos, o consumo e ajuda a conter a inflação.
Trajetória da taxa Selic – setembro de 2026
Arte/g1
O Copom avaliou que as “evidências de transmissão” dos juros altos para a atividade econômica “têm se acumulado gradualmente”.
“Embora a política monetária [de juros] esteja contribuindo de forma determinante para o processo de desinflação, a inflação permanece pressionada pela demanda, exigindo que a política monetária mantenha caráter restritivo”, acrescentou.
O BC reconheceu, também, que “choques de oferta”, como a alta recente do petróleo (fruto do conflito no Oriente Médio) têm exercido “influência relevante tanto sobre a trajetória recente da inflação quanto sobre sua trajetória prospectiva (projeções para os próximos anos)”.
“O Copom avalia que que não deve reagir aos efeitos primários de choques dessa natureza [de oferta], mas que é necessário monitorar com atenção eventuais efeitos de segunda ordem, e reagir com firmeza caso esses efeitos se materializem”, acrescentou o Copom.
Queda recente da inflação
O Banco Central observou que as “leituras mais recentes” apontam para queda da inflação ao consumidor, tanto no índice cheio quanto na média das medidas subjacentes.
Mas, pontuou que as estimativas de inflação dos agentes econômicos para os próximos anos (um dos principais indicadores para a definição da taxa de juros) continuam acima da meta de inflação.
“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes. Foi ressaltado que o custo de desinflação sobre o nível de atividade ao longo do tempo é maior em ambientes com expectativas desancoradas”, informou.
Gastos públicos
A autoridade monetária também avaliou que a chamada “política fiscal’, ou seja, relativa às contas públicas, tem um impacto de curto prazo por meio de estímulo à demanda agregada (alta de gastos na economia), e uma “dimensão mais estrutural”.
Essa dimensão tem potencial de “afetar a percepção sobre a sustentabilidade da dívida” e impactar os juros de mercado (cobrados na emissão de títulos públicos).
“Uma política fiscal que atue de forma contracíclica e contribua para a redução do prêmio de risco favorece a convergência da inflação à meta. O Comitê reafirma a visão de que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos deletérios sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação em termos de atividade”, diz o BC.
Por fim, o Comitê de Política Monetária do Banco Central informou manter a “firme convicção de que as políticas devem ser previsíveis, críveis e anticíclicas”.
“Em particular, o debate do Comitê reforça, novamente, a necessidade de políticas fiscal e monetária harmoniosas”, concluiu.
Como as decisões são tomadas
Para definir os juros, a instituição atua com base no sistema de metas. Se as projeções de inflação estão em linha com as metas, é possível baixar os juros. Se estão acima, o Copom tende a manter ou subir a Selic.
Desde o início de 2025, com o início do sistema de meta contínua, o objetivo foi fixado em 3% e será considerado cumprido se a inflação oscilar entre 1,5% e 4,5%.
Com a inflação ficando seis meses seguidos acima da meta em junho, o BC teve de divulgar uma carta pública explicando os motivos.
Ao definir a taxa de juros, o BC olha para o futuro, ou seja, para as projeções de inflação, e não para a variação corrente dos preços, ou seja, dos últimos meses.
Isso ocorre porque as mudanças na taxa Selic demoram de seis a 18 meses para ter impacto pleno na economia.
Neste momento, por exemplo, a instituição já está mirando na meta considerando o primeiro trimestre de 2028.
Para 2026, 2027 e 2028, respectivamente, as estimativas de inflação do mercado financeiro estão em 4,92%, 4,3% e 3,80% – todas acima da meta central de inflação.
Outros recados do BC
O Copom avaliou que o “ambiente externo permanece incerto em função da indefinição acerca dos conflitos armados no Oriente Médio e da incerteza sobre a política monetária em algumas economias avançadas”. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, acrescentou.
Em relação ao cenário doméstico, o BC informou que o conjunto indicadores divulgados das últimas semanas mostra uma “moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente e mercado de trabalho aquecido”. “A atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação, tal como antecipado pelo Comitê”, acrescentou.
O Banco Central avaliou que a taxa de desemprego mantém-se em patamares historicamente baixos, enquanto o crescimento da taxa de ocupação vem apresentando desaceleração. “O Comitê segue atento ao debate sobre as dimensões corrente e estrutural do mercado de trabalho, enfatizando a necessidade do aprofundamento dessa análise para a avaliação dos padrões de transmissão dos níveis de ocupação para os rendimentos do trabalho e, finalmente, para os preços dos diversos setores da economia”, disse.

Dólar abre em alta, de olho em ata do Copom e Lula na ONU

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta terça-feira em alta, com um avanço de 0,22% perto das 9h10, cotado a R$ 5,1195. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam, às 10h.
O destaque da sessão fica com a ata da última reunião de juros do Comitê de Política Monetária (Copom). Investidores também acompanham a queda nos preços do petróleo, que pode pressionar ações do setor de energia, e o discurso do presidente Lula (PT) na Organização das Nações Unidas (ONU).
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▶️A ata da última reunião do Copom fica no centro das atenções nesta terça-feira. No documento, o Banco Central (BC) reconheceu a desaceleração da atividade econômica, do crédito e da inflação, mas ponderou os riscos fiscais e a incerteza quanto ao cenário internacional. No último boletim Focus, divulgado ontem, a projeção dos economistas é que a Selic termine 2026 em 13,5% ao ano.
▶️ O discurso de Lula na ONU também fica no radar. As falas acontecem em meio a um momento delicado entre Brasil e Estados Unidos, que continuam sem avanço nas negociações das tarifas americanas sobre produtos brasileiros. Na véspera, Lula afirmou que não aplicará a Lei da Reciprocidade enquanto as tratativas estiverem em andamento.
▶️ Investidores continuam a monitorar a queda nos preços do petróleo. No final de semana, a China atendeu a um pedido da Arábia Saudita e pediu que o Irã limitasse os ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera do país.
Perto das 8h55, o barril do Brent, referência internacional, tinha queda de 1,95%, cotado a US$ 98,38. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, caía 2,59%, a US$ 93,30 o barril.
▶️Ainda no exterior, o mercado também segue em compasso de espera pela cúpula entre Trump e Xi Jinping, prevista para quinta-feira. A expectativa é que os líderes sinalizem uma prorrogação da trégua comercial firmada entre os dois países no ano passado e que evitou um grande choque na economia global. Questões envolvendo Taiwan também podem ser abordadas.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,70%;
Acumulado do mês: -1,38%;
Acumulado do ano: -6,93%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,74%;
Acumulado do mês: +5,17%;
Acumulado do ano: +15,81%.
Queda nos preços do petróleo
As tensões no Oriente Médio seguem no radar dos investidores. De um lado, o crescente conflito entre os EUA e o Irã continuam a diminuir as esperanças de que o Estreito de Ormuz — rota por onde passava cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo antes da guerra na região — seja reaberto em breve.
No domingo (20), o presidente americano, Donald Trump, afirmou que estava decidindo se “explodiria o Irã inteiro ou não”. A declaração foi dada à emissora americana Fox News, e ocorre em meio a temores de que os EUA retomem os bombardeios em larga escala contra o país do Oriente Médio.
Ainda assim, a sinalização da Arábia Saudita, na semana passada, de que ofereceria cargas adicionais de petróleo por rotas alternativas, trouxe alívio aos preços da commodity nos últimos dias.
No sábado, a China atendeu a um pedido do país e solicitou ao Irã que limitasse os ataques dos rebeldes houthis à infraestrutura petrolífera saudita, que têm ameaçado uma segunda rota de exportação de petróleo no Oriente Médio.
A Arábia Saudita também informou, na semana passada, que buscava restaurar cerca de metade da capacidade de seu oleoduto Leste-Oeste, após a interrupção sofrida devido a ataques de drones. A notícia também ajudou a diminuir preocupações com a oferta global de petróleo e ajudava a reduzir os preços da commodity.
Encontro Trump-Xi
Os mercados financeiros também seguem na expectativa pela cúpula entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping, prevista para quinta-feira.
Além da prorrogação do acordo comercial, os dois países também devem tratar sobre inteligência artificial.
Estados Unidos e China consideram os avanços na tecnologia estratégicos para a competitividade econômica e militar dos dois países. Washington e Pequim, no entanto, mantêm divergências importantes sobre o setor.
Entre os principais pontos de atrito estão as restrições americanas ao acesso da China a chips avançados, acusações envolvendo cópia e transferência de tecnologia e diferenças sobre como a indústria de inteligência artificial deve ser regulada.
Os Estados Unidos têm restringido o acesso chinês a semicondutores de ponta e outras tecnologias consideradas estratégicas, enquanto a China critica as medidas e acusa Washington de tentar limitar seu desenvolvimento tecnológico.
Bolsas globais
Na Ásia, a maioria dos mercados acionários fecharam em alta modesta, em meio à expectativa de que a China e os EUA prorroguem a trégua comercial na reunião entre Trump e Xi Jinping, prevista para quinta-feira.
O SSEC, índice de Xangai e o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, subiram 0,1%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, avançou 0,2%.
Entre os demais mercados da região, o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,15%, enquanto o Nikkei, do Japão, permaneceu fechado.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Notas de dólar.
Murad Sezer/ Reuters