Por que uma dívida sai do controle? Entenda como evitar a bola de neve

Dívida e inadimplência: entenda a diferença e como escapar da bola de neve
Ter dívidas faz parte da vida financeira da maioria das pessoas. O problema começa quando elas deixam de ser pagas e viram inadimplência — sinal de que a dívida cresceu além da capacidade de pagamento, seja por juros altos, prazos curtos, imprevistos ou queda de renda.
Esse desequilíbrio já afeta mais do que as famílias. Com muitos atrasos, a inadimplência tende a encarecer o crédito, desacelerar a economia e dificultar contratações.
Sair desse ciclo exige estratégia, como priorizar dívidas caras, renegociar e evitar novos compromissos. ENTENDA NO VÍDEO ACIMA.
Neste vídeo, você vai entender os riscos da inadimplência e como escapar da bola de neve. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Caso Farm: empresa pode usar projeto feito por candidato em processo seletivo? Veja o que dizem especialistas

Caso Farm: empresa pode usar projeto feito por candidato em processo seletivo? 
Na semana passada, a designer de moda Maria Clara Franklim publicou no Instagram um vídeo que já ultrapassa 2 milhões de visualizações. Ela afirma ter identificado “semelhanças” entre uma coleção recente da Farm e um projeto desenvolvido durante um processo seletivo da empresa.
Segundo Maria Clara, ela recebeu o desafio no dia 11 de novembro e teve quatro dias para criar uma coleção. Sua avó inspirou o conceito “Criada com Vó”, desenvolvido a partir de memórias, elementos de suas casas e objetos do cotidiano.
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Entre as referências, estavam roupas para filtro de barro e liquidificador, além de retalhos e rendas. Meses depois, a designer percebeu semelhanças de seu projeto com uma nova coleção da Farm nas redes sociais.
Na legenda, ela disse ter achado “interessante” ver uma coleção semelhante ao projeto que havia desenvolvido meses antes e afirmou que a situação a levou a refletir sobre o próprio potencial criativo.
“Eu não tô aqui pra falar que a Farm me copiou ou que eu fui referência ou que eles se inspiraram em mim. Mas, pra mim, é muito interessante pensar que uma marca tão grande teve como referência ou pensou numa estética muito parecida com a que eu pensei no meu quarto”, afirmou Maria Clara.
No vídeo, ela mostrou imagens do moodboard, da cartela de cores e dos quatro looks que havia criado para o processo seletivo. O projeto reunia referências como móveis de madeira, jardins, objetos antigos, flores e roupas usadas pelas avós.
O g1 procurou a designer Maria Clara Franklim, que preferiu não comentar o caso. A Farm também foi consultada sobre o caso e não se manifestou até a publicação desta reportagem.
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Pode ou não?
Especialistas ouvidos pelo g1 explicam que a empresa pode exigir testes práticos durante uma seleção, mas isso não significa que tenha autorização automática para explorar comercialmente as criações produzidas pelos candidatos.
Na avaliação de Luciano Andrade Pinheiro, mestre em propriedade intelectual, o processo seletivo não equivale a um contrato de trabalho ou de prestação de serviços. Por isso, se uma criação foi apresentada apenas como parte da avaliação, o uso econômico dela depende, em regra, de autorização do titular dos direitos.
Pinheiro afirma ainda que, em regra, esses direitos pertencem a quem produziu. No caso de uma possível cópia, a análise também precisa ser feita individualmente.
Para determinar se houve violação de direito autoral, é necessário comparar a criação original com a obra que teria sido utilizada e verificar se existem elementos suficientemente semelhantes. Segundo ele, o direito autoral não protege uma ideia ou um conceito isoladamente, mas a forma como essa ideia é concretizada.
Quando ela é materializada em uma folha de papel, uma roupa, um quadro, isso não é mais ideia, é obra.
Fernanda Picosse, especialista em Marcas e Patentes, o limite pode ser ultrapassado quando a empresa deixa de avaliar apenas as habilidades do candidato e passa a receber uma solução pronta para um problema real do negócio, passível de aplicação e aproveitamento posterior.
Nesse caso, o trabalho pode ser caracterizado como uma prestação de serviço, e o candidato pode ter direito a receber remuneração por ele.
“O processo seletivo é feito justamente para avaliar a competência, mas não para você colocar um monte de gente para trabalhar de graça para você”, afirma.
Como saber se houve uso indevido da criação?
Para avaliar se houve uso indevido, é necessário analisar o grau de semelhança entre o material apresentado pelo candidato e o produto desenvolvido posteriormente pela empresa.
A análise, porém, depende da comparação entre as duas criações. Para Luciano Pinheiro, somente uma avaliação técnica do material pode indicar se existem elementos suficientes para caracterizar cópia ou violação de direitos autorais.
Fernanda recomenda que o candidato guarde documentos que comprovem sua participação no processo seletivo e a autoria da criação, como:
Regulamento e regras do processo seletivo;
E-mails, convites e mensagens trocadas com a empresa;
Versões e arquivos do projeto desenvolvido;
Comprovantes de envio do material;
Apresentações feitas durante a seleção;
Publicações posteriores da empresa relacionadas ao material.
A fashion designer Maria Clara Franklim, que afirma ter identificado semelhanças entre um projeto desenvolvido durante um processo seletivo e uma coleção da Farm.
Reprodução/Instagram
Empresa pode pedir que candidato assine um termo?
Luciano Pinheiro também chama atenção para os termos de confidencialidade ou de autorização que podem ser apresentados aos candidatos. O advogado diz que não há impedimento para que uma empresa peça a assinatura de um documento desse tipo, e o candidato pode decidir se quer assiná-lo para participar do processo seletivo.
O ponto de atenção está nas cláusulas que autorizem a empresa a utilizar a criação sem deixar claras as condições desse uso, inclusive eventual pagamento ou outra contrapartida.
“Essa cláusula só prevê ônus para uma das partes”, afirma. Para o advogado, uma previsão desse tipo pode ter sua validade questionada justamente por contrariar o princípio da boa-fé.
Fernanda Picosse ressalta que, caso a empresa queira prever a possibilidade de utilizar as criações apresentadas durante a seleção, essa condição precisa estar clara.
A empresa pode, por exemplo, estabelecer de forma expressa a transferência dos chamados direitos patrimoniais, relacionados ao uso econômico da obra, desde que isso esteja claramente previsto e aceito pelas partes.
Já os direitos morais, relacionados à autoria e à integridade da obra, permanecem vinculados ao autor. Entre esses direitos está o de reivindicar a autoria e ter seu nome indicado como autor da obra, quando cabível.
O candidato, por sua vez, não é obrigado a participar da seleção. O que a empresa não pode fazer é deixar de reconhecer a autoria da criação. Os direitos morais são personalíssimos, intransferíveis e inalienáveis.”
Quando um processo seletivo pode virar trabalho?
Na avaliação de Pinheiro, também é importante observar quanto tempo e qual tipo de atividade são exigidos durante o processo seletivo.
Ele cita como exemplo situações em que empresas chamam candidatos para um suposto treinamento, mas, na prática, eles passam semanas cumprindo tarefas que correspondem ao trabalho que fariam caso fossem contratados.
Nesses casos, segundo ele, a Justiça do Trabalho já reconheceu a existência de relação de trabalho e determinou o pagamento devido.
Fernanda também afirma que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) tem reconhecido situações em que processos seletivos são desvirtuados e passam a funcionar como treinamento com atividades produtivas.
Um dos critérios para avaliar a situação, segundo ela, é verificar se o candidato estava apenas demonstrando suas habilidades ou se, na prática, resolveu um problema real e atual da empresa ou desenvolveu uma solução pronta para ser incorporada ao negócio.
O que o candidato pode fazer?
Caso entenda que sua criação foi utilizada sem autorização, o candidato pode notificar formalmente a empresa, pedir a interrupção do uso do material e negociar eventual remuneração ou indenização.
Dependendo do caso, ainda pode recorrer à Justiça para pedir o reconhecimento de uma prestação de serviço ou de vínculo trabalhista, quando o processo seletivo tiver sido usado como uma forma de treinamento com atividades produtivas.
Na avaliação da advogada Fernanda Picosse, também podem existir pedidos de indenização por danos materiais e morais e de retirada do material que tenha sido divulgado ou comercializado. A avaliação depende das circunstâncias de cada caso.
Se houver uma disputa sobre a autoria ou a similaridade entre as criações, a Justiça pode determinar uma análise técnica. O trabalho pode ser feito por um perito especializado em propriedade intelectual, que avalia aspectos como originalidade, criatividade e o grau de semelhança entre os trabalhos.
“A análise é feita por um perito judicial. Normalmente um expert em propriedade intelectual que vai analisar a originalidade, a criatividade e vai se concentrar nas coincidências. É um trabalho técnico”, explica Luciano Andrade Pinheiro.
Os especialistas recomendam ainda que a pessoa que se considera prejudicada reúna, antes de entrar com uma ação, um laudo técnico que ajude a demonstrar a possível violação de direitos.
Tem precedente?
Em nota enviada ao g1, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) afirmou não ter localizado decisões específicas sobre empresas que utilizam criações desenvolvidas por candidatos durante processos seletivos.
O tribunal informou, porém, que há julgamentos sobre propriedade intelectual em contratos de trabalho. Segundo o TST, esses casos envolvem situações diferentes e, por isso, não permitem estabelecer um entendimento específico da Corte sobre o uso de materiais produzidos por candidatos em processos seletivos.
Mas um caso relativamente recente, envolvendo propriedade intelectual, teve origem em uma disputa entre marcas de roupas e exigiu perícia para avaliar a semelhança entre logotipos.
A dona da marca Polo Ralph Lauren acusou a responsável pela Polo Collection de utilizar símbolos semelhantes aos tradicionais desenhos de jogadores de polo a cavalo.
A empresa acusada afirmou que possuía registro da marca e que a imagem do jogador de polo remete ao próprio esporte. A perícia, porém, apontou elevado grau de semelhança entre alguns dos sinais e indicou que determinados elementos poderiam levar consumidores a associar as duas marcas.
O processo chegou ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), que manteve a condenação.
A Terceira Turma entendeu que não houve irregularidades na produção da prova pericial e confirmou a decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que reconheceu o uso indevido da marca e a concorrência desleal, com aproveitamento do prestígio da marca.
A condenação inclui indenização de R$ 50 mil por danos morais e multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento das obrigações impostas pela Justiça.
E no caso da Farm?
No caso da criadora de moda envolvida no episódio recente com a Farm, Luciano Andrade Pinheiro ressalta que, se ficar comprovado que houve cópia ou uso indevido da criação que foi feita durante o processo seletivo, a autora poderá buscar reparação pelos prejuízos.
Segundo o advogado, ela poderia pedir indenização por danos materiais e morais. O valor dos danos materiais dependeria, entre outros fatores, de quanto um trabalho daquele tipo costuma valer no mercado.
Se o processo seletivo previa alguma forma de remuneração pelo trabalho desenvolvido, esse valor também poderia ser considerado na definição de uma eventual indenização. O valor final, porém, dependeria das circunstâncias de cada caso. “É difícil dizer um valor exato no momento”, afirma.
Por enquanto, o episódio permanece como um debate sobre os limites dos testes práticos em processos seletivos e sobre a proteção das criações produzidas por candidatos durante essas etapas.
Especialistas destacam que apenas uma análise técnica das duas criações poderá indicar se há elementos suficientes para caracterizar eventual cópia ou uso indevido.
Sair durante atestado ou gravar trend no trabalho pode dar justa causa? Entenda

Vaca dá à luz bezerros trigêmeos e surpreende produtor no ES: 'Achei era só um bezerro grande'

Vaca dá à luz bezerros trigêmeos e surpreende produtor: ‘Achei que ia vir só um bezerrão’
Uma vaca de nove anos deu à luz três bezerros de uma só vez em uma propriedade rural de São Mateus, no Norte do Espírito Santo. O nascimento de Pinta, Nina e Cristóvão aconteceu no dia 8 de setembro e surpreendeu o produtor rural José Carlos Junca Júnior.
Antes mesmo do parto, ele imaginava que a vaca, chamada Amanda, teria apenas um filhote grande, e que talvez fosse necessário até ajudá-la na hora do nascimento.
“A princípio, ela estava com uma barriga bem grande e eu achava que ia vir um bezerro só, só que grande. Um bezerrão. Nem acreditei. Ela ganhou sozinha, sem ajuda. Quando fui ver já tinham três”, disse o produtor.
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O produtor ainda estava trabalhando no pasto quando percebeu que Amanda havia parido. Segundo José Carlos, ele estava plantando capim quando viu alguns urubus rondando a propriedade. Ao verificar o que havia acontecido, encontrou a vaca já com os três bezerros.
A esposa de José Carlos foi quem escolheu os nomes dos três filhotes: Pinta, Nina e Cristóvão. O restante da família também se encantou pela novidade.
“Nem acreditaram. Fiz um vídeo, mandei no grupo [de mensagens] e todo mundo ficou sem acreditar que eram trigêmeos. As crianças estão o tempo todo brincando, olhando os bezerros, para eles é uma festa isso aí”, disse o produtor.
Vaca dá à luz bezerros trigêmeos e surpreende produtor em São Mateus: ‘Achei que ia vir só um bezerrão’
Reprodução/TV Gazeta
Caso raro
Amanda tem nove anos e essa foi a quinta gestação dela. Esta, no entanto, foi a primeira vez que ela teve mais de um bezerro na mesma gestação. E de trigêmeos!
Segundo o médico veterinário Darlan Mendonça Cogo, o caso é considerado raro e pode estar relacionado a fatores genéticos.
“Esse tipo de gestação de trigêmeos ocorre entre cerca de um a cada 100 a 175 mil casos. Como não houve acompanhamento veterinário, foi muita sorte do produtor de ter esses três bezerrinhos”, explicou o profissional.
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Mesmo com o parto tendo acontecido no pasto, e não no curral, o produtor agiu rapidamente e deu colostro aos três bezerros nas primeiras horas após o nascimento, usando uma mamadeira. Segundo o veterinário, essa foi uma medida correta.
“A ingestão do colostro nas duas primeiras horas de vida dos bezerros foi crucial para a saúde deles. Em relação à amamentação feita pela vaca, eles estão dando suporte de mamadeira com leite de outras vacas aos filhotes”, explicou o veterinário.
Nesse tipo de gestação, há uma grande probabilidade de a fêmea nascer infértil.
Isso acontece porque ela compartilha a gestação com os irmãos machos e acaba absorvendo parte dos hormônios masculinos, como a testosterona, o que compromete seu sistema reprodutor.
Vaca dá à luz bezerros trigêmeos e surpreende produtor em São Mateus: ‘Achei que ia vir só um bezerrão’
Reprodução/TV Gazeta
Primeiros dias
Livia Franco, esposa do produtor Júnior, contou que os primeiros dias foram bem corridos já que a bezerra Nina estava bem mais fraca do que os irmãos. Ela também estava tremendo.
A família chegou a achar que ela não resistiria, mas deram mais atenção e a aqueceram. Um veterinário conhecido pela família também indicou o uso de um medicamento.
“Júnior conversou por telefone com um veterinário conhecido nosso e ele passou Azium para ajudar ela a levantar. No terceiro dia ela já estava bem”, disse Lívia.
Rotina mudou
A família passou a dividir os cuidados com a vaca e os três filhotes. José Carlos, a esposa e o filho ajudam na alimentação dos animais.
“Foi muito legal, isso nunca aconteceu, mas dessa vez teve essa surpresa”, disse Rafael Junca, de 9 anos. Ele contou que aproveita o contraturno das aulas para ajudar na propriedade e a alimentar os animais.
Com três bezerros a mais na propriedade, o trabalho aumentou, mas a família também ganhou uma dose extra de alegria. “Tem sido muito legal”, contou Rafael.
Vaca dá à luz bezerros trigêmeos e surpreende produtor em São Mateus: ‘Achei que ia vir só um bezerrão’
Reprodução/TV Gazeta
Agora, com os trigêmeos tendo mais de 15 dias de vida, Nina é a maior dos três bezerros. E a alimentação é uma fase importante:
“Um bezerro só é normal, é fácil manter. Como nunca tive isso aqui, já estou dando mais ração e comprei silagem de milho para a Amanda. Estou fornecendo a comida no cocho para ela não sentir muito a diferença”, completou José.
O cuidado também passou a fazer parte da rotina dos animais. José Carlos oferece uma mamadeira com leite específico para os bezerros uma vez ao dia, durante a tarde, para que Amanda possa descansar.
O caso também não é inédito no Espírito Santo. Em junho de 2025, uma vaca de uma propriedade de Pancas, no Noroeste do estado, também deu à luz bezerros trigêmeos. E ela não teve gestação de três filhotes uma única vez.
Vaca dá à luz bezerros trigêmeos e surpreende produtor em São Mateus: ‘Achei que ia vir só um bezerrão’
Reprodução/TV Gazeta
Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo
Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo

Criminoso admite usar conta bancária de terceiro para vender material de abuso sexual infantil: 'É de uma menina'

⚠️ Aviso: esta reportagem contém conteúdo sensível sobre abuso sexual infantil. Ao final dela, veja como denunciar casos desse tipo.
Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram
Uma investigação do g1 revelou como agem criminosos que comercializam material de abuso sexual infantil na internet. A reportagem mostrou que eles usam o TikTok como vitrine para promover a venda do conteúdo ilegal.
A negociação do conteúdo, porém, é feita dentro do aplicativo de mensagens Telegram.
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Em um dos casos identificados pelo g1, um criminoso admite usar a conta bancária de um terceiro, a quem chama de “menina”.
Ele garante, porém, que a transação do interessado não será rastreada, o que não é verdade, segundo a Polícia Federal ouvidos pelo g1. (entenda mais abaixo)
“Não [será rastreado], porque esse banco que eu tô usando é de uma menina. Eu recebo muito PIX nele. Já já cai a conta. Daí seu PIX nunca existiu kkkk”, afirmou o criminoso.
Criminoso usa PIX para vender conteúdo de abuso sexual infantil e diz que comprador não será rastreado.
Reprodução
Procurado, o Telegram afirmou que proíbe o compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil e que, apenas neste ano, excluiu mais de 300 mil grupos e canais relacionados a esse tipo de material.
O TikTok disse que remove essas postagens rapidamente e bane as contas envolvidas. “Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens”, completou.
As notas enviadas pelas empresas ao g1 estão, na íntegra, no final desta reportagem.
Criminosos usam contas das próprias vítimas, diz PF
Conteúdo de abuso infantil é divulgado no TikTok
A PF aponta que os agressores costumam utilizar contas bancárias de ex-namoradas ou da própria criança ou adolescente que foi vitimado por eles, buscando eliminar qualquer vínculo direto entre o autor do crime e a transação.
Para evitar exigências de órgãos de controle como o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) e o Banco Central, as redes criminosas migram para bancos digitais e fintechs com regulamentação mais frágil.
Em alguns casos, elas abrem empresas no setor financeiro para movimentar os recursos sem guardar dados ou responder às autoridades, explicaram os investigadores da PF.
O criminoso que disse usar a conta de “uma menina” também informou como chave PIX um endereço de e-mail com final “@estudante.rs.gov.br”. O g1 não conseguiu localizar a pessoa mencionada no endereço, que tem nome feminino.
Procurada pelo g1, a Secretaria de Educação do Rio Grande do Sul informou que “está em contato com as autoridades policiais para a apuração desse caso”.
Embora os criminosos se sintam seguros ao usar o PIX, a transação deixa rastros que podem ajudar na investigação. Os dados da conta de quem faz o pagamento ficam registrados e podem ser usados pela polícia para identificar os compradores.
Além disso, bancos tradicionais geralmente identificam como suspeitas transações atípicas ou realizadas a partir de diferentes regiões e, nesses casos, podem bloquear as contas.
Pacotes são vendidos a partir de R$ 10 no Telegram
Criminoso vende conteúdo até de abuso sexual em chat no Telegram.
Reprodução/Telegram
Em um dos canais monitorados pelo g1, um dos pacotes custa US$ 25 (cerca de R$ 130) e dá acesso a um grupo privado no Telegram com milhares de vídeos. No mesmo endereço, outros pacotes são vendidos por US$ 11,99 (cerca de R$ 62) e US$ 17,50 (cerca de R$ 90), com diferentes quantidades de conteúdo.
Em um deles, que aceita PIX, um pacote com 3 GB de vídeos e fotos custa R$ 10, enquanto outro, com 15 GB, é vendido por R$ 35.
Os grupos também anunciam diferentes categorias de conteúdo de abuso sexual infantil, incluindo material com violência sexual, como estupro e incesto.
Um deles afirma ser um dos maiores do Brasil e promete receber material de diferentes fontes, além de garantir a confidencialidade dos compradores. Por R$ 20, o grupo oferece acesso “vitalício”, segundo o anúncio. (veja na imagem abaixo)
Antes da compra, os criminosos costumam enviar uma prévia do conteúdo por meio de um vídeo autodestrutivo, que é apagado após a primeira visualização. Depois, após a confirmação do pagamento, enviam os arquivos na própria conversa.
Grupo vende acesso vitalício a grupo de conteúdo de abuso sexual infantil por R$ 20.
Darlan Helder/g1
O que dizem as empresas
Telegram
“A distribuição de material de abuso sexual infantil é expressamente proibida pelos termos de serviço do Telegram, e dedicamos esforços significativos para erradicá-la de nossa plataforma. Mais de 339.760 grupos e canais relacionados a material de abuso sexual infantil foram removidos em 2026.
Além da moderação humana, o Telegram escaneia todas as mídias enviadas para sua plataforma pública, comparando-as com um banco de dados de hashes de conteúdo de material de abuso sexual infantil previamente removido por moderadores, complementado por conjuntos de dados da Internet Watch Foundation e denúncias de ONGs de todo o mundo.
Como resultado desses esforços, o Telegram praticamente eliminou a disseminação pública de material de abuso sexual infantil em sua plataforma.
O fato de agentes maliciosos precisarem anunciar em outras plataformas significa que eles não conseguem existir publicamente no Telegram como resultado dos esforços de moderação do Telegram. Estatísticas diárias e mais informações: Telegram.org/safety”
TikTok
“Removemos esse conteúdo rapidamente e banimos permanentemente as contas envolvidas. Utilizamos tecnologia de ponta e sistemas robustos para monitorar e remover qualquer conteúdo que tente explorar ou causar danos a jovens.
Não permitimos conteúdos que retratem ou disseminem o abuso ou a exploração sexual infantil. Quando tomamos conhecimento de qualquer conteúdo desse tipo — seja por meio dos nossos próprios métodos de detecção, denúncias da comunidade ou parcerias com a indústria —, agimos imediatamente para removê-lo, banir as contas envolvidas e reportar os casos ao NCMEC (em português: Centro Nacional para Crianças Desaparecidas e Exploradas).
Dados do Nosso Relatório de Aplicação das Diretrizes da Comunidade mais recente, do primeiro trimestre de 2026, demonstram a eficácia dos nossos sistemas em fazer cumprir nossas regras. 99,8% dos conteúdos que violaram nossas políticas sobre abuso sexual e físico de jovens foram removidos proativamente da plataforma.”
Veja como denunciar casos de violência infanto-juvenil:
Polícia Militar – 190: quando a criança está correndo risco imediato;
Samu – 192: para pedidos de socorro urgentes;
Delegacias especializadas no atendimento de crianças ou de mulheres;
Qualquer delegacia de polícia;
Disque 100: recebe denúncias de violações de direitos humanos. A denúncia é anônima e pode ser feita por qualquer pessoa;
Profissionais de saúde: médicos, enfermeiros, psicólogos, entre outros, precisam fazer notificação compulsória em casos de suspeita de violência. Essa notificação é encaminhada aos conselhos tutelares e polícia;
WhatsApp do Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos: (61) 99656-5008;
Ministério Público;
Videochamada em Língua Brasileira de Sinais (Libras)
Criminosos usam TikTok para promover de conteúdo de abuso sexual infantil no Telegram
TikTok vira reduto de perfis que exaltam Hitler e o nazismo
Discord: o que é a rede social que terá lives suspensas no Brasil após decisão da ANPD

ICE amedronta trabalhadores e faz cair processamento de carne nos EUA; país tenta baixar preços

Trump determina permite importação carne moída sem taxa adicional para tentar baixar preços nos EUA
As operações de repressão à imigração nos Estados Unidos começaram a afetar o funcionamento de frigoríficos no Kansas, um dos principais polos de produção de carne bovina norte-americana.
Com trabalhadores faltando por medo de abordagens do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE), serviço de imigração dos EUA, fábricas reduziram o ritmo de abate e milhares de bois tiveram o envio para processamento atrasado.
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O problema acontece em um momento delicado para a cadeia de carne americana: o país tem o menor rebanho bovino em cerca de 75 anos e a carne está em preços recordes. Por isso, uma nova redução no ritmo dos frigoríficos pode aumentar ainda mais a pressão sobre a oferta.
Isso pode dificultar ainda mais a chegada de carne aos supermercados em um momento em que o governo de Donald Trump tenta justamente reduzir os preços.
Por que a carne está tão cara nos EUA?
A produção de carne bovina depende de uma cadeia relativamente simples. Primeiro, o pecuarista cria o gado. Depois, os animais são enviados para confinamentos e, quando estão prontos, seguem para os frigoríficos.
É ali que são abatidos e transformados em carne para chegar aos supermercados e restaurantes.
Nos últimos anos, os produtores americanos reduziram o número de animais porque a seca encareceu e dificultou a criação. Com menos bois disponíveis, há menos matéria-prima para os frigoríficos processarem.
E, quando a oferta de um produto diminui enquanto a procura continua, o preço tende a subir.
Trump tenta aumentar a oferta de carne
Para tentar colocar mais carne no mercado e reduzir os preços, o governo adotou medidas para facilitar a entrada de produto estrangeiro. Uma delas permite a importação temporária de até 300 mil toneladas de carne moída em 90 dias sem uma tarifa adicional que normalmente é cobrada quando o limite de uma cota é ultrapassado.
A estratégia, porém, enfrenta resistência de parte dos pecuaristas americanos. A preocupação é que mais carne importada reduza o preço recebido pelos produtores dos Estados Unidos e desestimule a criação de novos animais.
Trump também abriu uma investigação sobre o funcionamento do mercado e das grandes empresas processadoras.
O preço da comida também pesa nas eleições
A discussão ganhou importância porque os Estados Unidos terão eleições de meio de mandato em novembro.
➡️ Nessa votação, os americanos vão escolher deputados e parte dos senadores. O resultado define quem terá maioria no Congresso durante os próximos dois anos.
O custo de vida é uma das preocupações do eleitorado. Uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada em setembro mostrou que 17% dos americanos aprovavam a atuação de Trump em relação ao custo de vida.
A carne bovina é apenas um dos alimentos que ficaram mais caros, mas tem um peso importante porque faz parte da alimentação cotidiana e porque o problema envolve diretamente produtores rurais, frigoríficos e consumidores.
O que a imigração tem a ver com o preço da carne?
O Kansas é um dos principais centros de processamento de carne bovina dos Estados Unidos. Nesta semana, agentes do ICE intensificaram operações em cidades como Dodge City, Liberal e Garden City.
Segundo autoridades locais, organizadores comunitários e entidades do setor, parte dos trabalhadores deixou de ir aos frigoríficos por medo de ser abordada pelos agentes. O resultado foi uma redução no ritmo de algumas fábricas.
E isso cria um problema para a cadeia: não basta ter gado disponível. É preciso ter trabalhadores e capacidade para transformar os animais em carne.
Abate de gado caiu 16%
O impacto já apareceu nos dados oficiais. Na quinta-feira (24), os frigoríficos americanos abateram cerca de 90 mil bovinos, uma queda de 16% em comparação com a mesma quinta-feira da semana anterior, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA).
Na quarta-feira, a redução havia sido de aproximadamente 9%.
Não é possível dizer quanto dessa queda foi causada diretamente pela operação do ICE. Mas entidades do setor afirmam que a redução da mão de obra e os atrasos nos transportes de animais já estão afetando a cadeia.
São quase oito cabeças de gado bovino para cada tocantinense
Divulgação/Licia Rubinstein/Agência IBGE Notícias