Trump reúne CEOs de IA e anuncia compromisso para reforçar controles de segurança

Trump reúne CEOs de IA e anuncia compromisso para reforçar controles de segurança
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reuniu nesta terça-feira (29), na Casa Branca, executivos das principais empresas de inteligência artificial do país.
O encontro terminou com um compromisso conjunto para que as companhias adotem controles e auditorias destinados a aumentar a segurança de seus sistemas.
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Durante a reunião, Trump afirmou que as empresas do setor vão se “autorregular” e que “querem fazer o que é certo”.
Segundo o presidente, os executivos também assinaram um acordo que é “moralmente vinculante”. Ele disse ainda que está considerando a criação de um comitê com dez pessoas para supervisionar o setor.
CEOs e representantes de empresa de IA em reunião na Casa Branca com a presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de setembro de 2026.
Jonathan Ernst/ Reuters
O documento divulgado após o encontro, chamado de “Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”, estabelece quatro medidas que, segundo as empresas, devem ser adotadas por companhias que treinam e implementam modelos de fronteira — sistemas de inteligência artificial mais avançados.
Sendo elas:
Criar controles internos: as empresas deverão acompanhar as capacidades e o comportamento dos modelos durante o treinamento e o uso. A medida inclui monitoramento de riscos em áreas como cibersegurança, biossegurança e ameaças químicas e busca evitar que os sistemas acessem ou invadam outros sistemas de forma não intencional.
Dar autonomia a uma equipe interna: um grupo dentro de cada empresa deverá verificar se os mecanismos de controle, monitoramento e identificação de problemas estão funcionando como esperado e garantir que eventuais falhas sejam corrigidas.
Contratar avaliação independente: as empresas deverão estabelecer uma parceria com um auditor ou avaliador externo para verificar se os controles e mecanismos de monitoramento estão funcionando adequadamente.
Criar um comitê independente: cada empresa deverá designar um comitê ligado ao conselho de administração para supervisionar os mecanismos de segurança, receber relatórios das equipes internas e dos avaliadores externos e acompanhar a correção dos problemas identificados.
“Acordo da Casa Branca sobre Superinteligência”
Reprodução
Possibilidade de novas regras
O acordo também prevê que as empresas participantes se reúnam regularmente para estabelecer padrões e boas práticas de segurança para seus sistemas.
O documento não descarta a criação de regras obrigatórias pelo governo. Segundo o texto, “com o tempo, pode fazer sentido transformar essas medidas em leis ou regulamentos”.
Mesmo que isso não aconteça, as empresas afirmam que estão comprometidas com a adoção dos controles e auditorias previstos no acordo.
“Independentemente de isso ser exigido das empresas, acreditamos que a implementação desses controles e auditorias é fundamental para garantir um futuro seguro para todos, e todas as nossas empresas estão comprometidas em fazer isso.”
Entre os executivos presentes no encontro estavam Jensen Huang, CEO da Nvidia; Elon Musk, CEO do X e da xAI; Mark Zuckerberg, CEO da Meta AI; e Sundar Pichai, CEO do Google.
Pressão por segurança
O encontro ocorre em meio ao aumento da pressão sobre o governo Trump para lidar com os riscos associados ao avanço da inteligência artificial.
OpenAI e Anthropic relataram que agentes de IA desenvolvidos pelas empresas haviam se rebelado e invadido sistemas de outras companhias.
As invasões levaram pesquisadores a alertar que a tecnologia poderia matar seres humanos em menos de uma década, segundo o contexto apresentado para esta reportagem.
Os episódios também alimentaram pedidos de ação sobre o tema entre parlamentares democratas e republicanos.
Na reunião desta terça-feira, Trump disse que percebe uma disposição das empresas para estabelecer mecanismos próprios de controle.
“Acho que estou vendo uma enorme autorregulação. E eles entendem que precisam se autorregular”, disse Trump a jornalistas na Casa Branca.

Mega-Sena 3064 acumula e prêmio vai a R$ 75 milhões; confira os números sorteados

Como funciona a Mega-Sena?
O sorteio do concurso 3.064 da Mega-Sena foi realizado na noite desta terça-feira (29), em São Paulo. O prêmio para as apostas que acertassem as seis dezenas era de R$ 49,5 milhões. No entanto, ninguém levou a faixa principal e o valor acumulou para R$ 75 milhões.
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Mega-Sena terá semana especial em outubro, com cinco sorteios em cinco dias; entenda
Veja os números sorteados: 04 – 10 – 20 – 25 – 27 – 48
5 acertos: 82 apostas ganhadoras, R$ 24.039,44
4 acertos: 4.467 apostas ganhadoras, R$ 727,39
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
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Resultado do concurso 3064 da Mega-Sena.
Reprodução/Caixa
Para apostar na Mega-Sena
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e o tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1

Dinheiro esquecido do PIS/Pasep: prazo para pedir ressarcimento termina nesta quarta

PIS/Pasep, FGTS – Saque
José Cruz/Agência Brasil
Termina nesta quarta-feira (30) o prazo para solicitar o segundo lote de pagamentos do antigo fundo PIS/Pasep. O saque para quem fizer o pedido dentro do prazo está previsto para o dia 26 de outubro.
Ao longo do ano, há outras datas para solicitações e pagamentos, seguindo um calendário já estabelecido pela Caixa Econômica Federal.
🔎 O antigo fundo PIS/Pasep era usado para incrementar a renda de trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos entre 1971 e 1988. Ele é diferente do abono salarial PIS/Pasep pago atualmente.
O trabalhador pode checar se tem valores a receber por meio do site Repis Cidadão ou pelo aplicativo do FGTS.
Saiba se você tem dinheiro esquecido no antigo fundo PIS/Pasep
Segundo o governo, o saldo médio disponível para saque é de R$ 2,8 mil por pessoa, mas o montante varia conforme o tempo trabalhado e o salário recebido na época. Os valores estão corrigidos pela inflação.
A plataforma Repis Cidadão também ensina o procedimento para retirar o dinheiro, inclusive com orientações específicas para herdeiros, no caso de falecimento do beneficiário. Para acessá-la, é necessário ter conta gov.br nos níveis prata ou ouro.
Se o ressarcimento não for solicitado até setembro de 2028, os valores serão definitivamente incorporados ao Tesouro Nacional, sem possibilidade de saque.
Veja a seguir:
Como consultar se tenho dinheiro esquecido?
Como saber o número do PIS/NIS?
Como pedir o ressarcimento dos valores?
Quando vou receber?
O que é o antigo PIS/Pasep?
1. Como consultar se tenho dinheiro esquecido?
REPIS Cidadão, site lançado pelo Ministério da Fazenda para facilitar consulta e saque do antigo PIS/Pasep
Reprodução
Acesse o site http://repiscidadao.fazenda.gov.br/;
Clique em “entrar com gov.br”. Se você não tiver uma conta no sistema do governo federal, veja aqui como fazer;
Faça login com seu CPF e senha, e clique em “autorizar”;
Informe o NIS (Número de Identificação Social) do beneficiário. O número é o mesmo do PIS e pode ser encontrado em vários lugares (leia mais abaixo);
Clique em “pesquisar”. E, se você tiver valores a receber, o site vai orientá-lo sobre as próximas etapas.
2. Como saber o número do PIS/NIS?
NIS é a sigla para Número de Identificação Social. O documento é uma sequência de 11 dígitos disponibilizada pela Caixa Econômica Federal.
Esse cadastro é necessário tanto para quem trabalha com carteira assinada como para quem quer ter acesso a programas sociais, como o Bolsa Família.
Os números do NIS e do PIS (Programa de Integração Social) são os mesmos. A diferença está na origem deles: enquanto o NIS é gerado no momento em que alguém passa a usar benefícios sociais, o PIS é gerado quando a carteira de trabalho é assinada pela primeira vez.
O NIS pode ser consultado tanto de forma física quanto digital em diversos canais do governo. Veja a seguir:
Extrato do FGTS: é possível conferir o número do PIS dentro de um dos contratos registrados no aplicativo.
Cartão Cidadão: o número do NIS está identificado logo abaixo do nome do beneficiário e acima da data de emissão do cartão.
Meu INSS: no site, o número do NIS aparece como NIT, na parte dos dados cadastrais. A consulta também pode ser feita pelo telefone da Previdência Social (135), de segunda a sábado, das 7h às 22h.
CadÚnico: é possível encontrar o NIS após preencher informações pessoais no site CadÚnico ou pelo aplicativo.
3. Como pedir o ressarcimento?
O trabalhador pode protocolar o pedido de ressarcimento em uma agência da Caixa Econômica Federal ou fazer a solicitação pelo aplicativo do FGTS.
Ele vai precisar fazer login no app, acessar a opção “mais”, “ressarcimento PIS/Pasep” e seguir as orientações para anexar os documentos exigidos.
Se o pedido for feito pelo próprio beneficiário, basta que ele tenha em mãos um documento de identidade oficial.
Já no caso de herdeiros, será necessário apresentar:
Certidão PIS/PASEP/FGTS emitida pela Previdência Social com a relação de dependentes habilitados à pensão por morte; ou
Declaração de dependentes habilitados à pensão emitida pelo órgão pagador do benefício; ou
Autorização judicial ou escritura pública assinada por todos os dependentes e sucessores, se capazes e concordantes, atestando por escrito a autorização do saque e declarando não haver outros dependentes ou sucessores conhecidos.
4. Quando vou receber?
Após a solicitação, a Caixa vai analisar o pedido e enviar as informações ao Ministério da Fazenda. O pagamento será realizado diretamente na conta bancária do interessado na Caixa ou por meio de conta poupança social digital, de acordo com o calendário a seguir.

5. O que é o antigo PIS/Pasep?
O Programa de Integração Social (PIS) foi criado em 1970 para incrementar a poupança individual dos trabalhadores do setor privado.
Logo depois, o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) foi lançado para servidores públicos civis e militares, inspirado no mesmo princípio.
Em 1975, os recursos dos dois programas foram transferidos para um único fundo: o Fundo PIS-Pasep, que parou de funcionar 1988, quando foi substituído pelo abono salarial atual.
Em 2020, as cotas do fundo que não haviam sido sacadas foram transferidas para o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) e, três anos depois, para uma conta única do Tesouro Nacional.
Desde então, a Caixa abriu para que os trabalhadores com dinheiro esquecido na conta peçam o ressarcimento dos valores.
▶️ O abono salarial atual — uma espécie de 14º salário, no valor de até um salário mínimo — é pago anualmente a trabalhadores com carteira assinada e servidores públicos que atendem aos requisitos do programa.
PIS/Pasep: Caixa libera novo lote do dinheiro esquecido nesta segunda

'Nunca é suficiente': como a falta de reconhecimento no trabalho pode afetar a saúde

Imagem ilustrativa mostra trabalhador diante de um computador. Estresse crônico, assédio e sobrecarga de tarefas estão entre os riscos psicossociais relacionados ao trabalho.
Reprodução/Adobe Stock. © People Images / iStock / Getty Images
Quais fatores podem levar à exaustão? O pesquisador brasileiro Ricardo Bertoni Pompeu, da Faculdade de Ciências Aplicadas da Unicamp (SP), interessou-se por um deles em particular: a falta de reconhecimento profissional e seu impacto na saúde mental dos trabalhadores.
O estudo inédito, que ganhou destaque no Jornal da Unicamp (Universidade de Campinas), resultou na tese de doutorado “Reconhecimento no ambiente de trabalho: indo além da Justiça Organizacional”. A pesquisa traz vários depoimentos de assalariados de diferentes setores sobre a exposição contínua a riscos ocupacionais que levaram ao adoecimento.
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Assédio, presenteísmo, metas inalcançáveis, estagnação, falta de recursos, perspectivas ou invisibilização: a lista é longa na mesma proporção dos estragos que provoca na saúde dos trabalhadores.
Segundo o pesquisador, sua inspiração veio principalmente da convivência com seus alunos da Fatec (Faculdade de Tecnologia de Americana), no interior de São Paulo. A maioria deles, de famílias de baixa renda, estuda e trabalha.
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“Eles estudam e trabalham exaustivamente, mas são sempre cobrados por aquilo que não fazem. Não basta o que já estão fazendo, pois sempre deveriam fazer mais, além do que recebem e do que lhes é pago. O reconhecimento é como se fosse um eterno devir, mas que nunca chega. Ouvem muito esse discurso de ‘sair da zona de conforto’. Mas o que significa isso? Pelos relatos, ninguém se sente confortável!”
O estudo se baseia na Teoria do Reconhecimento, do filósofo alemão contemporâneo Axel Honneth, e na Psicodinâmica do Trabalho, do psiquiatra francês Christophe Dejours, que tem vários livros sobre o tema lançados na França.
“Honneth fala sobre luta por reconhecimento. Dejours conhece os efeitos negativos que isso causa e explica como o corpo se molda a esse sofrimento para conseguir lidar com ele.”
Segundo Ricardo, o psiquiatra francês introduz o conceito de trabalho real, que é o esforço invisível para executar uma tarefa.
“Para eu fazer um relatório, por exemplo, não basta sentar na frente do computador, pegar os dados, preencher e concluir. Há um esforço cognitivo. Como vou fazer esse relatório? Quais dados vou colocar? Com que profundidade? Há também um esforço físico. Estou sentado aqui, a cadeira me incomoda, a luz me incomoda, o próprio computador, os óculos. Tenho de lidar com tudo isso”, exemplifica.
Mas não é só, explica o pesquisador. “Há também um esforço afetivo, porque não posso fazer o meu trabalho exatamente do jeito que quero. Quando elaboro esse relatório, se começo a incluir elementos que podem complicar a vida de outros colegas, não por causa dos dados em si, mas da própria estrutura do trabalho, surge um problema”, diz.
Há ainda o esforço emocional, gerado pela raiva, pela desilusão e pela frustração encontradas diante de dificuldades na execução do trabalho.
“Existe também um esforço psíquico, aquele sentimento de dúvida: ‘Está bom o suficiente?’, ‘O que os outros vão pensar?’, ‘Ainda vão me considerar competente depois de ler este relatório?’. Veja a quantidade de esforço envolvida. Isso é o chamado trabalho real: as pessoas são mensuradas nas organizações pelo trabalho prescrito, pelo resultado, mas não por esse esforço. E esse trabalho invisível adoece as pessoas.”
‘Aberrações’ organizacionais
Os 18 entrevistados ouvidos pelo pesquisador brasileiro tinham entre 20 e 40 anos e trabalharam em diferentes setores. Os relatos, verificados, ilustram o funcionamento tóxico de algumas empresas, sem que os próprios gestores muitas vezes se deem conta das situações abusivas.
É o caso de um dos participantes da pesquisa, um vendedor que, na tentativa de ser promovido, aceitou reduzir sua própria renda. Ele abriu mão de comissões e acabou se endividando para se enquadrar no salário do cargo de subgerente que, sem as comissões, era menor.
Mas a empresa acabou contratando outra pessoa para a vaga, e o jovem ainda foi incumbido de treiná-la. O episódio o afetou a tal ponto que ele passou a apresentar gagueira, ansiedade e outros sintomas.
Essas e outras histórias levaram Ricardo a identificar duas novas patologias organizacionais: a contingencialidade e a disjuntividade.
“A contingencialidade transforma o trabalhador em uma espécie de ‘just in time’ humano. Assim como a matéria-prima chega exatamente quando a empresa precisa dela, o trabalhador é convocado apenas para atender às demandas imediatas da organização, sem que sua vida pessoal, seus estudos, seus projetos, suas expectativas ou suas necessidades sejam considerados”, diz.
“O que importa é estar disponível naquele momento, da forma exigida. Depois de utilizado, o trabalhador pode ser descartado com a mesma facilidade. Por isso, a figura do ‘colaborador’ é reveladora: ele colabora enquanto é útil e, quando deixa de ser necessário, é deixado de lado. A empresa invade seu tempo, interfere em sua vida familiar e em seus planos pessoais, mas trata você como um recurso temporário, mesmo quando possui vínculo permanente de trabalho.”
Apagamento da história profissional
A disjuntividade está ligada ao rompimento da temporalidade e ao apagamento da história do trabalhador, e apenas o desempenho imediato é importante.
“Com isso, torna-se impossível construir uma trajetória reconhecida dentro da empresa. O trabalhador descreve o que faz diariamente, mas não consegue narrar sua própria história, porque sua experiência acumulada deixa de ter relevância”, explica.
“A contingencialidade e a disjuntividade são patologias estruturais do mundo do trabalho contemporâneo: não decorrem da ‘maldade de gestores’ ou de empresas específicas, mas de uma lógica de organização que tende a produzir sofrimento e adoecimento em diferentes setores, da educação à indústria, dos serviços às startups.”
Novas normas contra riscos ocupacionais
Desde 26 de maio de 2026, as empresas brasileiras estão submetidas à obrigação de identificar, avaliar e gerenciar fatores de risco psicossociais no âmbito do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
A medida exige que as organizações considerem aspectos relacionados à organização do trabalho, como metas abusivas, jornadas excessivas, sobrecarga de tarefas, cobranças desproporcionais e situações de assédio moral ou sexual.
O objetivo é reduzir o adoecimento mental, promover ambientes de trabalho mais saudáveis e incorporar esses riscos aos processos de gestão e prevenção já previstos pela NR-1. A norma foi criada em 1978 e estabelece disposições gerais sobre o ambiente de trabalho e a gestão dos riscos ocupacionais.
Para o pesquisador brasileiro, que é cético em relação aos benefícios da regulamentação, é importante que exista um canal de denúncia para os trabalhadores. Ele também compartilha a opinião do psiquiatra francês Christophe Dejours, que comentou a regra em uma de suas visitas ao Brasil.
“A tendência é que muitas empresas produzam documentação para se defender de eventuais fiscalizações, e não necessariamente para melhorar o ambiente de trabalho. Elas mostram que cumprem o que a legislação exige, mas isso pode acabar servindo mais como proteção institucional do que como instrumento de prevenção do sofrimento psíquico.”
De acordo com os gestores, os problemas de adoecimento e afastamento tendem a ser tratados como questões individuais, e não como resultado da organização do trabalho.
“Pelo que conheço da realidade brasileira e pelos relatos que recebo de alunos, é provável que muitos cursos e iniciativas de adequação tenham um caráter mais formal do que efetivo. Talvez haja exceções, mas, justamente por serem exceções, elas ganharão destaque. Tenho dúvidas de que esse tipo de mudança se torne rotina nas empresas, infelizmente.”

Por que algumas pessoas acreditam que a IA é um Anticristo

Por que algumas pessoas acreditam que a IA é um Anticristo
Fotograzia via Getty Images
“A IA terá papel central nos tempos finais.”
Estas palavras não vêm de mais um profissional das empresas de tecnologia, alertando sobre uma iminente ameaça à humanidade, mas sim de Philip Anthony Mitchell, um pastor de enorme influência, de Atlanta, nos Estados Unidos.
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Por “tempos finais”, ele quis dizer o fim do mundo.
Mais de um ano se passou após a profecia de Mitchell. E muitos outros cristãos importantes, em fóruns que variam do TikTok e podcasts até o setor editorial, estão discutindo se a inteligência artificial poderá ser um catalisador da destruição do planeta.
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“A IA pode fazer parte de um cenário de fim dos tempos?”, questiona o megapastor americano Greg Laurie. “É muito possível.”
Outro pastor americano, Mike Signorelli, alerta que a IA “é parte integrante de como você chega ao Anticristo”.
Todos eles reconhecem que a IA pode ser usada para o bem. Mas também alertam sobre o Anticristo, representante de Satã, que pode empregá-la para atrair as pessoas para adorá-lo, em substituição a Deus.
No cristianismo, o “fim dos tempos” se refere às profecias sobre os dias finais da Terra. O Anticristo é considerado inimigo de Deus, que assume o poder até ser vencido em batalha por Jesus.
Estas ideias se baseiam principalmente no último livro da Bíblia, o Apocalipse. Ele contém descrições intensas e assustadoras, que incluem “a besta que emerge do mar”, com sete cabeças e 10 chifres, que se acredita representar o Anticristo.
Muitos cristãos consideram o Apocalipse como um texto metafórico. Alguns afirmam que ele se refere à perseguição da Igreja nos seus primórdios, pelo Império Romano.
Mas outros o consideram uma profecia. E alguns dizem que a inteligência artificial seria a “segunda besta” do livro, um “falso profeta” que ludibria a humanidade para que venerasse o Anticristo — ou, até mesmo, que a IA seria o próprio Anticristo.
Satã, ilustrado manipulando sua marionete, o Anticristo, para iludir as pessoas inocentes a venerá-lo no lugar de Jesus
DeAgostini/Getty Images
A IA está, sem dúvida, mudando o mundo e causando receios sobre o seu poder e capacidade.
O ex-pesquisador da Anthropic, Jacob Coxon, indicou que “todos nós poderemos morrer em futuro muito próximo” e donos de empresas de tecnologia alertam sobre os riscos, se a velocidade do seu desenvolvimento não for reduzida.
“A discussão do fim dos tempos floresce em épocas de grandes mudanças”, segundo a professora Noreen Herzfeld, da Escola de Teologia e Seminário de São João, nos Estados Unidos. Ela é especializada em IA e na ética da tecnologia.
“Ela oferece às pessoas uma forma de compreender o estresse da sociedade, de sentir que não é algo simplesmente aleatório, que faz parte dos planos de Deus.”
Herzfeld compara o impacto da IA sobre os empregos à revolução industrial, trazendo consigo altos níveis de incerteza e ansiedade.
“Estamos vivendo em uma época de rápidas mudanças”, segundo ela. “E estamos observando a tecnologia de computadores [evoluir] com muito mais rapidez do que no passado.”
“Ouvimos que esta tecnologia irá tomar os empregos, que irá mudar tudo, revolucionar tudo. Este tipo de mudança rápida é muito difícil para as pessoas.”
Existe também uma sensação de perda de autonomia. A IA participa da maior parte das nossas vidas, queiramos ou não — e os alertas do Vale do Silício “afirmam que existe uma chance de 10%, de 15%, de que a IA nos destrua a todos.”
“Se as pessoas puderem sentir que Deus ainda está no controle, que ainda existe um propósito para isso, que foi algo estabelecido, elas poderão dizer: ‘Como quero enfrentar este momento?’ O que devo fazer? Como faço para me posicionar do lado do bem e não do mal?'”
O pastor Mike Signorelli faz parte dos 47% dos cristãos americanos adultos que acreditam que estamos vivendo no fim dos tempos, segundo uma pesquisa
Daniel Boczarski/Getty Images
Cerca de 40% dos americanos adultos acreditam que estamos vivendo no fim dos tempos, segundo uma pesquisa do Pew Research Center de 2022. Entre os cristãos, o percentual sobe para 47%.
Este é um tema que se repete década após década, segundo os especialistas, projetando as ansiedades do momento para a figura do Anticristo.
“Minha avó achava que [o ex-presidente americano] Franklin Delano Roosevelt [1882-1945] fosse o Anticristo”, afirma o professor Jeffrey C. Pugh, da Universidade de Elon, no Estado americano da Carolina do Norte.
Roosevelt assumiu a presidência em 1933, em meio à Grande Depressão, um período de pobreza e grandes incertezas. Sua solução, o New Deal, foi considerada revolucionária.
Para Pugh, a visão da sua avó “reflete a irracionalidade de tentar mapear os eventos atuais em uma narrativa bíblica específica”.
A questão do fim dos tempos tem sido um tema recorrente nos Estados Unidos, mas ganhou força nos anos 1960.
“Foi uma época específica de convulsão social”, explica Pugh. “Tivemos dois líderes políticos assassinados [nos EUA] — três, se contarmos Martin Luther King Jr. [1929-1968].”
“Tivemos cidades em chamas devido à ira dos negros contra a opressão branca. Tivemos crianças começando a se expressar como nunca antes”, como nos protestos contra as guerras até a contracultura da juventude.
‘Tecnologias assustadoras’
Os anos 1970 trouxeram a popularidade do livro A Agonia do Grande Planeta Terra, do escritor evangélico americano Hal Lindsey (1929-2024). Ele relaciona explicitamente as profecias do fim dos tempos a eventos e à geopolítica da época.
“A partir daquele momento, toda agitação social passou a ser atribuída à ideia do fim dos tempos”, segundo Pugh.
Durante a Guerra Fria (1947-1991), a União Soviética (1922-1991) e o comunismo eram o Anticristo. Após os ataques de 11 de setembro de 2001, para alguns cristãos, ele passou a ser o Islã.
“Os medos de todas as eras costumam ser projetados nessas narrativas” do fim dos tempos, explica Pugh.
O pastor australiano Stephen Driscoll escreveu o livro Made in Our Image: God, Artificial Intelligence and You (“Feita à nossa imagem: Deus, a inteligência artificial e você”, em tradução livre). Ele não sabe ao certo quem ou o que é o Anticristo.
Para ele, a IA, “uma das tecnologias mais assustadoras que já criamos”, é um “candidato plausível”. Mas usar a Bíblia para tentar prever o futuro não é particularmente positivo.
“A Bíblia oferece muito mais do que simples especulações sobre quem é o Anticristo”, segundo Driscoll. Ela “nos prepara para as mudanças, oferece uma teologia de trabalho e ferramentas para sermos realistas sobre o alinhamento da IA”.
‘Obedeça a Deus’
O Velho Testamento “fala sobre inovações da tecnologia agrícola, como máquinas debulhadoras e coisas diferentes… e diz que tudo isso vem do Senhor”, prossegue Driscoll.
“Deus é um Deus de sabedoria tecnológica”, com controle final “sobre todas as eras tecnológicas, da idade da pedra até o bronze, o ferro, o aço, a idade nuclear, até a IA”.
No Velho Testamento, Daniel, no exílio, vive em vários impérios, usando diferentes tecnologias, segundo Driscoll. Ele “não consegue controlar os tempos e impedir os impérios futuros, mesmo se eles trouxerem tragédias”.
“Mas ele [consegue] ter fé e esperança, viver bem, amar as pessoas e obedecer a Deus onde se encontrar. Ele não pode controlar os tempos, mas consegue viver bem.”
Ou seja, estejamos ou não enfrentando o fim do mundo, em última análise, tudo irá acabar bem.
“Nem tudo o que acontece é bom”, segundo Driscoll. Mas o mais importante é que “Deus é bom — e Ele está no controle.”
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Dublador de ‘Yu-Gi-Oh!’ consegue proteção da voz após processo contra o TikTok por clonagem de IA

Conteúdo de abuso infantil é divulgado no TikTok
Um tribunal de Tóquio decidiu nesta quarta-feira (30) que a voz humana pode ter proteção legal no Japão, em uma decisão relacionada a um processo movido pelo renomado dublador de anime Kenjiro Tsuda contra o TikTok.
Ele alegou que vídeos publicados na plataforma utilizavam uma versão de sua voz criada por inteligência artificial sem sua autorização.
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A decisão representa uma vitória parcial para Tsuda, conhecido por interpretar personagens de grandes franquias como “Jujutsu Kaisen” e “Yu-Gi-Oh!”. O tribunal, no entanto, rejeitou o pedido para que os vídeos fossem removidos.
“O uso não autorizado da voz de um intérprete (…) pode ser considerado uma violação dos direitos de imagem”, afirmou a juíza Aya Takahashi.
Segundo a ação, pelo menos 188 vídeos publicados no TikTok utilizavam uma voz artificial desenvolvida para reproduzir características da fala do dublador.
A semelhança teria levado usuários da plataforma a associar o conteúdo diretamente a Tsuda. Comentários de espectadores que identificavam a voz como sendo a do artista foram apresentados pela defesa como parte dos elementos que sustentavam a acusação.
O caso também envolve uma discussão sobre a exploração comercial de vozes clonadas por inteligência artificial.
De acordo com as informações apresentadas no processo, a conta que publicava os vídeos teria conseguido gerar receita com o conteúdo, chegando a cerca de 750 mil ienes por mês (cerca de R$ 25 mil por mês).
Kenjiro Tsuda, dublador de Seto Kaiba em “Yu-Gi-Oh!
Reprodução/Redes sociais
A disputa ocorre em meio ao avanço de ferramentas capazes de reproduzir vozes humanas com cada vez mais precisão.
A tecnologia tem ampliado as possibilidades de produção de conteúdo, mas também levantado questões sobre consentimento, remuneração e uso da identidade de artistas.
No Japão, o tema ganha relevância especial por causa da importância da dublagem na indústria de animação. Alguns intérpretes alcançam grande reconhecimento entre os fãs, e suas vozes se tornam uma característica marcante dos personagens que interpretam.
Tsuda tem uma carreira consolidada na dublagem japonesa e emprestou sua voz a personagens como Seto Kaiba, de “Yu-Gi-Oh!”, Kento Nanami, de “Jujutsu Kaisen”, e Jigen, da franquia “Boruto”.
O processo é considerado o primeiro no Japão a buscar especificamente a proteção da identidade vocal de uma pessoa diante do uso de uma cópia produzida por inteligência artificial.
A decisão pode contribuir para o debate jurídico sobre os limites do uso de vozes sintéticas e sobre quais direitos podem ser aplicados quando uma tecnologia reproduz características individuais de um intérprete.
*Com informações da AFP
Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok.
AP/Matt Slocum/Arquivo

Contas públicas têm déficit de R$ 10 bilhões em agosto; dívida sobe para 82,9% do PIB, maior nível desde 2021

As contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário de R$ 10 bilhões em agosto, informou o Banco Central (BC) nesta quarta-feira (30).
🔎 O déficit primário ocorre quando as receitas com tributos e impostos ficam abaixo das despesas do governo. Se o contrário acontece, o resultado é de superávit primário.
🔎O resultado não leva em conta o pagamento dos juros da dívida pública, e abrange o governo federal, os estados, municípios e as empresas estatais.
Na comparação com agosto do ano passado, houve melhora, uma vez que foi registrado um saldo negativo de R$ 17,3 bilhões naquele mês.
➡️Com o novo déficit nas contas públicas em agosto, o endividamento continuou subindo e atingiu, no mês passado, 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) — veja mais abaixo nessa reportagem.
Agora no g1
Veja abaixo o desempenho das contas em agosto deste ano:
governo federal registrou saldo negativo de R$ 14,7 bilhões;
estados e municípios tiveram saldo superavitário de R$ 2,7 bilhões;
empresas estatais apresentaram superávit de R$ 2 bilhões.
Parcial do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, ainda segundo dados oficiais, as contas públicas registraram um déficit primário de R$ 88,9 bilhões — o equivalente a 1% do Produto Interno Bruto (PIB).
Com isso, houve piora na comparação com o mesmo período do ano passado, quando foi registrado um saldo negativo de R$ 61,8 bilhões (0,74% do PIB).
No caso somente do governo federal, o resultado ficou negativo em R$ 97,1 bilhões na parcial deste ano, informou o BC, contra um déficit de R$ 84,6 bilhões nos oito primeiros meses de 2025.
Para este ano, a meta é de que as contas do governo tenham um saldo negativo de 0,25% do Produto Interno Bruto (PIB), cerca de R$ 34,3 bilhões.
De acordo com o arcabouço fiscal, aprovado em 2023, há um intervalo de tolerância de 0,25 ponto percentual em relação à meta central.
Ou seja: a meta será considerada formalmente cumprida se o governo tiver saldo zero, ou se chegar a um superávit de R$ 68,6 bilhões
O texto, no entanto, permite que o governo retire desse cálculo R$ 67,3 bilhões em despesas. E use esses recursos para pagar, por exemplo, precatórios (gastos com sentenças judiciais, defesa e educação).
Após despesas com juros
Quando se incorporam os juros da dívida pública na conta – no conceito conhecido no mercado como resultado nominal, utilizado para comparação internacional –, houve déficit de R$ 116 bilhões nas contas do setor público em agosto.
➡️No acumulado em 12 meses até agosto, foi registrado um resultado negativo (déficit) de R$ 1,26 trilhão, ou 9,48% do PIB.
🔎Esse número é acompanhado com atenção pelas agências de classificação de risco para a definição da nota de crédito dos países, indicador levado em consideração por investidores.
O resultado nominal das contas do setor público sofre impacto do resultado mensal das contas, das atuações do BC no câmbio, e dos juros básicos da economia (Selic) fixados pela instituição para conter a inflação. Atualmente, a taxa Selic está em 13,75% ao ano, patamar elevado.
Segundo o BC, as despesas com juros nominais somaram R$ 1,18 trilhão (8,86% do PIB) em doze meses até agosto deste ano.
Dívida pública
Em agosto, segundo números do Banco Central, a dívida do setor público consolidado subiu 0,3 ponto percentual, para 82,9% do PIB — o equivalente a R$ 11,05 trilhões.
➡️Este é o maior nível para a dívida pública desde março de 2021, quando somava 85,1% do PIB, ou seja, é o maior patamar em mais cinco anos.
➡️No acumulado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ou seja, em pouco mais de três anos, a dívida já avançou 11,2 pontos percentuais.
🔎A alta na dívida no governo Lula está relacionada, principalmente, com o aumento de gastos públicos, que gera mais despesas com juros — um ciclo vicioso que se retroalimenta.
➡️Para o Fundo Monetário Internacional (FMI), que utiliza de um conceito internacional — englobando os títulos públicos na carteira do BC —, o endividamento brasileiro foi bem maior em agosto: 94,5% do PIB.
🔎A proporção com o PIB é considerada por especialistas como o conceito mais apropriado para medir e comparar a dívida das nações. E o formato de cálculo do Fundo Monetário Internacional (FMI) é adotado internacionalmente.
➡️Acima de 90% do PIB, o patamar da dívida brasileira está bem acima de nações emergentes e de países da América do Sul, ficando maior, também, do que a média das nações da Zona do Euro (segundo dados do FMI).
Para tentar conter o crescimento da dívida, em 2023 o governo aprovou o chamado “arcabouço fiscal”, ou seja, novas regras para as contas públicas em substituição ao teto de gastos.
A norma prevê crescimento das despesas abaixo das receitas, e um limite para gastos. Entretanto, despesas excluídas desse limite continuam pressionando para cima o endividamento.
Analistas pedem um corte robusto de gastos para conter a dívida e proporcionar queda do juro básico.

Japão abre mercado para carne bovina argentina após 20 anos, diz ministro

Imagem de carne bovina tirada em La Reja, Argentina.
José Ignacio Pompé/Unplash
O Japão abriu seu mercado à carne bovina da Argentina após 20 anos, informou o ministro da Economia argentino, Luis Caputo, nesta quarta-feira (30).
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Em uma publicação no X, Caputo afirmou que os dois países chegaram a um acordo após a definição das exigências sanitárias para a importação. A autorização vale para a carne produzida em regiões da Argentina livres de febre aftosa com vacinação.
Segundo ele, os dois países definiram as exigências sanitárias para a entrada de carne produzida em uma zona da Argentina livre de febre aftosa com vacinação. As negociações começaram em 2024.
“Trata-se de um acordo histórico”, afirmou Caputo, em uma publicação no X.
Agora no g1
O ministro destacou que o Japão importa mais de US$ 3 bilhões em carne bovina de alta qualidade por ano.
“Essa abertura cria novas oportunidades para a produção e as exportações argentinas. Além disso, reconhece a qualidade da nossa carne e a solidez do nosso sistema sanitário”, escreveu.
O Brasil também negocia a abertura do mercado japonês à carne bovina há mais de 20 anos. As negociações envolvem uma série de exigências sanitárias e auditorias para avaliar os controles brasileiros contra doenças como a febre aftosa.
Em maio de 2025, o país conquistou o reconhecimento internacional de território livre de febre aftosa sem vacinação. No mês seguinte, uma equipe japonesa veio ao Brasil para verificar o sistema de defesa sanitária, como parte das etapas necessárias para autorizar as compras.
Até meados de setembro deste ano, porém, a abertura ainda dependia da conclusão da análise de riscos sanitários pelo Japão. O reconhecimento de que o Brasil está livre de aftosa sem vacinação, portanto, não significa uma autorização automática para exportar ao país.

Dólar abre em queda, com inflação dos EUA e contas públicas no foco

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta quarta-feira (30) em queda, com um recuo de 0,27% perto das 9h10, cotado a R$ 5,2027. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
A divulgação do PCE, medida de inflação preferida do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), é o principal destaque da sessão, com investidores atentos aos preços e a eventuais sinais sobre o futuro dos juros no país. Por aqui, dados das contas públicas brasileiras ficam no radar.
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▶️ Os novos dados de inflação nos Estados Unidos são o principal destaque desta quarta-feira. O PCE, leitura de gastos de consumo pessoal e uma das medidas preferidas do Fed, deve trazer novas indicações sobre o futuro dos juros americanos. A maioria do mercado espera que o BC dos EUA aumente os juros em sua reunião de outubro.
▶️ No Brasil, investidores repercutem o quadro fiscal, a menos de cinco dias do 1º turno das eleições presidenciais. Segundo dados divulgados pelo Banco Central (BC) nesta quarta, as contas do setor público consolidado apresentaram um déficit primário (despesas maiores do que receitas) de R$ 10 bilhões em agosto.
▶️ As atenções também ficaram voltadas ao cenário político, em meio à proximidade das eleições presidenciais. Na véspera, uma nova pesquisa Quaest mostrou Lula (PT) com 39% das intenções de voto e Flávio Bolsonaro (PL) com 34% no primeiro turno.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,69%;
Acumulado do mês: +0,71%;
Acumulado do ano: -4,96%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,32%;
Acumulado da semana: +0,19%
Acumulado do mês: +3,61%;
Acumulado do ano: +14,09%.
De olho nas eleições
A Quaest divulgada na segunda-feira mostra Lula (PT) com 39% das intenções de voto no 1º turno, contra 34% de Flávio Bolsonaro (PL). Na rodada anterior, os dois tinham 37% e 33%, respectivamente. A margem de erro é de 2 pontos percentuais. (Confira os principais dados da pesquisa)
🔎 No segundo turno, Lula e Flávio aparecem empatados em 42%. Outros 13% dizem que votariam em branco, nulo ou não votariam.
Ronaldo Caiado (PSD) aparece com 4% das intenções de voto no primeiro turno, mesmo percentual da rodada anterior. Romeu Zema (Novo) tem 1%, também estável em relação ao levantamento anterior.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas entre 24 e 27 de setembro, com nível de confiança de 95%.
Em relação à avaliação do governo, 49% desaprovam o trabalho de Lula e 46% aprovam.
Já na taxa de rejeição, Flávio aparece com 56% e Lula, com 54%.
Bolsas globais
Na Ásia, as bolsas chinesas fecharam mistas nesta quarta-feira (30), após as medidas de estímulo anunciadas pelo governo chinês terem decepcionado investidores.
O SSEC, Índice de Xangai, teve alta de 0,31%, enquanto o CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzhen, avançou 0,29%. Entre os demais índices da região, o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 0,37%, o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 1,94% e o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 0,48%.
China reduz investimento no Tesouro dos EUA e derruba o dólar nos mercados globais
Jornal Nacional/ Reprodução
* Com informações da agência de notícias Reuters.

No 1º saldo positivo do ano, estatais federais têm superávit de R$ 1,76 bilhão em agosto

O Banco Central informou nesta quarta-feira (30) que as empresas estatais federais registraram um superávit de R$ 1,76 bilhões em agosto deste ano.
➡️Esse foi o primeiro saldo positivo das empresas estatais federais neste ano. Seu último superávit havia sido registrado em dezembro do ano passado (R$ 1,16 bilhão).
➡️Esse também foi o maior superávit das estatais federais para meses de agosto desde o início da série histórica do BC, em dezembro de 2001. Até então, o maior resultado havia ocorrido em 2023 (+R$ 1,39 bilhão).
🔎O termo “superávit” significa que a receita dessas empresas foi maior que o gasto que elas conseguiram gerar no período.
🔎Cabe ao Banco Central registrar e divulgar os dados. A responsabilidade pelos resultados das estatais federais, no entanto, não é da autoridade monetária.
🔎O desempenho das empresas estatais federais é de competência do governo federal — que administra as empresas.
➡️O g1 entrou em contato com o Ministério da Gestão e questionou o que motivou o supetávit das empresas estatais em agosto deste ano, se alguma medida foi tomada e se o superávit é sustentável ou algo pontual. O governo ficou de enviar uma reposta.
Como é feita a conta
Entram nesse cálculo do Banco Central empresas como Correios, a Emgepron, a Hemobrás, a Casa da Moeda, a Infraero, o Serpro, a Dataprev e a Emgea.
Na contabilidade, a instituição não considera a Petrobras, a Eletrobras e nem as empresas do setor financeiro (bancos públicos).
O BC lembra que a Petrobras e a Eletrobras foram excluídos do cálculo das estatais federais em 2009, mas explica que a série histórica de anos anteriores foi revisada com base na nova metodologia — sendo válida, portanto, de 2002 em diante.
O conceito do Banco Central considera apenas a variação da dívida, conceito amplamente utilizado em análises fiscais internacionais, enquanto o governo se utiliza do conceito conhecido por “acima da linha” (receitas menos despesas, sem contar juros da dívida).
Déficit no acumulado do ano
No acumulado dos oito primeiros meses deste ano, entretanto, as empresas estatais federais ainda mantém um resultado negativo. Na parcial de 2026, o rombo somou R$ 6,51 bilhões, segundo dados do Banco Central.
➡️O resultado, que é recorde na parcial deste ano, fica próximo do maior rombo já contabilizado para um ano fechado (-R$ 6,73 bilhões em 2024).
➡️No projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias de 2027, encaminhado ao Congresso Nacional em abril deste ano, o governo federal admite que as empresas estatais federais, em déficit desde 2023, continuarão no vermelho até 2030.
➡️ Em julho, a Instituição Fiscal Independente (IFI), ligada ao Senado Federal, avaliou que os indicadores financeiros confirmam uma “deterioração perceptível” da saúde financeira de “parte relevante” das empresas estatais federais — o que eleva o risco para o Tesouro Nacional.
“Essa deterioração não é uniforme nem decorre de uma única causa, mas os dados levantados pela IFI permitem identificar padrões que merecem atenção do ponto de vista da gestão fiscal”, acrescentou o órgão, por meio do Relatório de Acompanhamento Fiscal.
Correios
➡️O rombo das estatais federais neste ano tem sido agravado, principalmente, pela situação dos Correios, que passa por grave crise fiscal, com forte piora do seu resultado financeiro em 2025, quando foi registrado um rombo de R$ 8,5 bilhões. Somente no primeiro semestre deste ano, o déficit foi de R$ 5,6 bilhões.
No caso dos Correios, o próprio governo federal admite que a estatal pode continuar a ter um agravamento da situação econômico-financeira, seguindo tendência observada nos últimos dois anos, apesar do plano de restruturação em vigor.
“Entre as medidas do referido plano [de restruturação financeira], estão a redução de custos, com medidas de saneamento de seus planos de previdência complementar, reestruturação de planos de saúde, programas de demissão voluntária, alienação de imóveis ociosos e reajuste tarifário, dentre outras, mas a tendência é de que a empresa ainda apresente elevado prejuízo em 2026”, diz o governo, no projeto da LDO de 2027.
Lula admite que Correios ‘não se adaptou’, mas nega possibilidade de privatização
A estatal contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões firmado com um consórcio de bancos em dezembro de 2025, com garantia do Tesouro Nacional.
Em fevereiro, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deu espaço para os Correios conseguirem captar um novo empréstimo com garantias da União. Pela decisão, a estatal poderá buscar mais R$ 8 bilhões em empréstimo.
Para enfrentar rombo financeiro, o governo autorizou, em maio deste ano, a estatal a vender seguros, títulos de capitalização e a atuar no mercado de telefonia. A ideia é que a empresa faça convênios com instituições financeiras para ofertar os serviços.