TSE chega às eleições com 100% do consumo de energia compensado por geração solar; economia será de R$ 745 mil por ano

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vai chegar ao primeiro turno das Eleições 2026, neste domingo (4), com todo o seu consumo de energia elétrica compensado por geração solar. É a primeira vez que isso acontece.
“Pela primeira vez, vamos realizar uma eleição aqui no TSE com o consumo de 100% de energia solar. Energia limpa na Administração Pública também é eficiência e responsabilidade com o dinheiro público”, afirmou o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques.
A energia vem de uma usina fotovoltaica que entrou em operação na segunda-feira (28), próximo a primeira casa em que Juscelino Kubitschek viveu, em Brasília.
A usina foi instalada em uma área da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), em parceria com a CEB Participações, ambas empresas públicas do Distrito Federal.
Agora no g1
“O empreendimento é fruto de uma parceria entre Terracap e CEB, empresas públicas que têm investido em geração de energias limpas, contribuindo para a sustentabilidade e para crescimento econômico do Distrito Federal”, explica o presidente da Terracap, Júlio César Reis.
Segundo os responsáveis pelo projeto, a usina deve gerar uma economia de R$ 745,3 mil por ano ao tribunal, em média, cerca de R$ 62 mil por mês. O valor representa uma redução de aproximadamente 11,5% no custo com energia elétrica.
Hoje, o TSE consome em média, cerca de 582,8 mil kWh por mês, com gasto mensal médio de R$ 576,6 mil.
🔎Na geração compartilhada, a usina não precisa estar no mesmo lugar do consumidor. A energia produzida é injetada na rede da distribuidora e se transforma em créditos, que são usados para abater o consumo do órgão beneficiado.
Usina fotovoltaica em Brasília (DF)
Reprodução/Terracap
Tamanho da usina
Até o momento, a usina tem potência instalada de 4 megawatts-pico (MWp) e é formada por 5.628 painéis solares, distribuídos em cerca de nove hectares. Área equivalente a aproximadamente nove campos de futebol.
A previsão é de que a usina venha a produzir 7,7 gigawatts-hora (GWh) por ano. Segundo o projeto, o volume seria suficiente para abastecer cerca de 1.830 casas com quatro moradores e consumo médio de 350 kWh por mês.
De acordo com a Terracap, a área foi escolhida para ser usada por ter restrições para aproveitamento imobiliário convencional. Com isso, buscou-se uma solução para o terreno que ficaria ocioso.
A usina tem vida útil estimada em 30 anos. Nesse período, a geração solar pode evitar a emissão de cerca de 18,5 mil toneladas de gás carbônico (CO₂).
🌳Descontadas as emissões ligadas à fabricação, à instalação e ao funcionamento da própria usina, o saldo positivo estimado é de 10,6 mil toneladas de CO₂. Isso equivale ao carbono absorvido por cerca de 176 mil mudas de árvores.
Essa opção modelo já é usado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que tem uma usina de 3,5 MWp em operação.

Calendário de outubro 2026: veja datas de pagamento do INSS, Bolsa Família pé-de-meia e mais

Cadastro do Bolsa Família e BPC para quem mora sozinho pode ser atualizado sem visita em casa em Salvador
Governo Federal
O mês de outubro de 2026 já começou, e com ele chegam os pagamentos de programas e benefícios como INSS, Pé-de-Meia e Bolsa Família, entre outros. Alguns dos depósitos começam já nos primeiros dias do mês, enquanto outros ficam para a segunda quinzena.
Confira, abaixo, o calendário de pagamentos dos seguintes benefícios:
INSS
Bolsa Família
Pé-de-meia
BPC/Loas
Saque-aniversário do FGTS
INSS
O pagamento do INSS de outubro de 2026 começa no dia 26 de outubro para os beneficiários que recebem até um salário mínimo. Os depósitos seguem até 9 de novembro, conforme o número final do benefício.
CONFIRA MAIS INFORMAÇÕES: Pagamento do INSS de outubro: veja calendário e datas
Para quem recebe acima do salário mínimo, os pagamentos da competência de outubro começam em 3 de novembro e terminam em 9 de novembro. As datas fazem parte do calendário anual divulgado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Veja abaixo as datas de pagamento para quem ganha até um salário mínimo:
Final 1: 26/10
Final 2: 27/10
Final 3: 28/10
Final 4: 29/10
Final 5: 30/10
Final 6: 3/11
Final 7: 4/11
Final 8: 5/11
Final 9: 6/11
Final 0: 9/11
Calendário de quem recebe acima de um salário mínimo
Finais 1 e 6: 03/11
Finais 2 e 7: 04/11
Finais 3 e 8: 05/11
Finais 4 e 9: 06/11
Finais 5 e 0: 09/11
Agora no g1
Bolsa Família
A Caixa Econômica Federal inicia os pagamentos de outubro do Bolsa Família no dia 19. Os primeiros a receber serão os beneficiários com Número de Identificação Social (NIS) com final 1.
CONFIRA MAIS INFORMAÇÕES: Bolsa Família 2026: veja calendário de pagamentos em outubro
O dinheiro é disponibilizado nos últimos 10 dias úteis de cada mês, de forma escalonada. A exceção é o mês de dezembro, quando os pagamentos são antecipados.
Confira o calendário do Bolsa Família para outubro de 2026:
Final do NIS 1: pagamento em 19/10
Final do NIS 2: pagamento em 20/10
Final do NIS 3: pagamento em 21/10
Final do NIS 4: pagamento em 22/10
Final do NIS 5: pagamento em 23/10
Final do NIS 6: pagamento em 26/10
Final do NIS 7: pagamento em 27/10
Final do NIS 8: pagamento em 28/10
Final do NIS 9: pagamento em 29/10
Final do NIS 0: pagamento em 30/10
Ao longo do ano, a previsão de pagamentos é:
Novembro: de 16/11 a 30/11;
Dezembro: de 10/12 a 23/12.
Pé-de-meia
O mês de outubro começou e milhares de beneficiários já querem saber quando será realizado o pagamento do programa Pé-de-Meia. Nesta nova rodada, o benefício será destinado aos estudantes da rede pública que cumpriram a exigência mínima de frequência escolar, conforme os critérios do programa.
CONFIRA MAIS INFORMAÇÕES: Calendário Pé-de-Meia de outubro: veja quem recebe a próxima parcela e as datas de pagamento
Confira o calendário do Pé-de-Meia de outubro:
Janeiro e fevereiro: 19 de outubro
Março e abril: 20 de outubro
Maio e junho: 21 de outubro
Julho e agosto: 22 de outubro
Setembro e outubro: 23 de outubro
Novembro e dezembro: 26 de outubro
Calendário de benefícios de outubro 2026
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
BPC/Loas
O calendário de pagamento do BPC/Loas de outubro de 2026 já está disponível. Os beneficiários que recebem até um salário mínimo terão os valores liberados entre 26 de outubro e 9 de novembro, de acordo com o número final do benefício.
CONFIRA MAIS INFORMAÇÕES: Calendário BPC/Loas outubro 2026: veja datas de pagamento
O Benefício de Prestação Continuada (BPC) segue o calendário de pagamentos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Em setembro, os depósitos começam pelos benefícios com final 1 e avançam até o final 0.
Confira abaixo o calendário de pagamento do BPC/Loas de setembro:
Final 1: 26/10
Final 2: 27/10
Final 3: 28/10
Final 4: 29/10
Final 5: 30/10
Final 6: 3/11
Final 7: 4/11
Final 8: 5/11
Final 9: 6/11
Final 0: 9/11
Saque-aniversário do FGTS
O saque-aniversário do FGTS de outubro de 2026 já está disponível para os trabalhadores que nasceram neste mês e aderiram à modalidade. O dinheiro pode ser retirado entre 1º de outubro e 31 de dezembro de 2026.
CONFIRA MAIS INFORMAÇÕES: Saque-aniversário FGTS outubro: veja calendário e quem pode sacar
O saque-aniversário permite que o trabalhador retire, uma vez por ano, uma parte do saldo disponível nas contas do FGTS no mês de seu aniversário. A adesão à modalidade é opcional. Quem não fez a opção permanece no modelo tradicional, chamado de saque-rescisão.
Confira o calendário do saque-aniversário do FGTS:
Janeiro: de 2 de janeiro a 31 de março de 2026
Fevereiro: de 2 de fevereiro a 30 de abril de 2026
Março: de 3 de março a 29 de maio de 2026
Abril: de 1º de abril a 30 de junho de 2026
Maio: de 4 de maio a 31 de julho de 2026
Junho: de 1º de junho a 31 de agosto de 2026
Julho: de 1º de julho a 30 de setembro de 2026
Agosto: de 3 de agosto a 30 de outubro de 2026
Setembro: de 1º de setembro a 30 de novembro de 2026
Outubro: de 1º de outubro a 30 de dezembro de 2026
Novembro: de 2 de novembro de 2026 a 29 de janeiro de 2027
Dezembro: de 1º de dezembro de 2026 a 26 de fevereiro de 2027

Mega-Sena pode pagar R$ 82 milhões neste sábado; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.066 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 82 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre excepcionalmente às 21h deste sábado (3) devido às eleições de 2026.
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No concurso do última quinta-feira (1º), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Para alé da Mega, outras seis loterias também foram adiantadas para hoje. São elas:
Lotofácil;
Quina;
Timemania;
Dia da Sorte;
+Milionária; e
Loteria Federal.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Vai trabalhar nas eleições? Saiba tudo sobre a folga eleitoral

Urna eletrônica eleições mulher
Tribunal Superior Eleitoral/TSE
Trabalhar nas eleições não é considerado emprego temporário e não dá direito a salário. Mas isso não significa que o trabalho de mesário seja voluntário e sem compensação.
Quem atua como mesário neste domingo (4) tem direito a dois dias de folga para cada dia trabalhado nas eleições, sem desconto no salário. O treinamento também dá direito a dois dias de folga.
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Ou seja, quem participa do treinamento, trabalha no primeiro turno e também no segundo pode ter até seis dias de folga.
📎 O segundo turno, no entanto, não acontece em todos os locais. Ele só é realizado quando necessário nas disputas para presidente da República e governador. Em 2026, está marcado para 25 de outubro.
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Os mesários também recebem R$ 65 de auxílio-alimentação por turno de votação. Quem trabalha nos dois turnos, portanto, recebe R$ 130 no total.
Para quem presta concursos públicos, o trabalho como mesário pode trazer outra vantagem: o serviço eleitoral pode ser usado como critério de desempate, desde que essa possibilidade esteja prevista no edital.
Estudantes de instituições conveniadas também podem aproveitar o trabalho eleitoral e o treinamento para cumprir atividades extracurriculares.
Há ainda estados que oferecem benefícios adicionais. No Paraná, por exemplo, mesários têm direito a meia-entrada em eventos culturais e esportivos por dois anos após a eleição. Também há previsão de isenção de taxa em determinados concursos públicos estaduais e municipais, conforme a legislação aplicável.
Neste ano, 1.922.579 pessoas se cadastraram como voluntárias ou foram convocadas para atuar como mesárias nas eleições de 2026. Elas serão distribuídas por 516.785 seções eleitorais em 2.641 zonas eleitorais espalhadas pelo país.
Regras para as folgas
As datas das folgas devem ser combinadas entre empregado e empregador. O mesário recebe uma declaração da Justiça Eleitoral que comprova os dias de serviço prestados.
A pessoa pode, por exemplo, negociar o uso dos dias de uma só vez ou separadamente, inclusive emendando com férias ou feriados. Outro ponto importante é que, se o trabalhador tiver mais de um emprego, o direito às folgas vale para todos os vínculos empregatícios que mantinha na época em que atuou nas eleições.
Já quem muda de emprego depois de trabalhar como mesário deve ficar atento. A legislação não garante a transferência dessas folgas para o novo vínculo empregatício.
Quem tem direito à folga eleitoral?
Têm direito à folga os eleitores convocados pela Justiça Eleitoral para atuar nas eleições, como:
mesários;
integrantes das Juntas Eleitorais;
pessoas requisitadas para auxiliar os trabalhos eleitorais.
Óculos inteligentes são proibidos na cabine de votação, mas não são citados nas regras do TSE
Como ser mesário?
Para as eleições de 2026, o período de nomeação dos mesários ocorreu entre 7 de julho e 28 de agosto. Ainda assim, o cadastro para mesário é permanente e pode ser feito com antecedência para os próximos pleitos.
A inscrição como voluntário não significa convocação automática. A Justiça Eleitoral avalia a necessidade de cada seção eleitoral e convoca os voluntários de acordo com a demanda local. Por isso, é possível se cadastrar e não ser chamado para atuar naquele pleito.
O treinamento dos mesários que atuarão nas eleições deste ano começou no dia 17 de agosto. A capacitação é realizada por meio de um aplicativo que funciona em celulares e tablets. O prazo para conclusão termina às 23h59 de 3 de outubro, véspera do primeiro turno.
No dia da votação, o próprio aplicativo também pode ser utilizado como uma espécie de guia, com orientações sobre os procedimentos de abertura e encerramento da seção eleitoral.
Quem pode ser mesário?
Em regra, pode atuar como mesário quem:
está com o título eleitoral em situação regular;
não se enquadra nas situações de impedimento previstas pela Justiça Eleitoral.
Entre os impedidos estão:
candidatos e parentes de candidatos até o segundo grau, além de cônjuges e companheiros;
integrantes de diretórios partidários que exerçam funções executivas;
autoridades e agentes policiais;
ocupantes de cargos de confiança do Poder Executivo;
pessoas que integram a Justiça Eleitoral; e
menores de 18 anos.
Também existem regras para evitar que parentes ou pessoas com determinados vínculos profissionais componham a mesma mesa receptora de votos.
Eleições de 2026
O primeiro turno das eleições será realizado em 4 de outubro. O eventual segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Estão em disputa os cargos de presidente da República, governador, senador, deputado federal e deputado estadual ou distrital.
Ao todo, 158,7 milhões de eleitores estão aptos a votar.

Faz diferença? Qual a ciência por trás do ato de lavar o arroz antes de cozinhar

Água quente com vinagre pode ser o segredo para arroz soltinho
Afinal, precisa lavar o arroz antes de cozinhar?Prática vista como essencial por alguns, parece desnecessária para outros. Pesquisas, no entanto, podem apontar quem está certo.
Para muitos, enxaguar o arroz antes de cozinhá-lo é um gesto quase automático. Para outros, talvez seja um ritual desnecessário.
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A prática, no entanto, não é indiferente e, sim, influencia em alguns aspectos do preparo.
Antes de chegar à cozinha, o arroz passa por diferentes etapas, desde o cultivo até a remoção das partes externas do grão. Durante esse processo, o amido pode ficar retido na superfície. É esse material que, ao entrar em contato com a água durante a lavagem, vai se desprendendo.
Durante anos, acreditava-se que remover o amido superficial fosse fundamental para evitar que o arroz ficasse pegajoso ao ser cozido.
No entanto, um estudo de 2019 citado tanto pelo site Live Science quanto por Evangeline Mantzioris, nutricionista da University of South Australia, desta vez no site de notícias The Conversation, aponta para outra direção.
Os pesquisadores observaram que a viscosidade não era determinada por esse amido da superfície, mas por outro, chamado amilopectina, que é liberado do grão durante o cozimento.
O experimento comparou arroz glutinoso, de grão médio e jasmim, todos submetidos a diferentes níveis de lavagem, desde nenhuma lavagem até três ou dez enxágues.
O resultado foi que lavar os grãos não produziu diferenças na viscosidade nem na dureza. O que realmente fez a diferença foi a variedade. O arroz glutinoso ficou mais viscoso, enquanto o de grão médio e o jasmim ficaram menos.
Nesse sentido, a explicação para o “ritual” de lavar o arroz está na forma como o grão era preparado antigamente antes de ser cozido.
A água permitia remover pequenas impurezas ou resíduos que pudessem permanecer nos grãos após o processamento. Essa função perdeu parte de sua importância no arroz comercial atual, que, antes de ser colocado à venda, já passa por diferentes etapas de acondicionamento e controle.
Arsênico e microplásticos: no que a lavagem pode ajudar
Mesmo assim, há dois aspectos em que a lavagem pode ser útil. O primeiro é o arsênico: o cultivo do arroz absorve esse elemento naturalmente do solo e da água e, de acordo com os dados citados no The Conversation, um estudo constatou que o enxágue eliminava cerca de 90% do arsênico bioacessível.
Outro estudo, que analisou arsênico, chumbo e cádmio, registrou reduções entre 7% e 20% nos três metais.
A segunda questão diz respeito aos microplásticos. Segundo Mantzioris, um estudo de 2021 constatou que lavar o arroz poderia reduzir a quantidade de plástico presente. No arroz cru, a redução chegava a 20%, enquanto no arroz instantâneo podia chegar a 40%. Além disso, nas amostras analisadas, este último apresentava uma concentração de plásticos quatro vezes maior do que a do arroz cru.
O benefício, no entanto, vem acompanhado de uma pequena desvantagem. A lavagem não faz distinção entre as substâncias que se deseja remover e alguns componentes do próprio arroz, de modo que uma parte de certos minerais também pode acabar na água. Entre os mencionados nos estudos estão o cobre, o ferro, o zinco e o vanádio.
Mesmo assim, a Live Science destaca que esse alimento fornece apenas uma fração da ingestão diária desses nutrientes. Portanto, para a maioria das pessoas, o efeito nutricional da lavagem provavelmente é pequeno.
O The Conversation, no entanto, traz uma observação importante e ressalta que essa perda poderia ter maior impacto em populações que consomem regularmente grandes quantidades de arroz lavado.
Prevenção contra bactérias no cozimento
O que parece estar descartado é que a lavagem prévia sirva para reduzir o risco associado às bactérias que o arroz cru possa conter.
O cozimento elimina os microrganismos presentes, independentemente de o arroz ter sido lavado ou não, mas algumas esporas de Bacillus cereus podem sobreviver.
O problema surge se o arroz cozido permanecer por muito tempo à temperatura ambiente, pois essas esporas podem se ativar, dando origem ao crescimento bacteriano e produzindo toxinas que um reaquecimento posterior não necessariamente elimina.
Em suma, não lavar o arroz não o tornará mais perigoso do ponto de vista bacteriológico, nem lavá-lo alterará muito sua textura.
Mas uma enxaguada rápida, de uma ou duas vezes, continua sendo – como recomenda Bo Wang, cientista especializado em alimentação da Universidade de Adelaide, na Austrália, na Live Science, – um gesto simples que pode ajudar a reduzir o arsênico e os microplásticos sem comprometer o valor nutricional do prato.

Mico ou inovação? Por que candidatos querem mais data centers no Brasil enquanto cresce a rejeição nos EUA

Vista aérea de um data center da AWS que integra a região US-EAST-1, no norte da Virgínia, nos EUA
Reuters/Jonathan Ernst
Incentivos fiscais, fabricação local de componentes e IA brasileira: os candidatos à Presidência mais bem colocados nas pesquisas apresentam essas como algumas das propostas em seus planos de governo para atrair a construção de data centers no Brasil.
❓ Um data center (“centro de dados”, em inglês) é um local que armazena e processa informações. Entre os modelos mais comuns, estão os de nuvem — cloud, para armazenar arquivos e operar serviços na internet — e de inteligência artificial, para treinar modelos de linguagem complexos.
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Facilitar a construção de data centers é uma ação que alguns dos candidatos consideram importante para aproveitar o avanço da IA. Mas, enquanto o Brasil tenta atrair essas instalações, países como os Estados Unidos têm enfrentado protestos contra o avanço do setor.
Com rejeição em outros lugares, por que candidatos no Brasil querem atrair mais data centers? Entre os motivos, estão as diferenças no tamanho dos mercados e nas matrizes energéticas dos países.
Manifestantes protestam contra expansão de centros de dados de IA nos EUA
Os EUA têm mais de 4.700 data centers e lideram o segmento, segundo dados de setembro do site Data Center Map. O Brasil, por sua vez, tem 218 complexos desse tipo e ocupa o 12º lugar no ranking.
Com menos instalações, é preciso armazenar e processar muitos dados no exterior: o Brasil terminou 2025 com déficit de US$ 8 bilhões na balança comercial de Serviços de Computação e Informação, segundo a Brasscom, associação de empresas brasileiras de tecnologia.
E, enquanto os EUA dependem principalmente de energia gerada por combustíveis fósseis, incluindo petróleo e gás natural, a eletricidade no Brasil é gerada em larga escala por fontes renováveis, como usinas hidrelétricas.
O que há de comum no Brasil, nos EUA e em outros países é a discussão sobre o consumo elevado de energia e água por data centers: moradores de várias cidades americanas protestaram contra o avanço dessas instalações, e autoridades brasileiras questionaram os impactos desses projetos.
Para Daniel Cordeiro, professor na Universidade de São Paulo (USP) e especialista em computação sustentável e de alto desempenho, o Brasil precisa aumentar sua capacidade computacional, mas deve tentar evitar problemas que estão sendo enfrentados em outros países.
“Ainda não chegamos na quantidade de data centers e de problemas que esses outros países já têm. Temos que olhar para os problemas que estão acontecendo nos outros países e nos precaver para que o mesmo não aconteça aqui”, diz.
Segundo Thais Ortega, coordenadora de pesquisa da consultoria Reglab, a atração de data centers é um consenso entre os principais candidatos, mas há diferenças nos modelos previstos para alcançar esse objetivo.
“Todos convergem para atrair, mas como será a atração? O Brasil tem uma posição estratégica, com vários pontos positivos. Não temos como prever se teremos ou não os problemas dos EUA, mas temos como tentar mitigar com regulações”, destaca.
Marina Garrote, diretora de operações do Reglab, diz que o Redata, regime brasileiro que reduz impostos para data centers, mas exige contrapartidas socioambientais, pode fazer o país superar alguns dos desafios enfrentados nos EUA.
“Com a matriz energética dos EUA, mais data centers significam mais emissões de carbono e conta de luz mais alta para o vizinho. No Brasil, se a expansão for, de fato, baseada em energia eólica e solar, o custo social será um pouco diferente”, afirma.
Rejeição americana
Protesto em Frederick, Maryland, contra a expansão de data centers
Elizabeth Bauer
Nos EUA, 64% da população discorda da ideia de que construir data centers rapidamente será positivo para o país, revelou uma pesquisa Reuters/Ipsos. O levantamento indicou que 57% são contrários à criação desses complexos em seus bairros.
Mesmo com a forte rejeição, o presidente Donald Trump tem defendido o avanço das instalações. Em encontro com executivos de gigantes de tecnologia na última terça-feira (29), ele afirmou que esses empreendimentos serão muito populares no país.
Entre os convidados, estavam Elon Musk, Mark Zuckerberg e Sundar Pichai, líderes da xAI, da Meta e do Google, empresas que desenvolvem modelos de inteligência artificial, além de Jensen Huang, da Nvidia, principal fabricante de chips para treinamento de IA.
O encontro terminou com um compromisso das empresas para reforçar controles de segurança de seus modelos de IA após episódios em que eles saíram do controle e fizeram ataques cibernéticos. Trump disse que as companhias “querem fazer o que é certo” e vão se “autorregular”.
“Essas empresas grandes, poderosas, muito ricas e inteligentes farão contribuições enormes para as comunidades”, disse Trump sobre os data centers. “Farão coisas realmente benéficas, tanto financeiramente quanto de outras formas”.
Trump reúne CEOs de IA e anuncia compromisso para reforçar controles de segurança
Renúncia fiscal no Brasil
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sancionou em setembro o Regime Especial de Tributação para Serviços de Data Center (Redata), que zera impostos de importação de equipamentos usados nos data centers.
Para aproveitar o benefício, as empresas deverão usar apenas energia renovável ou de baixo carbono e gastar, no máximo, 50ml de água por quilowatt-hora (kWh). Elas também deverão destinar 10% da capacidade para o mercado brasileiro e 2% do valor dos equipamentos em pesquisa no país.
Ronaldo Caiado, Flávio Bolsonaro, Lula, Renan Santos e Romeu Zema: candidatos à Presidência da República
Divulgação
Em suas propostas, Lula (PT) defende fomentar empresas brasileiras de inteligência artificial e criar versões nacionais de modelos de linguagem, como os usados por serviços como ChatGPT e Gemini.
O candidato Flávio Bolsonaro (PL) defende reduzir impostos sobre energia para data centers e ligar a demanda dessas instalações à exploração nacional de minerais críticos, usados na fabricação de chips de IA.
O plano de governo de Ronaldo Caiado (PSD) estabelece data centers como parte de uma cadeia de inovação, conectando-os ao desenvolvimento de semicondutores e modelos de linguagem no país.
Renan Santos (Missão) propõe transformar o Brasil no maior exportador de processamento de dados para modelos de IA e criar zonas com regime tributário específico para data centers.
Romeu Zema (Novo) defende a criação de um ambiente regulatório estável para garantir segurança jurídica para as empresas do setor.
Os demais candidatos não citam data centers em seus planos de governo.
O que vem pela frente?
Daniel Cordeiro, da USP, aponta que as políticas para atrair data centers devem começar a ter efeito daqui a alguns anos, mas diz que é preciso se atentar a possíveis problemas o quanto antes.
“Precisamos desse parque computacional instalado no Brasil. A questão é: temos que adaptar a nossa infraestrutura de indústria para ela poder se desenvolver, mas devemos tomar cuidado para que o impacto seja medido e não tenhamos um problema no futuro”, afirma.
RJO1, na Barra da Tijuca: data center registrou pico de 865 Gbps durante a estreia do Brasil na Copa do Mundo.
Reprodução
Thais Ortega, do Reglab, lembra que algumas partes do Redata ainda serão regulamentadas. Uma delas é a definição de “energia de baixo carbono”, o que pode abrir margem para o uso de gás natural, um combustível fóssil.
“Há pontos a serem fechados na questão de como medir a sustentabilidade que terão impacto sobre o próximo governo, que talvez dará continuidade e tomará algumas decisões. Está aberto e é algo que deve ser levado em consideração”, afirma.
Para Marina Garrote, do Reglab, o consenso entre os candidatos sobre a atração dos data centers também é explicado pela ampla rede de cabos submarinos de internet, que ligam o Brasil a outros países, e pelo mercado interno.
“A disputa entre candidatos passou a ser de ‘quais’ serão as regras sobre a instalação de data centers, e não ‘se’ eles devem ser instalados”, afirma. “Se vai valer a pena ou não, é algo que precisamos de mais pesquisa para estimar os benefícios e prejuízos para a população e a economia”.

Qual o futuro da CLT? Candidatos propõem mudanças e até alternativas ao modelo de carteira assinada

Carteira de trabalho digital
Marcelo Camargo/Agência Brasil
Para milhões de brasileiros, ter um emprego com carteira assinada significava contar com férias remuneradas, 13º salário, licença médica, aposentadoria e uma rede de proteção construída ao longo de décadas. Era um símbolo de estabilidade e segurança.
Hoje, há quem veja esse modelo de outra forma. Como mostrou o g1, ter um emprego com carteira assinada virou sinônimo de perrengue para muitos jovens. Para eles, tornou-se o retrato de quem acorda cedo e pega ônibus lotado por um salário mínimo.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Esse contraste também aparece, agora, nos programas de governo, nas declarações públicas e nas propostas dos candidatos à Presidência da República.
Enquanto alguns defendem a preservação e o fortalecimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), marco das relações trabalhistas brasileiras desde 1943, outros propõem criar regimes alternativos de contratação, ampliar a liberdade de negociação entre empresas e trabalhadores ou até substituir o modelo atual.
Agora no g1
Em resumo, assim se posicionam os candidatos mais bem colocados nas pesquisas:
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defende a manutenção e o fortalecimento dos direitos garantidos pela CLT.
Flávio Bolsonaro (PL) considera a CLT incompatível com as transformações ocorridas nas últimas décadas.
Augusto Cury (Avante) defende atualizar as regras trabalhistas diante das transformações do mercado.
Renan Santos (Missão) afirma que pretende substituir a CLT por um novo marco regulatório e diz desejar um cenário em que a legislação trabalhista “perca totalmente a função”.
Ronaldo Caiado (PSD) propõe adaptar a legislação às novas formas de trabalho.
Romeu Zema (Novo) propõe a criação de um regime alternativo ao atual.
💬 Abaixo, veja as discussões que podem modificar a vida dos trabalhadores e os posicionamentos de cada candidato sobre o tema no fim da reportagem.
A CLT precisa mudar?
As propostas dos presidenciáveis partem de um ponto em comum: o mercado de trabalho mudou.
O crescimento dos aplicativos, do trabalho remoto, da contratação de profissionais como pessoa jurídica (PJ), do microempreendedorismo e o avanço das novas tecnologias transformaram a maneira como milhões de brasileiros trabalham e geram renda.
O que divide os candidatos é como interpretam essas mudanças e, principalmente, o que propõem diante delas.
Para alguns, a expansão dessas modalidades mostra que a legislação trabalhista se tornou excessivamente rígida e precisa abrir espaço para relações mais livres entre empresas e trabalhadores.
Para outros, as mesmas transformações mostram a necessidade de atualizar os mecanismos de proteção social para quem já não está inserido nas formas tradicionais de emprego.
Por que a CLT passou a ser contestada?
A CLT nasceu em 1943, durante o governo de Getúlio Vargas, em um momento em que o Brasil avançava na industrialização e buscava estruturar suas relações de trabalho.
Ao longo das décadas, a legislação incorporou uma série de garantias, como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, licença-maternidade e regras sobre a jornada de trabalho. A carteira assinada passou a representar, para sucessivas gerações, a porta de entrada para esses direitos.
Mas o mercado de trabalho mudou. A indústria perdeu participação na economia, enquanto o setor de serviços ganhou espaço.
Com o avanço da internet, surgiram novas formas de contratação, plataformas digitais passaram a intermediar novas atividades e milhões de trabalhadores passaram a atuar por conta própria, como microempreendedores ou pessoas jurídicas.
🔎 Hoje, cerca de 1,8 milhão de brasileiros trabalham por meio de plataformas digitais de serviços. Ao mesmo tempo, o percentual de trabalhadores por conta própria com CNPJ atingiu o maior nível da série histórica do IBGE, passando de 15%, em 2012, para 27,1%, em 2025.
Os dados são frequentemente utilizados por candidatos e grupos que defendem mudanças na legislação trabalhista. O argumento é que as transformações no mercado exigem relações de trabalho mais flexíveis.
Esse discurso ganhou força nos últimos anos, especialmente nas redes sociais:
A carteira assinada passou a ser associada a jornadas rígidas, longos deslocamentos, baixos salários e pouca autonomia.
Por outro lado, a informalidade, o empreendedorismo e o trabalho por conta própria costumam ser apresentados como símbolos de liberdade, independência e possibilidade de ascensão financeira.
Para o sociólogo Ricardo Antunes, muitos jovens cresceram vendo pais e familiares enfrentarem rotinas exaustivas de trabalho sem alcançar estabilidade financeira ou uma melhora significativa de vida. Ao mesmo tempo, foram expostos a uma cultura que valoriza o empreendedorismo individual e a ideia de autonomia profissional.
“A promessa de ‘ser o próprio chefe’ passou a exercer forte apelo, especialmente em um contexto marcado pelo avanço das plataformas digitais e das novas tecnologias. Mas existe uma diferença importante entre a promessa de autonomia e a realidade desses trabalhadores.”
A cientista política Mayra Goulart afirma que muitos trabalhadores buscam mais liberdade para organizar o próprio tempo e construir relações menos hierárquicas. Isso não significa, porém, que tenham condições de negociar livremente sua sobrevivência econômica.
“Ele não está numa posição em que consegue, de fato, gerenciar o seu tempo. Não consegue, de fato, gerenciar o seu descanso, porque precisa lutar pela sua sobrevivência, precisa batalhar pela sua dignidade.”
Na avaliação da pesquisadora, esse cenário se conecta a uma visão que transforma a precarização em virtude.
“Há a proliferação de uma ideologia em que essa luta pela dignidade, muitas vezes, leva à superexploração, à autoexploração desse empreendedor de si mesmo, que trabalha horas sem descanso, não tira férias ou trabalha machucado. Isso passa a ser visto como uma virtude moral.”
Por que os diagnósticos são tão diferentes?
Para Mayra Goulart, a resposta passa por divergências mais profundas sobre liberdade econômica, desigualdade social e o papel do Estado. Segundo ela, parte das críticas à legislação trabalhista está associada à ideia de que a regulação estatal limita a liberdade econômica.
Na prática, a divergência entre as ideias dos candidatos aparece na forma como cada grupo enxerga a relação entre trabalhadores e empregadores.
Os defensores da flexibilização argumentam que o mercado se tornou dinâmico demais para continuar submetido a regras pensadas para uma realidade industrial do século passado. Para eles, ampliar a liberdade contratual ajudaria a gerar empregos e atender às demandas de trabalhadores que buscam mais autonomia.
Já os defensores da manutenção ou ampliação dos direitos trabalhistas partem de outra premissa: trabalhadores e empresas não negociam em condições equivalentes e, por isso, precisam existir garantias mínimas protegidas por lei.
A cientista política afirma que essa discussão se tornou mais complexa porque as transformações tecnológicas avançaram mais rapidamente do que os mecanismos de proteção social conseguiram se adaptar.
“Há uma certa dificuldade de adaptar as ideologias trabalhistas tradicionais a essas novas tecnologias e aos novos tempos, sem abrir mão da ideia de que esse trabalhador não está numa relação de igualdade com as elites econômicas.”
Além disso, especialistas ouvidos pelo g1 apontam uma aparente contradição nas propostas de flexibilização: muitos dos candidatos que defendem menos regras nas relações de trabalho também rejeitam mudanças como o fim da escala 6×1 ou a redução da jornada sem corte de salário.
Para Mayra Goulart, as posições decorrem de visões distintas sobre o papel do Estado. De um lado, ele atua para estabelecer garantias mínimas mais amplas. De outro, busca reduzir a intervenção direta e ampliar a autonomia das partes na definição das condições dos contratos.
O que está realmente em jogo?
Os números do mercado de trabalho mostram que, apesar do debate sobre a carteira assinada, o emprego formal continua crescendo no país.
Dados divulgados pelo Ministério do Trabalho mostram que o Brasil criou 165,8 mil vagas com carteira assinada apenas em agosto. Com isso, o saldo acumulado do ano chegou a mais de 1,1 milhão de empregos formais.
A taxa de desemprego caiu para 5,3%, o menor nível para o período na série histórica do IBGE. A população ocupada atingiu 103,5 milhões de pessoas, e o número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado chegou a 39,5 milhões, dois recordes.
Os dados indicam que, apesar do crescimento dos aplicativos, da pejotização e do trabalho por conta própria, a carteira assinada segue sendo uma forma importante de inserção no mercado de trabalho brasileiro.
Para Ricardo Antunes, a principal discussão não é se o país deve manter exatamente a mesma legislação criada em 1943 ou substituí-la integralmente. O desafio, segundo ele, é definir quais direitos devem acompanhar os trabalhadores nas novas formas de ocupação surgidas nas últimas décadas.
Mayra Goulart propõe uma reflexão sobre quais garantias a sociedade considera indispensáveis. “Quando pensamos nessas propostas, precisamos perguntar: esse trabalhador estará protegido em caso de doença? Em caso de velhice? Quantas horas ele vai trabalhar?”
No fim das contas, o que está em disputa é como o Brasil pretende responder a uma pergunta que acompanha as transformações do mundo do trabalho: quem deve assumir os riscos da vida profissional em uma economia cada vez mais flexível?
Lula, Flávio, Cury, Renan, Caiado e Zema
Globo
Conheça as propostas dos candidatos aos trabalhadores
Flávio Bolsonaro (PL)
Flávio Bolsonaro afirma que não pretende acabar com a CLT nem retirar direitos trabalhistas. Sua proposta é ampliar a liberdade de negociação entre trabalhadores e empresas, especialmente em relação à jornada de trabalho. Segundo o candidato, muitas pessoas gostariam de trabalhar mais horas para aumentar a renda ou adotar escalas mais adequadas à própria rotina, mas encontram limitações nas regras atuais.
Outro ponto defendido é o fortalecimento do chamado “negociado sobre o legislado”, permitindo que empregado e empregador definam determinadas condições de trabalho por acordo direto. Para o candidato, relações mais flexíveis podem gerar mais oportunidades de emprego e acomodar melhor diferentes perfis de trabalhadores, sem eliminar os direitos previstos em lei.
Romeu Zema (Novo)
Romeu Zema defende a criação de um regime trabalhista alternativo à CLT, que continuaria disponível para quem preferisse permanecer no modelo atual. A ideia é oferecer uma segunda opção de contratação, baseada em negociações diretas entre trabalhador e empregador.
Nesse novo regime, poderiam ser combinados aspectos como trabalho por hora, remuneração variável, pagamento por dia, semana ou quinzena, quantidade de dias trabalhados e divisão das férias ao longo do ano, respeitando o limite de 44 horas semanais. Segundo o candidato, a proposta busca atender trabalhadores que desejam mais flexibilidade e facilitar a formalização de milhões de brasileiros que hoje atuam na informalidade. Como complemento, Zema também propõe reduzir os encargos sobre a contratação de trabalhadores que estão há longo período fora do mercado formal.
Essa versão mantém a explicação completa, mas elimina repetições, justificativas excessivas e trechos que o leitor provavelmente já compreenderá pelo contexto da reportagem. Ela fica mais próxima do padrão usado em matérias explicativas de economia e trabalho.
Renan Santos (Partido Missão)
Renan Santos apresenta a proposta mais profunda de mudança nas relações de trabalho. Seu plano prevê substituir a CLT por um novo marco regulatório baseado principalmente na liberdade contratual entre empregado e empregador.
Segundo essa visão, o modelo atual teria se tornado excessivamente burocrático e caro, dificultando contratações formais e incentivando a informalidade. A proposta inclui reduzir encargos sobre a contratação de trabalhadores e ampliar a autonomia das partes para definir as regras do vínculo empregatício.
O candidato também defende o encerramento da Justiça do Trabalho, transferindo as disputas trabalhistas para a Justiça comum. Para os defensores da medida, isso diminuiria custos e simplificaria processos. Já os críticos argumentam que poderia dificultar o acesso dos trabalhadores à defesa de seus direitos.
Na prática, trata-se de um modelo que prioriza a liberdade econômica e reduz significativamente a participação do Estado na regulação das relações de trabalho.
Ronaldo Caiado (PSD)
Caiado concentra suas propostas em obstáculos que dificultam a entrada ou o retorno de muitas pessoas ao mercado formal.
Uma das principais medidas é criar mecanismos para que beneficiários de programas sociais não percam imediatamente os auxílios ao conseguirem emprego. A ideia é que o benefício seja reduzido gradualmente, evitando que pessoas rejeitem oportunidades de trabalho por medo de perder toda a renda recebida do governo.
O candidato também defende atualizar a legislação para acompanhar transformações recentes do mercado, como o crescimento do trabalho remoto, do modelo híbrido e dos aplicativos de entrega e transporte.
Sua proposta não gira em torno de substituir a CLT, mas de adaptar as regras existentes a novas formas de trabalho que ganharam espaço nos últimos anos.
Augusto Cury (Avante)
Ao contrário de outros candidatos, Augusto Cury coloca menos foco na discussão sobre a CLT e mais na expansão do empreendedorismo.
Sua avaliação é que transformações tecnológicas, inteligência artificial e automação tendem a reduzir parte das vagas tradicionais de emprego ao longo das próximas décadas. Por isso, o plano prioriza a criação de pequenos negócios e formas alternativas de geração de renda.
A proposta inclui facilitar a abertura de empresas, estimular o microempreendedorismo e ampliar políticas de apoio a cooperativas e empreendedores. Também prevê mecanismos para que beneficiários de programas sociais possam iniciar atividades produtivas sem perder imediatamente os benefícios recebidos.
Na prática, o candidato aposta que uma parcela crescente dos brasileiros trabalhará por conta própria ou em pequenos negócios, tornando o empreendedorismo tão relevante quanto o emprego formal para a geração de renda.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Lula defende a preservação e o fortalecimento da proteção trabalhista. Seu programa parte do diagnóstico de que houve precarização das relações de trabalho nos últimos anos e propõe ampliar direitos e garantias para trabalhadores formais e informais.
Entre as principais propostas estão a manutenção da política de valorização do salário mínimo, a redução da jornada semanal para 40 horas, o apoio ao fim da escala 6×1 e a regulamentação do trabalho por aplicativos, com previsão de contribuição previdenciária, proteção social e regras permanentes para o setor.
O candidato também defende o combate à pejotização considerada irregular, o fortalecimento da negociação coletiva e da atuação sindical, além da ampliação de políticas de crédito para microempreendedores, autônomos e cooperativas.
O que dizem os candidatos
O g1 procurou as campanhas dos candidatos citados para detalhar suas propostas e esclarecer pontos relacionados às mudanças que defendem para as relações de trabalho.
A seguir, veja a íntegra das manifestações enviadas pelas assessorias.
Flávio Bolsonaro
Ao contrário do que tentam distorcer ou criticar, Flávio Bolsonaro defende a liberdade para que trabalhador e empregador escolham a melhor carga horária para ambos como destaca o eixo “O Brasil que Prospera”, do seu plano de governo “Para o Brasil Vencer o Atraso”.
Para o candidato à presidência, a pessoa não tem que ficar engessada com uma escala fixa que não vai resolver a vida dela. Na avaliação de Flávio, “quem quiser trabalhar no sistema que está, vai continuar, mas vai ter a possibilidade de trabalhar, com todos os direitos trabalhistas garantidos, com a jornada que for possível. Se quiser trabalhar mais horas, vai trabalhar também e vai ganhar mais. Vamos dar liberdade para que as pessoas possam escolher a sua carga horária de trabalho”.
O eixo “O Brasil que Prospera” apoia o negociado sobre o legislado, ou seja, a liberdade para que trabalhador e empresa combinem diretamente as condições de trabalho que funcionam para os dois, dentro da lei, em vez de seguir uma regra única imposta a todos. “Quando as duas partes negociam pensando em ganhos mútuos, cresce a qualidade do emprego, crescem as empresas e crescem as oportunidades”, traz o candidato em seu plano de governo.
Romeu Zema
Defendemos criar um regime de trabalho alternativo à CLT, que continua existindo para quem preferir. O objetivo é que o trabalhador possa escolher o modelo de contratação que faz mais sentido para a sua vida.
No novo regime, trabalhador e empregador vão poder negociar diretamente as regras do contrato. Isso inclui trabalho por hora, remuneração variável ligada ao desempenho, pagamento por dia, semana ou quinzena, número de dias trabalhados e divisão das férias, sempre respeitando o limite de 44 horas semanais. Vale reforçar que ninguém será obrigado a deixar a CLT.
Hoje são mais de 38 milhões de brasileiros na informalidade, fora da proteção de um contrato formal. As regras trabalhistas ficaram no século passado e deixaram essa gente de fora. Queremos um regime para o trabalho do século XXI, que inclua todos: quem quer um segundo emprego no fim de semana, quem quer trabalhar por hora, quem busca flexibilidade para ganhar mais. E vamos zerar os encargos sobre um salário mínimo na contratação de quem está há mais de um ano na informalidade. Mais brasileiros no trabalho formal, contribuindo e com chance real de crescer.

O que deu errado para a Nike? Como gigante mundial de artigos esportivos perdeu 'brilho'

A maior marca de roupas esportivas do planeta, batizada em homenagem à antiga deusa grega da vitória, vem sofrendo perdas ultimamente.
Getty Images via BBC
Os últimos anos têm sido difíceis para a Nike. A maior marca de roupas esportivas do planeta, batizada em homenagem à antiga deusa grega da vitória, vem sofrendo perdas ultimamente. Perdendo vendas, perdendo clientes e ficando para trás em relação aos concorrentes.
A empresa que outrora revolucionou o setor agora faz parte do grupo tradicional de empresas que dominam o mercado, e está no meio de um complexo plano de reestruturação para manter sua posição dominante.
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Os resultados financeiros mais recentes da Nike mostram sinais de que a estratégia de reestruturação implementada pelo veterano da empresa, Elliott Hill, que foi convencido a sair da aposentadoria há cerca de dois anos para liderar a companhia, está funcionando – mas o ritmo da mudança é mais de maratona do que de corrida de velocidade.
No entanto, sua recuperação foi prejudicada pela perda do astro do futebol Kylian Mbappé, que encerrou sua associação de 20 anos com a marca na semana passada para se juntar à concorrente suíça On, que está em rápido crescimento.
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A saída do atacante do Real Madrid levanta a questão de se a Nike conseguirá se manter como a principal marca não apenas para atletas de elite, mas também para os fãs que os idolatram.
Para sermos claros, a Nike ainda é uma megamarca e popular no mundo todo. Mas erros cometidos fizeram com que centenas de bilhões de dólares fossem perdidos em valor de mercado, com o preço de suas ações despencando 75% em cinco anos.
No mês passado, a Nike foi excluída do índice S&P 100 da bolsa de valores dos Estados Unidos, que reúne as maiores empresas de primeira linha do país.
Então, o que deu errado? E será que Hill conseguirá reverter a situação?
Matt Powell, analista e consultor veterano na indústria de varejo esportivo, considera que a Nike cometeu “diversos erros estratégicos” difíceis de reverter, incluindo o rompimento de parcerias com varejistas para vender exclusivamente online aos consumidores e a maior disponibilidade de itens de edição limitada.
“Quanto mais acessíveis esses sapatos se tornavam, menos pessoas se interessavam”, diz Powell.
Outras falhas autoinfligidas que ele sugere incluem gastar verbas de pesquisa e desenvolvimento em operações digitais em vez de novos produtos.
“Eles realmente sufocaram a inovação em seus produtos. Alguém disse, em tom de brincadeira, que estavam tentando transformar a Nike no eBay.”
Essa alfinetada foi direcionada a John Donahoe, o ex-chefe do eBay por trás da mudança da Nike para vendas online diretas ao consumidor, antes de ele dar lugar a Hill.
Os quatro anos de Donahoe na Nike coincidiram com a queda acentuada do preço das ações da empresa.
Durante sua gestão, as vendas inicialmente dispararam, impulsionadas pelas restrições da pandemia que estimularam as compras online, mas as subsequentes pressões do custo de vida restringiram os gastos dos clientes.
Com a queda na demanda em mercados-chave no exterior, como a China, a Nike anunciou cortes de custos e demissões.
A sua distração digital permitiu que novas empresas de calçado, antenadas às tendências, a desafiassem. O espaço nas prateleiras das lojas anteriormente ocupado pela Nike foi substituído por marcas como On e Hoka.
Isso foi um alerta contundente para uma empresa que se orgulhava e se construiu com base na inovação.
A Nike foi a empresa que fechou um contrato com um novato chamado Michael Jordan em meados da década de 1980, numa época em que a empresa não era uma grande potência no basquete e ainda era conhecida principalmente por seus tênis de corrida.
Os atletas da Nike Serena Williams, Michael Jordan e Cristiano Ronaldo
Sports Illustrated / Getty Images via BBC
A aposta — gastar todo o orçamento de basquete em Jordan antes mesmo de ele ter competido na NBA — fez da Nike o que ela é hoje.
A empresa criou uma marca de calçados em torno dele: Air Jordan. As cores vermelha e preta infringiam as regras da NBA, mas a Nike usou isso como estratégia de marketing e pagou as multas.
Nos anos que se seguiram, a Nike fez parceria com talentos de gerações como Tiger Woods, Serena Williams e Cristiano Ronaldo, que ostentaram o Swoosh em sua trajetória rumo à grandeza no golfe, tênis e futebol.
Embora a marca mantenha parcerias com Jordan, que já se aposentou há muito tempo, além de Williams e Ronaldo, Woods encerrou sua associação em 2024.
“Não estou dizendo que o que eles fizeram não foi ótimo, mas isso ficou no passado”, disse Tim Derdenger, um acadêmico de marketing e estratégia. “Não é o futuro, nem o presente, e é isso que impulsiona as vendas de vestuário hoje em dia.”
Os livros da Nike ainda contam com atletas de ponta, desde Rory McIlroy até Vinicius Junior.
No entanto, agora perdeu sua maior estrela do futebol, Mbappé, que estava com a Nike desde os nove anos de idade, juntamente com o campeão da Copa do Mundo Lamine Yamal.
Yamal sugeriu que sua transferência para a Adidas lhe deu a chance de se destacar no elenco repleto de estrelas da Nike, enquanto Mbappé disse que na On ele estaria “cercado por inovadores que sonham com as mesmas coisas que eu”.
Será que isso foi uma indireta para a Nike?
Em setembro, Mbappé encerrou uma parceria de 20 anos com a Nike para se juntar à marca suíça On.
PSG via Getty Images/On/BBC
Derdenger sugere que a mudança de Mbappé teve paralelos com a decisão de Jordan, décadas antes, de escolher a Nike em vez da Converse e da Adidas, devido à oportunidade de o atleta se tornar sinônimo de uma única marca.
“Os atletas têm egos, e esses egos querem que eles façam parte de algo grande e que sejam eles que estão ajudando a impulsionar essa mudança, esse crescimento.”
O chefe da Nike, Hill, disse que a marca teve “grandes momentos” com Mbappé ao longo de duas décadas.
“Desejamos-lhe muito sucesso nesta nova fase”, disse ele durante a teleconferência de resultados da Nike, acrescentando que a marca ainda conta com um “excelente grupo de atletas”.
A Nike está em baixa, mas não derrotada
Apesar de todo o pessimismo, a Nike continuará sendo a número um, segundo Powell – milhões de pessoas em todo o mundo, incluindo jovens, permanecem fiéis –, mas seus erros prejudicaram sua posição dominante.
“A Nike voltará a ser a gigante que era antes? Acho que não. A marca pode voltar a crescer e a ser lucrativa? Sim”, diz Powell.
“Quando você interrompe a inovação, não a religa e ela volta imediatamente a funcionar a todo vapor”, acrescenta.
Powell acredita que o plano de recuperação da Nike, chamado “Sport Offense”, começará a mostrar sinais positivos no próximo ano.
Hill afirmou que a Nike ainda tinha “muito trabalho a fazer” em relação à sua linha de roupas esportivas, à marca Jordan e na China, após a empresa anunciar receitas trimestrais de US$ 11 bilhões (R$ 8,3 bilhões), valor abaixo das expectativas dos analistas.
Em particular, a empresa citou “dificuldades” na China, onde a receita caiu 26%.
As vendas da Nike caíram na China.
Getty Images via BBC
As vendas da marca Jordan também caíram globalmente. Hill afirmou que a empresa estava “fornecendo em excesso” o icônico tênis retrô e agora reduzirá o volume e a frequência de lançamentos da marca.
A Nike afirmou que espera uma queda de receita de “um dígito alto” no próximo ano fiscal, acrescentando que planeja economizar US$ 2,5 bilhões até 2031, parte dos quais resultará em demissões.
O diretor financeiro da Nike, Dave Denton, disse: “Nossos resultados estão abaixo tanto das nossas expectativas quanto do nosso potencial, e estamos focados em reduzir essa diferença.”
As ações da empresa caíram mais de 8% nas negociações após o fechamento do mercado em Nova York, após o anúncio dos resultados.
No ano passado, a empresa lançou uma campanha derivada de seu icônico slogan “Just Do It”, direcionada às gerações mais jovens, com a frase “Why Do It?” (Por que fazer isso?).
Os jovens, e as futuras estrelas do esporte, podem se perguntar: Por que a Nike?
*Reportagem adicional do jornalista Osmond Chia
Nike em Pequim, China
REUTERS/Tingshu Wang

Não são só as contas públicas: economistas listam desafios do próximo governo, seja ele qual for

Dívida bruta do governo atinge R$ 11 trilhões e chega a 82,9% do PIB
“Qual será o principal desafio econômico do próximo governo, seja ele qual for?”
Essa foi a pergunta que o g1 fez a mais de 20 economistas de diferentes correntes de pensamento. Entre eles, autoridades e ex-autoridades do setor público, profissionais do mercado financeiro, pesquisadores e professores de diferentes instituições de ensino e pesquisa.
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Nas respostas, um tema aparece, de longe, como o mais importante: o equilíbrio das contas públicas.
A preocupação com a área fiscal, uma unanimidade entre os economistas, está longe de ser novidade para quem acompanha o noticiário. O problema começa no resultado primário (diferença entre receitas e despesas do governo) e acaba se refletindo no crescimento da dívida pública.
A dívida bruta do Brasil é a maior registrada desde abril de 2021, ainda durante a pandemia de Covid-19. Em agosto deste ano, o endividamento do setor público, que reúne governo federal, Previdência, estados e municípios, chegou a R$ 11,05 trilhões.
🔎 O indicador está em trajetória de alta e já equivale a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB), soma de todos os bens e serviços produzidos pelo país. Em outras palavras, a dívida equivale a cerca de 10 meses de tudo o que a economia brasileira produz.
Evolução da dívida bruta
Arte/g1
Diante desse quadro, um ajuste robusto das contas públicas aparece como a espinha dorsal de qualquer estratégia para destravar a economia brasileira.
A avaliação é que uma trajetória mais sustentável para a dívida seria capaz de reduzir a pressão sobre juros e inflação, criando condições para mais investimento, consumo e crescimento.
A lógica do atual risco é a seguinte:
Quando o governo gasta mais do que arrecada por um período prolongado, precisa se endividar cada vez mais para fechar as contas. E, quanto maior a dívida e a percepção de que ela pode não ser sustentável, maior tende a ser a desconfiança dos investidores.
O governo, então, passa a pagar juros mais altos para conseguir se financiar. Não só isso: o cenário pode pressionar a inflação e contribuir para a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em nível elevado, tornando o crédito mais caro para famílias e empresas.
O resultado é um crescimento mais fraco. Por isso, muitos economistas defendem que uma trajetória mais sustentável para a dívida ajudaria a aliviar as pressões sobre juros e inflação, abrindo espaço para mais investimentos, consumo e crescimento.
Para Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, o presidente eleito precisará apresentar rapidamente medidas concretas de ajuste, seja indicando os pontos que pretende atacar, seja detalhando as ações que pretende adotar.
“Se isso não acontecer até o primeiro dia de governo, representará um anticlímax. Produzirá rapidamente um colapso de expectativas e uma deterioração da situação macroeconômica: dólar subindo, juros futuros subindo, crédito sendo contido pelos bancos”, alerta o ex-ministro.
Mas outros desafios também são cruciais para os rumos da economia brasileira nos próximos anos, segundo os economistas ouvidos pelo g1.
Entre eles:
👨‍🏭 Produtividade: aumentar a capacidade de o país gerar riqueza por meio de trabalhadores mais qualificados, empresas mais eficientes e investimentos mais produtivos. O desafio vai ser reunir apoio político para impulsionar uma agenda de longo prazo que envolva educação, infraestrutura, inovação e reformas capazes de tornar o país mais competitivo.
💳 Juros e endividamento: reduzir o peso das dívidas acumuladas por famílias e empresas em um ambiente de juros elevados. A tarefa exigirá a criação condições para uma queda sustentável das taxas e renovar o fôlego do crédito, do consumo e dos investimentos. Grande parte dessa agenda também passa pelo equilíbrio das contas públicas.
🏛️ Reformas e ambiente de negócios: tirar do papel uma agenda de mudanças discutida por economistas e empresários. A missão será construir maioria política para avançar em etapas da reforma tributária, reduzir burocracias e dar mais previsibilidade às regras. Economistas avaliam que isso pode ampliar investimentos, aumentar a competitividade e tornar o sistema mais favorável a pequenos negócios e famílias de menor renda.
🌎 Relações internacionais: adaptar a economia brasileira a um cenário de tensões geopolíticas crescentes. Isso passa por preservar relações estratégicas com Estados Unidos e China sem comprometer comércio, investimentos e oportunidades de crescimento para o país.
🏗️ Investimento e infraestrutura: criar condições para que o país produza mais e com menor custo. O desafio será atrair investimentos para áreas como transporte, energia e saneamento sem sacrificar a capacidade de investimento da economia durante o ajuste das contas públicas.
Clique nos nomes abaixo para conferir os principais trechos das análises dos economistas ouvidos pelo g1.
Adriana Dupita, economista de mercados emergentes da Bloomberg Economics
Alex Agostini, economista-chefe Austin Rating
Alexandre Pires, professor do Ibmec SP
Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central
André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica
André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital
André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI e professor licenciado da UnB
Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence
Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP
Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos
Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research
Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM
Joelson Sampaio, professor de Economia da FGV
Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda
Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil
Otto Nogami, economista e professor do Insper
Patrícia Pelatieri, economista e diretora adjunta do Dieese
Paulo Feldmann, professor da FEA-USP
Roberto Dumas, professor de economia do Insper
Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados
Notas de real
Marcello Casal Jr/Agência Brasil
Adriana Dupita, economista de mercados emergentes da Bloomberg Economics
“Diferentemente de outros momentos, desta vez não há medidas óbvias a serem tomadas. Um tesouraço — ou mesmo uma motosserra [como na Argentina, de Javier Milei] — não conseguiria cortar despesas públicas na marra”, diz a economista.
Ela acrescenta que as despesas obrigatórias representam mais de 90% dos gastos totais e que, desse montante, cerca de metade está vinculada ao salário mínimo.
“Construir apoio na sociedade, no Congresso e no Judiciário para reformas que reduzam essas despesas não será nada fácil, especialmente em um país extremamente desigual, em que uma parcela significativa da população depende de políticas públicas.”
“O endividamento de famílias e empresas, os crescentes riscos e custos associados aos eventos climáticos, o envelhecimento da população e a necessidade de desenhar uma estratégia para aproveitar os benefícios e enfrentar os custos do avanço da inteligência artificial são tendências que vão exigir boas ideias e mais recursos do setor público”, conclui.
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Alex Agostini, economista-chefe Austin Rating
Para o economista, o principal desafio do próximo presidente será colocar as contas públicas em ordem até 2030, voltar a gerar superávits (quando o governo arrecada mais do que gasta) nas contas do governo e reduzir o peso da dívida pública em relação ao PIB.
“Outro ponto importante é ter uma relação externa e diplomática extremamente equilibrada, após uma queda de braço muito forte entre Brasil e Estados Unidos”, diz. Ele ressalta que o desafio vale para qualquer candidato, sem garantia de que uma afinidade política facilite as negociações.
“Os EUA têm interesses, por exemplo, em terras raras e minerais críticos. Mas tudo isso passa pelo Congresso”, acrescenta. “E como ficarão as relações exteriores com a China, que é o nosso principal parceiro comercial?”
“Outro grande desafio será evitar que a economia perca força e entre em recessão, aprofundando os problemas de endividamento das famílias”, conclui.
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Alexandre Pires, professor do Ibmec SP
“Ainda que a questão fiscal atravesse vários governos ao longo dos anos, as contas públicas terminarão 2026 em uma situação que exigiria um esforço fiscal nunca visto”, avalia o economista.
Pires lembra que o elevado endividamento público pressiona a taxa básica de juros, a Selic, ao exigir uma atuação mais restritiva do Banco Central para conter a inflação.
“O crescimento do Brasil não virá mais do aumento da população em idade ativa, mas de investimento. Com juros elevados, porém, o custo de investir em capital e produtividade não é atraente”, diz.
“Isso faz com que o Brasil venha registrando uma desaceleração gradual do crescimento nos últimos anos, em ritmo cada vez mais inferior à média mundial.”
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Alexandre Schwartsman, ex-diretor do Banco Central
Para o economista, “desafio não falta”. Mas as contas públicas aparecem como o tema mais urgente.
“É preciso estabelecer um conjunto de medidas que, de alguma maneira, desacelere o crescimento do gasto público nos próximos anos”, diz.
“Assim, o governo federal voltaria a registrar resultados primários positivos e, dessa forma, reverteria a trajetória de crescimento da dívida pública”, acrescenta.
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André Galhardo, economista-chefe da Análise Econômica
Além de colocar as contas públicas em ordem, o país precisa avançar em medidas já iniciadas nos últimos anos, como a reforma tributária, avalia o economista.
“A simplificação é importante, mas precisamos caminhar na direção de tornar o sistema tributário brasileiro mais progressivo, por exemplo, dando suporte e alívio às famílias de menor renda, aos empresários com menos recursos e, sobretudo, às pequenas e médias empresas”, diz.
Galhardo também defende um “processo amplo de desburocratização” para melhorar o ambiente de negócios, combinado com um ajuste fiscal gradual.
“Qualquer choque mais brusco imporia um processo recessivo que poderia representar uma nova dificuldade para o Brasil sair desse quadro, como aconteceu entre 2015 e 2019. O ideal seria criar um ambiente melhor, e não buscar, a qualquer custo, esse controle das contas públicas.”
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André Perfeito, economista-chefe da Garantia Capital
Para o economista, “a notícia ruim é que está bom”. “O desemprego permanece muito baixo, apesar dos juros elevados. Quando o desemprego cai, o salário sobe. Quando o salário sobe, aumenta a demanda, o que é ótimo.”
“Mas também sobe o custo de produção das empresas. O salário ficou mais caro, o que comprime as margens de lucro dos empresários”, acrescenta. “O cenário cria duas possibilidades: ou eles investem para produzir mais e atender à demanda ou investem para aumentar a produtividade — cortar custos.”
“Porém, com o nível de juros elevado, não conseguem fazer nenhuma das duas coisas. E pior: parte do lucro, que já caiu por conta do aumento do custo de produção, também foi reduzida pela perspectiva de juros altos. O grande nó será baixar as taxas sabendo que o mercado de trabalho segue forte.”
Na visão de Perfeito, o grande desafio é reduzir os juros mesmo com a demanda aquecida. “E por que o desemprego está baixo? O mercado de trabalho mudou. Se uma pessoa precisar, abre um aplicativo e vira motorista, entregador. Percebe o desafio?”, conclui.
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André Roncaglia, diretor-executivo do Brasil no FMI e professor licenciado da UnB
Para Roncaglia, o principal desafio será lidar com o elevado endividamento de famílias e empresas sem comprometer o crescimento da economia.
“Nos últimos anos, o Brasil mostrou notável resiliência econômica. Porém, essa resiliência foi acompanhada por expansão do crédito e aumento do endividamento em alguns segmentos muito custosos do mercado de crédito”, afirma.
Na avaliação dele, à medida que famílias e empresas buscam pagar dívidas acumuladas e recompor suas finanças, o crescimento da economia tende a “depender menos do crédito e mais de ganhos de produtividade, investimentos e reformas estruturais capazes de sustentar o aumento da renda”.
“O desafio central do próximo ciclo será criar condições para uma desalavancagem ordenada [redução gradual do endividamento], sem comprometer o crescimento”, diz. Para isso, Roncaglia defende fortalecer a regulação do mercado de crédito, elevar a produtividade e estimular o investimento privado.
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Bruno Imaizumi, economista da 4intelligence
O economista avalia que o principal desafio será colocar as contas públicas em ordem. “Será um bom governo se fizer isso de uma forma compatível com a sustentação do crescimento econômico”, diz.
“Um governo excelente, na minha visão, seria aquele que conseguisse avançar além do ajuste fiscal e construir condições políticas para discutir e aprovar grandes reformas estruturais, especialmente aquelas capazes de elevar a produtividade e o crescimento potencial da economia”, acrescenta.
🔎 O crescimento potencial é o ritmo em que uma economia consegue crescer de forma sustentável, levando em conta fatores como mão de obra, capital e produtividade. Quanto maior ele for, maior a capacidade de gerar renda, empregos e riqueza sem pressionar a inflação.
Ele cita como exemplos uma segunda etapa da reforma tributária e uma ampla reforma administrativa, além de “preparar o terreno para começarmos a discutir uma reforma previdenciária novamente”.
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Fábio Gallo, professor de Finanças da FGV-SP
O economista aponta as contas públicas como tema central diante dos desequilíbrios da economia brasileira e lembra que o país tem “a maior taxa de juros real do mundo”. O Brasil lidera o ranking, conforme já mostrou o g1.
“A economia está doente. Está gerando uma inflação mais persistente do que deveria e provocando uma situação de redução do crescimento. Se começamos o ano falando em [encerrar 2026 com o PIB em] mais de 2%, hoje já estamos abaixo disso”, diz.
O professor cita o alto nível de endividamento e inadimplência das famílias e defende um ajuste fiscal mais rígido para abrir espaço para a redução dos juros e melhorar as condições da economia.
“Com a política fiscal sendo resolvida e o governo tendo dinheiro em caixa para investir e estruturar a economia, teremos uma ação mais ampla. Assim, poderemos estruturar a economia como um todo, gerar ganhos efetivos e resolver a questão de maneira mais abrangente”, afirma.
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Felipe Salto, economista-chefe da Warren Investimentos
Para Salto, o principal desafio do próximo presidente na política econômica será superar o déficit público — ou seja, equilibrar receitas e despesas do governo — e “restabelecer uma trajetória de dívida pública estável em relação ao PIB”.
Segundo ele, apesar de medidas positivas adotadas pelo governo, como a limitação do reajuste do salário mínimo ao teto da nova regra de gastos, o país ainda convive com déficits que, combinados a “um juro real estratosférico”, continuam pressionando a dívida pública.
“Essa situação precisa ser resolvida por meio de um plano de ajuste que seja anunciado e aprovado com celeridade”, diz. “Um conjunto de ações que reduza o crescimento do gasto obrigatório e incida sobre o elevado volume de benesses tributárias teria o condão de melhorar as expectativas já no curto prazo e reduzir o prêmio exigido pelo risco vislumbrado hoje pelo mercado na curva de juros.”
“Os benefícios já seriam sentidos de imediato, ainda que o plano de ajuste deva, a meu ver, se espalhar em quatro anos, começando com um superávit de 0,3% do PIB no primeiro ano e atingindo a casa dos 2% do PIB até o final do mandato”, conclui.
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Gino Olivares, economista-chefe da Azimut Brasil
O economista afirma que, sozinho, o ajuste das contas públicas não resolve o problema. Entre as necessidades, ele cita a melhora do ambiente de negócios e a “estabilidade das regras”, criando condições para “enxergar um horizonte mais longo do que um ou dois anos”.
“A rigor, essas coisas todas não dependem do governo — pelo menos não exclusivamente. Mas corresponde à nova gestão, principalmente no início do mandato, propor um roteiro de ações que levem ao país nessa direção”, analisa.
Para Olivares, o principal desafio do próximo governo será “convencer a sociedade que serão necessárias algumas medidas que, no curto prazo, poderão, eventualmente, ter custos relevantes”, mas que serão “devidamente remunerados em um futuro não muito distante”.
“Afinal, governar um país significa liderar uma sociedade em direção das escolhas corretas, que quase nunca são as óbvias ou as mais fáceis”, conclui.
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Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research
Para Sung, o principal desafio é elevar a produtividade do país. Ele cita cálculos da FGV que mostram um crescimento médio de apenas 0,6% ao ano na produtividade do trabalhador brasileiro nos últimos 45 anos. “Isso explica boa parte do nosso crescimento baixo”, diz.
“O tema fica ainda mais urgente porque o bônus demográfico está se esgotando [com o envelhecimento da população, o país terá menos gente no mercado de trabalho]”, acrescenta. Para ele, melhorar a qualidade da educação e da formação profissional é parte da resposta para o problema.
“O segundo pilar é uma agenda microeconômica na área do crédito: precisamos de crédito mais barato e acessível”, afirma.
O economista também defende mudanças regulatórias e mais investimentos em infraestrutura. “É preciso aprofundar os marcos setoriais de saneamento, gás, ferrovias e cabotagem, além de ampliar concessões e parcerias público-privadas.”
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Jason Vieira, economista-chefe da Lev DTVM
O economista afirma que o equilíbrio das contas públicas “será o maior desafio de todos”.
“Apesar dos esforços do governo para elevar constantemente a arrecadação e tentar cumprir as metas que ele mesmo criou, o aumento contínuo das despesas e do endividamento público certamente será algo a ser enfrentado no primeiro dia do próximo governo”, avalia.
“Reforma tributária problemática, crescimento econômico mais fraco, precatórios [dívidas da União reconhecidas pela Justiça]: tudo isso deságua necessariamente na questão fiscal”, conclui Vieira.
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Joelson Sampaio, professor de Economia da FGV
“A dívida pública do país cresceu muito nos últimos anos por conta da taxa Selic, que permanece bastante elevada. Então, temos uma trajetória da dívida muito arriscada e um patamar de endividamento muito alto”, afirma Sampaio.
O professor lembra que, além das famílias, o nível de endividamento de muitas empresas brasileiras também segue elevado. “Tanto que os pedidos de recuperação judicial explodiram no Brasil, principalmente nos últimos anos.”
O g1 mostrou que o país passa por uma onda de pedidos de recuperação judicial e extrajudicial. Para Sampaio, o cenário reflete um desafio que se apoia em três pilares: “a dívida pública, a dívida das empresas e a dívida das famílias”.
“Há ainda um contexto bastante desafiador, com os Estados Unidos trazendo desafios geopolíticos e diplomáticos para o Brasil, além de um cenário internacional marcado por guerras”, conclui.
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Maílson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda
Para Maílson, o avanço da dívida pública aumenta o risco de perda de confiança na capacidade do governo de honrar suas dívidas e, por isso, exige uma reação rápida do próximo presidente.
“As medidas para realizar as reformas têm que ser explicitadas rapidamente depois da vitória. Seja sinalizando quais são os pontos a atacar, seja apresentando detalhes das medidas”, afirma. “No máximo, isso teria que ser feito no primeiro dia de governo.”
“Se não acontecer, representará um anticlímax. Produzirá rapidamente um colapso de expectativas e uma deterioração da situação macroeconômica: dólar subindo, juros futuros subindo, crédito sendo contido pelos bancos”, alerta o ex-ministro.
“Também pode sinalizar uma recessão rápida no Brasil”, conclui.
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Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil
O economista relembra os embates entre Brasil e EUA, do tarifaço à aplicação da Lei Magnitsky, e afirma que o presidente eleito inicia o mandato com o desafio de evoluir no diálogo com o país liderado por Donald Trump.
Outro ponto destacado por Praça é a confiança institucional. “O país passa por uma grave crise de confiança, com escândalos de corrupção em todos os três poderes”, diz, citando a crise no STF. “A nova gestão iniciará com esse clima negativo e precisará reconquistar a confiança da população.”
Na avaliação de Praça, a alta do petróleo também pode colocar os preços dos combustíveis no centro das preocupações. Neste ano, medidas do governo ajudaram a amortecer o impacto da disparada do petróleo sobre os preços pagos pelos consumidores.
“Terá que tomar uma difícil decisão: manter o subsídio e absorver grande parte do impacto dos conflitos no Oriente Médio, mesmo que seja necessário algum tipo de ‘malabarismo econômico’, ou enfrentar o descontentamento da população com um salto significativo nos preços dos combustíveis.”
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Otto Nogami, economista e professor do Insper
O professor afirma que será necessário “reconstruir o equilíbrio entre responsabilidade fiscal e capacidade de crescimento”, em um cenário de dívida elevada, juros altos e pouco espaço para ampliar investimentos.
“O problema, portanto, não é simplesmente cortar despesas ou aumentar receitas, mas rever a qualidade e a dinâmica do gasto público para criar uma trajetória fiscal sustentável sem comprometer investimentos essenciais”, diz.
Nogami pondera que, se o ajuste fiscal for feito sacrificando infraestrutura e investimento público, o país reduz sua capacidade produtiva futura. “O próximo governo terá, portanto, de enfrentar simultaneamente o curto e o longo prazo.”
“Não basta estabilizar a economia. Será necessário elevar seu potencial de crescimento. Esse, talvez, seja o ponto mais difícil: fazer o ajuste fiscal de hoje sem sacrificar a capacidade de crescer amanhã.”
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Patrícia Pelatieri, economista e diretora adjunta do Dieese
Para Patrícia, o principal desafio é construir um novo ciclo de crescimento capaz de gerar empregos de qualidade, aumentar salários e reduzir desigualdades.
“Isso pressupõe enfrentar a precarização e a informalidade, fortalecer a negociação coletiva e criar condições para que os trabalhadores participem das decisões e dos benefícios associados à digitalização, à inteligência artificial e à transição energética”, afirma.
A economista também defende fortalecer a capacidade de investimento e planejamento do Estado, articulando infraestrutura, inovação, política industrial e políticas sociais.
“Será necessário enfrentar os limites impostos por uma política monetária baseada em taxas de juros elevadas, que restringe investimento e atividade econômica. O país terá que construir uma combinação mais equilibrada entre as políticas monetária, fiscal e de desenvolvimento.”
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Paulo Feldmann, professor da FEA-USP
Para Feldmann, o debate econômico se concentra excessivamente nas contas públicas, enquanto um dos grandes desafios é aumentar a produtividade da economia brasileira.
“E como você aumenta a produtividade do país? Tomando medidas microeconômicas, mexendo no ambiente de negócios. O ambiente de negócios no Brasil é muito ruim”, afirma.
Ele cita os custos elevados de transporte e energia como exemplos de problemas que afetam diretamente a atividade produtiva. Segundo o economista, a dependência do transporte rodoviário e o alto custo da eletricidade dificultam a competitividade da indústria brasileira.
Outro desafio citado por Feldmann é o baixo nível educacional. “Nós temos que investir na educação para termos trabalhadores mais qualificados”, diz. “Há muita preocupação com a política fiscal, monetária e externa, mas pouca com questões que vão agir sobre a produtividade das empresas.”
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Roberto Dumas, professor de economia do Insper
Para o economista, o principal ponto a ser atacado imediatamente pelo presidente eleito será o problema das contas públicas.
“Terá de ser feita uma PEC [Proposta de Emenda à Constituição] para enfrentar o problema da dívida pública. Porque, senão, a curva de juros continua empinando, a inflação continua aumentando e a política fiscal continua pressionando a economia”, afirma.
Dumas destaca que o país está em um “círculo vicioso” das contas públicas. “O investidor pede juros mais altos para comprar títulos públicos, o que gera um crescimento econômico medíocre”, diz.
“[Essa lógica] eleva o numerador, que é a dívida, reduz o denominador, que é o PIB, e faz com que a relação dívida/PIB aumente”, acrescenta. “Aí, o círculo se retroalimenta. Você passa a exigir juros ainda mais altos”, conclui.
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Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados
O economista avalia que a agenda econômica deverá ser o principal foco do governo nos primeiros seis meses de mandato.
“Haverá uma tentativa de dar um foco político por conta das questões do STF [a crise que atingiu a Corte], tema importante por si só. Mas será preciso dar uma atenção muito grande à economia, especialmente em relação à questão fiscal”, afirma.
Vale defende um ajuste mais duro do que o realizado nos últimos quatro anos para começar a sinalizar uma desaceleração no crescimento da dívida. “A esperança é que o próximo governo tenha como legado uma questão fiscal mais bem encaminhada.”
“É difícil, porque sabemos que, em geral, isso acontece quando há momentos de crise mais profunda. Mas seria importante o governo fazer esse ajuste fiscal justamente para evitar uma situação mais difícil lá na frente, como a que tivemos em 2015 e 2016”, conclui.
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Países já liberaram 325 milhões de barris de petróleo para conter alta dos preços, diz IEA

As reservas estratégicas são estoques de petróleo mantidos pelos países para serem usados em situações de emergência, como interrupções no fornecimento de energia.
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
Os países-membros da Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) já liberaram 325 milhões de barris de petróleo e derivados de suas reservas estratégicas, informou a entidade neste sábado (3).
O volume liberado até agora corresponde a mais de 80% dos 400 milhões de barris que os países haviam prometido disponibilizar em março.
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➡️ As reservas estratégicas são estoques de petróleo mantidos pelos países para serem usados em situações de emergência, como interrupções no fornecimento de energia.
A atualização foi divulgada um dia depois de os países do G7 anunciarem a liberação imediata de mais 100 milhões de barris de petróleo bruto e diesel, em coordenação com a IEA. A medida é uma tentativa de aumentar a oferta no mercado e conter a alta dos preços dos combustíveis.
Agora no g1
Por que o preço do diesel subiu
A crise no mercado de diesel está relacionada à redução do fluxo de petróleo e derivados no comércio internacional.
Os conflitos entre Estados Unidos e Irã e entre Rússia e Ucrânia afetaram a oferta de petróleo, pressionando os preços.
O impacto já chegou aos postos de combustíveis. No Reino Unido, o preço do diesel subiu 40% desde o início da guerra entre EUA e Irã e atingiu nesta sexta-feira (2) o equivalente a duas libras por litro, cerca de R$ 14.
A alta não afeta apenas motoristas. O diesel é usado no transporte de cargas e na produção agrícola, por exemplo, e o aumento do custo pode ser repassado para outros produtos e serviços.
G7 decide liberar reservas
O G7, grupo que reúne Alemanha, Canadá, EUA, França, Itália, Japão e Reino Unido, convocou uma reunião de emergência para discutir a crise no mercado de energia.
Os países decidiram liberar, de forma coordenada e com apoio da IEA, 100 milhões de barris de diesel e petróleo bruto de suas reservas estratégicas.
Segundo o gabinete do presidente francês, Emmanuel Macron, a liberação será imediata, com uma quantidade maior sendo disponibilizada nos primeiros 20 dias. A medida deve durar quatro meses.
O anúncio ocorreu em meio à pressão do presidente dos EUA, Donald Trump, para que países europeus também liberassem parte de suas reservas. Trump vinha ameaçando reduzir as exportações americanas caso os aliados não aumentassem sua contribuição para ampliar a oferta de combustíveis.
A União Europeia criticou a possibilidade de redução das exportações americanas. Segundo o bloco, uma medida desse tipo poderia prejudicar o mercado internacional.
Trump comemorou nas redes sociais o anúncio do G7.
Os 100 milhões de barris são adicionais?
O G7 não informou se os 100 milhões de barris anunciados na sexta-feira (2) fazem parte dos 75 milhões que ainda faltavam para cumprir o compromisso de 400 milhões de barris assumido em março ou se representam um volume adicional.
A dúvida é relevante porque, até agora, os países já liberaram 325 milhões de barris, segundo a IEA.
Caso os 100 milhões sejam adicionais ao compromisso anterior, o volume total disponibilizado seria maior do que os 400 milhões de barris anunciados em março.
*Com informações da AFP