Salário não dá mais conta? Por que cada vez mais trabalhadores buscam um segundo emprego nos EUA

Uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management revelou que mais de 60% dos trabalhadores americanos recorrem a bicos e trabalhos paralelos para complementar renda
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A grana não está curta apenas no Brasil. Diante da alta do custo de vida e da dificuldade de acumular patrimônio, cada vez mais profissionais nos Estados Unidos recorrem a trabalhos freelancer, bicos e outras atividades para complementar a renda e manter as contas em dia.
É o que mostra uma pesquisa da Goldman Sachs Asset Management, realizada com 5.106 trabalhadores e aposentados dos Estados Unidos. Mais de 60% dos trabalhadores ouvidos já tiveram algum tipo de trabalho paralelo.
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🔎 Entre os mais jovens, o movimento é ainda mais forte: 80% dos integrantes da Geração Z (nascidos entre 1997 e 2012) e 77% dos millennials (entre 1981 e 1996) afirmam já ter recorrido a uma segunda fonte de renda.
Segundo a pesquisa, os trabalhos paralelos deixaram de ser apenas uma forma de ganhar mais para consumir ou realizar planos pessoais. Para muitos trabalhadores, tornaram-se uma necessidade.
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Entre os entrevistados que buscam renda extra por razões financeiras:
76% são da Geração Z;
73% são millennials;
72% são da Geração X.
Esse cenário também indica que ter um emprego regular não garante segurança financeira. Mesmo com uma ocupação fixa, muitos profissionais têm dificuldade para comprar um imóvel, formar patrimônio ou guardar dinheiro para o futuro.
O problema não está necessariamente na falta de renda. Segundo o estudo, as despesas essenciais passaram a pesar mais no orçamento.
💰 Os custos com moradia e as despesas do dia a dia são apontados por 31% dos entrevistados como os principais obstáculos para poupar para a aposentadoria. O pagamento de dívidas aparece logo atrás, citado por 27%.
Embora 65% dos trabalhadores afirmem que o emprego principal ainda é um caminho para alcançar estabilidade financeira, 27% dizem que a renda é suficiente apenas para pagar as despesas correntes.
Já 8% afirmam que nem mesmo com um emprego regular conseguem ter segurança financeira.
💭 A pesquisa sugere que a discussão sobre trabalho está ganhando uma nova camada: não basta apenas analisar taxas de emprego. Cada vez mais importa saber se o salário recebido é suficiente para sustentar o presente sem comprometer o futuro.
O custo de vida está consumindo uma fatia maior da renda
Parte dessa pressão vem do aumento das despesas essenciais. O estudo mostra que gastos associados a etapas tradicionais da vida adulta passaram a consumir uma parcela maior da renda nas últimas décadas.
🏠 Em 2000, o custo médio da casa própria representava cerca de 33% da renda familiar. Em 2026, o percentual chegou a 54%.
🔑 O peso do aluguel também aumentou, passando de 21% para 26% da renda familiar no mesmo período.
🚼 Os custos com creche passaram de 12% para 19% da renda. Já o gasto com universidades públicas subiu de 25% para 38%. No ensino superior privado, a proporção passou de 65% para 89%.
A renda extra resolve um problema, mas cria outros desafios
Em muitos casos, a renda complementar ajuda a equilibrar o orçamento. Por outro lado, pode significar menos tempo para descanso, qualificação profissional, convivência familiar e desenvolvimento da carreira.
Segundo a pesquisa, 53% dos trabalhadores afirmam que as preocupações financeiras prejudicam a concentração durante o expediente. Além disso, 31% disseram ter faltado ao trabalho no último ano por causa de problemas financeiros.
Outro dado chama a atenção: 34% dos entrevistados afirmam que provavelmente buscarão um novo emprego para melhorar sua situação financeira. Entre os mais jovens, o percentual chega a 48% na Geração Z e a 47% entre os millennials.
Os números indicam que a insatisfação financeira pode afetar a produtividade, a retenção de talentos e a rotatividade de profissionais.
A pesquisa também mostra que a insegurança financeira não se restringe às faixas de renda mais baixas. Os pesquisadores identificaram uma espécie de curva em “U” na percepção de segurança financeira.
🔎 As preocupações são maiores entre quem ganha menos de US$ 100 mil por ano (cerca de R$ 550 mil), diminuem nas faixas intermediárias e voltam a crescer entre quem recebe mais de US$ 300 mil por ano (aproximadamente R$ 1,65 milhão).
O estudo mostra que trabalhadores de renda mais elevada costumam relatar preocupações com a manutenção do padrão de vida, o aumento das responsabilidades financeiras e a capacidade de sustentar esse nível de consumo na aposentadoria.
A era do adiamento
Quando falta dinheiro para fazer tudo ao mesmo tempo, muitos trabalhadores precisam escolher o que ficará para depois. Cerca de 70% dos entrevistados adiaram pelo menos uma meta financeira importante. Na Geração Z, o percentual chega a 83%; entre os millennials, a 78%.
🔎 As metas mais frequentemente postergadas incluem a formação de reserva de emergência, a compra da casa própria, o pagamento de dívidas e a aposentadoria.
O percentual de trabalhadores que aumentaram suas contribuições para a aposentadoria caiu de 55% em 2025 para 39% em 2026, uma das maiores quedas dos últimos anos, segundo o levantamento.
O resultado é um grupo de trabalhadores que continua perseguindo objetivos semelhantes aos das gerações anteriores, mas encontra um caminho mais longo e mais caro para alcançá-los.
O percentual dos que acreditam estar no caminho certo caiu:
de 75% para 66% na Geração Z;
de 74% para 61% entre os millennials;
de 58% para 49% na Geração X.
Os números sugerem que a preocupação com o futuro permanece, mas sobra cada vez menos espaço no orçamento para se preparar para ele.

STF volta a discutir IPTU por área: levantamento do g1 mostra como capitais usam a metragem

Primeira parcela e cota única do IPTU de São Luís vencem na próxima sexta-feira (10)
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O Supremo Tribunal Federal (STF) retomou nesta semana a discussão sobre os limites do uso da área dos imóveis na cobrança do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbano (IPTU), em julgamento previsto para seguir até esta sexta-feira (9).
A Corte analisa embargos de declaração apresentados por Chapecó (SC) contra uma decisão tomada em agosto (entenda abaixo), que considerou inconstitucional a aplicação de alíquota de IPTU definida com base na área do imóvel. O julgamento pode manter, modificar ou limitar os efeitos daquela decisão.
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Acontece que a discussão envolve uma das principais fontes de receita arrecadadas diretamente pelas prefeituras.
Somente no ano passado, 5.393 municípios com dados disponíveis no Sistema de Informações Contábeis e Fiscais do Setor Público Brasileiro (Siconfi) declararam ter arrecadado, juntos, de R$ 81,8 bilhões com IPTU. Só as capitais responderam por R$ 38,5 bilhões desse valor.
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🔎 O valor inclui toda a receita do imposto e não permite identificar quanto foi arrecadado por regras ligadas à área dos imóveis.
Como o entendimento da Corte pode ter impacto sobre outras formas de cobrança que também levam em conta a metragem dos imóveis, o g1 analisou as regras das 26 capitais e do Distrito Federal. VEJA AQUI.
O objetivo foi verificar como outras cidades usam a área dos imóveis na cobrança do imposto e em que medida a decisão do STF pode afetar essas regras.
A análise encontrou desde situações em que a área define diretamente a alíquota até casos em que a proporção entre o terreno e a construção pode mudar a classificação do imóvel ou separar uma parcela do lote para uma cobrança diferente.
Chapecó tenta reverter decisão
Em agosto, o STF declarou inconstitucional a definição, por uma lei municipal posterior à Emenda Constitucional (EC) nº 29, de 2000, de uma alíquota de IPTU com base na área do imóvel.
A Constituição permite que o imposto seja progressivo conforme o valor venal do imóvel — uma estimativa de seu valor para fins tributários. Para calcular esse valor, o município pode considerar características como a área do terreno e da construção, a localização, o uso do imóvel e outros fatores previstos na legislação da cidade.
O texto constitucional também permite que o IPTU tenha alíquotas diferentes de acordo com a localização e o uso do imóvel. A área, porém, não aparece sozinha entre esses critérios.
🤔 Ou seja, uma coisa é a metragem ser usada como um dos elementos para calcular o valor venal; outra é a própria área do imóvel ser usada como critério para definir a alíquota do imposto. Foi justamente essa segunda situação que levou o caso de Chapecó ao STF.
A legislação municipal estabelecia alíquota de 1% para imóveis residenciais com área construída igual ou superior a 400 metros quadrados. Para as demais edificações, o percentual era de 0,5%.
Agora, Chapecó tenta reverter esse resultado por meio de embargos de declaração.
⚖️ ️ Esse tipo de recurso é usado para pedir que o tribunal esclareça ou corrija uma decisão. Neste caso, a prefeitura também pede ao STF que modifique o resultado.
Nos embargos, o município afirma que a área não funciona como critério isolado. A prefeitura argumenta que, antes da metragem, a lei considera o uso residencial do imóvel.
➡️ Os 400 metros quadrados serviriam, segundo essa interpretação, para identificar uma subcategoria chamada “imóveis residenciais de grande porte”. Como imóveis comerciais e industriais com a mesma metragem permanecem sujeitos à alíquota de 0,5%, Chapecó argumenta que não seria a área, sozinha, que determinaria o percentual.
Para João Henrique Gasparino, tributarista e diretor executivo da NimbusTax, porém, essa justificativa não aponta uma questão que tenha ficado sem resposta no julgamento, porque o STF já analisou a diferença entre área, uso e valor do imóvel.
Segundo ele, os imóveis continuam pertencendo ao mesmo grupo de uso — o residencial — e o que efetivamente separa uma alíquota da outra é a metragem.
“A ‘categoria’ é a faixa de área com outro nome”, afirma.
O especialista faz a mesma avaliação sobre a tentativa de tratar a área como um indicador indireto do valor do imóvel. O acórdão, afirma, já teria diferenciado o uso da metragem como elemento para calcular o valor venal do uso da própria área para definir a alíquota.
Como os embargos de declaração servem para corrigir omissão, contradição, obscuridade ou erro material, e não simplesmente para rediscutir o conteúdo da decisão, Gasparino considera que há pouco fundamento para alegar que esse ponto não foi analisado.
Agora, se o STF não aceitar o argumento e mantiver a inconstitucionalidade, a prefeitura faz um pedido alternativo: que a decisão só passe a produzir efeitos quando o processo terminar definitivamente.
Chapecó estima em aproximadamente R$ 14 milhões o valor que teria de devolver aos contribuintes que pagaram o imposto pela alíquota de 1% nos anos de vigência da lei questionada. A prefeitura não detalha, nos embargos, a quais anos essa estimativa corresponde.
A estimativa, porém, foi contestada por um contribuinte que passou a fazer parte do processo. Em memorial apresentado na sexta-feira (2), sua defesa afirma que o município não demonstrou como chegou a esse montante.
🔎 Para efeitos de comparação, esse valor corresponde a 22,2% dos R$ 63,1 milhões arrecadados por Chapecó com o tributo em 2025, segundo dados do Siconfi.
Segundo o documento apresentado pelo contribuinte, 483 imóveis seriam atingidos pela decisão e cerca de 200 ações já propostas somariam aproximadamente R$ 1,5 milhão em devoluções de valores que ainda podem ser cobrados judicialmente.
A defesa sustenta ainda que, mesmo se todos os contribuintes afetados pedissem ressarcimento, o total não passaria de R$ 2,5 milhões e que não foi demonstrado risco excepcional às contas públicas que justificasse a medida.
Como a área do imóvel pode entrar no cálculo do IPTU
Arte/g1
Municípios tentam limitar os efeitos da decisão
Mas a discussão não ficou restrita a Chapecó: as possíveis consequências da tese também levaram outras cidades e entidades a se posicionarem em defesa de uma modulação dos efeitos — ou seja, de uma definição sobre quando a nova interpretação passa a valer.
O receio é que a decisão tenha efeitos sobre municípios que adotam regras semelhantes, que poderiam enfrentar questionamentos de contribuintes e pedidos de restituição de valores pagos anteriormente.
Um exemplo é Florianópolis, que apresentou uma manifestação em 25 de agosto, e pediu que eventual modulação preservasse cobranças e pagamentos feitos antes da data de corte, além de dar prazo para as cidades adaptarem suas legislações
Em nota técnica apresentada ao Supremo, a prefeitura estimou em R$ 84,7 milhões o impacto sobre o IPTU predial de 2026 caso fosse aplicada a menor alíquota de cada categoria em substituição às faixas determinadas pela área.
Se a mesma lógica alcançasse também a cobrança territorial, a estimativa chegaria a R$ 220,9 milhões.
🔎 Os R$ 84,7 milhões equivalem a 15,9% dos cerca de R$ 531,6 milhões que Florianópolis arrecadou com o IPTU em 2025, segundo dados do Siconfi. No cenário que inclui também a cobrança territorial, os R$ 220,9 milhões equivaleriam a 41,6%. A comparação é feita com um ano já encerrado porque o total arrecadado em 2026 ainda não está fechado.
A prefeitura também destacou que sua regra havia sido considerada constitucional pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJ-SC) em julgamento anterior. Para o município, esse histórico reforça a necessidade de preservar a segurança jurídica caso o STF estabeleça uma data para a produção dos efeitos da nova interpretação.
Já a Associação Brasileira das Secretarias de Finanças (ABRASF), que protocolou uma petição em 31 de agosto, defendeu, como pedido principal, que a nova interpretação passasse a valer a partir do exercício de 2027.
O ministro Dias Toffoli, relator do caso, não admitiu Florianópolis nem a ABRASF como “amici curiae” — forma de participação de entidades ou instituições que apresentam argumentos em processos de interesse relevante.
Segundo o relator, os pedidos foram apresentados fora do prazo. “São eles, portanto, intempestivos”, escreveu Toffoli.
Apesar disso, o ministro aceitou os documentos como memoriais, textos em que as partes apresentam seus argumentos ao tribunal. Com isso, os argumentos apresentados por Florianópolis e pela ABRASF podem ser considerados na análise dos embargos.
Florianópolis é o caso mais próximo entre as capitais
Entre as capitais brasileiras, Florianópolis tem uma das regras que mais se aproximam da que está em discussão no caso de Chapecó. A legislação divide os imóveis por categorias de uso e, dentro de cada uma, aplica alíquotas crescentes conforme quatro faixas de área construída.
🏘️ Para os imóveis residenciais, os percentuais vão de 0,5%, para aqueles com até 150 metros quadrados, a 1,2%, para os que superam 600 metros quadrados. A alíquota incide sobre o imóvel inteiro. A regra foi introduzida em 2006, portanto depois da EC nº 29.
A diferença em relação a Chapecó está principalmente na quantidade de faixas: enquanto o município catarinense estabeleceu um corte a partir de 400 metros quadrados para os imóveis residenciais, Florianópolis utiliza quatro faixas de área dentro de cada grupo de uso.
Para Gasparino, essa estrutura reforça o argumento apresentado por Chapecó nos embargos: o uso define o grupo de imóveis, mas é a área que determina qual alíquota será aplicada dentro dele. “É o argumento de Chapecó levado a uma tabela maior.”
Lara Hoeltz Sperb, sócia do Andrade Maia Advogados, entende que, diante da tese fixada pelo STF, a regra da capital catarinense precisa ser alterada. Ela ressalva, porém, que a decisão do Supremo não elimina automaticamente a lei municipal.
“A lei continua formalmente vigente até ser revogada pela Câmara ou afastada em controle concentrado”, afirma.
Na prática, segundo Sperb, a parte da regra que faz a alíquota variar apenas em razão da área construída não deve ser aplicada em desacordo com o entendimento do STF.
Gasparino faz uma ressalva: como a alíquota do IPTU precisa estar prevista em lei, a prefeitura não poderia simplesmente escolher outro percentual e ignorar a tabela em vigor. A saída regular, segundo ele, seria a Câmara aprovar uma mudança para retirar a área construída como critério de definição da alíquota.
Quando a metragem muda a classificação do imóvel
No caso de Florianópolis, a metragem define diretamente a alíquota. Mas o levantamento do g1 encontrou situações mais complexas, em que a área não determina o percentual do imposto, porém ajuda a definir como o imóvel será enquadrado para fins tributários.
Em Boa Vista, Fortaleza, Campo Grande e Belo Horizonte, a proporção entre a construção e o terreno pode fazer com que o imóvel inteiro seja tratado como não edificado. As regras também consideram, conforme a cidade, fatores como uso, habitabilidade, cadastro e infraestrutura.
A distinção entre imóveis edificados e não edificados é aceita pelo STF. Por isso, a questão não é simplesmente saber se a lei utiliza alguma medida de área, mas o que essa medida está identificando.
Para Sperb, a pergunta central é se o coeficiente mede a existência de uma edificação relevante ou o tamanho do imóvel. “O Tema 1.455 veda a área como critério de alíquota. O STF, porém, sempre admitiu a distinção entre imóveis edificados e não edificados”, afirma.
Gasparino segue uma linha semelhante. Ele observa que imóveis de tamanhos muito diferentes podem receber o mesmo tratamento quando apresentam a mesma proporção entre terreno e construção.
🏡 Condições adicionais, como habitabilidade, infraestrutura, cadastro e uso, reforçam a interpretação de que a regra classifica a ocupação do terreno, em vez de criar uma alíquota progressiva segundo a metragem.
Esses mecanismos, portanto, são diferentes da regra julgada no caso de Chapecó. Isso não significa, porém, que estejam automaticamente livres de questionamentos judiciais.
Quando parte do terreno é tributada à parte
Outro grupo observado no levantamento reúne cidades que mantêm o imóvel como edificado, mas separam uma parte do terreno quando ela ultrapassa determinado múltiplo da área construída.
Há mecanismos desse tipo em Rio Branco, Natal, Recife, Aracaju, Salvador, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre.
O fato de a cobrança atingir apenas parte do terreno, porém, não resolve sozinho a questão. O ponto decisivo é identificar por que aquela parcela recebe tratamento diferente.
Em alguns municípios, a sobra recebe a mesma alíquota aplicada aos terrenos não edificados. Nesse caso, a justificativa é que a parcela não incorporada à construção funciona, para fins tributários, como terreno não edificado.
🔎 Em São Paulo, por exemplo, a legislação separa, em determinadas situações, a parte do terreno que não é considerada incorporada à construção. Segundo Sperb, essa parcela passa a receber o tratamento tributário aplicado a terreno não edificado. Nesse caso, a metragem não serve para aumentar a alíquota sobre todo o imóvel, mas para definir qual parte será tratada separadamente.
A situação muda quando a metragem não serve apenas para identificar a parcela do terreno que será tributada separadamente, mas passa a interferir também no percentual ou na cobrança aplicada sobre ela.
Segundo os especialistas, esse desenho pode aproximar determinadas regras da discussão enfrentada pelo STF, embora os modelos sejam diferentes entre si e não tenham sido analisados no caso de Chapecó.
🔎 Vitória: em terrenos com pelo menos 300 metros quadrados, a parte que ultrapassa cinco vezes a área construída recebe alíquota própria de 0,60%. Nos imóveis não residenciais, o percentual é de 0,30% quando a área excedente for comprovadamente necessária ao desenvolvimento da atividade exercida no local, desde que atendidos os requisitos legais.
Ao g1, a prefeitura afirmou que o modelo é diferente do analisado pelo STF em Chapecó porque a metragem não aumenta a alíquota sobre o imóvel inteiro.
“No caso da área excedente, trata-se de uma parcela específica do terreno que ultrapassa a proporção definida pela legislação, e não de uma alteração da alíquota incidente sobre a totalidade do imóvel em razão de sua metragem”, disse em nota.
Segundo o município, essa parcela recebe tratamento tributário próprio. A administração informou ainda que acompanha os desdobramentos do Tema 1.455 e está levantando quantos imóveis são atingidos pela regra e os valores lançados e efetivamente arrecadados em 2025.
Gasparino, porém, identifica dois pontos que aproximam a regra da discussão: o limite mínimo de 300 metros quadrados para a incidência e a existência de uma alíquota exclusiva para a parcela excedente. “Nesses casos, a área passa a definir a alíquota, e não só a parcela do terreno sujeita à alíquota de terreno.”
🔎 João Pessoa: quando o terreno supera cinco vezes a área construída, o imóvel continua sujeito ao IPTU principal e a parcela excedente recebe uma cobrança complementar. Diferentemente dos casos em que a sobra é reclassificada como terreno, a área excedente continua submetida à tributação predial e recebe um adicional.
Para Sperb, isso enfraquece a justificativa de que a cobrança seria apenas uma tributação de terreno não edificado e aproxima o mecanismo do que o Tema 1.455 proibiu. “Há um adicional sobreposto à tributação predial.”
O g1 procurou a prefeitura para comentar, mas não obteve resposta até a última atualização desta reportagem.
🔎 Porto Alegre: a chamada “sobra de área de prédio” pode ser cadastrada separadamente quando, além de uma área mínima de 400 metros quadrados vinculada à edificação existente, resta uma parcela de pelo menos 300 metros quadrados que possa receber outra construção. Questionada, a prefeitura informou que a separação não depende apenas da metragem: também são consideradas a possibilidade de uso construtivo e a utilização efetiva daquela área.
A legislação prevê situações em que essa sobra continua integrada ao prédio, incluindo determinadas áreas residenciais ocupadas por jardins, piscinas, áreas arborizadas e construções ornamentais, além de áreas necessárias e permanentemente utilizadas por estabelecimentos comerciais, industriais ou de serviços. Quando a parcela é individualizada, recebe uma inscrição imobiliária própria.
A prefeitura argumenta que, por isso, o mecanismo difere daquele analisado pelo STF.
“Em Porto Alegre, os critérios de área são empregados para identificar a existência de uma parcela territorial autônoma passível de cadastramento individualizado”, afirmou em nota.
Depois de constituída essa unidade, segundo o município, a tributação segue as alíquotas territoriais previstas na legislação local, “estruturadas segundo valor venal e localização, e não uma alíquota definida em razão de sua metragem”.
Essa característica converge com um ponto destacado pelos especialistas ouvidos pelo g1.
Para Gasparino, quanto mais a parcela excedente funciona como uma unidade própria, com inscrição separada e possibilidade de receber uma construção independente, mais a cobrança se aproxima da tributação de um terreno distinto.
Sperb segue a mesma linha. “Em Porto Alegre, o gatilho da lei é a autonomia do terreno, não a proporção”, afirma.
Ao g1, a prefeitura informou que havia 44 inscrições classificadas como “sobra de área” em 2025. Juntas, elas renderam R$ 954.935,59 naquele ano em IPTU e Taxa de Coleta de Lixo (TCL).
⚖️ Os mecanismos dessas capitais não foram objeto do julgamento do Tema 1.455. Os exemplos mostram que a metragem pode desempenhar diferentes funções na cobrança do IPTU e que a decisão tomada no caso de Chapecó não oferece, sozinha, uma resposta automática para todos esses modelos.
Por que o ano 2000 importa?
A data em que cada regra foi criada acrescenta uma camada à análise. Isso porque a própria tese fixada pelo STF faz um recorte temporal: ela considera inconstitucional a definição da alíquota pela área quando prevista por lei municipal posterior à Emenda Constitucional nº 29, de 2000.
Mas encontrar uma regra originalmente criada antes desse marco não encerra a discussão. É preciso verificar se o mecanismo foi mantido intacto ou se voltou a ser alterado depois.
O próprio caso de Chapecó mostra por quê: uma lei de 1995 já previa a diferenciação pela metragem, mas ela foi revogada por outra, de 2018, que manteve a sistemática. O STF analisou a norma de 2018 como uma lei posterior à mudança constitucional.
“Conta, portanto, a data da lei que dá a redação em vigor, e não a data em que o mecanismo surgiu”, Gasparino resume.
Para regras que tenham permanecido efetivamente anteriores a 2000, a análise muda, mas isso não significa que elas sejam automaticamente válidas.
Nesse caso, entra em cena a jurisprudência do STF aplicável àquele período, que rejeitava a progressividade do IPTU pela área, mas admitia a diferenciação entre imóveis edificados e não edificados e entre residenciais e não residenciais.
Por isso, segundo Sperb, nas regras antigas de “sobra de terreno” não basta olhar a data: é necessário saber se o mecanismo funciona como uma progressividade pela área ou como uma diferenciação entre a parcela edificada e a não edificada.
O que acontece com quem já pagou?
Nos casos em que o critério de área for considerado inconstitucional, isso não significa necessariamente cancelar todo o IPTU cobrado.
“O contribuinte discute só a diferença”, afirma Gasparino.
No próprio caso de Chapecó, a sentença mantida pelo STF determinou o recálculo pela alíquota de 0,5% e a devolução do que havia sido pago a mais.
Sperb segue a mesma linha. Segundo ela, deve ser preservada a cobrança calculada pelos critérios válidos, retirando-se apenas a parcela produzida pela regra considerada inconstitucional. A forma desse recálculo, porém, depende da legislação municipal e da estrutura do lançamento.
“Para quem já pagou, a restituição em regra observa o prazo de cinco anos contado de cada pagamento”, diz Sperb, ressalvando que esse alcance ainda pode ser afetado por uma eventual modulação do STF.
Para quem ainda não pagou, há possibilidade de contestar o lançamento administrativamente ou recorrer à Justiça. Sperb também ressalta que a via usada depende da situação concreta do contribuinte.
O g1 procurou as prefeituras de Chapecó e Florianópolis para comentar o caso, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Os posicionamentos dos dois municípios citados no texto têm como base as manifestações apresentadas no processo.
Como a metragem afeta o IPTU nas capitais?
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Faturamento do turismo no Brasil bate recorde e pode chegar a R$ 300 bilhões em 2026

Faturamento do turismo no Brasil bate recorde e pode chegar a R$ 300 bilhões em 2026
O turismo no Brasil cresceu no primeiro semestre e registrou um faturamento recorde de R$ 25,5 bilhões em julho, maior valor já registrado para o mês desde 2012.
De acordo com um levantamento da FecomercioSP, com dados do IBGE, entre janeiro e julho, o setor avançou 3,4% na comparação com o mesmo período do ano passado, com um faturamento de R$ 168,8 bilhões, também o maior valor já registrado nesse período.
O transporte aéreo de passageiros foi a atividade que liderou os gastos, com R$ 8,1 bilhões. A demanda por voos domésticos subiu 4% e o crescimento do número de passageiros foi de 2,4%.
Depois das companhias aéreas, os meios de hospedagem tiveram a segunda maior participação no resultado: faturaram cerca de R$ 5,6 bilhões em julho, mas houve queda de 1,4% na comparação anual.
Os setores que mais faturaram no Turismo
Ainda segundo os dados, na análise regional, 16 estados e o Distrito Federal registraram alta no período, enquanto 10 sofreram queda.
São Paulo manteve a liderança nacional, com faturamento de aproximadamente R$ 7 bilhões, equivalente a cerca de 40% do total do país.
No entanto foi a Bahia que apresentou a maior variação porcentual entre os estados, com alta de 18,7% e receita de R$ 759 milhões.
Faturamento do turismo por estado
Até o final do ano, pelas estimativas da FecomercioSP, o crescimento irá continuar. A expectativa é de um aumento de 4% no faturamento do Turismo em 2026, com o total anual se aproximando de R$ 300 bilhões, um patamar inédito para o setor.
Questionada sobre os motivos que levaram a esses recordes, a entidade aponta uma combinação de fatores: o mercado de viagens corporativas aquecido e a valorização crescente do turismo de lazer.
“Sobretudo no pós-pandemia, viajar se tornou um desejo cada vez mais presente entre as famílias. Por isso, mesmo diante de um orçamento mais apertado, o turismo acaba sendo priorizado. E há uma capacidade muito grande de adaptação: se uma passagem aérea para um destino mais distante fica cara, a família pode optar por uma viagem mais próxima, de carro ou com veículo alugado, reduzindo distâncias ou escolhendo uma hospedagem mais perto”, afirma Guilherme Dietze, presidente do Conselho de Turismo da FecomercioSP.
Praia em Morro de São Paulo, destino turístico na Bahia
Malu Vieira/ g1 BA
Turismo internacional cresce no Brasil

Do campo ao Planalto: os problemas que o agro quer ver resolvidos pelo próximo presidente

MELQUIZEDEQUE ALMEIDA via Pexels
O próximo presidente vai encontrar um agronegócio que, apesar de sua importância para a economia brasileira, ainda enfrenta gargalos que não devem ser resolvidos em um único mandato.
Endividamento e crédito caro, baixa cobertura do seguro rural, perdas provocadas por eventos climáticos extremos, dificuldades de infraestrutura, dependência de insumos importados e barreiras para ampliar mercados estão entre os problemas apontados por especialistas ouvidos pelo g1 e pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag).
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A entidade propõe cinco frentes de políticas públicas para enfrentar essas questões. Especialistas, porém, ressaltam que os desafios têm dimensões diferentes e que algumas soluções dependem de ações contínuas do governo e da iniciativa privada.
As propostas são:
Política nacional de financiamento, seguro rural e resiliência climática da agroindústria: criação de um marco plurianual para ampliar os recursos destinados ao setor, incluindo um Fundo Nacional de Catástrofes Climáticas.
Política industrial para fortalecer as cadeias estratégicas da agroindústria brasileira: estímulo à produção de insumos, para garantir a competitividade da indústria brasileira, eliminando o “passivo regulatório” para agilizar a aprovação de novas tecnologias.
Política nacional de governança, planejamento e financiamento de infraestrutura agroindustrial: modernização e harmonização dos processos de licenciamento e autorização de empreendimentos de infraestrutura.
Política nacional de comunicação, educação e valorização da agroindústria: ações permanentes para ampliar o conhecimento sobre a contribuição do setor para a segurança alimentar, a sustentabilidade, a inovação e o desenvolvimento econômico.
Política nacional de inserção internacional e defesa da competitividade brasileira: enfrentamento de barreiras tarifárias e não tarifárias, com atuação coordenada entre governo, instituições de pesquisa e setor produtivo.
Agora no g1
Entenda o cenário de cada um dos cinco pontos e quais caminhos para enfrentá-los.
Financiamento e seguro rural
Para Felippe Serigati, pesquisador da Fundação Getulio Vargas (FGV) Agro, o principal gargalo do financiamento e do seguro rural é o custo. Segundo ele, os juros permanecem elevados devido ao endividamento dos produtores e ao aumento dos pedidos de recuperação judicial.
Por este motivo, os bancos estão mais seletivos na concessão de crédito.
Leandro Gilio, pesquisador do Insper Agro Global, explica que a inadimplência dos produtores acontece por causa dos prejuízos acumulados em safras seguidas, provocados por problemas climáticos, juros altos e custos elevados de produção.
“Isso vai tendo um efeito em cadeia, prejudicando os investimentos antes da produção. Por isso que, nesse momento, o governo tem de agir de uma maneira um pouco mais forte para tentar evitar que esse processo acabe consumindo os investimentos no setor”, diz.
Atualmente, apenas 3% da produção agropecuária está coberta por seguro, segundo o pesquisador.
Para Serigati, da FGV, o ajuste também precisa envolver credores e devedores. “Os credores vão demandar algum tempinho para que eles possam ajustar novamente suas carteiras de crédito rural. Do lado dos tomadores desse crédito, eles têm de ter as contas mais bem organizadas, para conseguir sinalizar as suas reais condições de pagar”, afirma.
Além disso, ele explica que algumas instituições financeiras evitam esse tipo de crédito por causa do custo para operá-lo, gerado pela taxa Selic e pela percepção de risco, principalmente diante da instabilidade climática.
Na quarta-feira (30), o Diário Oficial da União publicou a lei 15.526/2026, que funcionará como um novo marco regulatório para o seguro rural no país. Ele já atende diversos dos pedidos feitos pela Abag, como a a regulamentação do Fundo de Catástrofe, voltado para os prejuízos causados pelo clima.
Além disso, a nova lei também determina que as despesas com a subvenção ao prêmio do seguro rural tenham caráter obrigatório. Para a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), isso vai vai evitar o contingenciamento de recursos e traz uma blindagem no orçamento.
Até então, o seguro rural não era uma despesa obrigatória e era uma das primeiras áreas a sofrer cortes, explica Serigati, pesquisador da FGV.
Segundo Gilio, muitas vezes, critérios previstos nas políticas de crédito rural não são cumpridos e que até linhas financiadas pelo Plano Safra são de difícil acesso para o produtor. O pesquisador diz que o governo precisa investir no setor, por se tratar de uma atividade estratégica para a economia do país.
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Cadeias estratégicas
Para os especialistas, a dependência de fertilizantes importados é, hoje, o principal problema dentro desse tema. O Brasil importa cerca de 80% dos adubos químicos que consome, e parte relevante dos fornecedores está em países envolvidos em guerras ou em rotas afetadas por conflitos, como o Estreito de Ormuz.
O Brasil já conta com o Plano Nacional de Fertilizantes, que busca aumentar a independência do país nessa área. No entanto, seus resultados são de longo prazo. Além dos investimentos, é necessário que haja fontes de potássio, fósforo e nitrogênio disponíveis para exploração.
“A gente tem matéria-prima para alguns produtos, mas, para outros, a gente não tem. Vamos continuar dependendo de um certo volume de importação”, diz Carlos Eduardo de Freitas Vian, da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz Esalq-USP.
Enquanto o plano não é concretizado, o Brasil deveria diversificar os fornecedores, para ficar menos exposto aos conflitos, afirma Serigati, da FGV. A Abag também pede para aumentar a fabricação de maquinários no Brasil. Contudo, o pesquisador afirma que o país até exporta esses itens.
Para Vian, a principal dependência está nos componentes dos maquinários, como os chips. Na avaliação dele, é inviável trazer esse tipo de fabricação para o Brasil, já que o país não teria demanda suficiente.
O documento da Abag também cita um “passivo regulatório” que atrasa a aprovação de novas tecnologias. Nesse caso, o professor da Esalq acredita que, de fato, isso acontece na aprovação de defensivos químicos, por causa da realização de testes de segurança, tanto ambientais, como para a saúde.
“Porque quando você agiliza esses processos, você pode estar deixando de visualizar alguma outra coisa. Então é um problema mesmo que, para mim, é de difícil solução”, afirma.
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Infraestrutura agroindustrial
O Brasil enfrenta um grande desafio quando se fala de infraestrutura para que em apenas um mandato presidencial consiga se resolver, afirma Serigati.
“Estamos falando de, em um prazo de quatro anos, um aumento de quase 100 milhões de toneladas, equivalente à safra da Argentina. A infraestrutura tem muita dificuldade de crescer no mesmo ritmo que a produção agropecuária”, diz.
Entre os principais gargalos logísticos estão a baixa capacidade de armazenamento e as condições precárias de parte das estradas.
“É uma questão bastante grave, que eleva muito o custo e que acaba atingindo diretamente a margem do produtor agrícola e isso requer também uma ação pública”, afirma Gilio.
A falta de armazenamento adequado também provoca perdas de produtos agrícolas. Um dos entraves apontados pelo pesquisador é a demora na concessão de licenças ambientais para obras.
“Porque às vezes os projetos ficam simplesmente parados, são produtos que às vezes são urgentes, já têm às vezes financiamento para fazer, já têm estudos ambientais feitos, e aí, dentro da máquina pública, essas licenças acabam ficando presas”, afirma.
Outra melhoria que ele acredita que poderia ser feita é a maior integração entre os modais de transporte, como ferrovias e hidrovias, reduzindo a dependência das estradas.
Para Vian, da Esalq, a conectividade no campo também é um gargalo de infraestrutura. “Não adianta nada se você tem uma máquina conectada, se você não tem como transferir dados”, afirma.
Mais de 1,3 milhão de domicílios rurais não tinham acesso à internet em 2024, o equivalente a 15% do total, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O pesquisador do Insper pontua ainda que se trata de um problema de décadas e que levaria tempo para ser solucionado. Além disso, a iniciativa privada também precisaria investir nisso. No entanto, ele acredita que o próximo presidente poderia criar uma política de Estado voltada a garantir segurança jurídica para os investimentos.
Serigati explica que o financiamento de obras de infraestrutura é mais complexo e que o setor público não dispõe de recursos suficientes para atender toda a demanda. Por isso, a participação da iniciativa privada também seria necessária.
“E aí os instrumentos são variados: concessão, privatização ou parceria público-privada”, afirma.
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Comunicação e valorização da agroindústria
O agronegócio enfrenta um problema de imagem dentro do próprio Brasil e no exterior, pontua Vian. Para ele, o setor precisa realmente de um plano de comunicação que valorize seus pontos fortes, mas que também demonstre disposição para corrigir fragilidades.
Segundo o professor, o governo federal já conta com mecanismos voltados a esse objetivo, mas eles podem ser aprimorados. “Eu acho que a gente precisa preparar melhor os nossos representantes, embaixadores, para falar de uma forma institucional, mas acho que a iniciativa privada, as associações, todo mundo de alguma maneira tem o seu papel nisso”, afirma.
Para Serigati, uma política pública articulada com iniciativas do setor ajudaria a posicionar o Brasil nas negociações com outros países e ampliar a abertura de mercados.
Gilio afirma que outros países têm mais sucesso que o Brasil em criar uma marca internacional dos seus produtos agrícolas. “A gente tem alguns exemplos claros, como o café colombiano”, diz. “Esses produtos passam a ser desejados pela própria origem”, completa.
De acordo com o pesquisador do Insper, cabe também ao setor cumprir as políticas públicas, como a de combate ao desmatamento, para colaborar com a imagem. Ele ressalta que essa não é uma ação que possa ser concluída por um único governo e que seus resultados demandam vários anos.
Inserção internacional e competitividade
O mercado internacional vive uma nova configuração, em que, além de produzir de forma competitiva, os países precisam manter um diálogo com os compradores e esse é o desafio do Brasil neste tema, afirma Serigati.
Gilio afirma que o Brasil ainda tem poucos acordos comerciais de longo prazo. Por exemplo, o país deveria ter um acordo com a China, principal cliente do setor.
“Nesse mundo de guerra comercial, em que as barreiras crescem, as tarifas crescem por um lado, as restrições sanitárias por outro. É importante o país trabalhar um pouco mais em construir pontes para que a gente consiga garantir esses mercados”, diz.
Segundo ele, os acordos geram previsibilidade, o que também favorece os investimentos privados no país. O pesquisador da Insper acredita também que o Brasil deveria se antecipar mais a possíveis restrições que os países parceiros venham a criar.
Um exemplo é o caso da proibição de antimicrobianos na produção animal, criada pela União Europeia. O Brasil só reagiu após a divulgação oficial da medida, embora ela já fosse amplamente esperada.
Outra questão é que o Brasil exporta grandes volumes, mas concentra as vendas em poucos países, o que representa um risco para o mercado.
Para Serigati, o esforço de se fazer presente nas mesas de negociação internacionais cabe ao governo, o que já tem sido feito pelo Brasil ao longo dos anos, mas também da iniciativa privada, como associações.
Vian, da Esalq, concorda que essa parceria é necessária. Ele afirma que o Brasil já conta com uma legislação sanitária e ambiental sólida e precisa defender esses pontos nas negociações internacionais.
Além disso, cada setor tem de estar preparado para as regras do país que deseja atender, afirma. Isso torna mais fácil negociar os termos das comercializações por produto, por exemplo, do que em um âmbito mais amplo, diz.
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CGU abre concurso com 60 vagas e salário inicial de R$ 20 mil; veja como participar

Fachada da Controladoria-Geral da União (CGU)
Kenzo Suzuki ASCOM/CGU
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A Controladoria-Geral da União (CGU) publicou nesta sexta-feira (9) o edital de um novo concurso público com 60 vagas imediatas, além da formação de cadastro de reserva.
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➡️ VEJA O EDITAL COMPLETO
As oportunidades são destinadas a candidatos com nível superior, com salário inicial de R$ 20 mil e jornada de trabalho de 40 horas semanais. As vagas estão distribuídas em quatro cargos:
Auditoria: 30 vagas;
Tecnologia da Informação (TI) – Ciência de Dados: 10 vagas;
TI – Infraestrutura de TI: 10 vagas;
TI – Desenvolvimento de Sistemas: 10 vagas.
Para o cargo de Auditoria, são oferecidas 20 vagas na sede da CGU, em Brasília, e outras 10 distribuídas entre as unidades regionais do Acre, Amapá, Mato Grosso, Rondônia e Roraima, com duas vagas em cada estado.
As três áreas de Tecnologia da Informação (TI) têm lotação no Distrito Federal e oferecem 10 vagas imediatas cada.
Agora no g1
O concurso prevê a possibilidade de aprovação de até 368 candidatos no total, incluindo os classificados dentro do número de vagas imediatas.
Desse limite, até 206 aprovados serão para o cargo de Auditoria e até 54 para cada uma das três especialidades de Tecnologia da Informação (TI). Os candidatos aprovados além das vagas imediatas poderão compor o cadastro de reserva.
O concurso reserva 5% das vagas para pessoas com deficiência (PcD). Além disso, 30% das oportunidades são destinadas a ações afirmativas: 25% para pessoas pretas e pardas, 3% para indígenas e 2% para quilombolas.
As inscrições estarão abertas de 10 de outubro a 4 de novembro de 2026, exclusivamente pela internet, no site do Centro Brasileiro de Pesquisa em Avaliação e Seleção e de Promoção de Eventos (Cebraspe), banca responsável pela organização do concurso.
A taxa de inscrição é de R$ 170, com pagamento até 6 de novembro. Podem solicitar isenção da taxa candidatos inscritos no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico) e doadores de medula óssea cadastrados em entidades reconhecidas pelo Ministério da Saúde.
O pedido de isenção deverá ser feito entre 10 e 16 de outubro. Já as provas objetiva e discursiva serão aplicadas em 13 de dezembro, em todas as capitais do país (veja o cronograma completo abaixo).
A avaliação será dividida em dois turnos. Pela manhã, os candidatos responderão à prova objetiva, com duração de cinco horas. À tarde, será aplicada a etapa discursiva, com duração de três horas e meia.
A prova objetiva terá 170 itens no modelo de julgamento “certo ou errado”, distribuídos em três blocos: 40 de conhecimentos básicos, 40 de conhecimentos complementares e 90 de conhecimentos específicos.
Já a prova discursiva será composta por duas questões. A primeira abordará conhecimentos complementares e valerá 30 pontos. A segunda apresentará uma situação-problema relacionada à área específica do cargo e valerá 70 pontos.
Os locais e horários individuais de aplicação das provas serão divulgados em 2 de dezembro. Os candidatos deverão comparecer ao local designado com pelo menos uma hora de antecedência em relação ao início da avaliação.
O concurso terá validade de dois anos, contados a partir da homologação do resultado final no Diário Oficial da União (DOU), podendo ser prorrogado uma única vez por igual período.
🗓️ Cronograma
Inscrições: de 10 de outubro a 4 de novembro de 2026
Solicitação de isenção da taxa: de 10 a 16 de outubro de 2026
Prazo final para pagamento da taxa de inscrição: 6 de novembro de 2026
Consulta aos locais de prova: 2 de dezembro de 2026
Aplicação das provas objetiva e discursiva: 13 de dezembro de 2026
Resultado definitivo das provas objetivas: 14 de janeiro de 2027
Resultado final da prova discursiva e resultado final do concurso: 15 de abril de 2027

Dólar abre em queda, com dados de inflação no foco

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (9) em queda, com um recuo de 0,47% perto das 9h10, cotado a R$ 5,0006. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
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▶️A inflação brasileira é o principal destaque da sessão. O indicador subiu 0,82% em setembro, após a deflação de 0,32% registrada no mês anterior. O avanço foi puxado principalmente por Habitação, por conta do fim do bônus de Itaipu nas contas de eletricidade, e por Transportes, com aumento das passagens aéreas e dos combustíveis. Na agenda internacional, dados de confiança do consumidor dos Estados Unidos ficam no radar.
▶️ As incertezas sobre o conflito no Oriente Médio também continuam a influenciar os preços do petróleo no mercado internacional. Na véspera, Donald Trump afirmou que não atacaria o Irã antes das eleições de meio mandato, citando conversa “produtivas” com Teerã. Ainda assim, o bloqueio naval às exportações iranianas e os novos ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz continuam a trazer dúvidas sobre a duração do conflito e sobre os impactos nos preços de energia globais.
Os preços do petróleo operavam em queda nesta sexta-feira. Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, caía 1,49%, cotado a US$ 102,73. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência dos EUA, recuava 1,03%, a US$ 90,55 o barril.
▶️ No cenário eleitoral, novas pesquisas eleitorais indicaram vantagem de Flávio Bolsonaro no 2º turno. Segundo a pesquisa Datafolha, o candidato do PL deve ficar com 49% das intenções de voto no segundo turno, enquanto Lula (PT) deve ficar com 45%. Leia mais.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -3,67%;
Acumulado do mês: -2,90%;
Acumulado do ano: -8,46%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +0,32%;
Acumulado da semana: +7,34%
Acumulado do mês: +10,67%;
Acumulado do ano: +27,99%.
Flávio na vantagem
A primeira pesquisa Datafolha do 2º turno mostra que Flávio Bolsonaro (PL) tem 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula (PT). O Datafolha diz que a distância de quatro pontos entre eles configura um empate técnico no limite da margem de erro, que é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos, com maior probabilidade de Flávio Bolsonaro estar à frente.
Em votos válidos, Flávio Bolsonaro tem 52%, e Lula, 48%. O levantamento foi encomendado pela Globo e pela Folha de S.Paulo.
Veja intenção de voto por região, gênero, idade, identificação política, cor e religião
A pesquisa também indicou que 49% dos eleitores desaprovam o governo do presidente Lula (PT), candidato à reeleição, enquanto 48% aprovam.
A pesquisa anterior, divulgada há uma semana, mostrava cenário idêntico: 49% desaprovavam e 48% aprovavam o governo.
O Datafolha ouviu 2.520 pessoas de 16 anos ou mais entre os dias 6 e 7 de outubro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%. O número de registro da pesquisa na Justiça Eleitoral é BR-0949/2026.
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Bolsas globais
Na Ásia, os mercados fecharam mistos nesta sexta-feira, em uma semana de negócios reduzida por feriados em alguns dos principais índices acionários da região. Uma onda de vendas de ações relacionadas à inteligência artificial influenciou parte dos mercados da região.
O SSEC, índice de Xangai, subiu 0,05%, enquanto o CSI300, índice que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,16%. Entre os demais índices da região, o Nikkei, do Japão, recuou 0,02% e o Hang Seng, de Hong Kong, valorizou 1,79%.
O Kospi, da Coreia do Sul e o Taiex, de Taiwan, permaneceram fechados.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Cédulas de dólar
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