Trump cria comitê para investigar Lisa Cook, diretora do Fed, diz Casa Branca

Montagem mostra Lisa Cook e Donald Trump
SAUL LOEB and ANDREW CABALLERO-REYNOLDS / AFP
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a criação de um comitê para investigar Lisa Cook, diretora do Federal Reserve (Fed), o banco central americano, segundo um comunicado publicado no site da Casa Branca nesta sexta-feira (9).
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“Para me auxiliar no cumprimento dessa responsabilidade, o comitê deverá investigar as acusações contra a diretora Cook e me informar se há ‘justa causa’ para sua destituição”, diz o comunicado, datado de 7 de outubro.
O comitê realizará uma audiência presencial na Casa Branca “para analisar as provas e as acusações contra a diretora”, segundo o memorando presidencial. O documento estabelece que a audiência terá duração máxima de quatro horas.
A criação do comitê é mais um passo na tentativa de Trump de retirar Cook do cargo. Trump já havia tentado demitir Cook em 2025, acusando-a de cometer fraudes hipotecárias, o que ela nega.
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A diretora, que é a primeira mulher negra a ocupar esse posto no Fed, afirmou que as acusações eram um pretexto de Trump para afastá-la do cargo por divergências sobre a condução da política monetária.
Em junho deste ano, a Suprema Corte dos Estados Unidos bloqueou temporariamente sua demissão, por entender que o presidente não havia garantido a ela as condições previstas em lei para contestar as acusações.
Em agosto, a Casa Branca retomou a ofensiva e enviou uma carta à diretora, informando que Trump considerava afastá-la. O documento deu a Cook três semanas para responder as acusações. Na ocasião, seu advogado, Abbe D. Lowell, classificou as alegações como “sem fundamento” e afirmou que não havia causa válida para a demissão.
Ao barrar temporariamente a demissão, por 5 votos a 4, a Suprema Corte não analisou se as acusações eram verdadeiras. A decisão determinou que Cook deveria ter a oportunidade de se defender e devolveu o caso às instâncias inferiores da Justiça.
Cook foi nomeada para a diretoria do Fed em 2022 pelo então presidente Joe Biden, do Partido Democrata, e reconduzida em 2023 para um mandato que vai até 2038.
Desde a criação do banco central americano, em 1913, nenhum outro presidente havia tentado retirar um governador do Federal Reserve.

Governo zera tributos sobre gasolina e publica MP que libera R$ 7,5 bilhões para segurar preço do diesel

A 16 dias do segundo turno das eleições, a equipe econômica do governo Lula anunciou nesta sexta-feira (9) uma série de medidas, com custo de R$ 5,2 bilhões ao mês, para conter o preço dos combustíveis, como a redução a zero de tributos sobre a gasolina, além da prorrogação da desoneração do etanol.
As medidas, tomadas em meio ao período eleitoral, têm o objetivo de evitar uma alta nos preços dos combustíveis, amenizando os efeitos da elevação do preço do petróleo em decorrência dos conflitos no Oriente Médio.
Os conflitos elevaram o preço do petróleo Brent para patamares superiores a US$ 100 por barril, mais de 40% acima do valor pré-guerra. Diante disso, o governo anunciou:
Gasolina: um novo decreto que zera por 30 dias, com possibilidade de prorrogação, os tributos federais (PIS/Pasep, Cofins e CIDE-Combustíveis) incidentes sobre a importação e comercialização de gasolina. A redução anterior de R$ 0,63 foi ampliada, alcançando um corte total de R$ 0,89 por litro. O custo total por mês passou R$ 2,4 bilhões, uma elevação de R$ 700 milhões.
Etanol: foi prorrogada a desoneração do etanol hidratado em R$ 0,19 por litro, e a subvenção econômica aos produtores e cooperativas subiu de R$ 0,25 para R$ 0,43 por litro. O impacto fiscal combinado das medidas para gasolina e etanol é estimado em R$ 3,6 bilhões para 2026, com compensação garantida por receitas extraordinárias de petróleo da União.
Diesel: concessão de uma subvenção adicional aos importadores de óleo diesel rodoviário de R$ 1,40 por litro, valor que se soma aos R$ 2,12 por litro já vigentes, por um período de 30 dias, totalizando um custo estimado de R$ 1,6 bilhão para assegurar a continuidade das importações e o abastecimento do país.
Além disso, foi publicada nesta sexta uma medida provisória (MP) que libera R$ 7,5 bilhões para o Ministério de Minas e Energia. A maior parte dos recursos, R$ 6,17 bilhões, será destinada à subvenção para a produção e a importação de óleo diesel de uso rodoviário. Já o valor restante, R$ 1,35 bilhão, será direcionado à produção e à importação de combustíveis derivados de petróleo.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que, embora as medidas tenham sido anunciadas em meio ao período eleitoral, as decisões do governo não têm relação com a disputa presidencial.
Crise no Oriente Médio faz preço do petróleo disparar
“Não tem ligação com o momento eleitoral. Começamos a fazer isso há um tempo e seguimos o padrão de não sermos sócios da guerra e não termos aumento de combustível”, declarou Durigan.
Já o ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou que o governo tem a expectativa de que as medidas gerem até uma redução no preço dos combustíveis na bomba.
“No caso da gasolina, a gente precisava renovar o decreto. Se não chegar nos preços pré-guerra, garantir um dispositivo adicional para que a gente mitigue os preços e temos expectativa de que isso seja repassado para a bomba. Na verdade, quando você olha o país, à luz do quadro internacional, somos os menos impactados pelos efeitos da guerra”, disse Moretti.
Ao ser questionado sobre o imposto de exportação de petróleo, o ministro do Planejamento voltou a dizer que o tributo é de caráter regulatório e não serve para custear medidas. Reafirmou, ainda, que,  enquanto o Brent se mantiver acima de U$100 por barril, a cobrança permanece. 
“O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) monitora a situação do Brent, do setor de óleo e gás, e, tão logo haja condição de retirar o tributo, será retirado, pois o mecanismo é temporário”, complementou Moretti.
Durante entrevistas à imprensa, os ministros também descartaram a possibilidade de falta de abastecimento de combustíveis no país.
Fiscalização
A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), segundo o governo, continuará encarregada de habilitar os participantes, acompanhar os preços e efetuar o pagamento das subvenções.
Em paralelo, o Ministério da Justiça e Segurança Pública, através da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) e do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, vai realizar a fiscalização nos postos e distribuidoras de todo o país.
Redução de tributos federais sobre gasolina foi ampliada de R$ 0,63 para R$ 0,89 por litro, segundo o governo
Divulgação

87% dos brasileiros consideram comprar carro elétrico; preço da gasolina pesa na decisão

O que motivou a mudança de carro 100% elétrico para híbrido
O preço dos combustíveis é um dos principais fatores que levam motoristas brasileiros a considerar a compra de um carro elétrico.
Segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, 78% dos entrevistados que cogitam comprar um veículo desse tipo apontam a possibilidade de economizar com combustível por quilômetro rodado ou no longo prazo como um dos atrativos.
O levantamento, realizado em julho, também mostra que do total de motoristas consultados, 87% considerariam comprar um carro elétrico. Desse total, 50% afirmam que “certamente” comprariam um veículo desse tipo, enquanto 37% dizem que “provavelmente” fariam a aquisição.
O tema ganha relevância nesta sexta-feira (9), quando o governo Lula anunciou medidas com custo estimado em R$ 5,2 bilhões por mês para conter a alta dos combustíveis, incluindo a redução a zero dos tributos federais sobre a gasolina por 30 dias, com possibilidade de prorrogação.
A decisão ocorre em meio à pressão sobre os preços do petróleo provocada pelos conflitos no Oriente Médio.
Governo zera tributos sobre gasolina e publica MP que libera R$ 7,5 bilhões para segurar preço do diesel
Sustentabilidade também entra na conta
Além da economia com combustível, outros fatores pesam na escolha. A sustentabilidade é citada por 61% dos entrevistados que consideram a compra, seguida pela tecnologia mais avançada, mencionada por 56%, e pelo maior conforto, apontado por 51%.
A percepção de vantagem financeira também aparece quando os motoristas avaliam os custos ao longo do tempo.
Para 76% dos entrevistados, mesmo que um carro elétrico custe mais na compra, a economia posterior compensa o investimento.
Mas há quem discorde. Outros 24% consideram que gastar menos com combustível não justificaria o valor desembolsado para adquirir o veículo.
Alta do petróleo justifica a compra?
A pesquisa também indica que a alta do petróleo reforça o interesse pela eletrificação. Em julho, 84% dos motoristas já afirmavam que o encarecimento da matéria-prima torna os carros elétricos ainda mais atrativos.
🔎 Com os conflitos geopolíticos, o preço dos barris Brent e WTI está oscilando entre US$ 90 e US$ 110. No fechamento de quinta-feira (8), ficaram cotados a US$ 104,13 e US$ 91,35, respectivamente.
A experiência de amigos e conhecidos tambémcontribui para essa percepção. Segundo o Instituto Locomotiva, 69% dos motoristas conhecem alguém que possui um carro elétrico. Entre aqueles que conhecem proprietários, 92% dizem que essas pessoas falam bem dos veículos.
Entre os motoristas que já têm carros elétricos ou híbridos, a intenção de compra é ainda maior: 98% considerariam adquirir outro veículo elétrico, sendo que 85% afirmam que certamente fariam isso e 13% dizem que provavelmente comprariam novamente.
Preço desagrada
O preço de aquisição, porém, continua sendo um obstáculo. Para 84% dos entrevistados, se os carros elétricos fossem mais baratos, aumentaria a chance de compra.
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“O ponto de tensão está em transformar essa disposição em compra: enquanto o preço de entrada continuar alto, parte desse interesse não vira acesso. O próximo passo da eletrificação é aproximar o custo de compra da economia que o consumidor já percebe no uso, além de facilitar as opções de recarga”, afirma Renato Meirelles, presidente do Instituto Locomotiva.
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Exportações brasileiras de carne bovina para os EUA sobem 524%

Exportadores brasileiros de carne bovina não podem mais vender para a União Europeia
As exportações brasileiras de carne bovina para os Estados Unidos dispararam 524,3% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2025, segundo levantamento da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham).
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O avanço, porém, não foi suficiente para reverter a queda das vendas brasileiras ao mercado americano no acumulado do ano, em um período marcado pelas sobretaxas impostas pelo governo de Donald Trump a produtos brasileiros.
De janeiro a setembro, as exportações do Brasil para os Estados Unidos somaram US$ 27,5 bilhões, uma queda de 6,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
O valor representa uma redução de US$ 1,9 bilhão e é o menor para os nove primeiros meses do ano desde 2023.
Em setembro, entretanto, houve recuperação. As exportações brasileiras para os americanos alcançaram US$ 3,5 bilhões, alta de 31,9% em relação ao mesmo mês de 2025.
O crescimento foi impulsionado tanto pelo aumento da quantidade de produtos vendidos, de 3,1%, quanto pela elevação de 28% no preço médio das mercadorias exportadas.
🔎 O salto da carne bovina ocorreu em meio às sobretaxas aplicadas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. O item está entre as exceções às tarifas adicionais impostas pelo presidente americano, assim como café solúvel, mel orgânico e pescados, como a tilápia.
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Carne bovina dispara, enquanto outros produtos recuam
O desempenho positivo da carne também aparece no acumulado do ano. Entre janeiro e setembro, as vendas de carne bovina ao mercado americano cresceram 82,9%, alcançando US$ 1,72 bilhão.
“Além da cota adicional de importação iniciada em setembro, a demanda dos EUA é impulsionada pela restrição na oferta interna de gado, consequência da fase de baixa do ciclo pecuário americano”, explica a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (ABIEC).
O resultado contrasta com o de outros produtos importantes da pauta exportadora brasileira.
No mesmo período, as vendas de petróleo bruto aos Estados Unidos caíram 35,8%, enquanto as de café não torrado recuaram 20%.
As exportações de produtos semiacabados de ferro, que ainda precisam passar por outras etapas de fabricação antes de se tornarem produtos finais, diminuíram 4,3%.
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Exportações brasileiras perdem força nos principais setores
A queda das vendas aos Estados Unidos também aparece nos três grandes setores da economia:
Agropecuária;
Indústria extrativa; e
Indústria de transformação, que reúne produtos industrializados.
Entre janeiro e setembro, as exportações brasileiras para o mercado americano recuaram 17,8% na agropecuária, 32% na indústria extrativa e 1,2% na indústria de transformação.
O desempenho foi diferente nos demais mercados internacionais. Excluídos os Estados Unidos, as exportações brasileiras cresceram 8,9% na agropecuária, 21,2% na indústria extrativa e 6,3% na indústria de transformação.
Apesar da retração, os produtos industrializados continuaram concentrando a maior parte das vendas brasileiras aos americanos, com 84,4% do total exportado entre janeiro e setembro.
A queda de 1,2% nas exportações desse setor foi a primeira para o período desde 2020, ano marcado pela pandemia de COVID-19. Mesmo assim, os Estados Unidos permaneceram como o principal destino dos produtos industrializados brasileiros, à frente da União Europeia, da China e do Mercosul.
Produtos sobretaxados acumulam perdas no ano
As exportações de produtos brasileiros sujeitos a tarifas adicionais dos Estados Unidos também apresentaram recuperação em setembro, mas continuam em queda no acumulado de 2026.
No mês, as vendas desses produtos cresceram 28,1% em valor, para US$ 1,46 bilhão. Entre os itens submetidos às tarifas mais elevadas, de 25% a 37,5%, a alta foi de 27,8%, para US$ 466,5 milhões.
De janeiro a setembro, porém, as exportações desse último grupo recuaram 25,4%, o equivalente a US$ 1,4 bilhão a menos em vendas.
Entre os dez produtos mais exportados aos Estados Unidos sujeitos a tarifas adicionais de 25% ou 37,5%, nove registraram queda no acumulado do ano. As maiores retrações citadas incluem:
Madeira de coníferas, com recuo de 50,6%;
Granitos trabalhados, com queda de 34,1%; e
Sebo bovino, com diminuição de 33,4%.
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Importações dos Estados Unidos crescem pelo terceiro mês seguido
Na direção oposta à das exportações, as importações brasileiras de produtos americanos voltaram a crescer em setembro. As compras somaram US$ 4,43 bilhões, alta de 2,1% em relação ao mesmo mês de 2025. Foi o terceiro mês consecutivo de crescimento, após sete meses de queda.
O avanço foi puxado principalmente pelos combustíveis, cujas importações aumentaram 108,5% em setembro. Entre janeiro e setembro, as compras brasileiras dessa categoria totalizaram US$ 6,86 bilhões, alta de 68,5% na comparação anual.
Apesar da recuperação mensal, as importações totais de produtos americanos caíram 7,1% no acumulado do ano, para US$ 31,8 bilhões.
Com as importações superiores às exportações, o Brasil acumulou déficit comercial de US$ 4,3 bilhões com os Estados Unidos nos nove primeiros meses do ano.
O resultado negativo, que indica que o país comprou mais do que vendeu ao mercado americano, foi 10,8% menor do que o registrado no mesmo período de 2025.
Imagem ilustrativa de carne bovina.
To Uyen/Unplash

Brasil tem 11 empresas entre os melhores empregadores do mundo; veja a lista

Agora no g1
O Brasil emplacou 11 empresas na edição de 2026 do ranking World’s Best Employers (“Melhores Empregadores do Mundo”, em português), elaborado pela revista Forbes em parceria com a consultoria Statista. A Petrobras foi a empresa brasileira mais bem colocada.
O estudo reuniu 900 empresas de 52 países e avaliou fatores como salário, oportunidades de crescimento, equilíbrio entre vida pessoal e profissional e reputação corporativa. Além da Petrobras, aparecem na lista nomes como Embraer, Vale, Natura&Co., Banco do Brasil, Nubank, Bradesco e Suzano.
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As 11 representantes do Brasil
g1
No topo do ranking global está a Microsoft. Para identificar os melhores empregadores do mundo, a Forbes e a Statista entrevistaram mais de 300 mil trabalhadores.
A pesquisa foi realizada online e de forma independente, garantindo o anonimato dos participantes. Os entrevistados avaliaram seus empregadores atuais, antigos empregadores dos últimos dois anos e empresas que conheciam por experiência profissional ou por indicação de amigos e familiares.
Somente empresas com mais de 1 mil funcionários e atuação internacional puderam entrar no ranking. As respostas foram combinadas com dados acumulados dos três anos anteriores. As avaliações mais recentes e as opiniões dos funcionários atuais tiveram peso maior na nota final.
Top 10 Empregadores Globais
G1
Petrobras no top 100
A Petrobras foi a brasileira mais bem colocada no ranking, na 74ª posição mundial. A estatal brasileira ficou à frente de empresas como Netflix, Amazon, Heineken, Mercedes-Benz Group e Mastercard.
Atrás da Petrobras aparece a Embraer, na 132ª posição. A fabricante brasileira de aeronaves é seguida pela Metalúrgica Gerdau, na 274ª colocação, e pela Vale, em 278º lugar.
O que as melhores empresas para trabalhar têm em comum?
O ranking chega em um momento em que a satisfação dos trabalhadores é um desafio para empresas de todo o mundo.
Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, produzido pela Gallup, apenas 20% dos profissionais afirmam estar engajados no trabalho. Ao mesmo tempo, 40% relatam níveis elevados de estresse diariamente.
Nesse contexto, organizações que oferecem um ambiente saudável, oportunidades de crescimento e boas condições de trabalho tendem a se destacar. Embora atuem em segmentos distintos, as organizações mais bem avaliadas compartilham algumas características.
Entre elas estão:
Investimento em treinamento e qualificação;
Planos de carreira estruturados;
Benefícios competitivos;
Incentivos ao bem-estar físico e mental;
Equilíbrio entre vida profissional e pessoal;
Cultura organizacional forte;
Ambientes que estimulam inovação e desenvolvimento.

'O Menino da Porteira' faz 71 anos: como a música virou filme, monumento e chegou ao Grammy

As conquistas de O Menino da Porteira que já foi premiado até com Grammy Latino
A música “O menino da porteira” completou 71 anos consagrada como uma das clássicas da cultura brasileira.
A canção composta por Ted Vieira e Luizinho virou ganhou monumento, virou filme e chegou até o Grammy Latino. Confira no vídeo acima.
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Sua gravação original aconteceu em 1955. Em 1973 foi regravada por Sérgio Reis. Segundo o cantor, a ideia de regravar aconteceu após um, baile de debutante, em que a música fez sucesso.
“Que violeiro não canta ‘O menino da porteira’? Onde você vai a turma canta junto”, diz Sérgio Reis.
Até o momento, a música já foi regravada 219 vezes, segundo o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad).
Entre 1975 e 1976, a música virou filme e o cantor foi o protagonista. A ideia foi do cineasta Jeremias Moreira, como um protesto contra a ditadura militar. No longa, o vilão, o “Major”, representa o regime. Sem sofrer censura, o filme fez sucesso e bateu recordes de bilheteria.
Em 2009, o longa ganhou uma nova versão. Dessa vez, o protagonista foi o cantor Daniel. As gravações ocorreram na fazenda do artista, que a disponibilizou para a equipe.
A trilha sonora do filme ganhou o Grammy Latino de 2009 na categoria “Álbum de música de raízes brasileira – regional nativa”.
Em 2001, Ouro Fino construiu um monumento ao Menino da Porteira na entrada da cidade.
Hoje, a canção continua chegando a pessoas que nem eram nascidas quando ela foi gravada. Ouro Fino, por exemplo, mantém uma escola de música gratuita para quem quer aprender os sons da cultura caipira, onde ela é ensinada.
Saiba mais da história da canção nos vídeos abaixo.
71 anos da música O Menino da Porteira
Como a música o Menino da Porteira foi criada
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Da oração à rede: tradição do pescado conecta rio, mar e tanques e movimenta a economia no ES

Da oração à rede: tradição do pescado conecta rio, mar e tanques e movimenta a economia
Antes de falar de peixe, o cacique Kara’í Perú e a mãe, Keretxu Emdey, de 86 anos, que é pajé da Aldeia Piraquê-Açu, em Aracruz, no Espírito Santo, abrem os braços e fazem orações no rio Rio Piraquê-Açu, que margeia a aldeia onde vivem. O canto, em guarani, pede proteção para os rios, para o mar e para os peixes. É também um pedido pela comunidade e por quem depende das águas para viver.
Não é uma oração qualquer. É uma bênção feita por mãe e filho para aquilo que, para os indígenas, representa muito mais do que uma paisagem.
O rio, como explica Perú, é parte da vida da comunidade. É onde as crianças aprendem a nadar, onde os meninos desenvolvem a pesca e de onde, durante muito tempo, veio parte do alimento que sustenta as famílias.
“O rio, para nós, é uma vida. É de onde a gente ‘tira peixe, tira outras coisa’ do rio pra poder alimentar nossa família. Deus criou o rio e a gente tem que cuidar dele”, disse o cacique.
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Ele ainda se lembra de um tempo em que era comum pescar tainha, robalo, pescadinha, vermelho e carapeba naquelas águas. Também se recorda dos peixes pulando e das crianças dentro da água. Hoje, ele diz, essa relação mudou.
“Eu mesmo tenho dez anos que não pesco nesse rio. Mais de dez anos! A gente não come peixe desse rio mais. Eu tenho que comprar porque não tem como”, relatou o indígena.
Ele relaciona as mudanças no rio Piraquê-Açu ao desastre de Mariana, em 2015. A associação feita pelo cacique faz parte da memória da comunidade, mas essa relação de causa e efeito ainda precisa de estudos ambientais mais específicos para ser comprovada.
Mas, o que Perú consegue afirmar a partir da própria experiência e vivência é que o rio já não é como antes. “O rio tá morto”, decretou o cacique.
Indígena faz reza para abençoar o Rio Piraquâ- Açu que fica às margens da aldeia onde vive em Aracruz
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Depois das transformações sofridas pelo rio, a comunidade passou a criar peixes em tanques. Foi a alternativa encontrada pelos indígenas após toneladas de rejeitos de minério terem contaminado leitos entre Minas Gerais e Espírito Santo.
Porém, segundo o cacique, como ainda há dúvidas sobre a qualidade da água e as condições do lençol freático da região, a opção mais segura para eles é comprar peixes com o “homem branco”, ou seja, fora da aldeia, pescados a quilômetros de distância dali.
A percepção do cacique Perú sobre a realidade dos indígenas de Aracruz evidencia a importância do pescado para a cultura e tradição de um povo. Ao mesmo tempo, a atividade representa sustento de famílias inteiras, gerando renda, e reforça seu impacto para a economia local.
Entre o rio, o mar e o tanque, o pescado movimenta uma cadeia inteira no Espírito Santo, entre pescadores, agricultores, pesquisadores, comerciantes, peixarias, restaurantes, indústrias de beneficiamento, cooperativas e consumidores.
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Uma cultura que precisa continuar viva
Quem tenta impedir que parte desse conhecimento adquirido com a pesca se perca é Rafael Viola, do Sindicato dos Pescadores do Estado do Espírito Santo (Sindipesca-ES).
Ao falar da atividade, ele não cita apenas barcos, espécies de peixes ou faturamento, e ele gosta de falar de pessoas.
“O pescador conhece a lua, o vento, o comportamento dos animais, os lugares onde eles aparecem e o momento certo de sair para o mar. É um saber construído ao longo de gerações. A pesca é uma cultura que está viva na mente do pescador. Por isso, quando ele morre, acaba”, disse Viola.
Pescado com rede em praia do Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
O problema, segundo Viola, é que o setor é formado por muitos pequenos atores espalhados pelo estado: pescadores, armadores, peixarias, distribuidores, fábricas de gelo, comerciantes e outros profissionais fazem parte de uma mesma cadeia, mas nem sempre conectados.
O sindicato tenta justamente aproximar essas pontas. A entidade reúne empresas, armadores, distribuidores, importadores, fábricas de gelo e lojas ligadas ao setor e procura construir pontes também com colônias, associações e federações de pescadores.
“A ideia é organizar uma cadeia que muitas vezes trabalha de forma fragmentada e fortalecer quem está na ponta”, defendeu.
Viola contou que um dos exemplos é o projeto Pesca Mais ES, desenvolvido em parceria com entidades do setor e órgãos públicos. A equipe percorre comunidades pesqueiras, ouve problemas e busca identificar soluções que possam ser construídas coletivamente.
Outra frente é a Semana do Pescado. Segundo o Sindipesca, a mobilização, que acontece anualmente, envolve dezenas de estabelecimentos e resultou na comercialização de aproximadamente 200 toneladas de pescados, com movimentação estimada em R$ 7,5 milhões.
Mais do que vender o peixe, a iniciativa tenta aproximar quem produz de quem compra. É uma forma de dar visibilidade aos profissionais que pescam no mar e nos rios ou fazem criações em tanques.
Da tradição à profissão
Numa das pontas dessa cadeia está Ianca de Oliveira Silva Lima, filha e neta de pescadores. Ela quer dar continuidado ao trabalho de décadas feito pela família.
Aos 30 anos de idade, ela cursa o 8º período de Engenharia de Pesca no Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), e foi atrás de conhecimento especializado para incrementar e dar fôlego aos negócios.
O pai ainda é pescador. O padrasto é peixeiro. O avô também foi pescador e dono de peixaria. A mãe trabalhou como lavradora, mas também com mariscos, sururu e camarão.
Ianca de Oliveira tem uma peixaria e faz faculdade de Engenharia da Pesca no Ifes de Piúma, no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Ianca cresceu limpando peixe, trabalhando com camarão, ajudando na peixaria e acompanhando a rotina da pesca. Ela também conhece o lado difícil da profissão.
“A pesca é sofrida, é uma atividade bonita para quem vê, mas na prática é sofrida”, afirmou.
Na pesca, o risco financeiro começa antes mesmo de o barco voltar. “O pescador sai para o mar sem saber exatamente quanto vai conseguir capturar e, muitas vezes, sem saber se a venda da produção vai compensar os gastos da viagem, como combustível, gelo e alimentação”, contou, lembrando de quando o pai chegava a passar 15, 30 e 45 dias no mar em viagens de trabalho.
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Para Ianca, a dificuldade e a falta de previsibilidade ajudam a explicar por que tantos jovens não querem seguir o mesmo caminho. Ela contou que alguns pescadores mais velhos chegam a desencorajar os filhos e netos a entrar no setor.
Mas ela escolheu outro caminho. Em vez de deixar o pescado para trás, decidiu se profissionalizar. Em paralelo à faculdade, Ianca mantém, há cerca de três anos, a própria peixaria, com entregas para clientes, restaurantes e compradores até de Minas Gerais.
Ela quer continuar com o negócio e, ao mesmo tempo, trabalhar como engenheira de pesca. Ianca quer ser uma ponte entre o conhecimento adquirido na faculdade e a comunidade de pescadores que, segundo ela, tem pouco acesso a informações sobre direitos, documentação, licenças e mudanças nas regras da atividade.
“Depois de formada, meu desejo é continuar trabalhando com a minha peixaria e levar o conhecimento e as informações à classe, ajudar naquilo que for possível, porque eu sempre digo que eu sou uma defensora da pesca. Então, eles sempre podem contar comigo. E o que eu posso fazer para ajudar, seja na compra do pescado, seja na valorização, eu tô aí”.
A ideia dela é fazer o caminho de ida e volta. Levar para a universidade o saber de quem vive da pesca e devolver à comunidade o que aprendeu nos estudos. É uma nova forma de permanecer no setor. Não abandonar as raízes, mas acrescentar conhecimento a elas.
Quando o peixe entra na propriedade
Frederico Sassemburg cria tilápia em tanque na propriedade da família no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Essa combinação entre atividade que vem de raiz e conhecimento também aparece em outra ponta da cadeia. Em Domingos Martins, na Região Serrana do estado, o pescado aparece entre paisagens como pés de café, eucalipto, pastagem, mexerica, banana e gado.
Foi nesse cenário que a propriedade da família Sassemburg Pereira, em Ponto Alto, começou a criar tilápias. A família tem oito tanques, mas apenas dois estão sendo usados atualmente para criação. Os outros seis servem como estoque de água. Cada tanque pode receber cerca de 10 mil animais.
A piscicultura começou como uma fonte complementar de renda. Hoje, o volume chega a cerca de 20 toneladas por ano e existe espaço para chegar a 40 toneladas.
Frederico Sassemburg Pereira é médico-veterinário, saiu da propriedade para estudar e voltou com conhecimento. Agora, aplica o que sabe na propriedade.
“Saí, estudei e agora a gente consegue aprimorar as demandas da nossa produção, fazer com que seja mais produtivo e lucrativo”, explicou o jovem.
Assim como Ianca, ele não abandonou a história da família para estudar. Voltou para casa com outra ferramenta. A criação exige acompanhamento constante.
A tilápia começa pequena, com cerca de oito gramas, e pode chegar a um quilo. O ciclo, que em condições de temperatura e água favoráveis pode durar cerca de oito meses, chega a dez ou 12 meses na propriedade por causa do inverno e da redução do nível da água.
É uma atividade que exige alimentação, oxigenação e monitoramento.
“Quando chega o momento da despesca (tirar o peixe do tanque), é preciso retirar, pesar, resfriar e transportar os animais rapidamente. É um dia de trabalho pesado, mas também de comemoração. A gente reúne umas 12 pessoas. As redes são puxadas, os peixes são colocados nas caixas, pesados e insensibilizados no gelo antes de seguirem para o processamento. É uma festa”.
Depois de meses acompanhando cada tanque, é nessa festa que a família vê o resultado de todo o trabalho realizado. “É bom a gente ver o nosso esforço sendo recompensado”.
Família faz parte de Cooperativa e cria tilápia para reforça renda em Domingos Martins, no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
A cooperativa entra antes de o peixe sair do tanque
Frederico e a família participam da Cooperativa de Empreendedores Rurais de Domingos Martins (Coopram). O pai entrou primeiro. Depois, o irmão. Frederico foi o último dos três. Todos eles foram atrás de uma solução para problemas da piscicultura: custo da alimentação e garantia de mercado.
A ração é fornecida pela cooperativa e pode ser paga no final do ciclo, quando o peixe é vendido.
“Quando a gente precisa de comprar ração por fora, o custo acaba ficando um pouco mais elevado, porque você tem que comprar e pagar à vista. Então, com a cooperativa a gente compra pra pagar no final do ciclo, a gente paga com a venda do próprio peixe”, explicou.
O segundo ponto é ainda mais importante para o produtor. O peixe não pode ficar esperando um comprador. Na propriedade, a cooperativa acompanha a criação e organiza a retirada.
A despesca começa quase um mês antes de serem recolhidos. Na véspera, os animais deixam de receber ração. Por volta das 6h, chega o caminhão e o gelo. Aí sim os animais são retirados.
Para Frederico, essa previsibilidade muda a relação do produtor com o negócio. A criação é uma parte da renda da família. O dinheiro entra no orçamento geral da propriedade, junto com as outras culturas.
É uma lógica cada vez mais comum entre produtores rurais. O peixe entra onde já existe terra, água, trabalho e conhecimento.
“Trabalhar com pescado é gratificante, porque a gente consegue ver que dentro da água cresce a vida e ela realmente floresce. Fazendo um tratamento certo, você consegue produzir muito em uma área pequena. Então, você consegue melhorar muito a vida da família”.
Coopram reúne hoje mais de 700 cooperados, cerca de 200 são produtores de tilápia
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
De 20 cooperados a uma cadeia maior
O produtor, produz; a cooperativa, compra. Essa certeza é parte da relação entre as famílias e as cooperativas, explicou Darli Schaefer, presidente da Coopram. Enquanto a entidade fornece a ração e outros insumos, também garante a compra dos peixes. Para o produtor, isso significa ter mercado definido antes mesmo de terminar o ciclo de criação.
Criada em 2007 com apenas 20 cooperados, a cooperativa reúne hoje mais de 700 membros. Cerca de 200 são produtores de tilápia. Mas o pescado é apenas uma das atividades da cooperativa.
“Não somos só tilápia, não. A gente trabalha com vários outros produtos, como citros, lojas para atender nossos cooperados e alimentação escolar. Nossa tilápia atende ao mercado do Espírito Santo, mas também no Rio de Janeiro e em São Paulo”, contou Darli.
Além de incentivar e comprar parte da produção, a cooperativa investe em beneficiamento. No ano passado, foram cerca de R$ 12 milhões destinados a uma nova unidade de filetadora.
Atualmente, a estrutura processa cerca de três toneladas de tilápia por dia. A primeira meta é chegar a cinco toneladas diárias, o equivalente a cerca de 100 toneladas por mês, considerando 20 dias de operação. No futuro, a intenção é alcançar até 20 toneladas por dia, ou 400 toneladas por mês.
Quanto maior a capacidade de receber, beneficiar e comercializar o pescado, maior também pode ser o espaço para os piscicultores ampliarem a produção.
É a cooperativa entrando antes mesmo de o peixe sair do tanque. Ela fornece insumos, garante a compra, beneficia o pescado e ajuda a encontrar mercado.
Sindicato e cooperativa trabalham juntos
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
O cooperativismo dá escala
Para o Secretaria de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag), Enio Bergoli, essa organização é fundamental.
Ele explicou que a pesca extrativa e a aquicultura são atividades diferentes. Uma retira o pescado da natureza. A outra, cria o peixe. As duas, porém, dependem de planejamento, conhecimento técnico e políticas públicas.
No Espírito Santo, a produção de peixes em sistemas de aquicultura chegou a cerca de 7,18 mil toneladas em 2025, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) citados pela Seag. A tilápia responde pela maior parte desse volume.
O secretário disse que, no caso da pesca extrativa, medir o tamanho da atividade é mais difícil. “O estado acompanha desembarques e registros, mas os dados disponíveis não permitem transformar o monitoramento em um número definitivo sobre tudo o que é retirado do mar”.
O painel do Registro Geral da Atividade Pesqueira do Ministério da Pesca e Aquicultura registra 51.288 pescadores e pescadoras no Espírito Santo. Desse total, 51.004 estão registrados como pescadores e pescadoras artesanais.
São milhares de pessoas por trás de uma atividade que começa na água e termina na mesa dos consumidores. A secretaria estadual disse que não possui dados oficiais sobre o tamanho do setor para a economia capixaba.
Mas, para fortalecer essa cadeia, o governo estadual trabalha com assistência técnica, financiamento, apoio a estruturas de armazenamento e beneficiamento e compras para a alimentação escolar.
Pescado movimenta a economia do Espírito Santo
g1 ES
Pescado em números
👥 51 mil pescadores registrados no ES
🌊 7,1 mil toneladas produzidas pela aquicultura em 2025
💰 R$ 85 milhões movimentados pela aquicultura
🐟 99% da aquicultura é de tilápia
⛵ 1,3 mil embarcações de pesca registradas
🏭 R$ 12 milhões investidos pela Coopram em uma nova unidade
📈 20 toneladas/dia é a meta de processamento da Coopram
📦 4,8 mil toneladas/ano é o volume que a cooperativa poderá processar nessa capacidade
Entre as iniciativas está o Fundo Social de Apoio à Agricultura Familiar (Funsaf), que também contempla pescadores artesanais, povos indígenas, quilombolas e outras populações tradicionais dentro do conceito de agricultura familiar.
Em um edital atualmente em andamento, o governo destinou R$ 2,5 milhões para organizações da pesca artesanal. Clique aqui para conferir. Os recursos podem financiar projetos como caminhões refrigerados, fábricas de gelo e pequenas estruturas de beneficiamento.
Há ainda linhas de financiamento para pequenos barramentos e tanques destinados à criação, com juros subsidiados para agricultores familiares e pescadores artesanais.
O estado passou a comprar filé de tilápia para a merenda por meio de cooperativas de produtores. Para o secretário, o cooperativismo é uma ferramenta especialmente importante para os pequenos.
“Uma coisa é um produtor ou um pescador ir lá individualmente fazer uma aquisição. Outra coisa é ele estar organizado e fazer uma grande aquisição via cooperativa. Ele consegue descontos maiores. Ou seja, com o cooperativismo, dá escala para se vender e dá uma dimensão para se comprar. Você ganha tanto na venda quanto na aquisição dos insumos necessários à pesca”, reforçou Bergoli.
O futuro também depende do rio
A expansão da aquicultura não elimina a importância da pesca extrativa. O mar e os rios continuam sendo fonte de alimento, renda e conhecimento. Para o secretário Enio Bergoli, o futuro passa por modernizar a pesca e criar novas possibilidades para quem vive dela.
“Com reforço na assistência técnica e extensão pesqueira, a gente precisa modernizar os métodos de captura para que se tenha um menor esforço no mar. Vejo, no futuro, um projeto de reestruturação da maricultura com foco em pescadores que possam, além de ir para o mar, ter cultivo marinho ao longo da costa, gerando mais renda”, contou Bergoli.
Já a jovem Ianca quer fazer parte desse futuro sem se afastar da história familiar que a trouxe até aqui.
“Eu sou filha de pescador, sou neta e filha de peixeiro, eu sou sobrinha, eu sou prima, eu sou irmã, e futuramente, se Deus quiser, vou ser uma engenheira de pesca”, disse a estudante..
O cacique Perú continua acreditando no rio. Antes de terminar a entrevista, ele pediu um instante, pegou um instrumento indígena, ficou em silêncio por alguns segundos e repetiu, ao som de um chocalho, a oração que a mãe faz ao lado do rio Piraquê-Açu.
Não há tradução oficial da oração em Guarani. O que existe é a explicação do próprio cacique sobre o que aquele momento representa, uma oração para abençoar as águas e tudo o que depende delas.
“É um canto que a gente pede lá na Casa de Reza. Com o coração mesmo que Deus vai ouvir esse canto que eu fiz para ele. Tá? É um canto de benção para os rios, para os mares, para os peixes que Deus vai olhar para nós todos, inclusive. E abençoar”.
Cacique Kara’í Perú percorrendo de barco o Rio Piraqueaçu, em Aracruz
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
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Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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Faculdade sem diploma? Gigante do Vale do Silício cria escola para desafiar universidades tradicionais

Empresa cria escola privada como alternativa à universidade.
Freepik
A Andreessen Horowitz (a16z), uma das principais gestoras de capital de risco do Vale do Silício, lançou uma escola privada que pretende oferecer uma alternativa à universidade tradicional. A iniciativa surge em um momento em que parte da elite do setor de tecnologia dos Estados Unidos questiona o valor do diploma universitário.
A Horowitz Andreessen Academy (HAA) tem o apoio dos investidores Marc Andreessen e Ben Horowitz, fundadores da Andreessen Horowitz. A gestora investe principalmente em startups e empresas de tecnologia com alto potencial de crescimento, em troca de uma participação nesses negócios.
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“Acreditamos que esta pode ser uma instituição de elite, capaz de atrair os melhores talentos e preparar os estudantes para o futuro, em vez de permanecer presa ao passado”, escreveu no X Gagan Biyani, CEO da instituição.
A escola promete aos alunos palestras com executivos e empresários do setor de tecnologia, entre eles Jensen Huang, CEO da Nvidia; Satya Nadella, CEO da Microsoft; e Travis Kalanick, cofundador da Uber. O projeto recebeu US$ 42 milhões (R$ 214,9 milhões) em investimentos.
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Biyani explicou que o programa pretende substituir as aulas predominantemente teóricas por projetos independentes voltados aos negócios. Segundo ele, o modelo se aproxima mais do sistema tutorial da Universidade de Oxford ou do método Montessori do que de uma universidade convencional.
A academia, porém, não terá credenciamento oficial nem concederá diplomas aos alunos. Também não aceitará auxílio estudantil do governo federal americano nem garantirá emprego ou estágio remunerado, segundo a revista Fortune.
Vários nomes de destaque do setor de tecnologia abandonaram a faculdade antes de se formar, como Bill Gates, cofundador da Microsoft; Mark Zuckerberg, cofundador do Facebook; e Steve Jobs, cofundador da Apple.
Essas trajetórias são frequentemente citadas no Vale do Silício como exemplos de que um diploma universitário não seria indispensável para criar uma empresa de sucesso.
As inscrições estão abertas para a primeira turma, que terá cerca de 50 alunos e início em setembro de 2027. O programa terá duração de um ano e será gratuito.
Se conseguir a aprovação dos órgãos reguladores, a academia pretende lançar, em 2028, uma versão paga com duração de dois anos e mensalidades comparáveis às de universidades privadas de elite dos Estados Unidos, segundo Biyani.

Tarifaço dos EUA já afeta empresas; entenda quando os efeitos podem chegar ao seu bolso

Um funcionário inspeciona um sapato em uma linha de produção da fabricante brasileira de calçados Kissol, em meio à imposição de novas tarifas americanas sobre diversos produtos brasileiros, incluindo a indústria calçadista, que tem os EUA como seu principal mercado externo.
Joel Silva/Reuters
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Apresentadas pelo governo de Donald Trump como uma forma de proteger a indústria americana, as tarifas impostas pelos Estados Unidos a diversos países também tiveram um efeito contrário ao pretendido: encareceram os produtos para os consumidores do país.
Até fevereiro de 2026, as tarifas acrescentaram 2,9 pontos percentuais à inflação dos produtos comprados pelos americanos, segundo estudo do Federal Reserve de Nova York divulgado nesta semana.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
O levantamento também estimou que a tarifa global de 10% sobre todos os produtos importados, anunciada em fevereiro deste ano, elevaria os preços ao consumidor em 2,6% em um período de um ano.
No Brasil, as medidas comerciais anunciadas pelo governo Trump em julho estabeleceram sobretaxas de 12,5% a 25% para diferentes grupos de produtos.
Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), as duas medidas alcançam, juntas, 23,1% das exportações brasileiras para os EUA. Desse total, 16,5% estão sujeitos à sobretaxa acumulada de 37,5%. O impacto, porém, varia bastante de acordo com o setor.
🤔 Mas o que isso significa para o cidadão brasileiro? Economistas e representantes do setor afirmam que, no curto prazo, o principal efeito não deve aparecer na etiqueta dos produtos, mas na atividade das empresas e no emprego.
Calçados: setor teme impacto sobre o emprego
O setor calçadista está entre os mais expostos às novas tarifas americanas. Os EUA são um dos principais destinos dos calçados brasileiros, e as exportações já vinham recuando antes mesmo da entrada em vigor das novas medidas.
Entre janeiro e agosto, o Brasil exportou 62,45 milhões de pares de calçados, que renderam US$ 541,45 milhões. Na comparação com o mesmo período de 2025, houve queda de 7,5% no volume e de 16,8% na receita.
Segundo a Abicalçados, são os piores resultados para o período desde 2020, ano fortemente afetado pela pandemia. Apenas em agosto, foram embarcados 7,13 milhões de pares, por US$ 70,8 milhões, quedas de 6,6% e 8,1%, respectivamente.
Os EUA concentram parte importante dessa deterioração. Nos oito primeiros meses do ano, o Brasil exportou 7,38 milhões de pares para o mercado americano, por US$ 120,5 milhões. O volume caiu 4,1% e a receita recuou 22,8% ante o mesmo período de 2025.
A queda da receita foi maior que a do volume. Em agosto, o preço médio do calçado exportado aos EUA caiu 35,4%, para US$ 17,20, segundo a Abicalçados.
A entidade atribui o movimento, entre outros fatores, à mudança no perfil dos produtos vendidos ao mercado americano e à retração das categorias de maior valor, especialmente calçados de couro.
A pressão não vem apenas dos EUA. A Argentina, segundo principal destino dos calçados brasileiros, também reduziu as compras. No acumulado até agosto, as exportações brasileiras para o país caíram 51,6% em volume e 55,6% em receita.
Diante desse cenário, a Abicalçados estima agora uma queda de 7,1% nas exportações brasileiras de calçados em 2026, ante previsão anterior de retração de 3,6%.
Ao mesmo tempo, as importações de calçados avançam no mercado brasileiro. Entre janeiro e agosto, entraram no país 33 milhões de pares, alta de 9,6% em relação ao mesmo período de 2025.
O valor das importações cresceu 11%, para US$ 429,7 milhões. China, Vietnã e Indonésia responderam por cerca de oito em cada 10 pares importados.
O movimento dificulta uma das alternativas para as empresas afetadas pelo tarifaço: vender no Brasil os produtos que deixarem de ser destinados aos EUA.
Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados
Divulgação
Segundo Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados, a indústria enfrenta uma espécie de “efeito pinça”: de um lado, a perda do mercado americano; de outro, a concorrência dos produtos importados no mercado doméstico.
“As empresas poderiam direcionar parte da produção para o mercado nacional para evitar demissões. Mas, com o avanço das importações, fica mais difícil absorver esses produtos e manter os postos de trabalho.”
A entidade estima a perda de mais de 5 mil empregos diretos no segundo semestre caso as tarifas americanas sejam mantidas. Essa é, porém, uma projeção da Abicalçados, e não um número de demissões já registrado.
Os dados mais recentes da própria entidade mostram que, até julho, o setor ainda acumulava saldo positivo de 1.740 postos de trabalho no ano, embora tenha registrado saldo negativo de 387 vagas apenas naquele mês.
Rafarillo: um exemplo de como a tarifa chega à fábrica
Produção de calçados na fábrica da Rafarillo, em Franca (SP)
Reprodução/Facebook
A Rafarillo, fabricante de calçados de Franca (SP), é um exemplo de como a mudança pode afetar a operação de uma empresa. Segundo André Ferreira, representante de comércio exterior da companhia, contratos com compradores americanos precisaram ser renegociados depois do anúncio das tarifas.
A empresa também reorganizou linhas de produção e buscou fornecedores alternativos para reduzir custos.
“O processo produtivo teve que ser repensado, nós tivemos que fazer algumas adequações, de repente até algumas mudanças em relação à matéria-prima, obviamente não mudando a qualidade do produto, mas buscando mais alternativas no mercado”, afirmou.
Pedidos menores também passaram a ser negociados. A companhia, que atualmente tem cerca de 150 funcionários, reduziu postos de trabalho e procura novos mercados para compensar parte da perda de vendas aos EUA.
A empresa também tenta ampliar as vendas para outros destinos, incluindo América Latina, Europa, África e Ásia.
Açúcar e etanol: impacto depende do produto
Plantação de cana-de-açúcar
GATec
No setor sucroenergético, os efeitos são diferentes dos observados na indústria calçadista. O açúcar brasileiro está entre os produtos sujeitos à sobretaxa adicional de 25% prevista na medida específica para o Brasil. Já o etanol está no centro de uma disputa comercial mais ampla entre os dois países.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) afirma que a política brasileira para biocombustíveis é aplicada de forma não discriminatória e segue as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC).
A entidade também contesta a avaliação americana de que o Brasil deveria oferecer tratamento tarifário preferencial ao etanol produzido nos EUA. Para o açúcar, a relação comercial já era marcada por restrições de acesso ao mercado americano, incluindo cotas tarifárias. Assim, o novo cenário se soma a barreiras que já existiam.
Para o consumidor brasileiro, entretanto, não há uma relação automática entre as novas tarifas e o preço do açúcar ou do etanol. Se ficar mais difícil vender determinado volume aos EUA, produtores podem procurar outros mercados. Parte da produção também pode ser direcionada ao mercado brasileiro.
Em tese, uma oferta maior no mercado interno pode pressionar os preços para baixo ou limitar altas. Mas isso depende de vários fatores, como o volume redirecionado, os preços internacionais, o câmbio e as condições de oferta e demanda.
Por outro lado, se as exportações caírem de maneira significativa, usinas e produtores podem reduzir receitas e investimentos. O efeito pode se espalhar para transportadoras, fornecedores e outros elos da cadeia.
Máquinas: tarifa se soma a um mercado interno enfraquecido
A indústria de máquinas e equipamentos enfrenta pressão tanto no mercado externo quanto no doméstico. Os EUA estão entre os principais destinos das exportações brasileiras, enquanto o mercado interno sofre com juros elevados e baixo nível de investimentos.
No primeiro semestre, o faturamento do setor caiu 13,6% e as vendas no mercado interno recuaram 17%, segundo a Abimaq. As exportações, por outro lado, cresceram 12,7% no período.
Para José Velloso, presidente-executivo da Abimaq, a fraqueza do mercado interno é hoje o principal fator por trás das demissões no setor, com impacto maior do que o tarifaço sobre as empresas exportadoras.
O setor enfrenta um cenário de poucos investimentos no país e menor demanda por máquinas e equipamentos. Segundo Velloso, o faturamento acumula queda de cerca de 17% nos últimos quatro anos, apesar do crescimento das exportações.
Alguns segmentos ligados principalmente ao mercado doméstico enfrentam retrações ainda mais fortes. Segundo Velloso, o faturamento de máquinas agrícolas caiu 25%, enquanto o de colheitadeiras recuou 40%. O cenário, afirma, já levou ao fechamento de fábricas.
“Nós temos uma crise muito importante aqui dentro. Nós temos um aumento das exportações, e isso ameniza, mas temos uma queda das exportações para os Estados Unidos”, afirma.
“Essa queda é menor do que o crescimento das exportações que estamos tendo no geral. Então, a tarifa causa demissão? Causa. Mas, quando olho o total do setor, ele está tendo demissões também por causa do baixo desempenho do mercado interno, e não só por causa do tarifaço.”
O efeito pode chegar a empresas que não exportam
Segundo a Abimaq, os EUA compraram cerca de US$ 3,2 bilhões em máquinas e equipamentos brasileiros em 2025.
🔍 O impacto do tarifaço, porém, pode se espalhar pela cadeia produtiva. Uma fabricante que perde pedidos de um comprador americano pode reduzir a produção e, com isso, comprar menos aço, componentes e serviços de fornecedores nacionais, além de reduzir gastos com transporte.
É o chamado efeito em cadeia. Assim, até empresas que nunca exportaram diretamente para os EUA podem sentir os efeitos da queda nas vendas de seus clientes.
A Abimaq afirma ainda que a integração entre as cadeias produtivas brasileira e americana pode fazer com que o aumento de custos atinja empresas dos dois países.
Há, porém, uma dificuldade para medir o impacto sobre o emprego. Segundo Velloso, os dados não permitem separar as demissões provocadas especificamente pelo tarifaço daquelas decorrentes da fraqueza do mercado interno.
Por isso, eventuais cortes de postos de trabalho não poderão ser automaticamente atribuídos às tarifas americanas.
Para o consumidor, o efeito não é uma alta automática de preços
Mas, afinal, o brasileiro pode pagar mais caro por causa do tarifaço?
Não necessariamente. A tarifa é cobrada sobre a entrada do produto nos EUA. Portanto, o primeiro impacto recai sobre a relação comercial entre o exportador brasileiro e o comprador americano.
O mecanismo pode funcionar de diferentes maneiras:
Empresas podem perder margem
Para manter contratos, exportadores brasileiros podem aceitar preços menores e absorver parte do custo adicional. Isso reduz a margem das empresas, mas não significa aumento imediato de preços no Brasil.
Parte da produção pode voltar para o mercado brasileiro
Se um produto deixar de ser exportado para os EUA, a empresa pode tentar vendê-lo no mercado doméstico. Se houver aumento relevante da oferta, isso pode pressionar os preços para baixo.
Empresas podem reduzir produção e emprego
Quando não há mercado alternativo, a saída pode ser reduzir a produção, adiar investimentos, suspender contratações ou cortar postos de trabalho.
O câmbio pode ser um canal indireto
Uma piora das perspectivas para o comércio exterior pode aumentar a percepção de risco e pressionar o real. Um dólar mais caro encarece produtos e insumos importados e pode dificultar a queda da inflação.
É nesse último ponto que o tarifaço pode chegar de maneira mais ampla à economia brasileira.
O que pesa mais: tarifa ou juros?
Para André Matos, CEO da MA7 Capital, o impacto do tarifaço sobre a economia brasileira é principalmente setorial e concentrado em determinadas regiões, e não deve representar um choque de grande proporção sobre o PIB.
Segundo o MDIC, os EUA representaram 10,8% das exportações brasileiras em 2025. No acumulado de janeiro a agosto de 2026, a participação caiu para 9,6%.
Por isso, uma queda nas vendas para o mercado americano pode atingir de forma significativa empresas e trabalhadores ligados à exportação, mesmo que o efeito sobre a economia como um todo seja limitado.
Segundo Matos, o impacto também depende da capacidade de redirecionar as exportações para outros mercados. Parte das vendas que deixaram de ir para os EUA foi absorvida por outros destinos, especialmente na Ásia.
Para o economista, porém, os juros elevados representam hoje um obstáculo mais abrangente para a atividade econômica: “Se eu tiver que ordenar os freios do crescimento, juro vem primeiro, com folga, e tarifa vem depois.”
O efeito da tarifa, segundo ele, também tende a ser mais lento. Uma empresa que perde um contrato com um comprador americano pode levar anos para recuperar esse mercado, mesmo que as condições comerciais melhorem.
Por que o consumidor não sente a tarifa imediatamente?
Para Matos, o impacto direto sobre os preços no Brasil tende a ser limitado porque a tarifa é cobrada na entrada dos EUA e paga pelo importador americano.
Além disso, produtos que deixam de ser enviados para os EUA podem ser redirecionados para outros mercados, inclusive o brasileiro. O aumento da oferta doméstica pode, em alguns casos, pressionar os preços para baixo.
“Para o consumidor, o efeito de curto prazo é neutro ou até levemente favorável. O problema dele não é preço, é emprego, se a empresa da região dele exportava para lá.”
Segundo Matos, o principal caminho para o tarifaço afetar os preços no Brasil seria indireto, pelo dólar. Se o aumento das tarifas elevar a percepção de risco sobre o Brasil, a moeda americana pode subir frente ao real.
Com o dólar mais caro, aumentam os custos de produtos e matérias-primas importados, como combustíveis e fertilizantes, o que pode pressionar a inflação.
Assim, o impacto tende a aparecer primeiro nas empresas que exportam, no emprego e nos investimentos. Só depois, dependendo do comportamento do dólar, pode chegar aos preços pagos pelos consumidores.

Trump anuncia acordo com Putin para liberar diesel russo para mercado mundial

Donald Trump e Vladimir Putin se encontraram no Alasca no ano passado.
ANDREW HARNIK/GETTY IMAGES
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que Vladimir Putin concordou em liberar imediatamente 300 mil toneladas de óleo diesel da Rússia “para o mercado americano e global” — seguidas por 500 mil toneladas em novembro e mais um milhão posteriormente.
Analistas acreditam que o Departamento do Tesouro dos EUA está suspendendo as sanções às exportações de diesel russo até 7 de abril do próximo ano como parte do acordo, mas que outros ativos — como os depositados em bancos americanos — continuam congelados.
Em sua postagem no Truth Social, Trump acrescentou que mais três milhões de toneladas de diesel russo seriam entregues “em breve”, dependendo das condições de suas refinarias, que foram atacadas pela Ucrânia.
O anúncio de Trump provocou indignação do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky. Ele chamou a medida de um presente para o presidente russo, que equivale a “um investimento em uma guerra que deve ser encerrada, não prolongada”.
Em uma publicação nas redes sociais, Zelensky disse que a Rússia retribuiria o dano causado ao diesel com “mais terror”.
“Contamos com o apoio incondicional dos Estados Unidos à nossa defesa da vida, à nossa defesa do povo ucraniano – e com um diálogo igualmente firme entre os Estados Unidos e a Rússia. Um diálogo firme, não fraco”, escreveu ele.
Putin afirmou posteriormente que a Rússia — que impôs uma proibição às exportações de diesel no início deste ano — estava disposta a fornecer petróleo e derivados tanto para os mercados dos EUA quanto para os mercados globais, mas sua declaração não especificou quantidades.
Analistas, no entanto, questionam se a Rússia é capaz de fornecer essa quantidade de diesel e em que medida isso reduzirá os preços para os consumidores americanos.
‘Medida desesperada’
Tim Armitage, estrategista de investimentos da Quilter Cheviot, afirmou que os números mencionados por Trump eram “relativamente pequenos”.
Ele afirmou que o primeiro lote equivalia a aproximadamente 2,25 milhões de barris, e que o consumo diário nos EUA era de cerca de 3,8 milhões de barris, “portanto, não fará diferença significativa nos preços dos combustíveis nos EUA”.
“É verdade que ainda haverá mais dois comunicados, mas parece ser uma medida um tanto desesperada do presidente Trump para tentar reduzir a inflação antes das eleições de meio de mandato.”
A BBC perguntou à Casa Branca o que a Rússia receberá dos EUA em troca desse compromisso — mas não recebeu resposta.
O anúncio sobre o diesel é a mais recente tentativa de Trump de reduzir os preços dos combustíveis nos EUA, enquanto ele lida há meses com as consequências políticas da guerra com o Irã, que começou em fevereiro, e seu impacto nos preços globais da energia.
Esse conflito fez com que o preço dos combustíveis e, em particular, do diesel, disparasse nos EUA nos últimos meses, o que prejudicou sua imagem perante o público, que foi afetado pelos preços mais altos nos postos de gasolina e pelos efeitos subsequentes que levaram à inflação generalizada.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que a Rússia retribuiria o diesel com “mais terror”.
GETTY IMAGES
O preço médio do diesel nos EUA é atualmente de US$ 6,28 por galão, abaixo do recorde de US$ 6,53 registrado no final de setembro.
Pouco depois do anúncio de Trump, o Departamento do Tesouro dos EUA emitiu formalmente uma licença temporária permitindo a entrada de diesel russo no mercado.
Putin afirmou em comunicado que conversou com Trump sobre a situação energética global na sexta-feira, acrescentando: “O lado russo confirmou sua disposição de fornecer petróleo e derivados ao mercado americano e aos mercados globais em geral.”
Um negociador de Putin, Kirill Dmitriev, saudou o acordo nas redes sociais, dizendo: “A cooperação entre Rússia e EUA em diesel e energia beneficiará o mundo.”
A Rússia passou este ano por duas ondas de grave escassez de combustível em todo o país, como resultado de ataques de drones ucranianos a refinarias de petróleo russas.
Segundo a Agência Internacional de Energia, estima-se que sua produção de diesel tenha caído em quase 30%.
Trump expressou seu descontentamento com esses ataques, culpando-os pelo aumento dos preços dos combustíveis.
Mas Zelensky defendeu os ataques na sexta-feira, afirmando que foram uma resposta à “campanha de terror da Rússia contra o setor energético da Ucrânia, que já dura anos”.
“A Ucrânia não incendiará as refinarias de petróleo russas se a Rússia não destruir nossa infraestrutura energética”, disse ele.
As postagens de Trump nas redes sociais frequentemente fornecem informações incompletas sobre acordos firmados pelo presidente. Os detalhes sobre como exatamente a Rússia está fornecendo esse combustível ao mercado global, e o que ela pode receber em troca, não são claros.
Mas o acordo anunciado representa uma reviravolta notável, visto que o Congresso dos EUA promulgou recentemente uma legislação — assinada pelo próprio presidente — para autorizar novas sanções e tarifas americanas sobre nações que importam petróleo e gás russos.
O acordo com a Rússia também expõe Trump a críticas de aliados europeus e políticos pró-Ucrânia nos EUA, de que o presidente americano agora está ajudando a financiar a máquina de guerra de Moscou.
O porta-voz do governo britânico afirmou que sua posição “não poderia ser mais clara” e que continuará trabalhando com parceiros internacionais para apoiar a Ucrânia e alcançar uma paz duradoura.
“Manteremos também a pressão sobre a Rússia através do regime de sanções mais rigoroso já imposto pelo Reino Unido, aumentando o custo da agressão de Putin e apoiando os esforços para garantir uma paz justa e duradoura.”
O impacto do acordo dos EUA com a Rússia sobre os preços dos combustíveis também permanece incerto. O Brent, referência global para o petróleo bruto, permanece acima de US$ 103 por barril. Antes da guerra com o Irã, o petróleo Brent era negociado a cerca de US$ 73 por barril.
Com a proximidade das eleições legislativas de meio de mandato nos EUA — que determinarão se os republicanos manterão o controle do Congresso — Trump tem buscado maneiras de aliviar o sofrimento político de seu partido.
No início desta semana, ele disse que estava “pensando em” suspender o imposto federal sobre a gasolina e também anunciou que permitiria o uso do chamado diesel com corante vermelho nas rodovias dos EUA sem a incidência do imposto federal.
Trump também pressionou com sucesso os países do G7 a liberarem 100 milhões de barris de petróleo e diesel de seus estoques para ajudar a aliviar as preocupações com o abastecimento e apoiou os apelos por uma proibição das exportações de diesel dos EUA.