Justiça mantém justa causa de homem que entregou 88 atestados em um ano, mas atuava como pastor na licença

Leitura da Bíblia
Cristina Medeiros/CMBH
Um operador de produção que apresentou 88 atestados médicos em um único ano teve a sua demissão por justa causa mantida pela Justiça do Trabalho após a empresa apresentar registros de que ele atuava como pastor durante parte dos períodos de afastamento.
Imagens retiradas das redes sociais de uma igreja e anexadas ao processo mostram o trabalhador palestrando e participando de eventos religiosos nos mesmos dias em que estava oficialmente afastado do trabalho por recomendação médica.
O caso foi analisado pela 2ª Vara do Trabalho de São Caetano do Sul, no ABC Paulista. A empresa sustentou que as atividades exercidas pelo empregado eram incompatíveis com as restrições médicas que justificavam suas ausências.
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Ao recorrer à Justiça, o trabalhador tentou reverter a demissão e retornar ao emprego. Alegou que a empresa havia criado uma justificativa para promover uma dispensa ilegal, mas os argumentos foram rejeitados em primeira instância.
Um dos pontos que mais chamaram atenção no processo foi a quantidade de afastamentos médicos registrados.
Ao longo de 2025, o trabalhador apresentou 88 atestados médicos. Os documentos recomendavam, em diferentes ocasiões, repouso, afastamento das atividades profissionais e limitação de esforços físicos.
Paralelamente, ele participava de cultos, celebrações e encontros religiosos como pastor, conforme registros apresentados nos autos.
A empresa afirmou que a demissão não teve qualquer relação com a religião professada pelo funcionário. Segundo a defesa, a punição decorreu do uso dos afastamentos médicos enquanto ele desempenhava atividades consideradas incompatíveis com as recomendações feitas pelos profissionais de saúde.
Entre as provas anexadas ao processo estavam fotografias publicadas nas redes sociais da igreja.
Em uma das situações descritas nos autos, o operador de produção apresentou um atestado médico indicando afastamento por causa de cervicalgia, condição caracterizada por dores na região do pescoço e dos ombros. No mesmo período, apareceu em uma imagem ministrando durante um evento religioso.
Os autos também reúnem outros registros de participação do trabalhador em atividades religiosas durante períodos em que ele estava afastado das funções na empresa.
Para a companhia, as imagens demonstravam que ele mantinha uma rotina de atuação como líder religioso ao mesmo tempo em que apresentava documentos médicos justificando as ausências.
Trabalhador alegou perseguição e violação da liberdade religiosa
Na ação trabalhista, o operador de produção afirmou que a empresa simulou a ocorrência de uma falta grave com o objetivo de justificar sua dispensa. Segundo ele, havia uma garantia de estabilidade prevista em acordo coletivo.
O trabalhador também alegou que a companhia violou seu direito à liberdade religiosa ao utilizar sua atuação como pastor para fundamentar a demissão.
Outra argumentação apresentada foi a de que os afastamentos estavam relacionados a problemas de saúde decorrentes de mudanças de função ocorridas após o retorno de um benefício previdenciário. De acordo com seu relato, suas limitações físicas não eram devidamente consideradas pela empresa.
Justiça considerou que houve quebra de confiança
Ao julgar o caso, a juíza Isabela Parelli Haddad Flaitt concluiu que o trabalhador apresentou justificativas médicas para se ausentar do emprego por diversos períodos enquanto exercia atividades como pastor de uma comunidade religiosa.
Para a magistrada, a conduta representou uma quebra da confiança necessária à manutenção da relação de trabalho.
A sentença destaca ainda que o empregado recebia os salários correspondentes aos períodos de afastamento enquanto desempenhava a função de líder religioso.
A juíza observou também que, embora a atuação pastoral normalmente não gere vínculo empregatício com a igreja, líderes religiosos podem receber valores destinados ao próprio sustento, conhecidos como “prebenda pastoral”, o que pode representar uma vantagem econômica.
Com base no conjunto de provas apresentado no processo, a magistrada reconheceu a validade da justa causa aplicada pela empresa e rejeitou o pedido de reintegração ao emprego feito pelo trabalhador.
Também foi negada a solicitação de pagamento dos salários e demais verbas referentes ao período em que permaneceu afastado.
O processo ainda não terminou e segue pendente de análise de recurso.

Quem é o homem mais rico da África — e por que ele quer vender parte de seu império

Aliko Dangote afirma que os planos de expansão de sua empresa ajudarão os países africanos a se tornarem autossuficientes em energia.
Reprodução/Reuters
O homem mais rico da África, Aliko Dangote, lançou a maior oferta pública inicial de ações da história do continente. Ele está listando sua empresa de refinaria de petróleo, a Dangote, na bolsa de valores da Nigéria neste mês.
O bilionário nigeriano batizou a abertura de capital de “IPO [oferta pública inicial] do Povo” — promovendo a venda como uma oportunidade para os cidadãos possuírem parte de uma empresa que muitos nigerianos já consideram um patrimônio nacional.
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A agência de notícias Reuters noticiou que, se todas as 4,1 bilhões de ações disponíveis forem vendidas, a empresa arrecadará 2,15 trilhões de nairas nigerianas — ou US$ 1,6 bilhão — para ajudar na expansão de sua refinaria, que já tem capacidade para processar cerca de 700 mil barris de petróleo bruto por dia.
No primeiro dia da venda de ações, os aplicativos de investimento tiveram dificuldades técnicas para lidar com a alta demanda pelas ações.
A Bamboo, empresa que administra uma das ferramentas de investimento mais populares da Nigéria, entrou em colapso após a venda de ações da Dangote
REUTERS
Apesar do grande entusiasmo de investidores, analistas alertam que os preços das ações podem cair ou subir.
“Eles deveriam investir apenas um dinheiro de que não precisarão pelos próximos três, quatro ou cinco anos”, disse à BBC o consultor financeiro Abdulrazak Ibrahim Fagge.
Mas o que se sabe sobre Aliko Dangote, e sua promessa de trazer prosperidade e independência financeira a cidadãos africanos?
Quem é Aliko Dangote?
Aos 69 anos, Dangote é a pessoa mais rica da África, com uma fortuna superior a US$ 51,5 bilhões, segundo dados da revista Forbes de 20 de setembro.
Dangote domina os mercados de cimento, açúcar, sal e fertilizantes da Nigéria há décadas.
Em 2024, seu império representava um terço do valor de todas as empresas listadas na bolsa de valores nigeriana.
Ele é conhecido por seu temperamento ameno — e costuma dirigir seu próprio carro no trajeto entre reuniões.
Quando ainda estava na escola, ele comprava doces em grandes quantidades, contratava outras crianças para vendê-los e ficava com uma parte dos lucros.
O lado materno da sua família já possuia um grande patrimônio, e seu bisavô era o homem mais rico da África Ocidental quando morreu.
“Ele vem de uma família com tradição no mundo dos negócios”, disse Lekan Sote, colunista do jornal nigeriano The Punch, à BBC.
Após se formar em administração de empresas, Dangote iniciou seu próprio negócio de comércio de commodities com um empréstimo de 500 mil nairas (então cerca de R$ 2 mil). Foi um grande sucesso e ele quitou o empréstimo em menos de 6 meses.
Hoje, seu portfólio inclui a Dangote Cement, a maior produtora de cimento da África, e a refinaria de petróleo Dangote, que iniciou a produção em 2024, e hoje é uma das maiores do mundo.
Qual é a estratégia de Dangote?
A estratégia de Dangote tem se concentrado na substituição de importações — o que significa que suas empresas produzem localmente bens que a Nigéria tradicionalmente compra do exterior.
Diversos países africanos sofrem com a incapacidade de processar suas matérias-primas e, consequentemente, comprar produtos processados a partir delas, o que aumenta os custos. Os governos frequentemente subsidiam os preços.
A possibilidade de criar um produto final localmente reduziria a necessidade desse tipo de suporte.
No entanto, os críticos da substituição de importações argumentam que os controles sobre a concorrência podem causar aumento de preços e impulsionar a inflação.
A Nigéria é o maior produtor de petróleo da África, mas até a inauguração da refinaria de Dangote, a maior parte do combustível do país era importada devido à falta de capacidade de refino. Isso significava que a Nigéria tinha que comprar petróleo refinado a um custo elevado.
Atualmente, a refinaria fornece mais de 70% do consumo de energia da Nigéria.
O documento sobre a oferta de ações afirma que a Dangote pretende dobrar a capacidade da refinaria.
Acusações de monopólio
Em 2024, a organização beneficente Oxfam relatou que Dangote “detém um ‘quase monopólio’ no setor de cimento na Nigéria. A expansão de seu império para o petróleo levantou preocupações sobre um novo monopólio privado.”
Mas, segundo o jornalista Lekan Sote, alguns analistas acreditam que o bilionário está simplesmente preenchendo lacunas que o governo não consegue ocupar: “Ele sabe que o governo é lento. Qualquer pessoa que seja ousada o suficiente, que possa jogar pesado e estar presente nesse mercado, aproveitará o que está acontecendo.”
Dangote nega acusações de praticar monopólios.
“Temos estado dispostos a investir de forma significativa, demonstrando o nosso compromisso com a excelência. Reconhecemos o potencial do setor manufatureiro na Nigéria e no resto da África, e o aproveitamos quando outros não conseguiram”, disse.
Ele afirma que a expansão da refinaria impulsionará a independência econômica da região. No mês passado, ele disse à BBC que seus planos terão “um impacto enorme”, ajudando algumas nações do continente a se tornarem autossuficientes em energia.
“Isso garante que os países recebam seu próprio produto. Eles não vão mais viver na miséria. A refinaria está lá, é para eles”, disse ele.
Mas as afirmações de que a expansão da refinaria trará independência econômica a partes da África são “provavelmente exageradas”, diz Sote. O jornalista, porém, reconhece que a refinaria poderá baixar preços na região “devido à economia de escala que surgirá quando a capacidade de produção eventualmente aumentar”.
Os nigerianos podem ter economizado dinheiro com a redução dos preços de combustíveis, mas alguns argumentam que a riqueza gerada não está chegando às pessoas comuns.
Kingsley Moghalu, ex-vice-governador do Banco Central da Nigéria, escreveu no jornal nigeriano Premium Times em julho de 2025: “A riqueza de Dangote é pessoal. Ela não enriqueceu os nigerianos de forma significativa.”
Mas ele questiona se enriquecer os nigerianos deveria ser uma preocupação de Dangote, que é, afinal, um homem de negócios.
“Será essa uma responsabilidade dele?”
Entusiasmo em meio a críticas
As tentativas declaradas da empresa de aumentar a autossuficiência africana ajudaram a gerar entusiasmo em torno da venda de ações, disse à BBC o analista de investimentos Oluwasina Oluwaleke.
“A nação apoia firmemente essa iniciativa porque reconhece o impulso econômico para a independência, não apenas da Nigéria, mas da África Ocidental e da África em geral.”
No entanto, Simon Jack, editor da BBC, afirma: “Há acusações de que Dangote não faz o suficiente pelas pessoas de baixa renda no norte da Nigéria e concentra sua riqueza no sul.”
Os negócios de Dangote têm sido alvo de críticas devido aos seus impactos ambientais.
Em 2020, uma ação judicial foi movida contra o grupo Dangote em nome de pessoas que sofriam de problemas de saúde que estariam ligados à sua indústria de cimento.
A Dangote Cement pagou um pacote de indenização de US$ 270 mil para pessoas que moram nos arredores de uma de suas fábricas.
A demanda pelos produtos da refinaria foi impulsionada por interrupções no fornecimento relacionadas à guerra com o Irã
BBC via Getty
‘Oportunidade’
Dangote afirmou que deseja dar aos nigerianos comuns a oportunidade de participar do sucesso da refinaria de petróleo e “democratizar a criação de riqueza”.
A compra mínima é de 5.525 nairas (equivalente a R$ 20) — um desembolso inferior ao de muitas outras ofertas de ações.
“Todos os dias, os nigerianos usam produtos que dependem de petróleo refinado. O que torna este IPO único é que ele oferece às pessoas a oportunidade não só de consumir, mas também de participar como proprietárias do sistema industrial que impulsiona a vida econômica”, disse Dangote antes da venda.
Oluwaleke afirma que as interrupções no fornecimento relacionadas à guerra com o Irã aumentaram a demanda pelos produtos da refinaria, impulsionando a expectativa em torno da venda: “As redes sociais e os veículos de comunicação estão repletos de notícias.”
No entanto, alguns analistas são mais cautelosos, acreditando que as ações se desvalorizarão se os altos lucros atuais desaparecerem.
Entre os investidores está Isah Salisu, que disse à BBC que retirou 50 mil nairas (R$ 190) de suas economias para investir.
“Minha esperança é que meu pequeno dinheiro um dia se multiplique. Não quero perder essa oportunidade, já que muitas pessoas que conheço também estão investindo”, disse ele.
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Mas o especialista em economia Abdulrazak Ibrahim Fagge alerta que o preço das ações pode vir a cair, o que significa que as pessoas poderiam perder parte do seu dinheiro.
Ele adverte: “O que os potenciais compradores, especialmente aqueles que estão comprando ações pela primeira vez, devem saber é que não devem investir todo o seu dinheiro — ou o dinheiro que precisarão em alguns meses.”

FMI alerta: disparadas e choques de preços podem ser mais frequentes e afetar inflação por anos

Custo de vida na capital preocupa moradores
Altas bruscas nos preços dos alimentos e da energia devem se tornar mais frequentes, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI). A instituição alerta que essas crises podem manter as expectativas de inflação elevadas por mais tempo, agravar a pobreza e ameaçar a estabilidade econômica.
Uma pesquisa do FMI, divulgada nesta semana, analisou as medidas adotadas por governos ao longo de três décadas para amenizar os efeitos dessas altas de preços. O estudo também apresentou um novo modelo econômico que considera o impacto maior da inflação sobre as famílias mais pobres, que gastam uma parcela maior da renda com produtos essenciais.
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Historicamente, altas bruscas nos preços de produtos essenciais eram relativamente raras, especialmente quando atingiam vários países ao mesmo tempo. Nos últimos cinco anos, porém, tornaram-se uma fonte recorrente de tensão econômica e social, em meio a conflitos como a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e a guerra deste ano no Oriente Médio.
O novo modelo apontou uma diferença de 0,8 ponto percentual em relação ao indicador tradicional de inflação. Isso sugere que, entre 2021 e 2024, o número de pessoas abaixo da linha de extrema pobreza foi 23 milhões maior do que o estimado anteriormente.
“Em resumo, as crises do custo de vida … afetam a estabilidade de preços, reduzem os padrões de vida e agravam a desigualdade”, afirmou Chiara Maggi, economista do FMI que participou da coordenação do estudo.
A pesquisa integra o segundo capítulo do relatório Perspectiva Econômica Mundial, previsto para a próxima semana.
No mês passado, o FMI afirmou que a economia global resistiu melhor do que o esperado à alta dos preços da energia provocada pela guerra no Oriente Médio. A instituição ainda prevê crescimento de cerca de 3% para a economia mundial em 2026, mas alerta que os riscos permanecem elevados.
A estimativa está em linha com a projeção de julho, de 3%, mas abaixo da média de crescimento de 3,5% registrada em 2024 e 2025.
Na ocasião, o FMI considerava que a guerra terminaria em meados de julho. O conflito, porém, continuou: Irã e Estados Unidos intensificaram os ataques nos últimos meses, e a violência se espalhou para países vizinhos.
Expectativas de inflação
O FMI também identificou que as expectativas de inflação para o curto e o médio prazo aumentam bastante durante crises de custo de vida e continuam acima dos níveis anteriores mesmo três anos depois.
As expectativas de inflação para os próximos cinco anos subiram menos no início das crises, mas também permaneceram elevadas três anos depois. Esse comportamento pode levar os bancos centrais a aumentar os juros.
Segundo o FMI, a melhor forma de proteger as famílias mais vulneráveis é oferecer transferências de renda direcionadas a esse público, sem interferir diretamente nos preços dos produtos.
Já medidas como o controle de preços e a redução de impostos sobre o consumo podem custar aos governos de três a seis vezes mais. No caso dos subsídios aos produtores, o custo pode ser até 22 vezes maior.
O fundo alerta ainda que medidas amplas podem perder eficácia quando vários países concedem subsídios ao mesmo tempo.
Segundo Maggi, do FMI, os subsídios aos produtores, comuns em países em desenvolvimento, são especialmente ineficientes porque também podem baratear produtos destinados à exportação. Na prática, isso significa que o dinheiro dos contribuintes de um país acaba ajudando a reduzir os preços pagos por consumidores de outros países.

Crianças de Tupã trocam telas pela rotina no campo e se aproximam do agro

Crianças de Tupã trocam telas pela rotina no campo e se aproximam do agro
Reprodução / TV TEM
Filhas de uma família de trabalhadores rurais de Tupã (SP), três irmãs trocam parte do tempo de tela pelas atividades no campo. Além de cuidar da horta e andar a cavalo, elas transformaram o contato com o agro em aprendizado, lazer e até fonte de renda.
A família Castro Alvares mantém uma tradição ligada ao trabalho rural há gerações. O vínculo com a vida no campo também faz parte da rotina das filhas, que preferem atividades ao ar livre e o contato com a natureza ao uso excessivo de telas.
A mais velha das irmãs, Maria Augusta Freitas de Castro, de 11 anos, estuda em período integral. Quando chega em casa, porém, prefere dedicar o tempo livre aos cuidados com a horta e aos passeios a cavalo.
Quando usa o celular e a internet, Maria Augusta aproveita as ferramentas para empreender. Ela produz acessórios e pulseiras inspirados no universo rural.
O que começou com vendas na escola ganhou novos espaços e hoje os produtos são comercializados em três lojas da região. Parte do dinheiro arrecadado é destinada ao dízimo e ao pagamento do celular. Além disso, ela e a irmã economizam para comprar uma sela nova.
A irmã do meio, Maria Helena Freitas Costa, de 10 anos, também encontrou no campo uma oportunidade de aprendizado e renda. Com uma pequena horta criada pelos pais, ela passou a cultivar e vender os próprios produtos.
Segundo a menina, a produção começou com sementes. Mais tarde, ela adotou o plantio por mudas e percebeu um crescimento mais rápido das plantas.
Depois da escola, Maria Helena dedica parte do tempo aos cuidados com a horta, realizando tarefas de limpeza e manutenção do espaço.
Para as irmãs, a tranquilidade e o contato com a natureza são alguns dos principais atrativos da vida no campo. Elas acreditam que mais crianças deveriam conhecer o universo agropecuário, especialmente aquelas que passam grande parte do dia em frente às telas.
O interesse pela vida rural também já chegou à caçula da família. Aos 3 anos, Maria Leonora Freitas de Castro acompanha as irmãs nas atividades do campo, ajuda a cuidar das plantas e já começa a andar a cavalo.
Veja a reportagem exibida no programa em 11/10/2026:
Crianças de Tupã trocam telas pela rotina no campo e se aproximam do agro
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Produtores de lichia ampliam mercado e apostam em novos produtos para reduzir perdas

Produtores de lichia ampliam mercado e apostam em novos produtos para reduzir perdas
Reprodução / TV TEM
A cidade de Itaí (SP), principal polo produtor de lichia da região, tem cerca de 170 hectares cultivados e aproveita o clima favorável para ampliar a produção da fruta. Para aumentar o período de colheita e reduzir perdas, produtores investem em diferentes variedades de lichia e na diversificação dos produtos comercializados.
Para evitar desperdícios e ampliar a oferta da fruta ao longo da safra, o produtor rural Ricardo Pinto cultiva variedades precoces, médias e tardias. Com isso, a colheita se estende do fim de novembro até janeiro.
As vendas, porém, vão além da fruta in natura. Segundo o produtor, cerca de 20% das lichias colhidas eram descartadas por não atenderem aos padrões de comercialização.
Para aproveitar melhor a produção, a propriedade desenvolveu novos produtos. Hoje, comercializa nove opções derivadas da fruta, entre elas lichia congelada, desidratada, liofilizada e aguardente.
A estratégia também ampliou o período de geração de renda. O lucro, antes concentrado entre dezembro e janeiro, passou a ocorrer ao longo de todo o ano.
A lichia fresca também ganha espaço no mercado internacional. Cerca de 40% da produção é exportada. Como a fruta tem curta durabilidade, o transporte precisa ser feito rapidamente para garantir a qualidade do produto.
Produtores da região defendem mais investimentos para fortalecer a cadeia produtiva. A proposta é formar uma rede de abastecimento capaz de atender à demanda de uma futura fábrica de suco de lichia, que poderá ser a primeira do Brasil.
Com a aproximação da colheita de 2026, os cuidados nos pomares são reforçados. O gerente de produção Emerson Brezer, de Campos de Holambra (SP), destaca que a poda após a colheita é essencial para manter a saúde das plantas e favorecer a produção nos ciclos seguintes.
Além da poda, a nutrição adequada e a polinização das árvores ajudam a garantir uma boa safra. Alguns produtores também aproveitam a florada para produzir mel de lichia, agregando valor à cultura.
Veja a reportagem exibida no programa em 11/10/2026:
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