Aprenda a criar tilápias em cativeiro

Imagem ilustrativa de tilápia.
Reprodução/TV TEM
Quem deseja aprender mais sobre a criação de tilápias em cativeiro pode consultar uma publicação gratuita da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O material reúne orientações sobre a recria de tilápias, uma das etapas da produção dos peixes, e explica como instalar um sistema de recirculação de água e iniciar o povoamento dos tanques.
A publicação também apresenta informações sobre como acompanhar os resultados da criação e os cuidados necessários para manter as condições adequadas da água.
Entre as orientações estão o controle da temperatura e do pH da água, fatores importantes para o desenvolvimento dos peixes.
O material da Embrapa é gratuito e pode ser consultado por produtores e pessoas interessadas na criação de tilápias em cativeiro.
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Déficit das contas públicas dos EUA sobe a US$ 1,99 trilhão, maior em 5 anos

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O déficit das contas públicas dos Estados Unidos subiu para US$ 1,99 trilhão no ano fiscal de 2026, encerrado em 30 de setembro, alta de US$ 217 bilhões em relação ao período anterior.
O resultado é o maior em cinco anos e foi impulsionado por gastos recordes do governo, pelo aumento das despesas com a dívida pública e por reembolsos de tarifas de importação, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (16) pelo Departamento do Tesouro americano.
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O resultado representa o primeiro ano fiscal completo do segundo mandato do presidente Donald Trump. Em 2025, o déficit havia sido de US$ 1,78 trilhão.
Apesar do aumento, o resultado ficou abaixo do registrado em 2021, quando o déficit chegou a US$ 2,77 trilhões, em meio aos gastos do governo para enfrentar os efeitos da pandemia de Covid-19. O resultado de 2026 é o terceiro maior déficit anual já registrado pelos Estados Unidos.
🔍 Déficit público ocorre quando o governo gasta mais do que arrecada em impostos e outras receitas. Para cobrir essa diferença, o governo precisa buscar recursos, geralmente por meio da emissão de títulos da dívida pública.
Gastos do governo batem recorde
As despesas do governo americano somaram US$ 7,40 trilhões no ano fiscal de 2026, um recorde e um aumento de 6% em relação aos US$ 7,01 trilhões registrados no período anterior.
As receitas também atingiram um patamar recorde, de US$ 5,40 trilhões, alta de 3% na comparação com os US$ 5,24 trilhões de 2025.
Mesmo com o aumento da arrecadação, as despesas cresceram em ritmo mais acelerado, ampliando o déficit das contas públicas.
Custo da dívida pública aumenta
Uma das principais pressões sobre o orçamento foi o custo do serviço da dívida pública. Os gastos com juros e outras despesas relacionadas ao endividamento somaram US$ 1,36 trilhão, alta de US$ 144 bilhões, ou 12%, em relação ao ano anterior.
Com esse resultado, o serviço da dívida se tornou a terceira maior categoria de gastos do governo americano, atrás apenas da Previdência Social e das despesas combinadas com os programas Medicare e Medicaid, que financiam serviços de saúde.
A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões cerca de dois meses antes da divulgação dos dados.
Reembolsos de tarifas pressionam as contas
Outro fator que contribuiu para o aumento do déficit foi a redução da receita líquida com tarifas de importação.
Após uma decisão da Suprema Corte americana que derrubou grande parte das tarifas impostas por Trump em seu primeiro ano de mandato, o governo teve de realizar reembolsos a importadores.
Segundo a Reuters, os reembolsos somaram US$ 145 bilhões no ano fiscal de 2026. Com isso, a receita líquida com tarifas caiu US$ 22 bilhões, uma redução de 11%, para cerca de US$ 173 bilhões.
O Tesouro americano estimou que o déficit correspondeu a 6,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, acima da proporção de 5,8% registrada no ano fiscal de 2025.
Em setembro, último mês do ano fiscal, o governo registrou déficit de US$ 27 bilhões. No mesmo mês do ano anterior, havia sido registrado superávit de US$ 198 bilhões.
O presidente dos EUA, Donald Trump, fala com membros da imprensa após desembarcar do Air Force One, depois de participar de um comício de campanha em Clarksville, Tennessee, na Base Aérea Conjunta Andrews, Maryland, EUA, em 10 de outubro de 2026
REUTERS/Eric Lee
*Com informações da Reuters

Fim da escala 6×1 é oficializado no Diário Oficial; quando entra em vigor? Veja datas

Fim da escala 6×1: Quando começa a valer e quais são as profissões impactadas 
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6×1 e garante dois dias de descanso remunerado por semana foi promulgada pelo Congresso Nacional nesta sexta-feira (16). O ato marca o início do período de transição até a entrada em vigor das novas regras.
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As novas regras não entram em vigor imediatamente. Segundo Hugo Luiz Schiavo, advogado trabalhista e sócio do A. C. Burlamaqui Advogados, as mudanças começarão a valer dois meses após a publicação da emenda constitucional. (veja abaixo como funcionará a transição)
A partir desse prazo, os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado. A proposta também prevê a possibilidade de compensação prevista em norma coletiva, desde que seja assegurada a média de dois dias de descanso por semana.
A PEC estabelece ainda a redução gradual da jornada semanal, sem diminuição salarial. No primeiro ano de transição, o limite será de 42 horas semanais. Depois desse período, a jornada máxima será reduzida para 40 horas.
Com a promulgação da PEC na manhã desta sexta-feira (16), o texto foi aprovado pelo Senado Federal sem alterações em relação à versão aprovada pela Câmara dos Deputados. Por isso, não precisou retornar aos deputados e seguiu diretamente para a promulgação.
Após a promulgação, a emenda foi publicada no Diário Oficial da União (DOU). A partir da publicação, começam a contar os prazos de transição. Considerando a publicação em 16 de outubro de 2026, o cronograma previsto é:
16 de dezembro de 2026: início das novas regras, com jornada máxima de 42 horas semanais e dois dias de descanso remunerado por semana.
16 de dezembro de 2027: redução da jornada máxima para 40 horas semanais, ao fim do período de transição previsto.
Veja as principais perguntas e respostas sobre o fim da escala 6×1.
O que muda para o trabalhador? E para a empresa?
Quando começam os dois dias de folga?
Como será a transição de 44 para 40 horas?
A empresa terá que mudar os contratos de trabalho?
Será necessária negociação coletiva?
Como ficam horas extras e banco de horas?
O que acontece com categorias que têm escalas especiais?
O que muda para o trabalhador? E para a empresa?
Depois de aprovada e promulgada, o trabalhador terá direito a dois dias de descanso remunerado por semana, em vez da possibilidade atual de trabalhar seis dias e ter apenas um dia de folga.
A jornada máxima também será reduzida gradualmente. O limite atual de 44 horas semanais cairá primeiro para 42 horas e, depois, para 40 horas.
A redução deverá ocorrer sem diminuição do salário, inclusive dos pisos salariais das categorias. Um dos dois dias de descanso deverá ser, preferencialmente, o domingo.
“Para a empresa, isso significa aumento do valor de cada hora trabalhada. Em uma conta direta, a redução de 44 para 40 horas, com manutenção do salário, eleva em aproximadamente 10% o custo da hora”, explica Jorge Soares, advogado do direito do Trabalho e sócio do IW Melcheds Advogados.
Segundo o especialista, as empresas terão de reorganizar escalas, controles de jornada e equipes. Para aquelas que funcionam sete dias por semana, a mudança pode exigir novas contratações, pagamento de horas extras ou redistribuição de turnos.
Na avaliação da advogada trabalhista Tatiana Sant’Anna, o principal desafio será transformar a mudança constitucional em uma nova organização do trabalho, e não apenas alterar o controle de ponto.
“Uma redução da jornada exige revisão de escalas, dimensionamento das equipes, intervalos, banco de horas, horas extras e, quando houver, negociação coletiva”, diz a advogada do escritório Durão, Almeida & Pontes.
A mudança, porém, não começará imediatamente após a votação. Os novos limites só passarão a valer depois da promulgação da Emenda à Constituição, seguindo os prazos previstos no texto.
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Quando começam os dois dias de folga?
O primeiro prazo previsto é de 60 dias após a promulgação da Emenda à Constituição.
A partir daí, o trabalhador passaria a ter direito aos dois dias de descanso remunerado por semana, e o limite da jornada cairia de 44 para 42 horas semanais.
Depois, 14 meses após a promulgação, o limite seria reduzido definitivamente para 40 horas semanais.
Algumas categorias terão regras específicas. Atividades contínuas e essenciais, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, poderão adotar formas diferentes de organização da jornada por meio de acordos ou convenções coletivas.
Também há regras específicas para trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto da Previdência Social. Para esses profissionais, os limites gerais de jornada e as regras de controle de horário terão tratamento diferenciado, mas permanece o direito a dois dias de descanso por semana.
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Como será a transição de 44 para 40 horas?
Os prazos para a mudança da jornada começarão a contar a partir da promulgação.
A primeira mudança ocorrerá 60 dias depois: o limite semanal cairá de 44 para 42 horas, e os trabalhadores passarão a ter direito a dois dias de descanso remunerado por semana, sendo um deles preferencialmente aos domingos.
Durante os 12 meses seguintes, convenções e acordos coletivos poderão estabelecer uma jornada diária superior a oito horas para organizar a escala de 42 horas semanais, desde que os dois dias de descanso sejam mantidos.
Ou seja, depois de 14 meses da promulgação, a jornada máxima será reduzida definitivamente para 40 horas semanais, sem redução de salário.
Para trabalhadores terceirizados que prestam serviços à administração pública, a redução da jornada dependerá, inicialmente, da assinatura de um termo aditivo aos contratos. Os órgãos públicos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse prazo, a redução passará a valer automaticamente.
Já para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte, a PEC prevê a criação de uma lei complementar com regras específicas para a transição, desde que sejam preservados os níveis de emprego nesses segmentos.
Para o advogado Jorge Soares, nos próximos cinco anos, a mudança pode estimular a produtividade, o uso de tecnologia e modelos mais eficientes de gestão. Por outro lado, empresas que não conseguirem compensar o aumento de custos poderão reduzir margens, repassar preços, diminuir contratações, automatizar atividades ou rever unidades menos rentáveis.
“O benefício ao trabalhador é evidente em termos de tempo disponível, mas o sucesso econômico da medida dependerá de uma transição bem planejada, especialmente nos setores intensivos em mão de obra”, reitera Thaiz Nobrega, advogada especialista em direito do trabalho.
Segundo Tatiana Sant’Anna, o período de adaptação poderá ser usado pelas empresas para identificar quais contratos, setores e funções serão mais afetados.
“A empresa que deixar para fazer essa adaptação somente depois de a mudança entrar em vigor poderá enfrentar dificuldades para reorganizar sua operação. O momento é de mapear jornadas, identificar atividades que dependem de escalas diferenciadas e avaliar, com o suporte jurídico e de recursos humanos, quais ajustes serão necessários”, afirma.
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A empresa terá que mudar os contratos de trabalho?
Não necessariamente. A mudança da jornada será aplicada aos contratos de trabalho de acordo com as novas regras, mas a necessidade de alteração formal dependerá da situação de cada trabalhador.
“As empresas deverão revisar políticas internas, regulamentos e acordos individuais que façam referência a jornadas superiores a 40 horas semanais”, afirmam Renato Canizares, sócio da área trabalhista do Demarest, e Patrick Lobo, advogado do trabalho do Demarest.
Para a maioria dos empregados contratados pela CLT, a redução para 42 horas e, posteriormente, para 40 horas semanais será aplicada aos contratos em vigor, sem redução de salário. A mesma regra vale para os pisos salariais.
Quem já trabalha 40 horas semanais ou menos não terá uma nova redução proporcional da jornada. Esses trabalhadores, porém, também passarão a ter direito aos dois dias de descanso semanal remunerado, conforme as regras da proposta.
Há ainda regras específicas para os chamados “hipersuficientes” — trabalhadores com diploma de curso superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS.
Para esse grupo, os limites gerais de jornada e o controle de horário poderão ter tratamento diferenciado, permitindo maior flexibilidade na relação com o empregador. O direito aos dois dias de descanso semanal, porém, permanece.
Nos contratos de terceirização de mão de obra com a administração pública, a redução dependerá inicialmente de um termo aditivo entre a empresa prestadora do serviço e o órgão público. O objetivo é adequar o contrato e preservar o equilíbrio econômico-financeiro.
Os órgãos terão até um ano para fazer essa alteração. Se não houver acordo nesse período, a redução da jornada passará a valer automaticamente para os trabalhadores terceirizados, sem redução salarial.
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Será necessária negociação coletiva?
Não em todos os casos. A nova jornada será uma regra geral, mas a negociação coletiva poderá ser necessária para definir como a mudança será aplicada em determinadas categorias e escalas.
“A nova regra constitucional será de aplicação direta e imediata, ou seja, independe de convenção ou acordo coletivo para ter validade”, reiteram os especialistas do Demarest.
Em atividades que funcionam continuamente ou utilizam jornadas diferenciadas, como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana, acordos e convenções coletivas poderão estabelecer formas específicas de organização e compensação da jornada, respeitando os limites previstos na nova regra.
Para os trabalhadores submetidos à regra geral, a redução da jornada não dependerá de uma negociação coletiva para passar a valer. Os sindicatos e as empresas, porém, poderão negociar a forma de distribuir as horas e organizar a adaptação durante o período de transição.
Os acordos e convenções coletivas já existentes também deverão ser avaliados para verificar se precisam ser adequados às novas regras.
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Como ficam horas extras e banco de horas?
A redução da jornada não acaba com as horas extras nem com mecanismos de compensação, como o banco de horas.
Esses instrumentos continuarão podendo ser utilizados, desde que respeitem os novos limites e as regras previstas na legislação e nos acordos ou convenções coletivas.
Durante a transição, a negociação coletiva também poderá estabelecer formas de distribuição das horas trabalhadas para facilitar a adaptação das empresas.
Para quem estiver sujeito à regra geral, as horas trabalhadas além da jornada normal continuarão sendo consideradas horas extras e deverão ser pagas ou compensadas de acordo com as regras aplicáveis.
Canizares e Lobo, do Demarest, explicam que a mudança exige atenção redobrada dos departamentos de RH e das áreas responsáveis pela gestão de pessoal, especialmente em empresas que trabalham com turnos e compensação de horas entre diferentes semanas.
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O que acontece com categorias que têm escalas especiais?
Categorias que trabalham em escalas diferenciadas ou em atividades de funcionamento contínuo poderão ter regras específicas para organizar a jornada.
A proposta permite que atividades como saúde, segurança, transporte e limpeza urbana adotem, de forma excepcional, regimes de compensação por meio de acordos ou convenções coletivas.
Nesses casos, os dias de descanso poderão ser distribuídos de maneira diferente da regra geral, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de repouso previstos na proposta.
A PEC também prevê que leis específicas regulamentem as condições de trabalho de categorias com características próprias. Por isso, a forma como escalas como a 12×36 serão adaptadas dependerá das regras que forem aprovadas e das negociações coletivas de cada setor.
Na prática, a mudança não significa que todas as categorias terão de adotar a mesma escala. A regra geral será adaptada às necessidades de cada atividade, dentro dos limites estabelecidos pela nova legislação.
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Congresso marca a promulgação do fim da escala 6×1 para sexta-feira (16)
Jornal Nacional/ Reprodução

Petróleo dispara e Brent chega a US$ 110 pela 1ª vez desde maio; veja o que pressiona os preços

Miriam Leitão: Petróleo impacta crescimento global da economia
O petróleo Brent atingiu US$ 110 por barril pela primeira vez desde maio, diante do temor de que o aumento das tensões no Oriente Médio restrinja ainda mais a oferta global.
Os investidores também avaliaram quanto diesel a Rússia conseguirá fornecer ao mercado internacional.
Os contratos futuros do Brent, referência internacional para os preços do petróleo, fecharam nesta sexta-feira (16) em alta de US$ 3,94, ou 3,7%, a US$ 109,86 por barril, o maior valor desde 19 de maio.
Já os contratos do West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subiram US$ 3,44, ou 3,5%, e encerraram o dia a US$ 101,41 por barril, no maior patamar desde 17 de setembro.
Na semana, até o momento, o Brent acumula alta de 4,9%, enquanto o WTI avançou 10,4%.
Segundo a consultoria Energy Aspects, consultada pela Reuters, os preços voltaram a subir após uma queda anterior, em meio ao temor de uma escalada do conflito e a relatos de possíveis ataques à infraestrutura de energia da Arábia Saudita.
Relatos da imprensa israelense indicaram que o Irã poderia estar preparando um ataque preventivo, após serviços de inteligência ocidentais identificarem movimentações militares incomuns.
Embora não tenham sido confirmadas, essas informações reforçaram a preocupação com novos confrontos e possíveis interrupções no fornecimento de petróleo, segundo a consultoria.
Uma coalizão liderada pela Arábia Saudita informou ter interceptado e destruído um míssil balístico lançado em direção a Yanbu, cidade portuária no Mar Vermelho.
🔎 O porto é estratégico para o país porque permite escoar petróleo para o mercado internacional por uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz, passagem marítima importante para o transporte global da commodity.
De acordo com a consultoria Rapidan Energy Group, também ouvida pela Reuters, as primeiras informações indicavam que não houve danos à infraestrutura de Yanbu.
Ataques a refinarias na Rússia
A oferta de combustíveis também é motivo de preocupação por causa dos ataques ucranianos a instalações de petróleo russas.
Na quinta-feira (15), a Ucrânia atacou uma refinaria na Rússia, depois que o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, anunciou que Kiev abandonaria a trégua que abrangia instalações de energia.
O cessar-fogo havia sido anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Zelenskiy também criticou a disposição de Trump de negociar acordos com Moscou.
Zelensky critica acordo entre Trump e Putin sobre diesel russo: ‘Investimento na guerra’
A refinaria de Ryazan, na Rússia, interrompeu as operações em uma unidade de destilação primária de petróleo após um ataque com drones na região, na quinta-feira, segundo duas fontes do setor ouvidas pela Reuters.
A destilação primária é uma etapa inicial do refino em que o petróleo é aquecido e separado em diferentes componentes, que podem ser usados na produção de combustíveis, como diesel e gasolina.
Para Dennis Kissler, vice-presidente sênior de operações da BOK Financial, entrevistado pela Reuters, a combinação das tensões no Oriente Médio com as dúvidas sobre a capacidade russa de fornecer diesel tem incentivado os investidores a comprar petróleo.
Na tentativa de ampliar a oferta, a Agência Internacional de Energia (AIE) concordou, na quinta-feira, em liberar mais de 20 milhões de barris de combustíveis no mercado.
Os Estados Unidos também abriram, na sexta-feira (16), uma chamada para propostas de troca de até 17 milhões de barris de petróleo da Reserva Estratégica de Petróleo do país, segundo o Departamento de Energia americano.
A reserva é um estoque mantido pelo governo para ajudar a enfrentar situações de interrupção no abastecimento.
petróleo
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração

Escala 6×1 acabou. E agora? Veja perguntas e respostas para entender tudo sobre mudança

PEC do fim da escala 6×1 será promulgada nesta sexta (16), diz Alcolumbre
O Congresso Nacional promulgou nesta sexta-feira (16) a emenda constitucional que acaba com a escala 6×1 e garante dois dias de repouso remunerado por semana. A medida também reduz gradualmente a jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial.
É a primeira redução geral da jornada de trabalho no país em 38 anos. A última havia ocorrido na Constituição de 1988, quando o limite semanal caiu de 48 para 44 horas.
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O caminho até a aprovação passou por propostas apresentadas no Congresso ao longo da última década, ganhou força com a mobilização de trabalhadores nas redes sociais e acabou se transformando em uma das pautas mais debatidas do país durante as eleições de 2026.
Mas, apesar da ampla repercussão, muita gente ainda tem dúvidas sobre o que realmente muda na prática, quem será beneficiado, quando as novas regras passam a valer e se esse direito poderá ser alterado no futuro.
Para ajudar, o g1 reuniu abaixo os principais pontos que todo trabalhador precisa saber sobre o fim da escala 6×1.
O que muda e quando muda?
Quem fica fora das novas regras?
Novo direito é permanente ou pode ser revertido?
Como foi a votação?
Quem foi contra a PEC?
Quem é o autor da PEC?
O que mudou na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988?
Como começou o movimento pelo fim da escala 6×1?
Mudança da escala 6×1 teve grande adesão nas redes sociais e impulsionou projetos no Congresso
Tânia Rêgo/Agência Brasil
O que muda e quando muda?
A mudança aprovada pelo Congresso altera dois pontos centrais da jornada de trabalho prevista na Constituição Federal: reduz o limite máximo de horas que podem ser exigidas por semana e amplia o período mínimo de descanso garantido aos trabalhadores.
Hoje, o limite constitucional é de 44 horas semanais.
O texto também garante dois dias de descanso remunerado por semana e determina preferência para que um deles seja concedido aos domingos.
📅 As folgas, porém, não precisam ocorrer no fim de semana nem ser consecutivas. A nova regra determina apenas que o trabalhador tenha dois períodos de descanso de 24 horas cada, que podem ser concedidos em dias intercalados, como terça e quinta-feira.
A mudança elimina a possibilidade de adoção da escala 6×1 como modelo regular de jornada. Ao mesmo tempo, preserva o limite máximo de oito horas diárias de trabalho e não altera outros direitos já assegurados pela legislação trabalhista.
Com a aprovação em dois turnos pela Câmara dos Deputados e pelo Senado Federal, a proposta deixa de ser uma PEC e passa a integrar oficialmente a Constituição como uma Emenda Constitucional.
A diferença é importante: enquanto projetos de lei precisam da sanção do presidente da República para entrarem em vigor, as emendas constitucionais são promulgadas pela própria Mesa do Congresso Nacional após a aprovação pelos parlamentares.
Mesmo assim, existe um intervalo entre a promulgação e a aplicação das novas regras. É que a emenda prevê uma implementação gradual para permitir a adaptação de empresas e trabalhadores.
Primeira etapa
Início em 16 de dezembro de 2026;
redução da jornada máxima de 44 para 42 horas semanais;
garantia de dois dias de descanso remunerado por semana
Segunda etapa
Início em 16 de dezembro de 2027;
redução definitiva da jornada máxima para 40 horas semanais.
Na prática, a implementação completa ocorreria cerca de 14 meses após a promulgação da emenda constitucional.
Quem fica fora das novas regras?
O impacto mais imediato será sentido pelos cerca de 14,8 milhões de brasileiros que atualmente trabalham na escala 6×1. Mas os efeitos da mudança vão além.
Quem já trabalha de segunda a sexta-feira também poderá ser beneficiado. Hoje, muitos empregados cumprem jornadas de oito horas e 48 minutos por dia para completar as 44 horas semanais e compensar o descanso de sábado.
Com a redução gradual do limite constitucional para 40 horas, essas jornadas também deverão diminuir, sem redução salarial.
A nova regra alcança a maior parte dos trabalhadores regidos pela CLT, incluindo empregados da iniciativa privada e terceirizados. No caso dos terceirizados que prestam serviços para órgãos públicos, a adequação dependerá inicialmente de ajustes contratuais entre as empresas e os órgãos contratantes.
⚠️ Apesar do alcance amplo, a emenda prevê algumas situações específicas. Abaixo, veja quem fica fora ou terá regras diferenciadas:
Profissionais de alta renda (“hipersuficientes”): trabalhadores com diploma de ensino superior e remuneração superior a 2,5 vezes o teto do INSS, atualmente acima de R$ 21,1 mil por mês, não ficam sujeitos obrigatoriamente ao novo limite semanal de 40 horas nem ao controle formal de jornada. O direito aos dois dias de descanso, porém, continua garantido.
Serviços essenciais: hospitais, serviços de emergência, segurança pública, transporte coletivo, limpeza urbana e outras atividades que funcionam de forma contínua poderão manter escalas diferenciadas, como a jornada 12×36, desde que sejam respeitados os períodos mínimos de descanso previstos na legislação e nos acordos coletivos.
Profissionais PJ e autônomos: como não possuem vínculo formal de emprego, não passam a ser alcançados diretamente pelas novas regras da CLT. Nesses casos, continuam valendo as condições previstas nos contratos firmados entre as partes.
Categorias que já possuem jornada menor: bancários, operadores de telemarketing e outros profissionais que já contam com jornadas inferiores a 40 horas semanais não terão uma nova redução automática da carga horária nem direito a um terceiro dia de folga.
Microempreendedores Individuais (MEIs): a emenda não altera automaticamente a rotina de quem trabalha como MEI. Porém, se o microempreendedor tiver funcionário contratado com carteira assinada, deverá cumprir integralmente as novas regras em relação a esse empregado.
Além disso, o texto prevê a criação de uma futura lei complementar para estabelecer regras de transição específicas para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, com o objetivo de reduzir impactos e preservar empregos.
A aprovação da emenda também não acaba com as horas extras nem com o banco de horas. Ambos continuam existindo normalmente e poderão ser utilizados dentro das regras já previstas na legislação trabalhista.
Na prática, a nova regra passa a valer para a imensa maioria dos trabalhadores com carteira assinada, mas preserva regimes especiais já existentes e estabelece tratamentos específicos para algumas categorias e formas de contratação.
Novo direito é permanente ou pode ser revertido?
Do ponto de vista jurídico, a mudança passa a ter uma proteção muito maior do que uma lei comum.
Isso acontece porque a redução da jornada e a garantia de dois dias de descanso semanal foram incorporadas diretamente ao artigo 7º da Constituição Federal, que reúne os principais direitos dos trabalhadores brasileiros.
A nova regra passa a ocupar o mesmo nível constitucional de garantias históricas como férias remuneradas, 13º salário, FGTS, seguro-desemprego e licença-maternidade.
Por isso, nenhuma lei aprovada pelo Congresso nem uma eventual mudança de governo poderão simplesmente derrubar o novo direito.
Para que isso aconteça, seria necessário alterar novamente a própria Constituição.
Em outras palavras, qualquer tentativa de reduzir o número de folgas, aumentar a jornada máxima ou modificar as novas garantias exigiria a apresentação de uma nova Proposta de Emenda à Constituição (PEC), repetindo praticamente todo o processo legislativo enfrentado pela proposta agora aprovada.
E esse não é um caminho simples. Uma PEC só pode ser aprovada com o apoio de três quintos dos parlamentares em cada uma das duas Casas do Congresso Nacional, em dois turnos de votação.
Por isso, especialistas consideram que uma eventual reversão da medida enfrentaria dificuldades políticas consideráveis, especialmente após a incorporação do novo direito ao texto constitucional.
Isso não significa, porém, que o debate esteja encerrado. Mesmo antes da promulgação da emenda, parlamentares da oposição e parte do setor empresarial já defendiam modelos alternativos para a organização das jornadas de trabalho.
A principal iniciativa nesse sentido é a chamada PEC da Jornada Flexível (PEC 12/2026), apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN) após o avanço da proposta principal no Congresso.
A ideia é criar um sistema baseado nas horas efetivamente trabalhadas, permitindo que empresas e trabalhadores optem por contratos mais flexíveis.
Nesse modelo, o pagamento passaria a ser calculado de forma proporcional às horas trabalhadas. Benefícios como férias, 13º salário e FGTS também poderiam ser pagos proporcionalmente, seguindo uma lógica diferente daquela adotada pela CLT tradicional.
A proposta também prevê maior peso para os contratos individuais de trabalho, reduzindo a influência de acordos e convenções coletivas.
Lideranças do PL já declararam publicamente que pretendem retomar a discussão da PEC 12/2026 a partir de 2027. A intenção é oferecer uma alternativa ao modelo recém-incorporado à Constituição, permitindo jornadas menores acompanhadas de remuneração proporcional ao tempo efetivamente trabalhado.
Por enquanto, porém, a única mudança aprovada e incorporada à Constituição é a que extingue a escala 6×1 como modelo regular de jornada.
Como foi a votação?
Embora o fim da escala 6×1 tenha se transformado em uma das pautas mais populares do debate público nos últimos anos, a aprovação da proposta não aconteceu sem resistência.
Ao longo da tramitação, parlamentares apresentaram 37 emendas para alterar pontos centrais do texto, defenderam uma transição mais longa e tentaram adiar a votação para depois das eleições.
A proximidade das eleições e pesquisas apontando cerca de 70% de apoio popular à redução da jornada, no entanto, acabaram aumentando a pressão sobre parlamentares de diferentes partidos.
O movimento se tornou ainda mais visível quando lideranças que inicialmente faziam críticas à proposta passaram a adotar um discurso mais favorável ou menos contundente.
Foi o caso do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL), que havia se manifestado contra a PEC e defendido modelos alternativos de contratação, mas declarou voto favorável na reta final da tramitação e liberou a bancada do partido para votar como entendesse.
Foi nesse cenário que a PEC começou a avançar com ampla maioria no Congresso.
No plenário, a PEC recebeu 472 votos favoráveis e 22 contrários, no primeiro turno. No segundo turno, o placar foi de 461 votos a favor e 19 contra, números muito acima dos 308 votos necessários para alterar a Constituição.
Os votos contrários ficaram concentrados principalmente em parlamentares do PL, Novo, MDB, União Brasil, PSD, PP e Missão. Já a base governista apoiou integralmente a proposta. Todos os 65 deputados do PT votaram favoravelmente nas duas votações.
Após a aprovação na Câmara, o texto seguiu para o Senado. A tramitação foi mais rápida. O relator na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Omar Aziz (PSD-AM), apresentou parecer favorável e rejeitou as emendas que buscavam modificar o conteúdo da proposta.
Com acordo entre as lideranças para acelerar o processo, os dois turnos de votação aconteceram na mesma sessão. A PEC foi aprovada por 75 votos favoráveis e apenas um contrário nos dois turnos.
O único voto contra foi do senador Hamilton Mourão (Republicanos-RS). Já o senador Sergio Moro (PL-PR) registrou presença, mas não votou em nenhuma das duas votações.
Como os senadores aprovaram exatamente o mesmo texto enviado pela Câmara, sem alterações de mérito, a proposta não precisou voltar para análise dos deputados e seguiu diretamente para promulgação pelo Congresso Nacional.
Quem foi contra a PEC?
Além de parlamentares – conforme explicado acima – a emenda enfrenta resistência de parte do setor empresarial e de parlamentares que defendem um modelo mais flexível de negociação entre empresas e empregados.
Os críticos da medida não costumam questionar apenas o fim da escala 6×1. A principal divergência está na forma escolhida para promover essa mudança.
Para esse grupo, questões relacionadas à jornada de trabalho deveriam ser negociadas entre empregadores e trabalhadores por meio de acordos coletivos ou contratos específicos, em vez de serem definidas diretamente pela Constituição Federal.
O argumento é que diferentes setores da economia possuem realidades distintas e, por isso, precisariam de maior flexibilidade para organizar escalas e horários.
Outra preocupação recorrente diz respeito ao impacto financeiro da medida, especialmente para pequenos negócios.
Durante a tramitação da PEC na Câmara dos Deputados, representantes de diversos setores empresariais afirmaram que a redução da jornada sem redução salarial tende a elevar os custos das empresas.
Foi justamente por causa dessas preocupações que o texto aprovado previu a criação de uma futura lei complementar com regras específicas de transição para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte.
Entidades empresariais também divulgaram estudos alertando para possíveis efeitos econômicos da mudança.
Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), 70% das indústrias brasileiras acreditam que a medida pode reduzir a competitividade das empresas e 68% avaliam que ela poderá provocar queda na produtividade.
A entidade estima ainda que a redução da jornada para 40 horas semanais sem corte salarial pode elevar os custos de produção em até R$ 267,2 bilhões e provocar aumento médio de 6,2% nos preços ao consumidor.
No setor de bares e restaurantes, a preocupação é semelhante. A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) calcula que estabelecimentos que funcionam seis dias por semana poderão registrar aumento próximo de 20% nos custos operacionais.
Já a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) afirma que a redução da jornada pode afetar a competitividade das empresas brasileiras e trazer impactos negativos para a geração de empregos formais.
A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), por sua vez, declarou que cumprirá as novas regras, mas alertou para possíveis reflexos sobre a produção, a oferta de alguns produtos e os custos repassados ao consumidor.
Quem é o autor da PEC?
Embora o fim da escala 6×1 tenha ganhado força nos últimos anos, a discussão sobre a redução da jornada de trabalho é bem mais antiga e atravessa diferentes governos, partidos e legislaturas.
Uma das primeiras propostas a tratar do tema no Congresso foi apresentada em 2015 pelo senador Paulo Paim (PT-RS). A PEC defendia a redução gradual da jornada semanal de 44 para 36 horas e também previa a ampliação do período de descanso dos trabalhadores.
Anos depois, a pauta voltou ao centro do debate com a apresentação da PEC 221/2019, do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG). O texto propunha uma redução ainda mais ampla da jornada, de 44 para 36 horas semanais, ao longo de uma década.
Mais recentemente, a discussão ganhou novo fôlego com a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (PSOL-SP). A proposta ficou conhecida por defender uma semana de trabalho de quatro dias, modelo que passou a ser chamado de escala 4×3.
Em paralelo à tramitação dessas propostas, o próprio governo federal passou a defender uma redução mais moderada da jornada. Em 2026, apresentou um projeto com a previsão de diminuir o limite constitucional de 44 para 40 horas semanais e garantir dois dias de descanso sem redução salarial.
Assim eram, inicialmente, as propostas:
Ad PECs e PL que propõe o fim da escala 6×1
g1
Ao longo da tramitação na Câmara dos Deputados, essas diferentes iniciativas acabaram convergindo.
Coube ao deputado Leo Prates (Republicanos-BA), escolhido relator da matéria, unir as propostas em um único texto.
Em vez da redução para 36 horas prevista em algumas PECs ou da adoção imediata da semana de quatro dias, o parlamentar optou por uma solução intermediária: a redução gradual da jornada para 40 horas semanais, acompanhada de um período de transição para permitir a adaptação das empresas.
A proposta recebeu apoio do presidente da Câmara, Hugo Motta, e avançou com ampla maioria entre os deputados.
No Senado, a relatoria ficou com Omar Aziz (PSD-AM). Ao analisar a matéria na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), o senador apresentou parecer favorável e defendeu a manutenção integral do texto aprovado pela Câmara.
Ou seja, a emenda promulgada nesta sexta-feira é resultado da combinação de diversas iniciativas que foram apresentadas ao longo da última década.
O que mudou na jornada de trabalho desde a Constituição de 1988?
A nova regra encerra um intervalo de quase quatro décadas sem mudanças no limite máximo da jornada de trabalho no país.
A última redução geral havia ocorrido em 1988, durante a elaboração da Constituição Federal. Naquele momento, os constituintes diminuíram a jornada semanal de 48 para 44 horas e ampliaram uma série de direitos dos trabalhadores.
Agora, 38 anos depois, o Brasil volta a alterar uma das regras mais importantes das relações de trabalho ao reduzir gradualmente o limite semanal para 40 horas e garantir dois dias de descanso remunerado.
A mudança coloca a nova emenda ao lado de marcos históricos da legislação trabalhista brasileira, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), do descanso semanal remunerado, do 13º salário e do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).
Ao longo das últimas décadas, diversos direitos foram incorporados à legislação. Entre eles estão a jornada de oito horas diárias, as férias remuneradas, o repouso semanal, a licença-maternidade, o seguro-desemprego, o FGTS e a própria redução da jornada promovida pela Constituição de 1988.
A discussão sobre diminuir novamente o tempo de trabalho, porém, permaneceu no Congresso por anos sem avanços concretos.
Uma das razões é que o tema envolve um equilíbrio delicado entre os interesses de trabalhadores e empregadores.
Enquanto defensores da medida argumentam que jornadas menores aumentam a qualidade de vida e ampliam o tempo para estudo, lazer e convivência familiar, empresários costumam alertar para possíveis impactos sobre custos, produtividade e geração de empregos.
Por isso, a aprovação da emenda é vista como uma das mais relevantes mudanças trabalhistas desde a promulgação da Constituição de 1988.
Para especialistas, a mudança também recoloca no centro do debate uma questão que acompanha a história do trabalho em diversos países: como equilibrar produtividade, desenvolvimento econômico e qualidade de vida dos trabalhadores.
Como começou o movimento pelo fim da escala 6×1?
Diferentemente de outras reivindicações trabalhistas históricas, a campanha pelo fim da escala 6×1 não nasceu dentro de sindicatos, centrais sindicais ou partidos políticos. Ela surgiu de forma espontânea na internet e cresceu impulsionada pelo engajamento de milhões de trabalhadores que passaram a compartilhar experiências semelhantes.
O ponto de partida foi um vídeo publicado em setembro de 2023 pelo balconista de farmácia Rick Azevedo. Em um desabafo gravado após mais uma rotina exaustiva de trabalho, ele relatava as dificuldades de conciliar a vida pessoal com uma escala que exige seis dias de trabalho para apenas um de descanso.
No vídeo, Rick chegou a perguntar quando a classe trabalhadora se mobilizaria contra a escala 6×1.
Em poucos dias, milhares de pessoas passaram a compartilhar relatos semelhantes. Trabalhadores de diferentes regiões do país relataram dificuldades para acompanhar o crescimento dos filhos, fazer cursos de qualificação, frequentar consultas médicas ou até realizar tarefas básicas do dia a dia por causa da falta de tempo livre.
A discussão ganhou força principalmente entre jovens trabalhadores do comércio e de setores de serviços, mas logo ultrapassou esse universo.
Nos anos seguintes, parlamentares passaram a incorporar a discussão em propostas legislativas e o tema chegou definitivamente ao Congresso.
O avanço da PEC coincidiu com um momento em que a discussão sobre qualidade de vida, saúde mental e equilíbrio entre trabalho e vida pessoal ganhava cada vez mais espaço no debate público.
Impulsionado pela visibilidade conquistada com a campanha, Azevedo ingressou na política, foi eleito vereador no Rio de Janeiro e, posteriormente, conquistou uma cadeira na Câmara dos Deputados.

Starlink tem uma 'irmã militar' controlada pelos EUA; entenda o que é a Starshield

Em imagem de arquivo, soldado ucrnaiano prepara sistema de internet por satélite da Starlink em sua posição na frente de batalha na cidade de Avdiivka, na Ucrânia, em fevereiro de 2024.
Inna Varenytsia/ Reuters
A queixa da Ucrânia de que a SpaceX, de Elon Musk, teria restringido os serviços Starlink de “nível militar” voltou a chamar a atenção para as diferenças entre o Starlink, serviço comercial de internet via satélite da empresa, e o Starshield, versão militar desenvolvida para o Pentágono.
“Os sistemas Starshield são propriedade e estão sob controle do governo dos Estados Unidos”, escreveu Musk nesta quarta-feira (14/10) numa postagem no X, acrescentando que quaisquer limites de velocidade ou de uso são decididos pelos militares ou pelo presidente dos EUA.
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Já “o Starlink é um serviço comercial pertencente e controlado pela SpaceX. Seu uso está limitado a atividades civis ou defensivas e não pode ser empregado em ações militares ofensivas, pois isso seria inadequado para uma empresa comercial”.
Starlink e Starshield não são sistemas completamente separados, mas também não são a mesma coisa:
O Starlink é o serviço civil de internet administrado pela própria SpaceX.
O Starshield é a versão governamental e conta com alguns satélites próprios para reconhecimento e comunicação militar, além de oferecer criptografia mais robusta.
Agora no g1
Ambos, porém, operam com a mesma tecnologia e, em parte, utilizam os mesmos satélites.
O que é o Starlink?
Principal fonte de lucro da SpaceX, o Starlink é um serviço que utiliza satélites em órbita baixa da Terra para fornecer acesso à internet, principalmente em áreas remotas.
Trata-se de uma rede composta por mais de 11 mil satélites que fornecem internet de alta velocidade diretamente aos equipamentos dos usuários. Seus cerca de 13 milhões de assinantes incluem moradores, excursionistas, empresas de navegação e grandes companhias aéreas.
Desde o lançamento dos primeiros satélites Starlink, em 2019, a bordo dos foguetes reutilizáveis da SpaceX, a empresa formou uma vasta rede em órbita baixa que cobre grande parte do planeta.
O sistema oferece conexões mais rápidas do que as fornecidas por satélites de comunicação tradicionais, que normalmente ficam muito mais distantes da Terra e existem em número bem menor.
A internet via satélite é relativamente fácil de usar, e a velocidade da conexão chama a atenção. Os satélites do Starlink orbitam a Terra entre 328 e 614 quilômetros de altitude, uma distância significativamente menor do que a dos satélites dos concorrentes.
O que é o Starshield?
Starshield é a unidade de negócios da SpaceX que desenvolve sistemas de satélites para uso militar e de inteligência por governos e forças armadas. Seus principais clientes são órgãos dos EUA, como o Departamento de Defesa (Pentágono), a Space Force e o National Reconnaissance Office (NRO), responsável pelos satélites de reconhecimento do país.
Equipamento da Starlink, empresa de Elon Musk, exposta na Agrishow 2023 em Ribeirão Preto, SP
Érico Andrade/g1
Os serviços de comunicação segura do Starshield utilizam sistemas avançados de proteção de dados e equipamentos próprios, mas têm como base os satélites do Starlink. Além disso, a empresa afirma que o sistema militar permite observar a Terra e incorporar sensores ou outros equipamentos aos satélites.
O principal cliente é o Pentágono, que gastou bilhões de dólares em serviços do Starlink e do Starshield. Também adquiriu satélites Starshield, incluindo equipamentos de comunicação destinados a detectar antecipadamente possíveis ataques com mísseis, além de uma rede de satélites de espionagem para o NRO, segundo informou a Reuters em 2024.
Mesmo hardware, usos diferentes
O sistema Starshield utiliza a rede Starlink para transmitir dados e também conta com satélites próprios. As informações do Starshield podem passar pelos satélites convencionais da Starlink, mas recebem uma camada adicional de criptografia e são mantidas separadas dos dados dos usuários civis.
Para missões de reconhecimento e comunicação militar, há satélites Starshield exclusivos, que não podem ser acessados por clientes civis. Em solo, o sistema também conta com equipamentos próprios para conexão via satélite.
No entanto, terminais Starlink podem ser adaptados para uso do Starshield, como ocorreu na Ucrânia.
Dúvidas sobre a relação entre Starlink e Starshield persistem desde que a Rússia ameaçou, em 2022, satélites ocidentais usados no apoio à Ucrânia.
A SpaceX apresentou o Starshield no final daquele ano, mas o sigilo em torno de programas espaciais ligados à segurança nacional dos EUA tornou difícil determinar com precisão onde termina um sistema e começa o outro.
Essas diferenças tornaram-se motivo de disputa no início deste ano, quando Pentágono e SpaceX entraram em conflito por causa dos preços mais altos dos serviços de satélite utilizados por drones militares durante o conflito com o Irã, segundo a Reuters.
A SpaceX argumentou que alguns clientes, que pagavam cerca de 5 mil dólares por um terminal Starlink, deveriam utilizar o Starshield, a um custo de aproximadamente 25 mil dólares por terminal.
Starlink na Ucrânia
Em 24 de fevereiro de 2022, logo no início da invasão russa, um ataque cibernético atribuído à Rússia tirou do ar a rede de satélites KA-SAT, operada pela empresa americana Viasat. Com isso, as Forças Armadas ucranianas perderam um importante canal de comunicação.
A ajuda aos ucranianos veio do espaço: dias depois, o então ministro da Defesa da Ucrânia, Mykhailo Fedorov, pediu a Musk, pelo Twitter (hoje X), que liberasse o serviço da Starlink no país. Musk respondeu pela mesma rede social: “O serviço Starlink está agora ativo, mais terminais estão a caminho”.
Os serviços oferecidos pela SpaceX acabaram se tornando a espinha dorsal das comunicações da Ucrânia na linha de frente. Os terminais de internet via satélite da empresa de Musk são essenciais para orientar ataques com drones ucranianos de longo alcance nas regiões do sul e do leste do país ocupadas pela Rússia. Essas operações têm causado sérios danos à logística russa.
A Ucrânia recebeu mais de 50 mil terminais Starlink de seus parceiros. A maioria deles, 29.500, é custeada pela Polônia, que paga cerca de 50 milhões de dólares por ano pelas assinaturas do serviço, segundo o ministro do Exterior, Radoslaw Sikorski.
Nas regiões do leste da Ucrânia, onde boa parte da infraestrutura foi destruída, a Starlink é o principal meio de acesso à internet para civis e militares.
Além disso, em 2023, os Estados Unidos, por meio do US European Command, financiaram 500 terminais Starshield por aproximadamente 40 milhões de dólares. Em agosto de 2024, um novo contrato do Space Systems Command ampliou o acesso ao Starshield para 2.500 terminais Starlink que já estavam em uso no país.
Isso ajuda a explicar a confusão entre Starlink e Starshield nas declarações das autoridades ucranianas. Muitas vezes, o equipamento visível no campo de batalha é a antena plana da Starlink. A conexão, porém, pode estar vinculada a outro contrato, com um nível diferente de proteção dos dados e regras próprias.
Os soldados continuam chamando o sistema de Starlink, embora, nesses casos, o serviço seja o Starshield.

'Superinteligência'? Por que Trump insiste em tentar mudar o termo 'IA', usado há 70 anos

O presidente dos EUA, Donald Trump, conversa com a imprensa antes de embarcar no helicóptero Marine One rumo a Grand Island, Nebraska
REUTERS/Eric Lee
O atual hiperfoco de Donald Trump é… a inteligência artificial 👀. O presidente dos Estados Unidos tem insistido que quer mudar o nome da tecnologia para “superinteligência (SI)”.
Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, no mês passado, Trump afirmou que “o nome inteligência artificial faz soar como se ela fosse falsa”. Disse ainda que “de agora em diante, todos os documentos dos EUA e, espero, de todo o mundo, vão utilizar o nome Superinteligência”.
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Antes de decidir por “Superinteligência”, Trump chegou a abrir uma enquete em sua rede social, a Truth Social, com as opções “Inteligência Superior (IS)”, “Inteligência Extrema (IE)” e “Inteligência Suprema (IS)”, traduzidas para o português.
Dois dias depois, ele fez uma nova enquete, desta vez com “Superinteligência” e “Inteligência Superior”. Em nenhuma das postagens, ele explicou como a alteração seria feita ou se o mercado de tecnologia concordava com a mudança.
E tem mais: em seguida, Trump causou polêmica ao afirmar que passaria a tratar como “inimigo” quem usasse o termo “inteligência artificial” em vez de “Superinteligência”.
Agora no g1
O que Trump quer?
Quem não acompanha tecnologia talvez tenha ouvido falar de IA apenas recentemente, sobretudo com o surgimento do ChatGPT. Mas o conceito existe há mais de 70 anos e a tecnologia está presente no dia a dia há muito tempo, após passar por grandes transformações nas últimas décadas. (entenda mais abaixo)
Por isso, mudar o nome da IA não é tão simples quanto parece. Segundo Anderson Soares, considerado o brasileiro mais influente em IA, o próprio conceito de inteligência ainda não tem uma definição precisa, tanto nas ciências biológicas e naturais quanto no campo da tecnologia.
“O que chamamos hoje de inteligência artificial está relacionado à capacidade das máquinas de realizar tarefas que associamos à inteligência humana”, afirma Soares, que também é fundador e professor do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (CEIA), da Universidade Federal de Goiás (UFG).
“O objetivo de mudar o nome me parece muito mais um contragolpe na questão de paralisar o desenvolvimento da IA. Parece mais um ato político do que efetivamente algo construtivo e que contribua para o que está acontecendo em termos de desenvolvimento”, completa.
ChatGPT, DeepSeek, Claude, Mistral AI, Gemini, Copilot e Poe
Solen Feyissa/Unsplash
Cleber Zanchettin, professor de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e especialista em IA, chama a atenção para o discurso de Trump na ONU.
“Primeiro, ele disse ‘bem-vindos ao novo mundo da superinteligência’ e completou com ‘vamos ver se isso vai dar certo’. Isso revela uma jogada de marketing para chamar atenção, sem efeito prático”, disse.
Para o professor e pesquisador Allan Pscheidt, a proposta de Trump também não parece ser uma mudança na definição científica ou técnica da tecnologia, mas uma demonstração de poder e soberania dos EUA no cenário internacional de IA.
“A gente está vivendo algo parecido com o que aconteceu na corrida para a Lua e na corrida espacial. Estamos passando agora para a corrida pela AGI (Inteligência Artificial Geral)”, diz Pscheidt.
“Quando Trump vem com a ideia de cunhar o termo ‘superinteligência’, ele está avisando ao mundo que os EUA vão atingir a AGI muito em breve e que, com isso, vão mostrar sua soberania tecnológica”, afirma.
🔎 AGI (sigla em inglês para “Inteligência Artificial Geral”) é o termo usado para descrever uma IA capaz de realizar uma ampla variedade de tarefas intelectuais em nível semelhante ou superior ao dos humanos. Allan ressalta que, até o momento, não há comprovação científica de que já exista uma superinteligência.
O presidente dos EUA, Donald Trump (no centro), durante reunião na Casa Branca com líderes de empresas de IA, como Meta, Nvidia, Google e xAI, em 29 de setembro de 2026.
Jonathan Ernst/ Reuters
Cleber Zanchettin, da UFPE, alerta que, como grande parte da população ainda tem pouco conhecimento sobre tecnologia, produtos com o rótulo de IA já enfrentam certa rejeição ou medo no mercado.
“Introduzir um termo como ‘superinteligência’ ou ‘inteligência suprema’ pode soar como uma ameaça aos humanos e aumentar a rejeição do público”, explica Zanchettin.
“Poucos países e populações abraçaram a tecnologia de fato, e a maioria das pessoas ainda está tentando entender o que é a IA básica e como ela funciona”.
Mais da metade dos brasileiros (52%) diz estar mais preocupada do que animada com o avanço da inteligência artificial, segundo uma pesquisa recente do Pew Research Center.
Nos EUA, a percepção é semelhante: cerca de nove em cada 10 americanos dizem estar mais preocupados do que animados com a possibilidade de a IA um dia superar a inteligência humana, segundo uma pesquisa da CNN divulgada em setembro.
De onde surgiu o termo IA?
Um caderno manuscrito de 56 páginas que pertenceu ao pioneiro da computação Alan Turing é leiloado em Nova York
REUTERS/Bobby Yip
O termo IA nasceu do trabalho de pesquisadores de diferentes áreas, como engenharia, matemática e estatística. Eles buscavam entender como criar máquinas capazes de demonstrar alguma forma de raciocínio e inteligência semelhante à dos seres humanos, explicou Zanchettin.
O nome foi definido formalmente em meados de 1955, nos Estados Unidos, e surgiu do trabalho de pesquisadores como John McCarthy, Marvin Minsky, Claude Shannon e Nathaniel Rochester, explicou o professor.
“Eles precisavam de uma nomenclatura para pesquisas que misturavam matemática, engenharia e estatística para criar máquinas capazes de exibir raciocínio, algo que não se enquadrava no software tradicional da época”, disse Zanchettin.
Mas as pesquisas sobre máquinas capazes de pensar começaram antes disso. Entre as décadas de 1940 e 1950, o matemático e cientista da computação Alan Turing já estudava essa possibilidade, explica o pesquisador Allan Pscheidt.
Na mesma época, em 1948, o matemático Norbert Wiener criou o termo “cibernética” para estudar sistemas capazes de usar informações sobre suas próprias ações para ajustar seu funcionamento.
Segundo Pscheidt, foi nesse contexto que John McCarthy criou a expressão “inteligência artificial”, em 1955. A escolha também buscava diferenciar esse campo de pesquisa da cibernética, com foco no raciocínio e na autonomia das máquinas.
Com o avanço e a popularização da tecnologia, a IA passou a fazer parte do cotidiano das pessoas, em recursos como reconhecimento facial de bancos, carros semiautônomos, drones, alto-falantes inteligentes e câmeras de celulares.
Mais recentemente, a partir de 2017, ganhou força a IA generativa, que deu origem a ferramentas como o ChatGPT e é capaz de criar textos, imagens, vídeos e músicas.
No fim, para Anderson Soares, “as ondas tecnológicas costumam passar por fases relativamente previsíveis: primeiro provocam medo e desconfiança; depois vêm a aceitação e o encantamento; e, com o tempo, a tecnologia passa a ser compreendida e deixa de parecer algo extraordinário”.
Óculos inteligentes são proibidos na cabine de votação

Depois dos carros, a carne: como a China avança sobre clientes do Brasil com frango até 20% mais barato

Entenda o comércio cruzado de frango Brasil x China 
Como mostrou o g1 nesta semana, a China está produzindo mais carne e laticínios do que consegue consumir, e o excedente está sendo exportado. Com preços mais baixos e investimentos em tecnologia, empresas chinesas avançam sobre mercados tradicionalmente abastecidos por países como o Brasil.
O movimento é resultado de uma mudança no consumo interno e de uma estratégia do governo chinês para ampliar a segurança alimentar. Nos últimos anos, o país incentivou a expansão da produção agropecuária, mas a demanda doméstica perdeu força, criando um excesso de oferta.
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Dados alfandegários mostrados pela agência Reuters mostram agora que a China exportou US$ 2,6 bilhões em produtos de frango em 2025, quase o dobro do valor registrado em 2020.
No ano passado, o país também se tornou exportador líquido de carne de frango, ou seja, passou a exportar mais do que importar o produto.
China produz mais, mas consumo mudou
Durante décadas, a carne suína foi a principal proteína da dieta chinesa. Houve uma redução do consumo de porco, especialmente entre moradores de áreas urbanas, que passaram a dar mais espaço a outras opções, como o frango.
O consumo per capita de carne suína caiu 13% desde o pico registrado em 2023, segundo dados oficiais e informações da imprensa estatal chinesa. Na direção contrária, o consumo de frango por pessoa aumentou mais de 50% na década encerrada em 2024.
Mesmo com a mudança nos hábitos alimentares e a desaceleração da economia, a produção continuou crescendo. Em 2025, a China produziu um recorde de 59 milhões de toneladas de carne suína, enquanto a produção de aves avançou 7%.
Frango chinês chega a custar até 20% menos que o brasileiro
Com a oferta elevada, os produtores chineses passaram a buscar compradores no exterior. A vantagem de preço tem ajudado as empresas a conquistar clientes em mercados antes abastecidos por exportadores tradicionais.
Segundo Ezequiel Pires, presidente da comerciante internacional de carnes Branexx, cortes chineses de peito e coxa de frango custam de 10% a 20% menos que os produtos brasileiros. A empresa começou a comprar aves da China em março, depois que clientes africanos procuraram alternativas mais baratas às importações do Brasil.
Na Tailândia, um dos principais concorrentes da China no setor, a expansão das vendas chinesas também preocupa. Representantes da indústria local afirmam que compradores têm usado os preços chineses como referência para negociar com outros fornecedores.
Exportações chinesas avançam em mercados tradicionais
A expansão já aparece nos dados de comércio internacional. A participação da China no mercado de produtos de aves processadas da União Europeia dobrou desde 2022, chegando a 10%. No Reino Unido, a fatia chinesa triplicou e superou 14%, segundo dados da consultoria Gira citados pela Reuters.
O avanço aumenta a concorrência para produtores europeus e asiáticos e pode pressionar exportadores brasileiros que disputam os mesmos compradores internacionais.
Além do frango, as empresas chinesas também ampliam as vendas de laticínios. As exportações desses produtos devem alcançar US$ 600 milhões em 2026, o dobro do valor registrado três anos antes, segundo dados citados pela Reuters.
Subsídios e produção em larga escala ajudam a reduzir custos
A expansão da produção chinesa foi estimulada por políticas de segurança alimentar e incentivos a grandes empresas agropecuárias. O objetivo era aumentar a oferta interna e recuperar rebanhos após crises sanitárias, como o surto de peste suína africana de 2018.
Entre 2022 e 2024, os subsídios representaram cerca de 13% da receita bruta dos produtores agrícolas chineses, quase três vezes o nível registrado no início dos anos 2000, segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).
Na avicultura, empresas também investiram em instalações maiores e em processos mais eficientes. Uma das companhias ouvidas pela Reuters, a Wintop Food, aumentou de 20 mil para 120 mil o número de frangos alojados em cada galpão ao longo de uma década.
Preço baixo ainda precisa superar desconfiança sobre qualidade
Apesar do avanço comercial, a indústria chinesa ainda enfrenta dúvidas relacionadas ao histórico de escândalos de segurança alimentar no país. Para consolidar as exportações, os produtores precisam demonstrar que seus produtos atendem aos padrões sanitários e mantêm qualidade e rastreabilidade consistentes.
Na União Europeia, os alimentos importados devem cumprir as mesmas exigências sanitárias e de segurança aplicadas aos produtos locais. O bloco também planeja reforçar a identificação da origem dos alimentos, começando por produtos de aves em 2027.
Para os compradores internacionais, porém, o preço continua sendo um fator decisivo. A combinação de produção em larga escala, oferta excedente e custos competitivos pode ampliar a presença chinesa no comércio global de proteínas e aumentar a disputa com exportadores tradicionais, como o Brasil.
* Com informações da agência Reuters.
Galinhas em granja em Taquari (RS)
Reuters