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Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.071 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 170 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 11h deste domingo (11), em São Paulo.
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No concurso da última quarta-feira (14), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
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Seja nos desertos inóspitos do Saara ou na densa Floresta Amazônica, na imensidão do Oceano Pacífico ou na camada de gelo do Ártico, em muitas partes do mundo não existe acesso à internet.
Originalmente, o bilionário sul-africano da tecnologia Elon Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para resolver precisamente esse problema, levando internet de alta velocidade a regiões do mundo onde cabos ou fibra ótica não chegam; ou onde isso é tão caro que simplesmente não compensa.
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Entretanto, a gama de aplicações da Starlink expandiu-se consideravelmente. O sistema passou a ser utilizado para comunicação em áreas de desastre e também por exércitos ou movimentos de protesto – por exemplo, em áreas onde a internet original foi destruída por fogo inimigo ou bloqueada por regimes ditatoriais.
Como funciona a Starlink?
Rede Starlink tem quase 10 mil pequenos satélites em órbita baixa
La Nacion/ZUMA Press/picture alliance
Essencialmente, trata-se de um sistema de internet via satélite com quase 10 mil pequenos satélites orbitando a Terra.
Eles retransmitem pacotes de dados entre si por meio de feixes de laser e não exigem uma linha de visão direta e constante com uma estação terrestre que conecte o sistema de satélites à internet convencional.
Ao contrário de outros satélites de internet, que orbitam a uma altitude de aproximadamente 36 mil quilômetros, os satélites Starlink estão localizados a apenas cerca de 550 quilômetros acima da superfície da Terra.
Isso permite que os sinais de internet sejam transmitidos muito mais rapidamente. A latência é mantida tão baixa que permite o funcionamento até mesmo de aplicações que exigem grande quantidade de dados.
Os usuários precisam apenas de um pequeno terminal receptor com uma antena controlada eletronicamente que se alinha automaticamente com os satélites que passam.
Esses terminais, então, encaminham o sinal recebido para um roteador próximo, que fornece a conexão de internet dentro da rede local.
Onde a Starlink já foi utilizada?
Musk promoveu o desenvolvimento da Starlink para prover internet a zonas remotas
Julia Demaree Nikhinson/AP Photo/dpa/picture alliance
Ucrânia: Desde o início da guerra de agressão da Rússia, em fevereiro de 2022, a Starlink tornou-se uma das ferramentas de comunicação mais importantes na zona de guerra.
Os militares utilizam o Starlink para coordenar unidades, operar drones e controlar sistemas terrestres não tripulados.
No setor civil, o sistema é utilizado por hospitais, serviços de emergência, fornecedores de energia e a ferrovia ucraniana, entre outros.
Alega-se também que o Exército russo está acessando a Starlink usando terminais contrabandeados ilegalmente para o país através de países intermediários.
O Ministério da Defesa da Ucrânia afirmou que trabalha em estreita colaboração com a operadora, SpaceX, para restringir ao máximo esse uso.
Sudão: Na guerra civil sudanesa, a Starlink é usada principalmente pelas Forças de Apoio Rápido (RSF), grupo paramilitar que luta contra o Exército estatal.
Centenas de dispositivos foram contrabandeados para o país através dos Emirados Árabes Unidos, e um verdadeiro mercado negro de terminais Starlink se estabeleceu.
As RSF usam esses dispositivos para comunicação e coordenação entre suas milícias, enquanto as Forças Armadas Sudanesas (SAF) tentam bloquear sua importação e uso.
Irã: No início deste ano, protestos em todo o país eclodiram contra o regime em Teerã, que respondeu, entre outras coisas, desligando a internet. No entanto, relatos indicam que milhares de terminais foram contrabandeados para o país e revendidos no mercado ilegal.
Isso permitiu que manifestantes usassem a Starlink para coordenar seus atos contra o regime, apesar da censura estatal da internet.
Venezuela: A Starlink também já foi usada no passado para burlar restrições de informação e garantir acesso gratuito à internet. Durante muito tempo, o serviço só esteve disponível extraoficialmente, através da compra de kits no comércio local.
Após a intervenção dos EUA e a captura de Nicolás Maduro, Elon Musk ofereceu temporariamente acesso gratuito à internet aos cidadãos do país.
Usuário precisa só de um terminal receptor com antena, que encaminha o sinal a um roteador próximo
Middle East Images/picture alliance
Faixa de Gaza: Desde julho de 2024, a Starlink tem sido usada para fins humanitários em uma Faixa de Gaza amplamente destruída.
Organizações de ajuda humanitária e um hospital de campanha podem utilizá-lo para fornecer assistência por telemedicina e coordenação logística.
No entanto, o acesso generalizado para civis permanece limitado, em parte devido a preocupações de segurança por parte de Israel.
Quais são as críticas à Starlink?
A Starlink costuma ser a única conexão de internet em zonas de conflito. Isso confere a Elon Musk uma enorme influência. Em alguns casos, a comunicação de forças armadas inteiras ou organizações humanitárias depende de sua empresa, a SpaceX.
Por exemplo, Musk já se recusou a ativar o serviço para a Ucrânia durante um ataque perto da Crimeia.
O presidente dos EUA, Donald Trump, também ameaçou a Ucrânia com o desligamento dos satélites para forçar Kiev a fazer concessões nas negociações.
Há também críticas do ponto de vista ecológico. Os satélites Starlink são produzidos em massa e têm uma vida útil de apenas cerca de cinco anos.
Em média, um ou dois satélites de Musk se desintegram na atmosfera terrestre todos os dias; o óxido de alumínio liberado nesse processo pode afetar a camada de ozônio e contribuir para o aquecimento global.
Além disso, os numerosos satélites refletem a luz solar, tornando o céu noturno mais claro, o que também pode ter um impacto sobre a vida selvagem.
Quem está trabalhando em alternativas?
Ferramenta vital em conflitos: soldado ucraniano com receptor de Starlink
Alexander Polegenko/picture alliance
Apesar de todas as preocupações, alternativas já estão sendo desenvolvidas, principalmente na Europa, para quebrar o monopólio da Starlink.
O maior concorrente privado da SpaceX atualmente é a Eutelsat. No entanto, seu serviço de satélite, OneWeb, com uma frota de mais de 600 satélites, é significativamente menor. Além disso, o serviço se concentra em clientes corporativos e aplicações marítimas.
A Eutelsat também está envolvida no desenvolvimento da IRIS², uma ambiciosa rede de satélites de alta segurança da União Europeia.
Essa rede visa tornar a Europa menos dependente da Starlink. Contudo, ela não estará operacional antes de 2029.
Elon Musk também enfrenta concorrência nos EUA, principalmente de seu colega bilionário Jeff Bezos. A empresa de Bezos, a Amazon, está trabalhando intensamente em seu serviço Amazon Leo: a construção de uma rede com mais de 3 mil novos satélites em órbita baixa da Terra.
A Amazon planeja estrear seu serviço comercialmente ainda neste ano – inclusive no Brasil, graças a uma parceria com a Sky.
Os céus estão prestes a ficar mais congestionados , especialmente porque a China está desenvolvendo dois sistemas próprios de comunicação via satélite.
O projeto estatal Guowang é voltado principalmente para uso nacional e militar e prevê a inclusão de até 13 mil satélites, enquanto o projeto Qianfan, com aproximadamente 12 mil satélites, tem uma orientação mais comercial e destina-se a atender países emergentes e em desenvolvimento.
Os primeiros lançamentos em massa para ambos os projetos também estão programados para este ano.
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Imagem de carne bovina nos EUA
J. Scott Applewhite/AP
Nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, a carne está no cardápio.
Democratas e republicanos discutem os preços altos e a guerra com o Irã, mas também disputam quem gosta mais de carne.
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O exemplo mais recente veio nesta semana, no Mississippi, em que o candidato democrata ao Senado dos Estados Unidos, Scott Colom, divulgou um vídeo com um trecho da senadora republicana Cindy Hyde-Smith, atual ocupante do cargo, dizendo que, se os consumidores estão insatisfeitos com os altos preços da carne bovina, “há muitas outras opções de proteína para escolher”.
O vídeo então corta para um homem preparando hambúrgueres na churrasqueira, que diz: “Escolher outra proteína? Eu prefiro escolher outro senador.”
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A disputa no Mississippi é um tanto incomum porque é o democrata quem está atacando a republicana por causa da carne bovina.
Em outras partes do país, os republicanos têm retratado os democratas como veganos ou contrários ao consumo de carne, tentando mostrar que eles estão culturalmente desconectados dos eleitores, são hostis às indústrias pecuárias locais ou simplesmente não são masculinos o suficiente.
No Texas, republicanos resgataram uma declaração de 2022 em que o democrata James Talarico, atual candidato ao Senado dos EUA, comemorava o fato de sua campanha eleitoral ter deixado de comprar carne e passado a adquirir apenas produtos veganos de estabelecimentos locais.
Desde então, Talarico tem aparecido publicamente comendo churrasco para rebater as acusações de que suas escolhas alimentares significam que ele não é um texano de verdade.
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O candidato democrata ao Senado James Talarico discursa durante um comício em 13 de julho de 2026, em Eagle Pass, no Texas, Estados Unidos.
(Foto: AP/Brenda Bazán, Arquivo)
O candidato acusado de ser anti-carne
No Colorado, os republicanos têm atacado o candidato democrata ao Congresso Manny Rutinel por seu ativismo contra a produção de carne e a pecuária industrial. Na faculdade, ele foi fotografado sem camisa usando no peito uma faixa da organização Pessoas pelo Tratamento Ético dos Animais (PETA).
Em 2021, Rutinel fundou a Climate Refarm, organização que defendia a redução do consumo de carne. Ele também assinou cartas defendendo o aumento de impostos sobre carne e laticínios. Além disso, apoiou uma proposta submetida a votação em 2024 para proibir um abatedouro de cordeiros em Denver, que acabou fracassando.
Rutinel, de 31 anos, agora disputa uma vaga contra Gabe Evans, o republicano que representa o 8º distrito congressional do Colorado. A vasta região no nordeste do estado é pontilhada por ranchos, fazendas leiteiras e unidades de processamento de carne, incluindo a sede da gigante da carne bovina JBS Swift.
Os republicanos têm explorado intensamente o histórico de defesa do veganismo de Rutinel, a ponto de o grupo conservador de mídia Daily Wire divulgar nesta semana um vídeo gravado de forma oculta em que um integrante da campanha afirma que ele come carne “o mínimo possível”.
Rutinel tem feito questão de aparecer em público comendo tacos de carne durante a campanha e conta com o apoio do sindicato dos trabalhadores da indústria frigorífica.
“Não acho que os moradores do Colorado se importem com o que está no meu prato”, disse ele em entrevista após uma recente parada de campanha. “Acho que eles se importam mais em conseguir pagar pelo que está no prato deles.”
Evans afirma que a questão vai além das preferências alimentares do adversário.
“Não me importo com o que ele come pessoalmente”, disse Evans em entrevista. “Importa-me que ele queira usar o poder do governo para fazer todo mundo comer dessa forma.”
Para o colegiado, o CPC/2015 é claro ao prever que a gratuidade não afasta a responsabilidade do beneficiário pelas despesas processuais e pelos honorários, apenas suspendendo a exigência do pagamento enquanto durar o benefício.
Óculos inteligentes da Meta
Bloomberg via Getty Images via BBC
Quando a Meta lançou seus óculos inteligentes alimentados por IA em 2023, em colaboração com a marca de óculos de sol Ray-Ban, surgiu uma enxurrada de controvérsias.
Houve diversos relatos de uso dos dispositivos para assediar mulheres e, principalmente, meninas. Elas foram filmadas sem consentimento e as imagens foram posteriormente compartilhadas na internet.
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A recente contratação pela Meta de Kylie Jenner, irmã de Kim Kardashian, como principal modelo da empresa, aparentemente não resolveu o problema de imagem. Os dispositivos foram apelidados de óculos “pervertidos” ou “sinistros”.
No Reino Unido, os pubs JD Wetherspoon, alguns teatros importantes, a Comic-Con, certas escolas e a base da Marinha britânica Faslane, que abriga os submarinos nucleares do país, decidiram pela sua proibição.
Agora no g1
Na quinta-feira (24/9), a Meta apresentou uma nova versão dos óculos inteligentes sem câmera, chamada Ray-Ban Meta Audio. Eles terão as mesmas funções de áudio dos óculos originais (incluindo a capacidade de fazer ligações telefônicas ou reproduzir música, com o som dirigido diretamente para o seu ouvido), mas com menos consequências para a privacidade das pessoas.
Para alguns profissionais do setor, parece uma mudança interessante e, talvez, uma reação às críticas relativas à privacidade.
A Meta nega que os novos óculos tenham sido lançados às pressas, em resposta ao furor do público. A gigante da tecnologia afirma que o produto estava em desenvolvimento há dois anos.
A versão apenas com áudio é mais barata que seus primos dotados de câmeras e a empresa declarou que sua armação é mais leve e tem mais tempo de bateria.
Contei ao chefe de produtos da Meta Glasses, Ankit Brahmbhatt, que eu imaginava que este modelo poderia superar as vendas dos óculos originais com câmera. Ao ouvir isso, ele fez uma pausa significativa.
“Temos, eu acho, algo para todos”, declarou ele, escolhendo suas palavras com muito cuidado.
Mas será que o lançamento de uma opção sem câmera representa uma mudança da forma em que as companhias de tecnologia observam o futuro dos óculos inteligentes? E a versão original da Meta será mantida?
Ou devemos observar os óculos sem câmera como um subproduto de nicho, que atende a um mercado pequeno, similar ao que fazem alguns fabricantes de celulares, que passaram a lançar telefones em forma de “tijolo”, sem internet, para as pessoas cansadas de redes sociais?
Música, mapas e lavagem de carros
Sem dúvida, os óculos inteligentes se tornaram motivo de controvérsias.
Recebi emprestado um par de Meta Ray-Ban (com câmera), para testar.
Inicialmente, fiquei nervosa para usá-los em público, pela possibilidade de assédio físico. Soube de pessoas que arrancaram os óculos da cabeça dos usuários e os esmagaram na rua.
Na verdade, eu os usei no transporte público e andando a pé em diversas cidades britânicas, como Londres, Glasgow e Portsmouth. Ninguém demonstrou reação.
A experiência me fez imaginar se o conhecimento do público sobre eles realmente é tão grande quanto acreditam a Meta e os ativistas contrários aos óculos.
Dito isso, algumas pessoas me disseram discretamente que não teriam confiança de abordar alguém usando esses óculos, mesmo se os identificassem, por medo de que a interação fosse filmada e carregada na internet.
Os óculos são projetados para funcionar como uma extensão do seu telefone celular. Eles usam Bluetooth para se sincronizar com o aparelho, por meio do aplicativo de IA da Meta.
Os dispositivos são ativados por voz e alto-falantes abertos nas hastes canalizam o som para os seus ouvidos. O resultado é parecido com os fones de ouvido sem cancelamento de ruído, de forma que você ainda consegue ouvir o mundo à sua volta.
Minha opinião, que pode ser objeto de cancelamento, é que encontrei utilidade para várias das funções dos óculos. E o interessante é que nenhuma delas incluía a câmera.
Ouvir música e podcasts no transporte, sem precisar de fones tampando meus ouvidos, me pareceu mais seguro. E senti mais confiança ao evitar os ladrões de celulares que andam de bicicleta pelo centro de Londres, sem ter meu telefone fisicamente nas mãos.
Meu lamentável senso de direção me obriga a usar muito os aplicativos de mapas. E acabou sendo prático ouvir as instruções nos meus ouvidos.
Mas a desvantagem foi precisar aceitar que o aplicativo Meta AI soubesse exatamente onde eu estava a todo tempo. A Meta é conhecida pela sua sede de dados pessoais.
Quando postei sobre o uso do Meta Ray-Ban nas redes sociais, enfrentei momentos difíceis. Mas as reações foram diferentes quando os mostrei às pessoas que fazem parte do meu dia a dia.
Minha cabeleireira, por exemplo, adorou a ideia de usá-los para registrar as transformações dos cabelos das suas clientes. Conversei com um fisiculturista na academia, que imaginou seu uso para gravar o que ele estivesse fazendo, seja em caso de acidentes ou até para ensinar novas técnicas às outras pessoas.
Meu amigo corredor disse que gostaria de usar os óculos em uma corrida. E muitos criadores de conteúdo são fãs do dispositivo.
Meu filho os pegou emprestados para lavar meu carro e me mostrou, orgulhoso, sua filmagem de como ele retirou delicadamente um pedaço de cocô de passarinho que resistia a sair do carro, sem danificar a pintura. Fiquei satisfeita, acreditando alegremente na palavra dele.
Falando de forma mais ampla, os óculos inteligentes foram bem recebidos pela comunidade dos deficientes visuais.
Um usuário os descreveu para a BBC como “revolucionários”, pois eles podem fornecer descrições em áudio dos locais atuais e ler em voz alta textos visíveis, como as opções de cardápio de um restaurante.
Em agosto, a Meta doou 15 mil pares para uma organização beneficente para deficientes visuais da Irlanda.
Pedidos de regulamentação
Ainda assim, o furor em relação à privacidade aumentou.
Os óculos têm um LED branco que começa a piscar quando a câmera está ligada, o que levou ao surgimento de uma verdadeira indústria, em busca de soluções técnicas para desligar aquela luz. Algumas delas exigem que os óculos sejam desmontados.
A Meta afirma que menos de 0,1% das armações vendidas em todo o mundo foram fisicamente manipuladas. Os números exatos de vendas são desconhecidos, mas a EssilorLuxottica, dona da marca Ray-Ban, informou ter vendido sete milhões de unidades no ano passado.
A empresária de tecnologia Liz Hunter criou uma petição convocando novas e urgentes regulamentações para os óculos inteligentes. Ela é mãe e está furiosa.
“Eles nunca, nunca deveriam ter deixado o laboratório com a Meta”, declarou Hunter.
“É uma verdadeira paródia de confiança pública, de igualdade das mulheres, e reverteu nosso direito à privacidade bem diante dos nossos olhos.”
Hunter acredita que os óculos inteligentes devem permanecer disponíveis para pessoas com deficiências visuais, mas não para a população em geral.
“Não precisamos deles, nem os queremos”, afirma ela.
Um desenvolvedor polonês lançou um aplicativo chamado ZuckOff. Ele usa Bluetooth para identificar óculos inteligentes nas proximidades e já foi instalado milhares de vezes, segundo a revista Wired.
Ben Wood, da empresa de pesquisa em tecnologia CCS Insight, se lembra de ter lido pela primeira vez a expressão “óculos pervertidos” no jornal Financial Times, que é normalmente moralista. Para ele, este é um sinal de que o dispositivo gerou “forte reação contrária do público”.
Mas o furor não deteve outras empresas de observar o mercado.
A Samsung estaria trabalhando para estabelecer colaboração com a conceituada marca de óculos Warby Parker. A Google também estaria desenvolvendo um modelo de óculos inteligentes.
A Snap, empresa responsável pelo Snapchat, lançou recentemente o modelo Specs, vendido no varejo americano por US$ 2.195 (cerca de R$ 11,4 mil). Os usuários podem ver dados dentro do vidro e estalar os dedos para tirar uma foto.
O fundador da Snap, Evan Spiegel, acredita que os óculos inteligentes, um dia, irão substituir os telefones celulares. E ele não é o único a pensar assim.
Retrocesso ou distanciamento?
Quando a Meta lançou os óculos inteligentes, em 2021, eles eram projetados, em parte, com base no que o usuário poderia ver.
A empresa prometeu que permitiria aos usuários “gravar facilmente o mundo como eles o vissem” e “capturar momentos da vida em tempo real, de um ponto de vista único em primeira pessoa”.
Por isso, o último lançamento da Meta (os óculos sem câmera) é tão notável.
Preocupado com os óculos inteligentes, o pesquisador Janusz Swierczynski, da Escola de Negócios Saïd da Universidade de Oxford, no Reino Unido, afirma que o lançamento de uma versão sem câmera é um “sinal positivo” de que a Meta parece ter ouvido os receios relativos à privacidade.
“Eles estão pensando nisso e estão respondendo”, afirma Swierczynski. Mas ele não acha que esta seja uma resposta “perfeita”, já que os óculos com câmeras permanecem no mercado.
Outros não têm tanta certeza de que a medida represente uma mudança real.
“Certamente, não é o fim das câmeras em óculos”, segundo Wood, da CCS Insight.
Ele acredita que os óculos inteligentes, em grande parte, servem para capturar informações. Os óculos coletam o máximo de dados que podem do seu ambiente e usam a IA para contar ao usuário sobre eles.
E os óculos dotados de câmera (treinados com base no que você puder ver) são uma fonte “extremamente boa” dessas informações.
“É um valioso fluxo de dados para uma plataforma de IA, que pode interpretar aqueles dados e fornecer as melhores informações possíveis relacionadas a eles”, explica Wood.
“Por isso, ter suas partes visuais com as câmeras é um pilar fundamental para obter a melhor experiência.”
Wood imagina que a Meta venha trabalhando nos óculos sem câmeras há vários anos e que as atuais reações negativas em relação à privacidade forneceram um “momento fantástico” para o seu lançamento.
De fato, até o momento, a Meta não mostrou nenhum sinal de desacelerar o desenvolvimento de óculos com câmeras.
A empresa irá lançar sua terceira geração dos óculos no Reino Unido em outubro. Eles podem exibir dados visualmente dentro das lentes.
Aliás, como jornalista que faz transmissões ao vivo e já tendo falado abertamente sobre nevoeiro mental, consigo entender a atração exercida por um par de óculos que pode exibir discretamente um roteiro para o usuário.
A analista de tecnologia Kate Winick, da empresa de pesquisa Forrester, afirma que não se trata de um retrocesso em relação aos óculos com câmeras, mas sim um “distanciamento, oferecendo aos usuários tempo para se acostumarem com a tecnologia… para que os próprios usuários comecem a dizer: ‘Oh, seria muito mais útil se tivesse uma câmera.'”
E ela comenta, paradoxalmente, que a existência de óculos sem câmera pode ajudar a “reduzir a pressão” sobre as pessoas que usam óculos com câmera em público.
“Agora se sabe que alguns óculos no mercado têm câmeras e outros, não”, explica ela. Por isso, “você não pode esbravejar automaticamente com todos os usuários de óculos da Meta, pois talvez você não saiba se eles têm ou não câmera.”
Rumo a uma norma social
Outras empresas tentam responder aos receios sobre a privacidade de diferentes formas, sem eliminar a câmera.
A companhia taiwanesa HTC lançou recentemente os óculos Vive Eagle, que custam menos de 25% do valor cobrado pela Snap.
O vice-presidente da HTC Vive, Thomas Dexmier, afirma que, se qualquer pessoa próxima a um usuário de óculos Eagle disser “pare de filmar”, ou “pare de gravar”, e um dos quatro microfones captar a expressão, a câmera será desativada.
Ele destaca que todas as gravações capturadas pelos óculos são criptografadas e nem a própria empresa pode observá-las. Mas isso também significa que a HTC não pode identificar conteúdo nocivo.
“Reconhecemos que existem dificuldades que podem se tornar problemas reais, especialmente para as mulheres”, segundo ele.
Dexmier afirma que a HTC Vive está trabalhando para dificultar o emprego indevido da tecnologia, mas é “cedo demais para comentar” se a empresa consideraria uma versão sem câmeras.
Em última análise, Wood acredita que os óculos com câmeras “não irão desaparecer”.
Ele conta que o momento atual o faz relembrar os anos 2000, quando algumas pessoas diziam que os fabricantes de telefones celulares não poderiam instalar câmeras nos seus aparelhos, devido a preocupações similares com a privacidade das pessoas.
Para Wood, “isso é inevitável”.
“Precisaremos encontrar uma norma social, um enquadramento para o uso desses produtos.”Zoe Kleinman