É hora de comprar ações? Veja o que avaliar após o tombo do Ibovespa

Bolsa despenca 13% após vitória de Lula
A forte queda da bolsa brasileira após a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), nesta segunda-feira (26), levantou uma dúvida entre investidores: é hora de aproveitar os preços mais baixos para comprar ações ou esperar que o mercado se estabilize?
O Ibovespa recuou 13,88%, aos 176.608 pontos, registrando a maior queda diária desde março de 2020, no início da pandemia de Covid-19. No dia 20 daquele mês, o índice caiu 13,92%.
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Com a queda desta segunda-feira, a bolsa brasileira perdeu R$ 734 bilhões em valor de mercado, segundo levantamento da Elos Ayta. O montante equivale a quase todo o valor de mercado da Petrobras, estimado em R$ 746 bilhões.
👉 A reação refletiu a surpresa de parte dos investidores com o resultado eleitoral. Quem esperava uma transição para um governo de centro-direita passou a rever suas estratégias diante das incertezas sobre a condução da economia, os gastos públicos e o controle da dívida do governo.
A queda dos preços, porém, não significa que todas as ações estejam baratas nem que seja o momento ideal para comprá-las. Segundo especialistas consultados pelo g1, a decisão depende das condições de cada empresa, de sua capacidade de gerar resultados e do tamanho de suas dívidas.
Por que as eleições mexem tanto com dólar e bolsa?
Queda não significa que todas as ações estão baratas
Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, ressalta que a queda no preço das ações não significa, necessariamente, que uma empresa perdeu capacidade de gerar resultados.
Para avaliar se um papel está barato, é preciso comparar seu preço de mercado com os resultados que a companhia pode alcançar.
“Uma queda de 10% tampouco significa que as empresas perderam, de um dia para o outro, 10% de sua capacidade de gerar resultados. Significa que os investidores passaram a aceitar preços menores diante dos riscos percebidos.”
Segundo ela, em um cenário econômico mais incerto, os investidores passam a exigir uma compensação maior pelo risco de aplicar seu dinheiro.
👉 Por isso, uma ação que ficou mais barata pode representar uma oportunidade de compra se a empresa mantiver boas perspectivas de resultados. Se a expectativa de lucro piorar ou o custo para financiar as atividades aumentar, porém, a queda do preço pode não ser suficiente para tornar o papel atrativo.
Essa ressalva também aparece na análise da Vault Research, que atribui parte da queda à reversão das apostas de investidores em uma transição para um governo de centro-direita.
As 10 maiores quedas do Ibovespa em 26 de outubro
Arte/g1
Segundo a corretora, cerca de US$ 4 bilhões (R$ 21,5 bilhões) haviam entrado na bolsa em outubro com essa expectativa. Com a reeleição de Lula, esses investidores passaram a desfazer suas posições, pressionando os preços das ações.
Para a Vault, no entanto, a reação ao resultado eleitoral não explica todos os riscos envolvidos.
Os analistas também apontam problemas na situação fiscal do país, na inflação e na saúde financeira das empresas, fatores que podem comprometer os resultados dos negócios.
“Mesmo depois do tombo, o Ibovespa segue cerca de 9% acima do início do ano, com fiscal, inflação e balanço das empresas piores. Pode haver alívio pontual, mas a direção é de queda.”
Exportadoras e empresas defensivas entram no radar
Diante dos riscos para a bolsa, o BTG Pactual recomenda cautela na escolha das ações.
O banco alerta para a possibilidade de novas perdas, em meio à alta dos juros de longo prazo, e prioriza empresas que recebem parte de suas receitas em moeda estrangeira, têm menos dívidas ou atuam em setores menos sensíveis às oscilações da economia.
“As perspectivas de um real mais fraco podem favorecer as ações de exportadoras, como as produtoras de commodities metálicas, petróleo e gás, commodities agrícolas e exportadoras industriais”, dizem os analistas.
Entre as exportadoras citadas pelo BTG estão Gerdau, Suzano, Vale, PRIO, SLC Agrícola, 3Tentos, São Martinho, WEG e Embraer. Algumas delas estiveram entre as poucas ações do Ibovespa que fecharam em alta nesta segunda-feira. (veja mais abaixo)
🔎 Isso ocorre porque a alta do dólar pode elevar, em reais, o valor das receitas obtidas com vendas ao exterior. O efeito sobre os resultados, porém, depende dos custos, das dívidas e da exposição cambial de cada empresa.
Além das exportadoras, o BTG destaca empresas menos endividadas e com maior capacidade de enfrentar períodos de juros elevados. São as chamadas “ações defensivas”, que, segundo os analistas, tendem a apresentar desempenho relativamente melhor nesse cenário.
“Empresas com balanços fortes (baixa alavancagem ou posição de caixa líquido) e que atuam em setores defensivos também devem se sair relativamente bem. Seguradoras como Caixa Seguridade e Porto Seguro e a fabricante de bebidas Ambev devem apresentar desempenho superior.”
O banco também destaca a Petrobras e o Itaú Unibanco entre as grandes empresas da bolsa.
No caso da estatal, a exposição ao petróleo, a proteção cambial e a distribuição de dividendos são apontadas como fatores favoráveis. Já o Itaú é considerado pelo BTG o grande banco mais bem preparado para enfrentar cenários econômicos adversos.
Apenas 8 ações fecharam em alta nesta segunda-feira (26)
Arte/g1
Juros altos e incerteza fiscal aumentam os riscos para a bolsa
Para avaliar se a queda das ações representa uma oportunidade de compra, também é preciso considerar a capacidade das empresas de enfrentar um período prolongado de juros elevados.
Além de encarecer novos empréstimos, esse cenário dificulta o pagamento de dívidas já existentes e pode limitar os recursos disponíveis para investimentos e expansão dos negócios.
🔎 Os dados sobre a situação financeira das empresas ajudam a dimensionar esse risco: em 2025, o Brasil registrou 977 processos de recuperação judicial, que envolveram 2.466 empresas. O número de CNPJs foi o maior da série histórica da Serasa Experian, iniciada em 2012. Em agosto de 2026, dado mais recente disponível, o país tinha 9,3 milhões de empresas inadimplentes, com R$ 244,4 bilhões em dívidas negativadas.
Os riscos para a bolsa, porém, não se limitam à situação financeira das companhias. O desempenho do mercado também dependerá das expectativas sobre as contas públicas e das decisões do governo para a economia.
Para o Goldman Sachs, a situação fiscal continuará sendo o principal fator considerado pelos investidores na avaliação do risco brasileiro.
Segundo Alberto Ramos, chefe da equipe de Pesquisa Econômica para a América Latina da divisão de Pesquisa de Investimentos Globais do banco, a reação dos mercados após o resultado eleitoral dependerá dos sinais do governo sobre a política econômica.
Entre os pontos de atenção estão a escolha do ministro da Fazenda e a apresentação de um plano mais claro para equilibrar as contas públicas nos próximos quatro anos.
A composição do Congresso também pode dificultar a aprovação de medidas econômicas. O Partido Liberal (PL) tem a maior bancada da Câmara, com 121 deputados, e 29 senadores no Senado. Para Ramos, essa configuração pode ampliar os obstáculos à articulação política do governo Lula.
“Dada a composição mais à direita do Congresso, o presidente Lula provavelmente enfrentará desafios ainda maiores do que no mandato atual por conta do bloco de oposição conservadora maior e pelo fato de seu capital político ser limitado, visto que não poderá buscar a reeleição em 2030”, argumenta Ramos.
Painel da B3 – Bovespa
Nelson Almeida/ AFP

Taxação de bilionários: eleitores da Califórnia podem aprovar primeiro imposto do tipo no mundo?

Eleitores da Califórnia podem aprovar primeiro imposto do tipo no mundo?
Reuters via BBC
Poucos lugares no planeta têm tantos moradores ultrarricos quanto a Califórnia, estado americano conhecido pelo glamour, pelas mansões à beira-mar e por abrigar pessoas ricas e famosas.
Agora, os eleitores estão prestes a decidir se os super-ricos do estado — entre eles a magnata da mídia Oprah Winfrey, o presidente da Meta, Mark Zuckerberg, Kim Kardashian, cofundadora da Skims e estrela de reality shows, e o cineasta George Lucas — devem desembolsar bilhões de dólares para financiar melhorias na área da saúde.
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A Proposição 40 tem como objetivo instituir um imposto único de 5% sobre o patrimônio líquido de todos os bilionários da Califórnia.
Há pouco mais de 200 pessoas nessa categoria no estado, mas isso não impediu que a proposta dividisse lideranças e levasse alguns de seus moradores ultrarricos a deixar a região. Um empresário bilionário afirma ter gerado empregos na Califórnia, mas diz que a proposta o fez se sentir “um pouco como se eu não fosse bem-vindo”.
Agora no g1
A votação também está dando aos cidadãos comuns a oportunidade de se manifestar sobre uma questão que provoca turbulência na política há décadas.
“Eu acredito que este é o primeiro imposto sobre bilionários — ou seja, um imposto sobre o patrimônio direcionado a uma parcela extremamente restrita da distribuição de riqueza”, afirma Francesco Trebbi, professor de políticas públicas da Universidade da Califórnia em Berkeley. Ele destaca o caráter histórico da medida e como ela poderia ajudar a reduzir a desigualdade patrimonial no estado.
A Califórnia tem a maior economia entre os estados americanos e a quarta maior economia do mundo, superior às da Índia e do Reino Unido. O estado também abriga uma das maiores concentrações de bilionários do planeta. Ao mesmo tempo, tem a maior proporção de pessoas em situação de rua do país e uma das maiores desigualdades patrimoniais.
Os defensores da proposta argumentam que ela ajudaria a garantir que os ultrarricos contribuam com sua parcela justa de impostos e compensaria déficits no orçamento estadual. A iniciativa pretende arrecadar US$ 100 bilhões (cerca de R$ 496 bilhões) para compensar cortes no financiamento federal do sistema de saúde do estado.
Suzanne Jimenez, chefe de gabinete do Sindicato Internacional dos Empregados em Serviços — Trabalhadores da Saúde Unidos do Oeste (SEIU-UHW), que ajudou a liderar a campanha pela iniciativa, afirma que a medida é uma “solução de curto prazo” para os grandes cortes de recursos federais que a Califórnia deverá enfrentar em consequência do abrangente pacote tributário e de gastos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
“Se não fizermos nada, veremos nosso sistema de saúde entrar em colapso enquanto buscamos uma solução de longo prazo para financiá-lo”, disse ela à BBC.
Os defensores da proposta argumentam que ela ajudaria a garantir que os ultrarricos contribuam com sua parcela justa de impostos e compensaria déficits no orçamento estadual.
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Embora a proposta tenha muitos apoiadores — incluindo alguns bilionários, como Jensen Huang, CEO da Nvidia —, ela enfrenta forte oposição de diferentes figuras, de bilionários ao governador liberal do estado.
Sergey Brin, cofundador do Google, doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia medidas eleitorais capazes de bloquear o imposto sobre o patrimônio, segundo o Los Angeles Times.
O governador da Califórnia, Gavin Newsom, que está chegando ao fim de seu mandato, é talvez a liderança política mais importante a se opor à proposta. Ele manifestou preocupação de que a medida leve os ricos a deixar o estado, provocando a perda de receitas essenciais provenientes do imposto de renda.
Uma pesquisa realizada em setembro pelo Instituto de Estudos Governamentais de Berkeley e pelo Los Angeles Times constatou que a proposta ainda não conquistou claramente a maioria dos eleitores: 45% dos eleitores com maior probabilidade de votar eram favoráveis ao imposto, 42% eram contrários e 13% estavam indecisos.
A medida, submetida à votação em todo o estado, precisará ser aprovada pela maioria dos eleitores.
A Califórnia não é o primeiro lugar a considerar a possibilidade de tributar os ricos. Também na costa oeste, os eleitores do estado americano de Washington estão avaliando se aprovam ou rejeitam um “imposto sobre milionários”: uma alíquota de 9,9% sobre rendimentos anuais superiores a US$ 1 milhão.
Embora os impostos sobre o patrimônio tenham sido relativamente comuns na Europa, eles perderam popularidade rapidamente e hoje existem em apenas três países europeus — Espanha, Noruega e Suíça —, afirma o dr. Kristian Niemietz, chefe de economia política do Instituto de Assuntos Econômicos.
Niemietz considera que os impostos sobre o patrimônio “dão mais trabalho do que valem a pena”, pois criam dificuldades administrativas, desestimulam investimentos, provocam a saída de capitais e, no fim das contas, arrecadam pouco.
No caso da Noruega, uma organização de notícias local constatou que o aumento do imposto sobre o patrimônio levou mais super-ricos a deixar o país em 2022 do que nos 13 anos anteriores somados. Um estudo sobre a Suíça concluiu que um aumento de 0,1 ponto percentual na alíquota do imposto sobre o patrimônio reduziu em 3,5% o patrimônio tributável.
Se aprovada, a medida da Califórnia será aplicada retroativamente a pessoas com patrimônio líquido de pelo menos US$ 1 bilhão que residiam no estado em 1º de janeiro de 2026. Pelo menos seis dos mais de 200 bilionários da Califórnia teriam deixado o estado antes dessa data para evitar o imposto.
Entre eles estão os cofundadores do Google Larry Page e Sergey Brin, o investidor de capital de risco Peter Thiel, o ex-CEO da Uber Travis Kalanick e Don Hankey, fundador do Hankey Group.
Hankey, bilionário de Los Angeles que viveu toda a vida na Califórnia, disse à revista Forbes que se mudou para o estado de Nevada por causa da proposta de imposto sobre o patrimônio.
“Acho que criamos muitos empregos na Califórnia. Temos alguns milhares de pessoas trabalhando para nós e um plano de participação nos lucros. E preciso deixar o estado”, afirmou. Ele acrescentou que a medida o fez sentir que não era “bem-vindo” no estado.
Segundo relatos, o cofundador do Google Sergey Brin doou mais de US$ 100 milhões a uma organização política que financia medidas eleitorais capazes de bloquear o imposto sobre o patrimônio.
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Mark Zuckerberg, presidente-executivo da Meta, disse ao conselho de administração da empresa no mês passado que estava considerando transferir sua residência principal para fora da Califórnia por causa do imposto proposto.
Para evitar que ele deixe o estado — onde fica a sede da empresa —, a Meta concordou com um novo acordo de remuneração em ações que concede a Zuckerberg, cuja fortuna é estimada em mais de US$ 200 bilhões, ainda mais participações na companhia. O objetivo é compensá-lo pelos bilhões de dólares que perderia caso a medida fosse aprovada em novembro. Estimativas indicam que ele poderia ter de pagar até US$ 12,5 bilhões.
Andy Fang, cofundador da DoorDash, cuja fortuna é estimada em US$ 1,6 bilhão, classificou a medida como “estúpida” e escreveu na rede social X que “propostas como essa tornam irresponsável da minha parte não planejar deixar o estado”.
Enquanto isso, o empresário Tom Steyer, que disputou sem sucesso o governo da Califórnia no início deste ano, é um dos poucos bilionários que declararam que votarão a favor do imposto. Steyer afirmou que, embora considere “problemática” a forma como a medida foi redigida, ela é necessária para proteger os californianos mais vulneráveis.
Huang também declarou que apoia o pagamento do imposto.
“Não me importo de pagar impostos. Quanto mais você ganha, mais impostos paga. Para mim, tudo bem”, afirmou o presidente da Nvidia em uma entrevista à CBS, parceira americana da BBC. “Eu sou a personificação do sonho americano.”
O senador Bernie Sanders, do estado de Vermont, conhecido por sua atuação contra a desigualdade de renda, tem feito campanha em apoio à Proposição 40.
Durante um ato em Los Angeles, Sanders disse que os bilionários “acreditam, assim como os monarcas do século 19, que têm um direito divino de governar”.
“Eles têm toda a riqueza, têm todo o poder, e quem diabos vocês pensam que são para desafiá-los? Bem, acho que em 3 de novembro eles vão aprender uma lição muito importante.”
O senador americano Bernie Sanders discursa no comício “Votos Acima de Bilionários” em 5 de outubro, em Los Angeles.
Getty Images via BBC
A desigualdade de renda nos Estados Unidos está entre os níveis mais altos em mais de três décadas. No terceiro trimestre de 2025, o 1% mais rico das famílias detinha quase 32% de toda a riqueza do país. Na Califórnia, a desigualdade também está próxima de níveis historicamente elevados.
A desigualdade econômica preocupa a maioria dos californianos. Segundo uma pesquisa estadual do Instituto de Políticas Públicas da Califórnia, 72% acreditam que a distância entre ricos e pobres está aumentando, e uma proporção semelhante considera que o governo estadual deveria fazer mais para reduzir essa diferença.
Trebbi afirma que a política é impulsionada por um “sentimento antielite e antissistema”.
“Na verdade, isso não se trata da Proposição 40”, diz ele, mas de uma tentativa de “reequilibrar um pouco a balança”.

Denúncias de assédio eleitoral no trabalho mais que dobram em outubro; veja como denunciar

Urna eletrônica eleições mulher
Tribunal Superior Eleitoral/TSE
As denúncias de assédio eleitoral recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) chegaram a 2.009 em 2026, até as 17h desta segunda-feira (26).
Somente em outubro, foram registradas 1.190 denúncias, alta de 115,6% em relação a setembro, quando o órgão recebeu 552 relatos. O volume representa cerca de 59,2% de todas as denúncias recebidas pelo MPT no ano até o momento.
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Nos 26 primeiros dias de outubro, até as 17h desta segunda-feira (26), a média foi de aproximadamente 46 denúncias por dia. (veja o levantamento completo abaixo)
São Paulo lidera o número de registros, com 350 denúncias, seguido por Minas Gerais, com 212, e Rio de Janeiro, com 169. Somente entre o primeiro e o segundo turnos, o MPT recebeu 946 queixas.
O número ainda está abaixo do registrado nas eleições de 2022, quando houve mais de 3,3 mil denúncias — um aumento de 1.600% em comparação com 2018.
➡️ O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando o empregador tenta influenciar o voto do funcionário por meio de ameaças, como perda do emprego, redução salarial ou rebaixamento de cargo, ou promove atividades políticas, como distribuição de santinhos e eventos, no ambiente de trabalho.
Assédio eleitoral no trabalho em 2026
Arte g1
Assédio eleitoral no trabalho em 2026 (por estado)
Arte g1
Além das denúncias recebidas pelo MPT, dados da Justiça do Trabalho mostram que, desde maio de 2023, foram registrados 863 processos relacionados ao assédio eleitoral no país, sendo 233 somente em 2026.
Os processos são cadastrados de acordo com o assunto e, por isso, o registro não significa que o assédio eleitoral tenha sido comprovado pela Justiça em todos os casos.
Os dados fazem parte do Painel Nacional de Monitoramento do Assédio Eleitoral (PNMAE), criado para identificar e acompanhar esses casos na Justiça do Trabalho.
O número de processos também aumentou entre o primeiro e o segundo turno das eleições. Segundo dados parciais do Centro de Pesquisas Judiciárias da Justiça do Trabalho, foram registrados 135 processos entre janeiro e 4 de outubro, data do primeiro turno.
Entre 4 e 24 de outubro, o total chegou a 185, com 50 novas ações trabalhistas no período — um aumento de 37%.
O que é assédio eleitoral no trabalho?
O assédio eleitoral no trabalho ocorre quando empregadores, gestores ou outras pessoas tentam constranger, pressionar ou influenciar um trabalhador a votar, apoiar ou manifestar preferência por determinado candidato, partido político ou posição ideológica.
Por exemplo, a prática pode ocorrer por meio de ameaças de demissão, rebaixamento de cargo ou redução salarial caso o empregado vote em determinado candidato.
Também pode envolver a distribuição de material de campanha ou a realização de eventos políticos no ambiente de trabalho, especialmente quando há pressão ou constrangimento dos trabalhadores.
A prática é definida pela Resolução CSJT nº 355/2023, da Justiça do Trabalho. Entre as condutas que podem caracterizar assédio estão coação, intimidação, ameaça, humilhação e outras formas de constrangimento usadas para interferir na escolha política ou no direito ao voto livre e secreto.
Também pode haver assédio quando o trabalhador recebe tratamento diferente por causa de sua opinião ou convicção política, como exclusão, favorecimento ou discriminação no ambiente de trabalho, inclusive em processos seletivos e de contratação.
Para as eleições de 2026, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) editou a Resolução nº 23.755/2026, que incluiu o § 2º-A no artigo 19 da Resolução nº 23.610/2019.
A norma passou a proibir expressamente a propaganda eleitoral e o assédio eleitoral em ambientes de trabalho públicos e privados, responsabilizando quem pratica ou permite essas condutas.
Em agosto, o TSE, a Justiça do Trabalho, o Ministério Público Eleitoral (MPE) e o MPT também firmaram um acordo de cooperação técnica para reforçar ações de prevenção, fiscalização e combate ao assédio eleitoral.
Entre as situações que podem caracterizar assédio eleitoral estão:
Ameaçar demitir quem não votar em determinado candidato;
Prometer aumento salarial, benefício ou outra vantagem em troca de voto;
Exigir participação em campanha eleitoral;
Distribuir material de campanha e pressionar os empregados a utilizá-lo;
Cobrar o voto ou tentar descobrir em quem o trabalhador votará;
Constranger funcionários em reuniões;
Retaliar quem manifesta preferência política diferente da do empregador;
Impor o uso de símbolos, roupas ou materiais de campanha.
Pressão também acontece pelas redes
O uso de ambientes virtuais para a prática de assédio eleitoral no trabalho também foi identificado em uma pesquisa do Centro de Pesquisas Judiciárias (CPJ) do Tribunal Superior do Trabalho (TST) e do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT).
O levantamento examinou 138 processos ajuizados até dezembro de 2025 e mostrou que a pressão política no ambiente de trabalho ultrapassa os limites físicos das empresas e também ocorre por meio de mensagens, grupos e redes sociais.
O WhatsApp foi citado em 37% das ações como meio utilizado para a prática, enquanto as redes sociais apareceram em 14,5% dos casos. Os pesquisadores identificaram ainda situações envolvendo manifestações verbais, comunicados, mecanismos psicológicos, mobilizações obrigatórias e ameaças ou vantagens econômicas relacionadas à escolha política.
A pesquisa também contemplou uma amostra quantitativa ampliada, com 688 processos ajuizados até junho de 2026. Nesse grupo, 32,1% dos casos tinham dois ou mais réus. Em um dos processos, chegaram a ser apontadas 19 pessoas como praticantes de assédio eleitoral.
Além dos empregadores, apareceram como réus tomadores de serviços, sócios, administradores e gestores. Na amostra qualitativa, 88% das ações foram movidas por trabalhadores, sendo 57% homens e 43% mulheres. O MPT foi responsável por 12% dos processos.
Consequências para as empresas
O Ministério Público do Trabalho (MPT) obteve na Justiça do Trabalho 52 decisões liminares para combater o assédio eleitoral e garantir aos trabalhadores o direito ao voto livre.
As liminares foram concedidas em 59 ações civis públicas ajuizadas pela instituição, o que corresponde a cerca de 88% do total de ações. A atuação do MPT também resultou na celebração de 53 termos de ajuste de conduta (TACs).
Segundo o coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade) do MPT, Igor Sousa Gonçalves, os resultados demonstram a importância de uma atuação rápida para impedir práticas de assédio eleitoral.
“O elevado número de decisões liminares favoráveis demonstra a atuação do MPT na proteção da liberdade política dos trabalhadores. Muitas decisões foram obtidas em plantões eleitorais para impedir constrangimentos e ameaças, reafirmando que o ambiente de trabalho não pode ser usado como instrumento de pressão política”, destacou.
As consequências para as empresas dependem da conduta e da gravidade do caso. Na esfera trabalhista, os trabalhadores podem buscar indenização pelos danos sofridos.
Quando a prática atinge um grupo de funcionários ou provoca impactos coletivos, o MPT pode atuar para interromper a conduta e buscar reparação por dano moral coletivo.
A empresa também pode ser investigada e responsabilizada na esfera eleitoral. Se a conduta configurar um crime previsto na legislação, poderá haver consequências criminais.
Além disso, o caso pode resultar na celebração de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), no ajuizamento de uma ação civil pública e na adoção de outras medidas para impedir a continuidade da prática.
O procurador-geral do Trabalho, Gláucio Araújo Oliveira, afirma que o assédio eleitoral no ambiente profissional representa um risco à democracia.
“Se nós não frearmos essas condutas, ditadas pelo poder econômico ou pelo domínio na administração pública, isso representa um grave risco à nossa democracia, porque é uma das formas de interferência na vontade popular que se manifesta na hora do voto, nas urnas”, afirmou.
Como provar o assédio eleitoral?
A prova depende da forma como a conduta ocorreu. Mensagens de WhatsApp, e-mails, comunicados internos, fotografias, vídeos, áudios, documentos, publicações em redes sociais e testemunhos podem ajudar a demonstrar o que aconteceu.
Em conversas ou reuniões, gravações feitas por uma das pessoas que participa da conversa também podem ser utilizadas como prova, em regra.
É importante preservar os registros e anotar, sempre que possível, a data, o local, as pessoas envolvidas e o que foi dito ou feito.
Também não é necessário esperar que uma ameaça se concretize. A própria tentativa de pressionar ou coagir o trabalhador pode ser relevante para a apuração do caso.
O trabalhador pode denunciar? Como fazer?
Sim. O assédio eleitoral pode ser denunciado ao Ministério Público do Trabalho (MPT), inclusive por canais eletrônicos. O trabalhador pode fazer a denúncia de forma anônima ou, caso se identifique, solicitar o sigilo de seus dados.
É importante fornecer o máximo possível de informações, como o nome da empresa, as pessoas envolvidas, o local, a data e a descrição dos fatos. Mensagens, e-mails, fotos, vídeos e outros documentos também podem ser enviados.
Dependendo do caso, a denúncia pode ser encaminhada à Justiça Eleitoral ou ao Ministério Público Eleitoral (MPE), especialmente quando houver indícios de crime eleitoral.
Veja os principais canais:
Ministério Público do Trabalho (MPT): recebe denúncias de irregularidades trabalhistas pelo site do órgão e pelo aplicativo Pardal MPT.
Justiça do Trabalho: o Tribunal Superior do Trabalho (TST) e os Tribunais Regionais do Trabalho possuem canais de atendimento e ouvidorias para receber relatos relacionados ao tema.
Centrais sindicais: disponibilizam canal para denúncias de pressões políticas, demissões ou cortes de benefícios relacionados à escolha eleitoral.
Ministério Público Eleitoral (MPE): pode ser acionado em situações que envolvam possíveis crimes ou irregularidades eleitorais.
Sindicato: o sindicato da categoria também pode receber denúncias e orientar o trabalhador sobre seus direitos.
Canal de Denúncias para Inspeção do Trabalho: canal online do Ministério do Trabalho para denúncias trabalhistas;
Fala.br: plataforma integrada de ouvidoria e acesso à informação da Controladoria-Geral da União;
Central Alô Trabalho: o número 158 funciona de segunda a sábado, das 7h às 22h (horário de Brasília). A ligação gratuita de qualquer telefone fixo, mas chamadas por celular serão cobradas;
Superintendências Regionais do Trabalho: são responsáveis por executar, supervisionar e monitorar ações relacionadas a políticas públicas de trabalho nos estados;
Disque 100: Serviço gratuito e disponível 24 horas por dia, o disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos, inclusive assédio moral no trabalho.

Empresas recorrem à religião para ensinar ética à IA

Sigla em inglês para inteligência artificial.
Aly Song/Reuters
Enquanto empresas de tecnologia competem para desenvolver a inteligência artificial mais poderosa, algumas também se perguntam como ensinar um chatbot a distinguir o certo do errado. A resposta? A religião.
“Essas não são perguntas que um laboratório possa responder”, disse Chris Olah, cofundador da Anthropic, no início deste ano, durante a apresentação, no Vaticano, da encíclica do Papa Leão XIV sobre inteligência artificial. “São perguntas com as quais tradições como a sua lidam há milênios.”
Em meio a essa tão discutida aproximação com a fé, houve pouca atenção pública ao que exatamente essas empresas de tecnologia entendem por religião — e, talvez mais importante, ao que esperam obter com essa aproximação.
Enquanto executivos alertam para o potencial destrutivo da IA e debatem a necessidade de desenvolver modelos capazes de tomar decisões alinhadas a determinados princípios morais, recorrem cada vez mais a filósofos e líderes religiosos.
Agora no g1
A ideia pode ser resumida assim: a religião ajudaria a orientar o desenvolvimento da IA em um ambiente no qual os temores em torno da tecnologia — fundamentados ou não — se espalham pela sociedade.
Como essas empresas não estão vinculadas a uma religião específica, o objetivo costuma ser bastante amplo: encontrar um conjunto de princípios morais capaz de orientar seus modelos. “O que eu acho que o ChatGPT deveria fazer é refletir essa média ponderada, ou algo assim, da visão moral da humanidade”, disse Sam Altman, CEO da OpenAI, no ano passado.
Mas especialistas e praticantes de diferentes religiões alertam que essa ideia não leva em conta o fato de que tradições e visões de mundo podem se contradizer. Em resumo, dizem eles, não é exatamente assim que a religião funciona.
Religião é mais do que um conjunto de regras
Há décadas, estudiosos contestam a visão amplamente difundida da religião como um conjunto de regras ou princípios que podem ser separados das maneiras “complicadas, práticas e improvisadas” pelas quais os fiéis vivem sua fé, afirma Webb Keane, antropólogo da Universidade de Michigan.
A ideia de que a religião pode ser separada de áreas como a cultura e a política permanece arraigada, embora, na prática, esteja profundamente ligada a ambas.
Alguns temem que as empresas de IA, ao recorrerem a líderes religiosos para responder a questões éticas, reforcem uma concepção de religião que não reconhece plenamente a importância da doutrina, dos rituais e das relações entre seus praticantes.
Eis a questão, argumenta Keane: se partirmos do pressuposto de que a religião pode oferecer um conjunto isolável de princípios morais, usá-la para treinar sistemas de IA pode acabar priorizando certas tradições e distorcendo outras — especialmente aquelas que não se definem primordialmente como sistemas éticos.
“Existe uma maneira muito convencional de pensar na religião como um livro de regras”, disse ele. “Certamente, isso está muito ligado à religião bíblica e, no fim das contas, às religiões abraâmicas.”
Empresas buscam ampliar o diálogo com religiosos
Isso não significa que essas reuniões tenham faltado diversidade. Tampouco quer dizer que o envolvimento das empresas com a religião tenha sido pouco cuidadoso, na avaliação de participantes como Meghan Sullivan, filósofa da religião que lidera uma iniciativa sobre ética e IA na Universidade de Notre Dame.
Embora não enumere as tradições consultadas, a Anthropic afirmou, em uma publicação de maio em seu blog, que se reuniu com “acadêmicos, clérigos, filósofos e especialistas em ética de mais de 15 grupos religiosos e interculturais” — grupo que pretende ampliar no futuro.
No início deste ano, Sullivan participou de uma reunião da Anthropic que contou com cristãos de diferentes denominações.
Em comparação com conversas que teve com outras empresas de tecnologia, ela disse ter ficado impressionada com a profundidade com que a Anthropic abordou questões religiosas. A empresa é amplamente reconhecida por dar especial atenção à ética e à segurança da IA.
“A cultura dentro da empresa é semelhante à de um bom campus universitário, no sentido de que há um grupo de pessoas muito curiosas intelectualmente”, disse ela. “Essas reuniões são bem nerds — não sei se essa é a melhor maneira de descrever —, no bom sentido.”
A reunião foi dividida em duas partes. Primeiro, a empresa explicou seus modelos “em termos simples” aos participantes. Em seguida, os líderes religiosos fizeram comentários e debateram as questões apresentadas, segundo Sullivan.
“Discutimos todo tipo de questão moral que essa tecnologia levanta — desde ‘Será que os humanos têm alma?’ até ‘Alunos do terceiro ano deveriam ter acesso a um chatbot para ajudar na alfabetização?’”
Representantes da Meta, do Google e da Amazon também se reuniram com representantes do Vaticano, enquanto a Microsoft tem ampliado sua atuação junto a comunidades religiosas.
A religião é antiga. O estudo dela, não
A religião é geralmente considerada antiga e universal. Embora estudiosos como o falecido e influente Jonathan Z. Smith reconheçam que isso é verdade em alguns aspectos, eles argumentam que essa visão não conta toda a história.
“O homem teve toda a sua história para imaginar divindades e modos de interação com elas. Mas o homem, mais precisamente o homem ocidental, teve apenas os últimos séculos para imaginar a religião”, escreveu Smith em 1982.
Muitos estudiosos da religião hoje compartilham a visão de Smith. Eles questionam a ideia de que as religiões formam um conjunto de sistemas distintos e comparáveis e argumentam que essa é uma concepção moderna, que remonta ao século XIX.
O budismo e o hinduísmo, por exemplo, não eram reconhecidos como tradições claramente delimitadas pelas populações que os praticavam antes da chegada de estudiosos europeus, afirma Tomoko Masuzawa, estudiosa da religião e autora de “A Invenção das Religiões Mundiais”. “Todas essas categorias não eram nativas”, acrescenta.
Acadêmicos ocidentais consolidaram essas categorias ao longo dos anos e só começaram a reexaminá-las de forma mais sistemática na segunda metade do século XX.
Essas ideias arraigadas sobre religião — entre elas, a noção de que tradições religiosas podem ser facilmente comparadas entre diferentes culturas — ajudam a explicar por que o Vale do Silício pode não sentir necessidade de definir o que entende por religião.
Na tentativa de representar diferentes pontos de vista, recorrer à religião acaba se tornando uma maneira aparentemente simples de incorporar diversidade de pensamento.
“De alguma forma, a religião se torna uma maneira de mapear o mundo”, disse Masuzawa. “É como se o mundo inteiro tivesse aderido a ela.”
Ao reunir diferentes visões, IA pode apagar particularidades
Alguns especialistas defendem que as empresas definam com mais clareza seus termos e objetivos, para que seja possível entender exatamente o que esperam obter desse diálogo com a religião.
“Este trabalho não busca alinhar nossos modelos à visão de mundo de uma tradição específica. Queremos que Claude se inspire em uma ampla gama de pontos de vista — religiosos, seculares e políticos — com igual profundidade e rigor”, afirmou a Anthropic na publicação. “O que buscamos nessas conversas é uma reflexão cuidadosa e acumulada sobre como o bom caráter realmente se forma.”
Os grandes modelos de linguagem geram textos prevendo, sucessivamente, quais elementos têm maior probabilidade de aparecer em seguida, a partir de padrões identificados durante seu treinamento em grandes volumes de conteúdo produzido por humanos, incluindo textos religiosos.
Paolo Carozza, membro do Conselho de Supervisão independente da Meta e especialista jurídico em pensamento social católico e tecnologia, teme que, ao combinar diferentes perspectivas, as características que definem determinada tradição acabem se perdendo. Na prática, diz ele, elas poderiam ser homogeneizadas, produzindo uma visão mais genérica ou que privilegie tradições religiosas ocidentais.
“Qualquer tradição viva e sofisticada é capaz, ao longo do tempo, de interagir com outras tradições, absorver novos conhecimentos e evoluir. Mas faz isso de forma orgânica”, disse ele. “O que a IA, acredito, muitas vezes faz — ou pode fazer — não ocorre de forma orgânica. Ela simplesmente mistura tudo, desorganiza tudo e, assim, acaba não dando sentido a nada.”

Governo prorroga subvenção ao diesel por mais 30 dias

O Ministério do Planejamento informou nesta terça-feira (27) que foi prorrogada a chamada subvenção ao diesel, ou seja, um tipo de subsídio, por mais 30 dias.
Com isso, está mantida em R$ 2,12 a subvenção para manter o preço do combustível mais baixo (entenda a composição mais abaixo).
Sem a renovação, o benefício acabaria nesta semana. Portaria com a definição será publicada ainda nesta terça no “Diário Oficial da União”, informou o governo.
Agora no g1
Segundo o governo, a manutenção do subsídio ocorre por conta da volatilidade dos preços internacionais do petróleo e dos combustíveis.
As medidas do governo para conter os preços dos combustíveis — entre elas o subsídio à gasolina anunciado no começo do mês — foram adotadas depois das eleições presidenciais vencidas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A subvenção do diesel é composta atualmente por duas parcelas:
Uma delas, de R$ 1,12, foi criada por uma medida provisória de maio deste ano.
A outra, de R$ 1, foi acrescentada em setembro, diante da piora do cenário externo.
Segundo o governo, a mudança não representa aumento do subsídio. O objetivo é evitar que o valor caia para R$ 1 por litro com o fim da primeira medida provisória.
O petróleo do tipo Brent, referência global, segue acima da marca de US$ 100 por barril por conta dos conflitos no Oriente Médio. Mais de 25% do diesel consumido no Brasil é importado.

Principais preocupações dos bancos são com as contas públicas e inadimplência, diz Banco Central

As principais preocupações das instituições financeiras são com o chamado “risco fiscal”, ou seja, com a trajetória de rombos seguidos nas contas públicas, além da alta da inadimplência — que bateu recorde —, em um cenário de juros elevados.
A informação foi divulgada por meio do Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do primeiro semestre deste ano.
De acordo com a autoridade monetária, os riscos identificados apontam para um cenário de desaceleração da atividade, já esperado, e refletem incerteza quanto à sustentabilidade da dívida pública e o elevado endividamento de famílias e empresas.
Agora no g1
Em pesquisa realizada pelo Banco Central com as instituições financeiras, os termos “inadimplência, “juros” e “inflação” figuram entre os mais frequentemente citados nas respostas sobre os principais riscos à estabilidade, acompanhados de referências à volatilidade e à situação fiscal.
O relatório do Banco Central foi divulgado após o segundo turno das eleições presidenciais, vencidas neste domingo (25) pelo candidato petista, Luiz Inácio Lula da Silva, que permanecerá no comando do país até 2030.
O resultado gerou forte turbulência nos mercados, com o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores, caindo mais de 10% nos primeiros minutos de negociação e acionou o circuit breaker.
🔎 Circuit breaker é um mecanismo utilizado pela bolsa para interromper temporariamente as negociações quando o mercado de ações registra quedas muito bruscas. O objetivo é dar tempo para que os investidores reavaliem suas decisões e reduzir o risco de movimentos desordenados de compra e venda. Após a interrupção, os negócios são retomados. Saiba mais.
Ao mesmo tempo, o dólar disparou, registrando alta de 8,21% nesta segunda-feira, cotado a R$ 5,4027. Na sexta-feira (23), a moeda americana estava cotada a R$ 4,99.
▶️A principal preocupação dos investidores é justamente com as contas públicas, que vêm registrando déficits sucessivos nos últimos anos por conta do aumento de gastos do governo e reconhecimento de passivos do governo anterior, como precatórios.
▶️Analistas avaliam que os reiterados déficits fiscais dos últimos anos pressionam a taxa de juros, e consequentemente, o endividamento público. Para baixar o juro e conter a dívida, cobram um ajuste fiscal mais forte por parte do governo.
Apesar do cenário desafiador na economia, que reflete também incertezas externas, como a guerra no Oriente Médio, que pressiona o petróleo e a inflação, o Banco Central considerou que não há “risco relevante” para a estabilidade financeira no país.
“O sistema financeiro nacional permanece com capitalização e liquidez confortáveis e com provisões adequadas ao nível de perdas esperadas. Os testes de estresse de capital e de liquidez corroboram a robustez do sistema bancário”, informou o BC.

Meme 'Mbappé ditador' faz empresas chinesas romperem contratos com o jogador francês; entenda

Meme Mbappe ditador
reprodução redes sociais
O jogador francês Kylian Mbappé pediu desculpas nesta terça-feira (27) após a repercussão de um comentário sobre um meme que o retrata como um ditador chinês.
A polêmica começou após a circulação de um trecho de entrevista em que Mbappé foi questionado sobre seu meme favorito.
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O jogador mencionou um vídeo de um homem que, segundo ele, seria um ditador chinês. Na sequência, aparece uma montagem que coloca o rosto do atacante no corpo de Mao Tsé-Tung, líder da revolução comunista chinesa e fundador da República Popular da China.
Em resposta à repercussão, Mbappé afirmou que suas palavras não tinham a intenção de ofender o povo chinês e manifestou respeito pela população e pela história do país.
A crise levou ao menos três empresas chinesas a anunciarem o encerramento de acordos comerciais com o atacante do Real Madrid.
Em comunicado, Mbappé classificou sua declaração como inadequada, afirmou que não pretendia magoar ninguém e expressou “profundo respeito” pelo povo chinês.
Marcas que romperam com o craque
A fabricante de bebidas Dongpeng, a empresa de laticínios Mengniu e a produtora de queijos Milkground anunciaram o fim de acordos com o jogador.
As empresas afirmaram que se opõem a declarações e atitudes que ferem o sentimento nacional chinês, mas não detalharam diretamente o que motivou suas decisões.
A repercussão do caso também chegou à rede social chinesa RedNote, que informou que retiraria materiais promocionais relacionados ao jogador. Segundo a plataforma, a parceria de conteúdo com Mbappé havia terminado em dezembro de 2024.
A repercussão também ganhou força nas redes sociais chinesas. Na plataforma Weibo, assuntos relacionados ao encerramento das parcerias e a pedidos de boicote ao jogador apareceram entre os temas mais comentados.
➡️ A televisão estatal chinesa suspendeu as transmissões de todas as partidas e eventos envolvendo a LaLiga e Mbappé, e todos os anúncios publicitários com o jogador foram retirados, informou na terça-feira o veículo de comunicação The Paper, apoiado pelo Estado.
Com gols de Mbappé e Dembélé, França elimina Marrocos e se garante nas semis da Copa