Mega-Sena pode pagar R$ 320 milhões nesta quarta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.077 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 320 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quarta-feira (28), em São Paulo.
Está semana é a Mega semana, que terá cinco sorteios consecutivos até sexta-feira (30).
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No concurso da última terça (27), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Novas regras do vale‑refeição e alimentação: o que muda nos cartões a partir de novembro

Decreto muda regras do vale-alimentação e do vale-refeição; entenda como ficou
Se você recebe vale-refeição ou vale-alimentação por cartões de empresas como Alelo, Ticket, VR Benefícios, Pluxee, Flash ou Swile, uma mudança importante está prestes a entrar em vigor.
A partir de novembro, esses cartões deverão ser aceitos em qualquer maquininha habilitada para esse tipo de pagamento, concluindo uma transição iniciada em maio e ampliando as opções para usar o benefício.
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A medida faz parte do conjunto de novas regras do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), anunciadas pelo governo em fevereiro deste ano.
Em novembro, termina o período de adaptação e passa a valer integralmente a regra que determina que qualquer cartão do programa funcione em qualquer maquininha habilitada para receber o benefício.
🔎 A chamada interoperabilidade é uma das principais mudanças nas regras do setor. Na prática, ela elimina a necessidade de restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos manterem contratos ou equipamentos específicos para cada bandeira de vale-refeição e vale-alimentação.
➡️ Para explicar os impactos das novas regras, o g1 reuniu informações do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), da Advocacia-Geral da União (AGU) e de especialistas.
Veja a seguir:
O que muda a partir de novembro?
O valor do benefício vai mudar?
O que já mudou desde fevereiro?
O que dizem as operadoras?
O que acontece se as regras não forem cumpridas?
vale-refeição e vale-alimentação
Freepik
O que muda a partir de novembro?
Embora a integração entre os sistemas tenha começado em maio, o prazo de adaptação terminou neste sábado.
Até então, algumas empresas ainda estavam em processo de transição. No início de setembro, o g1 mostrou que mais de 100 empresas foram notificadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) para apresentar documentos e esclarecimentos sobre possíveis descumprimentos das regras do PAT.
Com a interoperabilidade plena, o trabalhador poderá usar seu cartão em qualquer estabelecimento que aceite esse tipo de benefício, independentemente da empresa responsável pela emissão.
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O valor do benefício vai mudar?
Não. As novas regras não alteram o valor do vale-refeição ou do vale-alimentação pago pelas empresas aos trabalhadores. Também continua proibido usar os recursos para outras finalidades que não a alimentação.
Ou seja, os valores continuam restritos à compra de refeições prontas ou alimentos, conforme a modalidade do benefício. A mudança não aumenta o valor recebido pelo trabalhador, mas amplia as opções para usar o benefício e busca estimular a concorrência no setor.
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O que já mudou desde fevereiro?
Embora a interoperabilidade plena tenha começado a valer apenas em novembro, outras medidas já estavam em vigor desde fevereiro.
Entre as principais mudanças estão:
limite máximo de 3,6% para a taxa cobrada sobre as vendas realizadas com vale-refeição e vale-alimentação;
teto de 2% para a tarifa de intercâmbio;
prazo máximo de 15 dias corridos para o repasse do dinheiro das vendas aos estabelecimentos.
Antes das mudanças, comerciantes reclamavam das taxas elevadas e dos longos prazos para receber os pagamentos, que podiam passar de 30 dias. Segundo o governo, as regras buscam reduzir esses custos e tornar a aceitação dos benefícios mais atraente para estabelecimentos de todos os portes.
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O que dizem as operadoras?
Desde a publicação das novas regras, parte das operadoras tem questionado o decreto na Justiça. As empresas alegam que o governo extrapolou sua competência ao impor limites às tarifas e promover mudanças estruturais por meio de decreto.
Algumas operadoras obtiveram decisões judiciais provisórias que suspenderam parte das exigências. As liminares, porém, foram derrubadas.
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O que acontece se as regras não forem cumpridas?
Os contratos e as operações vinculados ao PAT precisam respeitar as regras previstas no decreto.
O descumprimento pode resultar em:
multas;
autuações;
descredenciamento do programa;
cobrança de benefícios fiscais anteriormente utilizados.
As sanções podem atingir operadoras, empresas participantes do PAT e estabelecimentos comerciais, dependendo da infração identificada.
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Terras raras: o que o Brasil tem a ganhar ou perder na disputa bilionária entre China e EUA?

Terras raras: a disputa global por uma riqueza brasileira
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Esse grupo reúne 17 elementos químicos utilizados na fabricação de carros elétricos, turbinas eólicas e equipamentos militares. Em 2025, a China concentrava cerca de 85% do refino mundial, enquanto os Estados Unidos buscavam alternativas para diminuir a dependência da produção chinesa.
Uma agência do governo americano firmou um acordo de financiamento de US$ 565 milhões com a Serra Verde, empresa que produz terras raras em Goiás. O preço desses materiais varia conforme o elemento e seu grau de processamento. Em 2025, por exemplo, o quilo do óxido de neodímio processado, utilizado na fabricação de ímãs de alta potência, custou, em média, US$ 73.
A disputa internacional pelas terras raras pode atrair investimentos, tecnologia e empregos qualificados para o Brasil. O desafio é fazer com que o país não se limite à extração e exportação de matéria-prima, mas também aproveite esses recursos para desenvolver sua indústria.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Políticos e influenciadores incentivam demissão e boicote a quem votou em Lula; MPT aponta violações

Movimento nas redes estimula retaliação política no trabalho após eleições
Publicações feitas por políticos e influenciadores digitais após o resultado das eleições de 2026 passaram a defender a demissão de trabalhadores, a recusa de contratação de profissionais e o boicote a estabelecimentos que ajudaram a reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Os conteúdos circulam em diferentes redes sociais e coincidem com uma nova onda de denúncias recebidas pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). Das 2.177 denúncias de assédio eleitoral registradas pelo órgão em 2026, mais de 427 foram apresentadas após o resultado da eleição presidencial, cerca de 19,6% do total.
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Em algumas publicações, o pedido para que empresários rompam relações profissionais com apoiadores do PT aparece de forma explícita.
“Você tem uma empregada que é petista? Demita! Tem um funcionário que é petista? Demita!”, escreveu a vereadora de Londrina Jessica Ramos Moreno, conhecida como Jessicão (PL).
Outros conteúdos ampliam esse tipo de orientação para além das relações de trabalho.
“Não ajude petista: na fila da regulação, em pedido de emprego, em nenhum tipo de favor”, escreveu a influenciadora Josiflora, que tem mais de 1 milhão de seguidores no Instagram. Em outro vídeo, ela orienta os seguidores a não oferecer água a petistas e afirma que essas pessoas não deveriam receber ajuda.
Já o empresário e influenciador Rapha Hanzol relatou, em um vídeo, que iria demitir sua melhor funcionária e associou a decisão a questões de comportamento e alinhamento com a “cultura” da empresa.
“Hoje eu vou demitir a minha melhor funcionária. E essa será a decisão mais acertada do ano. Quando a pessoa não entende sobre a cultura, não respeita os nossos procedimentos, quando ela não se adequa ao nosso jeito de trabalhar, é importante que ela não trabalhe, que ela não contamine e que ela não esteja presente para que a gente comece a voltar a se orgulhar do que produzimos”, afirmou.
A deputada estadual do Rio de Janeiro Índia Armelau (PL), por sua vez, compartilhou uma mensagem direcionada a empresários.
“Não contrate quem odeia empresários. Quem gera empregos merece respeito”, escreveu. A publicação foi acompanhada da frase: “Eu não tenho dúvida de que fomos roubados. Ponto”.
⚠️ Nesta terça-feira (27), o MPT-RJ pediu R$ 500 mil em indenização contra a deputadapor incentivar demissões por motivação política.
Políticos e influenciadores incentivam demissão e boicote a quem votou em Lula
Reprodução
Em outro caso, a influenciadora Livian Weber Asmar publicou conteúdos com a expressão “Boicote aos petistas” e divulgou uma lista de restaurantes e estabelecimentos de São Paulo que, segundo ela, deveriam ser evitados por consumidores conservadores.
A influenciadora Natássia Chamelete também anunciou uma campanha de boicote a pessoas identificadas com o PT. Em vídeo publicado nas redes sociais, afirmou que deixaria de consumir serviços de profissionais petistas, incluindo médicos e cabeleireiros, e convidou seguidores a fazer o mesmo.
📎 As citações acima são apenas alguns dos casos rastreados pela reportagem do g1.
Embora tenham formatos diferentes, as publicações seguem uma linha comum: associam oportunidades de trabalho, relações comerciais e até ajuda em situações cotidianas ao posicionamento político de trabalhadores, prestadores de serviços e consumidores.
O movimento passou a ser acompanhado de perto pelo Ministério Público do Trabalho, que investiga denúncias envolvendo esse tipo de conduta.
O MPT recebeu mais de 427 denúncias após a eleição, somando 2.177 em 2026.
g1
Ao g1, o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves, coordenador nacional de Promoção da Igualdade de Oportunidades e Eliminação da Discriminação no Trabalho (Coordigualdade), afirmou que o órgão recebeu um grande volume de denúncias após a divulgação do resultado das eleições e vê com preocupação tentativas de transformar divergências políticas em critérios para contratação, demissão ou manutenção do emprego.
“Nesses casos, o Ministério Público do Trabalho tem todo um regramento que impede esse tipo de discriminação do trabalhador pelo voto, pela opção política dele”, afirmou.
Segundo o procurador, o assédio eleitoral não termina quando a votação acaba. A prática também pode ocorrer após o pleito, quando trabalhadores passam a sofrer ameaças, perseguições ou retaliações em razão da posição política que o empregador acredita que eles adotem.
“Há uma violação que não atinge somente o direito daqueles trabalhadores e trabalhadoras atingidos, mas atinge toda a democracia, toda a sociedade.”
A preocupação com o movimento levou o MPT a intensificar alertas sobre assédio eleitoral nas redes sociais.
“O voto é livre e secreto. Ninguém é obrigado a revelar em quem votou, e ninguém pode ser punido pela escolha que fez. Quem sofreu ou presenciou esse tipo de pressão pode denunciar pelo site do MPT, de forma remota e sigilosa. Guardar provas como prints, áudios, mensagens e nomes de testemunhas ajuda na apuração”, reforçava um post publicado nesta segunda-feira (26).
A seguir, entenda por que posições políticas não podem ser usadas como critério para contratação ou demissão, quais são as punições previstas, como denunciar casos de discriminação e mais.
Divergência política não é critério para contratação e demissão
Demitido por discriminação política. E agora?
Influenciadores e políticos também podem ser responsabilizados
Ameaça também é conduta ilícita
Empregador não pode cobrar posição política do funcionário
Boicote a empresas
Como a Justiça identifica a discriminação
O que fazer em caso de discriminação política
Leia também
Após vitória de Lula, empresas anunciam fim de doações em diferentes regiões do país
Divergência política não é critério para contratação e demissão
Segundo o Ministério Público do Trabalho e especialistas ouvidos pelo g1, divergências políticas não podem ser usadas como critério para contratar, demitir ou restringir oportunidades profissionais.
A principal base legal utilizada pelo MPT nesses casos é a Lei nº 9.029, de 1995, que proíbe práticas discriminatórias para acesso e manutenção da relação de emprego. De acordo com o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves, o entendimento do órgão é que trabalhadores não podem sofrer qualquer tipo de retaliação em razão de suas escolhas políticas ou eleitorais.
A advogada trabalhista Thaluana Aves afirma que essa proteção também decorre de garantias previstas na Constituição Federal.
“É muito grave imaginar que uma pessoa possa perder o emprego ou deixar de conseguir uma oportunidade de trabalho simplesmente porque pensa politicamente de maneira diferente do empregador.”
Segundo ela, a Constituição protege a liberdade de consciência, de expressão e de convicção política. Além disso, a Convenção nº 111 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) também protege trabalhadores contra discriminação motivada por opinião política.
“Não estamos falando de direita ou esquerda. Estamos falando de direitos que precisam ser respeitados, independentemente de quem tenha vencido as eleições (…) O voto é livre, é secreto e é individual. E a liberdade política não termina quando o trabalhador entra na empresa”.
Demitido por discriminação política. E agora?
Se ficar comprovado que uma demissão ocorreu por discriminação política, a Justiça do Trabalho pode reconhecer a ilegalidade da conduta.
Nesses casos, o trabalhador poderá ter direito à reintegração ao emprego, com pagamento das remunerações referentes ao período de afastamento. Caso não queira retornar à empresa, também poderá optar pela indenização prevista em lei, correspondente ao dobro da remuneração do período.
Além disso, podem ser fixadas indenizações por danos morais e outras reparações decorrentes da prática discriminatória.
“As consequências podem ser muito sérias. E é importante que os empregadores tenham consciência disso (…) A liberdade de contratar e demitir não autoriza práticas discriminatórias”, afirma Thaluana.
➡️ Ela acrescenta que a mesma lógica pode ser aplicada a situações em que um profissional deixa de ser contratado por suas convicções políticas, desde que existam elementos que demonstrem que a posição ideológica foi determinante para a decisão.
Políticos e influenciadores incentivam demissão e boicote a quem votou em Lula
Reprodução
Influenciadores e políticos também podem ser responsabilizados
Uma das principais questões levantadas pelas publicações é se a responsabilização alcança apenas quem pratica a discriminação ou também quem incentiva terceiros a fazê-lo.
O entendimento do Ministério Público do Trabalho é que a atuação pode ir além do empregador.
“Os terceiros que utilizam as redes sociais para incentivar as empresas a demitir, a perseguir e retaliar os trabalhadores por suas escolhas políticas também podem ser responsabilizados”, afirmou Igor Sousa Gonçalves.
Segundo ele, a atuação do órgão busca proteger trabalhadores contra qualquer forma de violência ou discriminação nas relações de trabalho.
Questionado sobre a possibilidade de responsabilização de agentes políticos que estimulem esse tipo de prática, o procurador afirmou que as denúncias ainda estão sendo analisadas. Mesmo assim, reforçou que o entendimento jurídico do órgão admite essa possibilidade.
“O MPT entende que é possível, sim, a responsabilização de terceiros que, de algum modo, incitem e estimulem esse tipo de prática.”
Ameaça também é conduta ilícita
Segundo Thaluana Aves, uma ameaça de demissão já pode configurar uma conduta ilícita quando é utilizada para pressionar ou punir um trabalhador em razão de suas convicções políticas.
“Uma ameaça de demissão utilizada para pressionar ou punir politicamente um trabalhador já pode representar uma conduta ilícita, mesmo que a demissão nunca aconteça.”
A especialista explica que, quando se trata de publicações em redes sociais, é necessário analisar o conteúdo, o contexto e as circunstâncias de cada caso.
“Uma publicação não configura automaticamente um crime ou assédio eleitoral. É necessário verificar o conteúdo, o contexto e as circunstâncias daquela manifestação.”
Ainda assim, ela ressalta que o Direito não precisa esperar que todo o dano se concretize para permitir a adoção de medidas de proteção.
Empregador não pode cobrar posição política do funcionário
Thaluana Aves afirma que a preferência política integra a esfera privada do trabalhador e não pode ser exigida como condição para conseguir ou manter um emprego.
“Ninguém é obrigado a revelar em quem votou ou qual partido apoia para conseguir ou manter um emprego.”
A advogada lembra ainda que a opinião política é considerada um dado pessoal sensível pela Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), o que exige proteção especial.
“O empregador não pode utilizar as redes sociais dos funcionários como instrumento de perseguição política. Uma coisa é visualizar uma publicação pública. Outra é coletar informações para criar listas, identificar eleitores e prejudicar profissionalmente essas pessoas.”
Segundo ela, esse tipo de conduta pode representar violação a direitos fundamentais e também à legislação de proteção de dados.
Boicote a empresas
Além da incitação à demissão e à não contratação de eleitores de Lula, o movimento também passou a defender o boicote a empresas associadas a apoiadores do PT. Em alguns casos, influenciadores divulgaram listas de restaurantes, salões de beleza e outros estabelecimentos que deveriam ser evitados por consumidores.
Durante entrevista ao g1, o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves fez uma distinção importante entre campanhas de boicote e discriminação nas relações de trabalho.
Segundo ele, consumidores têm liberdade para decidir onde comprar e quais empresas desejam prestigiar ou evitar. Por isso, o simples boicote a produtos, marcas ou estabelecimentos não é, em regra, objeto de atuação do Ministério Público do Trabalho.
“O Ministério Público do Trabalho não atua nesses casos de boicote quando não tem uma interferência ilegítima no âmbito das relações de trabalho.”
O cenário muda, porém, quando trabalhadores passam a ser alvo das campanhas. Segundo o procurador, a preocupação do órgão surge quando posições políticas passam a ser usadas como critério para contratação, demissão ou acesso a oportunidades profissionais.
Como a Justiça identifica a discriminação
Segundo especialistas, raramente um empregador admite que demitiu alguém por sua posição política. Por isso, a Justiça do Trabalho costuma analisar o conjunto das provas disponíveis.
🗃️ Mensagens, e-mails, vídeos, áudios, publicações em redes sociais, documentos internos e depoimentos de testemunhas podem ajudar a demonstrar a motivação real de uma dispensa ou de uma recusa de contratação.
“A Justiça do Trabalho pode analisar o conjunto das provas, inclusive mensagens eletrônicas, depoimentos de testemunhas e a sequência dos acontecimentos”, afirma Thaluana.
A especialista destaca ainda que listas organizadas para excluir pessoas do mercado de trabalho por razões políticas podem ser analisadas pelas autoridades.
“Uma lista organizada para excluir pessoas do mercado de trabalho por suas convicções políticas pode indicar uma prática discriminatória coletiva.”
O que fazer em caso de discriminação política
Quem se sentir ameaçado, perseguido ou discriminado por motivos políticos deve guardar provas, como prints, mensagens, vídeos, áudios e nomes de testemunhas.
As denúncias podem ser feitas de forma remota e sigilosa pelo site do Ministério Público do Trabalho (www.mpt.mp.br) ou presencialmente em qualquer unidade do órgão.
“O trabalhador precisa saber dos seus direitos e saber que o Ministério Público do Trabalho garante o sigilo da identidade, caso ele assim deseje”, afirmou o procurador do Trabalho Igor Sousa Gonçalves.

Anthropic se prepara para um dos maiores IPOs da história; veja ranking

Logo da Anthropic em ilustração feita em junho de 2026.
Dado Ruvic/Reuters
A Anthropic, empresa de inteligência artificial responsável pelo chatbot Claude, divulgou na segunda-feira (26) um pedido para abrir seu capital nos Estados Unidos. A operação pode colocar a companhia entre as protagonistas de uma das maiores estreias já registradas no mercado de ações.
🔎 IPO é a sigla em inglês para oferta pública inicial de ações. Na prática, é o processo pelo qual uma empresa passa a ter seus papéis negociados na bolsa, permitindo que investidores comprem uma participação no negócio.
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A expectativa é que o IPO da Anthropic esteja entre os maiores já realizados e tenha impacto relevante no mercado americano, influenciando desde a composição de índices das bolsas até o movimento de grandes investidores.
“Uma oferta pública inicial bem-sucedida da Anthropic poderá abrir ou fechar de vez o mercado de IPOs, mesmo já em 2027”, disse Matt Kennedy, estrategista sênior da Renaissance Capital, uma empresa especializada em pesquisas focadas em IPOs e ETFs.
Entre os maiores IPOs da história estão o da SpaceX, atual recordista, e o da Saudi Aramco, que ocupava o posto desde 2019. A OpenAI também planeja uma oferta que pode ficar entre as maiores já realizadas. (veja o ranking abaixo)
Anthropic
Alguns investidores atuais e potenciais avaliam a Anthropic em cerca de US$ 1,5 trilhão, abaixo dos cerca de US$ 2 trilhões estimados anteriormente.
A revisão ocorreu após a empresa divulgar alguns de seus dados financeiros em um evento recente para investidores.
Segundo a Reuters, a empresa de inteligência artificial busca levantar até US$ 100 bilhões com o IPO, em novembro.
No fim de maio, a Anthropic captou US$ 65 bilhões com investidores, em uma operação que avaliou a empresa em US$ 965 bilhões.
OpenAI
OpenAI afirma que a confiança e a privacidade são fundamentais para seus produtos
Getty Images
A OpenAI, criadora do ChatGPT, revelou em junho que havia apresentado de forma confidencial um pedido para abrir seu capital nos EUA.
A empresa, no entanto, não abrirá o capital em 2026. A afirmação foi feita em setembro pelo presidente-executivo, Sam Altman.
Na ocasião, ele citou preocupações com a segurança da inteligência artificial. Segundo Altman, essas questões tornam “inaceitável” até mesmo um risco de 10% de que a IA possa causar a extinção da humanidade até o final da década.
A OpenAI busca garantir o compromisso de investidores antes da esperada estreia da rival Anthropic na bolsa.
A captação, considerada excepcionalmente rápida, pode avaliar a criadora do ChatGPT em mais de US$ 1,4 trilhão, segundo a Reuters.
“Ainda não decidimos o momento; pode demorar um pouco, pois há coisas que queremos fazer e que provavelmente são mais fáceis como empresa privada. Mas é um conjunto complicado de ‘trade-offs’, e isso nos dá a opção de abrir o capital mais cedo, se essa acabar sendo a melhor opção”, afirmou a OpenAI em junho.
SpaceX
Musk, Spacex e Tesla
REUTERS/Evan Vucci e REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração
A SpaceX, fabricante de foguetes e satélites de Elon Musk, estreou na Nasdaq em junho e quebrou o recorde de maior IPO da história. A operação superou com folga a da petrolífera Saudi Aramco, que detinha o posto desde 2019.
A empresa levantou US$ 75 bilhões com a oferta, mais que o dobro do arrecadado pela Saudi Aramco.
A companhia de Musk também fugiu do modelo tradicional ao definir o preço das ações antes das reuniões com investidores que normalmente antecedem a estreia na bolsa, processo conhecido como “roadshow”.
As ações encerraram o primeiro dia de negociação a US$ 160,95, levando o valor de mercado da SpaceX a US$ 2,1 trilhões.
Desde então, os papéis perderam parte da força. Em 23 de outubro, fecharam a US$ 147,49, ainda 9,3% acima dos US$ 135 cobrados no IPO.
Relembre abaixo os maiores IPOs até a SpaceX.
IPO da SpaceX pode colocar empresa no top 10 global
Arte/g1
* Com informações da agência Reuters

LISTA: veja os 6 carros de até R$ 100 mil que consomem menos combustível

Carros abaixo de R$ 100 mil e que consomem menos combustível
arte/g1
O Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV), do Inmetro, mostra quais são os carros mais econômicos do Brasil no consumo de combustível. A última lista reúne 976 veículos homologados por 43 marcas, avaliados em testes de laboratório que analisam diversos critérios.
Os testes seguem a norma ABNT NBR 7024, em vigor desde 1989 e atualizada periodicamente. A regra define que o consumo de combustível seja medido por ciclos de condução em dinamômetro de chassi, que simulam a circulação em trechos urbanos e rodoviários.
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🚗 Nesta reportagem, o g1 lista os carros que custam menos de R$ 100 mil e aponta quais deles são os que gastam menos combustível na cidade, além de trazer, em alguns casos, uma análise mais ampla do consumo.
⚠️ Na lista, foram considerados apenas veículos com motores a combustão, sem incluir híbridos ou elétricos. Além disso, nem todas as versões de um mesmo modelo apresentam o melhor desempenho em consumo.
6. Citroën C3
Citroën C3
divulgação/Citroën
O carro menos econômico da lista é um dos mais baratos do Brasil. Isso não significa que ele seja beberrão. Pelo contrário: o hatch da marca francesa é capaz de consumir menos combustível que o conjunto híbrido do Toyota Yaris Cross, por exemplo.
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: manual de cinco marchas;
Gasolina: 13,9 km/l (cidade) e 14,6 km/l (estrada);
Etanol: 9,5 km/l (cidade) e 10,4 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 88.990.
5. Peugeot 208
Peugeot 208
divulgação/Peugeot
O Peugeot 208 não pode ser considerado um carro “beberrão”, mas é o carro mais caro dessa lista. O hatch compacto se sai bem em trajetos urbanos, porém tem desempenho mais modesto na estrada.
Ele perde para o Hyundai i20 na cidade, mas apresenta números melhores na estrada:
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: manual de cinco marchas;
Gasolina: 13,6 km/l (cidade) e 15,3 km/l (estrada);
Etanol: 9,5 km/l (cidade) e 10,8 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 93.990.
4. Hyundai i20
Hyundai i20 chega como HB20 moderno e maior
Lançado no Brasil em junho deste ano, o Hyundai i20 também não encabeça a lista dos carros mais econômicos do país.
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O baixo consumo do modelo se destaca, superando o C3 até quando abastecido com etanol:
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: manual de cinco marchas;
Gasolina: 13,9 km/l (cidade) e 14,6 km/l (estrada);
Etanol: 9,7 km/l (cidade) e 10,5 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 94.990.
3. Renault Kwid
Renault Kwid
divulgação/Renault
O Renault Kwid disputa com o Fiat Mobi o posto de carro mais barato do Brasil, mas perde a batalha entre os compactos quando o assunto é economia de combustível.
Vale destacar que ele é o melhor com etanol na cidade e o segundo melhor com gasolina na cidade:
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: manual de cinco marchas;
Gasolina: 14,4 km/l (cidade) e 15,4 km/l (estrada);
Etanol: 10,4 km/l (cidade) e 10,7 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 82.790.
2. Chevrolet Onix
Chevrolet Onix
divulgação/Chevrolet
Embora seja apenas o quinto em gasolina na cidade, o Chevrolet Onix é o melhor de todos na estrada, tanto com etanol quanto com gasolina. Por isso sobe bastante no ranking.
O hatch testado pelo Inmetro é a versão flex, e não o modelo movido 100% a etanol. Este último, por sua vez, consome mais etanol do que a versão que também pode ser abastecida com gasolina:
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: manual de cinco marchas;
Gasolina: 13,7 km/l (cidade) e 17,7 km/l (estrada);
Etanol: 9,8 km/l (cidade) e 12,4 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 87.790.
Para comparação, estes são os dados do Onix movido somente a etanol e vendido apenas com câmbio automático:
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: automático de cinco marchas;
Etanol: 9,1 km/l (cidade) e 11,0 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 99.990.
1. Fiat Mobi
Fiat Mobi
divulgação/Fiat
Em primeiro lugar no pódio aparece o rival do Kwid: o Fiat Mobi. O modelo bebe mais na cidade quando abastecido com etanol, mas a economia aparece quando a gasolina é a escolhida no posto:
Motor: 1.0 flex;
Câmbio: manual de cinco marchas;
Gasolina: 14,5 km/l (cidade) e 15,8 km/l (estrada);
Etanol: 10,1 km/l (cidade) e 11,1 km/l (estrada);
Preço: a partir de R$ 85.490.

Governo renova subsídio ao diesel; por que o agro é tão vulnerável à alta do combustível?

Governo prorroga subvenção de R$ 2,12 por litro de diesel
O governo federal prorrogou nesta terça-feira (27), por mais 30 dias, o subsídio ao diesel, mantendo o benefício em R$ 2,12 por litro. A medida busca conter os efeitos da alta dos preços internacionais do petróleo, principal matéria-prima do combustível, pressionados pelos conflitos no Oriente Médio e pela guerra entre Rússia e Ucrânia.
O barril do petróleo Brent, referência internacional, foi negociado entre US$ 100 e US$ 106 na primeira quinzena de outubro e chegou a US$ 113,17 no dia 22. Para o governo, qualquer valor acima dos US$ 70 gera pressão forte nos preços para o mercado interno.
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Além da alta da commodity, a desvalorização do real também pode encarecer a produção e a importação de diesel. Apesar de ser um grande produtor de petróleo, o Brasil importa cerca de um quinto do diesel que consome, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Em agosto, o diesel importado correspondeu a 23,14% das vendas nacionais de diesel A, combustível ainda sem a mistura obrigatória de biodiesel.
A junção desses fatores dá no seguinte resultado:
O preço do diesel comum subiu 6,67% na primeira quinzena de outubro, chegando à média de R$ 7,20 por litro, segundo o Índice de Preços Edenred Ticket Log (IPTL). Já o diesel S-10 ficou 5,07% mais caro no período, chegando a R$ 7,46 por litro. Em relação a janeiro, o diesel comum acumulou aumento de 15,2%.
Os preços também variam entre as regiões do país. No Norte, o litro do diesel comum custava, em média, R$ 7,75, enquanto o S-10 tinha preço médio de R$ 7,80. Em Roraima, o diesel comum chegou a R$ 8,19; no Acre, o S-10 atingiu R$ 8,30. No Sul e no Sudeste, a média do diesel comum era de R$ 6,97 por litro.
Esse aumento que se reflete no transporte de cargas, feito principalmente por caminhões no Brasil. No agronegócio, o combustível mais caro eleva o custo do frete e da produção, e esse aumento pode ser repassado aos preços dos alimentos.
Como mostrou o Globo Rural, agricultores do Rio Grande do Sul já demonstram preocupação com a possível falta de diesel às vésperas do plantio da safra de verão.
Por que o Brasil precisa importar diesel?
Entre janeiro e agosto, a produção de diesel pela Petrobras chegou a crescer 18,5%, passando de 32,7 milhões para 38,7 milhões de barris. Ainda assim, a produção nacional não foi suficiente para atender a toda a demanda pelo combustível.
No primeiro semestre de 2026, o Brasil consumiu 213,2 milhões de barris de diesel. Segundo a ANP, a produção nacional foi de 154,8 milhões de barris, enquanto as importações somaram 43,5 milhões de barris, o equivalente a 20,4% do consumo no período.
A dependência de importações está relacionada à capacidade de refino do país. Isso porque extrair petróleo não é o mesmo que produzir combustíveis: o petróleo precisa ser processado em refinarias para se transformar em diesel e outros derivados usados por caminhões, máquinas agrícolas e veículos.
Nos últimos anos, a Petrobras vendeu refinarias para empresas privadas como parte de um programa de venda de ativos. Esse movimento ganhou força durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), quando a estatal negociou unidades do setor de refino.
O professor Paulo Feldmann, da Faculdade de Economia, Administração, Contabilidade e Atuária da Universidade de São Paulo (FEA-USP), questiona os custos de produção do diesel nessas refinarias e afirma que, em algumas situações, o combustível produzido no Brasil chega a ser mais caro que o importado.
Já Francismar Ferreira, do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), afirma que diminuir a dependência das importações exige ampliar e modernizar as refinarias brasileiras, além de rever os investimentos da Petrobras no setor.
Cadeia do diesel
g1
Por que a alta do diesel pesa tanto no Brasil?
🕰️ A partir da segunda metade do século XX, o Brasil passou a priorizar o transporte de cargas por rodovias, enquanto as ferrovias perderam espaço. Essa mudança acompanhou o crescimento da indústria automobilística e a expansão da malha rodoviária.
Hoje, a dependência das estradas faz com que a alta do diesel aumente os custos do frete e, consequentemente, do transporte de mercadorias.
“Os combustíveis em geral, sobretudo gasolina e diesel, têm um impacto muito grande sobre o transporte de mercadorias. O Brasil é um país grande e precisa transportar cargas por longas distâncias, isso afeta muito a produtividade do Brasil”, afirma Paulo Feldmann, da FEA-USP.
➡️ Países como Argentina e Estados Unidos também sofrem com a alta dos combustíveis, mas contam com redes ferroviárias que permitem escoar parte da produção agrícola e industrial por trens, diminuindo a dependência das rodovias em determinados trajetos.
Há também riscos para o abastecimento, como alertam os agricultores do RS. Murilo Viana, mestre em economia pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), avalia que os subsídios concedidos recentemente pelo governo, ao manter os preços internos artificialmente abaixo dos internacionais, podem desestimular empresas privadas a importar diesel.
Nesse cenário, a Petrobras poderia ser pressionada a assumir uma parcela maior das importações, eventualmente vendendo o combustível com prejuízo por litro. Caso isso não ocorra, o país poderia enfrentar dificuldades de abastecimento por falta de importação pela iniciativa privada.
Como isso afeta os preços dos alimentos?
O agronegócio está entre os setores mais afetados pela alta do diesel, já que o combustível é utilizado tanto nas máquinas agrícolas, durante o preparo do solo, o plantio e a colheita, quanto no transporte da produção até armazéns, indústrias, portos e centros consumidores.
“O aumento dos custos pode reduzir a competitividade das exportações e encarecer os alimentos no mercado interno”, afirma Paulo Feldmann, da FEA-USP.
“Todos falam que ‘da porteira para dentro’ a agricultura brasileira é a mais competitiva do mundo. O Brasil perde muito no transporte, que é o que mais afeta o custo.”
Com o frete mais caro, produtores e empresas podem ter seus lucros reduzidos ou repassar parte dos custos adicionais aos compradores.
O repasse, porém, não acontece necessariamente de forma integral ou imediata. Parte do aumento pode ser absorvida ao longo da cadeia de produção e distribuição, dependendo dos contratos, da concorrência e das margens de lucro das empresas.
Nesse contexto, o governo Lula tem apostado em subsídios temporários para conter os efeitos de altas de preços que considera passageiras.
Subsídio alivia a alta, mas tem limites
A prorrogação do subsídio anunciada pelo governo busca reduzir os efeitos da alta dos preços internacionais do petróleo no Brasil. Para Feldmann, a medida pode ajudar a conter o repasse dos custos, mas tem limites porque depende de recursos públicos, em um momento de dificuldades nas contas do governo.
Para Murilo Viana, o subsídio pode ser justificado pelo fato de que a alta dos preços internacionais do petróleo também pode elevar a arrecadação do governo brasileiro. Isso porque o país exporta petróleo bruto e recebe receitas de royalties, dividendos da Petrobras e tributos.
O subsídio, portanto, representa um gasto imediato para o governo, mas pode ajudar a evitar custos e impactos maiores sobre a economia. O resultado dessa estratégia, porém, depende de quanto o governo arrecada a mais com o petróleo, de quanto gasta com o subsídio e de quanto do aumento do diesel chegaria aos preços de outros produtos.
Para Viana, medidas para estabilizar os preços podem ser válidas, desde que sejam temporárias e tenham regras claras para seu encerramento, evitando que o subsídio se transforme em uma forma permanente de manter os preços artificialmente baixos.
O que reduziria a dependência brasileira?
Ampliar a capacidade de refino, investir em alternativas de transporte e reduzir a dependência de insumos importados são medidas que podem, na visão dos analistas, tornar o Brasil menos vulnerável.
Para Francismar Ferreira, do Ineep, uma solução de longo prazo exige ampliar e modernizar as refinarias brasileiras, além de aumentar os investimentos no setor.
A discussão também envolve o papel da Petrobras na produção de combustíveis derivados do petróleo, assim como na distribuição e revenda desses produtos.
O economista Murilo Viana também defende ampliar a produção nacional de fertilizantes, outro insumo essencial para o agronegócio.
Essa medida não resolve diretamente a dependência do diesel, mas faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a vulnerabilidade do setor às oscilações do dólar e dos insumos no mercado internacional.
PEC Brasil movimenta o agronegócio em todo o país.
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