Vai fazer uma dívida? Responda a estas duas perguntas antes

Dívida boa e dívida ruim: qual é a diferença e por que isso importa?
Nem toda dívida é ruim. A diferença entre “dívida boa” e “dívida ruim” é econômica, não moral — e saber identificar isso é essencial (entenda no vídeo acima).
A boa é aquela que pode aumentar a renda ou ajudar a construir patrimônio, desde que o retorno compense o custo dos juros. Por exemplo, investir em educação, ou fazer um financiamento.
Já a dívida ruim é a usada para antecipar consumo e tende a crescer mais rápido que a renda, pressionando o orçamento. Comprar roupas, eletrônicos, por exemplo. Nesse contexto, o endividamento caro e mal planejado preocupa no Brasil atualmente. Como resultado, o consumo pode perder força e a economia pode deixar de crescer.
Na dúvida, antes de contrair uma dívida, responda a estas duas perguntas:
Essa dúvida aumenta minha renda no futuro?
O retorno vai compensar o custo?
Se a resposta for não, cuidado: a tendência é de aperto.
Neste vídeo, você vai entender por que o problema não é ter dívida — mas, sim, dever mal. Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Reforma tributária: novo imposto sobre consumo pode ficar acima de 30% e superar o de países ricos; veja a comparação

O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta semana uma sugestão para que a alíquota de referência da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo tributo aprovado na reforma tributária sobre o consumo, seja de 11,3% em 2027.
O cálculo foi feito por técnicos do tribunal com base em dados da Receita Federal. O percentual será encaminhado ao Congresso Nacional, que poderá concordar ou não.
Caberá ao Senado, até 15 de dezembro, fixar o valor final da alíquota, que será cobrada a partir de 2027.
▶️Para mensurar o valor da CBS, técnicos do tribunal estimaram quanto seria arrecadado com os impostos que estão sendo extintos no fim de 2026 (PIS, Cofins e grande parte do IPI). Isso porque, uma das premissas da reforma sobre o consumo, é manter o atual patamar da carga tributária.
TCU propôs alíquota de 11,3% pra imposto sobre o consumo
🔎 Em 2024, o governo estimou que a alíquota da CBS seria de 8,8%. Cálculo da consultoria Roit apontava para uma alíquota de 9,43% em 2027. Estimativas divulgadas em julho pelo Comitê Gestor do IBS, dos estados, apontam que a CBS teria uma taxa de cerca de 9,2% no próximo ano.
Imposto total
▶️Além da CBS do governo federal, a reforma tributária também contempla a cobrança do IBS estadual e municipal, que terá uma alíquota marginal de 0,1% até 2028. A partir de 2029, os estados e municípios começam a aumentar, gradualmente, a cobrança do IBS. A cobrança integral começa em 2033.
▶️Antes de a alíquota da CBS ser proposta pelo TCU, estimativa do Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (CGIBS) apontava que a alíquota cheia estiver sendo cobrada do imposto sobre o consumo do governo federal, estados e municípios, somaria cerca de 28%.
▶️Depois da divulgação da proposta do tribunal para a CBS, bem acima do esperado, analistas passaram a apontar que o imposto brasileiro será de ao menos 30% em 2033 — o primeiro ano com tributação cheia. O g1 considerou o patamar de 30% para comparação internacional.
▶️ Se confirmada, seria maior do que a alíquota de todos os países desenvolvidos, segundo ranking da Tax Foundation — organização sem fins lucrativos que faz avaliações sobre impostos e coleta dados sobre tributos ao redor do mundo.
▶️De acordo com o levantamento, alíquota média dos impostos gerais sobre o consumo nos países da OCDE foi de 19,4%, bem abaixo do valor estimado para o futuro IVA brasileiro. O ranking, com dados de 2026, foi divulgado em 19 de outubro (veja abaixo).
Alíquotas do imposto sobre o consumo
Ranking da Tax Foundation e estimativa de analistas para o Brasil
➡️O governo federal, por sua vez, alega que, atualmente, os impostos cobrados sobre o consumo no país são ainda maiores, com tributação média de cerca de 34% – mas que há dificuldade em calcular o peso dos impostos pois o sistema é muito complexo, há exceções. Além disso, alguns tributos incidem sobre si mesmos (por dentro, em cascata).
➡️Este modelo “por dentro” torna mais difícil identificar quanto de imposto está efetivamente embutido no preço de um produto ou serviço. Por isso, as notas fiscais trazem apenas uma estimativa “do valor aproximado de tributos”. Com a reforma tributária, eles passarão a ser cobrados por fora (aparecerão separados do valor do produto ou serviço).
Porque a alíquota é alta
➡️Um dos problemas que resultaram em um alto imposto sobre o consumo no Brasil foi a decisão do governo do presidente Lula, e de legisladores, de terem proposto e aprovado que o atual peso dos impostos nessa base de tributação fosse mantido.
🔎A consequência da concentração maior da carga tributária brasileira sobre o consumo no Brasil é o alto grau de “regressividade” (se arrecada proporcionalmente mais de quem ganha menos) — prejudicando, dessa forma, os mais pobres.
Números da Receita mostram que impostos sobre bens e serviços, ou seja, os tributos indiretos embutidos nos preços, representaram 43,5% de toda a carga tributária brasileira em 2024, ficando acima da média da OCDE (países ricos).
Ao mesmo tempo, os tributos sobre o lucro, renda e o ganho de capital do brasileiro, focados nos contribuintes mais ricos, estão bem abaixo da média da OCDE, formada por países mais desenvolvidos.
Para Luís Garcia, advogado tributarista pela USP/SP e sócio do Tax Group, o alto patamar do endividamento do setor público e a rigidez das despesas mantêm a pressão por arrecadação e impedem que a reorganização dos tributos, isoladamente, produza alívio fiscal.
“A reforma tributária pode significar simplificação, mas jamais redução de carga tributária enquanto o Brasil continuar refém de uma política fiscal irresponsável”, avaliou o tributarista Luís Garcia.
▶️Outro entrave, este relacionado ao fato de que a alíquota proposta pelo TCU ficou acima do estimado anteriormente por analistas, tem a ver com as exceções aprovadas na tramitação da reforma tributária no Congresso Nacional, ou seja, com os benefícios concedidos na aquisição de determinados produtos e serviços.
Considerando a premissa básica de que a reforma deve manter o atual nível de arrecadação dos tributos sobre o consumo, os benefícios concedidos a determinados produtos e setores resultam em uma alíquota de referência mais elevada para as atividades que não contam com incentivos fiscais, algo que já havia sido apontado, à época, por representantes da indústria nacional.
Entre os benefícios aprovados na tramitação da reforma tributária, estão alíquota zero para a cesta básica, incluindo as proteínas (o que, segundo especialistas, beneficia a população mais rica), para uma lista de medicamentos e dispositivos médicos.
O Congresso aprovou ainda alíquotas reduzidas para serviços de educação e saúde; medicamentos e dispositivos médicos; produções artísticas, culturais, jornalísticas e audiovisuais nacionais; atividades desportivas; e profissões regulamentadas e fiscalizadas por conselhos profissionais.
Setores reclamam
A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) manifestou preocupação com a alíquota de referência de 11,3% pois ela reforça o risco de aumento da carga tributária para as empresas. A preocupação é especialmente relevante para prestadores de serviços sujeitos atualmente à alíquota conjunta de 3,65% de PIS/Cofins no regime cumulativo.
“A substituição por uma CBS com referência de 11,3% representa uma elevação expressiva da alíquota nominal, embora o impacto efetivo dependa dos créditos e do tratamento tributário de cada atividade. Empresas intensivas em mão de obra ficam mais expostas, pois a folha de pagamentos não gera créditos”, avaliou a CNC, por meio de nota.
A Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIA) informou considerar preocupante a proposta de fixação da alíquota de referência de 11,3% para a CBS, bem acima das estimativas anteriores. Avalia que uma diferença dessa magnitude “ameaça elevar a carga tributária das empresas, com efeitos que podem se refletir nos preços ao consumidor”.
“A definição da alíquota não deve ignorar os impactos sobre a produção, os investimentos e o custo dos alimentos. Além de aumentar os preços, uma alíquota elevada da CBS ameaça ampliar a pressão sobre o orçamento das famílias de menor renda, comprometendo seu acesso à alimentação”, acrescentou a ABIA, em nota.
Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), disse que o patamar de 11,3% estimado pelo TCU quebra a premissa central da reforma tributária de manutenção da carga fiscal.
Segundo ele, estudos técnicos apontavam equilíbrio em torno de 9% para o imposto, e que a nova projeção retira da economia mais de R$ 100 bilhões em tributos adicionais já em 2027, empurrando o IVA Dual (CBS + IBS) para além de 30% – a maior taxa do mundo.
“A produção, os investimentos e o emprego não suportam mais impostos. O reequilíbrio fiscal do Brasil exige corte e controle de gastos públicos, e não aumento de arrecadação sobre quem produz. Esperamos o bom senso do Senado Federal para corrigir essa distorção”, declarou o presidente da Fiesp.
A Conexis Brasil Digital, Sindicato Nacional das Empresas de Telefonia e de Serviço Móvel, Celular e Pessoal, informou ter recebido com preocupação a proposta de fixação da alíquota de referência de 11,3% para a CBS.
“A alíquota proposta é bem superior à alíquota neutra do setor de telecomunicações. Isso representará aumento da carga tributária de telecom, prejudicando investimentos em inovação e expansão da rede, com impacto no custo do serviço para o consumidor”, disse Marcos Ferrari, presidente-executivo da Conexis Brasil Digital.

Divulgação/MPAM

IA virou um problema para as gigantes de tecnologia? Entenda o tombo bilionário nas bolsas

Trump e big techs anunciam acordo para autorregulação da IA nos Estados Unidos
As gigantes de tecnologia estão gastando cada vez mais dinheiro para avançar na corrida pela inteligência artificial (IA). Mas, em vez de empolgar, os investimentos bilionários começaram a acender um alerta na bolsa: o mercado quer saber quando essas empresas vão conseguir transformar tanto dinheiro gasto em lucro.
Na quinta-feira (29), após a divulgação dos resultados trimestrais, as ações da Alphabet, dona do Google, despencaram 12,64%, na maior queda diária da empresa desde sua abertura de capital, em 2004. Os balanços trouxeram números elevados de investimentos em infraestrutura de IA e projeções de novos gastos bilionários, aumentando a preocupação dos investidores com o ritmo de expansão das empresas.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Segundo levantamento da consultoria Elos Ayta, a desvalorização fez a companhia perder US$ 493,9 bilhões em valor de mercado em um único pregão. Para se ter uma ideia, o montante equivale a 55,82% de todo o valor de mercado das empresas listadas na bolsa brasileira, estimado em US$ 885 bilhões.
A queda ajudou a pressionar Wall Street e fez parte de um movimento mais amplo de desvalorização entre empresas do setor.
📲 Após o fechamento, a Amazon também sofreu uma forte queda, de aproximadamente 7%, que retirou quase US$ 200 bilhões de seu valor de mercado. Juntas, Alphabet, Amazon, Meta e Microsoft perderam quase US$ 900 bilhões em valor de mercado após a divulgação dos resultados do terceiro trimestre.
A pressão se intensificou ao longo do pregão desta sexta-feira (30). No fechamento, o Nasdaq recuou 2,9%, aos 25.437 pontos, depois de atingir o menor nível em quase três meses. O S&P 500 caiu 1,8%, aos 7.580 pontos, enquanto o Dow Jones perdeu 1,1%, aos 51.770 pontos.
A pressão também atingiu as gigantes de tecnologia e as fabricantes de chips. No fechamento, a Amazon recuou 1,49%, enquanto a Alphabet também terminou em queda, após despencar 12,64% na véspera.
A Intel teve um dos piores desempenhos do pregão: suas ações desabaram 28,6%, na maior queda diária desde 1974. A desvalorização, porém, também reflete problemas próprios da companhia. A fabricante alertou que deve consumir caixa neste ano, diante da fraqueza do mercado de computadores pessoais, de dificuldades na fabricação de chips e dos altos investimentos para ampliar sua capacidade de produção.
O movimento também atingiu outras empresas do setor. A Nvidia caiu 4,2%, a AMD perdeu 10,9% e o índice de semicondutores recuou 7,2%.
➡️ Em outubro, o Nasdaq 100 acumulava queda superior a 5,8%. A desvalorização poderia eliminar mais de US$ 2 trilhões em valor de mercado do índice no mês.
Tombo das ações reduz em US$ 70 bilhões fortuna de três bilionários
A desvalorização das gigantes de tecnologia também atingiu o patrimônio de alguns dos homens mais ricos do mundo.
Como boa parte da fortuna desses empresários está ligada às participações que mantêm nas empresas que fundaram, a queda das ações na bolsa reduz o valor estimado de seus bens.
Segundo o Bloomberg Billionaires Index, Larry Page e Sergey Brin, cofundadores do Google, tiveram uma redução conjunta de US$ 60,7 bilhões em suas fortunas na quinta-feira (29). Page perdeu aproximadamente US$ 31,6 bilhões, enquanto a fortuna de Brin encolheu US$ 29,1 bilhões.
Jeff Bezos, fundador da Amazon, também foi afetado. O empresário registrou uma redução estimada de US$ 9,48 bilhões em seu patrimônio no mesmo dia. Somadas, as perdas dos três bilionários chegaram a US$ 70,18 bilhões.
A redução não significa que os empresários tenham retirado esse dinheiro de suas contas bancárias ou vendido ações com prejuízo. Trata-se de uma queda no valor estimado de suas fortunas, influenciada principalmente pela desvalorização das participações que possuem nas companhias.
Investimentos em IA disparam, mas mercado cobra resultados
Por trás da pressão sobre as ações está o tamanho dos investimentos que as empresas estão fazendo para desenvolver e ampliar seus negócios de inteligência artificial (IA).
Segundo a Reuters, Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram juntas os investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano. A previsão é de outros US$ 232 bilhões em investimentos no trimestre seguinte.
Para 2026, os gastos de capital dessas quatro empresas podem chegar a US$ 740 bilhões, segundo estimativas citadas pela agência. Os recursos são destinados principalmente à construção de centros de processamento de dados, compra de chips e expansão da infraestrutura necessária para treinar e operar sistemas de inteligência artificial.
A Amazon, por exemplo, investiu cerca de US$ 75,9 bilhões no terceiro trimestre, acima dos US$ 58,7 bilhões esperados pelo mercado. A Alphabet destinou mais de US$ 50 bilhões à expansão de sua infraestrutura. A Microsoft investiu US$ 45,2 bilhões, enquanto a Meta registrou gastos de US$ 35 bilhões no período.
Em outro levantamento, também divulgado pela Reuters, os números mostram o peso desses investimentos sobre o caixa das companhias. Dessa vez, a análise considera cinco empresas: Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle.
Nos primeiros nove meses de 2026, as cinco empresas investiram juntas US$ 556,9 bilhões, valor superior aos US$ 542,9 bilhões que geraram com suas operações no mesmo período. Com isso, o grupo passou de um saldo positivo de US$ 143,5 bilhões em fluxo de caixa livre nos primeiros nove meses de 2025 para um resultado negativo de US$ 14 bilhões neste ano.
O fluxo de caixa livre é o dinheiro que sobra depois que a empresa paga suas despesas operacionais e investimentos. Quando esse indicador fica negativo, significa que os recursos gerados pelas operações não foram suficientes para cobrir os gastos do período.
Analistas apontam que a questão é que esses investimentos levam tempo para gerar retorno. Enquanto as empresas gastam bilhões para ampliar sua capacidade, os investidores querem entender quando esse dinheiro vai se transformar em novas receitas e, principalmente, em lucro.
“O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa”, afirma Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.
Ou seja, não basta mostrar que a empresa está construindo centros de dados e comprando chips. Os investidores querem ver se a estrutura vai gerar dinheiro suficiente para compensar o que foi gasto.
“São bilhões de dólares destinados a centros de dados, chips e infraestrutura, enquanto a capacidade de transformar tudo isso em receita ainda está sendo construída”, diz Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Empresas também recorrem a empréstimos
Até agora, parte importante dos investimentos vinha do próprio dinheiro gerado pelos negócios. Com os gastos cada vez maiores, porém, as empresas também têm recorrido à emissão de dívidas e de ações para levantar recursos.
A Microsoft, por exemplo, levantou US$ 25 bilhões em uma emissão de títulos de dívida. Segundo a empresa, os recursos poderão ser utilizados para diferentes finalidades corporativas, incluindo investimentos de capital.
O movimento ocorre em um momento em que os investidores também acompanham a possibilidade de juros mais altos nos próximos anos. Com juros maiores, os empréstimos ficam mais caros e podem aumentar o custo dos projetos.
“A escala de gastos não tem precedentes. O ciclo começou com recursos próprios, avançou para a emissão de dívidas e agora chega à captação de recursos no mercado de ações”, afirma.
Ele se refere também à possibilidade de as empresas emitirem novas ações para captar dinheiro. Nesse caso, os acionistas existentes podem ter sua participação proporcional reduzida, caso não acompanhem a operação.
O risco é uma bolha de investimentos?
A queda das ações reacendeu a discussão sobre uma possível bolha em torno da inteligência artificial. Isso não significa, porém, que os especialistas considerem a tecnologia uma promessa sem fundamento.
“A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização”, afirma Celso Camilo.
Para ele, o risco está na diferença entre o potencial da tecnologia e o preço que os investidores aceitam pagar hoje pelas ações, considerando lucros que ainda não chegaram.
Lobo também pondera que a discussão não deve ser resumida à ideia de que a IA é uma bolha. Na avaliação dele, o mercado está mais atento ao ritmo de crescimento dos investimentos e à capacidade de as empresas transformarem esse dinheiro em resultados.
“O vencedor da próxima etapa não será necessariamente quem investe mais, mas quem gera retorno sobre o capital investido”, afirma.

'Slopaganda': como a IA virou arma eleitoral nos EUA e movimentou mais de US$ 137 milhões

Protestos do movimento No Kings pedem que eleitores votem em antecipado nas eleições de meio de mandato nos EUA
Jose Luis Magana/AP
Com a aproximação das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para 3 de novembro, a inteligência artificial ganha cada vez mais espaço na propaganda eleitoral. Ao mesmo tempo, aumenta a preocupação com o uso da tecnologia para espalhar informações falsas em anúncios políticos.
Pesquisadores chamam essa prática de “slopaganda”, termo que combina propaganda política com conteúdos de baixa qualidade gerados por inteligência artificial.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A prática é usada tanto por republicanos quanto por democratas, mas candidatos e grupos ligados ao Partido Republicano, do presidente Donald Trump, concentram a maior parte dos investimentos nesse tipo de propaganda eleitoral neste ano.
Em um dos anúncios, Abdul El-Sayed, candidato democrata ao Senado pelo estado de Michigan, aparece segurando cartas de um jogo de tabuleiro com as frases “Morte aos EUA” e “Celebre o 11 de Setembro”, em referência aos atentados às Torres Gêmeas, em Nova York.
Agora no g1
“A destruição de Israel e do Ocidente não é apenas um jogo para eles”, afirma um narrador no vídeo. Em seguida, acrescenta: “É uma missão”.
O anúncio também mostra uma imagem de família gerada por inteligência artificial. Nela, o candidato, que é muçulmano e filho de um egípcio, aparece ao lado de quatro mulheres usando véus que cobrem todo o corpo.
O vídeo foi produzido por uma organização ligada ao senador republicano Ted Cruz, do Texas. Diferentemente da maioria dos anúncios desse tipo, o material informa que foi “criado, total ou parcialmente, com o auxílio de inteligência artificial”.
Poucos anúncios informam o uso de IA
Segundo os pesquisadores, poucos anúncios políticos informam quando utilizam inteligência artificial. A maioria não apresenta esse aviso, o que dificulta a identificação de imagens e vídeos gerados pela tecnologia e a avaliação da veracidade do conteúdo pelos eleitores.
O Wesleyan Media Project, projeto que monitora os gastos com propaganda eleitoral nos Estados Unidos, identificou 220 anúncios políticos produzidos com IA até o momento do levantamento. Os pesquisadores, no entanto, acreditam que o número real seja muito maior.
Dos anúncios identificados, quase 81% foram financiados por candidatos republicanos ou grupos ligados ao partido. Os democratas foram responsáveis por 12%, enquanto os demais tiveram financiamento de candidatos ou organizações independentes.
Inteligência artificial ganha espaço como diferencial competitivo nas empresas
Inteligência Artificial
Segundo o levantamento, mais de US$ 137 milhões (R$ 753,4 milhões) foram gastos na veiculação desses anúncios. Em 2024, os gastos com esse tipo de propaganda haviam somado apenas US$ 50 mil (R$ 274 mil).
Apesar do aumento dos investimentos, apenas 27% dos anúncios identificados avisam que foram produzidos com inteligência artificial, segundo Erika Franklin Fowler, codiretora do Wesleyan Media Project.
Nos EUA, não há uma regra federal que obrigue as campanhas eleitorais a informar o uso de inteligência artificial nos anúncios. Alguns estados, porém, já criaram regras para limitar o uso da tecnologia nesse tipo de publicidade.
No mês passado, o senador democrata Jon Ossoff, do estado da Geórgia, classificou como “profundamente preocupante” o crescimento do uso de IA na propaganda eleitoral.
“É um caminho perigoso rumo à destruição da verdade no debate político”, afirmou Ossoff ao canal C-Span.
Uso de IA na propaganda eleitoral provoca críticas
Ossoff, que disputa a reeleição em novembro, pediu que um anúncio produzido com IA fosse retirado de circulação. O vídeo não informa o uso da tecnologia e mostra o senador em um salão de beleza, sugerindo que ele estaria “maquiando” seu relatório de prestação de contas.
O anúncio foi financiado pelo Senate Leadership Fund, organização que apoia candidatos do Partido Republicano ao Senado americano.
A rejeição ao uso de IA nas campanhas eleitorais também aparece nas pesquisas de opinião. Segundo um levantamento realizado para a Fundação AAPC, 73% dos entrevistados consideram esse uso “inaceitável”.
Apesar do aumento desse tipo de propaganda, pesquisadores alertam que a quantidade de anúncios produzidos com IA não significa, necessariamente, que eles sejam capazes de influenciar o resultado das eleições.
Segundo um relatório recente do Centro de Política Tecnológica da Universidade de Nova York, a “slopaganda” é “provavelmente mais eficaz na mobilização de eleitores ou na arrecadação de fundos do que na influência na eleição de um candidato”.
O documento também afirma que esses anúncios podem ter dificuldade para atrair a atenção dos eleitores, especialmente diante do excesso de conteúdos produzidos com inteligência artificial, “particularmente à medida que nos tornamos cada vez mais sobrecarregados pela confusão gerada pela IA”.

Vale-refeição e alimentação: novas regras começam a valer amanhã; veja perguntas e respostas

Novas regras do vale‑refeição e alimentação: o que muda nos cartões a partir de novembro
As novas regras do vale-refeição (VR) e do vale-alimentação (VA) entram em sua etapa final em novembro e prometem facilitar o uso dos cartões. A partir deste domingo (1º), passa a valer integralmente a chamada interoperabilidade, que permite que os cartões de diferentes operadoras sejam aceitos em uma rede maior de estabelecimentos.
🔎 O objetivo é aumentar a concorrência entre as empresas que administram os benefícios e reduzir os custos para restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos comerciais.
➡️ Mas o que muda para os trabalhadores? O vale-refeição poderá ser usado em supermercados? E o vale-alimentação, em restaurantes? Será possível sacar o dinheiro dos cartões? As empresas são obrigadas a oferecer esses benefícios?
Para esclarecer essas e outras dúvidas, o g1 ouviu Elber Laranja, engenheiro de produtos de crédito, e consultou a Auditoria-Fiscal do Trabalho (AFT).
Após avanço das bets, afastamentos por ludopatia batem recorde em 2026
O que é a interoperabilidade?
A interoperabilidade permite que as empresas que administram vale-refeição e vale-alimentação compartilhem suas redes de estabelecimentos credenciados.
🔎 Na prática, a medida busca resolver um problema comum: chegar a um restaurante, supermercado ou lanchonete e descobrir que o local aceita vale-refeição ou vale-alimentação, mas não a bandeira do seu cartão.
Com a interoperabilidade plena, as redes passam a funcionar de forma integrada. Assim, um estabelecimento poderá aceitar cartões de diferentes operadoras utilizando a mesma estrutura de pagamento, sem precisar contratar cada empresa separadamente.
vale-refeição e vale-alimentação
Freepik
O que muda para o trabalhador?
O trabalhador deverá encontrar mais estabelecimentos que aceitam seu vale-refeição ou vale-alimentação, independentemente da bandeira do cartão.
A mudança, porém, não aumenta o saldo dos cartões, não permite transformar o benefício em dinheiro nem amplia os tipos de produtos que podem ser comprados.
🔎 Segundo Elber, o trabalhador terá mais facilidade para usar os cartões, mas continuará sujeito às mesmas regras sobre o que pode comprar com cada benefício.
O vale-refeição poderá ser usado em supermercados?
Não. Embora os cartões passem a ser aceitos em mais estabelecimentos, isso não muda as regras sobre o uso dos benefícios.
🔎 O que está sendo ampliado é a rede de locais que aceitam os cartões, mantendo a finalidade de cada benefício.
O vale-refeição continua destinado à compra de refeições prontas, como almoços, jantares e lanches, em restaurantes, lanchonetes, padarias e estabelecimentos semelhantes.
Já o vale-alimentação continua destinado à compra de alimentos, como os vendidos em supermercados e mercearias.
Posso comprar eletrônicos, medicamentos e outros produtos em supermercados?
Não. Segundo Elber, mesmo que supermercados, farmácias, postos de combustível e lojas de conveniência vendam alimentos, os cartões continuam destinados exclusivamente a despesas com alimentação.
Os benefícios não podem ser usados para comprar medicamentos, combustíveis, cosméticos, produtos de higiene, eletrônicos ou outros produtos que não sejam alimentos.
A regra também vale para supermercados. Mesmo que esses estabelecimentos vendam eletrodomésticos, celulares, brinquedos, roupas e utensílios domésticos, esses produtos não podem ser pagos com vale-refeição ou vale-alimentação.
E bebidas alcoólicas?
As regras do PAT determinam que os recursos sejam utilizados para a alimentação do trabalhador.
Por isso, produtos que não atendam a essa finalidade, como bebidas alcoólicas, podem ser considerados incompatíveis com as regras do programa durante fiscalizações dos órgãos responsáveis.
Posso sacar o dinheiro do cartão?
Não. O dinheiro depositado pela empresa continua destinado exclusivamente à alimentação e não pode ser movimentado livremente como o saldo de uma conta bancária.
O trabalhador não pode sacar o saldo, transferir os valores para uma conta bancária nem utilizar outros meios para transformar o benefício em dinheiro.
🔎 Segundo Elber, acordos informais entre trabalhadores e comerciantes para trocar o saldo dos cartões por dinheiro continuam sendo irregulares.
Posso transferir o saldo para outra pessoa ou entre benefícios?
Não. Quem recebe os dois benefícios continuará tendo um saldo específico para vale-refeição e outro para vale-alimentação.
Não será permitido transferir dinheiro de um benefício para o outro nem enviar os valores para outras pessoas.
As novas regras também valem para aplicativos de delivery?
Sim. As regras continuam valendo independentemente de a compra ser feita presencialmente ou pela internet.
Os cartões multibenefícios serão proibidos?
Não. As empresas poderão continuar oferecendo cartões que reúnem diferentes benefícios em um único meio de pagamento.
A diferença é que os valores destinados à alimentação deverão ficar separados dos saldos de outros benefícios disponíveis no mesmo cartão.
🔎 Segundo Elber, os valores de vale-refeição e vale-alimentação vinculados ao PAT deverão continuar identificados e sujeitos às regras do programa. Já os demais benefícios poderão seguir normas diferentes.
Os estabelecimentos serão obrigados a aceitar vale-refeição e vale-alimentação?
Não. Cada estabelecimento continuará podendo decidir se aceita ou não vale-refeição e vale-alimentação.
Para os estabelecimentos que já aceitam esses benefícios, porém, a tendência é que as restrições relacionadas às diferentes bandeiras diminuam.
O que fazer se o cartão for recusado?
O primeiro passo é confirmar se o estabelecimento aceita vale-refeição ou vale-alimentação.
Se o estabelecimento aceitar o benefício, mas recusar a bandeira do cartão, pode haver uma falha de integração entre as operadoras, um problema técnico ou descumprimento das novas regras.
Segundo Elber, o trabalhador deve registrar a data e o local da tentativa de pagamento e, se possível, guardar a mensagem de erro exibida na maquininha.
Essas informações podem ajudar o trabalhador a registrar uma reclamação na operadora do cartão, no setor de recursos humanos da empresa ou em órgãos de defesa do consumidor.
A expectativa é que as recusas diminuam com a implementação completa da interoperabilidade, embora falhas pontuais ainda possam ocorrer durante a adaptação ao novo sistema.
O estabelecimento pode cobrar taxa extra ou exigir valor mínimo?
Não. Cobrar uma taxa extra pelo uso do vale-refeição ou do vale-alimentação, ou exigir um valor mínimo para aceitar o pagamento, é considerado prática abusiva.
A regra vale para cartões de todas as operadoras. O consumidor não pode ser prejudicado por escolher pagar uma compra com vale-refeição ou vale-alimentação.
Se isso acontecer, a orientação é guardar provas da cobrança ou da exigência e procurar os órgãos de defesa do consumidor.
O valor do benefício vai mudar?
Não. As mudanças não alteram os valores que as empresas depositam nos cartões de vale-refeição e vale-alimentação.
O valor dos benefícios continuará sendo definido pelas empresas ou pelas convenções e acordos coletivos de cada categoria profissional.
O que muda para os comerciantes?
Representantes de restaurantes, supermercados e outros estabelecimentos reclamam há anos das taxas cobradas pelas operadoras e da demora para receber os valores pagos com vale-refeição e vale-alimentação.
Esses custos faziam com que muitos pequenos estabelecimentos considerassem pouco vantajoso aceitar cartões de determinadas operadoras.
As novas regras limitaram a 3,6% as taxas cobradas pelas operadoras dos estabelecimentos e determinaram que os valores das vendas sejam repassados em até 15 dias corridos.
Além disso, a interoperabilidade diminui a necessidade de contratar diferentes soluções de pagamento e permite que os estabelecimentos atendam trabalhadores que utilizam cartões de várias operadoras.
Segundo especialistas, as mudanças podem melhorar o fluxo de caixa dos estabelecimentos, facilitando o pagamento das despesas do dia a dia, e tornar a aceitação dos benefícios mais vantajosa para os comerciantes.
As empresas são obrigadas a fornecer vale-refeição ou vale-alimentação?
Não. Em geral, a obrigação de oferecer vale-refeição ou vale-alimentação depende de acordos ou convenções coletivas de trabalho, ou de regras internas adotadas pelas empresas.
Portanto, as mudanças no PAT alteram principalmente a forma como os benefícios são utilizados, mas não criam uma obrigação geral para que todas as empresas passem a oferecê-los.
Quem descumprir as regras pode ser multado?
Sim. Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, quem descumprir as regras previstas na legislação e na regulamentação do programa poderá sofrer penalidades administrativas.
As penalidades podem ser aplicadas a operadoras, estabelecimentos comerciais e outros participantes do sistema, conforme o tipo de irregularidade.
O objetivo é garantir que o dinheiro destinado à alimentação dos trabalhadores seja utilizado corretamente e que as demais regras do programa sejam respeitadas.
Qual é o valor das multas?
A Lei nº 6.321 prevê multas que variam de R$ 5 mil a R$ 50 mil. As multas podem ser dobradas em caso de reincidência ou quando houver tentativa de dificultar a fiscalização.
Além das multas, outras penalidades administrativas podem ser aplicadas, dependendo da gravidade da irregularidade.
Empresas cadastradas no PAT precisam fazer alguma atualização?
Sim. Além das novas regras para os cartões, empresas e profissionais inscritos no PAT também precisam ficar atentos a uma obrigação de atualização cadastral.
Segundo a Auditoria-Fiscal do Trabalho, nutricionistas, empresas beneficiárias, fornecedoras e facilitadoras cadastradas no PAT têm até 9 de novembro de 2026 para atualizar seus dados no novo sistema do programa.
O recadastramento é obrigatório independentemente das mudanças na aceitação dos cartões e deve ser realizado na plataforma disponibilizada pelo governo.
Quem não fizer o recadastramento dentro do prazo será excluído automaticamente do PAT e precisará solicitar uma nova inscrição para voltar ao programa.

Quando é a Black Friday em 2026? Veja data e dicas para não cair em ciladas

Black Friday: o que fazer para não cair em falsas promoções
A Black Friday 2026 vai acontecer na semana do dia 27 de novembro.
Mas todo mundo já sabe que nem todo desconto é real, o que já levou o período a ser apelidado até de “Black Fraude”.
Para não cair em ciladas, a primeira dica é começar a acompanhar o preço dos produtos quanto antes.
✅Clique aqui para seguir o canal do Guia de Compras do g1 no WhatsApp
📱Quer comprar melhor? Receba testes e dicas do Guia de Compras toda sexta no seu e-mail.
No final de agosto, uma pesquisa do Google indicou que 48% dos consumidores chegarão à Black Friday com a lista de compras definida e 41% pretendem gastar mais que em 2025.
Diz a pesquisa que 15% dos entrevistados “dizem que vão usar a inteligência artificial para pesquisar, monitorar preços e avaliar” se uma promoção compensa.
Além disso, 60% dos pesquisados consideram a Black Friday a única data que vale a pena para comprar itens de alto valor.
Como não cair em ciladas na Black Friday?
O Procon-SP recomenda iniciar agora a pesquisa pelos produtos desejados na Black Friday para o consumidor conhecer os valores médios, já que não existe tabelamento de preços no Brasil.
O órgão alerta ainda que a prática de vender na data pela “metade do dobro do valor” é abusiva e deve ser denunciada.
É preciso apresentar documentos, como captura das telas que mostram a mudança de preço, na denúncia ao Procon.
A consulta pode ser feita por conta própria, diretamente nos sites das lojas, ou com o auxílio de buscadores especializados.
Vale lembrar que essa estratégia de comparação funciona melhor para produtos que seguem uma padronização, como eletrônicos e eletrodomésticos.
Outros, como roupas, são mais difíceis de comparar, já que cada loja produz ou vende modelos diferentes.
Algumas das principais ferramentas de busca disponíveis na internet são:
BondFaro
Buscapé
Google Shopping
JáCotei
Zoom
Outra recomendação do Procon é fazer listas de compras para a Black Friday e para o Natal. Tudo para evitar compras por impulso.
Se o preço estiver realmente atraente, é bom prestar atenção nas condições de pagamento oferecidas, nas taxas de juros cobradas e nos prazos para quitação.
Desconfiar sempre também é uma dica. Verifique se a loja tem reclamações em sites como Consumidor.gov e Reclame Aqui e dê preferência a fornecedores que informam canais de atendimento, CNPJ e endereço físico.
Por fim, avalie se o produto, mesmo em oferta, realmente cabe no seu orçamento e se é uma necessidade.
Agora no g1

Free flow: 724 mil motoristas têm até dia 16 para pagar pedágio atrasado e evitar multa; veja como

Pórtico do Free Flow no Rio Grande do Sul
Gustavo Mansur/Palácio Piratini
Segundo dados do Ministério dos Transportes obtidos pelo g1, até 29 de outubro, 724.414 motoristas ainda não pagaram as tarifas de pedágios eletrônicos, conhecidos como “free flow”.
O número considera pessoas que passaram pelos pórticos até 17 de outubro. Eles têm até 16 de novembro para quitar as tarifas sem receber multa, mas quem já regularizou o pagamento do pedágio pode solicitar o reembolso. (veja como mais abaixo)
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp
🔎 O free flow é um sistema de pedágio eletrônico sem cancelas que cobra a tarifa automaticamente, sem que o motorista precise parar ou reduzir a velocidade.
No fim de abril, o Ministério dos Transportes suspendeu 2.627.504 multas por falta de pagamento do free flow, para assegurar prazo adequado para a integração e o pleno funcionamento dos sistemas.
Havia uma fragmentação dos canais de pagamento entre as concessionárias.
Agora no g1
A suspensão das multas durou 200 dias. Como o prazo regular para pagar o pedágio é de 30 dias, os motoristas que passaram pelos pórticos após 17 de outubro ainda estão dentro do prazo para quitar a tarifa antes de serem multados.
🚦 O não pagamento do pedágio é uma infração grave, com multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH. Os motoristas que quitarem as tarifas até 16 de novembro também poderão ter retirados da CNH os pontos referentes às infrações abrangidas pela suspensão.
Como pagar o free flow
Para consultar as passagens pelo free flow, o motorista precisa:
Abrir o aplicativo CNH do Brasil;
Tocar na opção “Veículos”;
Escolher e tocar no veículo na lista exibida;
Tocar na opção “Pedágio eletrônico”.
Nessa área, é possível consultar as passagens registradas pelo free flow, acessar o canal de pagamento da concessionária e verificar se a tarifa foi paga.
Para quem utiliza tag, nada muda: a cobrança continua sendo feita automaticamente pela empresa contratada pelo motorista.
Também é possível usar o aplicativo para contestar uma cobrança caso identifique uma passagem que não foi realizada por seu veículo.
As passagens ficam registradas no aplicativo por até cinco anos. O motorista tem até 30 dias após receber a notificação da passagem pelo pórtico para quitar o pedágio.
Apenas o proprietário do veículo pode consultar as notificações, os registros das passagens e os valores cobrados pelo pedágio eletrônico. Diferentemente de uma multa de trânsito, a cobrança do pedágio não pode ser transferida para outro motorista.
Como pedir o reembolso de uma multa já paga
Motoristas que pagaram multas antes ou durante o período de suspensão podem solicitar o reembolso pelo portal gov.br.
Veja o passo a passo:
Acesse o site da ANTT:
Clique ou toque nas três linhas que ficam no canto superior esquerdo;
Selecione “Multas e Serviços” e depois clique ou toque em “Serviços”;
Clique ou toque em “Requerimento para restituição de Multas e Taxas”;
Preencha o requerimento;
Acesse o site gov.br para protocolar o pedido de reembolso preenchido;
Clique ou toque em “Iniciar” e faça o login com a conta gov.br;
Preencha os campos solicitados;
No campo “Tipo de solicitação”, selecione “Protocolar Documentos junto à ANTT”;
Siga as orientações na tela para anexar o documento e enviar o pedido.
O que é o pedágio eletrônico (free flow)?
Pórtico free flow
divulgação/Concessionária Novo Litoral
O pedágio eletrônico, ou free flow (“fluxo livre”, em inglês), é um sistema de cobrança que dispensa cabines, cancelas e o uso obrigatório de tags pelos motoristas.
Câmeras e sensores identificam os veículos durante a passagem, sem que os motoristas precisem parar ou reduzir a velocidade. Em algumas rodovias, a tecnologia também permite calcular a tarifa conforme a distância percorrida.
O pedágio eletrônico já é utilizado em mais de 20 países, entre eles Noruega, Portugal, Estados Unidos, Itália, China e Chile — que está entre os pioneiros na adoção da tecnologia na América Latina.
O pedágio free flow aplica multa?
Não. O sistema free flow apenas identifica o veículo e registra a cobrança da tarifa. O motorista não é multado por passar pelo pórtico, mas pode ser penalizado se não pagar o pedágio dentro do prazo.
A falta de pagamento é considerada evasão de pedágio, uma infração grave que prevê multa de R$ 195,23 e cinco pontos na CNH.
Como acontece a cobrança do pedágio?
O free flow utiliza tanto as tags já conhecidas pelos motoristas brasileiros quanto câmeras e sensores que permitem identificar veículos sem esse dispositivo.
As câmeras e os sensores ficam instalados em pórticos sobre as rodovias. Eles identificam os veículos por meio das tags ou da leitura das placas, permitindo registrar a cobrança do pedágio.
Algumas câmeras registram imagens em 3D para identificar o tipo de veículo, a quantidade de eixos e quais estão suspensos, ou seja, sem contato com o asfalto. Essas informações ajudam a calcular o valor correto do pedágio, especialmente para caminhões.
O sistema também utiliza luzes infravermelhas para identificar os veículos mesmo em condições de baixa visibilidade, como neblina ou fumaça.

Ibovespa: tombo de 18% iguala semana de 11 de Setembro e chega perto da pandemia; o que esperar?

Ibovespa acumulou 18% de queda em uma semana
O resultado do segundo turno das eleições, com a reeleição do presidente Lula (PT), sacudiu o mercado financeiro. O dólar disparou, enquanto o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, encerrou a semana em queda de mais de 18%, aos 167.922 pontos, após cinco pregões consecutivos de baixa.
Especialistas ouvidos pelo g1 afirmam que a queda reflete uma revisão das apostas do mercado após a vitória de Lula. Para eles, a volatilidade deve continuar alta, e uma recuperação mais consistente dependerá dos próximos sinais do governo para a economia e as contas públicas. (leia mais abaixo)
📱Favorite o g1 no Google e acompanhe as principais notícias do dia
Mas o resultado é especialmente marcante porque a bolsa registrou sua quinta pior semana desde o Plano Real, segundo levantamento da consultoria Elos Ayta. As perdas só ficaram atrás de períodos como a semana encerrada em 20 de março de 2020, no início da pandemia de Covid-19, quando o índice despencou 18,88%. (veja abaixo)
A lista concentra, principalmente, momentos de forte crise no cenário internacional. Em 1997, a crise asiática, que começou na Tailândia e se espalhou pela região, fez o Ibovespa despencar 22,17% na semana encerrada em 31 de outubro daquele ano.
Em 2008, a crise do subprime, nos EUA, provocou uma avalanche nos mercados. O estouro da bolha imobiliária no país e a falência do banco Lehman Brothers agravaram a crise financeira global. Na semana encerrada em 10 de outubro daquele ano, a bolsa brasileira recuou 20,01%.
Movimento semelhante ocorreu após os ataques às Torres Gêmeas, nos EUA, em 2001. Na semana encerrada em 14 de setembro, o Ibovespa caiu 18,12% em meio aos atentados e ao temor de uma resposta militar americana, aponta a Elos Ayta.
Veja abaixo:
Maiores quedas semanais do Ibovespa desde o Plano Real
Arte/g1
O levantamento também mostra que as empresas brasileiras listadas na B3, a bolsa de valores brasileira, perderam R$ 963 bilhões em valor de mercado nesta semana, após o segundo turno das eleições presidenciais.
“É equivalente a uma Petrobras inteira e mais R$ 229 bilhões”, diz a consultoria.
A disparada do dólar
A pressão também chegou ao câmbio. Considerando a Ptax, taxa de referência do dólar calculada pelo Banco Central do Brasil (BC) a partir das cotações do mercado, a moeda americana subiu 7,61% na semana, aponta a Elos Ayta.
Foi a maior alta semanal desde setembro de 2011, quando o temor de um calote da Grécia agravava a crise da dívida na Europa e aumentava as incertezas sobre a economia global.
O levantamento considera o período desde 1999, quando o Brasil abandonou o câmbio administrado e passou a adotar o regime flutuante, no qual a cotação é determinada principalmente pela oferta e pela demanda. O recorde é de janeiro daquele ano, com alta semanal de 21,11%.
Veja abaixo:
Maiores altas semanais do dólar.
Arte/g1
O que explica a turbulência nos mercados?
O mercado dava como certa a vitória de Flávio Bolsonaro (PL), mas Lula foi reeleito em uma virada histórica no segundo turno. Investidores vinham precificando uma mudança de rumo na política econômica, sobretudo na condução das contas públicas.
🔎 Essa expectativa persistiu apesar de sinais em sentido contrário dados pelo senador durante a campanha — entre eles, propostas que significavam aumento de gastos.
A aposta havia ajudado a impulsionar a bolsa e derrubar o dólar após o primeiro turno. Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, destaca a dimensão do movimento: o Ibovespa saiu de 186 mil pontos no fim de setembro e superou os 205 mil na sexta-feira anterior ao segundo turno.
“A queda desta semana é, antes de tudo, a desmontagem de uma aposta. Desde o primeiro turno, liderado pelo senador Flávio Bolsonaro, o mercado passou a precificar uma mudança de rumo na política fiscal”, diz.
O movimento foi puxado principalmente por investidores estrangeiros, que haviam apostado na bolsa no período eleitoral, explica Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
Ele aponta, porém, que esse dinheiro começou a sair ainda na quinta e na sexta-feira anteriores ao segundo turno, antes mesmo de o resultado ser conhecido.
“O gringo já estava desmontando. Quer se expor ao boato, mas não quer se expor ao fato”, afirma. Após o resultado, segundo Praça, esse movimento se intensificou, enquanto pessoas físicas fizeram o caminho contrário e compraram ações.
Ele pondera, porém, que parte da queda poderia ocorrer mesmo com uma vitória de Flávio. “Não quer dizer que, se Flávio ganhasse, não ia cair, porque isso aqui tudo era especulação.”
Dívida pública é tema central
Conforme mostrou o g1, a intensidade da reação também reflete uma preocupação anterior à eleição: a situação das contas públicas.
A dívida bruta brasileira chegou a 82,9% do Produto Interno Bruto (PIB) em agosto, o equivalente a cerca de R$ 11,1 trilhões. Em outras palavras, a dívida equivale a cerca de 10 meses de tudo o que a economia brasileira produz.
O problema se agrava quando investidores duvidam da capacidade do governo de controlar os gastos e estabilizar a dívida. Nesse cenário, passam a exigir juros maiores para financiar o país, o que encarece o crédito, pesa sobre as empresas e torna a renda fixa mais atraente que a bolsa.
Luiz Dornelas, CEO do Grupo Ludo, afirma que a queda reflete uma revisão de expectativas e maior cautela com a economia, especialmente com as contas públicas. Mas ressalta que não há uma causa única.
“Os dados fiscais ajudam a entender a vulnerabilidade do mercado, mas não permitem atribuir toda a queda da semana a esse fator. O ambiente internacional, as perspectivas das empresas e o reposicionamento dos investidores também precisam ser considerados”, diz.
Emerson Vieira De Farias Junior, gestor de câmbio e contas internacionais da Convexa Investimentos, também coloca o risco fiscal no centro das preocupações e diz que o mercado espera sinais mais claros do governo.
“Nosso problema não é falta de dólar. O Banco Central tem reservas robustas. O ponto é o risco fiscal. O mercado agora quer dois sinais claros: quem será o ministro da Fazenda e qual será o plano fiscal crível para ancorar as expectativas sobre a dívida”, afirma.
O que esperar à frente?
A avaliação dos especialistas é que as oscilações do mercado devem continuar fortes nos próximos dias. No radar estão os sinais do governo sobre equipe econômica e contas públicas, além da decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre a taxa básica de juros.
Isso não significa que a bolsa não possa reagir depois do tombo. Luiz Dornelas, do Grupo Ludo, considera possível uma recuperação parcial, inclusive com investidores voltando às compras após a forte desvalorização. Mas pondera que altas pontuais não significam necessariamente uma mudança duradoura de tendência.
“Para uma recuperação mais consistente, será importante observar a previsibilidade da política econômica, a evolução das contas públicas e dos juros e a capacidade das empresas de preservar seus resultados”, afirma.
Ricardo Trevisan, da Gravus Capital, destaca justamente essa diferença. Depois de uma queda tão forte, diz, uma alta nos próximos dias seria possível e não surpreenderia. Mas seria cedo para concluir que a bolsa entrou em uma trajetória de recuperação.
“Um repique técnico nos próximos dias é possível e não seria surpresa. Mas repique não é recuperação. Para a bolsa voltar de forma consistente aos níveis de setembro, vai ser preciso um compromisso fiscal crível, com nomes e números”, afirma.
Outro teste importante será na quarta-feira (4), com a decisão sobre a Selic, a taxa básica de juros do país. Antes da eleição, a aposta era em corte de 0,25 ponto percentual, mas agora o mercado vê maior chance de manutenção da taxa em 13,75%.
Para Marcos Praça, da ZERO Markets Brasil, a próxima semana pode trazer mais clareza ao mercado, com a decisão do Copom e as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos no radar.
“A maior clareza que nós teremos do cenário, sem dúvida nenhuma, é na semana que vem.”
Além desses eventos, ele chama a atenção para as tensões no Oriente Médio e a alta do petróleo, que podem continuar pressionando os mercados mesmo após o impacto mais imediato da eleição brasileira.
Bolsa brasileira encerra semana em queda.
Jornal Nacional/ Reprodução

Café gigante e raríssimo é encontrado na Amazônia; espécie representa 0,01% da produção mundial

Você conhece o café libérica?
Uma espécie rara de café, com frutos grandes e casca grossa, tem chamado a atenção de pesquisadores no Nordeste do Pará. As árvores podem alcançar 11 metros de altura, com troncos de até 60 centímetros de diâmetro. (Veja reportagem completa no vídeo acima).
Trata-se da Coffea liberica, conhecida na região como “café beirão”. Pouco cultivada no mundo, a espécie responde por apenas 0,01% da produção global de café.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
O maior exemplar localizado até agora pela pesquisa foi encontrado em Irituia (PA), no quintal da família do agricultor Agílio Cordeiro Vieira.
Diferentemente das lavouras tradicionais de café arábica e canéfora – como o conilon cultivado no Espírito Santo e o robusta amazônico de Rondônia, que crescem a pleno sol – as plantas de libérica encontradas no Pará se desenvolvem à sombra de árvores nativas, em solos frescos e ricos em matéria orgânica.
Além do porte, a espécie chama a atenção pelas folhas gigantes e pelos frutos, que ficam alaranjados quando maduros e chegam a ter o dobro do tamanho dos frutos do arábica.
O libérica também apresenta um teor intermediário de cafeína: maior que o do arábica e menor que o do canéfora.
LEIA TAMBÉM
Abóbora gigante de quase 1.500 kg é colhida nos EUA e pode bater recorde mundial
‘O Menino da Porteira’ faz 71 anos: como a música virou filme, monumento e chegou ao Grammy
Sabor herbal e casca grossa
Análises sensoriais indicam que o café preparado exclusivamente com grãos de libérica tem um perfil de sabor singular. Segundo o barista Adriano Vitti Mota, a bebida é mais frutada que o café arábica e apresenta um sabor herbal que lembra chá-verde.
Apesar do entusiasmo dos produtores, o cultivo comercial do “café beirão” ainda enfrenta barreiras técnicas, como:
manejo e poda: árvores com 11 metros de altura dificultam a colheita manual e precisam ser podadas para que seu porte seja reduzido.
beneficiamento: os frutos têm uma casca muito dura, o que pode exigir a adaptação ou o desenvolvimento de máquinas específicas para o processamento.
Uma história que pode ter quase 300 anos
Até agora, os pesquisadores mapearam apenas sete plantas de libérica no Pará, todas encontradas isoladamente em quintais produtivos.
A principal hipótese para explicar a presença dessa espécie na Amazônia é que as mudas tenham chegado à região durante a expedição militar de Francisco Palheta, há quase 300 anos.
Embora seja produzida em pequena escala em países como Indonésia, Filipinas, Malásia, Libéria e Costa do Marfim, a espécie ainda não é cultivada comercialmente no Brasil.
O libérica, no entanto, já teve um papel importante para a ciência agrícola brasileira. Por ser altamente resistente à ferrugem, uma das principais doenças dos cafeeiros, a espécie foi utilizada em programas de melhoramento genético do café arábica.
Amostras são estudadas pela Embrapa
As amostras coletadas em campo foram encaminhadas à Embrapa, em Belém. O material passa por prensagem, secagem em estufa, congelamento e digitalização antes de ser incorporado ao herbário, que reúne cerca de 206 mil amostras de plantas.
A primeira etapa do estudo recebeu cerca de R$ 115 mil da Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam).
A expectativa é que novos recursos sejam repassados à Embrapa para acelerar a segunda fase da pesquisa, que deverá avaliar o potencial do café libérica para os mercados local e de exportação.
Abóbora gigante de 1.432 quilos colhida nos EUA pode bater recorde mundial

Após avanço das bets, afastamentos por ludopatia batem recorde em 2026

Afastamentos por vício em jogo batem recorde após avanço das bets
Um levantamento exclusivo do g1 com dados da Previdência Social mostra que 2026 registrou recorde de afastamentos do trabalho por ludopatia, o vício em jogo. Foram 377 até agosto, contra 312 casos em todo o ano passado. O custo também disparou: o gasto com a concessão de benefícios em junho deste ano foi seis vezes maior do que em 2023. Neste ano, até agosto, os benefícios somavam R$ 1,9 milhão.
O raio-x, feito pelo g1 e confirmado pela Previdência, aponta que a escalada acompanha a chegada das casas de apostas on-line, liberadas no país em 2018. Até 2022, os afastamentos por ludopatia giravam em torno de dez por ano.
➡️ O levantamento do g1 aponta que os afastamentos por ludopatia custaram pelo menos R$ 4,8 milhões à Previdência desde junho de 2023 até agosto desde ano. O número é só a ponta do problema. O próprio Ministério da Previdência alerta que os casos são subnotificados. E isso acontece por alguns pontos:
A conta inclui apenas trabalhadores que contribuem para o INSS e precisaram se afastar por mais de 15 dias.
E porque o CID F63.0 (número da doença na lista de Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde) considera apenas jogo patológico.
Porém, muitos desses apostadores, segundo os médicos, entram em quadros severos de ansiedade e depressão, que acabam entrando em outros CIDs.
➡️ A ludopatia é reconhecida pela psiquiatria como doença desde 1980, com o auge dos bingos e cassinos. Ela funciona no cérebro como a dependência de álcool e drogas, mas, segundo os especialistas, tem um ponto mais difícil de superar com a revolução do ‘tigrinho’: o celular deixa o jogo disponível o tempo todo. (entenda mais abaixo)
Para psiquiatras ouvidos pelo g1, especialistas em tratamento de vícios, esse é um dos maiores desafios recentes da saúde mental no país.
A atendente de telemarketing Vitória Macedo, de 29 anos, viu a vida mudar depois de perder mais de R$ 30 mil em apostas online, incluindo valores de saques do FGTS. Ela foi uma das pessoas que aparecem nos dados levantados pelo g1, pois precisou se afastar do trabalho para o tratamento.
Não há pesquisas recentes que mensurem o cenário do vício em jogos de apostas no país. Uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (USP), de 2023, é o dado mais recente. A análise mostrou que, àquela época, 1,4 milhões de pessoas tinham uma relação doentia com apostas.
🔴As bets estão proibidas no Brasil por uma medida provisória (MP) do governo federal. O texto vale por até 120 dias e precisa ser aprovado pelo Congresso para virar lei. (entenda como funciona)
O tema segue cercado de controvérsias. De um lado, as empresas argumentam que há plataformas regulares e que cumpriam as regras antes exigidas pelo país. Os especialistas citam que isso até ajudava a acompanhar os casos de pessoas com vício, apesar de apoiarem o fim das plataformas.
Do outro, uma bet antes legalizada é investigada pelo Ministério Público por oferecer atendimento personalizado no WhatsApp e bebida alcoólica para uma jogadora com ludopatia, o que leva especialistas a questionarem se, somente as regras, eram mesmo o bastante.
Abaixo, nesta reportagem, você vai ler:
Raio-x dos afastamentos
O quanto isso vem custando?
A rapidez da roleta: como apostadores perderam tudo
Como o vício em apostas funciona no cérebro
Bet investigada por assediar apostador e oferecer bebida
O impacto no SUS e onde buscar ajuda
Órgãos de defesa do consumidor querem que bets sejam obrigadas a informar risco de perda para apostadores.
Arquivo/Agência Brasil
Raio-x dos afastamentos
As bets foram liberadas no Brasil em 2018. Naquele ano, o INSS concedeu apenas oito afastamentos por jogo patológico, e o número ficou nesse patamar até 2022. A partir de 2023, passou a subir ano a ano até chegar aos 377 registrados só nos oito primeiros meses de 2026.
A demora entre a chegada das apostas e a alta dos afastamentos tem uma explicação. Segundo o psiquiatra Emílio Giroldo Tazinaffo, houve uma demora da sociedade em entender o vício como um adoecimento e educar as pessoas a buscarem ajuda.
➡️ O levantamento reúne os benefícios por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença) concedidos com o código F63.0 da Classificação Internacional de Doenças (CID), usado para o jogo patológico.
O benefício é pago quando o trabalhador precisa se afastar por mais de 15 dias e passa por uma perícia médica no INSS, que define a doença que justifica a licença.
Mesmo com a alta, a Previdência Social e o INSS informaram ao g1 que os números não representam o tamanho do problema. Parte das pessoas com o diagnóstico acaba afastada por outros quadros de saúde e, por isso, não é registrada com esse código.
A pasta e os especialistas citam quadros como depressão e ansiedade, os mesmos que tiveram recorde de afastamento em 2024 e 2025, em sequência. Em 2025, foram mais de meio milhão de trabalhadores afastados por saúde mental.
São Paulo concentra cerca de um em cada três afastamentos por ludopatia no país, com 297 benefícios. Seguido de Minas Gerais (110), Rio Grande do Sul (76), Rio de Janeiro (68) e Paraná (58).
Voltar ao índice.
E o quanto isso vem custando?
O custo das apostas vai além do INSS e começa no bolso das famílias. Em 2025, as bets provocaram uma saída líquida de R$ 62,5 bilhões do orçamento dos brasileiros, segundo a terceira edição do Boletim Fiscal dos Estados Brasileiros.
O governo também ganhou com o setor: desde a regulamentação, arrecadou R$ 15,3 bilhões até agosto deste ano. Para especialistas, porém, o dinheiro que entra de um lado sai pelo outro, em endividamento, inadimplência, atendimento de saúde e benefícios da Previdência.
Só na saúde, o Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) estima que os custos ligados às apostas sejam de pelo menos R$ 30,6 bilhões por ano.
“É um dos maiores desafios de saúde mental do país e o SUS não está preparado. O sistema tem necessitado de mais profissionais, espaços de CAPS, treinar médicos, aumentar o atendimento. Além de medicações”, explica o psiquiatra e especialista em ludopatia, Emílio Giroldo Tazinaffo
Na Previdência, os afastamentos por ludopatia custaram cerca de R$ 4,8 milhões desde junho de 2023, segundo estimativa do g1. O gasto acompanha a curva dos benefícios: mais que dobrou em 2025, e, em 2026, os oito primeiros meses já superam o ano passado inteiro. (Veja abaixo)
➡️ Como o g1 calculou: Os números do Portal de Dados Abertos do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) indicam quantos salários mínimos cada beneficiário recebeu e por quanto tempo ficou afastado. O g1 aplicou o salário mínimo em vigor em cada período e multiplicou pelo tempo de afastamento. Como o tempo de afastamento só passou a constar nos registros em junho de 2023, não foi possível calcular os valores dos anos anteriores.
Voltar ao índice.
A rapidez da roleta
Para Vitória Macedo, as apostas pareciam uma saída. Mãe solo, ela cria sozinha um filho autista e com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH). Na época, ele não recebia a pensão do pai e ela pagava sozinha as sessões de terapia ocupacional e fonoaudiologia. Com o salário de telemarketing, as contas não fechavam no fim do mês.
Foi quando ela soube de uma promessa de dinheiro extra. Os amigos do trabalho apresentaram para ela a plataforma de apostas como renda, mostrando ganhos a partir de apostas de R$ 10.
“Eles me mostravam o ganho e aquilo me seduziu, sabe? Só que por trás da situação toda, elas estavam perdendo muito dinheiro. Eu é que não sabia”, explica.
A promessa de renda extra era como muitas dessas plataformas eram divulgadas. Depois, isso se tornou ilegal com a regulamentação em 2023.
Vitória jogava principalmente o “tigrinho” e fez isso por um ano e meio. Chegou a jogar em cerca de 30 plataformas por dia, tirando dinheiro de uma para apostar na outra. A renda que conseguia fora do emprego, vendendo doces e como criadora de conteúdo no TikTok, também ia para o jogo. Quando deu por si, já tinha perdido mais de R$ 30 mil.
“Eu tirava dinheiro de uma, jogava pra outra, jogava pra outra, e aí eu ia perdendo, perdendo, perdendo. Gastei meu décimo terceiro, gastei meu salário, fiz empréstimo, peguei dinheiro do FGTS, tudo no mesmo dia”, conta a operadora de telemarketing.
Ela caiu em depressão e precisou se afastar do trabalho e passar pelo tratamento, tanto pela ludopatia quanto pela depressão.
Vitória segue trabalhando na empresa, tem o suporte da família, mas a vida está longe de estar em ordem: o dinheiro extra que buscava virou dívida. Hoje, sem apostar, paga em 12 parcelas o empréstimo feito na época. O nome continua negativado.
O psiquiatra Emílio Giroldo Tazinaffo é pesquisador do ambulatório especializado em transtornos do impulso do Hospital das Clínicas de São Paulo, referência há décadas no tratamento de pessoas com vício em jogo. Acompanhando esses pacientes, ele viu o comportamento mudar desde a chegada das bets.
Antes, entre a primeira aposta e o adoecimento, com impacto na vida financeira, passavam-se em média sete anos. Hoje, segundo ele, em poucos meses a pessoa já está com a vida destruída, como é o caso de Vitória.
“Essas pessoas têm o cassino na palma da mão, podem fazer o depósito, o empréstimo, tudo no celular. É muito rápido. Esses pacientes perdem tudo em poucos meses e não conseguem se estruturar, buscar ajuda para estancar antes que o problema seja dessa magnitude”, explica Tazinaffo.
Ana Moraes, de 38 anos, é um desses exemplos. Ela viu a vida financeira da família desmoronar em poucos meses depois que o marido começou a apostar on-line, em março de 2023.
Segundo ela, a família tinha estabilidade financeira, casa, dois carros e condições de ajudar parentes. Nove meses depois, em novembro de 2023, o marido já tinha acumulado dívidas com bancos, empréstimos com conhecidos ejá não tinha mais como manter a família.
Segundo Ana, ao somar as dívidas acumuladas, as perdas financeiras e o valor dos bens que perderam para pagar parte das dívidas, o prejuízo ultrapassa R$ 3 milhões.
Voltar ao índice.
Como o vício em apostas funciona no cérebro
A psiquiatria reconhece o transtorno do jogo como doença desde 1980. Foi a primeira dependência identificada sem o uso de uma substância.
Segundo Tazinaffo, o vício em apostas segue a mesma lógica das dependências químicas e mexe com os mesmos circuitos do cérebro que o álcool e as drogas.
Entenda como funciona:
O sistema de recompensa: é um conjunto de áreas do cérebro que libera dopamina, uma substância ligada à sensação de prazer, quando fazemos algo bom para a sobrevivência, como comer ou conviver com outras pessoas. Esse prazer funciona como um aviso: “vale a pena repetir”.
A expectativa pesa mais que o ganho: na aposta, a dopamina não aparece só quando a pessoa ganha. Ela é liberada na espera pelo resultado, e quanto mais incerto ele é, maior o estímulo.
O cérebro não aprende com o erro: normalmente, o cérebro abandona o que dá errado. Quem leva choque na tomada não põe o dedo lá de novo. Na aposta, às vezes a pessoa ganha e às vezes perde, e o cérebro nunca conclui que aquilo faz mal.
Tolerância: com o tempo, o cérebro se acostuma ao estímulo. Apostar R$ 10 deixa de dar prazer, e a pessoa passa para R$ 100, depois R$ 200, como quem bebe e precisa de doses cada vez maiores.
Perda de controle: a área do cérebro responsável por frear impulsos e pesar consequências perde força diante da vontade de jogar. A pessoa sabe que está perdendo, mas não consegue parar.
Busca pelas perdas: quando o prejuízo se acumula, o objetivo deixa de ser o prazer e passa a ser recuperar o dinheiro. A pessoa acredita que a saída está em mais uma aposta.
Gatilhos: quem bebe pode evitar o bar. Quem aposta tem o celular no bolso e lida com dinheiro o tempo todo, ao pagar uma conta ou fazer uma compra. Cada uma dessas situações lembra a aposta.
“Mais do que ser recompensado, o cérebro acaba engajado e motivado pela possibilidade e pela incerteza. É assim que se entra nesse ciclo de apostas”, explica Tazinaffo.
O resultado é um dos quadros mais graves da psiquiatria atual. No ambulatório do HC, 80% dos pacientes tiveram pensamentos suicidas ou tentaram suicídio em algum momento da doença, segundo o psiquiatra. Pesam a vergonha, as relações rompidas e as dívidas.
O médico explica que a ludopatia tem tratamento, mas que parar de apostar não resolve a dor dos pacientes. Isso porque ele ainda carrega dívidas por anos, que transformam completamente a vida que ele tinha antes.
“O transtorno do jogo é cruel no sentido de que eu até posso decidir parar, mas os prejuízos que aquilo causou na minha vida… Se eu estou devendo no banco, eu vou ficar devendo no banco por quantos anos à frente? O meu nome vai ficar sujo por quantos anos à frente? É preciso acompanhamento em várias frentes além da saúde mental”.
Voltar ao índice.
Empresa assediava apostador doente e oferecia bebida
Em 2023, com o aumento do endividamento e da busca por atendimento em saúde por causa da ludopatia, causada pelo vício em apostas online, o país decidiu pela regulamentação. Cinco anos após serem liberadas, as empresas passaram a ter que cumprir regras que incluíam pagar pela autorização para operar e houve a cobrança de impostos.
Elas também ficaram obrigadas a oferecer ferramentas contra o jogo patológico. O apostador poderia definir limites de gasto e de tempo, e havia canais de auto-exclusão, em que a própria pessoa podia se bloquear das plataformas.
Porém, nem sempre as regras funcionaram. Um caso em investigação no MPDFT mostra o oposto do que as normas previam. Uma mulher diagnosticada com ludopatia processou a BetBoom, empresa que operava com licença regular, depois de gastar mais de R$ 300 mil em apostas.
Segundo o promotor de Justiça de Defesa do Consumidor do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Paulo Roberto Binicheski, a casa chegou a colocar uma gerente para acionar a apostadora pelo WhatsApp e estimulá-la a continuar jogando. Inclusive oferecendo bebida alcóolica. (Veja abaixo)
Mensagens mostra gerente de plataforma oferecendo bebida como benefício para apostadora com ludopatia voltar a jogar
Reprodução
Binicheski explica que o caso mostra a prática ilegal e defende que a regulamentação deveria funcionar, mas que nem sempre era seguida na prática.
“Os regulamentos, por si só, poderiam em alguma medida resolver o problema. Poderiam, desde que as empresas agissem de acordo com as regras do setor. Mas nem isso. Esse tipo de coisa é altamente vedado pelo próprio regulamento que já existia. Como vamos saber se ela era a única ou se vários outros apostadores doentes não eram também seduzidos com propostas assim?”, questiona.
A Justiça determinou o bloqueio de R$ 97 mil nas contas da empresa para garantir uma eventual indenização e encaminhou o caso ao MP para investigação. A ideia é entender se a mulher é a única vítima ou se mais apostadores com sinalização de vício também passavam por assédio.
O g1 procurou a BetBom, mas aguardava o retorno até a publicação.
Além do inquérito sobre a BetBoom, Binicheski move ações civis públicas contra casas de apostas e influenciadores que divulgavam as plataformas sem deixar claro que se tratava de publicidade. Os pedidos de indenização por danos morais coletivos somam mais de R$ 100 milhões. A proposta é que o dinheiro, se a Justiça condenar as empresas, seja destinado ao tratamento de pessoas com ludopatia.
Ao g1, o promotor disse que tem dúvida sobre a efetividade da suspensão das bets sobre a dependência da maneira como foi feita.
“O reflexo imediato dessa medida provisória é a migração para o mercado ilegal. Se as bets continuarem de forma ilegal, nós vamos todos perder porque nem mesmo as indenizações vão ser pagas. Essas casas deixam o dinheiro todo no exterior”, explica.
Ele defende medidas duras nos meios de pagamento para sufocar as formas de aposta e que, segundo ele, não vem acontecendo. Além de mais fiscalização sobre o mercado, agora, ilegal.
O médico psiquiatra Tazinaffo defende o fim das bets, mas explica que é necessário uma frente forte de combate ao mercado ilegal.
“Não existe solução simples para um fenômeno tão complexo. Mas é preciso reconhecer que a disponibilidade irrestrita das apostas aumenta o risco de adoecimento. A regulação precisa levar em conta os impactos na saúde mental da população”, explica.
Voltar ao índice.
Pressão no SUS
Especialistas em saúde mental afirmam que o Sistema Único de Saúde (SUS) não estava preparado para a consequência das bets. O atendimento psicológico e psiquiátrico da rede pública é feito principalmente nos Centros de Atenção Psicossocial (Caps), que já operam no limite.
Se levarmos em conta o impacto no mercado de trabalho, um levantamento do g1 cruzou dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) com a rede de Caps para entender o desafio.
O Brasil tem cerca de 49 milhões de trabalhadores com carteira assinada e 3.070 Caps, o que gera uma média de quase 16 mil trabalhadores por centro de atendimento.
Para atender essa demanda, cada unidade precisaria de dezenas de psicólogos, além de psiquiatras e de horários estendidos, que permitissem o atendimento fora do expediente de trabalho. Hoje, essa não é a realidade.
Enquanto isso, a procura cresce. Segundo o Ministério da Saúde, os atendimentos por ludopatia na atenção básica passaram de 668, em 2021, para 1,2 mil em 2022. E em 2025, foram mais de 6,4 mil atendimentos.
O ministério afirma que ampliou os investimentos em saúde mental. O orçamento da área passou de R$ 1,7 bilhão, em 2022, para R$ 2,9 bilhões, em 2025. A pasta também criou 6,2 mil equipes multiprofissionais para as Unidades Básicas de Saúde (UBS), o que reforça a presença de profissionais de saúde mental nos postos.
Desde este ano, o ministério oferece teleatendimento pelo aplicativo Meu SUS Digital, com capacidade para 100 mil atendimentos por mês.
Voltar ao índice.
Onde buscar ajuda
Se você ou alguém próximo está em sofrimento, o Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, 24 horas por dia, e pelo site cvv.org.br.
Os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Unidades Básicas de Saúde (UBS) do SUS também atendem pessoas com problemas relacionados a jogos e apostas.
O SUS oferece atendimento em saúde mental para pessoas que enfrentam problemas com jogos e apostas e seus familiares, tanto presencialmente quanto on-line. A oferta de teleatendimento começou em março deste ano.
Para acessar o serviço, basta entrar no aplicativo Meu SUS Digital e agendar uma consulta com um especialista.
As consultas são realizadas por videochamada, de forma sigilosa e segura, sem julgamentos, em um ciclo inicial de até dez sessões. Depois, o usuário passa por uma nova avaliação para definir a continuidade do atendimento ou a necessidade de encaminhamento para um serviço presencial.
Quem preferir o atendimento presencial pode procurar diretamente a Unidade Básica de Saúde (UBS) mais próxima. Quando necessário, a equipe encaminha o paciente para outros serviços da rede, incluindo os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS).
Voltar ao índice.