Por que Trump enfrenta o mesmo problema econômico que derrubou Biden

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e seu antecessor, Joe Biden.
Getty Images via BBC
A Casa Branca enfrenta um dilema conhecido.
Os indicadores econômicos não são necessariamente ruins, mas a opinião pública nos Estados Unidos é negativa.
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Essa desconexão perseguiu Joe Biden em 2024, quando os principais indicadores, embora sólidos, não conseguiram convencer muitos eleitores de que a economia estava funcionando a seu favor.
Agora, Donald Trump enfrenta uma versão diferente do mesmo desafio.
Agora no g1
Durante a campanha de 2024, Trump prometeu aos eleitores um alívio rápido para a inflação.
“Quando eu vencer, vou baixar os preços imediatamente”, disse.
Cumprir essa promessa tem sido mais difícil do que o esperado.
O crescimento econômico permanece estável, o desemprego continua baixo e o mercado de ações está perto de suas máximas históricas.
Mas o relatório mais recente sobre a inflação antes das eleições de meio de mandato confirma o que os eleitores já sabem: os preços continuam altos.
As causas são diferentes.
Biden lidava com as consequências da pandemia de covid.
Trump enfrenta preços mais altos da energia, relacionados ao conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, além dos efeitos de algumas de suas próprias políticas comerciais e migratórias.
A realidade política, no entanto, é muito semelhante.
Os eleitores não avaliam a economia pelos números do PIB ou pelas máximas históricas do mercado de ações.
Eles a avaliam pelo que pagam no supermercado, pelo preço da gasolina e pela capacidade de arcar com suas despesas.
Os números contam apenas parte da história
Um crescimento econômico de 2,2% nos Estados Unidos seria respeitável pelos padrões de muitas economias ricas.
A Alemanha, por exemplo, tem enfrentado dificuldades para alcançar um dinamismo semelhante. E uma taxa de desemprego estável de 4,2% nos EUA dificilmente indica uma economia em queda livre.
Trump argumenta que herdou de Biden um desastre econômico e aponta o forte crescimento, os investimentos e o bom desempenho do mercado de ações como provas de que suas políticas estão funcionando.
Após a divulgação do relatório mais recente sobre a inflação, o porta-voz da Casa Branca, Matthew Middleton, afirmou que a “agenda econômica favorável ao crescimento” do governo havia amenizado “a crise inflacionária de Biden”.
Larry Kudlow, aliado de Trump e comentarista econômico, descreveu a atual expansão como “a melhor história já contada” e afirmou que “ninguém será demitido”.
Os eleitores parecem estar interpretando uma história diferente: Trump venceu a eleição presidencial prometendo enfrentar o alto custo de vida, mas os preços continuam subindo.
Parte do problema é que os aumentos salariais não acompanharam o ritmo da alta dos preços.
O salário médio por hora subiu 3% no último ano, enquanto os preços ao consumidor aumentaram 3,7%.
Isso ajuda a explicar por que as pesquisas continuam mostrando que os eleitores avaliam negativamente a atuação de Trump na economia.
Mesmo idioma, diferentes significados
Para os democratas, essa dinâmica é familiar.
Celinda Lake, uma experiente pesquisadora de opinião pública ligada ao Partido Democrata, afirma que o problema começa na maneira como economistas e eleitores usam as mesmas palavras para falar de coisas diferentes.
“Quando os economistas dizem que a inflação está caindo, querem dizer que o ritmo de aumento dos preços diminuiu”, afirma.
Biden baseou sua campanha de 2024 na economia, mas os eleitores tinham uma percepção diferente.
Getty Images via BBC
“Quando os eleitores dizem que a inflação caiu, querem dizer que os preços voltaram ao patamar anterior. Bem, é claro que isso nunca acontece”, explica.
O governo Biden passou boa parte de 2024 destacando o baixo desemprego, o crescimento sólido e a queda da inflação.
Ainda assim, muitos eleitores continuavam pensando nos preços elevados que enfrentavam diariamente.
Lake, que assessorou a campanha de Biden em 2020, mas não participou da disputa de 2024, afirma que os eleitores avaliam a economia com base em suas experiências pessoais, e não nos indicadores econômicos.
“Não é possível discutir com as pessoas sobre a realidade da vida delas”, afirma.
Isso pode ajudar a explicar por que o desafio de Trump se parece tanto com o de Biden.
O efeito Trump
Os críticos de Biden o responsabilizaram pela inflação. Mas ele poderia apontar fatores que estavam, em grande parte, fora de seu controle, como a pandemia e seus efeitos sobre as cadeias de abastecimento.
Trump tem menos margem para fazer isso.
Alguns economistas afirmam que os preços mais altos de hoje são, pelo menos em parte, resultado de suas próprias políticas, incluindo as tarifas comerciais, além das consequências econômicas da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã.
“A inflação é claramente atribuível a Donald Trump”, avalia Peter Morici, economista da Universidade de Maryland alinhado aos republicanos.
“São as tarifas dele e a guerra. As pessoas sabem disso. Elas veem”, acrescenta.
As tarifas do chamado “Dia da Libertação” de Trump, anunciadas em abril de 2025, elevaram os custos para os consumidores.
Um estudo do Federal Reserve de Nova York concluiu que as tarifas aumentaram os preços dos bens de consumo em aproximadamente 2,9%.
Presidente americano, Donald Trump.
Reuters via BBC
O impacto poderia ter sido maior se Trump não tivesse suspendido posteriormente algumas tarifas, fechado novos acordos comerciais e se a Suprema Corte não o tivesse impedido de usar poderes de emergência para impor muitas outras taxas sobre importações.
Então veio outro revés.
O conflito com o Irã elevou os preços do petróleo, encarecendo a gasolina e pressionando ainda mais o orçamento das famílias.
A Casa Branca aponta os cortes de impostos, o crescimento do emprego e a redução do custo dos medicamentos vendidos sob prescrição como provas de que está cumprindo seus compromissos com as famílias americanas.
Além disso, o governo vem adotando cada vez mais políticas destinadas a aliviar as pressões econômicas.
Trump pediu que seja estabelecido um limite para as taxas de juros dos cartões de crédito e levantou a possibilidade de um pagamento de US$ 5 mil aos adultos americanos caso os republicanos mantenham o controle do Congresso.
Essas medidas refletem uma realidade política familiar aos dois partidos: quando os eleitores estão preocupados com os preços, argumentos sobre crescimento sólido e baixo desemprego raramente são suficientes.
Biden nunca encontrou uma maneira de diminuir a distância entre o desempenho da economia e a confiança dos eleitores nela.
A pergunta às vésperas das eleições de meio de mandato é se Trump conseguirá fazer isso.
Se a história política recente servir de referência, a percepção sobre a economia pode importar mais do que os próprios indicadores econômicos.

Petrobras aumenta preço do querosene de aviação em novembro

Petrobras
Foto Divulgação
A Petrobras anunciou um novo aumento no preço de venda do querosene de aviação (QAV) para as distribuidoras a partir deste domingo (1º). O reajuste será de 7,2%, o equivalente a R$ 0,45 por litro em relação ao mês anterior.
Este é mais um aumento consecutivo do combustível. Em outubro, o preço subiu cerca de 12% em algumas das principais bases de distribuição do país, depois de uma alta média de aproximadamente 13,9% em setembro.
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Segundo a companhia, o reajuste reflete a alta das cotações internacionais do QAV, em meio às tensões geopolíticas no Oriente Médio e à redução da capacidade de refino na Rússia e na Ucrânia em decorrência da guerra entre os dois países.
Os preços do QAV vendido pela Petrobras às distribuidoras são ajustados no início de cada mês, conforme previsto nos contratos.
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Segundo a estatal, a fórmula usada para definir o preço do combustível no mercado brasileiro reduz as oscilações no curto prazo, o que resulta em reajustes mais moderados do que os observados no exterior.
“Nos principais mercados internacionais, os preços do QAV destinados às companhias aéreas são ajustados com maior frequência, podendo chegar a revisões diárias, o que faz com que reflitam mais rapidamente as condições de mercado”, explicou a companhia em nota.
“Nesse contexto, as variações acumuladas desde o início do conflito têm sido superiores nos mercados internacionais às observadas no Brasil, indicando que o preço do QAV da Petrobras permanece competitivo”, acrescentou.

Acordo Mercosul-UE completa 6 meses com alta de 14,8% nas exportações do agro

Porto com contêineres para exportação
Divulgação
Depois de mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia começou a produzir efeitos em maio deste ano, abrindo caminho para a redução de tarifas e ampliando as oportunidades de exportação para empresas brasileiras.
A parceria conecta dois grandes mercados, que juntos reúnem cerca de 720 milhões de pessoas e têm um Produto Interno Bruto (PIB) superior a US$ 22 trilhões.
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Os primeiros resultados já mostram crescimento nas vendas de produtos brasileiros beneficiados pelo tratado.
Nos cinco primeiros meses de aplicação provisória, as exportações desses itens para a União Europeia avançaram 21%, considerando diferentes setores da economia, de acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
No agronegócio, o avanço foi de 14,8% em valor. As vendas brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais ao bloco europeu somaram US$ 12,21 bilhões entre maio e setembro de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa).
🔎 Na prática, por que as exportações estão crescendo? Com a redução das tarifas de importação, produtos brasileiros ficam mais competitivos no mercado europeu, o que facilita a entrada e amplia as oportunidades de venda.
O acordo completa seis meses neste domingo (1º). No período analisado, o Brasil embarcou 17,74 milhões de toneladas de produtos do agronegócio para os 27 países da União Europeia, volume 8,1% superior ao registrado nos mesmos meses de 2025.
O crescimento foi puxado por diferentes segmentos, como mel, carnes, soja e frutas. Entre os produtos individuais, o abacate e o óleo de milho tiveram algumas das maiores altas percentuais.
Embora o agronegócio seja um dos setores beneficiados, o avanço das exportações também alcançou a indústria. Entre os produtos com crescimento nas vendas estão ferrossilício-manganês, alumínio em bruto, óleos combustíveis e etanol. As exportações de transformadores elétricos, por exemplo, passaram de zero para US$ 39 milhões no período analisado.
Veja quais setores do agronegócio tiveram maior crescimento
Os produtos apícolas, principalmente o mel, registraram a maior alta percentual entre os segmentos destacados pelo Ministério da Agricultura: 367% em valor.
Na sequência, aparecem os produtos oleaginosos, exceto soja, com crescimento de 161%. As exportações de carnes avançaram 103,5% em valor e 170% em volume, passando de 101 mil toneladas para 272 mil toneladas.
Outros segmentos também tiveram desempenho positivo:
Complexo soja: alta de 34,2% em valor, de US$ 3,12 bilhões para US$ 4,19 bilhões;
Produtos florestais: crescimento de 23%, de US$ 1,2 bilhão para US$ 1,48 bilhão;
Frutas, nozes e castanhas: avanço de 15%, de US$ 274 milhões para US$ 315 milhões;
Demais produtos de origem animal: aumento de 55,5% em valor.
Apesar das altas expressivas em outros segmentos, o complexo soja permaneceu como o principal grupo de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro para a União Europeia.
Dentro desse segmento, as vendas de soja em grãos cresceram 49% em valor e 35,1% em volume. Já as exportações de farelo de soja avançaram 22,5% em valor e 10,6% em volume.
Abacate e óleo de milho se destacam entre produtos individuais
🥑 Entre os produtos individuais, o abacate teve uma das maiores expansões percentuais. As exportações passaram de US$ 3,81 milhões, entre maio e setembro de 2025, para US$ 19,87 milhões no mesmo período de 2026, alta de 421,2%.
O volume embarcado também aumentou: 433,7%.
Outro destaque foi o óleo de milho bruto, cujas vendas cresceram 266,3% em valor, passando de US$ 35,31 milhões para US$ 129,35 milhões. Em volume, a alta foi de 205,8%.
Outras frutas também ampliaram as vendas ao mercado europeu. As exportações de manga cresceram 31,2% em valor e 23,6% em volume. As de maçã avançaram 28,8% em valor e 33,7% em volume.
No setor cafeeiro, as vendas de café torrado tiveram alta de 91,6% em valor e 116,5% em volume. Já as exportações de café solúvel cresceram 19% em valor e 38,2% em volume.
Acordo prevê redução de tarifas para produtos brasileiros
A aplicação provisória das regras comerciais do acordo começou em 1º de maio de 2026. Desde então, determinados produtos agropecuários brasileiros passaram a contar com reduções tarifárias para entrar no mercado europeu, conforme os cronogramas negociados entre os dois blocos.
Entre os produtos beneficiados estão o café torrado, o café solúvel e o abacate.
Para os dois tipos de café, a redução das tarifas será gradual, com previsão de eliminação completa em 2030. No caso do abacate, o primeiro corte correspondeu a 20% da tarifa-base, com liberalização total também prevista para 2030.
O acordo prevê ainda condições de acesso ao mercado europeu para outros produtos importantes da pauta exportadora brasileira, como carnes bovina, suína e de aves, açúcar, etanol, arroz, mel, milho e sorgo.
Em alguns casos, os benefícios estão vinculados a cotas de importação, com limites de volume e condições específicas para cada produto.
Brasil mantém superávit no comércio agropecuário com a UE
As importações brasileiras de produtos agropecuários e agroindustriais provenientes da União Europeia somaram US$ 1,67 bilhão entre maio e setembro de 2026, alta de 3,3% em relação ao mesmo período de 2025, quando chegaram a US$ 1,62 bilhão.
Mesmo com o aumento das compras, o Brasil ampliou o superávit comercial do agronegócio com o bloco europeu.
O saldo positivo passou de US$ 9,01 bilhões nos cinco primeiros meses de 2025 para US$ 10,54 bilhões em 2026, crescimento de 17%.
Negociações duraram mais de duas décadas
As negociações entre Mercosul e União Europeia começaram em 1999 e se estenderam por mais de 25 anos.
Ao longo desse período, divergências comerciais, ambientais e políticas dificultaram a conclusão do tratado.
Os instrumentos do acordo foram assinados em 17 de janeiro de 2026. A aplicação provisória das disposições comerciais começou em 1º de maio, permitindo que parte dos compromissos de redução tarifária passasse a valer antes da entrada em vigor definitiva da parceria.
O acordo prevê a liberalização total ou parcial de aproximadamente 99% das exportações agrícolas brasileiras para o mercado europeu, por meio da eliminação de tarifas ou de condições preferenciais de acesso, incluindo cotas para determinados produtos.
A implementação, no entanto, está sendo gradual. Além de aproveitar as condições tarifárias, os exportadores brasileiros precisam cumprir exigências sanitárias, ambientais e de rastreabilidade estabelecidas pela União Europeia.
➡️ Entre os pontos de atenção está o Regulamento da União Europeia sobre Produtos Livres de Desmatamento (EUDR), que estabelece requisitos ambientais para a entrada de determinadas mercadorias no bloco.
‘Que dia, que dia’, exalta presidente da Comissão Europeia sobre acordo UE-Mercosul

Como a falta de perspectiva de futuro alimenta protestos de jovens na Europa

Manifestantes buscam proteção atrás de uma barricada enquanto a tropa de choque francesa utiliza canhões de água em meio a confrontos durante uma manifestação na Place de la République, em Paris
Reuters
De Milão a Marselha, passando por Madri e muitas outras cidades europeias, as ruas foram tomadas por protestos coloridos e intensos nas últimas semanas.
Só neste sábado (31/10), mais de 300 mil pessoas foram às ruas em toda a França, e pelo menos 290 manifestantes foram presos, segundo o Ministério do Interior do país. Na Alemanha, protestos terminaram em confrontos e saques em cidades como Frankfurt, Berlim, Colônia e Hamburgo. A polícia usou canhões de água para dispersar manifestantes.
Embora a maioria dos protestos deste mês tenha começado de forma pacífica, muitos terminaram em cenas chocantes de violência e saques. Há acusações de que grupos da esquerda radical teriam provocado tumultos intencionalmente, além de relatos de uso excessivo da força pela polícia.
O continente vive um clima de instabilidade social e política.
Milhares participaram de manifestações em Roma e Florença, na Itália. Em Madri, na Espanha, um acampamento de barracas ocupa uma praça no centro da cidade desde o fim de setembro.
Em Lisboa, capital portuguesa, dezenas de milhares de pessoas, a maioria jovens, participaram de uma marcha no início deste mês.
Em Bruxelas, capital belga, a polícia usou gás lacrimogêneo e canhões de água contra manifestantes depois que jovens vestidos de preto, com o rosto coberto para esconder a identidade, atiraram pedras e rojões contra os policiais. Na Albânia, manifestantes que denunciam corrupção no governo exigem a renúncia do primeiro-ministro Edi Rama, que está no poder há 13 anos.
Passei anos cobrindo manifestações por toda a Europa, tanto pacíficas quanto violentas. Me lembro bem das manifestações fervorosas pela independência da Catalunha (região espanhola), em 2017; do desespero e dos coquetéis molotov lançados pelas ruas de Atenas, capital grega, durante a crise da dívida grega, em 2015; e dos diversos episódios de violência na França durante o primeiro mandato do presidente Emmanuel Macron, provocados por propostas de aumento dos impostos sobre combustíveis e de reforma da Previdência.
Novos protestos reúnem mais de 300 mil na França e terminam em confrontos com a polícia
Mas dessa vez parece diferente. Os protestos eclodem simultaneamente em toda a Europa, e a maioria dos manifestantes, tanto pacíficos quanto violentos, é jovem. Alguns são muito jovens. Entre os detidos, chama a atenção o número de menores de idade.
Mais da metade dos detidos em confrontos em Barcelona, no último fim de semana, tinha menos de 18 anos. Em Milão, menores de idade também estavam entre os detidos pela polícia após confrontos, segundo a agência de notícias italiana LaPresse.
Centenas de milhares de pessoas participaram de protestos na França, alguns dos quais se tornaram violentos
REUTERS/Abdul Saboor
De modo geral, os governos europeus têm procurado distinguir os responsáveis por saques e tumultos dos participantes de manifestações ruidosas, mas pacíficas e organizadas dentro da lei. Estas últimas costumam se concentrar em reivindicações específicas. Na atual onda de protestos, cartazes e palavras de ordem expressam principalmente a insatisfação com a educação, as desigualdades sociais e o aumento do custo de vida, embora cada país também tenha suas próprias reivindicações.
Mas o que provocou essa onda de indignação entre os jovens europeus, aparentemente de forma tão repentina? Existe alguma ligação entre essas manifestações? E, com eleições importantes se aproximando na Europa, como os governos decidirão reagir? Vão ouvir as reivindicações dos manifestantes ou apostar em um discurso de lei e ordem para conquistar o apoio dos eleitores mais velhos?
‘TikTokização’ dos protestos
Estudantes foram às ruas na França, Bélgica, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália, Grécia, Sérvia e Albânia, em uma área que se estende por mais de 1.600 km do continente europeu.
As manifestações muitas vezes são organizadas de maneira improvisada, por meio de redes sociais como o TikTok ou o Instagram. O ministro do Interior da Bélgica criticou o que chamou de “tiktokização” dos protestos.
Os sindicatos estudantis participam da organização das manifestações, mas os jovens também se inspiram nas ações de estudantes de outros países e até de outros continentes.
É o caso do Partido do Povo Barata (CJP, na sigla em inglês para Cockroach Janta Party), na Índia, um movimento de protesto social e político da geração Z (nascida entre 1995 e 2010) que surgiu em maio deste ano, inicialmente com críticas ao sistema educacional indiano.
A França, onde a atual onda de protestos estudantis começou no fim de setembro, impulsionada por reclamações sobre a falta de funcionários e a precariedade dos prédios escolares, se tornou uma das principais fontes de inspiração para as manifestações na Europa. Há um ditado na vizinha Bélgica segundo o qual, quando chove forte em Paris, pelo menos garoa em Bruxelas. A capital belga e a cidade de Liège também registram há semanas protestos de jovens.
Em Atenas, alunos e professores protestaram por melhorias na educação e contra o alto custo de vida
REUTERS/Abdul Saboor
Em Barcelona, os estudantes foram incentivados a participar das manifestações no último fim de semana por meio da hashtag #InstitutsIndignats nas redes sociais, em referência ao lema francês Lycées Indignés (Secundaristas Indignados, em tradução livre).
Em Atenas, o estudante grego Yiannis Papanikolaou, de 17 anos, disse à agência de notícias AFP: “Os prédios escolares estão em péssimas condições e são mal conservados… Acho que alguma coisa pode mudar por causa do que a França está fazendo. A França vai impulsionar a Grécia”.
Estagnação econômica e preocupação com o custo de vida
Em toda a Europa, muitos jovens sentem os efeitos da estagnação econômica, e suas preocupações vão muito além da educação. Eles se preocupam com o meio ambiente e temem que a inteligência artificial (IA) reduza suas oportunidades de emprego. Também receiam que o aumento acelerado do custo de vida os impeça de concluir os estudos e de comprar ou alugar uma casa grande o suficiente para formar uma família.
Em Madri e Lisboa, a insatisfação se concentra nos preços exorbitantes dos imóveis. Em Portugal, campanhas divulgadas pelo Instagram afirmaram que “já chega” e convocaram a população a ir às ruas, seguindo o exemplo dos manifestantes na Espanha.
Em Lisboa, Carolina Cruz, de 26 anos, doutoranda e pesquisadora em biologia, disse que corre o risco de perder a moradia porque seu contrato de aluguel está perto do fim. “Sou a primeira pessoa da minha família a ingressar em um programa de doutorado e, mesmo com tudo o que estudei, ainda não consigo me sustentar”, afirmou à agência de notícias Reuters.
A indignação é compartilhada por Riccardo, de 22 anos, que participa dos protestos em Milão, centro financeiro da Itália. “Mesmo que não consigamos mergulhar o país no caos, como na França, ou bloquear todas as estradas, como na Espanha, o objetivo é pelo menos fazer com que as pessoas voltem a discutir esses problemas”, disse à agência AFP.
Mas a insatisfação não se limita aos jovens de esquerda. No lançamento da campanha presidencial da nacionalista francesa Marine Le Pen, no último fim de semana, jovens apoiadores relataram à BBC preocupações diferentes. Eles se definem como a “maioria silenciosa” — que (ainda) não saiu às ruas para protestar — e dizem estar profundamente preocupados com a “imigração descontrolada” e a segurança nas ruas da França, além do custo de vida.
Crises simultâneas
A onda de insatisfação se espalhou para além dos jovens e passou a incluir sindicatos, integrantes do movimento heterogêneo dos Coletes Amarelos (gilets jaunes, em francês), que protestou contra o aumento do custo de vida durante o primeiro mandato de Macron, e outras iniciativas da sociedade civil. No último fim de semana, o condado de Kent, no litoral sul da Inglaterra, registrou duas manifestações: uma a favor e outra contra a imigração.
Essa mistura de protestos com diferentes reivindicações pode parecer confusa.
Mark Leonard, diretor do Conselho Europeu de Relações Exteriores, afirma que a Europa enfrenta um acúmulo de crises sucessivas e simultâneas, que competem entre si e que, segundo ele, nunca foram devidamente resolvidas. Agora, essa insatisfação reprimida começa a transbordar para as ruas.
Protestos contra o governo tomaram as ruas de Tirana, capital da Albânia
REUTERS/Valdrin Xhemaj
“Uma crise se sobrepõe à outra”, disse Leonard à BBC. “A crise financeira de 2007 e 2008, a crise migratória de 2015, a crise ambiental, a pandemia de covid-19, a inflação após a invasão em larga escala da Ucrânia pela Rússia, em 2022, e agora, mais uma vez, com a guerra no Golfo.”
Segundo Leonard, essas crises deram origem a diferentes grupos, que ele chama de “tribos”. O consumo de conteúdo nas redes sociais e os algoritmos reforçam as diferentes visões desses grupos, aumentando a sensação de polarização na Europa.
“Já vimos isso nos Estados Unidos”, afirmou Leonard. “É a sensação de que ‘a minha crise é mais importante do que a sua’.”
Nathalie Tocci, ex-assessora do governo italiano e atual professora de ciência política da Universidade Johns Hopkins, nos EUA, disse que não deveríamos nos surpreender tanto com os protestos nem com a participação dos jovens.
“Temos a tendência de achar que os jovens são desinteressados e alheios à política. Pensamos que eles nem se dão ao trabalho de votar, por exemplo, mas, na verdade, são muito engajados”, afirmou Tocci à BBC. “Só que participam de uma maneira diferente, mais ligada à mobilização popular. Basta lembrar o ‘Fridays for Future’ (Sextas-feiras pelo Futuro, em tradução livre), movimento ambientalista que se espalhou pela Europa há alguns anos, ou as manifestações contra as ações de Israel em Gaza depois de 7 de outubro.”
Tocci cita o movimento de protestos liderado por estudantes na Sérvia, que recentemente derrotou o líder Aleksandar Vučić, há anos no poder, nas eleições parlamentares. “É algo impressionante. Eles continuaram mobilizados por mais de dois anos. Mas por quanto tempo essas novas manifestações nas ruas da Europa conseguirão manter o fôlego? Isso ainda não está claro.”
Segundo os serviços de segurança da Bélgica, há quem aproveite manifestações autorizadas para cometer atos de violência
REUTERS/Yves Herman
E quanto aos saques e à violência?
Os serviços de inteligência da França e da Bélgica afirmam que os saques ocorridos durante manifestações autorizadas são, em sua maioria, oportunistas.
Segundo esses serviços, os tumultos resultam de uma combinação de “violência gratuita” — expressão também usada pelas autoridades espanholas para descrever os confrontos ocorridos em Barcelona no último fim de semana — e atos de vandalismo deliberadamente organizados por jovens de grupos ultrarradicais de esquerda.
Tocci lembrou que, na Itália, alguns italianos indignados com atos de destruição aparentemente sem motivo usam o termo “maranza” para se referir aos responsáveis por ações como quebrar ou incendiar carros e lixeiras públicas, por exemplo.
Na França, os responsáveis por tumultos são frequentemente chamados de “casseurs”, termo usado para descrever pessoas que destroem coisas. Mas, em conversas privadas, alguns recorrem a uma expressão com conotação política mais forte: racaille (ralé, em tradução livre). Assim como maranza na Itália, trata-se de uma gíria depreciativa, geralmente usada para se referir a jovens urbanos marginalizados e envolvidos em confusões, muitas vezes de origem operária ou imigrante. O termo foi usado em outubro de 2005 pelo então ministro do Interior francês, Nicolas Sarkozy, para descrever jovens infratores e envolvidos em tumultos durante uma visita marcada por tensões a conjuntos habitacionais de Argenteuil, nos arredores de Paris.
A imprensa francesa também questionou se existe uma aliança de conveniência, ainda que informal ou circunstancial, entre dois grupos de jovens: militantes da esquerda radical e moradores de bairros desfavorecidos da França. Assim como os integrantes da esquerda anticapitalista, os jovens que vivem em conjuntos habitacionais populares nas periferias das cidades francesas, conhecidas como banlieues (subúrbios, em tradução livre), frequentemente se sentem discriminados e denunciam o uso excessivo da força pela polícia.
A direita e o centro político da França, incluindo o presidente Emmanuel Macron, responsabilizam grupos radicais de esquerda e “delinquentes” pelo planejamento dos tumultos. Ao contrário do partido Reunião Nacional, de Marine Le Pen, não estabeleceram relação entre a violência e a imigração, seja passada ou atual, para a França.
Os críticos acusam partidos contrários à imigração na Europa de tentar explorar politicamente os tumultos. Na Bélgica, o partido nacionalista flamengo de oposição Vlaams Belang, contrário à imigração, pareceu responsabilizar os imigrantes pela violência em Liège e Bruxelas. A legenda classificou os tumultos como “importados” e atribuiu os episódios à falta de integração dos imigrantes e à política de fronteiras abertas. Já o ministro do Interior belga, Bernard Quentin, responsabilizou grupos da esquerda radical.
Um movimento que veio para ficar?
Novas manifestações de grande porte estão previstas para os próximos dias na França e na Itália.
Os governos tentam conter a violência. Milhares de pessoas foram detidas, e Itália e França prometeram adotar uma política de “quem quebra, paga” para os responsáveis pelos tumultos.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, também está responsabilizando os pais por danos causados por filhos menores de idade, inclusive com descontos nos benefícios sociais recebidos pela família. Na França, o Código Civil já prevê que os pais que vivem com os filhos sejam responsabilizados pelos danos causados por eles.
Mas alguns desses governos europeus podem não permanecer no poder por muito tempo. Todos os principais países da União Europeia realizaram ou realizarão eleições importantes nos próximos meses. A eleição presidencial francesa é considerada a mais decisiva para a Europa. Marine Le Pen aparece sistematicamente muito à frente dos adversários nas pesquisas de intenção de voto. A avaliação é que os tumultos nas ruas francesas estejam beneficiando a política, graças ao discurso de defesa da lei e da ordem de seu partido.
Na Espanha, Itália, Alemanha e Polônia, partidos nacionalistas que defendem políticas rígidas de imigração também apresentam bons resultados nas pesquisas. Essas legendas prometem restaurar a ordem e o orgulho nacional. Leonard acredita que partidos populistas ou de fora da política tradicional, tanto de esquerda quanto de direita, se tornaram “empreendedores de crises”, explorando a instabilidade na Europa para atrair eleitores insatisfeitos.
Enquanto isso, os partidos tradicionais europeus enfrentam uma crise de liderança, segundo Grégoire Roos, diretor para a Europa do think tank (centro de pesquisa e debates) Chatham House.
Eu diria que eles também enfrentam uma crise de legitimidade. O fato de tantas pessoas, jovens e não tão jovens, estarem nas ruas protestando indica que esses partidos não conseguiram lidar com os problemas.
Mas não está nada claro que novas eleições sejam capazes de acabar com a insatisfação da população. A França, por exemplo, está tão polarizada que, se Le Pen chegasse à Presidência, muitos preveem que seus opositores tomariam as ruas do país em protesto.
A Europa moderna se baseia no princípio de que os cidadãos pagam impostos e cumprem as leis. Em troca, recebem serviços públicos de qualidade, como educação e saúde, além de segurança e uma sociedade estável, regida por leis e normas.
Mas esse “contrato social” está claramente enfraquecido, afirma Roos, da Chatham House.
Diante da onda de insatisfação que toma as ruas da Europa, tudo indica que os protestos continuarão.

Midterms nos EUA: eleições podem mudar planos de Trump e mexer com dólar e juros no Brasil

Por que Trump está preocupado com as midterms?
As eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, marcadas para esta terça-feira (3), podem mudar os rumos da política econômica do presidente Donald Trump — com possíveis reflexos também para o Brasil.
A disputa pelo controle do Congresso americano pode determinar o espaço que o governo terá para aprovar medidas sobre gastos públicos, impostos e regulação. Essas decisões também influenciam as expectativas dos investidores e podem afetar os juros e o dólar no mercado internacional.
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Conhecidas como “midterms”, as eleições renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado. Os deputados têm mandatos de dois anos, enquanto os senadores permanecem no cargo por seis.
👉 Na prática, o resultado pode alterar o equilíbrio de forças no Congresso sem mudar o comando da Presidência porque todos os representantes da Câmara são escolhidos novamente a cada eleição, enquanto apenas cerca de um terço das cadeiras do Senado é renovado.
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As projeções disponíveis apontam vantagem dos democratas, principalmente na Câmara, enquanto a disputa pelo controle do Senado aparece mais equilibrada.
O cenário ocorre em meio à queda de popularidade de Trump: 66% dos americanos desaprovam sua gestão, o maior índice já registrado pela pesquisa Reuters/Ipsos.
Na mesma direção, as projeções reunidas pelo BTG Pactual apontam dificuldades para os republicanos, sobretudo na disputa pela Câmara dos Representantes.
Entre os principais cenários estão:
🏛️ Câmara dos Representantes: o modelo estatístico do “The Economist”, adotado pelo BTG como referência, projeta que os democratas terão 239 das 435 cadeiras após a eleição, contra 196 dos republicanos. Nesse cenário, a probabilidade de maioria democrata é de 96%. Já o Polymarket, plataforma que negocia contratos baseados em previsões sobre eventos futuros, atribuía 92% de chance à vitória do partido na disputa pela Câmara.
🏛️ Senado: diferentemente da Câmara, a disputa é mais apertada. O cenário-base do modelo próprio do BTG prevê que, após a eleição, os democratas terão 51 das 100 cadeiras, contra 49 dos republicanos. Para chegar a essa estimativa, o banco considera 91 vagas como praticamente definidas e calcula o resultado das nove disputas mais acirradas. A probabilidade de maioria democrata varia de 65%, segundo as cotações do Polymarket, a 72%, de acordo com o modelo quantitativo do próprio BTG.
O que uma ‘onda azul’ muda para a agenda de Trump?
Uma possível “onda azul” — expressão usada para descrever a conquista do controle das duas Casas do Congresso pelos democratas — poderia reduzir o espaço de Trump para aprovar medidas e ampliar a fiscalização sobre o governo. Essa é a avaliação de Andressa Durão, economista do ASA.
“As apostas de mercado para as eleições de meio de mandato dos EUA vêm se deslocando a favor de uma onda democrata. Um enfraquecimento do Partido Republicano reduziria o poder do presidente para aprovar determinadas medidas e ampliaria a fiscalização sobre o governo.”
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, relaciona o desgaste do presidente à insatisfação dos eleitores com o custo de vida, especialmente com os preços dos combustíveis nos EUA.
Ele lembra que a gasolina está acima de US$ 4 (R$ 21,77) por galão e o diesel, de US$ 6 (R$ 32,66). Para o economista, a retomada de ao menos uma das Casas pelos democratas já seria suficiente para dificultar a agenda legislativa de Trump.
O alcance desse bloqueio, porém, dependerá do resultado em cada Casa:
🔵🔵 Se os democratas conquistarem as duas, terão o controle da pauta legislativa e das comissões responsáveis por fiscalizar o Executivo. O Senado também teria maior influência sobre a confirmação de indicados pelo presidente para cargos do governo e instituições como o Federal Reserve (Fed), banco central americano, e a Suprema Corte.
🔵🔴 Se a oposição vencer apenas na Câmara, poderá dificultar a aprovação de projetos e a liberação de recursos, mas os republicanos continuarão controlando o Senado e, com isso, terão influência sobre as nomeações. Trump, por sua vez, manterá o poder de veto a projetos aprovados pelo Congresso.
Sung também vê riscos para os mercados caso os democratas conquistem as duas Casas.
“O mercado financeiro ainda não considerou plenamente a possibilidade de os democratas conquistarem o controle das duas Casas do Congresso. Se isso acontecer, o impasse entre o governo e o Legislativo e o avanço de pautas de confronto, como discussões sobre um possível impeachment, devem aumentar a volatilidade nos mercados globais”, acrescenta.
Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao lado da primeira-dama Melania conversa com jornalistas após votar antecipadamente nas midterms na Flórida, nos Estados Unidos, em 25 de outubro de 2026.
REUTERS/Umit Bektas
Como as midterms dos EUA afetam o Brasil?
Para o Brasil, os efeitos das eleições americanas podem chegar principalmente por dois caminhos: os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a cotação do dólar.
As decisões do Congresso sobre gastos e impostos influenciam as expectativas dos investidores sobre as contas públicas americanas. Se houver perspectiva de que as despesas do governo aumentem mais do que a arrecadação, por exemplo, os juros pagos pelos títulos do Tesouro podem subir.
🤔 Isso importa porque esses títulos são considerados uma referência para aplicações financeiras no mundo todo. Quando oferecem rendimentos maiores, investir nos EUA fica mais atraente e pode levar investidores a retirar recursos de países emergentes, como o Brasil.
📊 Com menos dinheiro entrando no país, o dólar tende a subir frente ao real. As taxas de juros negociadas para períodos futuros no Brasil também podem aumentar, elevando o custo de financiamento para empresas e consumidores e influenciando as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central em relação à taxa básica de juros da economia, a Selic.
Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, avalia que uma vitória republicana nas duas Casas daria a Trump mais espaço para avançar com cortes de impostos, desregulamentação e políticas comerciais mais duras.
Se essas medidas ampliarem o déficit público, poderão pressionar a inflação e os juros de longo prazo nos EUA.
“Isso tende a pressionar o dólar para cima frente ao real, elevar os juros futuros brasileiros e dificultar o desempenho da bolsa — especialmente de empresas mais endividadas e de setores sensíveis ao crédito, como varejo e construção.”
Uma vitória democrata, por outro lado, poderia reduzir o espaço para novas iniciativas de expansão dos gastos e aliviar a pressão sobre os juros americanos.
Na avaliação de Praça, a oposição também teria mais poder para “fiscalizar o governo” e influenciar a confirmação de indicados para cargos importantes.
Com menos espaço para aprovar medidas de estímulo à economia, a pressão sobre os juros americanos poderia diminuir. Isso tornaria os mercados emergentes mais atraentes para investidores, favorecendo a entrada de recursos no Brasil, o fortalecimento do real e a queda das taxas de juros futuras.
Esse efeito, porém, dependeria também do ambiente político nos EUA. Disputas em torno do orçamento e conflitos entre o governo e o Congresso poderiam gerar insegurança entre os investidores e provocar novas oscilações nos mercados.
“Na bolsa, seria desigual: exportadoras podem se beneficiar de um dólar mais alto, mas perder se houver queda das commodities ou da demanda mundial”, diz Praça.
Encontro entre Lula e Trump na Casa Branca.
Divulgação/Ricardo Stuckert
Lula e Trump também preocupam investidores
A relação entre os governos de Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) surge como mais um fator de incerteza para os investidores e pode influenciar a confiança no Brasil.
Após a vitória do petista no último domingo, especialistas ouvidos pelo g1 avaliam que o mercado passou a considerar a possibilidade de uma relação mais difícil entre os dois presidentes.
A perspectiva aumenta a preocupação com novos atritos políticos e econômicos entre os países, como os registrados com o tarifaço e a aplicação da Lei Magnitsky. Para Praça, o resultado das eleições de meio de mandato nos EUA também pode influenciar a continuidade dessas medidas.
“Com a reeleição de Lula, podemos esperar mais atritos como esses, caso os Republicanos vençam, ou um veto mais rápido caso os Democratas vençam. Atualmente quem tem derrubado tais ações é o Supremo dos EUA, porém por um processo mais moroso”, avalia Praça.
Uma mudança na composição do Congresso americano, porém, não significaria necessariamente o fim das tarifas adotadas por Trump. O presidente pode recorrer a diferentes dispositivos da legislação comercial dos EUA para impor taxas sobre produtos importados.
👉 Entre eles estão a Seção 232, que permite a adoção de tarifas por motivos de segurança nacional, e a Seção 301, usada em casos de práticas comerciais consideradas desleais. O governo americano já utilizou esses instrumentos em medidas que atingiram produtos brasileiros, como as tarifas sobre o aço e as ações relacionadas à investigação comercial contra o Brasil.
A possibilidade de impor tarifas, no entanto, também está sujeita a limites legais. Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte dos EUA derrubou as tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
No entanto, a decisão não alcançou as medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301, que têm bases legais diferentes.
Ainda assim, o impacto das eleições americanas sobre o Brasil pode se somar aos fatores internos na formação do preço do dólar. Depois das oscilações registradas no período eleitoral brasileiro, a cotação da moeda voltou para a casa dos R$ 5,40.
Segundo Sung, o movimento ocorre em um cenário de fortalecimento global do dólar, impulsionado pelas expectativas de alta dos juros nos EUA.
Essa valorização do dólar tem feito moedas de diversos países emergentes perderem valor em relação à moeda americana. O real, porém, seguiu um caminho diferente.
“O Brasil estava na contramão após o primeiro turno das nossas eleições. Com a vitória do presidente Lula e a frustração das apostas do mercado, o dólar voltou a subir”, aponta.

Mulheres têm mais medo de errar no trabalho quando homens são maioria, aponta estudo

Mulheres temem mais admitir erros quando homens são maioria na empresa
Yan Krukau via Pexels
Um erro no trabalho pode ter impacto na carreira profissional, mas também pode se transformar numa oportunidade de aprendizado. Estudos científicos já mostraram que homens e mulheres não são julgados da mesma forma quando cometem falhas. Mas o que acontece quando mulheres erram em ambientes de trabalho onde os homens são maioria?
Um estudo liderado pela London School of Economics (LSE), do Reino Unido, e publicado na revista Frontiers in Organizational Psychology analisou de que forma o gênero e a proporção de homens no ambiente de trabalho influenciam a percepção dos erros profissionais.
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“Em equipes nas quais três quartos ou mais dos integrantes são homens, as mulheres relataram sentir menos conforto para admitir um erro e menos confiança de que a experiência resultará em aprendizado. Já em ambientes onde as mulheres são maioria, essa desconfiança desaparece”, afirma Grace Lordan, autora principal do estudo.
Demissões após licença-maternidade atingem mais de 380 mil mulheres em cinco anos
O fator do gênero
Para realizar a análise, a equipe entrevistou mais de 1,4 mil profissionais do setor financeiro de Londres, dos quais 81% eram mulheres.
Os resultados apontaram dois padrões consistentes:
ser mulher e trabalhar num ambiente dominado por homens está associado a uma percepção mais negativa dos erros;
homens demonstraram uma visão mais positiva das falhas em todas as dimensões analisadas.
As mulheres relataram sentir menos conforto para admitir erros, mostraram maior tendência a acreditar que seriam punidas por cometê-los e estavam menos inclinadas a encará-los como oportunidades de aprendizado.
Segundo a pesquisa, quanto maior a predominância masculina no ambiente de trabalho, mais acentuadas se tornam essas diferenças.
“Em equipes nas quais mais de três quartos dos integrantes eram homens, as mulheres relataram menor nível de conforto do que os homens nas mesmas condições”, acrescenta Lordan. “As mulheres também eram menos propensas a enxergar os erros como oportunidades de aprendizado.”
Já em ambientes com baixa proporção de homens, “as opiniões das mulheres são tão positivas quanto as dos homens, ou até ligeiramente mais positivas”. A percepção masculina, por outro lado, variou muito pouco independentemente da composição do local de trabalho.
Receio de consequências informais
O único aspecto em que a equipe não encontrou diferenças entre homens e mulheres foi na expectativa de aplicação de sanções. Ambos os grupos acreditavam enfrentar as mesmas consequências formais diante de um erro equivalente.
O fato de as mulheres se sentirem mais desconfortáveis e menos confiantes em sua capacidade de aprender com os próprios erros, mesmo esperando as mesmas punições que os homens, indica que a diferença de gênero está no campo psicológico, segundo o estudo.
Embora homens e mulheres presumam que as políticas disciplinares formais sejam aplicadas de maneira semelhante, as mulheres sentem que ocupam uma posição mais vulnerável em termos de reputação informal.
Elas também temem que admitir um erro gere questionamentos sobre sua competência ou produza estigmas implícitos capazes de afetar seu status profissional.
As mulheres temem “ser percebidas como menos competentes e que o erro seja usado contra elas de maneiras não escritas”, afirma Lordan.
O que as empresas podem fazer
O estudo alerta que a falta de segurança psicológica entre mulheres que trabalham em ambientes predominantemente masculinos pode trazer consequências negativas para toda a organização. “Aprender com os erros é a base da inovação. Se as mulheres se sentem menos livres para admitir equívocos, a organização não perde apenas confiança, mas também lições valiosas”, afirma Lordan.
Para apoiar funcionárias e reduzir essa percepção negativa, o estudo sugere que líderes de equipe, especialmente homens que comandam grupos majoritariamente masculinos, contribuam para mudar o ambiente de trabalho ao demonstrar transparência sobre os próprios erros.
O estudo também recomenda que as empresas criem redes de mentoria e espaços de apoio nos quais mulheres possam discutir falhas profissionais com confiança e sem receio de julgamentos.
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Vai viajar com crianças? Saiba como usar o Isofix e evitar erros na instalação da cadeirinha

Pontos de ancoragem do Isofix em um Volkswagen Golf
divulgação/Volkswagen
A escolha e o uso adequado da cadeirinha infantil ainda despertam dúvidas entre pais e responsáveis, mesmo após a sua obrigatoriedade em veículos de passeio, estabelecida em setembro de 2010.
Uma das formas de prender o bebê conforto, cadeirinha ou assento de elevação nos carros é o Isofix, que ancora a cadeirinha ao assento traseiro do carro. Porém, a lei do Isofix foi sancionada em 2015 e somente em 2020 é que passou a ser obrigatória para todos os veículos novos fabricados ou importados no país.
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Este tipo de ancoragem exige pontos de fixação específicos, tanto no veículo quanto na cadeirinha.
O sistema é composto por dois pontos de fixação na base da cadeirinha ou do bebê-conforto, que se encaixam a dois pontos no veículo, localizados no vão entre o assento e o encosto do banco traseiro.
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Para fixar a cadeirinha, você precisa:
Localizar os pontos de ancoragem no banco traseiro, que podem ser visíveis como na imagem acima, ou escondidos. Neste caso, um ícone de cadeirinha infantil ou o nome “Isofix” fica visível.
Guiar os pontos da cadeirinha aos locais do banco e empurrar, até escutar um “clique”.
Em algumas cadeirinhas, uma indicação em verde aparece próxima do local de ancoragem no assento do veículo.
Ponto de ancoragem Isofix em um Volkswagen Golf
divulgação/Volkswagen
Um terceiro ponto pode estar no carro e ele se liga a uma espécie de gancho da cadeirinha, evitando que o dispositivo se movimente. Esse ponto tem nome de Top Tether e, se estiver no seu carro, estará em um dos seguintes locais:
No assoalho;
Na parte de trás do encosto (na área do porta-malas, como na imagem abaixo);
Na lateral do carro (na mesma área de onde saem os cintos de segurança).
Top tether em um Volvo XC40
divulgação/Volvo
Bebê conforto, cadeirinha e assento com elevação: os dispositivos indispensáveis para transportar crianças
g1
Confira abaixo as principais dúvidas sobre transporte seguro de crianças em carros:
Qual cadeirinha usar no carro?
Quando trocar a cadeirinha?
Como usar e fixar o assento de elevação?
Onde instalar a cadeirinha?
Quando a criança pode ir no banco da frente?
Qual cadeirinha usar no carro?
No papel, a regra do Conselho Nacional de Trânsito (Contran) define faixas etárias para cada tipo de equipamento:
Bebê conforto: até 1 ano ou 13 kg;
Cadeirinha: de 1 a 4 anos ou entre 9 kg e 18 kg;
Assento de elevação: de 4 a 7 anos; entre 15 kg e 36 kg ou até 1,45 m de altura;
Banco traseiro com cinto de segurança: de 7 anos a 10 anos, desde que a criança tenha pelo menos 1,45 m de altura.
O uso incorreto da cadeirinha, além da insegurança para o bebê ou a criança, inclui multa de R$ 293,47, sete pontos na CNH e retenção do veículo.
O Inmetro, que certifica os produtos, classifica os dispositivos por grupos que combinam idade, peso e altura. Há modelos que abrangem mais de um grupo e podem ser usados por mais tempo.
“Existem cadeirinhas certificadas que comportam de 0 kg a 25 kg, por exemplo. Outras duram praticamente todo o tempo em que a criança vai precisar usar dispositivo de retenção”, explica Gustavo Kuster, do Inmetro.
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Quando trocar a cadeirinha?
O modelo da cadeirinha deve acompanhar o crescimento da criança, garantindo que ela esteja sempre firme e protegida. Como cada versão é indicada para uma faixa etária específica, a troca do equipamento se torna necessária conforme o desenvolvimento.
A transição entre os dispositivos deve considerar, na seguinte ordem de prioridade:
💺 O conforto;
👶 O tamanho da criança;
🎂 A idade da criança.
Um bebê que já não cabe no bebê conforto, por exemplo, pode ir para a cadeirinha, mesmo que ainda não tenha completado a idade mínima para a transição.
“Se ela ainda cabe naquele dispositivo, está confortável, com o cinto bem preso, pode continuar nele”, afirma Kuster.
A posição do bebê conforto — voltado para o encosto do banco — é recomendada por causa da anatomia dos recém-nascidos. “O bebê nasce com a cabeça maior que o corpo, como na forma de um martelo. Nessa posição, ele fica mais protegido”, explica Celso Arruda, especialista da Unicamp.
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Como usar e fixar o assento de elevação?
Para os mais crescidos, a altura é o fator mais importante na hora de dispensar o assento de elevação.
Crianças com menos de 1,45 m não devem usar apenas o cinto de segurança, mesmo que tenham mais de 7 anos. O assento serve para posicionar corretamente o cinto de três pontos, que deve passar pelo peito.
“Se ela ainda não tiver altura suficiente e quiser continuar usando inclusive a cadeirinha completa, sem dispensar o encosto, ainda que tenha mais de 4 anos ou mais de 36 kg, tudo bem. Desde que esteja confortável”, afirma Kuster.
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Onde instalar a cadeirinha?
O lugar mais seguro para transportar a criança é o banco traseiro, com cinto de três pontos e o dispositivo adequado. Mas há exceções.
Em carros que só têm cinto de dois pontos no banco de trás — e não há cadeirinha certificada para esse tipo de cinto — o ideal é levar a criança no banco da frente, com cinto de três pontos e o equipamento de retenção.
Mas é preciso desligar o airbag, nos carros equipados com o dispositivo e a depender da posição, para não eclodir em caso de acidente e causar mais danos do que proteger a criança.
“Dar um jeito de fixar a cadeirinha feita para cinto de três pontos em um cinto com dois pontos é ruim”, alerta Fábio Viviani, especialista em segurança veicular.
“Pode até parecer que ficou firme, mas nos crash tests é impressionante ver as forças envolvidas. A cadeirinha sem esse terceiro ponto de fixação não vai trabalhar da maneira como foi projetada”.
Nesses casos, a recomendação é recuar o banco dianteiro ao máximo, para afastar a criança do painel.
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Quando a criança pode ir no banco da frente?
O Contran permite o transporte no banco da frente em situações específicas:
Crianças a partir de 10 anos, com cinto de segurança;
Quando o banco traseiro só tem cinto de dois pontos;
Em veículos sem banco traseiro, como picapes de cabine simples;
Quando há mais crianças do que lugares no banco traseiro — a de maior estatura pode ir na frente;
Equipamentos certificados.
Segundo a Senatran, apenas bebê conforto, cadeirinha e assento de elevação são considerados dispositivos adequados. O Inmetro reforça que não há certificação para outros tipos de equipamentos.
“Sem um equipamento certificado, ou seja, que passou por testes rigorosos, a criança não estará devidamente protegida”, afirma Viviani.
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Investidores retiram US$ 3,6 bilhões da Binance após ataque hacker

FBI acusa Coreia do Norte por ataque à Binance, considerado maior roubo de criptomoedas da
O roubo de US$ 6,3 bilhões (cerca de R$ 34,2 bilhões) em criptomoedas da Binance, maior corretora do setor no mundo, ainda não provocou uma perda generalizada de confiança entre os investidores.
Apesar disso, o ataque deve aumentar a cautela dos grandes investidores e reforçar as preocupações com a segurança do mercado de ativos digitais, segundo analistas.
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Os clientes da Binance retiraram US$ 3,64 bilhões (cerca de R$ 19,8 bilhões) a mais do que depositaram na plataforma ao longo de nove horas e meia no domingo, quando a empresa retomou parcialmente os saques.
A movimentação é considerada um primeiro teste de confiança. Segundo a corretora, o valor líquido retirado representou 2,1% dos ativos mantidos na plataforma, percentual considerado relativamente baixo por analistas.
“Nossa principal prioridade neste momento é garantir que o ambiente esteja seguro; só então os usuários poderão sacar seus fundos e a Binance poderá retomar as operações”, disse o co-CEO da Binance, Yi He, em uma publicação no X nesta segunda-feira (2).
O bitcoin e outras criptomoedas também se estabilizaram, enquanto o volume de negociações aumentou.
Ainda assim, os investidores seguem abalados pelo que pode ter sido o maior roubo financeiro da história.
A corretora foi alvo de um ataque na noite de quinta-feira, atribuído a hackers norte-coreanos pelo FBI, a polícia federal dos Estados Unidos, e por analistas.
A Binance informou que está cobrindo os prejuízos e já reuniu US$ 6 bilhões para compensar as perdas. Os recursos vieram do caixa da empresa, de um fundo de seguro e de uma reserva destinada a cobrir incidentes de segurança.
“Isso ainda não provocou pânico generalizado nem uma retirada maciça e concentrada”, afirmou Tim Sun, pesquisador sênior do HashKey Group, empresa de serviços financeiros voltada a ativos digitais, com sede em Hong Kong.
“No entanto, o impacto desse incidente sobre a confiança do mercado provavelmente vai muito além do valor dos ativos roubados. As preocupações com a segurança devem influenciar o volume de recursos destinados às criptomoedas por grandes instituições financeiras e diferentes perfis de investidores”, acrescentou.
A Binance, que afirma ter mais de 335 milhões de usuários em todo o mundo e movimentar, em média, US$ 95 bilhões por dia em negociações de ativos digitais e contratos financeiros ligados a esses ativos, também adotou medidas para tranquilizar os clientes.
“Após um pico inicial, os volumes de saídas diminuíram e estão se estabilizando”, afirmou a empresa no X. Segundo a corretora, foram registrados cerca de US$ 4,6 bilhões em retiradas e US$ 1 bilhão em depósitos no domingo.
Investidores não demonstram pressa para retirar recursos
Investidores ouvidos pela Reuters afirmaram que pretendem manter suas contas na Binance, apesar do ataque.
“Eu não retiraria necessariamente tudo da Binance, porque as corretoras centralizadas continuam desempenhando um papel importante na liquidez, nas negociações e no acesso ao mercado”, afirmou Jay Koh, vice-presidente da Asia Web3 AI Association, organização sediada em Cingapura que promove o desenvolvimento da tecnologia blockchain.
Ryan Tan, cliente da Binance, também disse que não tem pressa para retirar seus recursos. Segundo ele, o saldo mantido na plataforma já era relativamente baixo desde a quebra da FTX, outra corretora de criptomoedas, há quatro anos.
“Após o colapso da FTX, decidi manter tudo na minha carteira, em vez de deixar os fundos nas corretoras”, afirmou o investidor de 39 anos.
Depois de atingir o menor valor em seis semanas na sexta-feira, o bitcoin se recuperou ao longo do fim de semana e voltou a ser negociado acima de US$ 78 mil nesta segunda-feira.
O ether também registrou recuperação após atingir sua menor cotação em dois meses.
O valor total de mercado das stablecoins, criptomoedas geralmente vinculadas a moedas tradicionais, como o dólar, caiu desde sexta-feira (30).
O movimento pode indicar que parte dos investidores está retirando recursos do mercado de criptomoedas e migrando para dinheiro ou investimentos tradicionais.
A Binance informou que retomou os saques de bitcoin pela própria rede da criptomoeda, além de ether e algumas stablecoins vinculadas ao dólar pela rede Ethereum.
Apesar disso, o site da corretora ainda indicava restrições às retiradas da maioria das criptomoedas.
O logotipo da Binance é visto em um smartphone, em 28 de fevereiro de 2023, em Marple Township, Pensilvânia.
Matt Slocum/AP

Empresas devem oferecer atendimento humano para o consumidor a partir desta segunda-feira

A partir desta segunda-feira (2), empresas deverão oferecer atendimento humano para o consumidor
Começam a valer nesta segunda-feira (2) as mudanças nas regras de funcionamento dos serviços de atendimento aos consumidores, os SACs, mantidos por empresas. A principal alteração é a exigência de atendimento humano, todos os dias, entre as 8h e as 20h.
O decreto do governo federal com as mudanças foi publicado em 13 de outubro, com prazo de 20 dias para começar a valer.
As medidas são apenas para empresas cujos serviços são regulados pelo governo. Entram nessa categoria operadoras de telefonia e de planos de saúde, empresas aéreas, concessionárias de energia e empresas do setor financeiro, como bancos e fintechs.
O decreto também determina que empresas de transporte individual ou de encomendas, como a Uber, cujos serviços não são regulados, prestem informações ao governo sobre o atendimento aos consumidores.
Atendimento humano
A principal medida é a que garante que os consumidores consigam ser atendidos por um humano, entre as 8h e as 20h, todos os dias, em canais eletrônicos, como os chats, e por ligação telefônica.
De acordo com o governo, essa exigência corrige uma flexibilização nas regras dos SACs feita durante a pandemia, que permitiu a ampliação do uso de ferramentas digitais e reduziu o atendimento feito por pessoas.
O decreto diz que as empresas deverão assegurar aos consumidores o acesso imediato à opção de cancelamento dos contratos e ao atendimento por humano, seja nos canais digitais ou nas chamadas telefônicas.
E que não poderão utilizar mais que cinco níveis de atendimento para finalizar a demanda dos consumidores.
Em relação aos canais telefônicos, o texto diz que as empresas deverão retornar ao consumidor quando uma chamada for interrompida antes da conclusão do atendimento. O prazo máximo para o contato é de 300 segundos, ou seja, cinco minutos.

Hackers atacam supermercados europeus e elevam temperatura de freezers a 50°C

Imagem do corredor de congelados fechado em um supermercado próximo a Nantes, após um ataque cibernético que teve como alvo os sistemas de refrigeração de redes de supermercados francesas, causando perdas de alimentos e incêndios em várias lojas, na França, em 12 de outubro de 2026
REUTERS/Stephane Mahe
Redes de supermercados de diferentes países europeus relataram nesta segunda-feira (2) problemas em sistemas de refrigeração, em uma série de incidentes que levantou suspeitas de novos ataques hackers contra equipamentos conectados à internet.
Na Bélgica e em Luxemburgo, dezenas de lojas da Ahold Delhaize foram afetadas, enquanto cinco unidades da rede Spar, operadas pelo Grupo Colruyt na Bélgica, e quase 15 supermercados da rede Carrefour no país tiveram os sistemas de refrigeração atacados. Na Suécia, supermercados das redes ICA e Coop também registraram problemas semelhantes.
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Na Delhaize, a empresa detectou um aumento de temperatura nos equipamentos de refrigeração e informou que investiga o caso. Stephan Moelans, CEO da Sabcobel, empresa responsável pelos sistemas da rede, afirmou à agência Belga que houve um ciberataque e que os evaporadores foram acionados no modo de degelo.
Os casos ocorrem cerca de um mês depois de um ciberataque atingir centenas de supermercados na França. Segundo a polícia, hackers assumiram o controle de sistemas de refrigeração e elevaram as temperaturas a até 50°C, provocando incêndios e perdas de alimentos.
Agora no g1
No mês passado, a Ahold também comunicou à polícia holandesa um incidente de segurança cibernética após detectar atividades suspeitas em sua infraestrutura.
Nesta segunda-feira, a rede Delhaize detectou um aumento de temperatura em seus sistemas de refrigeração, segundo a porta-voz Sarah De Meester. A empresa investiga as causas do problema.
Stephan Moelans, CEO da empresa belga de refrigeração Sabcobel, responsável pelos sistemas da Delhaize, afirmou à agência Belga que houve um ciberataque e que os evaporadores foram acionados no modo de degelo, elevando a temperatura dos equipamentos. Procurada pela Reuters, a empresa não comentou.
Um porta-voz do Grupo Colruyt, que opera lojas Spar na Bélgica por meio de franquias, afirmou que os sistemas de refrigeração de cinco unidades foram atacados.
Geladeiras, sistemas de aquecimento, câmeras de segurança e alarmes, antes predominantemente mecânicos, passaram a ser conectados a redes que permitem monitoramento e controle remotos. Essa transformação também criou novas possibilidades de ação para cibercriminosos.
As autoridades não informaram quem estaria por trás dos ataques do mês passado, e nenhum grupo assumiu a autoria.
Supermercados na Suécia também são afetados
O chefe do Centro Nacional de Cibersegurança da Suécia, John Billow, afirmou à Reuters que as autoridades investigam diversos incidentes envolvendo sistemas de refrigeração de supermercados no país.
Uma loja da rede sueca ICA afirmou nas redes sociais que seus refrigeradores e freezers haviam sido invadidos durante a madrugada e tiveram a temperatura ajustada para 50°C. Mais tarde, a unidade informou que havia reaberto.
Em uma unidade da ICA Baronen, em Estocolmo, um aviso informava que todos os freezers estavam fora de funcionamento após um ciberataque. O gerente de vendas afirmou que o ataque ocorreu às 2h e foi identificado às 5h30, no horário local.
“Estamos cientes de que um número limitado de lojas foi afetado durante a noite por um incidente que comprometeu seus sistemas de refrigeração e congelamento”, afirmou um porta-voz da ICA por e-mail.
A rede de supermercados Coop informou ao jornal sueco Aftonbladet que seis lojas foram afetadas por problemas semelhantes. Procurada pela Reuters, a empresa não respondeu imediatamente.
“Identificamos, nas últimas semanas, um número considerável de equipamentos conectados a sistemas operacionais vulneráveis na Suécia e deixamos clara a necessidade de atualizá-los ou instalar correções de segurança”, afirmou Billow.
Uma rede de supermercados da Estônia também foi afetada, com equipamentos chegando a 50°C, segundo a fornecedora de tecnologia Kitman Coldtech, em declaração à emissora pública ERR.
“Isso é muito recente, aconteceu nesta manhã”, afirmou Jann Mutso, CEO da Kitman, à ERR. Ele não revelou o nome da rede afetada.