Vitória democrata pode enfraquecer tarifaço de Trump? Entenda os impactos para Brasil e outros países

Trump minimiza resultados das eleições nos EUA: ‘Eu não estava na cédula’
A vitória do Partido Democrata nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3), pode dificultar a política de tarifas comerciais do presidente Donald Trump e mudar a relação do governo americano com países como Brasil, China, Índia, Japão e Coreia do Sul.
Com a conquista da maioria na Câmara e no Senado, os democratas passam a ter mais poder para fiscalizar o governo e tentar barrar novas medidas comerciais.
O resultado também pode dar mais força a países que negociam acordos com os EUA ou enfrentam tarifas sobre seus produtos.
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Trump tem usado o chamado “tarifaço”, que aumentou os impostos sobre produtos importados, para pressionar parceiros comerciais e atrair investimentos aos EUA.
A medida, porém, contribuiu para o aumento dos preços e a insatisfação dos americanos, um dos fatores por trás da derrota republicana.
Segundo analistas ouvidos pela Reuters, as tarifas comerciais e a guerra contra o Irã contribuíram para a pressão sobre os preços, tornando a política econômica de Trump um dos principais alvos das críticas dos eleitores.
Apesar da mudança no Congresso, a vitória democrata, porém, não significa o fim do tarifaço. Trump ainda mantém poderes para impor taxas sobre produtos estrangeiros, e especialistas divergem sobre como o presidente reagirá ao resultado eleitoral.
Enquanto alguns avaliam que outros países terão mais espaço para negociar, há quem considere que Trump poderá aumentar a pressão sobre seus parceiros comerciais para demonstrar que suas políticas estão funcionando.
O que pode mudar para o Brasil?
Foto de arquivo: Trump mostra tabela do tarifaço em 2 de abril de 2025
Reuters/Carlos Barria/File Photo
No caso brasileiro, a vitória democrata pode dificultar a adoção de novas tarifas comerciais e acelerar a reação do Congresso americano a possíveis atritos entre os dois países.
Essa é a avaliação de Marcos Praça, diretor de Análise da ZERO Markets Brasil, para quem o novo equilíbrio de forças em Washington pode limitar a capacidade de Trump de adotar medidas contra o Brasil.
Segundo o especialista, até agora, algumas dessas iniciativas têm sido barradas pela Suprema Corte dos EUA, em processos que costumam ser mais demorados.
O presidente americano, porém, ainda dispõe de instrumentos legais para impor tarifas sobre produtos importados.
Entre eles estão:
Seção 232: permite aplicar tarifas por motivos de segurança nacional. Esse mecanismo já foi utilizado para taxar produtos como o aço brasileiro.
Seção 301: permite adotar medidas comerciais contra práticas consideradas desleais. O instrumento também está relacionado a investigações comerciais envolvendo o Brasil.
Em 20 de fevereiro, a Suprema Corte americana derrubou tarifas impostas por Trump com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA).
A decisão, no entanto, não atingiu as medidas fundamentadas nas Seções 232 e 301, que seguem regras diferentes.
🔎 Na prática, o Congresso controlado pelos democratas pode criar obstáculos a novas medidas comerciais, mas não tem poder para eliminar automaticamente todas as tarifas em vigor. (entenda como as Midterms podem afetar o dólar e os juros no Brasil)
Japão e Coreia do Sul podem rever compromissos bilionários
A vitória democrata também pode afetar os acordos comerciais dos EUA com dois de seus principais aliados na Ásia: Japão e Coreia do Sul.
No ano passado, os países prometeram investimentos bilionários nos EUA como parte de negociações para evitar tarifas comerciais mais elevadas. Os compromissos somam:
Japão: US$ 550 bilhões (cerca de R$ 3,02 trilhões).
Coreia do Sul: US$ 350 bilhões (cerca de R$ 1,92 trilhão).
Agora, especialistas avaliam que os dois governos podem sentir menos pressão para cumprir rapidamente essas promessas.
“Os democratas parecem perceber que os compromissos de investimento foram impostos aos aliados”, afirmou Heo Yoon, professor de economia da Universidade Sogang, em Seul, à Reuters.
Na avaliação do economista, a mudança no Congresso americano pode dar aos países mais liberdade para reavaliar os compromissos assumidos.
A Coreia do Sul já enfrenta atritos com Trump sobre investimentos prometidos. Recentemente, o governo sul-coreano contestou uma afirmação do presidente americano de que teria concordado em financiar o Alaska LNG, um projeto de infraestrutura para transporte de gás natural.
Para Ban Kil-joo, professor de relações internacionais da Academia Diplomática Nacional da Coreia, uma fiscalização mais rigorosa do Congresso americano pode dar a Seul mais tempo para analisar os projetos antes de tomar decisões.
Mas o resultado também traz riscos. Isso porque Trump pode voltar a ameaçar o Japão com novas tarifas caso considere que os investimentos prometidos estejam avançando lentamente.
Índia pode ganhar tempo nas negociações comerciais
A Índia é outro país que pode ser afetado pela mudança no Congresso americano.
Nova Délhi ainda negocia um acordo comercial com Washington e, segundo analistas, pode aproveitar a derrota republicana para adotar uma postura mais cautelosa antes de assumir novos compromissos.
Em fevereiro, os dois países chegaram a um entendimento que reduziu de 50% para 18% as tarifas sobre a maioria dos produtos indianos.
As taxas mais elevadas haviam sido impostas em agosto do ano passado, após o fracasso de uma rodada anterior de negociações.
O ministro do Comércio da Índia afirmou recentemente que a primeira etapa de um novo acordo estava perto de ser concluída, mas ressaltou que o país só avançaria se conseguisse condições favoráveis em relação a seus concorrentes.
Para Tommy Xie, chefe de pesquisa econômica para a Ásia do OCBC Bank, o resultado das eleições pode aumentar a pressão sobre a Casa Branca para evitar novas disputas comerciais, que poderiam encarecer ainda mais os produtos consumidos pelos americanos.
Já Rajiv Bhatia, ex-diplomata indiano e integrante do centro de estudos Gateway House, recomenda cautela.
“Uma vitória democrata não tornará necessariamente Trump mais flexível em relação a qualquer país”, afirmou.
Na avaliação dele, a Índia deve intensificar o diálogo com o Congresso americano para defender seus interesses em temas como comércio, tarifas e vistos.
China pode ganhar força, mas também enfrentar novas restrições
Xi Jinping e Donald Trump durante encontro na Casa Branca
Reuters/Evan Vucci
A China, principal rival econômico dos EUA, também acompanha os efeitos da derrota de Trump.
Os dois países mantêm uma trégua comercial temporária, prevista para terminar em janeiro. Com o enfraquecimento político do presidente americano, especialistas avaliam que Pequim pode tentar conquistar condições mais favoráveis nas próximas negociações.
“Xi Jinping reconhecerá que a autoridade de Trump foi bastante enfraquecida por esses resultados e, sem dúvida, estará pensando em maneiras de explorar isso”, afirmou Saul Eslake, economista da Corinna Economic Advisory, na Austrália.
Por outro lado, o controle democrata do Congresso também pode dificultar acordos entre Trump e o presidente chinês, Xi Jinping.
🔎Isso porque os democratas podem pressionar por regras mais rígidas sobre a venda de tecnologias americanas à China, especialmente em setores estratégicos, como inteligência artificial e semicondutores, componentes usados na fabricação de equipamentos eletrônicos.
Segundo Alicia Garcia-Herrero, economista-chefe para a Ásia-Pacífico da Natixis, o Congresso pode limitar a capacidade de Trump de oferecer concessões comerciais a Pequim.
“É improvável que os democratas deem carta branca a Trump para negociar com Pequim”, afirmou.
A especialista avalia que os parlamentares poderão defender maior fiscalização sobre as empresas e os produtos ligados à inteligência artificial e à fabricação de chips.
Questionada sobre o resultado das eleições, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Mao Ning, afirmou nesta quarta-feira (4) que a votação é um assunto interno dos EUA. Segundo ela, Pequim continuará buscando administrar as divergências e ampliar a cooperação com Washington.
Trump ainda pode impor novas tarifas?
Apesar da vitória democrata, Trump continua à frente da Presidência e mantém instrumentos legais para adotar medidas comerciais.
O que muda é o equilíbrio de forças no Congresso, que poderá ampliar a fiscalização sobre o governo e dificultar algumas iniciativas.
🤝 Para os parceiros comerciais dos EUA, o cenário abre duas possibilidades: ganhar mais espaço para negociar ou enfrentar novas pressões de Trump.
A reação do presidente americano será acompanhada de perto nas próximas semanas.
Ainda neste mês, ele deve viajar à Ásia para se reunir com líderes do Sudeste Asiático, nas Filipinas, e participar do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em Shenzhen, na China.
*Com informações da agência Reuters

Governo publica novas regras para combater golpes por SMS; veja o que muda

Homem com celular na mão na região central de São Paulo
Celso Tavares/g1
O governo federal publicou novas regras para combater golpes e fraudes por SMS. As medidas incluem a criação de um cadastro público para identificar as empresas responsáveis pelo encaminhamento das mensagens e o bloqueio de SMS enviados por códigos curtos não cadastrados. (veja outras regras).
📱 Esses códigos são os números de poucos dígitos que aparecem como remetentes das mensagens, como “29222”, no lugar de um número de celular completo “(00) 00000-0000”.
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As regras foram publicadas nesta quarta-feira (4) no Diário Oficial da União (DOU) e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) acompanhará a implementação das medidas, que deverão ser adotadas em até 90 dias, com possibilidade de prorrogação.
Agora no g1
Segundo o Ministério das Comunicações, o aumento dos golpes digitais é “impulsionado pela expansão de serviços digitais e alta adesão pela sociedade”.
A pesquisa Privacidade e Proteção de Dados Pessoais, realizada em agosto pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br), mostrou que o SMS está entre os meios mais usados por golpistas para abordar vítimas, com 71%.
A lista inclui aplicativos de mensagens (84%), ligações (79%), sites ou aplicativos falsos (71%), e-mail (69%) e redes sociais (67%).
O g1 procurou a Anatel e a Conexis Brasil Digital, entidade que representa as operadoras de telecomunicações do país, para comentar a decisão e aguarda retorno.
O que vai mudar
Consulta dos responsáveis pelo SMS: um cadastro público permitirá identificar as empresas responsáveis pelo encaminhamento de mensagens com códigos curtos.
Bloqueio de mensagens: as operadoras deverão impedir a entrega de SMS enviados por códigos curtos não cadastrados.
Um código por empresa: cada código curto deverá ser usado por uma única empresa, com possibilidade de exceções mediante justificativa técnica apresentada à Anatel.
Monitoramento de possíveis golpes: as operadoras deverão monitorar automaticamente o envio de SMS para identificar campanhas suspeitas e falsificação da identidade dos remetentes.
Rastreamento de fraudes: as empresas envolvidas no envio deverão verificar a identidade de seus contratantes, manter registros e colaborar, quando solicitadas, para identificar e interromper campanhas com indícios consistentes de fraude.
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Carro voador da Embraer: Eve fecha acordo para vender até 12 aeronaves para empresa que vai operar no Sul do Brasil

Carros voadores da Embraer: Eve fecha acordo para vender até 12 aeronaves para empresa do Sul do Brasil
Divulgação
A Eve Air Mobility, empresa ligada à Embraer, fechou um acordo para fornecer até 12 carros voadores elétricos à FlyBIS Aviation Limited, que planeja operar o serviço de transporte aéreo no Sul do Brasil. O contrato prevê dois pedidos firmes e a possibilidade de compra de outras dez aeronaves.
A produção em série dos carros voadores da Eve está prevista para ocorrer em uma fábrica em Taubaté, no interior de São Paulo. A unidade será responsável pela fabricação das aeronaves desenvolvidas pela empresa, subsidiária da Embraer.
O modelo ainda está em fase de testes e precisa receber a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) antes de começar a operar comercialmente.
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Segundo a Eve, com a compra, a proposta é conectar inicialmente cidades de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Entre as rotas em estudo estão trajetos entre Navegantes, Balneário Camboriú e Florianópolis, no litoral catarinense, além de destinos turísticos da Serra Gaúcha, como Gramado e Bento Gonçalves.
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Os veículos são chamados de eVTOLs, sigla em inglês para aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical. Conhecidos popularmente como carros voadores, eles foram projetados para transportar passageiros em trajetos curtos, sem a necessidade de pistas de voos convencionais.
O acordo dá continuidade a uma carta de intenções assinada pelas duas empresas em 2022. Agora, Eve e FlyBIS vão trabalhar no planejamento das rotas, na preparação da infraestrutura e nas condições necessárias para que o serviço comece a funcionar.
Segundo a Eve, a parceria busca integrar os voos a outros meios de transporte e preparar a operação para atender à demanda de passageiros na região, especialmente em cidades com forte movimentação turística e de negócios.
Gif mostra primeiro voo de carro voador da Embraer
Reprodução
Como está o desenvolvimento do carro voador?
O acordo foi anunciado enquanto a Eve avança nos testes de seu primeiro modelo de eVTOL. O protótipo em escala real já realizou mais de 70 voos, incluindo testes de voo pairado e em baixa velocidade.
Em agosto, a empresa divulgou o primeiro teste de transição para o voo horizontal, com a ativação da hélice traseira durante o ensaio. O teste foi realizado na unidade da Embraer em Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
No entanto, a aeronave ainda passa por etapas de desenvolvimento e precisa receber a certificação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) antes de transportar passageiros comercialmente.
O modelo tem capacidade prevista para quatro passageiros e um piloto, com autonomia estimada de 100 quilômetros.
Em setembro, o Ministério de Portos e Aeroportos reuniu representantes do setor aéreo, do governo e da Eve para discutir os desafios para a implantação desse tipo de transporte no Brasil. Entre os temas estavam certificação, construção de vertiportos, fornecimento de energia, segurança e integração do espaço aéreo.
Segundo a empresa, dois operadores já assumiram compromissos para utilizar o modelo no Brasil, enquanto outras companhias demonstraram interesse.
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