Superesportivo da BYD chega a 503 km/h e bate recorde mundial de velocidade

Yangwang U9
divulgação/BYD
O Yangwang U9 Xtreme, superesportivo elétrico da marca de ultraluxo da montadora chinesa BYD, atingiu 503,17 km/h e estabeleceu um novo recorde mundial de velocidade para carros de produção, segundo comunicado divulgado pela fabricante nesta sexta-feira (6).
A marca foi alcançada em 1º de novembro, durante um teste realizado em uma estrada de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos. O veículo superou seu próprio recorde anterior, de 496,22 km/h, registrado em setembro de 2025, na Alemanha.
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Segundo a BYD, o resultado garantiu ao modelo dois títulos do Guinness:
Maior velocidade alcançada por um carro de produção em uma única direção;
Maior velocidade registrada por um carro elétrico de produção nas mesmas condições.
A marca também foi reconhecida pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
O carro foi conduzido pelo piloto alemão Marc Basseng, que também estava ao volante quando o veículo estabeleceu seu recorde anterior.
Para realizar o teste, as autoridades locais autorizaram o fechamento de um trecho de 10 quilômetros de estrada. A maior reta disponível tinha sete quilômetros de extensão.
Os primeiros testes ocorreram em 31 de outubro, quando o carro chegou a 490 km/h. Após ajustes na suspensão, nos pneus e na aerodinâmica, a equipe realizou mais duas tentativas em 1º de novembro. Na última delas, o superesportivo atingiu os 503,17 km/h.
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Como é o carro que ultrapassou os 500 km/h?
O Yangwang U9 Xtreme é uma versão mais potente do U9 convencional, superesportivo elétrico da BYD conhecido por acelerar mais rápido que uma Ferrari e até saltar sobre buracos.
A versão que bateu o recorde tem quatro motores elétricos, um em cada roda, que entregam uma potência combinada de aproximadamente 3.019 cavalos.
O modelo também conta com uma bateria de alta potência, pneus desenvolvidos para suportar velocidades extremas e uma suspensão inteligente, capaz de realizar ajustes automáticos para manter a estabilidade.
Já o U9 convencional tem quatro motores que, juntos, entregam cerca de 1.300 cavalos de potência. O veículo acelera de 0 a 100 km/h em apenas 2,3 segundos, superando a Ferrari SF90 Stradale, que leva 2,5 segundos para atingir a mesma velocidade.
Outra característica do superesportivo chinês é a capacidade de saltar sobre buracos e até “dançar” ao som de música.
Isso é possível graças a um sistema de suspensão hidráulica que permite elevar rapidamente o veículo. Segundo a BYD, o carro consegue realizar um salto em apenas meio segundo.
Em uma demonstração divulgada pela fabricante, o U9 chegou a 120 km/h e percorreu cerca de seis metros no ar ao saltar sobre um obstáculo.
O sistema também permite que o carro realize movimentos sincronizados com música e luzes, criando a impressão de que está dançando.
O U9 convencional ainda não é vendido no Brasil. Na China, seu preço parte de 1,68 milhão de yuans (cerca de R$ 1,38 milhão).
Já o Yangwang U9 Xtreme, responsável pelo novo recorde, terá produção limitada a apenas 30 unidades em todo o mundo.

Tesla vai reduzir gradualmente produção do Cybertruck no Texas, diz Musk

g1 testou: a primeira Tesla Cybertruck que veio para o Brasil
A Tesla planeja reduzir gradualmente a produção do Cybertruck em sua fábrica no Texas por volta de meados do próximo ano, afirmou o presidente-executivo Elon Musk nesta sexta-feira (6). A medida deve abrir espaço para ampliar a fabricação do Cybercab, veículo da montadora desenvolvido para operar como táxi-robô.
Ainda não está claro se a produção do Cybertruck será transferida para outra unidade ou encerrada definitivamente. A fábrica da Tesla em Austin é a única unidade conhecida da montadora que produz o modelo.
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A Tesla não respondeu imediatamente a um pedido de comentário da Reuters.
“O Cybertruck foi uma plataforma incrível de desenvolvimento tecnológico e segue vivo no Cybercab”, afirmou Wes Morrill, engenheiro-chefe do Cybertruck, no X.
O Cybertruck, apresentado por Musk como um rival futurista das picapes de montadoras tradicionais, como a Ford, tem enfrentado dificuldades para conquistar o mercado de massa que o executivo projetava quando o modelo foi lançado, em 2023.
O veículo também foi alvo de vários recalls e problemas de controle de qualidade, e teve seus preços alterados diversas vezes.
Ao mesmo tempo, o Cybercab se tornou peça central da estratégia da Tesla para o mercado de táxis-robôs. Musk afirma que pretende transformar a montadora em uma empresa voltada à robótica e à direção autônoma, com o Cybercab como um dos principais veículos de sua rede de carros sem motorista.
Tesla Cybertruck 2026
Divulgação

Dólar opera em alta, com foco em dados de emprego dos EUA e temores com papéis de IA; Ibovespa sobe

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair

O dólar opera em alta nesta sexta-feira (6), com um avanço de 0,24% perto das 10h15, cotado a R$ 5,5015. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, tinha ganhos de 0,09%, aos 166.346 pontos.
O mercado continua a avaliar o setor de tecnologia dos Estados Unidos, em meio a preocupações sobre os efeitos que a maioria democrata no Congresso americano pode ter na regulação do setor. Por aqui, o quadro fiscal continua no radar, conforme investidores e empresários aumentam a pressão por novos reajustes por parte do governo e seguem na expectativa pela política econômica do Lula 4.
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▶️ O tombo dos papéis de tecnologia no mercado americano fica no centro das atenções. Na véspera, as ações do setor registraram forte queda, pressionando os principais índices de Wall Street. A preocupação é que a formação da maioria democrata no Congresso americano após as eleições de meio de mandato nos EUA possa trazer novas regulações e limitar o crescimento do setor.
Entenda o tombo bilionário das gigantes de tecnologia
▶️ No Brasil, os temores com a piora das contas públicas continuam sob os holofotes. Na véspera, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou que não há “fórmula mágica” para a economia brasileira e que o governo Lula vai “manter compromissos fiscais” e os feitos durante a campanha eleitoral no plano social. A fala ocorreu após uma reunião com o presidente Lula, ministros, ex-ministros e economistas.
▶️ Na agenda do dia, investidores acompanham o relatório de emprego dos EUA, o payroll. O relatório deve trazer novos sinais sobre o mercado de trabalho e a economia americana, além de reforçar expectativas sobre o futuro dos juros no país. Por aqui, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) deve divulgar o número revisado do PIB de 2024.
▶️ A reforma tributária e o fim da escala 6×1 também ficaram no foco. Nesta semana, o governo sinalizou a intenção de regulamentar o fim da 6×1 e indicou a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas. Já na véspera, o governo publicou a Medida Provisória que estabelece as alíquotas do Imposto Seletivo, também conhecido como “imposto do pecado”, para 2027.
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‘Imposto do pecado’: o que entra? Produtos vão ficar mais caros? Veja perguntas e respostas
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💲Dólar

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Acumulado da semana: +0,81%;
Acumulado do mês: +0,81%;
Acumulado do ano: 0%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: –18,12%
Acumulado da semana: -1,03%
Acumulado do mês: –1,03%;
Acumulado do ano: +3,14%.
Queda nas bolsas americanas
Os principais índices de Wall Street fecharam em forte queda na última quinta-feira (5), pressionados pelas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA).
O movimento veio em meio ao temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas para o setor e desacelere a expansão dos centros de dados no país.
O Nasdaq Composite, que concentra empresas de tecnologia, despencou 5,52%, para 24.315 pontos, na maior queda em um único dia desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%, para 51.523,06 pontos.
A onda de vendas eliminou cerca de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões) em valor de mercado das empresas que compõem o S&P 500.
As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.
O Nasdaq também entrou no chamado território de correção, quando um índice acumula queda de pelo menos 10% em relação a um pico recente. O indicador encerrou o pregão quase 12% abaixo do recorde alcançado em 6 de outubro.
Foi a maior queda diária do Nasdaq desde o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação” pelo presidente Donald Trump, em abril de 2025. O pregão também marcou o segundo dia consecutivo de vendas de ações ligadas à inteligência artificial e a quinta queda superior a 500 pontos do índice desde meados de outubro.
Bolsas globais
Na Ásia, as ações da China e de Hong Kong caíram nesta sexta-feira, à medida que uma queda generalizada no setor de tecnologia nos Estados Unidos se espalhou pela Ásia e alimentou temores de que o boom da IA esteja perdendo força.
O SSEC, Índice de Xangai, teve queda de 1,10%, enquanto o CSI300, que reúne grandes empresas chinesas, caiu 1,44%. Na Coreia do Sul, o Kospi encerrou com um recuo de 6,02%, após ter caído mais de 8% e acionado o circuit breaker na sessão. O Hang Seng, de Hong Kong, teve perdas de 1,27% e o Nikkei, do Japão, recuou 5,96%.
Bolsas da Ásia despencam após tombo em Wall Street, e Coreia do Sul aciona circuit breaker
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Governo prorroga até 31 de dezembro cobrança de imposto de 12% sobre exportação de petróleo

A Câmara de Comércio Exterior (Camex) prorrogou, até 31 de dezembro deste ano, a cobrança do imposto de 12% sobre a exportação de óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos. A medida entra em vigor neste sábado (7).
🔎 O Comitê-Executivo de Gestão (Gecex) é o órgão da Câmara de Comércio Exterior (Camex) responsável por decisões sobre medidas de comércio exterior, incluindo alterações tarifárias. A Camex é vinculada ao Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).
A cobrança foi criada neste ano como parte de um pacote de medidas do governo federal para conter os efeitos da alta do petróleo sobre os consumidores.
O pedido de continuidade da medida foi apresentado pelo Ministério da Fazenda, em parte pela permanência do cenário adverso provocado pelos conflitos no Oriente Médio e, por outro lado, pela necessidade de manter normalizado o abastecimento de derivados de petróleo, principalmente óleo diesel (entenda mais abaixo). 
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Somente em setembro, o imposto de exportação arrecadou R$ 2,94 bilhões, segundo dados da Receita Federal. Na parcial deste ano, a receita total somou R$ 12,86 bilhões.
Em outubro, o Tesouro Nacional informou que as receitas com petróleo, envolvendo royalties e tributos, como imposto de exportação, devem somar R$ 64,5 bilhões para este ano.
Ao mesmo tempo, as desonerações e subvenções de combustíveis somam R$ 39 bilhões. Deste modo, a estimativa é que receitas superem os benefícios concedidos em R$ 25,5 bilhões em 2026.
Este valor já está considerado no último relatório do orçamento, no qual o governo projetou um déficit de R$ 67,3 bilhões para este ano fechado. Sem as receitas do petróleo, o governo teria mais dificuldade em fechar as contas neste ano.
Exploração de petroleo na Bacia de Campos
Reprodução/TV Globo
Prorrogações
Em março, o governo elevou de zero para 12% o imposto sobre as exportações de petróleo.
A medida integrou um conjunto de ações adotadas diante da alta do preço internacional do petróleo e dos combustíveis, em meio ao conflito no Oriente Médio.
O pacote também incluiu redução de tributos e subsídios para tentar conter o preço do diesel.
Em julho, ao manter a alíquota de 12%, a Camex afirmou que a cobrança buscava preservar o abastecimento do mercado interno e garantir matéria-prima para as refinarias brasileiras.
A cobrança já havia sido prorrogada por mais 60 dias em setembro. Na ocasião, o imposto já havia arrecadado R$ 7,9 bilhões, segundo dados da Receita Federal.
O imposto também foi alvo de uma disputa judicial. Em agosto, a Justiça Federal do Distrito Federal suspendeu provisoriamente a cobrança para empresas representadas pela Associação Brasileira de Empresas de Exploração e de Produção de Petróleo e Gás (ABEP).
Dias depois, o Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1) derrubou a liminar após recurso do governo, permitindo a retomada da cobrança.

Wall Street perde trilhões em um dia: entenda o que derrubou as ações de IA

Bolsas Wall Street
Reuters/Brendan McDermid
Os principais índices de Wall Street fecharam em forte queda na última quinta-feira (5), pressionados pelas ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA).
O movimento veio em meio ao temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas para o setor e desacelere a expansão dos centros de dados no país.
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O Nasdaq Composite, que concentra empresas de tecnologia, despencou 5,52%, para 24.315 pontos, na maior queda em um único dia desde abril de 2025. O S&P 500 recuou 4,36%, para 7.353,73 pontos, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%, para 51.523,06 pontos.
A onda de vendas eliminou cerca de US$ 3 trilhões (R$ 16,4 trilhões) em valor de mercado das empresas que compõem o S&P 500.
Agora no g1
As chamadas “Sete Magníficas”, grupo que reúne algumas das maiores empresas de tecnologia dos Estados Unidos, como Nvidia, Meta, Alphabet e Microsoft, perderam aproximadamente US$ 800 bilhões (R$ 4,4 trilhões) em valor de mercado, montante superior ao Produto Interno Bruto (PIB) da Suécia.
O Nasdaq também entrou no chamado território de correção, quando um índice acumula queda de pelo menos 10% em relação a um pico recente. O indicador encerrou o pregão quase 12% abaixo do recorde alcançado em 6 de outubro.
Essa também foi a maior queda diária do Nasdaq desde o anúncio das tarifas do chamado “Dia da Libertação” pelo presidente Donald Trump, em abril de 2025. O pregão também marcou o segundo dia consecutivo de vendas de ações ligadas à inteligência artificial e a quinta queda superior a 500 pontos do índice desde meados de outubro.
“Pensávamos que já havíamos superado as dificuldades após a recuperação do mercado no dia seguinte às eleições de meio de mandato, mas, de repente, isso se transformou em um verdadeiro banho de sangue em Wall Street”, afirmou Jose Torres, analista da Interactive Brokers, à AFP.
Queda afeta mercados globais nesta sexta-feira
O forte tombo de Wall Street na véspera se espalhou pelos mercados globais nesta sexta-feira (6).
O movimento ocorre em meio às dúvidas sobre o retorno dos investimentos bilionários em inteligência artificial (IA), agravadas pelo temor de que a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos resulte em regras mais rígidas e acabe restringindo a expansão dos centros de dados no país.
Na Europa, os principais índices da região operavam em queda generalizada na sessão.
Perto das 9h15, o índice pan-europeu STOXX 600, que reúne as principais empresas de 17 países europeus e serve como referência para o desempenho das bolsas da região, caía 1,80%.
Entre os demais índices acionários da região, o DAX, da Alemanha, caía 2,35% no mesmo horário, enquanto o CAC-40, da França, recuava 1,79% e o FTSE 100, do Reino Unido, perdia 2,29%.
Na Ásia, as principais bolsas de valores fecharam em forte queda nesta sexta-feira, acompanhando o tombo de Wall Street.
Japão e Coreia do Sul registraram algumas das maiores perdas, próximas de 6% no fechamento. Na bolsa sul-coreana, o índice Kospi, que acompanha o desempenho das principais empresas do país, chegou a despencar 8,8% durante o pregão.
A queda acionou o circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações para conter movimentos extremos no mercado. Os negócios ficaram suspensos por 20 minutos. Após a retomada, o índice recuperou parte das perdas e fechou em queda de 6,02%.
Veja como fecharam as principais bolsas asiáticas:
Japão (Nikkei): queda de 5,96%, aos 57.434 pontos.
Coreia do Sul (Kospi): recuo de 6,02%, aos 5.059 pontos.
Taiwan (Taiex): baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos.
Cingapura (Straits Times): queda de 2,17%, aos 5.181 pontos.
Hong Kong (Hang Seng): recuo de 1,27%, aos 24.481 pontos.
China (Xangai): baixa de 1,10%, aos 3.649 pontos.
China (CSI 300): queda de 1,44%, aos 4.054 pontos.
Austrália (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 9.020 pontos.
Por que a vitória democrata afetou as empresas de IA?
Os democratas conquistaram o controle do Congresso nas eleições de terça-feira (3), além de obterem vitórias em estados onde aumentou a oposição à instalação de novos centros de dados.
O resultado alimentou o temor de que uma regulamentação mais rígida desacelere a expansão da infraestrutura de inteligência artificial, que esteve entre os principais fatores de valorização das ações americanas nos últimos anos e ajudou a levar empresas do setor a níveis recordes em 2026.
Vários candidatos democratas eleitos fizeram campanha defendendo uma redução no ritmo de construção de centros de dados. Moradores de dezenas de cidades americanas também aprovaram restrições ou proibições à instalação dessas estruturas.
“O grande resultado das eleições foi, especialmente com os democratas conquistando muitos cargos de governador, que a desaceleração da expansão dos centros de dados é o verdadeiro tema-chave que vai perdurar”, afirmou Michael O’Rourke, estrategista-chefe de mercado da JonesTrading, à Reuters.
A preocupação dos investidores é que novas regras, restrições locais e dificuldades para obter licenças atrasem projetos bilionários de infraestrutura. Os centros de dados reúnem grandes quantidades de servidores e chips necessários para desenvolver e operar sistemas de IA, além de exigirem elevados volumes de energia e água.
“Haverá muita resistência em relação a esses centros de dados estarem localizados geograficamente no quintal de alguém, sobrecarregando a rede elétrica e os sistemas de abastecimento de água”, afirmou Bruce Zaro, diretor-gerente da Granite Wealth Management, à REuters
“Embora já existam vários centros de dados aprovados, ainda há muitos a serem licenciados. O caminho para a obtenção dessas licenças será difícil”, acrescentou.
Analistas do UBS estimam que cerca de 30% do aumento previsto na capacidade dos centros de dados dos Estados Unidos até 2028 pode estar em risco diante de eventuais paralisações ou atrasos nas construções.
Uma desaceleração desses projetos pode reduzir ou adiar a procura por chips, servidores, equipamentos e energia. Isso afetaria as receitas esperadas por empresas de diferentes segmentos da cadeia de inteligência artificial.
“Os investidores parecem estar reconhecendo que alguns membros recém-eleitos do Congresso e governadores pretendem desacelerar o ritmo do desenvolvimento da infraestrutura de IA”, afirmou Melissa Brown, diretora global de pesquisa de decisões de investimento da SimCorp, à Reuters.
Segundo ela, embora pareça improvável que os novos governantes consigam interromper completamente esse processo, qualquer desaceleração gera preocupação porque o crescimento da inteligência artificial tem dependido, em grande parte, da rápida construção da infraestrutura necessária para sustentá-la.
“Quando surge qualquer dúvida sobre os investimentos em centros de dados, o mercado reage de maneira particularmente violenta”, disse Art Hogan, da B. Riley Wealth Management, à AFP.
Fabricantes de chips lideram perdas
As fabricantes de semicondutores, diretamente expostas à expansão dos centros de dados, ficaram entre as empresas mais atingidas. O índice Philadelphia SE Semiconductor despencou mais de 12% e atingiu o menor nível em mais de seis meses.
A Nvidia caiu cerca de 9%. A empresa, segunda maior do mundo em valor de mercado, perdeu aproximadamente US$ 400 bilhões (R$ 2,2 trilhões) em valor de mercado durante o pregão.
A AMD recuou cerca de 17%, assim como a Micron. A Broadcom caiu aproximadamente 10%, enquanto a Intel também perdeu pouco mais de 10%.
A Qualcomm tombou 9,5% após a fabricante de chips apresentar uma previsão para as vendas de componentes destinados a smartphones no quarto trimestre abaixo das estimativas de Wall Street. Nesse caso, a pressão sobre as ações também esteve relacionada às perspectivas específicas da empresa, além da onda mais ampla de vendas no setor.
“Parece que estamos na fase de capitulação das ações beneficiadas pelos investimentos em centros de dados, especialmente as de semicondutores”, afirmou Jed Ellerbroek, gestor de portfólio da Argent Capital Management, à Reuters. “Mas acho que a magnitude desses movimentos é exagerada.”
Queda atinge centros de dados, energia e big techs
As perdas também atingiram empresas diretamente envolvidas na construção e na operação da infraestrutura de inteligência artificial.
IREN, Applied Digital e Cipher Digital despencaram mais de 14% cada uma. A CoreWeave caiu quase 10%, enquanto a Nebius perdeu cerca de 15%.
CoreWeave e Nebius fazem parte do grupo de empresas conhecidas como “neoclouds”, especializadas em fornecer infraestrutura de computação em nuvem voltada principalmente a aplicações de inteligência artificial. As ações das duas companhias acumulam quedas de 50% ou mais desde que o Nasdaq atingiu seu recorde, em 6 de outubro.
A pressão também chegou às empresas de serviços públicos e fornecedoras de equipamentos ligadas à expansão dos centros de dados. A GE Vernova caiu cerca de 7,5%, enquanto a Constellation Energy recuou 2,5%.
Entre as grandes empresas de tecnologia, a Meta perdeu aproximadamente 4%. Amazon e Alphabet recuaram 2,2% cada uma, enquanto a Microsoft caiu 3,6%.
Setor já enfrentava dúvidas sobre custos e retorno
Embora a vitória dos democratas tenha funcionado como gatilho para a queda, a intensidade do movimento também reflete preocupações que já vinham pressionando as empresas de inteligência artificial.
Investidores têm questionado o retorno dos enormes volumes de recursos destinados à tecnologia, os custos de construção dos centros de dados e a capacidade de empresas do setor de financiar novos projetos em um ambiente de juros mais altos e condições financeiras mais restritivas.
Essas preocupações afetam sobretudo empresas menores, cuja capacidade de captar recursos já estava limitada. Também aumentam a pressão sobre companhias que acumularam fortes valorizações com as expectativas em torno da IA, mas ainda precisam demonstrar que os investimentos bilionários poderão se transformar em receitas e lucros.
“O mercado está passando da promessa da IA para o preço da IA”, afirmou Ted Parkhill, fundador e presidente-executivo da Incline Investment Management, à Reuters.
“Não há dúvida de que a IA será transformadora para o mundo no longo prazo. Mas isso não significa que todas as ações relacionadas à IA estejam atualmente avaliadas de forma adequada. Haverá muita turbulência”, acrescentou.
*Com informações das agências de notícias Reuters e France Presse.

Ações da maior empresa de azeite do mundo despencam após mercado avaliar que companhia receberá menos com a venda

Ações da maior empresa de azeite do mundo despencam após mercado avaliar que companhia receberá menos com a venda.
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As ações da Deoleo, maior engarrafadora de azeite do mundo e dona de marcas como Carbonell e Bertolli, despencaram até 23,12% na Bolsa de Madri na quinta-feira (5), depois que a companhia anunciou um acordo para vender suas operações a um consórcio formado pelas espanholas Dcoop e Acesur.
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➡️ O negócio é avaliado em 520 milhões de euros, mas o mercado reagiu negativamente porque esse valor não corresponde ao montante que será recebido pela Deoleo, nem ao que será repassado diretamente aos seus acionistas.
O pagamento efetivo será menor, já que ainda serão descontados dívidas, ajustes financeiros e retenções previstas no contrato.
Como é dona de 50,99% da holding, a Deoleo estima receber entre 190 milhões e 200 milhões pela venda de sua participação, segundo um comunicado publicado no site da Comisión Nacional del Mercado de Valores, órgão regulador do mercado de capitais da Espanha.
Esse valor, porém, ainda não é definitivo e poderá mudar até a conclusão da venda. Além disso, parte dos recursos ficará retida em uma conta de garantia e, portanto, não estará imediatamente disponível para a companhia.
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Próximos passos da operação
A compradora Dcoop é uma cooperativa espanhola que reúne mais de 75 mil famílias de agricultores, enquanto a Acesur é uma empresa familiar dona de marcas como La Española e Coosur. Pelo acordo, cada uma ficará com metade do negócio da Deoleo.
A venda ainda depende da aprovação dos acionistas e de autorizações em três países. Na Espanha e nos Estados Unidos, as autoridades de defesa da concorrência avaliarão os efeitos da compra sobre o mercado.
Na Itália, será necessária uma autorização para que as operações locais da Deoleo passem ao controle de investidores estrangeiros.
A operação também poderá ser afetada pelos contratos de licença da Bertolli. O grupo japonês Mizkan tem dois meses após o anúncio para informar se pretende encerrar algum desses contratos devido à mudança de controle.
A Deoleo estima que o processo regulatório leve entre seis e oito meses. Até a conclusão, ainda poderão mudar tanto o valor final recebido pela companhia quanto a parcela que ficará retida como garantia. O comunicado não informa qual será a destinação posterior dos recursos.

Minha Casa, Minha Vida: governo define regras para famílias afetadas por desastres e obras públicas

Residencial Diuza Gonçalves é um dos empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida em Teresina
Divulgação/Caixa
O Ministério das Cidades estabeleceu novas regras para a seleção de famílias que poderão receber imóveis pelo programa Minha Casa, Minha Vida. A medida foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) desta sexta-feira (6) e contempla pessoas que perderam suas casas em desastres ou precisam deixar suas moradias por conta de obras públicas federais.
A iniciativa faz parte da modalidade Compra Assistida, criada em 2024 para atender vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. O modelo permite que o governo federal custeie a aquisição de imóveis novos ou usados, sem exigir pagamento dos beneficiários.
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A nova regulamentação amplia o alcance da modalidade para outras regiões do país e define os procedimentos para a escolha das famílias contempladas.
Embora não precisem pagar pela aquisição, os beneficiários continuarão responsáveis por despesas como IPTU, condomínio e serviços urbanos.
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Quem poderá receber os imóveis?
A medida é destinada a famílias de baixa renda, enquadradas nas faixas urbanas 1 e 2 do Minha Casa, Minha Vida, que estejam em uma das seguintes situações:
Vítimas de desastres: famílias que tiveram sua única moradia, própria ou alugada, destruída ou definitivamente interditada após uma emergência, ou calamidade pública reconhecida pelo governo federal;
Afetadas por obras públicas: famílias que precisam deixar sua única residência, própria ou alugada, devido a obras federais que prevejam atendimento habitacional.
🔎 No caso dos desastres, a regra vale para ocorrências a partir de 13 de outubro de 2026, com possibilidade de atendimento excepcional a famílias afetadas desde 31 de julho de 2025, desde que cumpram as condições previstas na regulamentação.
A seleção será feita a partir de informações fornecidas pelos governos locais. A Caixa Econômica Federal será responsável por verificar se as famílias atendem aos critérios do programa.
Como funcionará a escolha do imóvel?
Após a aprovação, as famílias poderão indicar um imóvel novo ou usado que atenda às exigências do programa de habitação. Veja as principais regras:
Prazo de escolha: a família terá 90 dias, a partir da convocação, para indicar um imóvel;
Características da moradia: o número de quartos deverá ser adequado à quantidade de moradores, e o imóvel deverá atender às necessidades de acessibilidade de idosos e pessoas com deficiência;
Valor do condomínio: a taxa não poderá ultrapassar 30% da renda bruta mensal da família.
Assinatura do contrato: após a convocação pela Caixa, o beneficiário terá até 30 dias para formalizar a aquisição;
Venda ou aluguel: o imóvel não poderá ser vendido, alugado ou negociado durante os primeiros cinco anos.
Caso a primeira moradia indicada não atenda às exigências, a família poderá apresentar outra opção no prazo de 90 dias após a comunicação do resultado da análise, respeitado o limite de 12 meses para concluir a contratação.
As famílias que não cumprirem os prazos poderão perder o direito ao benefício.
Quem será responsável pela seleção?
Os governos locais deverão identificar as famílias afetadas, conferir a documentação e encaminhar as informações para análise.
A Caixa Econômica Federal ficará responsável por verificar os requisitos, divulgar a relação de famílias aprovadas, orientar os beneficiários e formalizar os contratos.
A análise poderá utilizar informações de bases federais, como o Cadastro Único (CadÚnico), o FGTS e o Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS).
Após a mudança, os governos locais deverão acompanhar as famílias por 24 meses, oferecendo orientações sobre as despesas da moradia, regras de condomínio e acesso a serviços públicos.

Ações de gigantes da tecnologia derretem com dúvidas sobre o futuro da IA após eleições nos EUA; entenda

Bolsas globais caem após vitória democrata nos EUA e temor sobre setor de IA
As ações de empresas ligadas à inteligência artificial (IA) estão derretendo nas bolsas pelo mundo. Na quinta-feira (5), o Nasdaq, índice que reúne principalmente empresas de tecnologia negociadas na bolsa americana de mesmo nome, caiu 5,52%, em seu pior pregão desde abril de 2025.
Nesta sexta-feira (6), a onda de vendas chegou à Ásia, onde bolsas como as do Japão e da Coreia do Sul fecharam em forte baixa (veja as qued)
Na Coreia do Sul, a queda chegou a ultrapassar 8% durante o pregão e levou a bolsa a interromper temporariamente as negociações por 20 minutos. O mecanismo, conhecido como circuit breaker, é acionado quando o mercado sofre uma queda muito acentuada e serve para dar uma pausa nas operações.
Por trás do movimento está a preocupação dos investidores com os bilhões de dólares que as gigantes de tecnologia estão gastando para avançar na corrida pela inteligência artificial.
O mercado quer saber quando esses investimentos vão se transformar em lucro.
A vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos intensificou outra preocupação que já rondava o setor: a possibilidade de novas regras para a construção de centros de dados, estruturas essenciais para o funcionamento da IA.
Queda atinge empresas de tecnologia nos EUA
Na quinta-feira, além do Nasdaq, outros índices importantes de Wall Street também fecharam em forte baixa. O S&P 500 recuou 4,36%, enquanto o Dow Jones caiu 3,44%.
A onda de vendas também atingiu as gigantes de tecnologia americanas. As sete empresas conhecidas como Magnificent Seven fecharam em queda, com perdas que chegaram a 10,8% no caso da Tesla.
Quedas das ações das big techs
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As empresas ligadas à produção de chips, componentes fundamentais para o funcionamento da inteligência artificial, estiveram entre as mais afetadas. O índice de semicondutores da Filadélfia perdeu 12,2%.
Entre as companhias que mais caíram estavam a Nvidia, com baixa de 9,3%, e a AMD, que recuou 17,3%.
➡️ A queda do foi a mais intensa desde abril de 2025, quando o anúncio de tarifas comerciais pelo presidente Donald Trump provocou uma onda de vendas nas bolsas.
Como o tombo chegou na Ásia e acionou mecanismo de segurança na Coreia do Sul
Na sexta-feira (6), a pressão também atingiu os mercados asiáticos.
O Nikkei, principal índice da bolsa japonesa, fechou em queda de 5,96%, aos 57.434,77 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi recuou 6,02%, para 5.059,69 pontos.
Durante o pregão, porém, a queda do índice sul-coreano chegou a 8,55%, levando o indicador a ficar abaixo dos 5 mil pontos. Diante do movimento, a bolsa acionou um circuit breaker.
A suspensão começou às 9h03 no horário local e durou 20 minutos. Depois da retomada, as negociações continuaram, mas o índice terminou o dia ainda em forte baixa.
O tombo também atingiu grandes empresas da região. As ações da fabricante de chips de memória SK Hynix caíram 10,4%, enquanto os papéis da Samsung Electronics recuaram 6,4%. No Japão, a SoftBank perdeu cerca de 11%. Em Taiwan, a fabricante de chips TSMC fechou em baixa de 4,7%.
A região concentra algumas das principais fabricantes de chips do mundo. Por isso, uma eventual redução dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial pode afetar diretamente essas companhias.

Veja como fecharam as principais bolsas asiáticas:
Japão (Nikkei): queda de 5,96%, aos 57.434 pontos.
Coreia do Sul (Kospi): recuo de 6,02%, aos 5.059 pontos.
Taiwan (Taiex): baixa de 4,51%, aos 39.701 pontos.
Cingapura (Straits Times): queda de 2,17%, aos 5.181 pontos.
Hong Kong (Hang Seng): recuo de 1,27%, aos 24.481 pontos.
China (Xangai): baixa de 1,10%, aos 3.649 pontos.
China (CSI 300): queda de 1,44%, aos 4.054 pontos.
Austrália (S&P/ASX 200): recuo de 0,49%, aos 9.020 pontos.
Vitória democrata reacende debate sobre regras para data centers
Outro fator que entrou na conta dos investidores foi o resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3).
A vitória dos democratas aumentou a preocupação de que o setor de tecnologia enfrente mais resistência para construir centros de dados, instalações que reúnem os equipamentos responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de informações.
Essas estruturas são fundamentais para o funcionamento de ferramentas de inteligência artificial, mas também consomem grandes quantidades de energia e água. Por isso, enfrentam resistência de comunidades em algumas regiões americanas.
O temor é que novas regras dificultem ou atrasem a construção dessas instalações. Isso poderia afetar os planos de expansão das empresas e reduzir a procura por chips, equipamentos e outros serviços ligados à inteligência artificial.
Isso não significa que projetos já anunciados tenham sido cancelados ou que novas restrições tenham sido aprovadas. O que pesa sobre as ações é a incerteza sobre o futuro desses investimentos.
Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), porém, a vitória democrata não foi a causa da queda das ações, mas acrescentou um novo risco a um mercado que já apresentava sinais de fragilidade.
“A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil”, afirma.
Segundo o professor, a vitória democrata aumentou a preocupação com possíveis restrições à construção dessas instalações, à concessão de incentivos fiscais e ao licenciamento de novos projetos.
Ele destaca que mudanças legislativas relevantes costumam demorar e que o presidente americano mantém o poder de veto.
Na avaliação do especialista, os riscos mais imediatos estão nos estados, onde decisões sobre licenciamento, fornecimento de energia e eventuais moratórias podem afetar a construção de data centers.
Camilo avalia que a reação mais intensa do mercado tende a ser pontual, mas que a revisão das expectativas de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial pode continuar.
Investimentos em IA disparam, mas mercado cobra resultados
Um dos fatores por trás da pressão sobre as ações está o tamanho dos investimentos que as empresas estão fazendo para desenvolver e ampliar seus negócios de inteligência artificial (IA).
Segundo a Reuters, Amazon, Meta, Microsoft e Alphabet elevaram juntas os investimentos em infraestrutura de US$ 113 bilhões para US$ 207 bilhões em um ano. A previsão é de outros US$ 232 bilhões em investimentos no trimestre seguinte.
Para 2026, os gastos de capital dessas quatro empresas podem chegar a US$ 740 bilhões, segundo estimativas citadas pela agência. Os recursos são destinados principalmente à construção de centros de processamento de dados, compra de chips e expansão da infraestrutura necessária para treinar e operar sistemas de inteligência artificial.
A Amazon, por exemplo, investiu cerca de US$ 75,9 bilhões no terceiro trimestre, acima dos US$ 58,7 bilhões esperados pelo mercado. A Alphabet destinou mais de US$ 50 bilhões à expansão de sua infraestrutura. A Microsoft investiu US$ 45,2 bilhões, enquanto a Meta registrou gastos de US$ 35 bilhões no período.
Em outro levantamento, também divulgado pela Reuters, os números mostram o peso desses investimentos sobre o caixa das companhias. Dessa vez, a análise considera cinco empresas: Microsoft, Alphabet, Amazon, Meta e Oracle.
Nos primeiros nove meses de 2026, as cinco empresas investiram juntas US$ 556,9 bilhões, valor superior aos US$ 542,9 bilhões que geraram com suas operações no mesmo período. Com isso, o grupo passou de um saldo positivo de US$ 143,5 bilhões em fluxo de caixa livre nos primeiros nove meses de 2025 para um resultado negativo de US$ 14 bilhões neste ano.
O fluxo de caixa livre é o dinheiro que sobra depois que a empresa paga suas despesas operacionais e investimentos. Quando esse indicador fica negativo, significa que os recursos gerados pelas operações não foram suficientes para cobrir os gastos do período.
Analistas apontam que a questão é que esses investimentos levam tempo para gerar retorno. Enquanto as empresas gastam bilhões para ampliar sua capacidade, os investidores querem entender quando esse dinheiro vai se transformar em novas receitas e, principalmente, em lucro.
“O mercado continua confiante na demanda por inteligência artificial, como mostram os resultados crescentes da área de computação em nuvem. Mas os investidores passaram a cobrar mais das empresas: não basta anunciar grandes investimentos em IA, é preciso mostrar que eles estão se transformando em receita e, principalmente, em geração de caixa”, afirma Nickolas Lobo, especialista de investimentos da Nomad.
Ou seja, não basta mostrar que a empresa está construindo centros de dados e comprando chips. Os investidores querem ver se a estrutura vai gerar dinheiro suficiente para compensar o que foi gasto.
“São bilhões de dólares destinados a centros de dados, chips e infraestrutura, enquanto a capacidade de transformar tudo isso em receita ainda está sendo construída”, diz Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG).
Empresas também recorrem a empréstimos
Até agora, parte importante dos investimentos vinha do próprio dinheiro gerado pelos negócios. Com os gastos cada vez maiores, porém, as empresas também têm recorrido à emissão de dívidas e de ações para levantar recursos.
A Microsoft, por exemplo, levantou US$ 25 bilhões em uma emissão de títulos de dívida. Segundo a empresa, os recursos poderão ser utilizados para diferentes finalidades corporativas, incluindo investimentos de capital.
O movimento ocorre em um momento em que os investidores também acompanham a possibilidade de juros mais altos nos próximos anos. Com juros maiores, os empréstimos ficam mais caros e podem aumentar o custo dos projetos.
“A escala de gastos não tem precedentes. O ciclo começou com recursos próprios, avançou para a emissão de dívidas e agora chega à captação de recursos no mercado de ações”, afirma.
Ele se refere também à possibilidade de as empresas emitirem novas ações para captar dinheiro. Nesse caso, os acionistas existentes podem ter sua participação proporcional reduzida, caso não acompanhem a operação.
O risco é uma bolha de investimentos?
A queda das ações reacendeu a discussão sobre uma possível bolha em torno da inteligência artificial. Isso não significa, porém, que os especialistas considerem a tecnologia uma promessa sem fundamento.
“A tecnologia é real, já está sendo utilizada e tem capacidade de transformar diversos setores da economia. O que considero exagerado são algumas expectativas de valorização”, afirma Celso Camilo.
Para ele, o risco está na diferença entre o potencial da tecnologia e o preço que os investidores aceitam pagar hoje pelas ações, considerando lucros que ainda não chegaram.
Lobo também pondera que a discussão não deve ser resumida à ideia de que a IA é uma bolha. Na avaliação dele, o mercado está mais atento ao ritmo de crescimento dos investimentos e à capacidade de as empresas transformarem esse dinheiro em resultados.
“O vencedor da próxima etapa não será necessariamente quem investe mais, mas quem gera retorno sobre o capital investido”, afirma.
Uma tela exibe as ações da Microsoft, Nasdaq e Amazon durante o dia de negociação no site do Nasdaq Market em Nova York, EUA, 5 de novembro de 2026.
REUTERS/Brendan McDermid

Trump chama IA de 'ouro' e defende expansão após queda de ações de tecnologia

Bolsas despencam por causa de queda nas ações de tecnologia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (6) que pretende trabalhar com estados americanos interessados em expandir o uso da inteligência artificial (IA).
Em publicação nas redes sociais, ele classificou a tecnologia como uma fonte de riqueza e prometeu apoio a governos estaduais que apostarem no setor.
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A declaração ocorre após uma onda de vendas de ações de empresas de tecnologia. Os investidores estão preocupados com o volume de recursos destinado pelas gigantes do setor à inteligência artificial e com possíveis restrições à expansão da infraestrutura necessária para seu desenvolvimento.
Trump afirmou ser totalmente favorável ao desenvolvimento da chamada superinteligência artificial, termo que utiliza para se referir à tecnologia.
“Como presidente, sou 100% a favor da Superinteligência (SI) e trabalharei com os muitos estados dos EUA que querem se tornar RICOS ao tê-la. Eles são OURO, e só uma liderança tola vai dizer ‘NÃO’ às riquezas que trazem!”, escreveu.
A manifestação também ocorre após a vitória dos democratas nas eleições de meio de mandato realizadas na terça-feira (3), que ampliou as discussões sobre possíveis regras para o setor, especialmente para a construção de centros de dados, estruturas que concentram os equipamentos necessários para operar sistemas de inteligência artificial.
Trump não detalhou quais medidas pretende adotar para apoiar os estados interessados na expansão da tecnologia.
Vitória democrata reacende debate sobre regras para data centers
Um fator que entrou na conta dos investidores foi o resultado das eleições de meio de mandato dos Estados Unidos, realizadas na terça-feira (3).
A vitória dos democratas aumentou a preocupação de que o setor de tecnologia enfrente mais resistência para construir centros de dados, instalações que reúnem os equipamentos responsáveis por armazenar e processar grandes volumes de informações.
Essas estruturas são fundamentais para o funcionamento de ferramentas de inteligência artificial, mas também consomem grandes quantidades de energia e água. Por isso, enfrentam resistência de comunidades em algumas regiões americanas.
O temor é que novas regras dificultem ou atrasem a construção dessas instalações. Isso poderia afetar os planos de expansão das empresas e reduzir a procura por chips, equipamentos e outros serviços ligados à inteligência artificial.
Para Celso Camilo, doutor em inteligência artificial e professor da Universidade Federal de Goiás (UFG), porém, a vitória democrata não foi a causa da queda das ações, mas acrescentou um novo risco a um mercado que já apresentava sinais de fragilidade.
“A eleição americana não é a causa da queda. Ela foi o gatilho. O mercado de IA já vinha frágil”, afirma.
Segundo o professor, a vitória democrata aumentou a preocupação com possíveis restrições à construção dessas instalações, à concessão de incentivos fiscais e ao licenciamento de novos projetos.
Ele destaca que mudanças legislativas relevantes costumam demorar e que o presidente americano mantém o poder de veto.
Na avaliação do especialista, os riscos mais imediatos estão nos estados, onde decisões sobre licenciamento, fornecimento de energia e eventuais moratórias podem afetar a construção de data centers.
Camilo avalia que a reação mais intensa do mercado tende a ser pontual, mas que a revisão das expectativas de valorização das empresas ligadas à inteligência artificial pode continuar.
Queda das ações de tecnologia se espalha pelos mercados
💵 A onda de vendas que atingiu as gigantes de tecnologia nos Estados Unidos também chegou aos mercados asiáticos nesta sexta-feira (6).
No Japão, o índice Nikkei caiu 5,96%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 6,02%. Durante o pregão, a queda do índice sul-coreano chegou a 8,55%, levando a bolsa a suspender as negociações por 20 minutos.
Entre as empresas mais afetadas estão algumas das principais fabricantes de chips do mundo, componentes essenciais para o funcionamento da inteligência artificial.
As ações da sul-coreana SK Hynix caíram 10,4%, enquanto as da Samsung Electronics recuaram 6,4%. No Japão, a SoftBank perdeu cerca de 11%. Já a taiwanesa TSMC fechou em baixa de 4,7%.
Nos Estados Unidos, as perdas também atingiram as maiores empresas de tecnologia. As sete gigantes conhecidas como Magnificent Seven fecharam em queda, com recuos que chegaram a 10,8% no caso da Tesla. A Nvidia caiu 9,3%, enquanto a AMD perdeu 17,3%. O índice de semicondutores da Filadélfia recuou 12,2%.
A região asiática concentra algumas das principais fabricantes de chips do mundo. Por isso, uma possível desaceleração dos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial pode afetar diretamente essas companhias.
Desempenho das empresas de tecnologia na Bolsa de NY, em 5 de novembro de 2026.
g1
Donald Trump fala com jornalistas na Casa Branca antes de embarcar par Nebraska
Eric Lee/Reuters

Lula faz primeiros acenos concretos na direção de ajuste fiscal e alinha discurso com propostas de Durigan

Após relutar em seguir o tempo do mercado, o presidente Lula fez os primeiros acenos concretos na direção de adotar um ajuste fiscal, comprometendo-se com responsabilidade fiscal e “economia arrumada” para atrair investimentos.
Ao mesmo tempo, afastou a possibilidade de adotar “fórmulas mágicas” e alinhou o discurso interno com as propostas do ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Lula vai analisar medidas assim que voltar de sua viagem internacional à Turquia e Filipinas. Ele embarca na segunda-feira (9) e retorna na outra semana.
Até lá, os ministros Dario Durigan e Bruno Moretti (Planejamento) vão fechar as propostas que garantam o cumprimento do centro das metas fiscais, sem exceções, preservando os programas sociais e as promessas do presidente Lula.
Lula recebe ministros e economistas simpáticos ao PT para discutir contas públicas
Segundo participantes do encontro do presidente Lula com seus ministros, ex-ministros e economistas ligados ao PT desta quinta-feira (5), a “reunião foi produtiva”, dissipou “dúvidas” que poderiam existir na cabeça de Lula e de seu vice, Geraldo Alckmin.
E também alinhou o discurso interno com as propostas que estão sendo defendidas pelo ministro Dario Durigan de perseguir o centro da meta da inflação, sem nenhum tipo de exceção, como pagamento de precatórios.
Durante a reunião no Palácio da Alvorada, a proposta do economista André Lara Resende, de fazer um plano para tabelar a taxa de juros e as metas fiscais, foi mencionada, mas descartada por ser considerada de alto risco num ano em que o país enfrentará desafios, como um crescimento menor e inflação pressionada pelo El Niño, combustíveis e entrada em vigor da nova escala de trabalho 5×2.
“A reunião foi produtiva, desanuviou as ideias do presidente e do vice sobre propostas mágicas e alinhou o discurso interno”, disse um participante do encontro, acrescentando que o presidente deu sinal verde para que os ministro Dario Durigan e Bruno Moretti fechem as medidas para garantir superávit primário, sem exceções, mantendo todos os programas sociais.
Ao final do dia, depois de o presidente Lula também falar sobre responsabilidade fiscal em evento no Palácio do Planalto, a avaliação interna no governo é que o saldo da quinta-feira foi positivo, passando a mensagem para os investidores e economistas de que o Lula 4 fará o ajuste fiscal necessário para levar a uma redução da dívida pública.
No Planalto, Lula disse que vai trabalhar para ter uma economia “arrumada”, com responsabilidade fiscal e jurídica, na busca de atrair investimentos.
Segundo integrantes da reunião com o presidente, a fala dele no final do dia foi muito importante porque passou o recado de que ele terá responsabilidade fiscal, de que vai trabalhar para atrair investimentos e arrumar a casa.
Essa será a linha do pronunciamento do presidente no domingo (8) em cadeia aberta de rádio e TV, quando irá prometer pacificar o país, continuar reduzindo a pobreza no país e com responsabilidade fiscal para arrumar a economia brasileira.
A fala será genérica na economia, sem anúncio de medidas, mesmo porque elas ainda não estão fechadas, mas na direção de um ajuste na casa.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante 1ª Reunião do Conselho Nacional para Industrialização de Minerais Críticos e Estratégicos
Cadu Gomes/VPR