'Pix americano'? O que é o Zelle, sistema de pagamentos defendido por Eduardo Bolsonaro para negociação entre Brasil e EUA

Zelle foi criado por bancos nos EUA
Getty Images
Em meio às críticas do governo de Donald Trump ao Pix, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sugeriu na quarta-feira (3) que o Brasil pode “ir para a mesa de negociação” ao mencionar o uso do Zelle, que ele chamou “o Pix americano”.
Ao canal TMC News, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro disse que os “EUA têm mecanismos muito semelhantes ao Pix, como por exemplo o Zelle”.
“Então dá pra você ir para uma mesa de negociação com os americanos com bons argumentos”, seguiu o ex-deputado cassado que vive nos EUA há mais de um ano fazendo articulações políticas que buscam favorecer o campo bolsonarista.
Governo Trump diz que PIX prejudica competição de empresas americanas
A declaração de Eduardo foi dada em meio à pressão americana sobre o Pix, que foi um dos alvos do documento em que governo Trump propõe uma nova taxação de 25% sobre produtos brasileiros.
“O Brasil tem prejudicado injustamente as empresas americanas que atuam em serviços concorrentes de pagamento eletrônico, inclusive por meio de políticas que favorecem seu campeão nacional, o Pix”, afirma o documento da investigação comercial iniciada contra o Brasil em julho do ano passado.
O governo americano acusou o Banco Central brasileiro de exercer papel duplo no Pix — “como regulador e proprietário/operador” do Pix — criando um “conflito de interesses, na ausência de salvaguardas processuais adequadas”.
As críticas americanas seguem citando a exigência do uso do Pix por instituições financeiras com mais de 500 mil contas e a de que o sistema de pagamentos seja exibido na tela principal do aplicativo dos bancos no Brasil.
Em pré-campanha à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vem usando o argumento de que os Estados Unidos e a família Bolsonaro seriam contra o Pix.
Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueredo com Donald Trump
Divulgação
O senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por sua vez, tem citado que o Pix foi lançado em 2020, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL) — apesar de o projeto ter sido iniciado ainda no governo Michel Temer (MDB), em 2018.
As declarações de Eduardo Bolsonaro já repercutiram no campo governista, com o deputados do PT acusando os filhos do ex-presidente de agir contra o Brasil.
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) os chamou de “entreguistas”: “Eduardo Bolsonaro confessa que quer entregar nosso Pix público e gratuito, operado pelo nosso Banco Central, aos americanos. Nós não vamos permitir”.
Já a ex-ministra Gleisi Hoffmann (PT-PR), disse que Eduardo “quer trocar o nosso Pix pelo sistema americano chamado Zelle, como ponto de negociação pra retirar a taxação americana, que eles ajudaram articular”.
Pix foi lançado em 2020 e entrou na mira de uma investigação do governo americano
Getty Images via BBC
O que é o Zelle e como se compara ao Pix
Diferentemente do Pix — um sistema de pagamentos público, criado e operado pelo Banco Central brasileiro —, o Zelle é um sistema privado de pagamentos e transferências, operado por bancos americanos.
O serviço é operado desde 2017 pela Early Warning Services, empresa que é copropriedade de sete dos maiores bancos americanos: Bank of America, Capital One, JPMorgan Chase, PNC Bank, Truist, U.S. Bank e Wells Fargo.
Segundo a empresa, o Zelle está disponível em mais de 2,4 mil aplicativos bancários no país. Ou seja, depende de cada banco a decisão de usar ou não.
Já no Brasil, a participação no Pix é obrigatória para todas as instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central com mais de 500 mil contas ativas.
O serviço americano anunciou que alcançou 151 milhões de usuários cadastrados em 2024, entre consumidores e pequenos negócios, fazendo mais de US$ 1 trilhão (cerca de R$ 5 trilhões) em transferências naquele ano.
O Pix, por sua vez, é usado por mais de 170 milhões de pessoas físicas no Brasil, ou 80% da população do país, movimentando R$ 35,4 trilhões em transferências somente em 2025.
A CBS News, parceira da BBC nos Estados Unidos, classifica o Zelle como uma “resposta da indústria bancária ao crescente sucesso de serviços de pagamento entre pessoas, como PayPal”, uma plataforma global de pagamentos online separada dos bancos.
Uma limitação de serviços como PayPal, Venmo e Cash App é que os usuários precisam usar o mesmo serviço para transferir dinheiro. Já com o Zelle, qualquer pessoa com uma conta bancária em uma instituição financeira participante pode enviar dinheiro.
Assim como o Pix, o serviço americano permite que um cliente bancário envie recursos rapidamente para outra pessoa usando apenas seu endereço de e-mail ou número de telefone. No Brasil, os clientes podem usar ainda o CPF ou uma “chave aleatória” para as transferências.
De acordo com a Early Warning Services, o dinheiro é depositado diretamente na conta bancária “em poucos minutos”. Já o Pix é um serviços instantâneo, que realizar pagamentos em segundos, estando disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive em fins de semana e feriados.
O Bank of America ressalta também em seu site que, “em algumas situações, a instituição financeira do destinatário pode causar um atraso no processamento da transferência” via Zelle.
Ainda segundo a Early Warning Services, “normalmente não há tarifas para consumidores enviarem ou receberem dinheiro por meio do Zelle”, mas essa não é uma regra. É possível que bancos cobrem taxas para transações, por isso é preciso verificar com as instituições financeiras.
No Brasil, o Pix é gratuito para pessoas físicas, microempreendedores individuais (MEIs) e empresários individuais, e cobra taxas baixas de pessoas jurídicas, que variam de 0,89% a 1,45% por transação, dependendo do banco, do volume de recebimentos e do canal utilizado.
Os limites de envio e recebimento de dinheiro pelo Zelle são definidos por cada banco ou cooperativa de crédito participante.
No Pix, os limites para pessoas físicas são definido pelas instituições financeiras, com base no perfil de risco e de comportamento do usuário.
Em um artigo publicado em 2025 em que elogiou o Pix, o economista americano Paul Krugman, vencedor do prêmio Nobel, disse que “o Pix é uma espécie de versão pública do Zelle”.
“Mas o Pix é muito mais fácil de usar. E, embora o Zelle seja grande, o Pix se tornou simplesmente enorme, sendo usado por 93% dos adultos brasileiros. Parece estar rapidamente substituindo dinheiro em espécie e cartões”, escreveu Krugman.
Após a citação do Pix no relatório produzido pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) nesta semana, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) defendeu o meio de pagamento e disse que a conclusão da investigação dos EUA decorre de “informações incompletas” acerca dos objetivos e funcionamento do sistema financeiro.
“O Pix é uma infraestrutura de pagamento, e não um produto comercial, que favorece a competição e o bom funcionamento do sistema de pagamentos e consequentemente da atividade econômica.
Trata-se de um modelo aberto e não discriminatório, com participação de bancos, fintechs, instituições financeiras nacionais e estrangeiras”, afirmou a entidade.
A Febraban pontuou ainda que “não há qualquer restrição à entrada de novos participantes, de qualquer porte ou segmento da indústria financeira, desde que operem no mercado nacional”.
Post do governo federal de julho de 2025: gestão Lula tem procurado usar episódios para tentar melhorar imagem
Governo Federal
Por que PIX incomoda tanto o governo Trump?
A menção ao Pix no relatório publicado pelo USTR nesta semana não foi o primeiro ataque dos EUA ao sistema de pagamentos.
O Pix foi mencionado em outro relatório do USTR de 31 de março em que os EUA listam o que consideram barreiras comerciais de mais de 60 países contra empresas americanas. Na ocasião, o governo brasileiro reagiu e o presidente Lula afirmou que “o Pix é do Brasil”.
No relatório de março do ano passado, no entanto, o sistema de pagamentos não foi mencionado diretamente, ao contrário do que aconteceu no deste ano.
Uma fonte ouvida pela BBC News Brasil que tem proximidade com as negociações entre Brasil e EUA comenta que uma das hipóteses para o endurecimento no tom agora foi o desfecho de uma reunião recente da Organização Mundial do Comércio (OMC) em que o Brasil bloqueou uma proposta dos EUA e outros países para estender a moratória de tarifas aduaneiras sobre transmissões eletrônicas, que inclui serviços digitais como streamings, softwares e jogos.
Há ainda a grande derrota que o tarifaço de Trump sofreu no judiciário americano em fevereiro deste ano, quando a Suprema Corte considerou que o instrumento que vinha sendo usado para embasar as medidas (a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional, ou IEEPA, na sigla em inglês), na verdade não autorizava o governo americano a instituir as tarifas.
Em um artigo de março deste ano, duas analistas do centro de pesquisas americano Brookings Institute pontuaram que, diante desse revés, a Seção 301, usada na investigação contra o Brasil, poderia entrar no cardápio do governo americano como opção para voltar a taxar seus parceiros comerciais.
Do lado do setor financeiro, a jurista Camila Villard Duran chama atenção para a expansão do Pix no Brasil, “que altera diretamente o equilíbrio competitivo para empresas americanas, como Visa e Mastercard”, mas especialmente para o fenômeno mais amplo no qual ele está inserido, de transformação estrutural e reorganização da ordem monetária e financeira internacional.
“O Pix já não é apenas um sistema de pagamentos eficiente. Ele representa um modelo de infraestrutura pública, que reduz a dependência de redes privadas estrangeiras e concentra, no âmbito doméstico, o controle jurisdicional sobre dados e fluxos financeiros”, destaca Duran.
A professora aponta que, no relatório do USTR, os EUA fazem críticas semelhantes às feitas ao Brasil a países como Índia, Tailândia e Paquistão, “onde políticas públicas nacionais promovem sistemas domésticos de pagamento, impõem requisitos de localização de dados ou criam barreiras regulatórias à atuação de empresas estrangeiras”.
“Em todos esses casos, o argumento dos EUA é semelhante: tais medidas seriam discriminatórias e restringiriam o acesso de empresas americanas a mercados nacionais”, completa.
Da economia à política
Diante desse panorama, Duran avalia que a pressão sobre o Pix e sobre sistemas de pagamentos de outros países também está ligada a uma questão ainda mais ampla, de soberania.
O que está em jogo, diz ela, já não é apenas a concorrência entre empresas, “mas o controle sobre infraestruturas consideradas como críticas”.
“Nas minhas pesquisas, tanto sobre a criação do euro digital como sobre os projetos de plataformas alternativas para transações financeiras transfronteiriças, noto que a ideia de ‘soberania monetária’ está se deslocando muito rapidamente da autonomia da política monetária para o controle jurisdicional sobre as infraestruturas de pagamento e dos dados monetários que elas geram”, afirma Duran.
“A moeda, na economia digital, torna-se cada vez mais informação e, nesse contexto, o controle jurisdicional sobre esses dados passa a ser um elemento central do poder monetário estatal.”
Com informações de Vitor Tavares, Thais Carrança, Daniel Gallas e Camilla Veras Motta, da BBC News Brasil em São Paulo e em Londres.

Brasil, França ou Espanha? Seleção de R$ 9 bilhões é a mais valiosa da Copa; veja ranking

Ruas do Rio são enfeitadas para Copa do Mundo
Os jogadores mais valorizados do planeta, distribuídos entre 48 seleções, começam em 11 de junho a disputa da Copa do Mundo de 2026.
A França, dona de um elenco cheio de estrelas, lidera não só o ranking da FIFA — que classifica as seleções de acordo com o desempenho internacional —, mas também a lista das equipes mais valiosas do Mundial.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Juntos, os atletas franceses convocados para a competição somam 1,53 bilhão de euros em valor de mercado — o equivalente a R$ 9 bilhões pela cotação de 28 de maio. Em seguida aparece a Inglaterra, com 1,32 bilhão de euros, ou R$ 7,78 bilhões.
O Brasil ocupa a sexta posição entre as seleções mais valiosas, com 912,2 milhões de euros em valor de mercado (R$ 5,37 bilhões). Além de França e Inglaterra, a seleção brasileira fica atrás de Espanha, Portugal e Alemanha. (veja o ranking completo abaixo)
🔎 Os valores têm como base dados do site Transfermarkt, especializado em estimativas de valor de mercado no futebol. A plataforma calcula os valores dos atletas com base na demanda do mercado e considera fatores como taxas de transferência, idade, desempenho, potencial futuro, salário e tempo de contrato dos jogadores.
Veja os detalhes abaixo:
Ranking de seleções mais valiosas da Copa
Arte/g1
Os dados também mostram quais são os jogadores mais valiosos de cada seleção. Entre os destaques estão o francês Kylian Mbappé, o espanhol Lamine Yamal e o norueguês Erling Haaland. Cada um tem valor de mercado estimado em 200 milhões de euros (R$ 1,17 bilhão).
O brasileiro mais valorizado é o atacante Vini Jr., estimado em 150 milhões de euros (R$ 882,5 milhões).
Juntos, todos os jogadores convocados das dez equipes somam mais de R$ 57 bilhões em valor de mercado.
Veja os jogadores mais caros de cada uma delas:
Kylian Mbappé (França) — R$ 1,17 bilhão
Lamine Yamal (Espanha) — R$ 1,17 bilhão
Erling Haaland (Noruega) — R$ 1,17 bilhão
Vini Jr. (Brasil) — R$ 882,5 milhões
Jude Bellingham (Inglaterra) — R$ 823,7 milhões
João Neves (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Vitinha (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Florian Wirtz (Alemanha) — R$ 647,2 milhões
Ryan Gravenberch (Holanda) — R$ 529,5 milhões
Enzo Fernández (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Julián Álvarez (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Jérémy Doku (Bélgica) — R$ 382,4 milhões
LEIA TAMBÉM:
Convocação vale publi? Como Neymar e outros atletas da seleção podem lucrar após lista da Copa
O troféu da Copa do Mundo da FIFA é exibido no Canadá.
IMAGN IMAGES via Reuters

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O brasileiro mais valorizado é o atacante Vini Jr., estimado em 150 milhões de euros (R$ 882,5 milhões).
Juntos, todos os jogadores convocados das dez equipes somam mais de R$ 57 bilhões em valor de mercado.
Veja os jogadores mais caros de cada uma delas:
Kylian Mbappé (França) — R$ 1,17 bilhão
Lamine Yamal (Espanha) — R$ 1,17 bilhão
Erling Haaland (Noruega) — R$ 1,17 bilhão
Vini Jr. (Brasil) — R$ 882,5 milhões
Jude Bellingham (Inglaterra) — R$ 823,7 milhões
João Neves (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Vitinha (Portugal) — R$ 823,69 milhões
Florian Wirtz (Alemanha) — R$ 647,2 milhões
Ryan Gravenberch (Holanda) — R$ 529,5 milhões
Enzo Fernández (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Julián Álvarez (Argentina) — R$ 529,5 milhões
Jérémy Doku (Bélgica) — R$ 382,4 milhões
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Governo nomeia Otto Lobo para presidir órgão que regula fundos de investimento

O advogado Otto Lobo, indicado para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários
Geraldo Magela/Agência Senado
O governo federal nomeou nesta quarta-feira (3) o advogado Otto Lobo para a presidência da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais no país. Ele ocupará a vaga deixada por João Pedro Barroso do Nascimento, que renunciou ao cargo, e cumprirá mandato até 18 de julho de 2027.
A nomeação de Lobo e a de Igor Muniz para a diretoria da autarquia foram publicadas em edição extra do Diário Oficial da União (DOU).
🔎 A CVM é uma autarquia vinculada ao Ministério da Fazenda e responsável por fiscalizar, normatizar e disciplinar o mercado de valores mobiliários, que incluem ações, debêntures, cotas em fundos de investimento, entre outros , garantindo transparência e segurança para os investidores.
Antes de assumir oficialmente o cargo, Lobo se reuniu nesta semana com o ministro da Fazenda, Dario Durigan. Segundo ele, o encontro teve como objetivo discutir temas relacionados à atuação da autarquia.
Senado aprova indicação de Otto Lobo para presidir a CVM
Banco Master
A CVM vem sendo alvo de questionamentos sobre a condução de processos relacionados ao conglomerado do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.
No início de fevereiro, a própria CVM criou um grupo de trabalho para analisar todas as informações relacionadas ao conglomerado Master e à gestora de fundos Reag, suspeita de envolvimento nas fraudes investigadas pela PF, e para propor “melhorias estruturais em regulação, supervisão, governança processual e cooperação institucional”.
Questionado sobre a possibilidade de dar prioridade aos casos envolvendo o Banco Master, Lobo afirmou que a intenção é acelerar a tramitação de todos os processos em andamento na autarquia.
“Todos esses processos vão ser tratados com muita celeridade. A CVM sempre vai dar respostas para esse e outros processos”, afirmou Lovo, acrescentando que será feito um mutirão para julgar mais processos.
O novo presidente também afirmou que não haverá distinção entre investigados e que os procedimentos seguirão os princípios legais e constitucionais.
“Tudo será conduzido dentro da legalidade e do respeito à ampla defesa”, complementou ele.
Aprovação no Senado
O nome de Otto Lobo foi aprovado pelo Senado em maio, por 31 votos a 3. Na mesma sessão, os senadores também aprovaram a indicação de Igor Muniz para a diretoria da CVM.
A escolha de Lobo para comandar a autarquia foi atribuída nos bastidores a empresários e ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que nega ter atuado como padrinho político da indicação.
A indicação gerou divergências dentro do governo. Integrantes da equipe econômica manifestaram resistência ao nome de Lobo, posição que teria sido compartilhada tanto pelo então ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto pelo atual chefe da pasta, Dario Durigan.
Apesar disso, segundo fontes envolvidas nas negociações, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva reafirmou ao senador Eduardo Braga, relator da indicação, sua preferência pelo nome de Lobo.
No mercado financeiro, a indicação também enfrentou resistência. Críticos apontam decisões consideradas favoráveis ao Banco Master tomadas por Lobo durante o período em que exerceu interinamente a presidência da CVM.

O que a SpaceX espera ao estrear na bolsa de valores — e como ela pode fazer de Elon Musk o primeiro trilionário

A SpaceX contrói e opera os foguetes e a infraestrutura de lançamento que dão suporte à sua subsidiária Starlink
Getty Images
A SpaceX, empresa aeroespacial de Elon Musk, divulgou um preço sugerido por ação antes de sua oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês). Caso saia pelo valor estimado, seria a maior IPO da história.
Em um documento que detalha os planos para a operação, a SpaceX informou que cada ação deve sair por US$ 135 (cerca de R$ 686), elevando o valor de mercado da empresa para cerca de US$ 1,75 trilhão, ou aproximadamente R$ 8,9 trilhões.
Anunciar um preço estimado com tanta antecedência é algo incomum, e o valor representa um aumento expressivo em relação à avaliação de mercado anterior da empresa, de US$ 1,25 trilhão (R$ 6,4 trilhões), feita no início deste ano.
China e SpaceX aceleram corrida espacial
A divulgação não significa que as ações serão vendidas pelo preço proposto, já que isso será decidido pelos compradores. O valor pode subir ou cair.
A SpaceX fabrica foguetes, oferece um serviço de internet via satélite chamado Starlink e também é dona da empresa de inteligência artificial xAI.
Em geral, as empresas só divulgam o preço das ações no dia anterior ao início das negociações na bolsa de valores.
A SpaceX deve começar a ser negociada na bolsa Nasdaq em 12 de junho, o que faz da sua estimativa de preço uma das mais antecipadas, se não a mais antecipada, da história do mercado de ações.
A empresa pretende captar US$ 75 bilhões (R$ 381 bilhões), o que seria um recorde para um IPO. O atual recorde pertence à gigante do petróleo saudita Saudi Aramco, que captou US$ 25,6 bilhões em 2019.
Se as ações da empresa forem vendidas pelo preço estimado de US$ 135 ou acima desse valor, a SpaceX se tornará imediatamente uma das empresas mais valiosas do mundo.
Com isso, Elon Musk, que controla mais de 80% da SpaceX por meio de suas próprias ações na companhia, poderia se tornar trilionário.
Mas esse resultado não é garantido.
Segundo dados da Dealogic, empresa de pesquisa sobre mercados de capitais, em quase metade das companhias que abriram capital nos últimos 30 anos, o valor caiu em relação ao da estreia.
“Não há dúvida de que a avaliação é incrivelmente alta”, disse Samuel Kerr, diretor de pesquisa de mercados de capitais da Mergermarket.
Elon Musk deve se tornar a pessoa mais rica do mundo com a estreia da SpaceX na bolsa de valores
REUTERS
Ele observou que a relação entre o preço da SpaceX e suas vendas é maior do que a de qualquer outra grande empresa do grupo que os investidores chamam de “Mag 7” — Alphabet, Amazon, Apple, Meta, Nvidia, Microsoft e Tesla, outra empresa de Musk.
“Mas a SpaceX está sendo avaliada com base em receitas e lucros futuros, e não no presente, e alguns investidores podem estar dispostos a ignorar isso”, acrescentou Kerr.
Em 2025, a Space Exploration Technologies, nome oficial da SpaceX, teve receita de US$ 18,6 bilhões, mas registrou prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões.
Nos três primeiros meses deste ano, as vendas somaram US$ 4,7 bilhões, mas a empresa teve prejuízo líquido de US$ 4,3 bilhões.
Segundo o balanço da empresa, a SpaceX possui US$ 102 bilhões ativos, como foguetes e outros equipamentos, mas também US$ 60,5 bilhões em dívidas.
Além da exploração espacial, a empresa investe pesado em inteligência artificial (IA), redes sociais, serviços de internet via satélite e centros de dados.
No início deste ano, a SpaceX comprou a xAI, outra empresa de Musk, conhecida por seu chatbot Grok.
A xAI começou como parte do X, antigo Twitter, e usava o acesso aos textos e informações em tempo real da plataforma para treinar sua inteligência artificial.
Há anos, Musk defende que desenvolver infraestrutura no espaço é a melhor forma de garantir os recursos necessários para sustentar o funcionamento da IA, já que há escassez de terra disponível no planeta.
Ele já apresentou planos para lançar satélites de IA e, no futuro, construir centros de dados em órbita.
“A SpaceX já foi uma empresa simples. Era uma empresa de lançamentos, depois também provedora de internet por satélite, e agora é uma empresa de redes sociais e um laboratório de IA”, disse Laurence Pevsner, sócio da empresa de capital de risco Lux Capital, à BBC.
“O laboratório de IA é o que realmente está elevando a avaliação, e acho que essa é uma aposta arriscada para os acionistas”, acrescentou.
O movimento da SpaceX ocorre no momento em que outras gigantes da tecnologia buscam captar mais recursos para financiar seus investimentos em IA.
No início desta semana, a empresa de IA Anthropic revelou seus planos para uma oferta pública de ações ainda neste ano, enquanto a Alphabet, dona do Google, anunciou que pretende captar US$ 80 bilhões para investir em IA.
A OpenAI também avalia abrir capital ainda este ano, de acordo com a imprensa.

Pequenos insetos, grandes negócios: mulheres transformam hobby por abelhas em fonte de renda no ES

Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no ES
A técnica de enfermagem Kátia dos Santos poderia ter desistido das abelhas após sofrer um choque anafilático causado por uma picada do inseto. O quadro foi tão grave que ela precisou passar por dois anos de tratamento. Mas abandonar a atividade nunca foi uma opção. “Eu fiz o tratamento para não precisar deixar a apicultura”.
Cinco anos depois de deixar a área da saúde, Kátia trabalha com a criação de abelhas, produz cosméticos feitos com mel, própolis e outros produtos das colmeias, e também percorre diferentes estados capacitando produtores e pessoas interessadas em investir na atividade, como hobby ou fonte de renda.
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“Se eu não fizesse tratamento, seria inviável. Eu tomava o próprio veneno da abelha uma vez por semana em forma de injeção. Fui persistente. Tem que gostar. Porque depois que você entra nessa área, não quer mais sair”, contou Kátia Abelha, como é conhecida em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo.
Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
A história dela é um dos exemplos de como mulheres de diferentes profissões transformaram a criação de abelhas em empreendedorismo e mudança de vida.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel, a advogada Eva Pires Dutra, a fisioterapeuta Giovana Branco e a própria Kátia seguiram caminhos diferentes até chegar ao mesmo destino: encontraram nas abelhas uma nova possibilidade de negócio.
Em comum, todas elas investiram em conhecimento antes de transformar a atividade em fonte de renda.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o 1º contato com abelhas há mais de uma década
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Da programação para a meliponicultura
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o primeiro contato com abelhas há mais de uma década, após se mudar para uma casa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.
O que começou como um interesse pessoal e uma válvula de escape para o dia a dia logo se transformou em uma atividade que hoje ocupa boa parte da sua rotina.
“Sou da área de programação, não tem nada a ver com natureza. Mas fui me envolvendo e me apaixonando por esse mundo das abelhas”, contou.
Mulheres fazem sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
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‘CPF CAPIXABA’: quase 100 baleias-jubarte nasceram no litoral do ES em 2025, mostra pesquisa inédita
Ao longo dos anos, ela buscou cursos de capacitação, porque não bastava apenas gostar da atividade. Ela também participou de treinamentos oferecidos por associações do setor e passou por programas de empreendedorismo.
Atualmente, cursa pós-graduação em Gestão do Agronegócio e sonha em criar uma agroindústria familiar.
Além da produção de mel, Luana investe em sabonetes, velas, bebidas artesanais e outros produtos derivados das abelhas. Também atua como educadora ambiental, levando conhecimento sobre as abelhas nativas sem ferrão para escolas.
Segundo ela, a participação na Associação de Meliponicultores Capixabas foi fundamental para ampliar o conhecimento técnico e enxergar novas oportunidades de negócio.
“As abelhas mudaram completamente a minha vida. Esses bichinhos tão pequenos fizeram coisas grandiosas e mudaram minha rota”, afirmou.
Luana destacou ainda que o mercado tem valorizado cada vez mais produtos artesanais e sustentáveis, o que foi incentivo a mais para empreender na área.
“As pessoas querem saber a origem do que consomem. Quando você une conservação ambiental, produção artesanal e qualidade, o produto ganha valor”, disse.
Advogada Eva Pires Dutra começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
O hobby que pode virar negócio
A advogada Eva Pires Dutra, de 53 anos, representa outra etapa dessa jornada empreendedora. Há cerca de um ano e meio, começou a criar abelhas sem ferrão em uma propriedade em Domingos Martins, na Região Serrana do estado.
A produção ainda é pequena e voltada ao consumo próprio, mas os planos já incluem a comercialização de mel e própolis. “Hoje, ainda é mais um hobby, mas o objetivo é ter uma produção comercial de mel e própolis”, afirmou ela, já pensando lá na frente.
Para se preparar, Eva buscou capacitações e passou a participar de grupos de criadores. Segundo a advogada, a troca de experiências com outros produtores tem sido tão importante quanto os cursos.
“Aprendo muito com outros criadores. A troca de experiências é muito importante e nos faz crescer de forma consistente na atividade”, disse.
Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Ela explicou que a principal dificuldade está no tempo necessário para consolidar a produção. “A produção de abelha sem ferrão é pequena. É preciso formar várias colônias para alcançar uma quantidade que permita comercialização.”
Mesmo assim, acredita que a atividade tem potencial econômico e ambiental.
“A meliponicultura é promissora não apenas pela venda de mel, própolis e outros produtos, mas também pelos serviços de polinização. Onde têm abelhas, a produção aumenta”, destacou.
Fisioterapeuta Giovana Branco superou o esgotamento profissional criando uma empresa de apicultura
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Uma nova carreira após o esgotamento profissional
A fisioterapeuta Giovana Branco chegou à apicultura em um momento de mudança de vida. Após enfrentar um quadro de esgotamento profissional, ela começou a buscar alternativas ligadas à saúde, ao bem-estar e ao uso de produtos naturais.
“Eu comecei a buscar algo mais natural para orientar meus pacientes. Foi assim que conheci o própolis verde e me interessei pelas abelhas”, contou.
O interesse inicial se transformou em negócio. Para estruturar a atividade, Giovana buscou mentorias, cursos técnicos e programas de capacitação voltados ao empreendedorismo.
Ela criou a empresa, montou uma estrutura de produção e conquistou certificações para comercializar os produtos.
O resultado veio rapidamente. Em um concurso realizado durante o Congresso Brasileiro de Apicultores e Meliponicultores, em Florianópolis, o mel produzido pela empresa conquistou o terceiro lugar nacional.
“Foi um orgulho enorme. A gente concorreu com produtores do Brasil inteiro. Isso mostrou que é possível crescer quando existe dedicação e capacitação”, afirmou.
Para Giovana, a busca por conhecimento é permanente. Ela acredita que a atividade pode representar uma oportunidade para outras mulheres que desejam empreender.
“A apicultura e a meliponicultura são atividades sustentáveis e lucrativas. O mel é só o começo. Existem muitas possibilidades de trabalhar com os produtos das abelhas”, afirmou.
Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo
Arquivo pessoal
De aluna a instrutora
Se para algumas dessas mulheres a criação de abelhas começou como hobby ou complemento de renda, para Kátia a atividade acabou se transformando em uma nova profissão em São Domingos do Norte, onde mora.
Depois de deixar a enfermagem, ela passou a estudar os diferentes usos dos produtos das colmeias e se especializou na produção artesanal de cosméticos.
Hoje, ela ensina outras mulheres a produzir sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
“A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar. A gente mostra que é possível criar novas fontes de renda a partir dos produtos das abelhas”, explicou a empreendedora.
Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Ao lado do marido, Juliano Cordeiro, conhecido como “Juliano Abelha”, ela transformou a atividade em um negócio familiar.
Há cinco anos, ele também deixou a carreira no serviço público para se dedicar integralmente à apicultura. O casal investiu em cursos, treinamentos e especializações até se tornar referência na área.
Hoje, os dois ministram capacitações em diferentes estados brasileiros para produtores, associações, cooperativas e instituições ligadas ao setor, inclusive com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A atuação foi além da produção de mel. Eles criaram um espaço voltado à formação de produtores e ao desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à apicultura e à meliponicultura.
A rotina da família passou a girar em torno das abelhas. Os filhos Davi, de 17 anos, e Aaron, de 7, também acompanham parte das atividades e cresceram vendo os pais transformarem uma paixão em profissão.
Rotina da ‘Família Abelha’ passou a girar em torno das abelhas no Espírito Santo
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Abelhas movimentam outras cadeias produtivas
O impacto das abelhas vai além dos produtos vendidos pelas empreendedoras. A atividade também contribui para a agricultura e ajuda a gerar renda dentro das propriedades rurais.
Segundo José Roberto Gonçalves, gerente corporativo de Agropecuária da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), as abelhas desempenham papel fundamental na cafeicultura, especialmente nas lavouras de café conilon.
“As abelhas possuem uma contribuição importante nesse processo, favorecendo maior produtividade e uniformidade na maturação dos frutos das lavouras de café conilon”, explicou Gonçalves.
Além de ajudar na produção agrícola, a atividade pode representar uma nova fonte de receita para os agricultores.
“Os produtores que possuem apiários em suas propriedades, além de potencializarem a produção de café conilon, contam com uma segunda atividade econômica, gerando mais renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida”, afirmou.
O interesse crescente pela atividade tem levado mais cafeicultores a buscar qualificação. Na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, a cooperativa mantém um apiário utilizado em ações de capacitação e, nos últimos dias, promoveu cursos voltados a cooperados que conciliam a produção de café com a criação de abelhas.

Alguns desses cursos foram ministrados pelo casal ‘Abelha’. Para Gonçalves, a capacitação é essencial para quem deseja crescer na atividade.
“A participação em capacitações possibilita o acesso às informações que contribuem para uma condução mais assertiva da criação de abelhas, tanto para apicultores experientes quanto para produtores que estão iniciando na atividade”, disse.
Kátia e Juliano Abelha criam e dão aulas sobre abelhas no Espírito Santo
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Capacitação transforma interesse em negócio
O papel do conhecimento também é destacado pelo Sebrae. Segundo o analista Daywidson Stabenow, a capacitação é um dos fatores que permitem transformar uma atividade complementar em um negócio estruturado.
“A capacitação ajuda a transformar um conhecimento técnico ou uma habilidade prática em uma atividade economicamente viável. O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma mais estratégica e identifica oportunidades que antes não via”, explicou.
Para ele, as histórias das produtoras refletem uma tendência crescente do empreendedorismo feminino.
“Essas histórias mostram a força da mulher, a determinação e a capacidade de adaptação. Cada vez mais as mulheres têm buscado autonomia financeira, geração de renda e realização dos seus projetos pessoais”, afirmou.
O analista também destaca que a cadeia produtiva das abelhas oferece oportunidades para pequenos empreendedores.
“Além da comercialização do mel, existem diversos produtos derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real. Isso amplia as possibilidades de receita e de novos negócios”, destacou.
Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Conhecimento como ponto de partida
Embora tenham histórias diferentes, as quatro mulheres compartilham um mesmo aprendizado: empreender exige preparo.
Foi por meio de cursos, treinamentos, mentorias, associações e programas de capacitação que elas encontraram caminhos para transformar interesse em oportunidade de negócio.
Mais do que produzir mel, própolis, cosméticos ou outros derivados das colmeias, elas passaram a enxergar possibilidades de geração de renda, valorização ambiental e independência financeira.
Agora, enquanto ampliam a produção e planejam novos passos, elas ajudam a mostrar que o empreendedorismo pode nascer nos lugares mais inesperados, até mesmo a partir de insetos que pesam poucos gramas, mas movimentam uma cadeia produtiva capaz de transformar vidas.
Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
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SpaceX define preço de US$ 135 por ação para estreia na bolsa americana

Nave Starship, da SpaceX, durante seu 12º voo
Reuters/Steve Nesius
A SpaceX anunciou publicamente, nesta quarta-feira (3), o preço de US$ 135 por ação para sua oferta pública inicial (IPO) na bolsa de Nova York, rompendo com o modelo tradicional de definição de preços de Wall Street e destacando a intenção de Elon Musk de captar valores recordes do seu próprio modo.
🔎 Um IPO (Initial Public Offering) é a primeira oferta pública de ações de uma empresa. A operação marca a entrada da companhia na bolsa e permite que investidores passem a negociar seus papéis no mercado.
A decisão da empresa de divulgar o preço uma semana antes da oferta, algo raro entre grandes IPOs nos Estados Unidos, reforça a imagem de Musk no mercado financeiro como um empreendedor ousado e bem-sucedido.
A empresa pretende captar US$ 75 bilhões, o maior valor já obtido em um IPO, o que a avaliaria em US$ 1,75 trilhão e a colocaria imediatamente entre as dez empresas mais valiosas dos Estados Unidos.
A empresa começará na quinta-feira da próxima semana (10) a apresentação a investidores, com a definição final do preço prevista para 11 de junho; a negociação das ações na Nasdaq deve começar no dia seguinte.
Agora no g1
Musk também vem mudando práticas comuns em IPOs da SpaceX de várias maneiras, como ao propor maior participação de investidores individuais na distribuição das ações, defender uma inclusão mais rápida em índices e organizar a governança para manter forte controle do fundador.
“Nada neste IPO é normal em qualquer aspecto, mas, por outro lado, este é o maior IPO da história, então talvez isso não seja surpreendente”, disse um investidor que planeja comprar ações na oferta.
Levando à estrada
O roadshow é a etapa em que empresas e bancos consultam investidores para definir uma faixa de preço para a venda de ações. Esse processo valoriza tanto o relacionamento dos bancos com potenciais investidores quanto sua leitura do mercado para a oferta.
Após uma série de reuniões preliminares com investidores antes do roadshow, a SpaceX indicou buscar uma avaliação de cerca de US$ 1,75 trilhão, enquanto parte do mercado apontava para US$ 1,5 trilhão ou menos.
Os planos da empresa, incluindo o valor a ser captado, podem mudar à medida que uma nova rodada de conversas com investidores se inicia, segundo fontes ouvidas pela Reuters.
Em Wall Street, houve uma corrida para garantir participação na operação, impulsionada pela reputação de Musk e pelo potencial de geração de milhões de dólares em taxas. Um investidor afirmou que há a percepção de que grandes instituições estão “se posicionando antecipadamente” ao dizer que investiram cedo — o que reflete e reforça o poder de influência de Musk sobre o mercado.
Outros aspectos da oferta da SpaceX também chamam atenção. Grandes bancos internacionais, como Mizuho, Deutsche Bank, UBS e Barclays, foram incentivados a focar na atração de investidores pessoas físicas de alta renda em seus países.
No passado, esse público recebia menos atenção, já que os bancos priorizavam o retorno de grandes gestoras de ativos, como a Fidelity Investments, e de fundos hedge, como a Citadel.

Planalto conta com encontro entre Lula e Trump durante o G7, na França

Planalto aposta em encontro entre Lula e Trump no G7
Integrantes do Palácio do Planalto contam com um encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump durante a reunião da cúpula do G7, na França.
Lula confirmou nesta quarta-feira (3) sua ida à cúpula. O encontro de líderes vai acontecer entre os dias 15 e 17 de junho em Evian, na França.
Segundo afirmaram fontes do Planalto ao blog, não há agenda entre os presidentes marcada, mas como o grupo de líderes presentes é menor, um encontro será “inevitável”. Lula tentará falar de tarifas e reforçar parcerias com o presidente dos EUA.
🔎 O G7 é formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Alemanha, Itália e Japão. Lula foi convidado a participar do encontro este ano pelo anfitrião — o presidente da França, Emmanuel Macron.
O Brasil não faz parte do grupo, no entanto, desde que retornou ao Palácio do Planalto, em 2023, Lula tem sido chamado a participar das reuniões.
Uma investigação do escritório norte-americano concluiu, na terça-feira (2), que 60 países, entre eles o Brasil, falharam em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Como resposta, o governo americano propôs a aplicação de tarifas adicionais de 12,5% sobre todos os produtos desses países.
Essa sobretaxa, segundo o Ministério das Relações Exteriores, deve se somar à taxa proposta em outro relatório dos EUA, divulgado na segunda-feira (1º), que acusa o governo brasileiro de adotar práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
➡️ O primeiro texto previa a aplicação de tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras. O segundo, um adicional de 12,5%. Portanto, a sobretaxa passaria para 37,5%, próximos aos 40% impostos no ano passado — caso entre em vigor.
Trump e Lula durante encontro na Casa Branca, em 7 de maio de 2026
Presidência da República
O presidente afirmou nesta quarta que não foi comunicado oficialmente pelo governo dos Estados Unidos sobre as propostas de novas tarifas comerciais a produtos brasileiros, e que pretende enviar uma nova carta a Donald Trump.
Ele disse que foi surpreendido pelo anúncio e que o país “não pode aceitar” o tratamento que os Estados Unidos deram ao Brasil.
Lula deu a declaração durante reunião ministerial no Palácio do Planalto. Durante a fala inicial, o petista reforçou discursos anteriores, em que criticou o Secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, e o chamou de “latinoamericano frustrado”.