Podcast STJ No Seu Dia discute jurisprudência sobre provas digitais no processo penal
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Muitos exilados cubanos nos EUA
Carl Juste/Miami Herald/ZUMA/picture alliance
A poucos dias do fim do prazo dado pelos Estados Unidos para que empresas estrangeiras rompam seus vínculos com o conglomerado econômico-militar Gaesa, alvo de sanções de Washington, várias companhias já encerraram ou reduziram substancialmente suas atividades em Cuba.
Em 1º de maio, o presidente americano, Donald Trump, assinou uma ordem executiva que endurece as sanções contra Cuba, reiterando que a ilha comunista, situada a 150 km da costa da Flórida, representa “uma ameaça extraordinária” à segurança nacional dos Estados Unidos.
A administração Trump, que impõe desde janeiro um bloqueio petrolífero à ilha, também voltou sua atenção para o Grupo de Administração Empresarial S.A. (Gaesa), vinculado às Forças Armadas cubanas e uma das primeiras entidades sancionadas sob a nova ordem executiva.
Em consequência, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) do Departamento do Tesouro estabeleceu a próxima sexta-feira (5) como prazo final para que empresas estrangeiras com negócios ligados ao Gaesa reajustem suas operações ou enfrentem sanções dos Estados Unidos.
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Essas medidas podem implicar dificuldades de acesso ao sistema financeiro internacional e à realização de transações, proibição de que bancos trabalhem com essas empresas ou congelamento de ativos.
Nesse contexto, várias redes hoteleiras já anunciaram sua retirada ou a redução de suas operações na ilha.
Contexto geopolítico
A rede espanhola Meliá anunciou nesta quarta-feira (3) que encerrará suas operações em 15 hotéis administrados em Cuba em parceria com o Gaesa, embora não tenha mencionado os outros 19 estabelecimentos que opera com o Ministério do Turismo cubano.
“Diante dos acontecimentos e circunstâncias que vêm ocorrendo no contexto geopolítico, social, jurídico e econômico da República de Cuba”, a Meliá informa que “adotou a decisão de concluir imediatamente a prestação dos serviços de gestão e comercialização” desses hotéis na ilha, afirmou a empresa em comunicado.
A Meliá se junta à rede espanhola Iberostar e à canadense Blue Diamond, que anunciaram nos últimos dias o encerramento parcial ou total de suas operações turísticas em Cuba.
A Iberostar deixou de administrar 12 hotéis operados em Cuba em associação com o Gaesa, embora continue trabalhando com outras seis unidades pertencentes ao Ministério do Turismo, informaram à AFP várias fontes próximas ao assunto.
Iberostar e Meliá foram as primeiras redes hoteleiras espanholas a chegar a Cuba, depois que a ilha se abriu ao turismo internacional para tentar superar a crise provocada pela queda do bloco soviético em 1991.
Na segunda-feira, a rede canadense Blue Diamond informou à AFP que encerrava suas operações em Cuba devido à situação atual do setor, em um momento em que a ilha enfrenta crescente pressão dos Estados Unidos.
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O grupo asiático Archipelago International também estuda limitar sua presença ou abandonar a ilha, segundo fontes próximas ao setor ouvidas pela AFP.
Ativa no setor de mineração, também na mira de Washington, a canadense Sherritt tornou-se, em 7 de maio, a primeira empresa estrangeira a anunciar sua saída de Cuba, onde extraía níquel e cobalto desde a década de 1990 por meio da empresa mista General Nickel Company S.A.
“O impacto para a economia cubana da saída de todas essas companhias internacionais no curto prazo é devastador”, declarou à AFP o economista e consultor cubano Daniel Torralbas. Isso “transforma 2026 no pior ano da história econômica de Cuba nos últimos 70 anos”, acrescentou.
O secretário de Estado americano, Marco Rubio, firme opositor do governo de Havana, acusou há duas semanas os líderes cubanos de roubo e corrupção por meio do Gaesa.
Rubio lembrou que o ex-presidente Raúl Castro, atualmente denunciado pela Justiça americana, foi o fundador do Gaesa, que, segundo o Departamento de Estado dos EUA, possui ativos avaliados em 18 bilhões de dólares (R$ 90,3 bilhões) e controla até 70% da economia cubana.
Na terça-feira, o governo cubano defendeu o papel do conglomerado, criado na década de 1990 para contornar o embargo americano em vigor desde 1962 e gerar divisas para impulsionar a economia do país.
O que explica o desperdício de alimentos no Brasil, enquanto milhões passam fome
Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), o mundo desperdiça cerca de 1 bilhão de toneladas de alimentos ao ano. Em cada etapa da cadeia, há fatores que ajudam a explicar o problema.
No campo, o desperdício pode ocorrer por falta de planejamento e de técnica. No varejo, por excesso de oferta. Já nas casas, por hábitos culturais.
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➡️ Esta reportagem faz parte do sexto episódio da série “PF: Prato do Futuro”, onde o g1 mostra soluções para desafios da produção de alimentos no Brasil.
Ao mesmo tempo, quase 7 milhões de pessoas passam fome no Brasil, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, quanto mais comida é desperdiçada, mais difícil pode ser o acesso aos alimentos.
“Existe dentro do varejo um cálculo de perda já especificado no valor dos produtos. Então a gente paga por essa perda”, explica Daniela Teston, diretora de relações corporativas do WWF-Brasil.
A especialista acredita que a redução do desperdício poderia tornar mais baratos os itens básicos de alimentação, o que favoreceria a população em situação de vulnerabilidade.
“Apesar de ter saído da linha da pobreza, a gente ainda tem muita gente que não tem acesso à nutrição adequada todos os dias”, afirma.
Também segundo o IBGE, 18,9 milhões de famílias ainda enfrentam algum grau de insegurança alimentar no país.
Não bastasse a questão social, o desperdício também causa prejuízos ao meio ambiente. Ao se decompor, o alimento gera gases de efeito estufa, como o metano. Também produz chorume, que contamina o lençol freático.
E não se pode ignorar a consequência mais óbvia: a perda financeira. Dados de 2020 do Banco Mundial mostram que US$ 1 trilhão em alimentos é desperdiçado anualmente.
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Perdas no campo
Não existem dados oficiais que mostrem o quanto é perdido nas lavouras, mas este é um problema real, aponta Gustavo Porpino, pesquisador da Embrapa Alimentos e Territórios. Ele também colabora com iniciativas da ONU.
Segundo o pesquisador, existem vários fatores que causam essas perdas.
➡️ Falta de acesso dos agricultores a mercados: o Brasil tem cultivos de alimentos extremamente perecíveis, como alface, morango e banana. “No dia que o alimento está pronto para ser colhido, o produtor já tem que saber para onde ele vai comercializar, se não vai se perder muito rapidamente”, explica.
➡️ Mudanças climáticas: causam altas temperaturas, seca e excesso de chuva em períodos que são altamente prejudiciais para os cultivos.
➡️ Pragas e doenças: podem dizimar lavouras quando não são combatidas com o manejo adequado.
➡️ Falta de tecnologia: as inovações podem ajudar a conservar os alimentos por mais tempo, tornar a colheita mais eficiente e diminuir as perdas no campo.
➡️ Padrão estético: o mercado consumidor exige que os alimentos tenham determinados tamanhos e não apresentem manchas. Desse modo, quando o produto nasce fora desse padrão, o produtor dificilmente consegue vender para os mercados.
➡️ Picos de produção: quando a safra é muito boa, o alimento pode acabar sobrando na lavoura. Isso porque o produtor pode não ter conseguido clientes para toda a oferta ou porque o preço ficou muito baixo e não compensa os custos da colheita.
➡️ Logística: pode causar perdas quando feita de forma ineficiente, como no transporte de hortaliças fora de caminhões refrigerados. Além disso, as caixas e embalagens em que os produtos são transportados precisam ser adequadas. Por exemplo, caixas de madeira podem causar danos às frutas; o ideal são as plásticas.
A maioria desses problemas pode ser resolvida com investimentos e técnicas de produção.
O g1 foi até Santa Maria da Serra e Engenheiro Coelho, no interior de São Paulo, para ver como funciona uma citricultura com desperdício zero. (veja no vídeo abaixo)
Da lavoura ao suco: como diminuir perdas no campo
Sobra nas prateleiras
O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estima que o varejo e os restaurantes são responsáveis pelo desperdício de 427 milhões de toneladas de alimentos.
Porpino, pesquisador da Embrapa, explica que isso pode acontecer nos supermercados por causa da exigência estética dos consumidores, mas também da prática de venda consignada com os agricultores.
🔎 No esquema de consignação, o varejista compra as frutas, mas só remunera o agricultor se esses itens forem vendidos.
“O varejista recebeu 500 caixinhas de morango, vendeu 300. Ele vai remunerar o produtor pelas 300. As outras 200 se estragaram na loja. Isso não vai significar prejuízo para o varejista, mas para o produtor”, explica.
Assim, o mercado pode acabar comprando grandes volumes sem considerar o que será desperdiçado.
Por isso, existem iniciativas voltadas à doação de alimentos que sobraram nos pontos de venda para instituições que os redistribuem a quem precisa. Essas instituições fazem uma triagem e coletam o que estiver em boas condições.
O g1 foi até Campinas (SP) e São Paulo para ver como funcionam duas dessas instituições: o Instituto de Solidariedade para Programas de Alimentação (ISA) e o Sesc Mesa Brasil. (veja no vídeo abaixo)
Como combater o desperdício de alimentos pode ajudar a reduzir fome
O que te faz jogar comida fora
A maior parte do desperdício ocorre dentro de casa. Em 2022, foram 631 milhões de toneladas, segundo o Pnuma.
A culpa não é exclusiva do consumidor. Isso porque, após passar pela colheita e pelo transporte, o alimento pode chegar às prateleiras sem estar em suas melhores condições e estragar rapidamente em casa.
“O consumidor de classe média mais baixa não vai comprar frutas e hortaliças nos supermercados mais caros, que vendem frutas e verduras de melhor qualidade. Ele vai comprar em um local mais barato”, explica Porpino.
“Essas frutas e verduras, às vezes, já têm um tempo de vida muito curto, porque foram transportadas por longas distâncias ou porque são de segunda linha”, completa.
Contudo, também existem fatores culturais que provocam o descarte de alimentos. Maria Siqueira, cofundadora e diretora-executiva do Pacto Contra a Fome, aponta dois:
➡️ o brasileiro gosta de fartura: isso significa que nem sempre há um planejamento das compras baseado no que realmente é consumido pela família, mas na expectativa do volume que deve ser servido. Dessa forma, sobra comida.
➡️ o hábito do estoque: devido ao histórico de inflação elevada e oscilação de preços no Brasil, muitas pessoas mantêm estoques em casa como forma de prevenção.
“No fim das contas, você não precisava daquela comida. Ela foi uma comida de estoque e foi esquecida no fundo da geladeira, porque a demanda real não existia”, afirma.
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Créditos deste episódio da série ‘PF: prato do futuro’
Coordenação editorial: Raphael Martins
Edição e finalização de vídeos: Cadu Lando
Narração: Vivian Souza
Reportagem: Vivian Souza
Produção: Vivian Souza
Roteiro: Vivian Souza
Coordenação de vídeo: Tatiana Caldas e Mariana Mendicelli
Coordenação de arte: Julio Dubiella
Ilustração e infografia: Bruna Azevedo
Fotografia: Cadu Lando e Kaique Mattos
Motion Design: Thalita Ferraz
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Mais de 30 mil bacharéis em Direito vão fazer a 5ª edição do ENAM
Mais de 31 mil bacharéis em Direito devem participar, neste domingo (7), da 5ª edição do Exame Nacional da Magistratura (Enam), realizado em todas as capitais brasileiras. O exame é uma etapa obrigatória para quem deseja concorrer a cargos de juiz no país.
Segundo a organização, 31.538 candidatos tiveram a inscrição confirmada nesta edição. São Paulo lidera o número de participantes, com 5.787 inscritos, seguido por Rio de Janeiro, Minas Gerais e Distrito Federal.
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A prova será aplicada no período da tarde, das 13h às 18h (horário de Brasília). Os portões serão fechados às 12h30, e a recomendação é que os candidatos cheguem com pelo menos uma hora e meia de antecedência.
⏰ A organização também reforça que não haverá tolerância para atrasos, e que o acesso ao local de prova será permitido apenas com documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul.
Criado pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Exame Nacional da Magistratura é uma etapa obrigatória para quem deseja participar de concursos para juiz em tribunais estaduais, federais, trabalhistas e militares.
📎 Na prática, o Enam não oferece vagas diretamente. Ele funciona como uma etapa de habilitação: apenas os aprovados podem se inscrever nos concursos da magistratura.
O certificado tem validade de dois anos e pode ser prorrogado uma única vez por igual período.
A proposta do exame é estabelecer um padrão nacional de seleção e reduzir as diferenças entre os concursos realizados pelos tribunais em cada estado.
Inscritos para o Exame Nacional da Magistratura (ENAM) se encaminham para local de prova, no DF
TV Globo/Reprodução
Estrutura da prova e regras
A prova será composta por 80 questões objetivas de múltipla escolha, que abordam os seguintes conteúdos:
Direito Constitucional;
Direito Administrativo;
Direito Civil;
Direito Penal;
Empresarial;
Processual Civil;
Direitos Humanos;
Formação Humanística.
Para ser habilitado, o candidato da ampla concorrência precisa atingir pelo menos 70% de acertos. Já os participantes de ações afirmativas têm exigência mínima de 50%.
Ainda conforme as regras do edital, é obrigatório apresentar documento oficial com foto e caneta esferográfica de tinta preta ou azul para realizar a prova.
A organização recomenda ainda que os participantes verifiquem previamente o local de prova, que já está disponível para consulta no site da Fundação Getulio Vargas (FGV), banca organizadora.
Os locais de prova estão distribuídos em todas as capitais brasileiras e podem ser consultados pelos candidatos nos canais oficiais da organização do exame.
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‘Exame valoriza o raciocínio’
Em entrevista ao g1, o diretor-geral da Escola Nacional de Formação e Aperfeiçoamento de Magistrados (Enfam) e ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Benedito Gonçalves, afirmou que o Enam foi criado para mudar o foco dos concursos para juiz.
“Nós temos que fugir daquele candidato que vira uma máquina de fazer prova (…) Não se trata de decorar artigos de lei ou da Constituição. O exame valoriza o raciocínio, a resolução de problemas e a capacidade de lidar com situações concretas”, disse.
Para o ministro, o exame também contribui para alterar o perfil dos futuros magistrados.
“O concurso de juiz não é democrático, não é acessível (…) a dificuldade objetiva acaba criando uma barreira para muitas pessoas (…) o Enam veio olhar para uma outra camada da sociedade”.
Segundo dados da Enfam, nesta quinta edição, as mulheres são maioria entre os inscritos, representando 55,14% do total, enquanto homens somam 44,83%. O levantamento também aponta a participação de 5.187 pessoas negras, 1.709 pessoas com deficiência, além de indígenas e quilombolas.
Os dados, segundo o ministro, apontam um sutil avanço.
Após quatro edições da prova, a Enfam afirma que o Enam já reúne cerca de 17 mil candidatos habilitados em todo o país.
Na avaliação do ministro, o exame já começa a impactar a formação dos candidatos que participam dos concursos da magistratura.
“Eu considero um sucesso, especialmente pela qualidade dos candidatos que chegam aos concursos e aos cursos de formação”, disse.
O banco de habilitados passou a ser utilizado como etapa prévia obrigatória para concursos da magistratura em diferentes ramos do Judiciário, o que, segundo a Enfam, contribui para maior uniformidade no perfil dos candidatos em nível nacional.
Questionado sobre o esquema de segurança do exame, o ministro afirmou ainda que o processo segue padrões rígidos de segurança e sigilo. Segundo ele, nas edições anteriores não houve registro de ocorrências relevantes.
“Em segurança, predomina o sigilo. Mas posso afirmar que, nas quatro edições do Enam, não tivemos nenhum caso grave”, completou o ministro.
Bolsa Família; cartão bolsa família
Setas/Divulgação
Brasileiros inscritos no Bolsa Família e que desejarem solicitar o Benefício de Prestação Continuada (BPC) vão poder continuar no programa até que a análise pelo governo federal seja concluída.
O desligamento do Bolsa Família ocorrerá somente no final do processo e se o BPC for concedido. A nova regra começou a valer na terça-feira (2).
A alteração decorre de um acordo entre o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a Advocacia-Geral da União e a Defensoria Pública da União, firmado após a aprovação da lei que mudou o cálculo da renda familiar para a concessão do BPC, passando a incluir na conta valores antes desconsiderados, como os do Bolsa Família.
A mudança cria agora uma espécie de “período de transição” entre os dois benefícios e permite que o pedido do BPC siga para análise mesmo se a renda da família superar o valor permitido em função do Bolsa Família (ver detalhes abaixo).
Critérios de acesso ao BPC
O novo cálculo para a concessão do BPC teve como objetivo, segundo o governo informou à época, evitar o acúmulo de benefícios.
Veja as regras básicas para a concessão do benefício:
ter renda familiar per capita de até ¼ do salário mínimo;
ter idade igual ou superior a 65 anos ou alguma deficiência verificada por meio de avaliação biopsicossocial;
estar inscrito no Cadastro Único, com CPF de todos os integrantes da família e demais informações atualizadas;
possuir registro biométrico na Carteira de Identidade Nacional (CIN) ou, transitoriamente, no Título de Eleitor ou na Base da Polícia Federal; e
morar no Brasil.
Todos os rendimentos passaram, portanto, a ser considerados para o cálculo da renda familiar, com algumas exceções.
São elas:
bolsas de estágio supervisionado;
rendimentos de contrato de aprendizagem;
valores de auxílio financeiro temporário ou indenização por rompimento/colapso de barragem;
BPC recebido por outra pessoa idosa ou com deficiência da família;
benefício previdenciário de até um salário mínimo concedido a pessoa idosa (com mais de 65 anos) ou com deficiência, limitado a um por membro; e
auxílio-inclusão e a respectiva remuneração, quando utilizados apenas para manter o BPC de outro integrante do mesmo grupo familiar.
Como vai funcionar
O formulário de requerimento do BPC passou a incluir uma declaração em que o solicitante informa ser responsável familiar do Bolsa Família e autoriza o desligamento voluntário do programa caso o benefício seja o único motivo para a negativa do pedido.
Na análise, o INSS identifica, entre os pedidos que ultrapassam o limite de renda, aqueles em que existe o recebimento do Bolsa Família. Se o requerente for o responsável familiar e tiver preenchido a declaração, o órgão faz uma segunda avaliação desconsiderando os valores do programa.
Se, nesse novo cálculo, a renda ficar dentro do limite, o pedido segue normalmente para análise dos demais critérios do BPC. Em caso de aprovação, o INSS envia a declaração ao Ministério do Desenvolvimento Social, que interrompe o pagamento do Bolsa Família.
Senado aprova projeto que dificulta aborto legal em crianças vítimas de estupro
Entidades e organizações da sociedade civil que integram o Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda) questionarão, no Supremo Tribunal Federal (STF), a suspensão de uma resolução que orientava o procedimento de aborto legal por crianças vítimas de estupro, direito garantido por lei.
O PDL foi aprovado primeiro na Câmara dos Deputados (veja como cada deputado votou), depois, em menos de dois minutos, no Senado Federal em votação simbólica – modalidade em que não fica registrado quais senadores votaram a favor ou contra.
A ação terá o PSOL como autor e será apresentada à Corte após a promulgação do projeto de decreto legislativo (PDL) pelo Congresso.
🔎 A decisão dos deputados e senadores suspende integralmente os efeitos de Resolução 258 do Conanda. A norma trazia orientações para o atendimento humanizado de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual.
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF), relatora da proposta que derrubou a resolução, diz que o Conanda extrapolou suas competências e tentou legislar no lugar do Congresso. Este argumento deve ser contestado na ação judicial.
“Vamos argumentar que o Conanda não extrapolou o seu limite de capacidade normativa. A decisão do Senado é que interfere na competência do Conanda. O conselho tem autonomia para estabelecer essas garantias”, afirma a presidente do órgão, Delia Martis, à GloboNews.
A ação no STF deve ser endossada apenas por entidades da sociedade civil, embora o governo federal também tenha representantes no Conanda.
A estátua ‘A Justiça’, em frente ao prédio do STF e ao fundo Prédio do Congresso Nacional.
TON MOLINA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Votação relâmpago
Diferentemente de quando passou pela Câmara dos Deputados e motivou discussões acaloradas, em novembro de 2025, a votação no Senado Federal foi aprovada em 1 minuto e 42 segundos, sem falas ou intervenções de parlamentares.
“Vamos argumentar que o Conanda não extrapolou o seu limite de capacidade normativa. A decisão do Senado é que interfere na competência do Conanda. O conselho tem autonomia para estabelecer essas garantias”, afirma a presidente do órgão, Delia Martins, à GloboNews.
O silêncio no plenário é reflexo direto da influência do período eleitoral.
Os ministérios dos Direitos Humanos e das Mulheres estavam em alerta desde que o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), anunciou que pautaria o PDL nesta semana.
Dias antes, já tinham destacado interlocutores para visitar gabinetes do Senado e defender a manutenção da resolução. Mas foram pegos de surpresa com a votação sendo apresentada fora da pauta.
Defensores da resolução afirmam que ela não inova nem cria novas regras, mas organiza o atendimento de crianças vítimas de violência sexual que engravidam.
“Nós não estamos obrigando a fazer o aborto, mas dizendo que a criança tem o direito de não carregar o fruto de uma violência sexual”, diz um integrante do Executivo.
Aliados de Damares Alves, por outro lado, admitem que a votação foi facilitada pelo fato de o governo não ter “colocado o time em campo” e enfrentado o tema. A avaliação entre eles é a de que o Planalto não quis se desgastar com um tema espinhoso na véspera das eleições.
A resolução, que entrou em vigor em janeiro de 2025, destaca que a gestação em crianças e adolescentes é um processo que “representa risco à saúde física, psicológica e mental que pode resultar em impactos sociais no seu pleno desenvolvimento, aumento de adoecimento, incapacidade e mortes”.
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Lula diz que foi pego de ‘surpresa’ com novas propostas de tarifas dos EUA
As recentes medidas do governo dos Estados Unidos de ameaçar o Brasil com novas tarifas e de classificar facções brasileiras de “terroristas” romperam uma “trégua” entre os presidentes Lula e Donald Trump e provocaram uma “tempestade política” pré-eleição, analisou o jornal britânico Financial Times em reportagem publicada nesta quarta-feira (3).
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“Os dois anúncios romperam uma trégua que Lula e Trump pareciam ter estabelecido após a imposição de tarifas no ano passado — uma das maiores alíquotas sob a política comercial de Trump”, diz a reportagem assinada por repórteres em Brasília e Londres.
O “FT” associou as medidas a “um esforço de lobby por parte de um importante candidato presidencial brasileiro”, referindo-se ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que se encontrou com Trump na Casa Branca pouco antes dos anúncios mirando o Brasil.
A tentativa de Flávio, segue o FT, é de “se alinhar com políticos pró-Trump que venceram várias eleições recentes na América Latina”.
Em 28 de maio, os EUA anunciaram que estavam designando o Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho como organizações terroristas estrangeiras, uma medida defendida pela família Bolsonaro há mais de um ano e rejeitada pelo governo Lula, que teme intervenções militares americanas no país.
Já na terça-feira (2) o governo americano anunciou a nova proposta de tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, criticando o Pix e práticas do governo brasileiro “irrazoáveis” que “oneram ou restringem o comércio dos EUA”.
O jornal britânico escreve que “Trump desencadeou uma tempestade política”, levando o presidente Lula a usar as medidas recentes para atacar Flávio Bolsonaro, a quem acusou de trair o país ao incentivar a política americana. O FT também conta que Lula rotulou as novas tarifas como “TariFlávio”.
Em análise atribuída ao consultor político Thomas Traumann, o jornal lembra que a oposição de Lula ao primeiro tarifaço “o tornou mais popular”, assim como o líder canadense Mark Carney, que venceu a eleição fazendo uma campanha de enfrentamento contra os Estados Unidos.
O FT ressalta, no entanto, que Flávio foi “colocado na defensiva pela proposta de tarifas”, citando o vídeo em que o pré-candidato diz que pediu a Trump para não impor novas taxas.
A reportagem também avalia que Trump “não tomou partido abertamente na campanha eleitoral brasileira de outubro”, mas que uma série de sinais “foram amplamente interpretados no Brasil como indícios de apoio a Bolsonaro”.
Na terça, Trump divulgou uma foto sua com Flávio Bolsonaro, classificando-o de “um jovem inteligente que ama seu país”.
Segundo Traumann disse ao jornal, o conjunto de declarações e medidas também mostram que os EUA “querem interferir na eleição brasileira contra a reeleição do presidente Lula”.
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O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva discursa durante uma coletiva de imprensa na Embaixada do Brasil após seu encontro na Casa Branca com o presidente dos EUA, Donald Trump, em Washington, DC, em 7 de maio de 2026.
AFP
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