Trilionário? Fortuna de Elon Musk pode superar riqueza de 46% da população mundial após IPO da SpaceX

SpaceX leva à bolsa de valores uma aposta que vai além dos foguetes
O bilionário Elon Musk será mais rico do que os 46% mais pobres da população mundial — cerca de 3,8 bilhões de pessoas — com a entrada de sua empresa aeroespacial e de inteligência artificial (IA), a SpaceX, no mercado de ações, segundo análise publicada nesta quinta-feira (11) pela ONG humanitária Oxfam.
A fortuna pessoal de Musk, como proprietário da rede social X, deverá ultrapassar 1 trilhão de dólares com a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) da SpaceX, que o tornará o primeiro trilionário do mundo.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Para se ter uma ideia, se Musk gastasse 1 milhão de dólares por dia, levaria 2.740 anos para gastar 1 trilhão de dólares, supondo que esse valor não rendesse nenhum juro.
“Essa concentração extrema de riqueza é sintomática de décadas de políticas pró-bilionários que lhes permitiram ditar as regras econômicas a seu favor”, afirmou a Oxfam em nota.
Nabil Ahmed, diretor sênior de justiça econômica da Oxfam América, disse que a ascensão do magnata ao status de trilionário “é um novo marco para a oligarquia e um dia sombrio para a democracia”.
“Concentração de riqueza incompatível com uma democracia saudável”
“Musk será um trilionário apoiado pelo governo, cuja fortuna foi impulsionada por uma era de políticas públicas regressivas”, enfatizou a Oxfam. O relatório observou que um trilhão de dólares “nas mãos de um só homem” é incompatível com a ideia de “uma economia acessível e uma democracia saudável”, visto que “a desigualdade econômica gera desigualdade política”.
Em seu relatório, a Oxfam destacou que um imposto de 10% sobre a fortuna estimada em um trilhão de dólares de Musk poderia eliminar a pobreza extrema no mundo por um ano, aliviando as vidas de mais de 800 milhões de pessoas. E ele ainda seria um dos dez bilionários mais ricos do mundo mesmo se doasse 100 dólares para cada pessoa no planeta.
Elon Musk e Donald Trump em conversa com jornalistas no Salão Oval em fevereiro
REUTERS/Kevin Lamarque/Foto de arquivo
Laços próximos com o governo Trump
A organização ressalta que grande parte da fortuna de Musk se baseia não apenas no apoio governamental que recebeu no passado, mas também no fato de que, durante seu período no governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ele “supostamente se aproveitou da situação para proteger e aumentar” essa riqueza.
A SpaceX obtém um quinto de sua receita do governo federal dos EUA, diz o relatório, acrescentando que sua IPO “encherá os bolsos” de funcionários da administração republicana, bem como de empresas de capital de risco, indivíduos com conexões políticas e altos executivos da empresa.
A empresa programou para esta sexta-feira a maior IPO da história, superando o recorde estabelecido pela petrolífera saudita Aramco em 2019.
Com essa operação, sua capitalização de mercado poderá chegar a aproximadamente 1,77 trilhão de dólares, o que a deixará entre as dez maiores empresas de capital aberto do mundo, mas ainda atrás de Nvidia, Apple, Alphabet (Google), Microsoft e Amazon.

A Lua pode virar economia? A aposta por trás dos trilhões de dólares da SpaceX

SpaceX leva à bolsa de valores uma aposta que vai além dos foguetes
Mais de meio século depois do primeiro passo humano na Lua, a SpaceX tenta convencer investidores de que o próximo grande salto será econômico.
Embora ainda não existam minas, fábricas ou centros de processamento de dados operando fora da Terra, parte da avaliação de US$ 1,75 trilhão (R$ 8,93 trilhões) atribuída à companhia — que estreia na bolsa nesta sexta-feira (12) —, reflete a expectativa de que atividades desse tipo se tornem economicamente viáveis nas próximas décadas.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Essa visão aparece de forma explícita nos documentos apresentados à Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado de capitais dos Estados Unidos equivalente à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no Brasil.
Neles, a empresa de Elon Musk define o espaço como “a maior fronteira econômica da história humana” e argumenta que a queda dos custos de lançamento está abrindo caminho para uma nova fase de expansão produtiva além da Terra.
🌐 Entre os projetos citados estão sistemas de geração de energia solar na superfície lunar, a extração de gelo para a produção de combustível, o aproveitamento de recursos minerais e a construção de fábricas capazes de produzir satélites e componentes eletrônicos.
🚀 Os planos incluem ainda um sistema de lançamento eletromagnético a partir do satélite natural, numa espécie de “catapulta gigante” projetada para enviar cargas ao espaço sem a necessidade de foguetes.
Por mais futuristas que pareçam — dignas de um filme de ficção científica —, essas iniciativas refletem uma revisão das ambições da empresa e uma reorientação de sua estratégia para os próximos anos.
Isso porque, durante anos, o empresário sul-africano apresentou Marte como o grande objetivo da expansão humana no espaço e o destino final dos planos da SpaceX. Agora, porém, a Lua ganha protagonismo como etapa prioritária da estratégia em seus planos mais imediatos.
“A justificativa de Musk é técnica, [pois] janelas de lançamento da Lua são a cada dez dias, em vez de 26 meses de Marte”, explica Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo o docente, a mudança também garantiu uma espécie de aderência ao “calendário do investidor institucional”, uma vez que a Lua pode permitir testar tecnologias, construir uma base operacional e acumular avanços de forma mais rápida, compatível com os horizontes de retorno esperados pelos investidores.
O foguete que precisa funcionar… para todo o resto acontecer
Há, porém, um elemento que conecta praticamente todas as ambições da SpaceX para a Lua: nenhuma delas existe sem o Starship, foguete desenvolvido pela companhia.
Não à toa, o veículo aparece nos planos da empresa menos como um produto comercial e mais como o que a companhia define como infraestrutura capaz de sustentar uma futura economia espacial.
Segundo a própria SpaceX, o projeto foi concebido para transportar grandes volumes de carga e tripulação de forma recorrente e economicamente viável. Há também a aposta na capacidade de reabastecimento em órbita, considerada uma peça-chave para missões mais longas e para a expansão das atividades além da Terra.
Na avaliação de Franco Granda, analista sênior de pesquisa da PitchBook, o Starship representa uma mudança estrutural na forma como o espaço pode ser explorado economicamente.
Para ele, o foguete inaugura uma nova etapa na trajetória da SpaceX, em que as missões espaciais deixam de funcionar como iniciativas pontuais e passam a se aproximar de uma lógica industrial baseada em escala, frequência e reutilização.
Cápsula da SpaceX chega à Estação Internacional
REUTERS/Nasa
➡️ O principal obstáculo histórico do setor sempre foi o custo de colocar pessoas e equipamentos em órbita. A proposta da empresa de Musk é inverter essa equação: transformando o acesso ao espaço em uma atividade mais previsível e rotineira.
A expectativa da consultoria é que a combinação entre reutilização e maior capacidade de carga reduza drasticamente os custos de lançamento ao longo do tempo. Se isso acontecer, projetos que hoje parecem economicamente inviáveis poderão ganhar escala e viabilizar uma presença mais permanente fora da Terra.
“Não se trata apenas de chegar à Lua. Trata-se de criar a infraestrutura necessária para permanecer lá e operar em escala”, observa Granda.
O que se ganharia produzindo coisas no espaço?
Se a economia lunar ainda soa como um conceito distante, Jan-Erik Asplund, cofundador da Sacra, empresa de pesquisa e inteligência de mercado focada em startups, procura responder à pergunta que costuma separar visão de negócio de ficção científica: onde estaria o retorno financeiro de tudo isso?
Segundo a consultoria, a queda dos custos de acesso ao espaço pode abrir caminho para atividades produtivas que hoje permanecem inviáveis. Parte dessa oportunidade estaria justamente em produzir fora da Terra.
Em alguns casos, o ambiente de vácuo e microgravidade não seria apenas um local alternativo de produção, mas uma vantagem.
➡️ A gravidade terrestre pode gerar impurezas e deformações em materiais sensíveis. Em órbita, esses efeitos tendem a ser reduzidos, permitindo fabricar produtos com características difíceis de reproduzir em solo.
Entre os exemplos citados por Asplund estão medicamentos produzidos em microgravidade, fibras ópticas especiais usadas em telecomunicações e lasers, além de wafers de silício — lâminas que servem de base para a fabricação de semicondutores.
💊 A estimativa da consultoria é que apenas o mercado de medicamentos produzidos nessas condições possa movimentar US$ 10 bilhões (R$ 51 bilhões) até 2030.
🔬 No caso das fibras ópticas do tipo ZBLAN, cuja fabricação é favorecida pela ausência de gravidade, o potencial de mercado nesse período é estimado em US$ 12 bilhões (R$ 61,2 bilhões), enquanto o segmento global de wafers de silício supera US$ 150 bilhões (R$ 765,2 bilhões).
🚀 Já no turismo espacial se espera que a reutilização de veículos como o Starship reduza gradualmente os custos de acesso à órbita, ampliando um mercado que a Sacra projeta em quase US$ 4 bilhões (R$ 20,4 bilhões) até 2032.
“As pessoas costumam imaginar o espaço apenas como um lugar para lançar satélites. Mas a lógica da próxima etapa é usar o ambiente espacial para fabricar produtos que seriam mais difíceis ou mais caros de produzir na Terra”, afirma Asplund.
Outro segmento apontado pelo especialista envolve as futuras estações espaciais privadas. Com a Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) se aproximando do fim de sua vida útil, a expectativa é que parte dos recursos hoje destinados à sua manutenção seja direcionada para plataformas comerciais em órbita.
Segundo a Sacra, essa transição pode abrir caminho para uma nova geração de laboratórios, fábricas e centros de pesquisa operados por empresas privadas.
Para a SpaceX, porém, o potencial do espaço não se limita à manufatura.
Nos documentos apresentados à SEC, a companhia afirma que vê o espaço não apenas como um local para fabricar produtos, mas também como uma futura base para sustentar a expansão da inteligência artificial.
➡️ A empresa argumenta que o crescimento da inteligência artificial exige volumes cada vez maiores de energia e processamento, pressionando a infraestrutura terrestre. Como resposta, planeja desenvolver uma rede de satélites capazes de funcionar como centros de processamento de dados em órbita, alimentados por energia solar.
Segundo a companhia, essa arquitetura reduziria parte dos custos associados aos grandes centros de dados terrestres. Em órbita, o calor dos equipamentos poderia ser dissipado diretamente para o espaço, diminuindo a necessidade de estruturas convencionais de refrigeração.
“O espaço oferece o potencial de acesso a uma fonte de energia praticamente ilimitada e um ambiente operacional capaz de sustentar computação de alta densidade de forma contínua. Isso inclui vantagens estruturais para geração de energia, resfriamento dos equipamentos e operações ininterruptas à medida que a capacidade aumenta”, afirma a empresa em seu prospecto de abertura de capital.
A SpaceX diz que pretende iniciar a implantação dessa estrutura a partir de 2028. Mais uma vez, o Starship aparece como peça central, já que a companhia considera o foguete indispensável para transportar ao espaço os equipamentos necessários para sustentar essa rede.
Nos cálculos de Asplund, o movimento também representa uma tentativa de disputar uma parcela do mercado global de serviços em nuvem, estimado em US$ 200 bilhões (R$ 1,02 trilhão). Ele ressalta que a empresa mantém conversas com o Google para avaliar a possibilidade de hospedar conjuntamente centros de processamento de dados em órbita.
“Caso avance, a parceria serviria como uma validação da demanda corporativa por infraestrutura de computação espacial e poderia ajudar a garantir as primeiras receitas do programa de constelação de satélites voltados à inteligência artificial”, afirma.
Musk na Base Estelar da SpaceX em Brownsville, Texas
REUTERS/Adrees Latif/Foto de arquivo
Quanto vale uma economia que ainda não existe?
Embora Franco Granda projete que a economia espacial global possa alcançar US$ 1,8 trilhão (R$ 9,18 trilhões) até 2035, ele adota uma postura cautelosa quando analisa algumas das iniciativas mais ambiciosas da SpaceX.
Projetos como data centers orbitais e uma futura base industrial na Lua aparecem na análise como possibilidades de longo prazo — não como fontes concretas de receita para os próximos anos, cuja realização ainda depende de uma série de avanços tecnológicos, operacionais e econômicos.
“A ideia não é dizer que esses projetos são impossíveis. A questão é que eles estão muito além de qualquer horizonte de planejamento de curto prazo”, avalia o analista sênior da PitchBook.
🌙 Ele considera propostas como a Moonbase Alpha — um assentamento lunar voltado à produção industrial — conceitualmente plausíveis, mas agressivas em cronograma. A avaliação é que a construção de uma estrutura permanente na Lua seria um projeto medido em décadas, não em anos.
Por isso, Granda atribui receita praticamente zero a iniciativas como bases lunares e computação orbital em seus modelos financeiros atuais.
“A SpaceX será apresentada [aos investidores] tendo a Starlink como motor de geração de caixa, complementada por diversas apostas de valorização futura, como a escala proporcionada pelo Starship, a conectividade direta para dispositivos móveis e a computação orbital”, afirma.
Mas, para a própria SpaceX, a economia lunar também não parece ser o ponto final dessa história.
Nos documentos apresentados à SEC, a própria companhia descreve o satélite natural como uma etapa intermediária rumo a objetivos ainda mais amplos, incluindo o conceito de civilização Kardashev Tipo II (entenda mais abaixo).
Da economia lunar à civilização movida pela energia solar
Arte/g1

IPO da SpaceX: como uma empresa que dá prejuízo de bilhões pode valer US$ 1,75 trilhão?

SpaceX leva à bolsa de valores uma aposta que vai além dos foguetes
A SpaceX deve estrear nesta sexta-feira (12) na bolsa de valores de Nova York avaliada em cerca de US$ 1,75 trilhão (R$ 8,93 trilhões). Com esse valor de mercado, a empresa de Elon Musk passaria a ocupar a oitava posição entre as companhias mais valiosas do mundo.
A forte aposta de investidores de Wall Street na SpaceX pode parecer contraditória. Apesar de estar prestes a realizar o maior IPO da história, com uma captação estimada em US$ 75 bilhões (R$ 382,6 bilhões), a empresa ainda opera no vermelho.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Em 2025, a receita de US$ 18,7 bilhões (R$ 95,3 bilhões) não foi suficiente para evitar um prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões (R$ 24,9 bilhões).
Especialistas consultados pelo g1 explicam que o otimismo de parte dos investidores se explica pela mudança na forma como o mercado enxerga a SpaceX.
A empresa deixou de ser vista apenas como uma fabricante de foguetes e passou a ser associada ao potencial de integração entre as operações de inteligência artificial da xAI e os serviços da rede global de internet via satélite da Starlink.
“Musk criou uma ‘superempresa’ de telecomunicações. A Starlink sozinha acabou se tornando um negócio global que hoje é maior do que a própria operação espacial em termos de faturamento”, afirma Pedro Waengertner, CEO da ACE Ventures.
Segundo Rylan Chase, analista de mercado da EBC Financial Group, os investidores que apostam na empresa estão pagando antecipadamente pelo potencial de expansão da conectividade da Starlink, pela futura monetização do foguete Starship e pela tese de infraestrutura de inteligência artificial criada pela combinação com a xAI.
Os mais céticos temem que os planos de Elon Musk sejam ambiciosos demais para corresponder às expectativas. No documento de preparação para a estreia na bolsa, a SpaceX afirma que pretende construir uma base permanente na Lua e, no longo prazo, estabelecer uma colônia em Marte capaz de abrigar até 1 milhão de pessoas.
As pretensões não param aí: a companhia também projeta desenvolver centros de processamento de dados em órbita alimentados por energia solar e impulsionar uma “economia espacial” baseada em fábricas, sistemas de energia e infraestrutura operando fora da Terra.
Você quer acordar de manhã e pensar que o futuro vai ser grandioso — e é disso que se trata ser uma civilização espacial. Trata-se de acreditar no futuro e de pensar que ele será melhor do que o passado. E não consigo imaginar nada mais empolgante do que sair por aí e estar entre as estrelas.
IPO da SpaceX pode colocar empresa no top 10 global
Arte/g1
Quanto maior o salto, maior o tombo
Por mais que a SpaceX deva fazer uma estreia avassaladora na bolsa, suas ações podem sofrer duros baques ao longo do tempo. Como muitos investidores apostam em planos ambiciosos para o futuro da empresa, qualquer decepção pode derrubar seu valor de mercado.
Na avaliação de Chase, da EBC Financial Group, os investidores não estão olhando apenas para os resultados atuais da companhia. Quem aceita pagar US$ 135 (R$ 688,64) por ação está mirando em várias frentes de crescimento ao mesmo tempo, e não apenas no negócio espacial.
🚀 A SpaceX passou a reunir negócios de telecomunicações, inteligência artificial e infraestrutura tecnológica em uma mesma empresa.
📡 A Starlink se tornou a principal fonte de receita da companhia, enquanto outros projetos passaram a fazer parte de sua estratégia de crescimento para os próximos anos.
🤖 A xAI funciona como o braço de inteligência artificial da empresa, integrando o chatbot Grok aos dados da rede social X e à infraestrutura da Starlink.
Ainda assim, o analista avalia que o valor de mercado projetado para a empresa é alto, mesmo em comparação com companhias que crescem rapidamente. Pelas contas dele, a avaliação equivale a cerca de 109 vezes toda a receita obtida pela empresa no ano passado.
“É um ponto de partida excepcionalmente elevado para qualquer IPO de grande porte”, diz.
Mas muitos analistas avaliam que esse era o caminho natural. Álvaro Machado Dias, professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e especialista em inteligência artificial, afirma que a empresa chegou a um ponto em que suas ambições exigem um volume de recursos difícil de obter apenas por meio de rodadas privadas de investimento.
🔎 Um IPO é a primeira oferta pública de uma empresa. Nesse processo, a companhia vende parte de suas ações e passa a ser negociada na bolsa de valores. O objetivo é captar recursos para expandir operações, investir em projetos ou reduzir dívidas.
Segundo Machado Dias, a receita gerada pela Starlink convive com projetos que exigem investimentos elevados e podem levar anos para dar retorno. Em outras palavras, se a Starlink ajuda a sustentar as receitas da empresa, os demais projetos ajudam a explicar por que a SpaceX continua registrando prejuízos bilionários.
“O Starship, os data centers orbitais e a guinada em direção à industrialização lunar demandam um tipo de capital que só o mercado público consegue oferecer.”
O caixa da SpaceX tem solução?
Musk na Base Estelar da SpaceX em Brownsville, Texas
REUTERS/Adrees Latif/Foto de arquivo
A avaliação de Jan-Erik Asplund, cofundador da Sacra, empresa especializada em pesquisas de mercado para startups e companhias privadas, aponta na mesma direção: a SpaceX usa os recursos gerados pelos lançamentos e pela Starlink para financiar uma estratégia que vai além da expansão de seus serviços atuais.
🌐 Entre os projetos citados por ele está a Terafab, uma fábrica de chips planejada para o Texas que poderá custar até US$ 119 bilhões (R$ 607 bilhões). A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla na qual a companhia busca controlar diferentes etapas de sua cadeia tecnológica, da fabricação de semicondutores à operação de satélites.
🛰️ Outro foco é a chamada computação orbital, conceito que prevê o processamento de dados diretamente no espaço por meio de uma futura rede de satélites voltada para aplicações de inteligência artificial.
“A empresa utiliza o fluxo de caixa dos lançamentos e da Starlink para financiar sua visão de longo prazo”, resume Asplund.
Por isso, a avaliação trilionária da empresa depende principalmente do que ela conseguirá entregar nos próximos anos.
Franco Granda, analista sênior de pesquisa da PitchBook, reforça a visão de que a companhia precisa se apresentar como uma “plataforma que reúne conectividade, transporte espacial e inteligência artificial”.
Segundo ele, a aposta dos investidores se apoia em três grandes expectativas para o futuro:
📡 Expandir a Starlink para além da internet via satélite
Uma das principais apostas é a tecnologia conhecida como “direct-to-cell”, que permite conectar celulares comuns diretamente aos satélites da empresa, sem a necessidade de antenas ou outros equipamentos específicos.
O analista estima que esse mercado possa alcançar 1,1 bilhão de usuários até 2040 e gerar mais de US$ 42 bilhões (R$ 214,2 bilhões) por ano.
Nesse cenário, avalia o analista, a Starlink deixaria de ser apenas uma rede de internet via satélite e passaria a ter um papel mais amplo no ecossistema digital, oferecendo conexão para celulares, veículos e outros dispositivos.
Gif mostra decolagem da nave Starship
Reprodução
🚀 Tornar o acesso ao espaço mais “barato”
A segunda aposta está ligada ao Starship, foguete de nova geração da companhia. A expectativa da consultoria é que a reutilização total da nave reduza os custos de lançamento em até 80%, permitindo transportar mais carga ao espaço por uma fração do custo atual.
Isso poderia ampliar a capacidade da Starlink e viabilizar negócios que hoje esbarram no alto custo para chegar ao espaço.
Por isso, segundo Granda, parte importante do valor atribuído à SpaceX está ligada à expectativa de que o Starship ajude a impulsionar a economia espacial nos próximos anos.
🤖 Construir infraestrutura para inteligência artificial
A terceira aposta envolve a xAI e os projetos de inteligência artificial reunidos pelo grupo.
Segundo informações divulgadas pela própria companhia em seu prospecto de abertura de capital, a divisão de inteligência artificial gerou receita de US$ 3,2 bilhões (R$ 16,3 bilhões) em 2025, mas registrou prejuízo operacional de US$ 6,3 bilhões (R$ 32,1 bilhões).
Os números refletem o forte ritmo de investimentos da operação. Apenas os gastos com infraestrutura e ampliação da capacidade de processamento consumiram mais de US$ 12,7 bilhões (R$ 64,8 bilhões) no período.
➡️ Entre os projetos estão grandes centros de processamento de dados e iniciativas que preveem levar parte dessa infraestrutura ao espaço.
Para Granda, a avaliação trilionária da SpaceX está menos ligada aos resultados atuais e mais à expectativa de retorno desses projetos nos próximos anos.
“O preço pode parecer caro olhando apenas para os números atuais, mas os investidores estão pagando hoje pela economia de 2030”, resume.
A engrenagem trilionária por trás da SpaceX
Arte/g1

SpaceX vale US$ 1,75 trilhão? Os riscos por trás do IPO mais aguardado do mercado

Decolagem da Starship em 22 de maio de 2025
Reprodução/SpaceX
A SpaceX estará no centro das atenções dos mercados financeiros com sua estreia na bolsa de valores nesta sexta-feira (12/06). A empresa de foguetes, satélites e inteligência artificial (IA) liderada por Elon Musk planeja arrecadar até US$ 75 bilhões (R$ 388 bilhões) com a venda de quase 555,6 milhões de ações a US$ 135 cada.
A empresa pode bater o recorde de maior Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês) da história, desbancando a posição que era da gigante do petróleo Saudi Aramco, que, em 2019, abriu seu capital e arrecadou US$ 26 bilhões.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
A SpaceX pode ainda se tornar a sétima maior empresa de capital aberto dos EUA. Como apenas 4% de seu capital social estará disponível, a avaliação total seria de impressionantes US$ 1,8 trilhão.
A SpaceX pretende usar os recursos da IPO para financiar seus projetos ambiciosos, como a instalação de data centers de IA no espaço e missões a Marte.
Agora no g1
Ambições da SpaceX
Fundada em 2002, a SpaceX fez, ao longo dos anos, avanços significativos em tecnologias espaciais, como foguetes reutilizáveis, emergindo como a principal provedora de serviços de lançamento do mundo. O objetivo final da empresa é colonizar Marte e estabelecer uma civilização no planeta vermelho.
Mais perto da Terra, a SpaceX opera a Starlink, uma enorme rede de cerca de 8 mil satélites, que oferece serviços de internet banda larga para consumidores, governos e clientes corporativos. A Starlink é atualmente o único negócio lucrativo da empresa.
No início do ano, a SpaceX expandiu para a inteligência artificial ao se fundir com a xAI, que Musk criou em 2023 para desafiar empresas do setor como a OpenAI, criadora do ChatGPT, e a Anthropic.
Musk almeja instalar gigantescos data centers no espaço movidos a energia solar e utilizar o frio vácuo do espaço para resfriamento sem custos, o que permitiria que as instalações contornassem as restrições energéticas e de temperatura que enfrentam na Terra.
SpaceX, ainda uma empresa deficitária
Em seu prospecto de IPO, a SpaceX destacou um mercado potencial de US$ 28,5 trilhões para seus produtos, por estar em posição única para oferecer serviços integrados de IA e internet baseados no espaço.
Essa avaliação altíssima gera, no entanto, preocupações, principalmente pelo fato de a empresa ser deficitária. No ano passado, a SpaceX faturou US$ 18,7 bilhões, mas registrou um prejuízo líquido de US$ 4,9 bilhões. A empresa afirmou que não espera se tornar lucrativa tão cedo. Ela também possui uma dívida considerável, que chegou a cerca de US$ 29 bilhões no final de março.
Levando-se em conta seus dados financeiros, a SpaceX seria avaliada em cerca de 94 vezes sua receita anual, um prêmio enorme em relação às ações de grandes empresas de tecnologia altamente lucrativas, como Apple, Alphabet ou Nvidia.
Após avaliar as finanças da SpaceX, a Morningstar, uma empresa de serviços financeiros com sede nos EUA, avaliou a empresa em US$ 780 bilhões – um valor significativamente menor do que o da avaliação da IPO de US$ 1,8 trilhão.
A empresa afirmou que a perspectiva para a SpaceX é “muito incerta” e que o sucesso dependerá de a plataforma de IA orbital da empresa funcionar e oferecer vantagens significativas em termos de custos operacionais em comparação com a computação terrestre.
O que está por trás da febre das ações da SpaceX?
O interesse dos investidores, tanto individuais quanto institucionais, parece enorme, com relatos recentes sugerindo que a IPO já está com demanda superior à oferta. Muitos apoiadores de Musk citam como razões para investir a visão do bilionário para a SpaceX e seu sucesso em transformar a Tesla em uma gigante global dos setores automotivo e tecnológico.
A maioria das IPOs oferece apenas cerca de 5% a 10% do total da oferta para investidores individuais, de acordo com a empresa de serviços financeiros Fidelity. Mas a SpaceX reservou uma parcela muito maior de ações – até 30%, ou US$ 22,5 bilhões – para investidores individuais.
“Muitos investidores individuais desconhecem que cerca de 25% das IPOs caem no primeiro dia de negociação, e uma porcentagem ainda maior cai em horizontes mais longos”, afirmou à DW Jay Ritter, especialista em IPOs e professor de finanças da Universidade da Flórida.
“Mas as instituições estão dispostas a atribuir altas avaliações à SpaceX e às grandes empresas de IA porque outras no setor de tecnologia demonstraram capacidade de crescer e se tornarem extremamente lucrativas”, acrescentou, apontando para nomes como Alphabet, Nvidia e alguns outros com lucros anuais superiores a US$ 100 bilhões.
“Se elas não tivessem feito isso, haveria muito mais preocupação com as avaliações”, enfatizou Ritter. “Mas essas outras empresas, incluindo Microsoft e Broadcom, abriram o capital com avaliações muito mais baixas e, portanto, tinham maior potencial de valorização para os investidores.”
A bolsa de valores Nasdaq também alterou suas regras em maio para permitir que grandes estreantes, como a SpaceX, passem a integrar seu índice em até 15 dias de negociação, em vez dos três meses anteriormente exigidos. A mudança significa que os fundos de investimento passivos que acompanham o índice Nasdaq 100 precisarão comprar ações da SpaceX mais cedo.
Musk mantém controle rígido sobre a SpaceX
Especialistas alertam que as ações da SpaceX podem ser mais voláteis quando começarem a ser negociadas, pois a empresa disponibilizou apenas cerca de 4% de seu capital para a IPO. O fato de muitos investidores disputarem uma oferta limitada de ações pode gerar fortes oscilações de preços.
Mesmo após a IPO, Musk manterá um controle rígido sobre a empresa. O bilionário detém atualmente cerca de 42% da SpaceX, mas após a abertura de capital, uma estrutura especial de ações de dupla classe garante que ele retenha cerca de 82% do poder de voto total no conselho da empresa, o que significa que ninguém poderá demiti-lo.
A empresa também restringe a capacidade dos acionistas de entrar com ações coletivas, exigindo que eles apresentem os casos em um tribunal comercial especializado do Texas. Se um juiz se recusar, as disputas são encaminhadas para arbitragem privada, uma disposição vista como uma severa limitação dos direitos dos investidores.
A Morningstar alertou que o domínio de Musk sobre a SpaceX também é um fator de risco e que os acionistas minoritários terão capacidade limitada de influenciar as decisões da empresa. “Essa concentração de poder de decisão em um único indivíduo cria riscos de governança que exigem consideração cuidadosa”, observou.

Orçamento paralelo: TCU investiga uso de 'dinheiro esquecido' de trabalhadores nos bancos para o Desenrola 2.0

Governo Lula anunciou segunda fase do Desenrola
Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil
O Tribunal de Contas da União (TCU) investiga a transferência, pelo governo, do dinheiro esquecido nos bancos para um fundo que está sendo usado para garantir as operações do Desenrola 2.0 — programa de renegociação de dívidas lançado em um ano eleitoral.
Até o momento, já foram transferidos R$ 5,7 bilhões ao chamado Fundo de Garantia de Operações (FGO), um fundo privado no qual o governo também realiza aportes, que vai garantir a renegociação das dívidas dos trabalhadores.
➡️ Técnicos do tribunal apuram o uso de recursos para programas federais por fora do orçamento público.
Por não passar pelo orçamento da União, os recursos não estão dentro dos limites de gastos que têm de ser obedecido. Pelas regras, os gastos não podem crescer mais de 2,5% ao ano (acima da inflação).
Se fosse incluído formalmente no orçamento, e consequentemente no limite de gastos, o governo teria de bloquear igual montante em outras despesas livres (discricionárias), aumentando as dificuldades em um ano eleitoral.
No mês passado, o governo informou que, justamente para obedecer ao limite de despesas existente, R$ 23,7 bilhões do orçamento dos ministérios já foram bloqueados neste ano.
A limitação de recursos já está afetando áreas importantes, como atividades de fiscalização, investimentos em tecnologia e a prestação de serviços à população, como as agências reguladoras.
➡️A auditoria avalia o tratamento contábil, orçamentário e financeiro conferido aos valores por força da lei 14.973, de 2024, que determina que, decorrido o prazo de resgate pelos trabalhadores, os recursos deveriam passar diretamente aos cofres públicos.
➡️A lei diz que os depósitos deveriam ser “apropriados pelo Tesouro Nacional como receita orçamentária primária e considerados para fins de verificação do cumprimento da meta de resultado primário prevista na respectiva lei de diretrizes orçamentárias”.
🔎Esse trecho da lei, porém, foi revogado pela Medida Provisória do Desenrola 2.0, que está em vigor. Uma vez publicadas pelo governo, medidas provisórias têm força de lei. Entretanto, elas têm de passar, posteriormente, pela análise e confirmação do Congresso Nacional, que pode alterá-las.
Governo Federal anuncia nova edição do programa de renegociação de dívidas
O que diz o governo
➡️Questionado pelo g1 se o uso dos recursos dos trabalhadores sem trânsito formal pelo orçamento para uma política pública em um ano eleitoral não configura desrespeito à lei, o Ministério da Fazenda informou que esses são “valores estritamente privados e que manterão essa condição mesmo após sua transferência ao FGO [fundo que garante as operações do Desenrola 2.0]”.
“Importa notar que o Desenrola 2.0 compreende uma iniciativa do governo federal em parceria com o setor privado, sendo que as renegociações de dívidas inadimplentes também interessam às instituições financeiras participantes na medida em que aumentam as perspectivas de reembolso sobre empréstimos que, em geral, possuíam baixa capacidade de recuperação ou já estavam totalmente provisionados”, acrescentou o Ministério da Fazenda.
Casos semelhantes
O TCU concluiu no início de junho um processo sobre a realização de despesas públicas por meio de recursos que não transitam diretamente pelo orçamento da União, algo que, segundo o tribunal, “pode acarretar a perda de credibilidade e de transparência da gestão orçamentária e fiscal da União”.
Foram analisados:
Retenção pela Petróleo Pré-Sal S.A. (PPSA) de parte de sua receita para funcionamento da empresa pública federal, antes do repasse ao fundo social. O TCU determinou que os pagamentos sejam realizados em “plena consonância com o arcabouço jurídico-normativo que rege as finanças públicas, em especial os princípios orçamentários da Unidade”.
Programa gás do povo: TCU questionou a utilização de recursos fora do orçamento, numa operação intermediada pela Caixa Econômica Federal. Após críticas do presidente do tribunal no ano passado, o governo incorporou os gastos da política formalmente dentro da peça orçamentária em 2026.
Multas ambientais do Ibama: TCU investigou a conversão de multas ambientais em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente quando o autuado executa o projeto, ou são destinados a outros projetos aprovados. O tribunal determinou que o Ibama e o Ministério do Meio Ambiente “adotem medidas para garantir que os recursos oriundos da conversão de multas na modalidade indireta observem o rito orçamentário e financeiro da União”.
Honorários advocatícios da AGU: TCU questionou o pagamento de “honorários de sucumbência” pela parte derrotada a um Conselho Curador, que repassa os valores aos servidores públicos por fora do orçamento federal. No ano passado, foram pagos mais de R$ 6 bilhões. O tribunal registrou o risco de os recursos se tornarem um “orçamento paralelo e sem controle para a execução de despesas que não possuem qualquer relação com a remuneração de servidores públicos”, mas observou que o caso está sendo tratado em outra processo. Com isso, não tomou decisão.
Instituições Científicas, Tecnológicas e de Inovação (IFES) de Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs): TCU criticou a possibilidade de realizar despesas custeadas com receitas próprias e recursos de convênios e conclui que brechas legais e operacionais, embora legalmente amparadas, fragilizam o controle e a transparência das despesas públicas, e determinou medidas para aumentar a transparência dessas operações.
Contas vinculadas às concessões de serviços públicos: questiona porque somente 25% do valor da outorga da privatização de parte da BR-040 foi para o Tesouro Nacional, sendo os 75% restantes alocados em conta vinculada à concessão, sob gestão indireta da Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT). Há um processo sobre isso em análise, sem decisão de mérito.
Nesta semana, o TCU aprovou com ressalvas as contas do governo em 2025. Entre os pontos com restrições, está justamente a destinação de recursos administrados pela Pré-Sal Petróleo S.A. (PPSA) por fora do orçamento da União.
O Ministério da Fazenda, por sua vez, afirmou que essas operações “foram implementadas seguindo a legislação e entendimentos jurídicos vigentes”.
“De todo modo, o Ministério da Fazenda respeita as orientações do Tribunal com o objetivo de aumentar a transparência sobre a condução das respectivas políticas públicas e apoiará sua efetivação, naquilo que couber em suas competências regimentais”, acrescentou o Ministério da Fazenda.

Veja como ficam os horários dos bancos nos dias de jogos da Seleção Brasileira na Copa de 2026

Torcedores apoiam a seleção brasileira em Cleveland antes de amistoso com o Egito
Reuters
Os bancos poderão adotar horário especial de atendimento nos dias em que os jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo de 2026 coincidirem com o expediente das agências.
A medida também vale para postos de atendimento bancário e tem como objetivo adequar o funcionamento das instituições aos horários das partidas.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Na primeira fase do torneio, porém, os jogos do Brasil estão marcados para 19h e 21h30 (horário de Brasília), após o encerramento do atendimento ao público na maior parte das instituições financeiras.
Caso a Seleção avance para fases com partidas disputadas durante o horário comercial, os bancos poderão operar com expediente reduzido.
Nessas situações, os horários de atendimento serão os seguintes:
Jogo às 14h: atendimento das 9h às 12h;
Jogo às 16h: atendimento das 10h às 14h;
Jogo às 17h: atendimento das 10h às 15h.
Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), as agências que já abrem às 9h manterão esse horário de início de atendimento. Já postos bancários instalados em locais especiais, como shopping centers e aeroportos, poderão ter horários diferentes, que serão informados diretamente por cada estabelecimento.
A entidade recomenda que os clientes se programem com antecedência para realizar operações que dependam de atendimento presencial.
“O recomendação é que os clientes se programem com antecedência para realizar operações que exigem atendimento presencial e, sempre que possível, utilizem os canais digitais, que estarão disponíveis normalmente e oferecem conveniência, agilidade e segurança”, afirma Raphael Mielle, diretor de Serviços e Segurança da Febraban.
O funcionamento dos canais eletrônicos não será afetado:
Aplicativos, internet banking, centrais remotas de atendimento e salas de autoatendimento seguirão operando normalmente, de acordo com as regras de cada instituição.
O PIX também continuará disponível 24 horas por dia, inclusive durante as partidas da Seleção.

Anthropic ou OpenIA: quem ganhará disputa trilionária?

Sam Altman e Dario Amodei: qual CEO sairá na frente na corrida de Wall Street?
Jens Schicke/IMAGO/Julien De Rosa/AFP via DW
Poderia ser um roteiro de Hollywood, mas é real. Dois nerds ambiciosos que, com estratégias duras e muita persistência, disputam a supremacia na Inteligência Artificial (IA).
Também não faltam reviravoltas. Dario Amodei, chefe da Anthropic, criadora do Claude, recentemente pediu uma pausa no desenvolvimento da IA, alertando que os humanos poderiam perder o controle.
Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo
E isso poucos dias após apresentar à autoridade reguladora dos mercados americanos, a SEC, documentos para abrir o capital da empresa na bolsa (IPO).
Assim, os criadores do Claude saem na frente dos responsáveis pelo ChatGPT, da OpenAI, que só anunciaram sua estreia em Wall Street e submeteram a documentação necessária uma semana depois.
O momento parece favorável. As bolsas estão em alta e a IA está em evidência. Além disso, a Anthropic é avaliada atualmente em 965 bilhões de dólares, enquanto a OpenAI chega a 852 bilhões.
Um IPO poderia levar ambas ao grupo das empresas trilionárias — algo que hoje apenas gigantes como Nvidia, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla alcançaram. Para comparação, a maior empresa alemã atualmente, a Siemens, vale cerca de 230 bilhões de dólares.
Para que serve tanto dinheiro?
A consultoria Gartner estima que os gastos globais com inteligência artificial continuarão crescendo fortemente, ultrapassando US$ 2,5 trilhões já neste ano.
A maior parte desses investimentos está na infraestrutura de IA, sobretudo na construção e aluguel de grandes data centers, responsáveis por fornecer o poder computacional necessário.
Até agora, Anthropic e OpenAI captaram recursos por meio de rodadas de investimento, nas quais empresas e fundos apostam em startups com potencial de crescimento.
Segundo o analista Harrison Rolfes, da PitchBook, a OpenAI já arrecadou US$ 185,9 bilhões desde sua fundação, enquanto a Anthropic captou US$ 126,8 bilhões.
Quem está na frente?
Para muitos especialistas financeiros, a Anthropic tem melhores perspectivas no mercado. “A Anthropic tem a melhor história para um IPO — e são sobretudo os números que convencem”, afirma Rolfes.
A empresa deve faturar cerca de 47 bilhões de dólares neste ano, contra 30 bilhões da OpenAI, mesmo tendo captado menos recursos. Outro fator é o foco no mercado corporativo.
“Mais de mil empresas já gastam mais de um milhão de dólares por ano com a Anthropic”, destaca o analista.
Já a OpenAI domina o segmento de consumidores com o ChatGPT, que tem mais de 900 milhões de usuários semanais — mas a maioria utiliza o serviço gratuitamente.
“Monetizar uma base tão grande de usuários grátis é um desafio”, afirma Rolfes.
Pedro Domingos, professor emérito de ciência da computação da Universidade de Washington, concorda.
“A Anthropic está mais avançada nos serviços para empresas, e é daí que virá a maior parte do dinheiro. Mas isso pode mudar rapidamente”. Segundo ele, a empresa tem mais demanda, mas menos capacidade computacional.
Uma disputa de egos
Claude costuma ser mais usado por empresas e ChatGPT, por usuários privados
Matteo Della Torre/NurPhoto/picture alliance via DW
A rivalidade também envolve grandes egos. Em 2021, Dario Amodei deixou a OpenAI por discordar da direção sob Sam Altman — excessivamente focada em dinheiro e insuficiente em responsabilidade.
Desde então, ele posiciona a Anthropic como defensora de uma IA mais segura e regulada.
Amodei também impôs limites quanto ao uso militar: o Claude não deveria ser utilizado para vigilância em massa nem sistemas de armas automatizados.
Isso levou o Pentágono a classificar a Anthropic como “risco de segurança na cadeia de fornecimento” — uma medida drástica, normalmente aplicada a empresas estrangeiras.
Sam Altman tenta ocupar esse espaço: a OpenAI planeja fornecer software ao Pentágono. Com isso, sua empresa vem assumindo cada vez mais o papel de “vilã” na disputa — algo irônico, considerando que a OpenAI foi fundada em 2015 com a missão de desenvolver IA de forma ética e responsável.
Especialistas acreditam que a postura de Amodei também tem um componente de marketing. Para Domingos, o sucesso rápido e a pressão crescente podem abalar a imagem da Anthropic como “a empresa do bem”.
“Decisões difíceis virão, e alguns funcionários podem sair decepcionados — como aconteceu quando Amodei e outros deixaram a OpenAI”.
Corrida pela AGI
Segundo Domingos, o objetivo final das empresas é desenvolver a chamada Inteligência Artificial Geral (AGI, na sigla em inglês), capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva humana. “Quem chegar lá primeiro terá uma vantagem praticamente impossível de alcançar”.
Ainda assim, Rolfes relativiza: “Chegar primeiro não significa vencer. Para lucrar de verdade com IA, é preciso adoção ampla, confiança das empresas e boas margens”.
No fim das contas, diz ele, a disputa será decidida por qual tecnologia será adotada pelas maiores empresas do mundo.
A corrida pela liderança na inteligência artificial, portanto, ainda está longe de terminar.