Apple deve aumentar preços por conta de alta nos custos de chips, diz jornal

Modelos da linha iPhone 17 em loja da Apple em Taiwan, em foto de 19 de setembro de 2025
Reuters/Ann Wang
A Apple planeja aumentar os preços de seus produtos por conta do aumento dos custos com chips de memória. A declaração foi feita pelo CEO da empresa, Tim Cook, ao Wall Street Journal.
“Infelizmente, os aumentos de preços são inevitáveis”, disse Cook. “Estamos fazendo o possível para mitigar os enormes aumentos que estão sendo repassados para nós e tentando proteger os nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável”.
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O executivo não deu detalhes sobre quando o aumento de preços será aplicado nem quais produtos serão afetados.
A empresa deve lançar em setembro o iPhone 18 e apresentar o primeiro modelo dobrável da linha, segundo o WSJ. Mas a reportagem indicou que o aumento de preços pode chegar ainda antes, para modelos de Mac e iPad.
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O preço do iPhone 18 Pro subiria de US$ 1.099 para US$ 1.299 caso a fabricante decida manter a sua margem de lucro, segundo projeção da consultoria TechInsights feita ao Wall Street Journal.
A oferta de chips de memória tem diminuído à medida que fabricantes direcionam seus investimentos para a produção de chips mais avançados, voltados para data centers de inteligência artificial.
Cook afirmou que os chips de armazenamento também são um problema, mas são os chips de RAM que causam mais preocupação.
🤔 Os chips de RAM (sigla em inglês para “memória de acesso aleatório”) guardam temporariamente os dados usados por um dispositivo. Quando um aplicativo é aberto no celular, é a RAM que mantém as informações necessárias para o programa rodar corretamente.
Embora seja mais associada a celulares e computadores, os chips de memória também estão presentes em smart TVs, tablets, consoles de videogames, relógios inteligentes, aspiradores robô, carros, impressoras, entre outros.
O CEO da Apple disse ainda que consumidores querem comprar celulares e outros aparelhos, mas “os fabricantes de memória estão repassando aumentos de preços exorbitantes”. E afirmou que ainda não visto um aumento de preços de matéria-prima como esse.
“Essa é uma enchente que acontece uma vez a cada cem anos”, afirmou. “Precisamos, sem dúvida, que os preços e a oferta de memória voltem a níveis razoáveis aos produtos de consumo. Essa é a questão fundamental”.
O mercado de smartphones deverá registrar a maior queda da história em 2026, disse a consultoria IDC, em projeção divulgada em fevereiro. A expectativa é de que fabricantes somem 1,1 bilhão de unidades vendidas em todo o mundo este ano, 12,9% menos do que em 2025.
Na ocasião, a consultoria afirmou ainda que a situação não deverá melhorar até meados de 2027. E projetou que, em 2027, as vendas crescerão apenas 2% e, em 2028, terão uma recuperação, com alta de 5,2%.

Move Aplicativos: 7 dicas para conseguir aprovação no financiamento para motoristas de app

BYD Dolphin Mini é dos veículos que se encaixam no critério do Move Aplicativos
Divulgação / BYD
A partir desta sexta-feira (19), os motoristas que fizeram o cadastro e atendem aos requisitos do programa Move Brasil Táxi e Aplicativos (também chamado de Move Aplicativos) podem procurar instituições financeiras e solicitar um financiamento para a compra do carro zero km.
A iniciativa do governo direciona uma linha de crédito de R$ 30 bilhões para incentivar financiamento a motoristas de aplicativo e taxistas.
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O Move Aplicativos promete juros menores para a aquisição de automóveis novos de até R$ 150 mil. Entre os requisitos, os motoristas de app precisam ter mais de 12 meses na plataforma e mais de 100 corridas nesse período para ter direito ao programa. (veja as regras aqui)
Apesar das condições facilitadas, os candidatos precisam passar por uma etapa crucial: o crivo dos bancos.
Como o financiamento depende da análise individual de risco de cada banco parceiro, o trabalhador autônomo precisa se preparar estrategicamente para não ter o crédito negado.
Para entender como motoristas e taxistas podem aumentar as chances de aprovação, o g1 consultou especialistas em planejamento financeiro. Também há simulações que mostram que o programa pode diminuir em alguns casos R$ 17 mil no custo total na compra de um carro novo.
Direitos do consumidor no financiamento de carros
1. Mostre que você tem capacidade de pagamento
O primeiro passo fundamental para conquistar a confiança das instituições parceiras é provar que você consegue arcar com o compromisso assumido.
Segundo Henrique Soares, planejador financeiro pela Planejar, a melhor forma é manter as contas em dia, evitar atrasos recorrentes e reduzir o nível geral de endividamento. E manter organizada a documentação de comprovação de renda é essencial.
“Ajuda a dar uma entrada maior para o veículo, porque isso reduz o valor financiado e, consequentemente, o risco para a instituição financeira”, detalha o planejador.
Antes de solicitar formalmente o crédito, vale revisar eventuais pendências cadastrais e verificar a real situação do seu CPF nos órgãos de proteção ao crédito, como o Serasa.
2. Cuide do seu score de crédito
O score, segundo o especialista, funciona como um dos principais termômetros utilizados pelas instituições para mensurar o risco de inadimplência de cada consumidor.
Ele não deve ser encarado como o único critério da avaliação, mas tem um papel central ao ajudar o banco a entender todo o histórico financeiro daquele cliente.
🔎 De forma geral, quanto melhor for o seu histórico de pagamentos e menor for a incidência de atrasos, maiores tendem a ser as chances de aprovação da proposta e melhores podem ser as condições de taxas oferecidas.
3. Fique atento ao comprometimento da renda
O comprometimento da renda é um dos fatores mais analisados no processo de concessão de crédito, explica Soares.
O banco precisa avaliar detalhadamente se a parcela cabe no orçamento sem comprometer excessivamente a capacidade de subsistência e pagamento do cliente.
“No caso dos motoristas de aplicativo, esse cuidado é ainda mais importante porque a renda costuma variar ao longo dos meses”, diz Soares
Por isso, o especialista reforça que, mais importante do que saber qual o teto do valor máximo que pode ser financiado, é entender perfeitamente qual parcela pode ser paga de forma sustentável no longo prazo.
4. Organize os comprovantes (mesmo sem contracheque)
Por se tratar de um trabalho autônomo, não existe um contracheque ou holerite tradicional, mas isso não deve ser um impedimento para buscar o benefício do Move Brasil.
Os bancos já adotam como critério a análise da movimentação financeira de profissionais independentes. Para facilitar e agilizar a análise de crédito, reúna a seguinte documentação:
Declaração do Imposto de Renda;
Extratos bancários recentes;
Histórico completo de movimentação da conta corrente;
Comprovantes e relatórios consolidados de recebimentos emitidos pelas plataformas de aplicativo.
Quanto mais organizada estiver essa documentação, mais fácil tende a ser a análise realizada pela mesa de crédito.
5. Use o relacionamento com o seu banco a seu favor
Se você já movimenta dinheiro ou possui conta em uma instituição financeira específica, começar a busca por ela pode facilitar bastante a aprovação.
Ter um relacionamento prévio ajuda porque a instituição já detém um histórico consolidado dos seus hábitos financeiros, diz o especialista.
“Quando o banco consegue visualizar entrada de renda, comportamento de pagamento e relacionamento ao longo do tempo, a análise tende a ser mais completa”, explica.
🔎 Isso não é garantia automática de aprovação, mas contribui diretamente para uma avaliação mais precisa e justa do perfil de crédito do motorista.
6. Evite os erros mais comuns
Muitas das negativas de crédito acontecem por falhas recorrentes que poderiam ser sanadas na fase de planejamento.
Os principais motivos de reprovação identificados pelo mercado incluem:
Renda declarada incompatível com o valor solicitado para o veículo;
Excesso de endividamento e outras linhas de crédito simultâneas;
Histórico recente de contas atrasadas ou restrições cadastrais ativas;
Falta de documentação adequada e comprovações inconsistentes.
Outro deslize muito frequente apontado pelo planejador é escolher modelos de veículos com parcelas muito próximas do limite máximo do próprio orçamento mensal.
“O ideal é buscar um financiamento que caiba com folga no orçamento, considerando não apenas a parcela, mas também custos como combustível, seguro, manutenção e até períodos de menor faturamento. “, ressalta Soares.
7. Faça uma preparação para o ‘sim’
Para quem pretende solicitar o financiamento do Move Brasil, a preparação ideal deve começar bem antes do envio do pedido formal.
A recomendação prática do planejador financeiro é organizar rigorosamente os documentos, reduzir ao máximo as dívidas existentes, regularizar pendências no CPF e focar na construção de uma reserva financeira.
Isso servirá tanto para aumentar o valor de entrada do veículo quanto para protegar o motorista contra imprevistos de manutenção.
“Também é importante acompanhar a própria renda ao longo dos meses para entender qual parcela realmente cabe no orçamento”, aconselha.
Segundo Soares, o financiamento facilitado é uma ferramenta importante para a aquisição de um veículo de trabalho, mas a aprovação do crédito é apenas o passo inicial.
“O mais importante é garantir que essa dívida seja sustentável ao longo do tempo”, diz.
Juros menores
“A taxa do programa, entre 11,5% e 12,6% ao ano, é menos da metade da taxa média de mercado para aquisição de veículos para pessoa física”, explica Carlos Castro, planejador financeiro CFP pela Planejar.
Na prática, segundo o especialista, essa vantagem permite que, em um financiamento de 48 parcelas com 50% de entrada, a economia em juros pagos possa ultrapassar R$ 17 mil para um carro com preço de R$ 150 mil.
🔎 Embora o programa ofereça facilidades, é preciso atenção aos detalhes contratuais. “A carência de 6 meses ajuda o caixa do motorista no início, mas os juros incidem sobre o saldo devedor nesse período”, diz Castro
Portanto, o custo final tende a subir quando comparado a uma tabela sem carência.
Por fim, a estratégia de poupança continua sendo o melhor caminho para quem quer economizar de verdade.
Mesmo com taxa subsidiada, dar a maior entrada possível continua sendo a regra. “O juro, ainda que menor, é composto e incide sobre todo o saldo devedor”, explica.
🔎 A lógica financeira, segundo Castro, é simples e implacável: reduzir o principal sempre reduz o custo total da operação para o motorista.
Vamos às contas
Veja abaixo a simulação de financiamento de um Volkswagen Virtus 170 TSI; a economia no final em juros é de mais de R$ 20 mil. Vale lembrar que o programa prevê taxas de juros diferentes para homens e mulheres:

Faça as suas contas
O consumidor tem direito a ter todas as informações claras no momento de adquirir um financiamento.
O g1 já mostrou quais são as obrigações dos vendedores ao apresentar um financiamento, quais são os direitos do consumidor e como calcular o custo real de um empréstimo para evitar um mau negócio na compra de um carro.
O consumidor tem direito à informação adequada e clara sobre todos os elementos relevantes da contratação, especialmente preço, encargos, juros, custo efetivo total e consequências econômicas do negócio”, explica Jefferson Leão, advogado da Poliszezuk Advogados.
🔎 O chamado custo efetivo total (CET) representa o valor real de um financiamento. Ele inclui juros, tarifas, impostos e quaisquer outras despesas da operação.
Segundo Leão, omitir informações durante a negociação verbal e apresentá-las apenas no contrato, de forma a confundir o consumidor, é uma prática vedada pela lei. Assim, é necessário que todos os custos e informações estejam claros, tanto na conversa quanto na documentação.

Labubu chega ao Brasil nesta quinta com bonecos a partir de R$ 299,99

Bonecos Labubu
Reprodução/Pop Mart
Os bonecos Labubu já podem ser comprados oficialmente no Brasil. O anúncio foi feito pela Candide, responsável pela distribuição dos produtos da empresa chinesa Pop Mart.
A chegada estava prevista para 5 de junho, mas a data foi alterada, e os bonecos Labubu só passaram a ser vendidos no país nesta quinta-feira (18). Além deles, também foram lançados itens das linhas Hirono, Crybaby, Skullpanda, Meninas Superpoderosas, Pucky e Nyota.
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Labubu ou Lafufu? Saiba como diferenciar os monstrinhos
As vendas começam simultaneamente em 20 lojas distribuídas por 11 estados brasileiros. Todas são especializadas em itens colecionáveis:
Distrito Federal: no ParkShopping em Brasília (DF);
Rio de Janeiro: no Shopping Leblon e Barra Shopping no Rio de Janeiro (RJ) e Plaza Shopping em Niterói (RJ);
São Paulo: no Shopping Anália Franco, Shopping Bourbon, Shopping Eldorado, Shopping Pátio Higienópolis, Shopping Marketplace, Shopping Iguatemi, além de uma loja no bairro da Liberdade e outra nos Jardins;
Minas Gerais: no BH Shopping;
Bahia: Salvador Shopping;
Pernambuco: Shopping RioMar Recife;
Amazonas: no bairro Nossa Senhora das Graças, em Manaus (AM);
Espírito Santo: no Shopping Vila Velha;
Santa Catarina: no Balneário Shopping, em Balneário Camboriú (SC);
Paraná: no Park Shopping Barigui em Curitiba (PR);
Rio Grande do Sul: Shopping Iguatemi em Porto Alegre (RS).
Agora no g1
O que são Labubus?
Os Labubus são bonecos de pelúcia com aparência excêntrica e dentes serrilhados, criados em 2015 pelo artista de Hong Kong Kasing Lung.
Eles viraram febre nos últimos meses, primeiro entre celebridades. Rihanna, Maya Massafera, Virginia Fonseca e Marina Ruy Barbosa já apareceram com os bonecos pendurados em bolsas.
Os originais são vendidos em caixas-surpresa, o que significa que o comprador só descobre qual personagem recebeu depois de abrir a embalagem. Dependendo da sorte, é possível tirar desde modelos comuns até versões raras da coleção.
Após a parceria com a Pop Mart, os personagens ajudaram a fabricante chinesa a faturar mais de US$ 2,3 bilhões, segundo a Forbes.
Até então, os produtos da Pop Mart não eram vendidos oficialmente no Brasil. Com a febre dos bonecos nas redes sociais, versões falsificadas passaram a ser facilmente encontradas no país.
Enquanto um Labubu original chegou a custar US$ 300 (cerca de R$ 1,6 mil) em junho do ano passado, era possível encontrar réplicas na região da 25 de Março por preços entre R$ 65 e R$ 250, como mostrou o g1 em junho de 2025.
“Chegou a hora de oferecer essa experiência de forma oficial, com acesso amplo e a qualidade que a marca representa”, disse Moise Candi, CEO da Candide.

Mega-Sena pode pagar R$ 36 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.019 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 36 para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (18), em São Paulo.
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No concurso da última terça-feira (16), ninguém acertou as seis dezenas.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
Acompanhe os sorteios no site do g1
Acompanhe os sorteios no canal do g1 no YouTube
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

'Tira-teima' da Copa escaneou jogadores para ficar mais preciso; veja como ele funciona

Tira-teima da FIFA reproduz jogadas de possível impedimento
Divulgação/FIFA
Os jogos da Copa do Mundo de 2026 ganharam um sistema de “tira-teima” que permite reproduzir mais fielmente as situações de possível impedimento.
Até então, replays animados mostravam jogadores com o mesmo tamanho, o que não correspondia exatamente à jogada real e podia gerar dúvidas em lances mais complexos.
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Nesta Copa, cada atleta passou a ser representado com suas dimensões reais, o que facilita a análise na cabine do VAR e dá mais clareza para quem assiste à partida.
Antes do início do torneio, os jogadores das 48 seleções foram fotografados em uma cabine com 36 câmeras com resolução 4K. As imagens ajudaram a criar um avatar 3D exclusivo para cada um deles.
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Cada jogador fica na cabine por cerca de 30 segundos, desde o tempo de preparação até a captura da foto em si, que leva menos de um segundo, segundo a Lenovo, parceira da FIFA na criação do sistema.
Depois, algoritmos de inteligência artificial criam versões animadas que consideram detalhes como a altura e o tamanho dos pés do atleta, o que é ignorado em modelos mais antigos.
“É possível interpretar textura, postura, movimentação e replicar no avatar. É mais do que uma foto 3D, é efetivamente a replicação do jogador em um ambiente digital”, disse Valério Mateus, gerente-geral de Serviços e Soluções da Lenovo para a América Latina.
Jogadores das 48 seleções foram fotografados em cabine antes do início da Copa
Divulgação/Lenovo
O sistema dos avatares em 3D não determina se um jogador está ou não em situação de impedimento — essa função permanece com o árbitro do VAR —, mas ajuda quem está na cabine a tomar decisões com mais rapidez.
“O VAR tem a possibilidade de olhar para entender se tinha um pé ou um ombro à frente e rotacionar a imagem para ver a partir de outro ângulo se houve um toque em um lance de falta, por exemplo”, disse Valério.
O novo “tira-teima” também é útil porque deixa mais claro para os torcedores o motivo para o VAR ter tomado uma determinada decisão, disse o diretor de Inovação da Fifa, Johannes Holzmüller, em um evento realizado pela entidade no início de junho.
“Melhoraremos os replays em 3D, onde os jogadores são realmente parecidos e fica óbvio quais estão em posição de impedimento”, afirmou.
Tira-teima foi usado na partida entre Inglaterra e Croácia
Reprodução/TV Globo
Esse sistema já tinha sido testado em dezembro de 2025, na partida entre Flamengo e Pyramids, do Egito, válida pela terceira fase da Copa Intercontinental da FIFA.
Além dos avatares, a Copa de 2026 traz uma evolução nas câmeras usadas por árbitros. As gravações passaram a ser estabilizadas em tempo real por meio de inteligência artificial.
Como o árbitro se movimenta bruscamente, as versões anteriores sofriam com o desfoque e tremores, o que era desconfortável para quem está assistindo. Com menos balanço, as transmissões podem aproveitar mais o ângulo de quem está dentro do campo.
Tira-teima foi usado na partida entre França e Senegal
Reprodução/TV Globo
Fotos em cabine permitem escanear vários ângulos de jogadores para criar versões animadas
Reprodução

Por que o CNPJ vai passar a ter letras em julho? Entenda novas regras

Guia do empreendedor: Menos opções, mais lucros
O Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) passará a incluir letras além de números na identificação de empresas, organizações, produtores rurais, profissionais liberais e outros tipos de pessoa jurídica a partir de julho deste ano.
A mudança tem como objetivo ampliar a capacidade do sistema e garantir a continuidade do modelo, já que o formato atual se aproxima de seu limite técnico, segunda a Receita Federal.
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O novo modelo manterá os 14 caracteres do CNPJ tradicional, mas permitirá o uso de letras de A a Z em posições específicas da estrutura, formando um CNPJ alfanumérico. A mudança representa uma expansão gigantesca nas combinações possíveis.
No Brasil, existem mais de 24,9 milhões de CNPJs ativos e cerca de 29,2 milhões desativados, segundo dados da Estatística Redesim (Receita Federal).
No total, já foram emitidos mais de 63 milhões de CNPJs, número que se aproxima do limite do modelo atual. Isso ocorre porque, assim como o CPF, cada número de CNPJ é único e permanente, não podendo ser reutilizado, mesmo quando a empresa é encerrada.
Essa mudança será gradual e começará a valer apenas para novas inscrições. Isso inclui empresas recém-criadas, novas filiais, profissionais liberais, condomínios e produtores rurais.
Quem já possui um CNPJ não precisará trocar ou atualizar nada. Os números atuais continuarão válidos e aceitos normalmente pelos sistemas públicos e privados.
A seguir, o g1 esclarece as principais dúvidas sobre essa mudança.
1. O que é o CNPJ alfanumérico?
É o novo modelo de identificação das pessoas jurídicas no Brasil. Em vez de utilizar apenas números, o novo CNPJ combinará letras (de A a Z) e números (de 0 a 9), mantendo o total de 14 caracteres.
A estrutura visual será semelhante à atual, mas com a inclusão de caracteres alfanuméricos. (confira no exemplo abaixo)
Sistema atual vs. nova tipologia
Receita Federal
2. Quando começa?
A emissão de CNPJs com letras começará em julho de 2026, de forma gradual.
Segundo a Receita, será elaborado um calendário para definir quais tipos de empresas ou atividades econômicas adotarão primeiro o novo formato.
3. Quem vai receber CNPJ com letras?
Apenas novas inscrições a partir da data de início, como empresas recém-criadas, filiais, produtores rurais, condomínios e profissionais liberais.
O formato atual, composto exclusivamente por números, continuará válido. Não será necessário nenhum procedimento adicional por parte dos contribuintes junto à Receita Federal ou aos órgãos estaduais e municipais.
4. O procedimento de inscrição do CNPJ vai mudar?
Não. O processo para abertura de empresas e solicitação de CNPJ continuará o mesmo. A única diferença é que o número gerado poderá conter letras.
Segundo a Receita, a partir de julho do próximo ano, todos os sistemas estarão preparados e integrados à Rede Nacional para a Simplificação do Registro e da Legalização de Empresas e Negócios (REDESIM).
5. O que as empresas precisam fazer?
Empresas e sistemas que lidam com emissão de notas fiscais ou controle tributário precisarão adaptar seus softwares, bancos de dados e rotinas internas.
Podem ocorrer falhas na emissão de documentos fiscais, dificuldades com fornecedores ou atrasos no cumprimento de obrigações tributárias. A recomendação é que as empresas se preparem com antecedência.
A Receita informou que disponibilizará ferramentas para facilitar essa atualização técnica.
6. Empresas e profissionais já inscritos precisam fazer algo?
Não. Nenhuma ação será necessária junto a órgãos federais, estaduais ou municipais.
Os sistemas públicos serão atualizados para aceitar tanto o formato atual quanto o novo. A expectativa, segundo a Receita, é que essa adaptação ocorra de forma automática e transparente para as empresas.
7. O que muda no cálculo do Dígito Verificador?
O Dígito Verificador (DV), número que aparece no final do CNPJ e serve para validar sua autenticidade, continuará sendo calculado pelo método do Módulo 11 — um tipo de verificação matemática —, agora adaptado para incluir letras no cálculo.
Cada caractere será convertido em um valor numérico com base na tabela ASCII, que atribui um número específico a cada símbolo, e dele será subtraído o valor 48.
Por exemplo: a letra A corresponde ao número 65 na tabela ASCII e, para o cálculo, será utilizado o valor 17 (que é o resultado de 65 menos 48).
A Receita Federal disponibilizará rotinas de cálculo em linguagens de programação populares para facilitar essa adaptação técnica.
8. Qual a ligação com a reforma tributária?
O novo CNPJ faz parte do processo de modernização do sistema tributário.
A mudança prepara o caminho para a implementação de dois novos tributos: a CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e o IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que vão unificar e simplificar diversos impostos atualmente em vigor.
Para isso, será necessário contar com sistemas mais modernos e integrados. O novo CNPJ alfanumérico contribui nesse processo ao ampliar a capacidade do sistema, facilitar a separação entre despesas pessoais e profissionais, e automatizar processos como a recuperação de créditos tributários.
9. Haverá algum custo para as empresas com essa mudança?
Sim. As empresas precisarão atualizar seus sistemas para reconhecer o novo CNPJ com letras e calcular corretamente o Dígito Verificador.
Essas adaptações podem gerar custos técnicos, especialmente em softwares de emissão de notas fiscais e bancos de dados.
Baixe o GloboPop para assistir a vídeos curtos verticais da Globo
Receita federal
Crédito editorial: SERGIO V S RANGEL / Shutterstock
Entenda o que são nanoempreendedores

Agressão no aeroporto: quais são os direitos do trabalhador? Cabe indenização? Quem será responsabilizado?

Passageira agride 4 funcionárias da Latam no Aeroporto de Guarulhos após discussão
O que começou como um atendimento de rotina terminou em cenas de violência. Na madrugada de terça-feira (16), uma passageira partiu para a agressão física depois de se irritar com o atendimento prestado por funcionárias da Latam no Aeroporto Internacional de Guarulhos.
Imagens gravadas no terminal mostram o momento em que a mulher invade a área do balcão e desfere socos contra uma trabalhadora. Outras três funcionárias que tentaram conter a situação também foram agredidas.
As imagens repercutiram nas redes sociais e trouxeram dúvidas: O que acontece quando um funcionário é agredido durante o trabalho? A violência pode ser considerada acidente de trabalho? A vítima tem direito a indenização?
Segundo a advogada trabalhista Juliana Mendonça, especialista em Direito e Processo do Trabalho, e sócia do Lara Martins Advogados, a legislação brasileira prevê que uma agressão sofrida durante o exercício da atividade profissional pode gerar consequências trabalhistas, previdenciárias e indenizatórias.
Além disso, episódios de violência praticados por clientes, passageiros ou terceiros podem gerar efeitos nas esferas cível e criminal, dependendo das circunstâncias do caso, completa Marcel Cordeiro, sócio da área de Direito Trabalhista e Previdenciário do escritório Miguel Neto Advogados.
“A responsabilidade principal costuma recair sobre o agressor, mas isso não impede a análise de eventuais deveres da empresa relacionados à prevenção de riscos e à proteção dos trabalhadores”, afirma.
Passageira agride quatro funcionárias da Latam no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.
Reprodução/Redes Sociais
O que a empresa deve fazer
Durante muito tempo, se a violência partia de alguém sem vínculo com a empresa, a responsabilidade seria exclusivamente da pessoa. Segundo Juliana Mendonça, essa interpretação vem mudando.
A especialista explica que a Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) estabelece o direito de todo trabalhador a um ambiente livre de violência e assédio. Isso inclui situações em que a agressão é praticada por terceiros.
Segundo a advogada, a legislação de segurança e saúde ocupacional também avançou nessa direção. A Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que trata do gerenciamento de riscos ocupacionais, passou a exigir que as empresas identifiquem e gerenciem riscos psicossociais relacionados ao trabalho, incluindo situações de violência e assédio.
As primeiras horas após um episódio de violência costumam ser decisivas para proteger o trabalhador e preservar provas. Segundo a advogada, a prioridade deve ser garantir assistência à vítima. Isso inclui atendimento médico imediato e, quando necessário, apoio psicológico.
A empresa também deve preservar imagens de câmeras de segurança, registrar o ocorrido internamente, identificar testemunhas e colaborar com as autoridades responsáveis pela investigação. Em ambientes com equipes de segurança, a orientação é agir rapidamente para conter a situação e identificar o agressor.
Outro dever relevante é a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
“A CAT é fundamental para garantir o reconhecimento dos direitos previdenciários do trabalhador. Deixar de emitir esse documento pode gerar prejuízos tanto para a empresa quanto para a vítima”, afirma.
Marcel Cordeiro ressalta que a emissão da CAT deve ocorrer até o primeiro dia útil seguinte ao episódio, quando houver caracterização de acidente de trabalho. Além do registro formal, a empresa deve adotar medidas voltadas à saúde e à segurança do trabalhador, incluindo o encaminhamento para atendimento médico e psicológico quando necessário.
“Também poderia haver responsabilização se, após o episódio, a empresa deixar de prestar suporte mínimo ao trabalhador”, afirma.
Gif mostra paciente agredindo profissional da saúde
Reprodução
Leia ainda: ‘Me senti humilhada’, diz técnica de enfermagem agredida por paciente
Quem responde pelos danos?
Segundo Juliana Mendonça, a responsabilidade da agressora não exclui automaticamente a possibilidade de responsabilização da empresa.
“A agressora pode responder na esfera criminal, especialmente por lesão corporal, se comprovada ofensa à integridade física ou à saúde das vítimas (…) as trabalhadoras também podem buscar reparação civil, incluindo danos morais, danos materiais e despesas médicas eventualmente comprovadas”, diz Marcel Cordeiro.
Ao mesmo tempo, a Justiça do Trabalho pode analisar se houve falha da empresa no dever de proteção aos seus empregados. Os especialistas explicam que determinadas atividades expõem trabalhadores a situações previsíveis de conflito.
🔎 É o caso de aeroportos durante atrasos e cancelamentos de voos, hospitais em momentos de superlotação, serviços bancários e transporte coletivo, entre outros.
Nessas situações, a análise costuma considerar diversos fatores.
Havia equipes de segurança disponíveis?
Os funcionários receberam treinamento adequado?
Existiam protocolos para situações de crise?
A empresa já tinha conhecimento de riscos semelhantes?
Segundo Juliana, essas questões são decisivas para avaliar eventual responsabilidade do empregador. “A responsabilidade do agressor não exclui automaticamente a da empresa (…) pode haver responsabilidade compartilhada”, afirma.
Quando a empresa pode ser considerada corresponsável
De acordo com os especialistas, algumas situações costumam atrair a atenção da Justiça do Trabalho.
Uma delas ocorre quando a empresa tinha conhecimento de um risco previsível e não adotou medidas adequadas para reduzi-lo.
Outra hipótese envolve atividades que, por sua natureza, expõem trabalhadores a situações frequentes de tensão.
Também são analisados casos em que empregados foram colocados em situação de vulnerabilidade ou quando havia histórico de ocorrências semelhantes sem providências efetivas.
Segundo Juliana Mendonça, a análise não se limita à agressão em si, mas considera toda a estrutura de proteção oferecida ao trabalhador.
Marcel Cordeiro faz uma avaliação semelhante. Segundo ele, a violência praticada por terceiros não gera responsabilidade automática do empregador.
🔎 De acordo com o advogado, isso pode ocorrer quando há histórico de situações semelhantes, ausência de protocolos mínimos de segurança, falta de treinamento das equipes, demora injustificada na intervenção ou manutenção do trabalhador em situação de risco evitável.
🔎 Também pode haver questionamentos caso a empresa deixe de prestar suporte adequado após o episódio, não registre corretamente a ocorrência ou não adote medidas voltadas à preservação da saúde física e psicológica dos empregados.
Ou seja, a agressão praticada por terceiros não gera responsabilidade automática da empresa, mas não afasta eventual responsabilização diante de omissão ou falha no dever de proteção.
O que pode acontecer no caso da Latam
Na avaliação dos especialistas, ainda é cedo para concluir se há responsabilidade da companhia aérea pelo episódio. Essa definição dependerá da análise dos fatos, das provas e das circunstâncias do atendimento. Um ponto específico, porém, pode ganhar relevância.
A própria Latam informou que as agressões ocorreram durante uma contingência operacional. Segundo Juliana Mendonça, esse tipo de situação tende a aumentar o estresse entre passageiros e equipes de atendimento.
“[Essa] situação que tornava previsível e esperado um ambiente de tensão elevada no balcão de atendimento”, afirma.
A especialista ressalta que isso não implica responsabilização automática da companhia. Será necessário avaliar quais medidas de proteção estavam disponíveis e como a empresa atuou antes e depois do episódio.
Para Marcel Cordeiro, a análise também deverá considerar se havia mecanismos adequados de prevenção e resposta para situações de conflito.
Fatores como previsibilidade do risco, tempo de resposta e suporte oferecido às funcionárias após o ocorrido costumam ser considerados em eventuais discussões judiciais, explica o advogado.
Profissional de enfermagem fica ferida no braço após agressão no HPS, em Juiz de Fora
TV Integração/Reprodução
Indenização pode ir além dos danos físicos
Uma agressão pode gerar diferentes formas de indenização. Juliana Mendonça afirma que os danos materiais incluem despesas médicas, psicológicas, odontológicas, medicamentos e outros gastos relacionados ao tratamento.
Também podem ser pleiteados danos morais quando há sofrimento, humilhação, medo ou abalo emocional.
Marcel Cordeiro acrescenta que a reparação pode abranger diferentes tipos de prejuízo comprovado. Nos casos em que a violência deixa sequelas permanentes, podem surgir pedidos de indenização por danos estéticos. Se houver redução da capacidade de trabalho, a vítima pode pleitear pensão mensal.
“Na esfera trabalhista o trabalhador vítima pode pleitear: dano material (…), dano estético (…), além de pensão por incapacidade”, afirma Juliana Mendonça.
O que o trabalhador deve fazer após sofrer uma agressão
A orientação dos especialistas é registrar boletim de ocorrência o mais rápido possível e buscar atendimento médico, mesmo que as lesões aparentem ser leves.
Também é importante guardar laudos, receitas, atestados, comprovantes de gastos e qualquer outro documento relacionado ao tratamento.
Segundo Juliana Mendonça, a vítima deve tentar identificar testemunhas, solicitar a preservação de imagens de segurança e exigir a emissão da CAT quando a agressão estiver relacionada ao trabalho.
🔎 Quanto mais provas forem reunidas, mais fácil será demonstrar a ocorrência da agressão e seus impactos.
Marcel Cordeiro ressalta que a documentação do caso é fundamental tanto para investigações criminais quanto para o reconhecimento de direitos trabalhistas e previdenciários.
No caso das funcionárias da Latam, a investigação deverá esclarecer a responsabilidade da passageira. Já eventuais discussões trabalhistas dependerão da análise das circunstâncias do atendimento e das medidas adotadas pela empresa.

Café solúvel fica fora de isenção do tarifaço e setor vai aos EUA pedir revisão: 'Não tem lógica'

Café solúvel sendo retirado da embalagem com colher
Reprodução/TV Gazeta
A indústria brasileira de café solúvel vai para os Estados Unidos defender o produto nacional contra a nova rodada de tarifas proposta por Donald Trump. A audiência pública acontece no dia 6 de julho, em Washington, e pode definir se os EUA vão sobretaxar, mais uma vez, o Brasil.
O café solúvel é o único tipo de café que ficou de fora da lista de isenções dos novos tarifaços, uma situação que se repete desde o ano passado.
“Nós vamos participar tanto da audiência como das manifestações por escrito”, conta Aguinaldo Lima, diretor-executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).
Em 1º de junho,Trump propôs tarifas de 25% sobre mercadorias brasileiras, após uma investigação sobre diferentes temas, como desmatamento ilegal, pirataria e PIX.
No dia seguinte, ele anunciou taxas adicionais de 12,5% para 60 países por falha no combate ao trabalho forçado, incluindo o Brasil.
Para ambos os casos, foi publicada uma vasta lista de isenções que inclui os cafés em grão, torrado e moído.
Soma-se a isso o fato de que o café solúvel aromatizado também foi beneficiado pelas isenções, enquanto a versão tradicional ficou de fora. “Acreditamos que possa ter ocorrido alguma falha na classificação dos códigos, porque não faz sentido”, afirma.
Outra hipótese levantada pela Abics é a de que os americanos estejam tentando reindustrializar o setor.
“Mesmo que os EUA decidam produzir mais café solúvel, ainda precisariam importar a matéria-prima. Além disso, trata-se de uma indústria que não leva menos de quatro ou cinco anos para ser instalada. Esse, inclusive, é um dos argumentos que estamos apresentando”, afirma.
“Por outro lado, sabemos que tudo isso é parte de um jogo mais complexo. Os Estados Unidos querem um bom acordo na área de minerais críticos, terras raras, PIX, big techs e por aí vai”, comenta.
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O que o setor vai argumentar na audiência
Segundo Lima, uma das linhas de argumentação será mostrar o impacto do tarifaço sobre a inflação do café nos EUA, além da importância do solúvel brasileiro para a economia americana. “Essa análise ainda está sendo feita, mas vamos debater em cima de dados”, reforça.
Números preliminares do relatório mostram que os EUA produzem apenas 6% do café solúvel consumido internamente.
“Todo o restante é importado, principalmente do Brasil e do México. Em 2024, [último ano antes do tarifaço], o Brasil respondeu por 37% de todo o volume de café solúvel importado pelos americanos”, afirma Lima.
Ele reforça que os dados ainda estão sendo validados e que farão parte da manifestação escrita que a Abics está preparando para enviar às autoridades americanas. O documento será entregue até 1º de julho, prazo fixado pelos EUA para que governos e associações se manifestem sobre as tarifas.
Ele explica que boa parte da argumentação será feita por escrito porque cada pessoa só tem três minutos para falar na audiência pública. “Durante a apresentação, a gente precisa ser muito direto”.
“Depois dos três minutos, eles abrem para perguntas. E, pela experiência que tivemos no ano passado, o café não é tão questionado. Geralmente, o setor de carne e os frigoríficos recebem mais perguntas”, comenta.
“Mas estaremos lá para marcar presença”, reforça.
Dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA (Bureau of Labor Statistics) mostram que a inflação do café solúvel nos EUA teve alta de 24% em maio, no acumulado em 12 meses.
Entre agosto de 2025 e fevereiro deste ano, o produto brasileiro foi taxado em 50% nos EUA, o que derrubou as vendas da indústria brasileira para este mercado. Em 20 de fevereiro, o Congresso dos EUA derrubou essa sobretaxa, mas, no mesmo dia, Trump impôs uma tarifa global de 10%.
“Em julho, vence o prazo da taxa de 10%”, lembra Lima. Segundo ele, caso as novas tarifas entrem em vigor, o café solúvel brasileiro deve ser taxado em 37,5% no mercado americano e provocar mais um baque para o setor.
Além do impacto inflacionário nos EUA, Lima ressalta que o café solúvel é importante para a economia americana.
“Parte da agregação de valor do café solúvel é feita nos Estados Unidos. São as empresas de lá que envasam e fazem a distribuição. Isso gera emprego para os americanos. Não é um produto que vai pronto”, destaca.
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