Governo investiga se sites pornôs impedem acesso de menores de idade

Criança no celular
Canva
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informou nesta sexta-feira (19) que vai monitorar sites de conteúdo pornográfico e de serviços de acompanhantes. O objetivo é verificar se eles estão agindo para impedir o acesso de crianças e adolescentes.
A fiscalização vai alcançar 18 sites com conteúdos e serviços proibidos para menores de idade que representam 98% do tráfego online desse tipo no Brasil, segundo a ANPD. (veja lista ao final)
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (ECA Digital), que virou lei em setembro de 2025, obriga plataformas com conteúdo impróprio para menores de 18 anos a verificar a idade de seus usuários.
Como a autodeclaração de idade está proibida, sites não podem ter bloqueios que podem ser burlados ao clicar em botões como “Sim, tenho mais de 18 anos”. A regra também foi adotada no Reino Unido, onde sites perderam audiência após melhorar a verificação de idade.
Agora no g1
As plataformas acionadas pela ANPD têm 10 dias úteis para responder quais medidas adotaram para verificar a idade de usuários e como elas se adequam aos requisitos mínimos definidos pela agência.
As empresas deverão informar ainda quais mecanismos de proteção são aplicados nos casos em que não é possível confirmar a idade dos usuários.
Caso não respondam aos questionamentos da ANPD, as plataformas ficarão sujeitas a processos administrativos que podem resultar em sanções que incluem advertência, multa e bloqueio no país.
Em março, após o ECA Digital entrar em vigor, o g1 verificou que sites com conteúdo pornográfico não mostravam mudanças visíveis em relação aos dias anteriores e ainda aceitavam a autodeclaração de idade de usuários.
Mas especialistas ouvidos pela reportagem apontaram que a lei ainda estava em um momento de transição e que dependia de regras específicas da ANPD para definir como a verificação de idade deveria ser adotada.
Estes são os sites monitorados pela ANPD:
Xvdeos.com
Xvideos.red
Onlyfans.com
Pornhub.com
Xhamster.com
Xnxx.com
Fatalmodel.com
Socialmediagirls.com
Sambaporno.com
Animeshentai.biz
Hentaistube.com
Privacy.com.br
Thehentai.net
Photoacompanhantes.com
Cameraprive.com
Hiper.cool
Shokka.com
Thisvid.com

Sorteios da Lotofácil, Lotomania, Dupla Sena e Super Sete desta sexta (19) foram adiados por causa de Brasil x Haiti

Como funciona a Mega-Sena?
Os sorteios da Lotofácil, Lotomania, Dupla Sena e Super Sete previstos para esta sexta-feira (19) estão adiados por causa da partida entre Brasil e Haiti pela Copa do Mundo de 2026.
As loterias serão sorteadas na manhã deste sábado (20), às 8h30.
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A mesma mudança ocorrerá com os sorteios programados para o dia 24, que passarão para a manhã de 25 de junho, também às 8h30.
Sorteio da Loteria Federal desta quarta (29)
Reprodução / Caixa
g1 transmite ao vivo
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e sábados.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Memes: gols de Matheus Cunha e Vini Jr. contra o Haiti animam internet

Matheus Cunha, do Brasil, comemora o primeiro gol da equipe com Bruno Guimarães, Lucas Paquetá e Vinicius Junior
REUTERS/Dylan Martinez
Os gols de Matheus Cunha e Vini Jr. na partida entre Brasil e Haiti nesta sexta-feira (19) animaram a internet. Nas redes sociais, memes destacaram o bom desempenho dos atacantes da Seleção Brasileira.
Algumas publicações destacaram a assistência de Lucas Paquetá para o gol de Vini Jr. e lembraram que os dois foram revelados pelo Flamengo.
Outras comentaram os dois gols de Matheus Cunha, escalado como titular por Carlo Ancelotti. “Nunca critiquei”, brincaram alguns usuários.
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'Taxa das blusinhas': após fim do imposto, varejo e importadores levam disputa ao Congresso e à Justiça

Compras em sites brasileiros que não informam produtos vindos da China frustram consumidores e-commerce comércio on-line compras internacionais cartão de crédito consumo
Thaisa Figueiredo/g1
O fim da chamada “taxa das blusinhas” não acabou com a disputa entre varejistas nacionais, importadores, envolvendo também consumidores brasileiros. Pelo contrário, os representantes dos setores ampliaram a ofensiva nas redes sociais, no Congresso Nacional e até mesmo no Judiciário.
Anunciado em maio pelo governo, o fim da taxa das blusinhas eliminou a cobrança de 20% em imposto de importação sobre compras internacionais abaixo de US$ 50 que havia sido instituída em agosto de 2024. A medida manteve o programa Remessa Conforme — que regularizou a compra desses produtos no exterior.
Apesar do fim do imposto de importação, os estados mantiveram sua tributação, por meio do ICMS, enre 17% e 20%. Essa cobrança permanece de pé.
➡️Enquanto o varejo nacional se movimenta pelo que chama de “isonomia” (tributação igual para produtos nacionais e importados), os importadores atuam para manter a taxação zerada (veja mais abaixo nessa reportagem).
Os varejistas alegam que as importações possuem vantagem competitiva frente à produção nacional, o que está minando empregos.
➡️Como pano de fundo dessa disputa, está o fato de que a revogação da taxa das blusinhas foi feita por meio de Medida Provisória, que tem força de lei. Entretanto, terá de ser confirmada posteriormente pelo Congresso Nacional, que pode manter, barrar ou alterar a medida.
➡️Ao mesmo tempo, independentemente da discussão no Congresso Nacional, entidades do setor produtivo nacional já se movimentam para retomar a cobrança no Judiciário. Tudo isso ocorre em um ano eleitoral.
Governo Federal anuncia fim da taxa das blusinhas
Taxa das blusinhas
🔎Iniciada em 2024 e encerrada neste ano, a taxação foi criada como resposta do governo e do Congresso a um pedido de segmentos da indústria nacional, após o aumento das compras digitais durante a pandemia. E também diante da diferença de carga tributária entre produtos nacionais e os importados nas plataformas online.
➡️Controversa, a “taxa das blusinhas” era reprovada por grande parte dos consumidores brasileiros principalmente por encarecer produtos populares de baixo valor e reduzir a atratividade de plataformas internacionais. Críticos argumentavam que turistas de viagens internacionais tinham vantagem ao não recolher o tributo.
➡️A taxação de encomendas com valor abaixo de US$ 50 retornará em 2027 por meio da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) — tributo federal criado no âmbito da reforma tributária sobre o consumo. A alíquota a ser cobrada, entretanto, ainda não está definida. Será fixada até dezembro deste ano. Cálculo da consultoria Roit aponta para uma taxa de 9,43% em 2027.
➡️De 2029 a 2032, haverá a transição do ICMS estadual e do ISS municipal para o IBS — o futuro imposto sobre consumo dos estados e municípios. Ao fim desse período, os atuais tributos estaduais e municipais serão substituídos pelo IBS, cuja alíquota, em conjunto com a CBS do governo federal, está estimada em 26,5% – uma das maiores do mundo. O tributo será cobrado sobre importações.
Disputa se intensifica

Jornal Nacional/ Reprodução
Para o Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), que reúne os varejistas brasileiros, como Americanas, Dafiti, Centauro, Casas Bahia, Lojas Renner e Magazine Luiza, entre outros, a cobrança da CBS a partir de 2027 pelo governo, avança para corrigir uma “situação não isonômica” – dada a isenção para importados de baixo valor. Mas a entidade pede o restabelecimento, também, do imposto de importação — além da cobrança da CBS.
“Todas as operações comerciais com bens e serviços serão, via de regra, tributadas, razão pela qual as operações comercias envolvendo importações de pequeno valor e cross-border também devem ser tributadas, respeitando a lei e principalmente o comércio local, já tão prejudicado pelas distorções tributárias que lhe são aplicadas, seja na tributação de Imposto de Importação, seja na tributação sobre o valor adicionado, como no caso da CBS”, acrescenta o IDV, em nota.
Nesta semana, as Frentes Parlamentares Comércio e Serviços, do Ambiente de Negócios, Pelo Brasil Competitivo e de Defesa da Propriedade Intelectual e de Combate à Pirataria, entre outras, divulgaram documento na qual reafirmam seu “compromisso com a defesa da produção nacional, da geração de empregos, do investimento produtivo e da construção de um ambiente de negócios baseado na concorrência justa e equilibrada”.
“Defender a isonomia tributária não significa defender privilégios. Significa assegurar que todos os agentes econômicos estejam sujeitos às mesmas regras e contribuam de forma equivalente para o desenvolvimento do país. É justamente por isso que defendemos um princípio simples, compreensível e justo: Se baixar para estrangeiro, tem que baixar para brasileiro”, diz o documento.
Por outro lado, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que reúne empresas de tecnologia prestadoras de serviços e importadores, como Alibaba, Amazon e Shein, entre outros, avaliou que o fim do imposto de importação para compras de pequeno valor é o “caminho mais natural e justo”.
A entidade ressaltou a importância de o Congresso avançar com a aprovação da Medida Provisória que eliminou a “taxa das blusinhas”.
“A revogação da taxa ajuda a democratizar o consumo, ao conectar milhões de cidadãos aos produtos do mercado global, com preços mais acessíveis, beneficiando especialmente o público de menor poder aquisitivo. Caso o Imposto de Importação seja reinstituído, somado à CBS e ao ICMS atualmente vigente, a pressão tributária sobre o consumidor final deve se intensificar”, avaliou a Amobitec, em nota.
Já a Proteste Euroconsumers-Brasil, que diz ser uma entidade civil sem fins lucrativos, apartidária, independente de governos e empresas, uma associação brasileira de defesa do consumidor, mas que também tem entre seus associados a Shein, a Alibaba e a Amazon, ou seja, importadoras, realizou uma pesquisa nacional sobre a “taxa das blusinhas”.
Entre os principais resultados, o levantamento aponta que 92% dos consumidores consideram que eliminar a taxação de 20% do governo federal foi uma decisão correta – percentual que chega a 97% no Sudeste e a 94% no Nordeste. Para 88%, o Congresso Nacional deveria tratar o tema como prioridade.
🔎A pesquisa foi realizada entre os dias 12 e 21 de maio de 2026, por meio de entrevistas pessoais, com 1.300 consumidores de 18 a 65 anos, com renda familiar mensal superior a R$ 1.600. O levantamento contemplou moradores das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia, Brasília, Recife, Salvador, Fortaleza, Belém e Manaus.
Demanda na Justiça
A disputa política e nas redes sociais também já começou a transbordar para a Justiça. A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) protocolou, em maio, uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) Supremo Tribunal Federal (STF) o fim da taxa das blusinhas.
A entidade diz que, diante do risco de retrocesso e da insegurança jurídica para o comércio nacional, “requer a concessão de medida liminar para suspender imediatamente os efeitos da isenção”.
No mérito, a Confederação pede que o STF declare a inconstitucionalidade total das normas impugnadas, “restaurando o equilíbrio competitivo no mercado brasileiro”.
“O restabelecimento da alíquota zero para as compras internacionais de até US$ 50 é um retrocesso grave que pune diretamente o setor produtivo nacional. Não podemos aceitar uma assimetria jurídica que concede vantagens excessivas ao produto estrangeiro livre de impostos federais, enquanto as empresas brasileiras suportam sozinhas o peso da nossa carga tributária interna. O comércio nacional não teme a concorrência, desde que ela seja leal”, diz o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.

A estratégia dos três potes: como investir mesmo quando o orçamento está apertado

Como investir se não sobra dinheiro?
Esperar sobrar dinheiro para começar a investir pode ser um erro comum. A recomendação é inverter a lógica: em vez de guardar o que resta no fim do mês, separar uma parcela da renda logo após receber o salário.
Uma das estratégias sugeridas é a chamada teoria dos três potes, que divide o orçamento entre gastos do dia a dia, reserva de segurança para emergências e investimentos voltados para objetivos futuros, como a compra da casa própria, viagens ou aposentadoria.
A regra de bolso mais conhecida prevê a destinação de 60% da renda para despesas correntes, 30% para segurança financeira e 10% para o futuro. Especialistas destacam, porém, que o mais importante é criar o hábito de investir regularmente, mesmo que o percentual inicial seja menor.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.
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O que as pessoas realmente querem no trabalho está mudando — e a geração Z ajuda a explicar por quê

Por que os jovens pedem mais demissão? Veja como pensa cada geração
A ideia de que os mais jovens não se preocupam com vínculos formais começa a ficar para trás. A geração Z (nascidos entre 1997 e 2012), muitas vezes vista como mais desapegada, é hoje a que mais rejeita trabalhos sem contrato no Brasil.
Segundo o Estudo de Tendências Laborais 2026, feito pela WeWork em parceria com a Offerwise, 65% dos jovens dizem não aceitar empregos sem contrato formal ou benefícios. O índice é o maior entre todas as faixas etárias.
O estudo ouviu 2,5 mil profissionais. Entre os mais velhos, como na faixa de 62 a 80 anos, 63% afirmam que não recusariam uma oportunidade nessas condições.

Os números mostram uma diferença geracional: enquanto os mais jovens cobram mais formalização, profissionais de faixas etárias mais altas tendem a aceitar mais esse tipo de proposta.
O dado chama atenção porque vai na contramão de um comportamento já associado a geração Z.
🔎 Os mais jovens mudam mais de emprego, testam caminhos e evitam carreiras longas em um só lugar, como mostrou o g1 em reportagem publicada em agosto do ano passado. Ainda assim, não abrem mão de garantias básicas.
Diferenças entre gerações ajudam a explicar o movimento
Para entender esse contraste, é preciso observar como cada geração se relaciona com o trabalho.
Os baby boomers (1946 e 1964) cresceram em um período em que a estabilidade era regra. A ideia era construir uma trajetória longa, muitas vezes em uma única empresa, com a expectativa de segurança no futuro.
A geração X (1965 – 1980) manteve essa base, mas com mais abertura a mudanças ao longo do tempo. O equilíbrio entre estabilidade e crescimento passou a ganhar espaço.
Entre os millennials (1981 – 1996), o trabalho passou a precisar fazer mais sentido. Propósito, ambiente e desenvolvimento se tornaram fatores importantes para a permanência em uma empresa.
Já a geração Z levou essa transformação adiante. O aprendizado constante, a identificação com o trabalho e a possibilidade de mudança rápida se tornaram parte da lógica profissional. Ao mesmo tempo, cresceram em um cenário mais instável, o que ajuda a explicar a busca por segurança em pontos essenciais, como a formalização.
Essas diferenças ficam ainda mais evidentes em um momento em que quatro gerações passaram a conviver no mesmo mercado de trabalho. Essa diversidade de perfis se tornou um desafio para as empresas, que passaram a lidar com expectativas diferentes sobre o que significa construir uma boa carreira.
Para o sociólogo Ricardo Nunes, esse comportamento não é contraditório.
“As novas gerações aprendem desde cedo que precisam se adaptar e buscar seus próprios caminhos”, afirma. Nesse contexto, ter um contrato formal deixa de ser apenas um detalhe e passa a ser uma forma de proteção.
Flexibilidade ainda é desejo
Além do recorte geracional, o estudo mostra um descompasso entre o que os brasileiros querem e o que encontram no mercado. Seis em cada 10 preferem trabalhar de forma híbrida ou remota. Mas, na prática, apenas quatro em cada 10 estão nesse modelo atualmente.
Ainda de acordo com o estudo, o retorno ao escritório não é descartado, mas vem acompanhado de condições. Cerca de 82% aceitariam voltar ao presencial se recebessem um salário maior.
Mesmo com mudanças em curso, a maioria avalia de forma positiva a retomada das atividades presenciais. Segundo o levantamento, 72% consideram que o retorno ao escritório foi organizado e estruturado.
Ao mesmo tempo, o equilíbrio entre vida pessoal e trabalho segue como prioridade. Para 64%, valeria ganhar menos para preservar essa relação.
Esse cenário reforça o desafio das empresas: encontrar um equilíbrio entre diferentes expectativas.
Enquanto alguns profissionais buscam segurança e estabilidade, outros pressionam por modelos mais flexíveis e por uma relação menos tradicional com o trabalho.
A conclusão do estudo é que o futuro do mercado de trabalho brasileiro será resultado dessa convivência entre gerações. Em vez da substituição de um modelo por outro, o movimento atual indica uma reorganização das relações profissionais, com empresas e trabalhadores ajustando novas formas de trabalhar.
Cada geração carrega valores moldados pelo seu tempo, pelo contexto econômico e pelas transformações sociais
g1

Pedidos de autorização de pesquisa para terras raras explodem, mas agência teme que bloqueios orçamentários causem prejuízos

Levantamento da Agência Nacional de Mineração (ANM) aponta que, desde 2023, o Brasil tem registrado um crescimento expressivo nos requerimentos de autorização de pesquisa para terras raras.
O Brasil possui as maiores reservas de terras raras do mundo depois da China
Getty Images
🔎Chamados de “terras raras”, esses minerais compõem um grupo de 17 elementos químicos encontrados na natureza, normalmente misturados a outros minérios de difícil extração e com alto valor comercial.
Desconhecidas aos olhos do público, mas cobiçadas nos bastidores da indústria e da diplomacia, as “terras raras” se tornaram um dos recursos mais estratégicos do planeta. São essenciais para a fabricação de turbinas eólicas, baterias de carros elétricos, cabos de transmissão, foguetes, equipamentos médicos, armas e dispositivos eletrônicos de última geração.
Com papel central na transição energética, defesa e na produção de alta tecnologia, estes recursos estão no centro de disputas e negociações geopolíticas, e o Brasil tem potencial privilegiado para se destacar no cenário.
Agora no g1
Os números demonstram o aumento no interesse por terras raras nos últimos anos – especialmente a partir de 2023–, um reflexo da percepção da crescente relevância estratégica.
Entre 2023 e o começo de junho, foram contabilizados cerca de 3 mil pedidos. Para efeito comparativo, foram contabilizados 745 requerimentos em todo o período entre 1975 e 2022 .
O requerimento de pesquisa é a primeira fase um longo período até a concessão da lavra, quando uma empresa recebe autorização para explorar uma jazida.
Terras raras: tipos e usos
Arte/g1
Bloqueio no orçamento
Apesar do potencial, as atividades relacionadas as terras raras podem ser atingidas pelo bloqueio de R$ 22,7 milhões no orçamento da Agência Nacional de Mineração (ANM). O alerta foi feito pelo diretor-presidente da autarquia, Mauro Sousa.
🔎 Um bloqueio no orçamento é como um “freio de emergência” temporário nas finanças do governo. Ele acontece quando os gastos obrigatórios, como pagamento de aposentadorias, sobem mais do que o esperado. Quando isso acontece, o governo precisa reter parte do dinheiro de gastos não essenciais, como obras, para não ultrapassar o limite de gastos permitido.
Segundo Sousa, a restrição orçamentária demandará que a agência reveja prioridades em um cenário já de escassez de recursos.
Diretor-presidente da ANM, Mauro Sousa
Divulgação/ANM
“Isso significa alocar os recursos da melhor forma possível. Nem todas as atividades serão desenvolvidas no tempo necessário e adequado”, afirmou a jornalistas após evento do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) nesta semana.
O setor responsável pelos minerais críticos e estratégicos já opera com uma estrutura “modesta”. De acordo com Sousa, a unidade conta com quatro servidores, que comandam estudos e ações relacionadas ao tema.
A limitação orçamentária ocorre em um momento que o Brasil busca ampliar sua participação na cadeia global desses minerais. O diretor da ANM menciona que o país tem firmado acordos de cooperação e memorandos de entendimento com outros países para acelerar estudos e investimentos no setor.
“Nós criamos compromissos internacionais e precisamos ter uma estrutura institucional capaz de dar as respostas adequadas. Quando isso acontece, perdemos a capacidade de cumprir aquilo com que o Estado brasileiro está se comprometendo”, disse.
Serviço Geológico do Brasil avança com pesquisas sobre potencial para terras raras
Divulgação/SGB
Para o diretor-presidente da ANM, há uma contradição entre os objetivos estratégicos do país e a redução dos recursos destinados à autarquia.
“Somos falhos quando cortamos recursos que não permitem que aquilo que foi acordado seja efetivamente cumprido. Isso é uma contradição do Estado brasileiro”, avaliou.
Demais áreas
Além das ações voltadas aos minerais estratégicos, o bloqueio pode afetar questões como leilões de área para exploração e ações de fiscalização de barragens. Caso a limitação dos recursos seja mantida, 43 barragens e 18 pilhas de mineração que deveriam receber vistorias técnicas até o fim do ano poderão ficar fora do cronograma inicialmente planejado.
🔎Essas inspeções subsidiam decisões regulatórias, ações de fiscalização e avaliações de segurança operacional. Algumas das estruturas previstas para vistoria exigem monitoramento contínuo devido ao potencial impacto social, ambiental e econômico, incluindo instalações localizadas próximas a comunidades e áreas ambientalmente sensíveis.
A restrição de recursos também afeta etapas consideradas essenciais para a análise de processos minerários. Em muitos casos, vistorias de campo são necessárias para a aprovação de Relatórios Finais de Pesquisa e de Planos de Aproveitamento Econômico (PAEs), documento que detalha como uma jazida será explorada comercialmente.
Sem essas verificações presenciais, a tramitação dos processos tende a ficar mais lenta, o que pode retardar investimentos e a entrada de novos empreendimentos em operação.

Carro zero por R$ 13 mil, gasolina a R$ 1,70: como era o mercado de carros quando o Brasil ganhou a Copa

Volksweagen Sport de 2002 era o modelo que fazia referência à Copa do Mundo
divulgação / Volkswagen
O torcedor brasileiro convive com um jejum de 24 anos sem conquistar a Copa do Mundo. Voltar a 2002 é lembrar do bom futebol e também tomar um choque de realidade.
O Brasil de 2002 não tinha redes sociais — Facebook e o finado Orkut só seriam criados em 2004. O iPod ainda engatinhava e não existiam smartphones.
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No máximo, havia o jogo da cobrinha em um celular Nokia. E esse aparelho, quando caía no chão, era capaz de trincar o azulejo.
O mercado automotivo brasileiro também era bem diferente. Por isso, o g1 reuniu algumas curiosidades de 2002 para relembrar aqueles tempos.
Agora no g1
Carro zero km por preço de celular
O automóvel mais barato do Brasil em julho de 2002 era o Fiat Uno Mille três portas a álcool (veja abaixo por que ele ainda não era chamado de etanol), vendido por R$ 13.577.
Mas sejamos justos: corrigido pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o modelo custaria hoje o equivalente a R$ 55.589.
Várias versões do Fiat Mille ficaram marcadas pelos preços baixos nos anos 1990 e começo dos anos 2000
Divulgação / Stellantis
Outro dado importante é que, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda média do brasileiro era de R$ 636 em 2002. Corrigido pelo IPCA, o valor equivale hoje a R$ 2.604.
O hatch tinha motor 1.0 aspirado de quatro cilindros e rendia 61 cv. De série, oferecia vidros verdes, cintos traseiros laterais de três pontos e… só. Apoios de cabeça no banco traseiro, travas elétricas e vidros elétricos faziam parte de um pacote que custava R$ 671.
Limpador, lavador e desembaçador do vidro traseiro, além do controle interno manual do retrovisor, custavam R$ 424. Já a pintura metálica acrescentava R$ 294 ao preço final.
O opcional mais curioso era o ar-condicionado. No Uno Mille, era preciso desembolsar R$ 2.407 para ter a cabine climatizada. Isso equivalia a quase 18% do valor do carro.
Sai álcool, entra etanol
Chevrolet Onix ECO 2027 usa exclusivamente etanol no tanque
Divulgação / GM
Em 2002, os postos de combustíveis usavam o nome “álcool”, e isso seguiu sem questionamentos por décadas. Em 2008, algumas entidades ligadas ao setor sucroenergético passaram a defender a troca do nome para etanol.
🔎 O argumento da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica) era que o slogan “Álcool e direção não combinam”, usado na campanha da Lei Seca, confundia o público.
Além disso, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) queria padronizar a nomenclatura para alinhá-la ao mercado internacional.
“A palavra álcool é uma denominação generalizada [há vários tipos de álcool] e o etanol é um produto específico, de maior valor comercial”, disse Haroldo Lima, presidente da ANP na época.
A padronização só veio em dezembro de 2009, por meio de uma resolução da ANP, e passou a valer em todo o Brasil em 2010.
Em um momento de combustíveis caros, vale lembrar que o litro da gasolina custava R$ 1,77 em 2002. O etanol saía por R$ 0,94 e o diesel custava R$ 1,07. Os dados são da ANP.
Outra curiosidade: quando o Brasil conquistou o pentacampeonato, ainda não existiam carros flex no mercado. O primeiro foi o Volkswagen Gol, lançado em 2003.
Volkswage Gol Trend 2002
divulgação / Volkswagen
Líder durante o penta
Por falar nele, entre 1987 e 2013 o Gol foi o carro mais vendido do Brasil. No ano do pentacampeonato, o hatch encerrou 2002 com 208,3 mil unidades vendidas.
Na Europa, o carro mais vendido foi o Volkswagen Golf, com mais de 587 mil unidades emplacadas, seguido de perto pelo Peugeot 206.
Nos Estados Unidos, o carro mais vendido de 2002 foi o Toyota Camry, com mais de 434 mil unidades. Entre todos os veículos, porém, a liderança ficou com a Ford F-150, que somou mais de 813 mil unidades emplacadas naquele ano.
Picape campeã
Fiat Strada teve o primeiro facelift em 2002
Divulgação / Stellantis
Em 2002, a Fiat Strada era a picape mais vendida do Brasil, com 26.053 unidades emplacadas. O volume representava cerca de 40% do segmento de picapes compactas.
Em 2026, a história não mudou: a picape da Fiat vendeu mais de 142 mil unidades e respondeu por mais de 67% do segmento.
Mas é preciso contextualizar: hoje as picapes compactas mudaram de patamar. O foco passou a ser quase exclusivamente o trabalho.
Para quem busca uma picape para uso particular, há versões mais equipadas da Strada, mas principalmente modelos como Fiat Toro, Renault Oroch e Chevrolet Montana. Em breve, o mercado também verá a chegada da Volkswagen Tukan e da BYD Mako.
Volkswagen Gol Sport foi lançado em 2002
divulgação / Volkswagen
Sem nome de Copa
Em 2002, como a Volkswagen não tinha os direitos da competição, não podia usar a designação “Copa” no Gol. A solução foi batizar a versão de Sport e adotar o tom Amarelo Solar como cor exclusiva.
O hatch vinha com motor 1.0 aspirado a gasolina, que gerava 76 cv e 9,7 kgfm de torque. A lista de equipamentos de série tinha direção hidráulica e limpador de vidro traseiro com desembaçador. Travas e vidros elétricos, por exemplo, eram opcionais.
Em 2026, a Volkswagen patrocina as equipes da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). O modelo alusivo à competição é o T-Cross Seleção, que tem lista de equipamentos interessante e visual com frases e estrelas.
Volkswagen T-Cross Seleção: SUV será vendido só até a Copa
China ainda distante
A Copa do Mundo de 2002 foi disputada na Coreia do Sul e no Japão, e marcas japonesas e coreanas faziam sucesso por aqui. Carros chineses sequer eram considerados no Brasil.
A BYD produzia apenas veículos pesados e só lançou seu primeiro carro em 2005.
A JAC Motors, que chegou ao Brasil em 2011 prometendo revolucionar o mercado nacional com o J3, também atuava no segmento de caminhões. Seu primeiro veículo de passageiros foi a van Refine, lançada em 2002.
GWM e Geely foram fundadas nos anos 1980 e só passaram a produzir carros de passeio no fim da década de 1990.
A Chery surgiu em 1997, enquanto as subsidiárias Omoda e Jaecoo nasceram em 2022 e 2023, respectivamente.
O cenário em 2026 é bem diferente. Entre janeiro e abril deste ano, quase metade dos veículos importados pelo Brasil veio da China. Só em abril, mais de 17% das vendas no país foram de marcas chinesas.
O primeiro Ford Ecosport foi mostrado em 2002 e chegou às lojas em 2003
Divulgação / Ford
Nada de SUV
Segundo dados da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), 43,1% dos veículos vendidos no Brasil em 2025 eram SUVs.
Em 2002, esse segmento era praticamente irrelevante no Brasil. A oferta se concentrava em utilitários esportivos grandes e modelos derivados de picapes. O modelo importado mais vendido no ano do pentacampeonato foi o Mitsubishi Pajero, com 4.028 unidades.
A história começou a mudar justamente no Salão do Automóvel de 2002, quando a Ford apresentou a primeira geração do Ecosport.
Derivado do Fiesta, o modelo chegou às lojas em 2003 e inaugurou no Brasil o segmento dos SUVs mais acessíveis, baseados em plataformas de carros compactos.
A mesma receita é aplicada até hoje em SUVs como Fiat Pulse, Chevrolet Tracker, Renault Duster, Citroën C3 Aircross, Volkswagen T-Cross e outros.
O Chevrolet Tracker já existia no mercado em 2002, mas era um irmão gêmeo do Suzuki Grand Vitara
Divulgação / GM
Cardápio interessante
Se hoje o mercado automotivo passa a sensação de ser “mais do mesmo”, em 2002 havia várias opções que hoje parecem curiosas.
No ano do penta, era possível entrar em uma concessionária Volkswagen e levar para casa um Santana ou uma Parati Turbo. Para quem precisava trabalhar, a Kombi seguia firme e forte no catálogo da marca.
Os saudosistas devem lembrar que, em 2002, ainda era possível comprar modelos da Alfa Romeo no Brasil. O sedã 166 tinha motor 3.0 V6 de 226 cv, câmbio automático e suspensão traseira independente. O preço de US$ 59 mil assusta até em 2026.
A Chevrolet já vendia o Tracker por aqui em 2002, mas o SUV era, na prática, um Suzuki Vitara com detalhes e emblemas diferentes. No início da trajetória da dupla, o motor era um 2.0 turbodiesel de 87 cv fornecido pela Mazda.
Em 2002, porém, outro motor 2.0 turbodiesel entrou em cena, desta vez da Peugeot. O propulsor rendia 108 cv e 25,5 kgfm de torque.
Fiat Toro passa pela linha de produção da Stellantis em Goiana, Pernambuco
Divulgação / Stellantis
Mercado cresceu
Em 2002, os brasileiros compraram quase 1,4 milhão de automóveis, segundo dados da Fenabrave. Em 2025, o mercado nacional registrou mais de 2,5 milhões de emplacamentos.
A produção nacional também cresceu: passou de 1,7 milhão de veículos no ano do penta para mais de 2,6 milhões no ano passado.
Dois dados curiosos aparecem no anuário da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). A estimativa para 2002 era de uma frota circulante de 18,4 milhões de veículos no Brasil.
Em 2024, ano mais recente disponível no documento, a estimativa é de que o Brasil tenha mais de 40,3 milhões de veículos em circulação.