Enquanto jogam a Copa, atletas fecham contratos milionários com novos clubes; distração preocupa treinadores

Víctor Muñoz, Ismael Saibari, Elliot Anderson e Ibrahima Konaté
AFP e Reuters
É sabido que a Copa do Mundo é uma vitrine inigualável para que jogadores garantam contratos lucrativos ao fim da competição. No entanto, vários participantes do torneio optaram por definir o futuro de suas carreiras em clubes enquanto ainda estão concentrados com suas seleções.
O lateral-esquerdo Marc Cucurella foi anunciado oficialmente como jogador do Real Madrid poucas horas antes de entrar em campo pela seleção da Espanha, que iniciou sua campanha com um surpreendente empate sem gols contra Cabo Verde, estreante em Mundiais.
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Poucos dias depois, o Liverpool venceu a disputa pela contratação de outro espanhol, o atacante Víctor Muñoz, em uma operação avaliada em 40 milhões de euros (R$ 235 milhões, na cotação atual).
Também na ‘Roja’, Alex Grimaldo está prestes a trocar o Bayer Leverkusen pelo Atlético de Madrid, enquanto Pedro Porro renovou contrato com o Tottenham após o início do torneio.
Essa onda de negociações, somada a um começo decepcionante no Mundial, levantou na Espanha dúvidas sobre se a equipe teria se deixado distrair pelo mercado — algo que o técnico Luis de la Fuente negou categoricamente.
“Comemoramos as boas notícias, seja para Cucurella ou para qualquer outro companheiro durante o torneio porque, se é bom para eles, é bom para todo o elenco”, declarou De la Fuente.
“Tudo o que traz felicidade aos meus jogadores me deixa tão feliz quanto eles”, acrescentou.
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Cucurella trocou o Chelsea pelo Real Madrid, que chegou a um acordo de 55 milhões de euros (R$ 323 milhões) com o clube londrino, fechado em “um dia e meio” para permitir que o jogador se concentrasse na Copa do Mundo.
De fato, ele foi o destaque de uma atuação apagada da seleção espanhola contra Cabo Verde.
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Mercado aberto
Cerimônia de abertura da Copa no México
YURI CORTEZ / AFP
A Espanha não é a única seleção impactada pelo mercado de transferências.
Na semana passada, o Real Madrid também anunciou as contratações do zagueiro francês Ibrahima Konaté e do meio-campista português Bernardo Silva a custo zero. Ambos estão atualmente com suas seleções na Copa do Mundo.
Segundo a imprensa, o Bayern de Munique chegou a um acordo com o PSV Eindhoven para contratar o meio-campista marroquino Ismael Saibari, cujos dois gols em dois jogos o transformaram em uma das principais revelações do torneio, por 55 milhões de euros.
O zagueiro holandês Jan Paul van Hecke deixou o Brighton e assinou com o Tottenham por cerca de 52 milhões de libras esterlinas (R$ 354 milhões), no intervalo entre os dois primeiros jogos da ‘Oranje’ na fase de grupos, contra Japão e Suécia.
“É importante para mim. O técnico me deu tempo para focar nessa transferência. Sou grato por isso, pois representa um grande passo na minha carreira”, disse Van Hecke em entrevista coletiva antes da vitória por 5 a 1 sobre a Suécia.
‘Questão de bom senso’
Thomas Tuchel afirmou antes da Copa que tentar impedir transferências durante o torneio não é realista,
JUAN MABROMATA / AFP
É provável que Elliott Anderson se torne o jogador inglês mais caro da história enquanto defende o ‘Three Lions’ nos Estados Unidos. O Manchester City está perto de contratar o meio-campista do Nottingham Forest, e especula-se que a negociação pelo jogador de 23 anos possa ultrapassar 120 milhões de libras (R$ 816 milhões).
O técnico da Inglaterra, Thomas Tuchel, tem vasta experiência no outro lado do eterno debate entre clubes e seleções.
Tuchel, que já comandou Paris Saint-Germain, Chelsea e Bayern de Munique, afirmou antes da Copa que tentar impedir transferências durante o torneio não é realista, embora haja limites para o que os jogadores podem fazer.
“É uma questão de bom senso. Eu não gostaria que isso acontecesse na véspera ou no dia de um jogo. Essa é a regra”, afirmou o treinador alemão.
“Se for feito de forma privada, eficiente e discreta, estaremos sempre dispostos a ajudar. É importante ter clareza sobre a situação de cada jogador. Se alguém tiver a oportunidade de mudar de clube, não seremos um obstáculo”, acrescentou.
“O ideal seria não haver transferências, mas a realidade é diferente. A questão é até que ponto devemos nos preocupar. Mesmo que eu dissesse aos jogadores para não pensarem nisso agora, seus telefones continuariam tocando sem parar. Como controlar isso?”, questionou Tuchel.
Para outros, a Copa do Mundo segue sendo a vitrine ideal para ampliar a visibilidade e viabilizar uma grande transferência.
Jogadores como o americano Folarin Balogun, o neozelandês Elijah Just e o atacante suíço Johan Manzambi despertaram interesse após marcarem dois gols, enquanto o marroquino Ayyoub Bouaddi entrou no radar de grandes clubes da Europa por sua atuação de destaque contra o Brasil.
“É motivador”, comentou o australiano Alessandro Circati, cujo nome vem sendo ligado a clubes como Atlético de Madrid e Newcastle.
“Isso faz você se sentir melhor consigo mesmo. Dá a sensação de que está no caminho certo”, concluiu Circati.

Açúcar mais caro? Por que a Índia pode sumir do mercado — e o que isso significa para os preços

Açúcar
Mathilde Langevin/Unplash
A Índia, que já foi o segundo maior exportador de açúcar do mundo, deve ter pouco açúcar disponível para exportação por pelo menos mais três safras, segundo executivos do comércio e da indústria, fontes governamentais e agricultores
O motivo é a combinação entre o risco de queda na produção de cana por causa do El Niño e o aumento do uso da matéria-prima para a fabricação de etanol.
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Essas duas pressões devem manter milhões de toneladas de açúcar fora do mercado mundial, reduzindo a oferta para importadores na Ásia, África e Oriente Médio e sustentando os preços de referência em Londres e Nova York.
Uma ausência prolongada da Índia dos mercados de exportação retiraria um importante fornecedor, à medida que os riscos climáticos e as políticas de biocombustíveis remodelam os fluxos globais do comércio de açúcar.
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Restrições das exportações
O açúcar é um tema politicamente sensível na Índia, maior consumidor mundial, onde doces são muito populares e muitas famílias de baixa renda dependem dele como fonte barata de calorias.
“A oferta já está escassa na Índia, e agora o El Niño está se tornando um grande risco”, disse Rahil Shaikh, diretor-gerente da MEIR Commodities India, uma corretora com sede em Mumbai.
“Se as chuvas ficarem aquém das previsões, o plantio de cana será prejudicado e isso manterá a Índia fora do mercado de exportação de açúcar por pelo menos três anos, enquanto o Brasil e a Tailândia também podem ter suas safras afetadas pelo El Niño.”
O Brasil, principal exportador, também está destinando mais cana para a produção de etanol. A Tailândia, outro grande exportador, também pode ter sua produção afetada pelas chuvas reduzidas pelo El Niño.
A Índia exportou, em média, 6,8 milhões de toneladas métricas de açúcar por ano nas cinco safras até 2022-23 — cerca de 10% dos embarques globais. Este ano, após exportar cerca de 800 mil toneladas, a Índia suspendeu os embarques até 30 de setembro, o fim da safra.
As usinas precisam de aprovação do governo para exportar açúcar, e Nova Délhi provavelmente suspenderá as autorizações de exportação a cada safra, em vez de anunciar uma proibição plurianual, afirmaram fontes do governo e do setor com conhecimento do assunto.
No mês passado, um ministro de alto escalão do governo do primeiro-ministro Narendra Modi instruiu as usinas a priorizarem a disponibilidade no mercado interno e a não pressionarem por exportações, disseram as fontes sob condição de anonimato, uma vez que as discussões eram confidenciais.
O Departamento de Alimentação, Abastecimento Civil e Assuntos do Consumidor da Índia não respondeu a um pedido de comentário sobre as perspectivas para as exportações ou suas restrições sobre exportações.
Como nasce um El Niño
Arte/g1
El Niño prejudica cana
As condições do El Niño devem enfraquecer as chuvas de monção na Índia este ano, levando-as ao nível mais baixo em 11 anos.
Chuvas abaixo da média, aliadas a uma precipitação em junho mais de 40% abaixo da média, levaram os agricultores a adiar o plantio.
“Eu tinha planejado plantar variedades de cana de ciclo longo em junho, mas como todo mundo está falando sobre chuvas mais fracas, decidi adiar esse plano”, disse Sambhaji Patil, que decidiu cultivar soja em 2 acres (0,8 hectares) no distrito de Sangli, no estado de Maharashtra, no oeste do país.
O proprietário de um viveiro, Suraj Chavan, disse que a demanda por mudas de cana caiu drasticamente nas últimas semanas.
É provável que os agricultores mudem para culturas que exijam menos água, o que poderia reduzir a área plantada com cana e a disponibilidade do produto na safra de 2027-28, disse Prakash Naiknavare, diretor-geral da Federação Nacional de Fábricas Cooperativas de Açúcar.
As autoridades locais começaram a promover culturas alternativas, como soja, feijão-guandu e outras variedades de leguminosas, na maioria das regiões produtoras de açúcar, e restringiram o abastecimento de água para irrigação.
A Índia deveria produzir 30,95 milhões de toneladas de açúcar nesta safra, mas a produção agora está estimada em 27,9 milhões de toneladas, abaixo do consumo anual de cerca de 28,5 milhões de toneladas, segundo estimativas do setor.
Como resultado, os estoques nas usinas no início da safra, em 1º de outubro, provavelmente cairão para cerca de 3,5 milhões de toneladas, o nível mais baixo em mais de três décadas, disse Shaikh, da MEIR.
Ao mesmo tempo, a Índia está promovendo uma maior mistura de etanol à gasolina e uma adoção mais ampla de veículos flex-fuel para reduzir a dependência do caro petróleo importado.
A demanda por etanol poderia mais que dobrar, passando dos atuais 12 bilhões a 13 bilhões de litros para cerca de 30 bilhões de litros até 2039-40, à medida que o aumento da mistura de etanol na gasolina e a adoção de veículos flex-fuel ganham ritmo, sugerem as estimativas do setor.
“A trajetória da demanda por etanol é incrivelmente forte”, disse Samir Somaiya, presidente e diretor-geral da Godavari Biorefineries. “A próxima fase da evolução da demanda será impulsionada pelo lançamento comercial de veículos flex-fuel.”
A Maruti Suzuki, maior montadora indiana, lançou este mês o primeiro veículo flex-fuel do país, enquanto a Hero MotoCorp lançou uma motocicleta flex-fuel.
A Índia eliminou este mês o imposto sobre a produção de gasolina misturada com níveis mais altos de etanol e lançou combustível com até 85% de etanol para apoiar a adoção de veículos flex-fuel.
As futuras políticas governamentais provavelmente darão prioridade à produção de etanol em detrimento das exportações de açúcar, afirmou B.B. Thombare, diretor-geral da Natural Sugar, no estado de Maharashtra.
A Índia poderia eventualmente ser forçada a importar açúcar se as perturbações climáticas relacionadas ao El Niño reduzissem drasticamente a área de cultivo de cana e a produção, disseram fontes do governo e autoridades do setor, com os comerciantes alertando que a oferta poderia ficar ainda mais restrita na safra de 2027-28.
“Devido a um El Niño severo e à crescente demanda por etanol, não só as exportações da Índia seriam praticamente eliminadas, como também as importações para a Índia nos próximos anos poderiam se tornar necessárias”, disse Mohan Narang, diretor da K.S. Commodities, uma corretora de commodities em Nova Délhi.

Natto: o prato pegajoso de soja fermentada que virou fenômeno graças à fama de superalimento

Imagem de um natto, prato japonês à base de soja fermentada.
Reprodução/cultesabor
Fios translúcidos e pegajosos pendem dos hashis do turista americano Wesley Smith, que saboreia cada porção viscosa de natto, alimento japonês à base de soja fermentada e aroma intenso que conquista espaço fora do Japão.
Presença tradicional no café da manhã japonês, o alimento fermentado por bactérias divide opiniões por seu cheiro forte, textura viscosa e sabor ácido.
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“No começo achei um pouco estranho”, contou Smith à AFP em um restaurante de Tóquio onde é possível comer natto à vontade.
Nos últimos anos, o natto se juntou à onda de alimentos fermentados — do kimchi à kombucha — cuja popularidade cresceu no mundo.
Segundo dados recentes, as exportações japonesas de natto triplicaram desde 2017 e chegaram a 5.248 toneladas em 2025. China e Estados Unidos lideram os destinos.
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Superalimento
Em Los Angeles, Kenji Suzuki, dono do restaurante japonês Suehiro, comemora o aumento de clientes não japoneses dispostos a experimentar o prato.
“Quando as redes sociais começaram a falar do natto e de seu status de superalimento, cada vez mais pessoas quiseram experimentá-lo para ver se era realmente tão desagradável quanto dizem”, explicou.
Em Tóquio, Smith compara o natto a um “queijo forte”, mas diz duvidar que sua consistência viscosa faça sucesso em larga escala nos Estados Unidos.
Além dos supostos benefícios à saúde, o natto é valorizado no Japão pelo preço acessível. Um pacote com três porções costuma custar cerca de 100 ienes, aproximadamente US$ 0,60 (cerca de R$ 3).
‘Comida de pobre’
Nem mesmo o natto escapou da alta de preços, afirma Yoshihiro Noro, ex-presidente da Federação Japonesa de Cooperativas de Natto.
Segundo ele, a escassez de nafta, derivado do petróleo usado na fabricação das embalagens, está relacionada à guerra no Oriente Médio.
Noro vê nisso uma chance para o produto superar sua imagem de “comida de pobre”.
“Poucos alimentos podem ser considerados um superalimento e ser tão saudáveis quanto o natto”, afirmou o empresário de 72 anos.
Ele acredita ter desenvolvido uma versão capaz de conquistar mais consumidores: o Kamakurayama Natto, descrito como “extremamente viscoso”, mas sem “cheiro nem amargor”.
“Continuem comendo… vocês vão acabar gostando!”, garantiu.

Estreito de Ormuz registra o tráfego mais intenso desde o início da guerra

Navios no Estreito de Ormuz em 18 de junho de 2026.
Reuters/Stringer
Pelo menos 35 navios com carga atravessaram o Estreito de Ormuz na segunda-feira (23), um recorde desde o início da guerra no Oriente Médio no fim de fevereiro, segundo dados da plataforma Kpler divulgados uma semana após o anúncio de um memorando de entendimento entre Irã e Estados Unidos.
O volume de tráfego representa quase um terço do que era registrado em períodos de paz, quando cerca de 120 navios transitavam diariamente por esta passagem estratégica para o comércio mundial de hidrocarbonetos e outros produtos.
Durante a guerra, de 1º de março a 14 de junho, menos de 10 navios de carga atravessavam o estreito em média por dia. Desde 15 de junho, um dia depois do anúncio do acordo, a média subiu para 21 e chegou a 27 nos últimos cinco dias.
O Estreito de Ormuz foi reaberto na semana passada, após um acordo entre Irã e Estados Unidos para acabar com o Oriente Médio, mas Teerã anunciou no sábado o fechamento do estreito em resposta aos ataques de Israel no Líbano.
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Posteriormente, Estados Unidos e Irã chegaram a um entendimento sobre mecanismos para interromper os confrontos no Líbano e garantir a segurança do Estreito de Ormuz.
“A administração do Estreito de Ormuz nunca mais será a mesma de antes da guerra”, afirmou nesta terça-feira o principal negociador iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, citado pela agência oficial Irna.
Segundo ele, o Irã administrará a via marítima, o que provoca a dúvida sobre se os navios terão que pagar algum tipo de taxa para transitar por Ormuz.