Brasil praticamente esgota cota de carne bovina à China e reduz abates, diz StoneX

Brasil se aproxima do limite da cota chinesa, e frigoríficos diminuem compra de bois
O Brasil já preencheu 98,5% da cota de exportação de carne bovina à China até junho, o que levou frigoríficos a reduzirem os abates devido à diminuição dos volumes a serem exportados, sobretudo no terceiro trimestre, afirmou a StoneX, em análise divulgada nesta segunda-feira (6).
A China, maior importador da carne bovina brasileira, implementou uma cota de 1,1 milhão de toneladas livre da tarifa mais alta de 55% para o produto do Brasil este ano, para proteger sua produção interna.
Segundo a Stonex, o Brasil já exportou 98,5% desse volume, considerando os embarques que começaram a ser feitos no fim do ano passado, em novembro, até 30 de junho deste ano. Levando em conta os dados de internalização da China — ou seja, a carne que efetivamente já desembarcou no país –, o Brasil havia preenchido 72% da cota até 30 de junho.
Com isso, o saldo brasileiro deve ser preenchido até agosto, contando os cerca de 45 dias entre o embarque no Brasil e a chegada à China.
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“Há uma expectativa de maior oferta (de carne bovina) no mercado interno, também possibilidades de remanejamento de oferta, mas a primeira reação da indústria foi diminuir os abates”, disse Larissa Barboza Alvarez, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
Ela acrescentou ainda que o atingimento da cota da China foi o motivo pelo qual frigoríficos começaram as férias coletivas em massa no Mato Grosso nos últimos dias.
As exportações brasileiras de carne bovina atingiram níveis recordes no primeiro semestre de 2026, totalizando 1,705 milhão de toneladas embarcadas e US$9,85 bilhões em receita, informou nesta segunda-feira a Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), citando dados oficiais do governo.
Boa parte da aceleração dos embarques ocorreu em função das cotas chinesas definidas para 2026, disse a StoneX, acrescentando que as exportações à China devem retornar no quarto trimestre, dado o início da cota de 2027.
Além do Brasil, a Austrália também já esgotou sua cota de exportação à China, de modo que “os principais fornecedores deixam de abastecer o mercado chinês a partir de meados do 3º trimestre”, apontou o relatório.
“Argentina, Uruguai e Estados Unidos ainda têm espaço relevante em suas cotas, mas restam dúvidas quanto à capacidade de preenchê-las, dada a disponibilidade mais limitada desses players para exportação”.
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Brasil chama investigação dos EUA de 'arbitrária' e diz que tarifa de 12,5% viola regras da OMC

Chanceler Mauro Vieira
Mateus Oliveira/MRE
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, enviou uma carta ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) para contestar a proposta de aplicar uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos brasileiros.
Essa é a segunda sobretaxa proposta pelo USTR com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA. Segundo a investigação, o Brasil e mais de 60 países falharam em impedir de forma adequada a circulação de produtos fabricados com trabalho forçado.
🔎 O USTR é o órgão responsável por formular a política comercial dos EUA. Também conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas, como a imposição de tarifas. Além da tarifa de 12,5%, o órgão propõe outra taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
Na carta, o Itamaraty rejeita essa avaliação e afirma que as conclusões da investigação são “errôneas”, “arbitrárias” e não encontram respaldo nas evidências apresentadas pelo Brasil ao longo do processo.
Agora no g1
O ministério afirma que o relatório deixou de considerar informações sobre as leis e as ações de fiscalização adotadas pelo Brasil para combater o trabalho análogo à escravidão. (veja mais abaixo)
A manifestação também reforça a posição histórica do Brasil de que medidas unilaterais adotadas com base na Seção 301 — dispositivo da legislação comercial americana — são incompatíveis com o sistema multilateral de comércio.
“As questões levantadas nesta investigação — abrangendo regimes jurídicos internos e práticas de fiscalização — seriam mais bem tratadas por meio da cooperação e do engajamento internacional, em vez de medidas comerciais punitivas”, diz o documento assinado por Vieira.
A seguir, o g1 explica os principais argumentos apresentados pelo Itamaraty ao USTR e mostra como o governo brasileiro contesta a proposta de tarifa.
Tarifa contraria regras da OMC
Brasil rebate acusação de trabalho análogo à escravidão
Fiscalização é usada como argumento
USTR ignorou evidências, diz governo
O que o Brasil pede aos EUA
Tarifa contraria regras da OMC
Na carta enviada ao governo americano, o Itamaraty afirma que a proposta de aplicar uma tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros desrespeita as regras do comércio internacional.
Segundo o governo, divergências desse tipo devem ser resolvidas pelos mecanismos de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC), e não pela imposição unilateral de tarifas.
“Quando surgem disputas comerciais no âmbito de acordos internacionais, a Seção 303 da Lei de Comércio dos EUA (Trade Act) prevê a utilização de mecanismos formais de solução de controvérsias (como os procedimentos da Organização Mundial do Comércio) antes do recurso a medidas unilaterais.”
O documento também destaca que, desde 2007, os EUA acumulam um superávit comercial superior a US$ 400 bilhões nas trocas com o Brasil. Para o Itamaraty, esse resultado enfraquece a justificativa para a aplicação da tarifa proposta.
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Brasil rebate acusação de trabalho análogo à escravidão
O documento enviado pelo governo brasileiro ao USTR sustenta que o país já atua de forma ativa no combate ao trabalho análogo à escravidão, principal motivo apontado pelos EUA para justificar a proposta de aplicar uma tarifa adicional sobre produtos brasileiros.
No texto, Mauro Vieira afirma que o país mantém um conjunto abrangente de mecanismos legais e institucionais para prevenir, identificar e punir casos.
Entre eles estão:
responsabilização criminal;
fiscalização trabalhista;
mecanismos de transparência;
cooperação entre diferentes órgãos públicos; e
medidas para impedir que produtos ligados ao trabalho escravo entrem nas cadeias produtivas.
O chamado “Aviso de Conclusões” (Notice of Findings), divulgado pelo USTR no domingo (5), conclui que o Brasil falhou em proibir e fiscalizar de forma efetiva a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. Segundo o órgão americano, essa suposta falha seria “irrazoável” e prejudicaria o comércio dos EUA.
Mauro Vieira contesta essa avaliação.
“O Brasil sustenta, respeitosamente, que tais conclusões não encontram respaldo nos autos e são factualmente incorretas”, escreve o ministro.
Segundo o ministro, a análise do USTR desconsidera evidências sobre o sistema jurídico brasileiro e os esforços de fiscalização do país. Além disso, não demonstra qualquer relação entre as políticas adotadas pelo Brasil e eventuais prejuízos aos interesses comerciais dos EUA.
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Fiscalização é usada como argumento
O documento também argumenta que a identificação de casos de trabalho análogo à escravidão não demonstra falta de fiscalização. Pelo contrário, segundo o governo brasileiro, mostra que os mecanismos de inspeção estão funcionando.
De acordo com Vieira, a identificação frequente de violações trabalhistas demonstra o compromisso das autoridades em localizar abusos e responsabilizar os envolvidos. Assim, os números não devem ser interpretados como sinal de permissividade, mas como resultado de uma fiscalização ativa e eficiente.
Como exemplo, o governo cita a chamada “Lista Suja”, cadastro de empregadores responsabilizados por esse tipo de crime.
🔎 O governo federal resgatou 2.772 pessoas em situação de trabalho análogo à escravidão em 2025, segundo dados divulgados em janeiro pela Secretaria de Inspeção do Trabalho (SIT), do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). O número representa aumento de 26,8% em relação a 2024.
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USTR ignorou evidências, diz governo
Segundo o ministro, o órgão americano concluiu que o Brasil não proíbe nem combate adequadamente produtos ligados ao trabalho forçado sem considerar a documentação apresentada.
“As determinações do USTR […] não identificam qualquer remessa, transação ou elo concreto da cadeia de suprimentos que demonstre que o Brasil permitiu a entrada, em seu mercado, de mercadorias produzidas com trabalho forçado de maneira a onerar ou restringir o comércio dos EUA. Em vez disso, as conclusões baseiam-se em afirmações genéricas e referências a preocupações relacionadas a terceiros países, as quais não estão vinculadas às importações, ao regime jurídico ou ao histórico de fiscalização do Brasil”, afirma Vieira.
O governo brasileiro também argumenta que o USTR utilizou exemplos de outros países para justificar sua decisão, sem demonstrar relação com a realidade brasileira. “O USTR optou por invocar uma afirmação conclusiva”, afirma o documento.
Para reforçar esse argumento, Mauro Vieira recorre à própria legislação americana. Segundo ele, a Seção 301 não permite que o USTR ignore evidências que contradigam suas conclusões — mas foi exatamente isso que aconteceu neste caso.
“A Section 301 não permite que o USTR ignore evidências incontestadas (…) Infelizmente, foi precisamente isso que o USTR propôs”, escreve Vieira.
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O que o Brasil pede
Na manifestação enviada ao USTR, o governo brasileiro pede que o órgão revise suas conclusões, retire as acusações feitas contra o Brasil e desista da proposta de impor tarifas adicionais sobre produtos do país.
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Perfil de Balogun é invadido por torcedores rivais com críticas por anulação de cartão após pedido de Trump: 'Corrupção'

Comentários após Fifa anular expulsão de Balogun
AP Photo/Lindsey Wasson; Reprodução
Uma postagem do atacante americano Balogun no Instagram recebeu uma enxurrada de críticas após a Fifa anular o cartão vermelho que o tiraria da partida desta segunda-feira (6), entre Estados Unidos e Bélgica.
Os comentários incluem expressões como “escândalo” e “manipulação”, bem como emojis de cartão vermelho, em resposta ao que tem sido considerado um favorecimento da Fifa aos Estados Unidos, um dos países que sediam a Copa do Mundo de 2026.
“Corrupção, faça a coisa certa”, comentou uma pessoa. “Proibir os EUA por interferência política: não há outra escolha”, escreveu outro usuário.
O presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou nesta segunda que pediu para a Fifa revisar o cartão vermelho aplicado a Balogun na partida da última quarta-feira (1º), contra a Bósnia e Herzegovina.
Agora no g1
“Tudo o que fiz foi pedir uma revisão, porque não achei que fosse falta. Eu não disse à Fifa o que fazer. O comitê tomou a decisão certa. É injusto excluir um dos melhores jogadores dos EUA”.
Trump chamou o árbitro brasileiro Raphael Claus, que deu o cartão vermelho a Balogun, de “um pouco suspeito” e criticou a decisão de campo. “Ele fez uma marcação que ninguém conseguiu acreditar, sabe? Até pessoas do outro lado”, afirmou.
Folarin Balogun, dos EUA, recebe um cartão vermelho do árbitro Raphael Claus.
Phil Noble / Reuters
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, admitiu ter recebido um telefonema de Trump, mas garantiu que não teve nenhum poder sobre a decisão tomada pelo Comitê Disciplinar da federação.
“Os órgãos judiciais da Fifa são independentes, eles atuam de forma autônoma. (…) Eu leio as decisões do Comitê Disciplinar da Fifa quando são emitidas. Às vezes fico surpreso com elas. Às vezes concordo, e às vezes discordo. O que sempre faço, no entanto, é respeitar essas decisões e a autonomia dos órgãos que as tomam”, afirmou em comunicado.
O Código Disciplinar da Fifa prevê que uma medida disciplinar, como um cartão vermelho, pode ser suspensa total ou parcialmente.
Mesmo com a explicação de Infantino, alguns usuários criticaram Balogun diretamente. “Um cartão vermelho é um cartão vermelho”, disse uma pessoa. “Se você fosse um atleta ético, não jogaria hoje”, escreveu outra.
Comentários após Fifa anular expulsão de Balogun
Reprodução

Tesla, Coca-Cola, Nestlé e eBay pedem que EUA não tarifem produtos do Brasil

Vista aérea da Casa Branca, em 2 de maio de 2026
REUTERS/Ken Cedeno
Grandes empresas americanas enviaram cartas ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) solicitando que produtos importados do Brasil fiquem de fora da imposição de tarifas adicionais sob a investigação da Seção 301. As manifestações de gigantes como Tesla, Nestlé, Coca-Cola e eBay, enviadas no dia 1 de julho, alertam para os impactos negativos na competitividade, nas cadeias de suprimentos e no bolso dos consumidores dos EUA se as barreiras forem adotadas.
🔎 Nesta segunda-feira (6), iniciaram as audiências públicas sobre o tarifaço proposto pelo governo americano aos produtos brasileiros.
🔎O USTR é o órgão responsável por formular a política comercial dos EUA. Também conduz investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e pode recomendar medidas, como a imposição de tarifas. Além da tarifa de 12,5%, o órgão propõe outra taxa de 25% sobre produtos brasileiros, sob a alegação de que o governo adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os norte-americanos.
A mobilização empresarial ocorre paralelamente a um momento de forte tensão diplomática. Documentos enviados pelo ministro das Relações Exteriores Mauro Vieira mostram que o Itamaraty vê “risco” de o governo de Donald Trump usar “força militar” contra o território brasileiro após os EUA terem classificado unilateralmente as facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas internacionais.
Na semana passada, o Departamento do Tesouro americano já congelou bens de dois brasileiros e de quatro empresas por supostas ligações com o PCC. Apesar do cenário político conflagrado, as corporações americanas argumentam que punir comercialmente os insumos do Brasil trará prejuízos internos imediatos para a economia dos EUA.
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Veja abaixo o que pede cada empresa:
Tesla
A montadora de veículos elétricos e sistemas de energia pediu que o USTR isente os insumos industriais vindos do Brasil.
A empresa do bilionário Elon Musk afirma que está investindo bilhões de dólares para nacionalizar e diversificar sua cadeia de suprimentos nas Américas. Contudo, a transição leva tempo e certos insumos fundamentais para setores avançados (como veículos elétricos, robótica e baterias) ainda não podem ser produzidos nos EUA com a escala e qualidade necessárias.
A Tesla defende que aplicar taxas de forma mais rápida do que a capacidade de o mercado interno se adaptar vai prejudicar os trabalhadores e consumidores americanos.
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Nestlé
A multinacional do setor de alimentos solicitou a expansão da lista dos isentos e inclusão de dois produtos específicos importados do Brasil: o café instantâneo não aromatizado (café solúvel) e o colágeno bovino.
A Nestlé pontua que o café em grão não pode ser cultivado em escala comercial nos EUA continental, e que o Brasil é o principal exportador global de colágeno bovino, cuja cadeia americana não supre a demanda de produtos de saúde e bem-estar.
A companhia ressalta que 96,7% de suas cadeias de suprimentos de commodities primárias já foram avaliadas como livres de desmatamento até o final de 2025, rebatendo preocupações ambientais.
Coca-Cola
A fabricante de bebidas solicitou que o governo dos EUA mantenha a isenção já proposta para o suco de laranja de origem brasileira e adicione o limão (e derivados) à lista de produtos livres de tarifas ou conceda um período de transição.
A companhia reportou que a produção de laranja na Flórida despencou drasticamente de 242 milhões de caixas na safra 2003/04 para uma estimativa de apenas 12 milhões em 2025/26 devido a doenças climáticas e pragas.
O Brasil tornou-se um fornecedor suplementar vital para garantir o café da manhã das famílias americanas, diz o documento. Mudar de fornecedores de cítricos exige tempo para testes de segurança alimentar, e novas tarifas iriam apenas encarecer os custos de produção internamente, segundo a companhia.
eBay
A plataforma global de comércio eletrônico recomendou que o USTR modifique a proposta de ação para criar uma isenção categórica para produtos de segunda mão, usados e seminovos.
O eBay explica que as tarifas foram desenhadas como um sinal de preço direcionado à produção industrial e agrícola do Brasil. Um produto usado, no entanto, já teria cumprido seu ciclo de vida. O fabricante original já foi pago e a taxa penalizaria apenas o revendedor e o consumidor de baixa renda que busca economizar, argumentou a plataforma.
Além disso, a empresa aponta ser inviável exigir declarações precisas de país de origem para itens usados (cerca de 30% das roupas chegam para revenda sem etiquetas), o que geraria um custo burocrático e operacional desproporcional para a alfândega e pequenos negócios.
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Sem regulamentação, mercados preditivos crescem no Brasil e viram desafio para o governo

Sem regulação, mercados de predições viram desafio no Brasil
Reprodução/ Kalshi e Polymarket
Fora das atenções que focam em publicidades de bets e regulamentações, os chamados “mercados de predição”, que cresceram globalmente nos últimos anos, se tornaram um desafio para as autoridades brasileiras.
Em abril, o governo bloqueou 27 plataformas que faziam previsões sobre os mais diferentes temas, como as americanas Kalshi e Polymarket, para evitar a consolidação de um modelo de apostas sem controle e que não segue a legislação do país.
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O mercado preditivo funciona como uma espécie de “bolsa de apostas” sobre eventos futuros. Nele, as pessoas compram e vendem contratos baseados em perguntas simples como “Vai acontecer ou não?”, relacionados aos mais diversos eventos, como guerras, mudanças climáticas ou eleições.
Se o evento acontecer, como a vitória deu um político nas urnas ou de um vencedor em um reality show, quem apostou ganha dinheiro. Se não acontecer, perde.
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A diferença em relação às apostas tradicionais é que, nas bets, a empresa define as regras e paga os prêmios. Já nos mercados preditivos, os próprios usuários negociam entre si. Esses contratos são tratados como derivativos, tipo de investimento que depende do valor futuro de algo.
Apesar de proibidos, usuários brasileiros encontram lacunas para acessar a esses conteúdos. Além do uso de VPNs para driblar os bloqueios, a forma de pagamento nestes sites é outra dificuldade. Enquanto no caso de casas de apostas ilegais o governo vem intensificando verificações sobre transações com o Pix, os mercados de predição operam, sobretudo, usando criptomoedas.
A DW encontrou quatro plataformas operando neste sistema de forma irregular no país. Além disso, ao longo das últimas semanas, outras chegaram a oferecer anúncios no Instagram. A reportagem encontrou ainda publicidade de casas de apostas clandestinas convencionais na plataforma.
Questionada, a Meta apontou que “anunciantes que desejam promover jogos de azar ou jogos online precisam solicitar permissão por escrito e fornecer provas de que as suas atividades estão licenciadas por um regulador ou estabelecidas como legítimas nos territórios nos quais desejam veicular esses conteúdos”.
A empresa destacou que órgãos governamentais podem pedir a restrição de conteúdos que violam as leis.
Popularidade em alta na Copa
Cristiano Ronaldo
Reuters/Sam Navarro
Os mercados de predições ganharam enorme tração nas eleições americanas em 2024 após uma disputa jurídica permitir ao Kalshi ofertar palpites nos vencedores daquele pleito. Desde então, eles vêm acumulando restrições, polêmicas e bilhões de dólares movimentados.
Neste ano, altos volumes apostados associados às ações dos Estados Unidos no Irã e na Venezuela reforçaram os temores de que agentes com informações privilegiadas lucraram com os eventos nestas plataformas. Além disso, uma aposta sobre o uso de armas nucleares em 2026 saiu do ar após polêmica.
Na Copa, as plataformas oferecem apostas convencionais, como palpites no artilheiro do campeonato e o vencedor do torneio, assim como as bets tradicionais. No entanto, há mercados mais personalizados, como um que permitia apostar se Neymar entraria ou não em campo.
Em possibilidades ainda mais alternativas, apostava se também nas chances de Cristiano Ronaldo chorar em público durante a competição. No começo do torneio, a casa de análises Bernstein previu uma movimentação de 10 bilhões de dólares em apostas nestes mercados ligadas à Copa.
Bets x predições
Propaganda que promete dinheiro fácil com bets cresce no Brasil
Reprodução/TV Verdes Mares
As diferenças no funcionamento das predições para as casas de apostas geram discussões regulatórias. Entusiastas do primeiro modelo frequentemente alegam que as características são mais próximas do mercado financeiro do que de uma bet. Uma das principais defesas é a de que a aposta ocorre contra outros usuários, e não contra a casa, como na outra modalidade.
Mercados preditivos funcionam com base na compra e venda de contratos futuros. Por exemplo, na Copa, a aposta no campeão será liquidada logo depois da final. O valor de um palpite varia de acordo com a oferta e a demanda. Quanto mais pessoas palpitarem sobre um aspecto, este contrato se valoriza. Neste modelo, o lucro da plataforma vem através de uma comissão a cada negociação.
Ou seja, o resultado final é indiferente para as receitas da operação. Maiores ganhos para a plataforma vêm através de um maior volume negociado. No caso do campeão da Copa, no começo de julho, apenas o Kalshi já tinha movimentado cerca de 850 milhões de dólares.
No caso das casas de apostas tradicionais, cada uma oferece um retorno de acordo com as probabilidades avaliadas de que um evento ocorra, as chamadas “odds”. Neste modelo, é calculado, normalmente usando algoritmos, quanto se pode pagar a cada usuário vencedor por um resultado de forma que a casa ainda obtenha lucro, normalmente de 5%.
Gráfico mostra interesse repentino em María Corina Machado para o Nobel da Paz
Polymarket/Reprodução
Apesar das diferenças, estudos apontam que, assim como nas bets, a maioria dos usuários tende a ter perdas nos mercados de predição. Um estudo recente sobre o Polymarket mostrou que os ganhos são altamente concentrados, com 1% dos usuários detendo 76,5% dos lucros.
À DW, Charles Martineau, um dos autores da pesquisa e professor da Universidade de Toronto resumiu a lógica deste mercado para a grande maioria. ” É muito difícil de ganhar dinheiro apostando em esportes. É possível lucrar com algumas sequências de apostas, mas para a pessoa comum, apostar muitas vezes resultará em prejuízo.”
“Em plataformas como Kalshi e Polymarket, onde as apostas esportivas têm um alto volume de negociações, constatamos que os preços são tão eficientes que é praticamente impossível lucrar”, aponta Martineau. Além disso, ele acrescenta: “uma coisa é certa: a introdução dos mercados de previsão levará algumas pessoas a desenvolver uma crescente dependência de jogos de azar”.
Necessidade de regulamentação
Na visão da Secretaria de Prêmios e Apostas (SPA), a oferta destas plataformas de apostas em eventos esportivos no país demandaria licenças específicas, assim como ocorre com as casas que vem operando de forma regular desde o último ano. Na ausência de uma regulamentação, o acesso a estes sites deve ser barrado no território nacional.
“Estava havendo ofertas inclusive de mercados ilegais, como eleições. O governo agiu rápido em excelente momento, antes que o tema escalasse”, avalia Plínio Lemos Jorge, presidente da Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), ao comentar a decisão do governo de bloquear os sites.
Para Leonardo Henrique Roscoe Bessa, sócio do Betlaw e consultor do Conselho Federal da OAB, o cenário atual foi uma “resposta rápida”, especialmente visando limitar as apostas em eleições, que são proibidas no caso das bets. Por sua vez, passado o período eleitoral e com a atual popularidade, a regulamentação destes mercados deve voltar à tona, projeta.
Bessa aponta que o uso de informações privilegiadas tende a ser uma dificuldade regulatória a mais, algo que é mais controlado no caso das bets. A legislação atual do setor aponta que potenciais envolvidos em partidas, como árbitros, jogadores e comissão técnica, não podem apostar.
No caso das predições, a atuação de agentes ligados aos eventos é menos controlada. “Quem tem informações, sai na frente”, resume.
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Menores que um pônei, mini-horses conquistam brasileiros e são criados como pets até em quintais de casa

Mini-horses são fonte de renda para criadores
Uma raça de pônei desenvolvida no Brasil tem ganhado espaço no mercado e se transformado em fonte de renda para criadores em diferentes regiões do país.
Menores do que os pôneis tradicionais, os chamados mini-horses (minicavalos, em português) são criados principalmente como animais de estimação e, em muitos casos, vivem até mesmo em quintais de casas.
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Atualmente, existem cerca de 9 mil minicavalos registrados no Brasil, e a maior parte dos compradores busca esses animais para companhia.
Foi o caso da veterinária Ana Maria Lorenzetti, que mora na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo e realizou o sonho de ter um exemplar chamado Trovão.
A veterinária Ana Maria Lorenzetti, que mora na área urbana de Santa Cruz do Rio Pardo, com seu mini-horse chamado Trovão.
Reprodução Globo Rural
Ela conta que sempre via vídeos da raça nas redes sociais e decidiu adquirir o animal quando passou a morar em uma casa com jardim.
Hoje, Trovão divide espaço com cinco gatos e quatro cachorros, incluindo um Dobermann. Durante o dia, ele fica solto pelo quintal. À noite, permanece em um pequeno piquete e utiliza uma casinha para se abrigar da chuva.
Segundo a tutora, o gasto mensal com alimentação é de cerca de R$ 80. Além disso, é necessário recolher diariamente as fezes produzidas pelo animal.
Apesar dos cuidados, ela afirma que o mini-horse é dócil, amigável e se tornou um verdadeiro companheiro.
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HTrovão divide espaço com cinco gatos e quatro cachorros, incluindo um Dobermann.
Reprodução Globo Rural
Como surgiu o mini-horse
A origem dos pôneis remonta a milhares de anos. Em regiões com poucos recursos naturais, cavalos menores tiveram mais facilidade para sobreviver e se reproduzir, dando origem às diversas raças de pôneis existentes atualmente.
No Brasil, a raça mais difundida é o pônei brasileiro. Em 2002, criadores passaram a selecionar os menores exemplares para reprodução e introduziram animais da raça norte-americana Miniature Horse. O cruzamento deu origem ao mini-horse brasileiro.
A principal diferença entre as duas raças está no tamanho e na conformação corporal.
Enquanto o pônei pode medir até 1,15 metro de altura, o mini-horse tem limite de 89 centímetros para machos. Além disso, os criadores buscam animais mais proporcionais, com pescoço, cabeça e corpo mais leves, lembrando um cavalo em miniatura.
Criação de minicavalos
Na zona rural do mesmo município, em um sítio de apenas um hectare, vive Rogério Andrade, que encontrou na criação desses animais o principal sustento da família.
O interesse por equinos começou ainda na infância, quando ganhou o primeiro pônei aos 12 anos. Já adulto, decidiu investir na criação do mini-horse, raça que ajudou a desenvolver no Brasil.
Na propriedade de Rogério, a reprodução é feita por monta natural. O plantel reúne 25 éguas, três garanhões e cerca de 20 filhotes com até um ano de idade.
Segundo o criador, o custo mensal de manutenção de cada animal gira em torno de R$ 300, incluindo alimentação, vacinas e mão de obra.
A dieta é semelhante à de cavalos de grande porte, mas em quantidades menores. Enquanto um cavalo de aproximadamente 400 quilos consome até quatro quilos de ração por dia, um mini-horse adulto pesa cerca de 100 quilos e ingere aproximadamente um quilo diário, além de capim e suplementação mineral.
Os animais são vendidos após o desmame, por volta dos seis meses de idade.
O preço varia conforme o porte e a pelagem. Os machos custam, em média, R$ 6 mil, enquanto as fêmeas são comercializadas por cerca de R$ 8 mil.
Antes da entrega, passam por banho, tosa higiênica e casqueamento. Por serem pequenos, podem ser transportados na carroceria de uma caminhonete.
Com o aumento da procura, Rogério afirma que a atividade deixou de ser apenas um hobbie e se transformou em seu principal negócio.
Na avaliação dele, a raça exige relativamente pouco espaço, tem custo de manutenção acessível e apresenta boa demanda, fatores que impulsionam o crescimento do mercado.

Do café ao arroz: El Niño ameaça produção e pode elevar preços dos alimentos

Café é o principal produto de exportação de Varginha.
Crédito: Divulgação.
Está cada vez mais claro: o El Niño pode reduzir a oferta de alguns alimentos e aumentar os preços nos supermercados brasileiros, apontam economistas consultados pelo g1.
“Certamente vai impactar preço dos alimentos. É meio que inevitável, principalmente se afetar as janelas de plantio ou mesmo prejudicar a produção na hora da colheita”, afirma Leandro Gilio, pesquisador no Insper Agro Global.
🔎 O El Niño é um fenômeno climático marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, que altera os padrões do clima no mundo. Ele pode causar secas em algumas regiões produtoras e chuvas mais intensas em outras.
Ainda não é certo qual será a sua intensidade, mas a Administração Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA, na sigla em inglês) estima mais de 60% de chances de um evento muito forte no período de novembro a janeiro.
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Agora no g1
Os primeiros impactos devem ser sentidos nas hortaliças, que são mais sensíveis às mudanças no clima. Se o El Niño for realmente mais intenso, alimentos cultivados por safra devem encarecer no ano que vem.
Segundo Cesar Castro Alves, gerente da Consultoria Agro do Itaú BBA, os principais produtos que devem ser afetados são milho, café, frutas, laranja, cana-de-açúcar, trigo e arroz. O leite também pode ser impactado, dependendo do nível das chuvas no Sul do país.
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a pecuária deve ser a atividade mais afetada no Centro-Oeste e no Norte, onde pode faltar água para as pastagens.
O instituto também prevê que algumas regiões do país podem ser beneficiadas. No Nordeste, o baixo volume de chuvas e o calor favorecem a colheita do feijão. Já no Sul, as chuvas acima da média podem ser boas para as culturas de inverno.
Por causa do El Niño, o Ministério da Fazenda deve aumentar sua previsão oficial para a inflação de 2026. A expectativa é que os preços subam mais do que o estimado em maio, quando a projeção era de 4,5%.
Veja a seguir como ficam as produções dos principais itens:
Café
O El Niño causa irregularidade nas chuvas, que podem ser intensas depois de intervalos de estiagem. Com isso, aumenta o risco de floradas antes da hora e sem uniformidade nas lavouras de café. As flores que aparecerem podem ser abortadas ou formar grãos menores.
Outro ponto de atenção é que o fenômeno favorece temperaturas mais elevadas, episódios de calor intenso e perda de água do solo.
🔎 Para o café arábica, o mais popular no Brasil e mais sensível a esse tipo de estresse, pode haver ainda a perda da qualidade do produto.
Esse cenário traz preocupação para o setor, que iniciou o ano com uma expectativa de uma safra recorde, de mais de 66 milhões de sacas, afirma Celírio Inácio da Silva, diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
As chuvas já registradas em regiões produtoras atrasaram a colheita do café conilon. Isso pode reduzir a qualidade e a produtividade, além de favorecer pragas e fungos.
“Isso vai fazer com que a oferta não seja tão boa quanto se imagina e o mercado internacional, já sabendo que os estoques estão vazios, começa a ter especulações e isso pode fazer com que o preço da matéria-prima vá subir”, afirma o diretor executivo.
Com isso, a indústria acabaria repassando os preços para os consumidores.
Já para o café arábica, a principal preocupação é a produção de 2027, a qual os produtores já investiram para um aumento da área de plantio. Caso o El Niño aconteça de forma mais intensa, o setor espera uma perda de 25% da produção, diz Silva.
Contudo, ele afirma que ainda não dá para prever quando isso acontecerá, dependendo de como o fenômeno vai se desenvolver nas regiões produtoras.
Calor deixa o café ‘estressado’, pode derrubar a produção brasileira e encarecer a bebida
Milho
Em anos de El Niño, a produtividade média global de milho apresenta uma queda de cerca de 4%, aponta o Itaú BBA. Isso acontece principalmente em regiões tropicais, como o sudeste Asiático, o Sul da China e na África.
O comportamento é o oposto do da soja, que tem um crescimento da produtividade em até 5%, puxada principalmente por países como EUA, Brasil e Argentina.
🔎 No Brasil, o principal impacto costuma atingir a segunda safra de milho. As chuvas irregulares atrasam o plantio da soja no Centro-Oeste. Com isso, a colheita também atrasa e reduz o período ideal para plantar milho.
Com o El Niño, alguns produtores optam por diminuir a área plantada ou decidem trocar o grão pelo sorgo, afirma Glauber Silveira, diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores de Milho e Sorgo (Abramilho).
“O que o produtor faz é se arriscar menos”, diz o diretor executivo.
Para ele, a previsão de excesso de chuva no Sul preocupa ainda mais do que a seca no Centro-Oeste, porque pode reduzir a produtividade e aumentar a incidência de doenças.
Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, afirma que a área plantada também cresce menos por causa dos custos mais altos e das margens menores de lucro.
Segundo ele, uma queda na produção do Mato Grosso pode afetar os preços do milho no mercado internacional.
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Carne
Caso o preço do milho suba em 2027, a carne também deve encarecer, uma vez que o grão é ingrediente da ração usada na criação em confinamento, afirma Alves.
Além disso, a criação de animais pode ser prejudicada pela menor disponibilidade de pastagens, por causa do deficit hídrico e da seca.
🔎 Isso prejudica a produção de leite e dificulta o ganho de peso dos animais destinados ao abate, explica Danyella Bonfim, assessora técnica da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O calor excessivo também causa estresse nos animais, que passam a comer menos.
Frutas e hortaliças
No Sul do Brasil, as chuvas mais volumosas podem gerar podridão, perda de qualidade e atraso no plantio.
Alimentos como a cebola, batata, tomate e cenoura são os principais afetados, aponta o Itaú BBA.
Já a maçã pode ser afetada no momento da florada e da formação dos frutos, com aparecimento de doenças.
A uva, no Rio Grande do Sul, pode ter uma queda na produção por causa do excesso de umidade.
Em algumas regiões, porém, a redução do nível dos reservatórios pode dificultar a irrigação. Isso preocupa produtores de frutas mais sensíveis, como a manga, o mamão e a uva.
Por outro lado, algumas culturas podem ser beneficiadas.
Por exemplo, no Nordeste, o tempo seco e as altas temperaturas vão favorecer o melão e a melancia nas lavouras irrigadas.
Para a laranja, a expectativa é de que hajam temperaturas acima da média no cinturão citrícola paulista. O calor pode prejudicar a florada, que acontece entre setembro e novembro, e causando o abortamento das flores e a queda de frutos jovens, aponta o Itaú BBA.
A safra da laranja já estava estimada com redução, por causa da falta de rentabilidade, do menor consumo e de doenças na lavoura. Com o El Niño, a tendência é que ela seja ainda menor, elevando os preços do suco e diminuindo a qualidade das frutas, explica Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA.
Cana-de-açúcar
Segundo o Itaú BBA, o fenômeno pode provocar chuvas fora de época no Centro-Sul, região responsável por cerca de 90% da moagem de cana no país.
O excesso de umidade também pode reduzir a qualidade da matéria-prima e atrasar o acúmulo de sacarose. Com isso, aumenta o risco de colher a cana antes do ponto ideal de maturação.
Já nos plantios do Norte e Nordeste, a seca e o calor devem gerar estresse hídrico e térmico, comprometendo o desenvolvimento da planta.
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Recuperação extrajudicial dispara no Brasil; entenda por que mais empresas seguem esse caminho

Dívida de R$ 65,1 bilhões leva Raízen à recuperação extrajudicial
O pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, com dívidas de R$ 65,1 bilhões, chamou a atenção do mercado em 2026. Mas a gigante do setor de açúcar e etanol está longe de ser um caso isolado.
Após anos de juros elevados, entre os mais altos do mundo, um número crescente de empresas brasileiras tem buscado negociar com credores fora dos tribunais para evitar os custos e os impactos associados à recuperação judicial.
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Os pedidos de recuperação extrajudicial saltaram de 16, em 2021, para 84 no ano passado. Os casos envolvem empresas de setores como indústria, mineração, varejo, agronegócio e logística, segundo o Observatório Brasileiro de Recuperação Extrajudicial (Obre).
Em 2026, até o momento, outras 33 empresas seguiram o mesmo caminho.
Esse aumento reflete o peso da taxa básica de juros, hoje em 14,25% ao ano, sobre muitas empresas brasileiras, especialmente as que contraíram empréstimos elevados durante a pandemia, quando a Selic caiu ao mínimo histórico de 2% ao ano.
Preços dos combustíveis exibidos em um posto de gasolina Shell em Copenhague, Dinamarca
Reuters
Mas esse movimento também é resultado de uma reforma aprovada em 2020, que fortaleceu o mecanismo no Brasil e promoveu “uma mudança cultural”, segundo Juliana Biolchi, diretora do Obre.
Segundo Luiz Fabiano Saragiotto, sócio da Journey Capital, a atualização tornou as reestruturações extrajudiciais mais flexíveis. A mudança permitiu que as empresas excluíssem algumas classes de credores e incentivou o início das negociações de dívida antes que fosse necessário recorrer à recuperação judicial.
Segundo Saragiotto, as reestruturações judiciais são complexas e custosas porque “envolvem todos os credores, afetando a reputação da companhia e o acesso às linhas de crédito, além da manutenção do negócio em si”.
“No momento em que um pedido de recuperação judicial é deferido, a empresa ganha esse carimbo maldito”, completa.
Solução mais simples
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A recuperação extrajudicial permite que empresas em dificuldades negociem diretamente com grupos específicos de credores. Depois de aprovado por maioria simples, o plano passa a valer para todos os credores das classes afetadas, impedindo que quem rejeitou o acordo consiga barrá-lo.
Segundo Biolchi, a simplicidade do processo em relação à recuperação judicial fez com que ele passasse a ser “cada vez mais associado a crises financeiras menos agudas”.
O mecanismo ganhou mais visibilidade em 2024, quando a rede varejista Casas Bahia obteve aprovação judicial para uma recuperação extrajudicial de cerca de R$ 4,1 bilhões.
Segundo a empresa, o plano não afetou fornecedores, parceiros comerciais, clientes nem funcionários.
Depois da Casas Bahia, vieram outros casos de grande repercussão, como o da rede de móveis Tok&Stok, também em 2024. Entre os pedidos mais recentes está o do GPA, que, em março, solicitou aprovação para reorganizar uma dívida de cerca de R$ 4,5 bilhões.
Empresas do agronegócio, setor que enfrenta um elevado endividamento, também passaram a recorrer ao mecanismo, indicando que seu uso tem se espalhado por diferentes áreas da economia.
Impulsionado pelo caso da Raízen, o volume de dívidas das empresas que pediram recuperação extrajudicial em 2026 já supera R$ 109 bilhões. Em 2024, esse total foi de R$ 41,5 bilhões, refletindo o avanço do movimento e seus impactos no mercado.
“Os investidores estão muito mais preocupados com o risco de crédito do que estavam no passado”, disse Caio Viggiano, diretor da área de renda fixa do Itaú BBA. Segundo ele, os conflitos globais, os juros elevados e a onda de reestruturações corporativas explicam essa mudança.
Especialistas acreditam que o número de recuperações extrajudiciais deve continuar crescendo nos próximos meses.
A Oncoclínicas, maior empresa de tratamento oncológico da América Latina, está entre as companhias que avaliam recorrer ao mecanismo, segundo reportagens da imprensa e uma fonte com conhecimento das discussões. Procurada, a empresa se recusou a comentar.
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