Marcas de luxo não poderão mais destruir produtos não vendidos na UE e 'exclusividade' fica ameaçada

A marca britânica Burberry causou escândalo ao admitir ter queimado mercadorias novas
AP – Alastair Grant
Durante décadas, parte da indústria do luxo administrou seus excedentes longe dos olhos dos consumidores. A destruição de produtos não vendidos ajudava a preservar a raridade que sustenta o prestígio e os preços das grandes marcas.
Com as novas regras da União Europeia, anunciadas nesta semana, esse modelo passa a ser questionado e obriga o setor a buscar formas de conciliar exclusividade, rentabilidade e responsabilidade ambiental.
Segundo a nova regulamentação, grandes empresas que atuam na União Europeia não poderão mais destruir roupas, calçados e acessórios não vendidos.
O texto é claro: as marcas terão de dar uma segunda destinação a esses produtos. Entre as alternativas estão a venda por meio de canais de liquidação de estoque, a doação para instituições, o reparo, o recondicionamento ou a reciclagem dos materiais. A destruição só será permitida em situações específicas, especialmente quando o produto apresentar riscos, estiver danificado ou for falsificado.
Agora no g1
A medida responde a uma realidade preocupante. Segundo a Agência Europeia do Meio Ambiente, entre 4% e 9% dos produtos têxteis colocados no mercado europeu são destruídos antes mesmo de serem utilizados.
Isso representa, anualmente, entre 264 mil e quase 600 mil toneladas de roupas, calçados e acessórios novos. Para Bruxelas, esse desperdício já não é compatível com as metas climáticas do bloco nem com sua estratégia de desenvolvimento de uma economia circular.
A destruição de produtos de luxo não vendidos é uma prática conhecida há anos. Em 2018, a grife britânica Burberry causou controvérsia ao admitir que havia queimado mercadorias avaliadas em € 31 milhões (cerca de R$ 173 milhões) em um único ano para preservar sua imagem de exclusividade.
Em 2021, a marca americana Coach também foi alvo de críticas após a divulgação de vídeos que mostravam bolsas não vendidas sendo deliberadamente cortadas antes do descarte.
Diante da repercussão negativa, a empresa anunciou o fim da prática e passou a investir em programas de reparo e revenda.
Por que a regulamentação representa um desafio para o mercado de luxo?
Embora a nova regra europeia pareça simples no papel, sua aplicação é mais complexa para as empresas do setor de luxo.
Isso porque essas marcas não vendem apenas roupas, bolsas ou sapatos. Elas comercializam, sobretudo, uma ideia de exclusividade, cuja raridade é parte fundamental da construção de valor financeiro e simbólico de seus produtos.
Por muito tempo, a destruição de itens não vendidos foi uma forma de preservar essa escassez e evitar que os produtos chegassem ao mercado por meio de liquidações em larga escala. Para grandes maisons de moda e artigos de couro, descontos frequentes podem enfraquecer a imagem da marca e reduzir o valor percebido de suas coleções.
É justamente por isso que grupos como LVMH, Chanel e Prada recebem a regulamentação com cautela. A principal preocupação é a necessidade de direcionar um volume maior de produtos para mercados secundários, o que pode banalizar artigos tradicionalmente associados à exclusividade e comprometer sua percepção de valor.
Como as grandes marcas terão de se adaptar?
Diante desse novo cenário, as marcas de luxo terão de rever suas estratégias de gestão de estoques.
Uma das alternativas é manter os produtos não vendidos armazenados por mais tempo. Essa solução, porém, envolve custos adicionais com logística, seguro, armazenamento e manuseio.
Outra possibilidade é ampliar os canais de revenda, mas sob controle rigoroso das próprias marcas, de forma a escoar os estoques sem prejudicar sua imagem. Nos últimos anos, diversas empresas do setor já passaram a investir em programas próprios de revenda de itens usados ou recondicionados.
Uma terceira estratégia, que vem ganhando força, é produzir menos e com maior precisão, ajustando os volumes de fabricação à demanda real do mercado.
Ainda assim, prever vendas na indústria da moda continua sendo um desafio. Uma coleção pode se transformar em um sucesso comercial ou ter desempenho abaixo do esperado. Além disso, tendências e preferências dos consumidores mudam com rapidez.
Para as empresas de luxo, o desafio agora é preservar a raridade de seus produtos sem recorrer à destruição de mercadorias não vendidas. Trata-se de uma mudança significativa para um setor que, durante décadas, preferiu fazer seus excedentes desaparecerem a correr o risco de vê-los perder valor.

Os milionários que querem pagar mais impostos no Reino Unido

Quem são os brasileiros mais ricos segundo nova lista de bilionários da Forbes
Milionários, incluindo o ex-jogador de futebol Gary Lineker, escreveram ao novo primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, pedindo um aumento de impostos para os mais ricos.
O pedido foi feito em uma carta aberta, assinada por 120 britânicos abastados:
“Podemos pagar. Não estamos falando de impostos mais altos para aqueles que se levantam e vão trabalhar todos os dias para ganhar seu salário, mas sim para os mais ricos, cuja renda deriva da riqueza que possuem”, escreveram.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Organizada pelo grupo Patriotic Millionaires (Milionários Patriotas, em tradução literal), uma organização de milionários que promove a reestruturação do sistema tributário, a carta afirma que o aumento levaria a uma sociedade mais igualitária e defende uma “descentralização da riqueza e do poder dos mais ricos”.
No Reino Unido, as pessoas já podem doar dinheiro ou ações voluntariamente ao Tesouro por meio de um sistema de doações do governo.
A líder do Partido Conservador, de oposição, Kemi Badenoch, disse que Lineker “é muito bem-vindo para pagar mais impostos, ele pode emitir um cheque para o Tesouro, ninguém o está impedindo”.
O grupo de milionários britânicos apoia um imposto de 2% sobre a riqueza acima de 10 milhões de libras (R$ 67,6 milhões).
Gary Lineker, que jogou pela Inglaterra nas Copa de 1986 e 1990, tem fortuna estimada em US$ 30 milhões, que vem principalmente da carreira como apresentador e da participação em anúncios comercias
Getty Images via BBC
“Os milionários são um grupo patriota”, afirma a carta. “Amamos este país e queremos que ele prospere.”
“Mas o sucesso exige investimento, e uma fonte primária de capital intocado para investimento está ao nosso alcance, em potencial não tributado.”
Outros signatários da carta incluem Richard Curtis, diretor de cinema responsável pelos filmes Um Lugar Chamado Notting Hill e Simplesmente Amor, Ian Gregg, ex-diretor administrativo e filho do fundador da rede de cafés britânica Greggs, e o produtor musical Brian Eno.
O renovado apelo por impostos mais altos para os ricos segue uma campanha semelhante realizada em anos anteriores.
Burnham não descartou um imposto sobre a riqueza quando questionado sobre o assunto por Lineker alguns dias antes de se tornar primeiro-ministro.
Ele sugeriu que talvez tivesse que “pedir um pouco mais” de impostos em algum momento.
O apelo mais recente do Patriotic Millionaires diz que há uma “necessidade de adotar um novo tipo de descentralização da riqueza e do poder, dos mais ricos para reinvestir em nosso maior patrimônio em todas as regiões”.
A carta afirma ainda que uma pesquisa própria mostrou que a maioria dos milionários está disposta a pagar um imposto mais alto.
“Ainda existem algumas pessoas com pensamento econômico ultrapassado e outras desesperadas para se agarrar a cada centavo que possuem”, disseram.
“Aqueles que não conseguem enxergar além dos seus próprios interesses não têm lugar na construção de uma Grã-Bretanha para o futuro.”

GWM Haval H6 ainda vale a compra? Veja o teste e por que ele perdeu a liderança para a BYD

O que o Haval H6 tem de especial?
O GWM Haval H6 chegou ao Brasil em 2023 e, no ano seguinte, conquistou um lugar de destaque no segmento mais pujante do mercado automotivo: tornou-se o carro híbrido mais vendido do país, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE).
Mas o reinado durou pouco. Em 2025, a linha Song, da rival BYD, assumiu a liderança. Hoje, o Song Plus (R$ 249.990) e o Song Pro (a partir de R$ 189.990) vendem, juntos, cerca de 50% a mais que a linha H6. (veja o ranking abaixo)
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Carros no WhatsApp
O consultor automotivo Milad Kalume Neto disse ao g1 que a perda de espaço do modelo da GWM é resultado de uma combinação de fatores. O principal deles é o preço: o BYD Song Pro parte de R$ 189.990, R$ 9.910 a menos que a versão mais barata do H6 — e R$ 60 mil a menos que o H6 com mesmo sistema híbrido plug-in.
Mas, segundo o consultor, a montadora também demorou a renovar seu portfólio. “A BYD teve um portfólio mais amplo de produtos. A GWM ficou muito ‘presa’ apenas ao H6”, afirma Kalume Neto.
Ele também destaca que o marketing mais agressivo da BYD, aliado a uma rede maior de concessionárias no Brasil, aproximou os consumidores da marca mais do que da GWM.
“A GWM inicialmente tinha um conjunto mecânico muito superior ao da BYD. Com a adoção do motor turbo, a BYD conseguiu se aproximar do desempenho do H6”, diz o consultor.
Entre pontos fortes e fracos, ainda vale a pena apostar no H6? O g1 avaliou o SUV e responde às seguintes perguntas:
O H6 ainda vende bem?
No que ele é melhor que os concorrentes?
No que ele fica para trás?
Como é o desempenho do carro?
Como ele se sai em espaço interno e conforto?
Pra quem ele é? Compro ou vejo outro?
Haval H6 PHEV19
divulgação/GWM
O H6 ainda vende bem?
O fato de o Haval H6 ter perdido a liderança no ranking dos carros híbridos mais vendidos do Brasil não significa que o modelo esteja vendendo mal.
Entre janeiro e junho de 2026, o modelo teve 36% menos emplacamentos que a família BYD Song. Mesmo assim, a linha H6 registrou mais que o dobro dos emplacamentos do terceiro colocado, o Omoda 5:
BYD Song: 31.538 unidades emplacadas;
Haval H6: 20.142 unidades emplacadas;
Omoda 5: 9.184 unidades emplacadas;
Toyota Corolla Cross: 8.721 unidades emplacadas;
BYD King: 8.205 unidades emplacadas.
A série histórica mostra que o ritmo de crescimento do Haval H6 se manteve semelhante nos últimos três anos, considerando os seis primeiros meses de cada período.

Volte para o início.
No que ele é melhor que os concorrentes?
Começando pelos predicados, o GWM Haval H6 chama a atenção nas ruas. O visual imponente, com carroceria robusta, capô elevado e grade frontal ampla, reforça essa impressão.
Os elementos da dianteira são bem marcados e a iluminação em LED que se estende pelas laterais, contribui para que o carro pareça maior do que realmente é.
O Haval H6 testado pelo g1, a PHEV19 (R$ 250.000), tem boa lista de equipamentos e oferece itens semelhantes aos dos principais concorrentes, como:
6 airbags;
Teto solar panorâmico;
Painel de instrumentos digital;
Projeção de informações no para-brisa;
Central multimídia grande, com 14,5 polegadas;
Câmera em 360 graus;
Sistema de direção semiautônoma com piloto automático adaptativo e sistema de permanência em faixa;
Sensor de chuva;
Porta-malas com abertura automática;
Banco do motorista com ajustes elétricos.
Porém, o Haval H6 vai além e conta com reconhecimento facial do motorista. Com esse recurso, o carro salva automaticamente as preferências de cada usuário cadastrado, como as configurações dos assistentes de condução, da central multimídia e a posição do banco.
O Haval H6 também oferece um assistente que faz toda a manobra de baliza. O motorista precisa apenas passar pela vaga e escolher qual deseja utilizar.
Para fechar a lista de pontos positivos, o Haval H6 tem o maior porta-malas entre os principais concorrentes. São 560 litros de capacidade, ante 552 litros do BYD Song Plus, 520 litros do BYD Song Pro e 500 litros do Jaecoo 7.
O espaço do Haval H6 é suficiente para acomodar oito malas de bordo, aquelas que podem ser levadas na cabine do avião.
GWM Haval H6 PHEV19
divulgação/GWM
Volte para o início.
No que ele fica para trás?
No geral, o Haval H6 tem poucos pontos negativos, e isso fica evidente pelo crescimento constante dos emplacamentos desde o lançamento no Brasil. O principal deles está relacionado à segurança e exige um período de adaptação maior do que o de outros carros.
Ele aparece na seta e, diferentemente dos concorrentes e da maioria dos carros vendidos hoje, o Haval H6 usa uma haste que precisa ser retornada manualmente depois de indicar uma curva.
Durante o teste, a reportagem sinalizou acidentalmente uma conversão para a direita ao tentar desligar a seta da esquerda — e vice-versa. Esse tipo de erro aconteceu mais de uma vez.
Outros focam em tecnologias com falhas. Um aparece no sistema de ar-condicionado. Ele resfria bem a cabine, mesmo em dias mais quentes, mas a temperatura escolhida pelo motorista raramente é respeitada.
No teste, a reportagem ajustou o ar-condicionado para 22 °C. Mesmo assim, o sistema manteve a cabine visivelmente mais fria o tempo todo. Foi necessário ligar e desligar o ar-condicionado manualmente com frequência, apesar de ele estar no modo automático.
Esse problema, assim como o da seta, já apareceu em outros carros da GWM. A reportagem observou o mesmo comportamento no Ora 03, no Tank 300 e até no Ora 5, durante um teste realizado em uma tarde quente na China.
O segundo envolve o sistema de direção semiautônoma. Ele funciona corretamente e detecta as faixas para manter o carro centralizado, mesmo quando elas estão menos visíveis. Mas a quantidade de alertas e algumas intervenções do sistema acabam mais atrapalhando do que ajudando.
Por padrão, o H6 emite um alerta sonoro sempre que o piloto automático é desativado, seja por ação do motorista ou do próprio veículo. Além disso, o sistema também avisa por voz que o recurso foi desligado. Ou seja, o motorista recebe os dois avisos ao mesmo tempo.
É possível desativar os avisos por voz, mas não o alerta sonoro. Também não é possível desativar a desaceleração do Haval H6 quando o sistema alerta o motorista para manter as mãos no volante.
Em outros veículos, chineses ou não, essa desaceleração só acontece depois que o sistema insiste por mais tempo para que o motorista mantenha as mãos no volante.
Com isso, em alguns trechos de estrada, mesmo com o Haval H6 ajustado para a velocidade permitida da via, ocorreram desacelerações involuntárias. Nessas situações, o carro reduzia a velocidade de forma inesperada, aumentando o risco de aproximação do veículo que vinha logo atrás.
Volte para o início.
Como é o desempenho do carro?
A GWM foi rápida em adaptar seus carros ao gosto do brasileiro, que prefere veículos com suspensão mais firme. É o caso do Haval H6 avaliado, que já havia recebido um bom acerto anteriormente e agora mantém essa característica.
O comportamento do carro é bom tanto em altas quanto em baixas velocidades. Mesmo sendo um SUV alto, ele passa segurança nas curvas e mantém o conforto.
No motor, o conjunto híbrido plug-in reúne uma das principais qualidades dos carros elétricos: respostas rápidas nas arrancadas, em qualquer situação. Além disso, o motor turbo entrega força em rotações mais baixas, o que reduz o ruído dentro da cabine.
Mesmo em uma subida, com quatro adultos a bordo e o ar-condicionado ligado, o conjunto manteve o bom desempenho. A reportagem fez o teste tanto com a bateria cheia quanto após uma viagem longa, sem recarga para além do freio regenerativo.
O próprio sistema do H6 manteve uma carga mínima, em torno de 20%, para preservar o bom desempenho do motor elétrico nas arrancadas e ultrapassagens. Para isso, parte da potência do motor a combustão é usada para recarregar as baterias — o desvio de potência não chegou a ser perceptível.
Volte para o início.
Como ele se sai em espaço interno e conforto?
Mesmo com parte da dianteira do H6 ocupada pelo motor a combustão e por componentes do sistema elétrico, o que toma espaço para quem senta nos bancos, nenhum dos ocupantes viajou com desconforto durante o teste.
Até mesmo uma pessoa com mais de 1,90 metro de altura, sentada no banco traseiro, ficou com mais de um palmo de espaço até o banco da frente. O espaço para a cabeça, mesmo com o teto solar panorâmico, também agradou.
No acabamento, o H6 segue o padrão das marcas chinesas nessa faixa de preço: a maior parte da cabine é revestida com materiais macios ao toque. A única exceção está em uma pequena área da porta traseira, na parte superior e próxima ao vidro, longe de onde os ocupantes costumam apoiar o braço.
Volte para o início.
Pra quem ele é? Compro ou vejo outro?
O GWM Haval H6 agrada pelo conjunto da obra. A lista de equipamentos está alinhada à da concorrência, e o modelo se beneficia de estar no Brasil desde 2023, o que garante uma marca que já escutou reclamações e elogios dos clientes.
O utilitário é fabricado em Iracemápolis (SP) e pode ser abastecido com etanol por ser flex.
Ele se destaca para quem prefere um carro de porte mais imponente, mas sem o visual de um jipão, como aposta o Jaecoo 7.
Também oferece mais tecnologia que os concorrentes, principalmente pelo estacionamento autônomo, pela projeção de informações no para-brisa e pela central multimídia, que funciona sem travamentos.
Porém, o H6 cobra por tudo isso e está entre os mais caros da categoria. Cerca de R$ 60 mil abaixo dele estão o Jaecoo 7 (a partir de R$ 189.990) e o BYD Song Pro (entre R$ 189.990 e R$ 199.990).
Tanto o Jaecoo 7 quanto o BYD Song Pro oferecem menos recursos, mas custar 24% menos pode fazer diferença na hora da compra. O modelo da BYD fica atrás em potência, torque e capacidade do porta-malas, enquanto o Jaecoo 7 entrega uma ficha técnica mais próxima do Haval H6. (veja a ficha abaixo)
Considerando o perfil de quem deve comprar esse tipo de carro, tanto o Haval H6 quanto os híbridos BYD Song e Jaecoo 7 atendem bem a uma família com até dois filhos. Os três são espaçosos, têm porta-malas suficiente para acomodar algumas malas e oferecem conforto para viagens longas.
Eles também permitem economizar combustível mesmo quando a bateria está descarregada, já que o motor a combustão pode direcionar parte da potência para recarregá-la durante o uso.
Para quem prioriza tecnologia mais avançada e um porta-malas maior: o Haval H6 PHEV19 testado é o destaque.
Para quem prefere um visual mais moderno e quer fazer viagens curtas usando apenas o modo elétrico, o BYD Song Plus atende melhor.
O Haval H6 PHEV19 não oferece essa possibilidade. Já o Haval H6 PHEV35 entrega esse desempenho, mas custa R$ 290 mil e entra como o modelo mais caro deste comparativo.

Volte para o início.

Arroz, café, trigo e mais: como a crise dos fertilizantes — em ano de El Niño — pode pressionar preços

Com guerra, Brasil importa menos fertilizante e paga mais caro
A alta dos preços dos fertilizantes e a dificuldade de transporte podem levar agricultores a reduzirem a adubação nesta safra, afetando a produção de alimentos importantes para a cesta de consumo do brasileiro, como arroz, laranja, café e trigo, apontam especialistas entrevistados pelo g1.
O Oriente Médio é o quarto maior fornecedor do Brasil, depois da Europa, Ásia e África. A região tem um papel central no mercado de fertilizantes por causa do Estreito de Ormuz, que tem fluxo de transporte instável desde o início da guerra entre Estados Unidos e Irã.
Além de rota fundamental para o mercado de petróleo, essa é a rota por onde passa cerca de um terço do comércio marítimo de fertilizantes, segundo dados da Consultoria Agro do Itaú BBA. Ela responde por mais de 40% das exportações globais de ureia, além de uma parcela relevante da amônia, cerca de metade do enxofre.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Como consequência dos períodos em que a rota ficou fechada durante a guerra, os preços dispararam e o acesso dos produtores ficou mais difícil. A dificuldade de acesso ao petróleo também tem gerado escassez de enxofre no mundo. O insumo é usado na produção de fertilizantes fosfatados, dos quais o Brasil importa 80% do que consome.
Resultado é que, entre janeiro e maio, o país importou cerca de 45% menos do produto que no mesmo período do ano passado.
Diante desse cenário, indústrias de fertilizantes no Brasil têm reduzido a produção, caso da Mosaic, uma das maiores empresas globais do setor.
🔎 Mas por que ter menos fertilizante é ruim? As lavouras que não recebem a adubação adequada podem ter uma queda na produtividade, afetando a quantidade disponível no mercado, a qualidade dos produtos e, consequentemente, os preços, explica Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro.
A falta de fertilizante por si só pode não causar um impacto tão grande, mas é mais um problema que se soma ao cenário no campo e que se torna preocupante, aponta o pesquisador.
Além da adubação, o agronegócio deve enfrentar um forte El Niño neste ano.
🔎 O fenômeno é marcado pelo aquecimento das águas do Oceano Pacífico, o que altera os padrões do clima no mundo. Nas regiões produtoras, ele pode causar secas e chuvas fora de hora, prejudicando a plantação.
“É difícil saber qual que vai ser a contribuição de cada um desses choques para uma possível alta no preço de alimentos”, explica Serigati.
Confirmados os problemas, o impacto nos preços deve aparecer apenas no ano que vem, já que os efeitos atingirão a safra que será plantada neste semestre.
LEIA TAMBÉM
Tarifaço de Trump: veja a lista de produtos que ficaram isentos e os que serão impactados pela nova taxa
Dívidas, clima e falta de adubo
Para o analista de insumos do Rabobank Bruno Fonseca, um dos principais efeitos da alta dos fertilizantes é o aumento do custo de produção, em um momento em que os agricultores já enfrentam endividamento.
“Temos produtores que não tiveram condição de acessar o crédito, de comprar fertilizantes e vão tender a reduzir o uso do adubo”, afirma o analista.
Segundo Fonseca, o único adubo que poderia ser retirado totalmente da lavoura nesses casos seria o fósforo, já que existe um estoque do elemento no solo. Mas, neste ano, isso não deve acontecer. “Parte desse estoque no solo já vem sendo consumido nos últimos anos, não vai ser possível reduzir muito”, explica.
Para ele, todas as culturas podem ser afetadas pela escassez de fertilizantes e pela alta dos preços. E as compras do produto pelos agricultores já estão atrasadas para as safras de verão, aponta.
Já para Wharlhey Nunes, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, os grandes produtores não devem ser muito impactados. “Muitos deles contam com tecnologia em níveis altos e ideais de aplicação por um tempo. Então, isso cria um certo resíduo do solo, principalmente para nutrientes”, explica.
Além disso, eles ainda têm acesso ao crédito e melhor planejamento de compras, o que reduz os impactos da guerra. Por outro lado, ele concorda que agricultores menores, que dependem do mercado local para comprar insumos e não têm acesso fácil nem suficiente ao crédito devem reduzir a aplicação.
Ele também acredita que isso deve ocorrer entre produtores de culturas com menor rentabilidade, como trigo, café, laranja e arroz.
Além disso, Serigati, da FGV, pontua que o fertilizante pode não chegar a tempo para agricultores que estão mais longe dos portos que recebem esses produtos, caso de Rondônia. Segundo ele, a entrada do adubo costuma ocorrer principalmente por portos do Sul do país.
Para os especialistas, apesar da redução do uso de fertilizantes, os impactos podem ser menores se as chuvas ocorrerem nos períodos adequados para o desenvolvimento das lavouras. Mas, em ano de El Niño, isso pode não acontecer.
Veja também: ‘Não queremos ser a última geração a comer esse queijo’: ondas de calor ameaçam a produção do Parmigiano Reggiano na Itália
Crise dos fertilizantes
O Brasil é altamente dependente das importações para suprir a demanda de fertilizantes: o país compra do exterior 85% do que consome.
Até maio deste ano, foi importado 1,5% a menos do que no mesmo período de 2025, segundo dados do Itaú BBA. Só de ureia, a queda foi de 27%.
Segundo Fonseca, logo depois do início do conflito, em fevereiro, os preços dos fertilizantes começaram a subir em todo o mundo. Somente nas três primeiras semanas da guerra, o preço da ureia subiu 46%, segundo levantamento do Rabobank.
Em junho, com a rota aberta, houve alívio nos preços. A ureia voltou aos patamares anteriores ao conflito, aponta o Itaú BBA. Mas, com o novo fechamento da rota, os preços voltaram a subir.
Em meio à insegurança sobre o acesso aos fertilizantes, fornecedores importantes decidiram restringir a exportação e priorizar no mercado interno. A China, responsável por 26% de tudo o que o Brasil comprou em 2025, foi um desses casos.
A Rússia, origem de 23% das importações brasileiras, também. Além de buscar garantir o abastecimento interno, o país enfrenta uma escalada da guerra com a Ucrânia no Mar Negro, o que limita o transporte, afirma Serigati, da FGV.
De forma geral, 45% dos fertilizantes importados pelo Brasil vêm de países com alta propensão à instabilidade política ou violência motivada por fatores geopolíticos, aponta um relatório da Cogo Inteligência em Agronegócios, elaborado por Carlos Cogo.
Para Francisco Queiroz, especialista da Consultoria Agro do Itaú BBA, essa dependência deve continuar, principalmente por causa da queda de produtividade das fabricantes diante da escassez de insumos como o enxofre.
Ele afirma que há investimentos em plantas de nitrogênio no Brasil para ampliar a oferta no país, mas essa é uma solução sem efeito imediato.
Saiba também:
Por que a carne não deve ficar mais barata mesmo com a redução das exportações para a China?
Após promessas, supermercados seguem sem ampliar venda de ovos livres de gaiolas, diz estudo
EUA confirmam nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros

IA da OpenAI furou testes e atacou outra empresa: ela se tornou poderosa demais para ser controlada?

Logotipo da OpenAI em um celular diante de uma imagem gerada pelo DALL·E, ferramenta de criação de imagens do ChatGPT.
Michael Dwyer/AP
O ciberataque perpetrado de maneira autônoma por dois agentes de inteligência artificial da OpenAI levantou dúvidas sobre como os modelos de IA mais poderosos serão controlados.
O teste da OpenAI, em um ambiente fechado, buscava avaliar as habilidades de seu modelo “mais avançado”, GPT-5.6 Sol, e seu sucessor, ainda não comercializado, uma avaliação que a startup americana costuma aplicar às suas IAs.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
Os agentes conseguiram se conectar à internet e lançaram um ataque à plataforma Hugging Face, um repositório de modelos de IA.
“Eles entendiam que a OpenAI não queria que saíssem de seu ambiente de testes e invadissem outra empresa, mas mesmo assim fizeram isso”, disse Jeffrey Ladish, diretor da Palisade Research, uma organização independente que avalia os novos modelos em termos de cibersegurança.
IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão ‘sem precedentes’ por modelo da OpenAI
“Quase parecia que eles fizeram isso antes mesmo de ter um plano sobre o que fazer com o acesso à internet”, segundo Ladish.
Em março, um grupo de desenvolvedores afiliados à empresa chinesa Alibaba descobriu que um de seus modelos tentava, por conta própria, criar uma criptomoeda após se conectar, sem autorização, a um servido externo.
Em abril, Sam Bowman, responsável pela segurança na Anthropic, recebeu um e-mail do modelo Mythos, que estava sendo testado. Ele informou que estava navegando na internet apesar de, inicialmente, estar isolado.
Os modelos, advertiu Ladish, “buscam liberdade para cumprir com seus objetivos de maneira mais efetiva. E isso dá muito medo”.
“Será mais difícil supervisioná-la”
O relatório de eventos publicados pela OpenAI sugere que a startup não detectou a situação suficientemente cedo para solucioná-la em tempo real ou alertar a Hugging Face. Questionada sobre o assunto pela AFP, a empresa não respondeu.
Desde os ataques hackers, a OpenAI disse que “implementou proteções mais fortes” para suas próximas avaliações.
Para Gang Wang, professor de Ciência da Computação na Universidade de Illinois, ainda é possível impedir que um modelo se conecte à internet cortando fisicamente o acesso. O problema, disse, é que “as pessoas subestimam a IA”.
Garantir o ambiente “é algo que devemos prestar mais atenção (…) como se faz com os acidentes de laboratório” que liberam vírus ou bactérias, advertiu Andrew Lohn, do Centro de Segurança e Tecnologias Emergentes da Universidade de Georgetown.
Porém, para Dan Lahav, diretor executivo da Irregular – uma empresa de cibersegurança dedicada à IA de ponta -, realizar simulações em um ambiente completamente isolado “é um desafio de pesquisa muito difícil”.
“É possível aplicar medidas de mitigação, mas devido à forma como a tecnologia está construída, quanto mais se tenta dar liberdade e autonomia para realizar tarefas mais sofisticadas, será mais difícil supervisioná-la”, explicou Lahav sobre as salvaguardas nos testes.
O incidente da OpenAI sem dúvida impulsionará o atual debate no governo dos Estados Unidos sobre se deve inspecionar os modelos mais avançados de IA antes de seu lançamento.
O governo de Donald Trump obrigou a Anthropic a suspender dois de seus modelos e a OpenAI a submeter seus desenvolvimentos a testes antes de comercializá-los.
Na quinta-feira (23), dois congressistas americanos, um republicano e outro democrata, apresentaram um projeto de lei que obrigaria os gigantes de IA a contar com um “interruptor de desligamento” (“kill switch”) que permita desativar seus sistemas caso representem um risco grave.

Demitido menos de uma hora após assumir, procurador contesta exoneração na Justiça dos EUA

O juiz Roger Rogoff, do Tribunal Superior do Condado de King, em audiência realizada em 10 de outubro de 2016, em Seattle
AP/Ted S. Warren, Arquivo
Demitido menos de uma hora após tomar posse, o principal procurador federal de Seattle, nos Estados Unidos, entrou com uma ação judicial para contestar sua exoneração na última terça-feira (22). O caso inaugura um novo capítulo na disputa sobre os esforços do governo Trump para controlar quem ocupa os poderosos cargos do Departamento de Justiça.
Roger Rogoff é o mais recente de uma série de procuradores federais nomeados por tribunais que foram destituídos pelo governo Trump. No entanto, acredita-se que seja o primeiro desse grupo a recorrer à Justiça para contestar a medida. Sua ação cria um caso inédito que deverá testar a autoridade do Departamento de Justiça para demitir procuradores federais nomeados por juízes.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
Rogoff foi escolhido por unanimidade pelos juízes federais do Distrito Oeste de Washington para assumir o cargo de procurador dos Estados Unidos na região. Mas, pouco depois de tomar posse, recebeu um e-mail informando que o presidente Donald Trump havia determinado sua demissão.
A ação sustenta que a exoneração foi inconstitucional e desrespeitou a autoridade dos juízes do distrito, que o haviam nomeado para exercer a função até que a vaga fosse preenchida por um indicado confirmado pelo Senado. O processo pede uma decisão judicial que declare a demissão “ilegal e sem efeito” e permita que Rogoff permaneça, ao menos temporariamente, no cargo.
Agora no g1
“As ações do presidente violam a lei e ignoram as proteções da Constituição dos Estados Unidos”, afirmou Rogoff em comunicado divulgado pelo escritório de advocacia que o representa. “Sua remoção, assim como a de outros procuradores federais nomeados pelos tribunais em todo o país, é ilegal e não pode ser tolerada.”
Como funciona a nomeação dos procuradores federais
Os procuradores dos Estados Unidos, responsáveis por comandar os escritórios regionais do Departamento de Justiça em todo o país normalmente são indicados pelo presidente e posteriormente confirmados pelo Senado.
➡️ Quando surge uma vaga, o procurador-geral pode nomear um ocupante interino por até 120 dias. Se esse período expira sem a confirmação de um novo indicado pelo Senado, os juízes federais do distrito têm autoridade para fazer uma nomeação temporária — como ocorreu no caso de Rogoff — válida até a escolha de um titular definitivo.
Sob o governo Trump, porém, o Departamento de Justiça tem buscado manter procuradores não confirmados em seus cargos por períodos mais longos ou substituir procuradores nomeados pelos tribunais.
Procurador-geral interino já havia sinalizado a demissão
O Distrito Oeste de Washington não tem um procurador federal confirmado pelo Senado desde 2023. Rogoff apresentou sua candidatura após os juízes sinalizarem, em janeiro, a intenção de preencher a vaga aberta com o encerramento do mandato de 120 dias de Charles Neil Floyd, que havia sido nomeado interinamente no ano anterior pela então procuradora-geral Pam Bondi.
Segundo a ação judicial, mesmo antes da escolha de Rogoff, o procurador-geral interino Todd Blanche já havia indicado que pretendia demitir qualquer pessoa nomeada pelos juízes.
Após o tribunal anunciar a formação de um comitê de seleção baseado em mérito, Blanche escreveu na rede social X que os candidatos não contavam com o apoio do presidente e que provavelmente teriam “o mesmo destino de outros quando os juízes ignoram o Artigo II” da Constituição.
Depois da demissão de Rogoff, Blanche voltou a se manifestar.
“Juízes distritais podem nomear temporariamente um procurador dos EUA, e o presidente pode demiti-lo”, escreveu.
Segundo ele, os juízes do Distrito Oeste de Washington “abandonaram o processo tradicional de consulta ao governo para garantir que o procurador escolhido estivesse qualificado para servir na administração”. “Roger Rogoff foi demitido pelo presidente”, acrescentou.
O Departamento de Justiça afirmou em nota divulgada que “o tribunal distrital não coordenou essa seleção com o Departamento de Justiça” e que a decisão está “plenamente dentro da autoridade do presidente”.
Conflitos semelhantes em outros estados
Washington não é o único estado a registrar embates entre o Judiciário e o governo Trump sobre a ocupação de cargos de procuradores federais.
Em Nova Jersey, a ex-advogada pessoal de Trump, Alina Habba, deixou o cargo em dezembro após um tribunal de apelações decidir que ela estava exercendo a função de forma ilegal.
Na Virgínia, Lindsey Halligan, outra advogada ligada a Trump e nomeada pela administração republicana, também deixou o cargo de procuradora federal interina depois que um juiz concluiu que sua nomeação era irregular.
Na mesma decisão, o magistrado determinou que fossem rejeitadas as acusações apresentadas por Halligan contra a procuradora-geral de Nova York, Letitia James, e contra o ex-diretor do FBI James Comey.
O processo movido por Rogoff pode agora definir os limites da autoridade presidencial sobre procuradores federais nomeados pelos tribunais e estabelecer um importante precedente para futuras disputas entre o Executivo e o Judiciário.