Mega-Sena pode pagar R$ 86 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.038 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 86 milhões para os acertadores das seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (30), em São Paulo.
No concurso da última terça (28), nenhuma aposta acertou os seis números e o prêmio acumulou. Veja os números sorteados: 02 – 11 – 22 – 30 – 51 – 54.
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O g1 passou a transmitir todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Por que a carpa nishikigoi pode valer até US$ 1,5 milhão?

Carpa colorida Nishikigoi já foi vendida por R$ 1,5 milhão; conheça o peixe
O nishikigoi, uma categoria de carpas coloridas valorizada pela beleza, já foi vendido por US$ 1,5 milhão. E não é apenas no exterior que o peixe alcança valores elevados: no Brasil, foi negociado por R$ 80 mil.
A palavra “nishikigoi” é formada pela junção de dois termos em japonês: “colorido intenso” e “carpa”.
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Apenas 17 variedades de carpas coloridas são classificadas como nishikigoi, segundo normas da Zen Nippon Airinkai (ZNA), organização mundial dedicada a padronizar a criação da espécie.
Uma das características que o define é ter o desenho distribuído por todo o corpo, de forma equilibrada dos dois lados. O peixe também pode ter escamas ou couro.
Enquanto uma carpa comum custa, em média, R$ 30, o nishikigoi pode ser encontrado a partir de R$ 300. A fêmea vale ainda mais porque pode atingir tamanho maior e tem o corpo mais largo, o que destaca a estampa e torna o nado mais bonito.
Peixes que vencem competições também são mais valorizados. Por exemplo, uma carpa pequena com o valor de R$ 200 pode passar a valer R$ 3 mil após ser premiada.
Um dos fatores que tornam o nishikigoi mais caro é a alta procura diante da baixa oferta.
O crescimento desse mercado é impulsionado pela expansão do paisagismo de alto padrão, que utiliza lagos com peixes.
Rafael Caetano, programador, coleciona exemplares da categoria em casa e gasta cerca de R$ 1.000 por mês para mantê-los. O peixe mais caro da coleção custou R$ 20 mil.
“É a sensação, o que isso me traz, é difícil precificar”, diz.
Ivan Miraldo, corretor de seguros, também investe em nishikigoi. Sua coleção, com 27 peixes, é avaliada em R$ 700 mil.
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'Efeito China': preço médio do carro zero no Brasil tem a primeira queda em seis anos

JN na China: série especial mostra Cantão, cidade que virou polo da produção de carros elétricos
Um estudo da Bright Consulting mostra que, pela primeira vez em seis anos, o preço médio dos carros novos no Brasil subiu menos do que a inflação em 2026. O valor dos veículos zero km teve uma queda real — descontada a inflação — de 1,5% neste ano.
Nominalmente, o preço médio sugerido pelas montadoras subiu 1,4% e chegou a R$ 166,9 mil. Mas o reajuste ficou abaixo da inflação oficial acumulada no período, de 3,18%. Houve uma forte desaceleração em relação aos 5,5% registrados no ano anterior.
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De acordo com os analistas, a expansão das montadoras chinesas no país foi o principal fator por trás da queda dos preços, já que aumentou a competição no mercado brasileiro e forçou as fabricantes tradicionais a reduzirem suas margens.
💰 Por outro lado, a renda estagnada e os juros elevados do crédito veicular ainda mantêm a compra do automóvel zero km distante do bolso da maioria da população. (entenda os detalhes abaixo)
Margem para negociação
Segundo Cássio Pagliarini, sócio da Bright Consulting, a queda dos preços fica ainda mais evidente após a negociação na concessionária. O valor efetivamente pago no balcão — conhecido como preço de transação — caiu 3,5% em 2026, passando de R$ 157,6 mil para R$ 152,1 mil.
A diferença de quase R$ 15 mil entre a tabela oficial de fábrica e o preço final registrado na nota fiscal mostra o esforço do comércio para reduzir os estoques acumulados.
Essa diferença é viabilizada por bônus de fábrica, maior valorização do carro usado dado na troca e cortes pontuais nas taxas de financiamento.
Gráfico com os dados dos preços dos carros no Brasil
g1
Efeito China
Como previsto, a entrada agressiva de marcas chinesas no país começou a provocar impactos no mercado.
Segundo Antônio Jorge Martins, coordenador dos cursos da área automotiva da Fundação Getulio Vargas (FGV), as fabricantes chinesas se beneficiam principalmente da grande escala de produção em seu país de origem.
“Estamos falando de um mercado de cerca de 34 milhões de veículos por ano, 10 vezes maior do que o brasileiro. A BYD, por exemplo, fabricou cerca de 4 milhões de carros só em 2025. Essa escala fabulosa reduz drasticamente o custo médio por veículo”, explica Martins.
Com mais de 140 marcas disputando espaço no mercado chinês — que já apresenta demanda enfraquecida e oferta ainda elevada —, a busca por rentabilidade em outros países virou prioridade para as fabricantes chinesas. Para ganhar espaço rapidamente no Brasil, a estratégia foi entrar com preços mais baixos.
🔍 O movimento já coloca o Brasil no topo: o país tornou-se o maior importador de carros chineses no primeiro semestre de 2026, com US$ 5,2 bilhões em compras. Do total, US$ 4,5 bilhões foram destinados a veículos elétricos e híbridos. Além da forte demanda por veículos mais tecnológicos, as montadoras anteciparam estoques antes do aumento das alíquotas do imposto de importação por aqui.
O professor da FGV aponta ainda que as fabricantes chinesas mudaram o jogo ao verticalizar a produção e fabricar internamente parte dos componentes mais importantes dos veículos, como as baterias. Isso elimina margens de intermediários e garante mais qualidade a um custo menor.
“Nos anos 90, os carros chineses sofriam com rejeição por falta de qualidade. Hoje, eles unem alto volume, controle da cadeia e muita tecnologia embarcada”, destaca o professor da FGV.
Carro mais barato não é fácil de comprar
Apesar da queda no valor médio dos carros, a dificuldade de acesso ao financiamento ainda limita um avanço maior dos emplacamentos.
As taxas cobradas pelos bancos para o financiamento veicular ainda variam entre 18% e 22% ao ano. A expectativa do setor é de que o crédito só ganhe fôlego à medida que caia a taxa básica de juros (Selic), atualmente em 14,25%.
“Em momentos normais do mercado, cerca de 60% das vendas de carros no Brasil dependem de financiamento bancário. Quando o crédito fica caro, os bancos reduzem a concessão por receio da inadimplência”, avalia Martins, da FGV.
BYD Atto 2 DM-i Flex é lançado oficialmente no Brasil
Divulgação / BYD

Justiça impede INSS de recusar benefícios a entregadores do iFood por falta de carteira assinada

Entregadores de aplicativos fazem protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo
Celso Tavares/G1
Uma decisão da Justiça do Trabalho determinou que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) passe a analisar, caso a caso, os pedidos de benefícios previdenciários de entregadores por aplicativo do iFood que sofrerem acidentes ou adoecerem em decorrência do trabalho.
A liminar tem alcance nacional, produz efeitos imediatos e impede que o instituto rejeite automaticamente os requerimentos pela ausência de carteira assinada ou de Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT).
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A decisão foi concedida pela juíza Carla Teresa Baltazar da Silveira Porto, da 2ª Vara do Trabalho de Salvador, em ação civil pública movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) contra o iFood, a seguradora MetLife e o INSS. (veja abaixo o que dizem as partes)
A magistrada também determinou que o INSS não poderá negar benefícios apenas porque o entregador é classificado como parceiro ou trabalhador autônomo. Cada pedido deverá ser analisado com base nas provas apresentadas.
Agora no g1
Além de impedir as recusas automáticas, a decisão determina que o INSS crie um fluxo administrativo específico para reavaliar pedidos negados por esses motivos.
O instituto terá 30 dias para apresentar um relatório detalhando como funcionará esse procedimento, incluindo os canais de atendimento, os documentos aceitos e o procedimento para solicitar informações ao iFood e à MetLife.
Segundo o procurador do Trabalho Ilan Fonseca, autor da ação, os entregadores do iFood enfrentavam dificuldades para acessar a proteção previdenciária quando sofriam acidentes durante o trabalho.
“O entregador estava em um limbo jurídico. Quando sofre um acidente, não conta com proteção social nem da empresa, nem da seguradora contratada por ela, nem do INSS. Agora, pelo menos, cada pedido terá de ser analisado e decidido”, afirmou.
Para garantir o cumprimento da liminar, a juíza fixou multa diária de R$ 10 mil para o iFood, a MetLife e o INSS em caso de descumprimento. O valor poderá chegar a R$ 300 mil para cada uma das empresas e a R$ 500 mil para o INSS.
A decisão também prevê multa de até R$ 5 mil por processo administrativo quando houver omissão injustificada na análise de um pedido individual de benefício.
A ação é resultado de uma investigação conduzida pelo MPT ao longo de mais de três anos, que incluiu entrevistas, inspeções no iFood, análise de documentos da empresa e do INSS, além da consulta a pesquisas sobre o trabalho por aplicativos.
Para o MPT, a falta de mecanismos adequados de registro contribui para a subnotificação dos casos e transfere ao Sistema Único de Saúde (SUS), à Previdência Social e às famílias dos trabalhadores os custos decorrentes dos acidentes e afastamentos.
A ação também questiona a efetividade do seguro oferecido pelo iFood por meio da MetLife. Segundo o MPT, as exigências burocráticas dificultariam o acesso dos trabalhadores às indenizações e não substituiriam a proteção oferecida pelo sistema previdenciário. Na prática, trabalhadores acidentados acabariam sem renda e dependeriam da rede de apoio formada por familiares e amigos.
Na ação, o MPT também pede a condenação do iFood e da MetLife ao pagamento de R$ 100 milhões por danos morais coletivos. Esse pedido ainda será analisado pela Justiça, após a apresentação das defesas e o julgamento dos recursos cabíveis.
A decisão tem caráter provisório. Segundo o MPT, a ação alcança todos os entregadores cadastrados no iFood no país enquanto a liminar permanecer em vigor.
O iFood, a MetLife e o INSS ainda podem recorrer, e a decisão poderá ser mantida, modificada ou revogada pelas instâncias superiores antes do julgamento definitivo da ação civil pública.
O que dizem as partes
Em nota enviada ao g1, o iFood informou que vai pedir a reconsideração da decisão da Vara do Trabalho de Salvador (BA).
A empresa alegou que a liminar foi concedida sem que tivesse a oportunidade de apresentar seus argumentos e sustentou que as obrigações impostas pela Justiça são incompatíveis com o modelo jurídico de autonomia que, segundo a plataforma, caracteriza a relação com os entregadores.
O iFood também afirmou que já oferece aos trabalhadores cadastrados benefícios como seguro contra acidentes, apoio psicológico e jurídico, auxílio em caso de afastamento por doença, incapacidade temporária ou invalidez permanente, além de seguro de vida e auxílio-funeral.
O INSS informou que ainda não foi oficialmente notificado e que “se manifestará oportunamente em relação ao mérito da decisão judicial”.
Já a MetLife informou que, até o momento, não foi formalmente notificada da decisão judicial. A empresa acrescentou que, caso seja intimada, “analisará o conteúdo da decisão e adotará as medidas cabíveis, em conformidade com a legislação aplicável”.
Entregadores de aplicativos fazem protesto em frente à Câmara Municipal de São Paulo
Celso Tavares/G1
Debate sobre o reconhecimento de vínculo
Para a advogada trabalhista Bárbara Ferrari, o principal efeito da decisão é obrigar o INSS a analisar os pedidos de benefícios previdenciários de entregadores acidentados de forma individualizada, sem recusá-los automaticamente. A liminar não cria novos direitos nem altera a natureza da relação entre plataformas e entregadores.
Ferrari afirma que a discussão sobre o reconhecimento de vínculo empregatício continua sendo tratada separadamente pela Justiça do Trabalho e depende da análise de cada caso.
“Não se pode interpretar essa decisão como uma mudança de entendimento sobre a natureza da relação entre plataformas e entregadores”, completa.
Segundo o especialista em Direito Previdenciário, Danilo Schettini, a liminar reforça a obrigação de o INSS analisar cada caso com base nas provas apresentadas e também determina que o iFood e a MetLife forneçam informações que possam auxiliar na instrução dos processos administrativos.
“O trabalhador continua precisando cumprir os requisitos previstos na legislação previdenciária, como a qualidade de segurado, quando exigida para cada benefício”, afirma.
O advogado explica que os entregadores poderão utilizar diferentes elementos para comprovar que o acidente ou adoecimento ocorreu durante o trabalho, como:
boletins de ocorrência;
laudos e prontuários médicos;
testemunhas;
fotos e vídeos;
registros do aplicativo;
histórico de corridas;
dados de geolocalização;
conversas com a plataforma.
Na avaliação de Schettini, embora os efeitos diretos da liminar alcancem apenas os casos abrangidos pela ação, o entendimento pode influenciar processos semelhantes envolvendo trabalhadores de outras plataformas digitais.
Caso seja mantida, a decisão também pode incentivar o INSS a adotar análises mais individualizadas em pedidos de benefícios apresentados por esses trabalhadores.

Gigantes de tecnologia são as marcas mais usadas para aplicar golpes na internet; veja lista

Microsoft, LinkedIn e Google
Reuters/Gonzalo Fuentes; Shutter Speed/Unsplash; Reuters/Andrew Kelly
Gigantes de tecnologia estão entre as principais marcas usadas indevidamente por criminosos para aplicar golpes na internet. A informação aparece em um levantamento da empresa de segurança cibernética Check Point Software.
A Microsoft, o LinkedIn, o Google, a Apple e a Amazon são as que mais apareceram nas tentativas de golpe identificadas no segundo trimestre de 2026, segundo a empresa.
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As cinco companhias respondem por mais de metade das campanhas de phishing com marcas, um golpe que se aproveita da reputação de empresas para roubar dados e dinheiro por meio de e-mails e sites falsos, por exemplo.
O ChatGPT apareceu na lista pela primeira vez, indicando que ferramentas de inteligência artificial já estão no radar de criminosos. Um dos casos identificados envolveu uma mensagem falsa sobre uma suposta falha no pagamento da assinatura do serviço. (veja a lista completa abaixo)
Agora no g1
Estas são as marcas mais imitadas por criminosos em tentativas de golpes pela internet:
Microsoft (22,6%)
LinkedIn (11,6%)
Google (6,7%)
Apple (5,8%)
Amazon (5,2%)
Adobe (3,8%)
Facebook (1,9%)
WhatsApp (1,4%)
PayPal (1,3%)
ChatGPT (1,1%)
Para a Check Point Software, a concentração em poucas marcas merece atenção. “Os golpistas não estão espalhando seus esforços por milhares de marcas. Eles estão focados em um pequeno conjunto de nomes que quase todo mundo reconhece e usa diariamente”, afirmou.
Os casos identificados no segundo trimestre incluem e-mails falsos sobre falhas no pagamento de serviços, páginas de login fraudadas e comunicações enganosas sobre atualizações de programas.
A empresa afirma que esse tipo de golpe funciona porque os criminosos se aproveitam da confiança dos usuários. “Se uma mensagem parece vir de uma marca que você já usa e confia, você baixa a guarda. Esse simples atalho psicológico é todo o modelo de negócios por trás do phishing de marca”.
Como se proteger
Os golpistas tentam atrair vítimas por meio da sensação de urgência causada por mensagens falsas de falhas de pagamentos e alertas de segurança.
Mas essas mensagens podem apresentar alguns erros, como imagens distorcidos, botões que não funcionam e erros de digitação.
A Check Point Software recomenda ter ainda mais atenção ao receber mensagens em nome de uma das empresas do ranking. E sugere que, em vez de clicar em links que aparecem na mensagem, os usuários digitem o site da marca por conta própria no navegador.
A empresa também recomenda ativar a autenticação de dois fatores (veja como fazer). A proteção extra exige o uso de um segundo código além da senha para acessar a conta, o que protege seus dados em caso de vazamentos.

EUA proíbem robôs humanoides chineses e ampliam disputa tecnológica com Pequim

Robôs humanoides ganham espaço na indústria, como fábricas de automóvel e centros de armazenamento
VCG/IMAGO
Os Estados Unidos anunciaram a proibição da importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados no exterior, medida que deve, na prática, excluir fabricantes chineses do mercado americano e aumentar as tensões entre Washington e Pequim.
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A Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês) informou nesta terça-feira (28/07) que dispositivos robóticos avançados produzidos fora do país representam riscos à segurança nacional e à cibersegurança.
A decisão se baseia nas conclusões de uma força-tarefa da Casa Branca, segundo a qual robôs fabricados no exterior podem criar ameaças cibernéticas à infraestrutura crítica do país e comprometer a segurança da população.
A FCC define os robôs abrangidos pela restrição como dispositivos móveis com peso superior a dois quilos que utilizam sensores, conectividade de rede e software para navegar de forma autônoma, incluindo a capacidade de evitar obstáculos.
Agora no g1
China lidera mercado de robôs humanoides
O mercado de robôs humanoides e quadrúpedes, conhecidos popularmente como “cães-robôs”, é considerado uma das principais áreas globais de crescimento tecnológico. Empresas americanas e chinesas disputam a liderança no desenvolvimento desses equipamentos.
A China, porém, ocupa posição dominante. Analistas do Barclays estimam que fabricantes chineses respondam por cerca de 85% do mercado global de robôs humanoides. Especialistas do Morgan Stanley projetam que o mercado chinês do setor poderá alcançar 15 bilhões de dólares (R$ 76,9 bilhões) até 2030.
“Os fabricantes chineses aumentaram a produção e reduziram custos mais rapidamente do que a maioria dos concorrentes estrangeiros”, afirmou Kangyuxiao Li, analista da Morningstar, à agência AP.
Nos Estados Unidos, empresas como a Figure AI já utilizam robôs humanoides em linhas de produção. A Tesla pretende iniciar neste ano a fabricação de seu robô Optimus.
Apesar disso, as exportações americanas ainda são limitadas. Segundo a consultoria Omdia, as empresas chinesas Unitree e AGIBOT venderam ao todo 10 mil robôs humanoides para o exterior em 2025, enquanto as exportações dos EUA permanecem na casa das centenas de unidades.
O presidente da FCC, Brendan Carr, afirmou que a medida também busca proteger as cadeias de suprimento consideradas estratégicas para o país.
Para Li, entretanto, as restrições não devem desacelerar de forma significativa o avanço da China no segmento. Segundo o analista, o tamanho da base industrial chinesa e as oportunidades em outros mercados de exportação tendem a compensar os efeitos da decisão americana.
Possíveis impactos diplomáticos
Além das consequências para a indústria, a proibição pode ter repercussões diplomáticas antes do encontro previsto entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, em setembro.
Washington já proibiu a entrada de drones fabricados na China e avalia impor restrições a modelos chineses de inteligência artificial de código aberto, citando preocupações com espionagem, vigilância e coleta de dados.
Recentemente, o Pentágono incluiu a Unitree e outras grandes empresas chinesas de tecnologia em uma lista de companhias que, segundo o governo americano, mantêm vínculos com as Forças Armadas chinesas. Pequim rejeitou a acusação.
Robôs quadrúpedes tipo também serão afetados pelas novas restrições anunciadas pelos EUA.
Tony Gutierrez/AP Photo/picture alliance
“É uma sequência constante de potenciais focos de tensão às vésperas da cúpula entre Trump e Xi”, afirmou Samm Sacks, pesquisadora sênior do centro de estudos New America, especializado em políticas de tecnologia da China.
Atualmente, a maior parte dos robôs humanoides é utilizada em ambientes industriais controlados, como fábricas de automóveis e centros de armazenamento. Robôs industriais estacionários permanecerão isentos da proibição. Dependendo da interpretação da norma, contudo, a definição adotada pela FCC também poderá abranger até aspiradores robóticos mais avançados.
Restrições também atingem inversores de energia
A FCC também incluiu inversores de energia fabricados no exterior na lista de equipamentos sujeitos a restrições. Esses dispositivos convertem a corrente contínua gerada por painéis solares em corrente alternada compatível com a rede elétrica.
A agência argumenta que equipamentos conectados à internet podem ser desativados remotamente ou utilizados para coleta de dados, representando riscos de segurança semelhantes aos atribuídos aos robôs.
Assim como ocorre no setor de robótica avançada, a medida deve afetar principalmente fabricantes chineses, que hoje dominam o mercado global de inversores para sistemas de energia solar.

Tecnologia, carne e IA: o que empresas de Brasil e Coreia do Sul negociaram em reunião fechada

Presidente da Coreia do Sul encerra agenda no Brasil
Mais do que uma cerimônia de assinatura de acordos, o Brazil-Korea Business Roundtable foi estruturado como uma grande mesa de negociação entre os principais líderes empresariais dos dois países. O g1 acompanhou as discussões com exclusividade.
Mediados pelo vice-presidente Geraldo Alckmin e pelo presidente da Coreia do Sul, Lee Jae Myung, cerca de 30 executivos brasileiros e sul-coreanos se revezaram em três painéis temáticos — manufatura e infraestrutura, indústrias avançadas e bens de consumo e distribuição — para apresentar diretamente aos chefes de Estado os principais gargalos, oportunidades de investimento e propostas de cooperação bilateral.
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Ao fim das apresentações, parte das discussões foi formalizada por meio da assinatura de memorandos de entendimento entre empresas e instituições dos dois países.
A divisão dos debates refletiu as prioridades da agenda econômica entre Brasil e Coreia do Sul. No primeiro bloco, executivos de empresas como Hyundai, Posco, LG Electronics, Hanwha Ocean, Vale, Suzano, Braskem, Inpasa, Tupy e HD Hyundai Construction Equipment discutiram projetos ligados à indústria, infraestrutura e transição energética.
vice-presidente brasileiro Geraldo Alckmin discursa durante uma mesa-redonda empresarial com líderes empresariais sul-coreanos e brasileiros em um hotel de São Paulo, em 28 de julho de 2026
Divulgação
Em seguida, representantes de Samsung Electronics, Embraer, Eurofarma, WEG, Stefanini, SK Biopharmaceuticals, NAVER, Korean Air e Korea Aerospace Industries concentraram as discussões em inteligência artificial, semicondutores, saúde, inovação e setor aeroespacial.
O último painel reuniu executivos de JBS, Minerva Foods, Ambev, Amorepacific, APR, Silicon2 e Korea Importers Association (KOIMA), com foco em alimentos, bebidas, cosméticos e distribuição.
A escolha desses setores chamou atenção por coincidir com áreas consideradas estratégicas pelo governo brasileiro no momento em que o país busca diversificar seus mercados externos após o aumento das tarifas impostas pelos EUA.
Proteínas animais e bebidas — dois dos segmentos preservados das novas tarifas americanas — estiveram entre os temas mais debatidos pelos executivos, que defenderam ampliar a presença brasileira na Coreia do Sul e acelerar acordos comerciais e sanitários.
Os EUA sequer foram citados durante os debates, embora Brasil e Coreia estejam sendo alvo de tarifas americanas. Após o encerramento do evento, durante entrevistas, Alckmin reiterou que Trump “não esteve na pauta”.
Acordos anunciados ao final da mesa-redonda:
ApexBrasil × KOTRA: aprofundamento da cooperação comercial e de investimentos.
Embrapii × KIAT e Finep × KIAT: pesquisa, inovação, inteligência artificial e descarbonização.
Eurofarma × SK Biopharmaceuticals: parceria em neurociências, IA e terapias para epilepsia.
JBS × Highland Foods: expansão da presença da JBS na Coreia e em outros mercados estratégicos.
Embraer × Korea Aerospace Industries (KAI): cooperação para futuras parcerias no setor aeroespacial.
Minerva quer substituir EUA e Austrália
No painel de bens de consumo, o CEO da Minerva Foods, Fernando Queiroz, afirmou que a abertura do mercado sul-coreano para a carne bovina brasileira representa uma oportunidade para os dois países.
Segundo ele, a Coreia importa mais de 60% dos alimentos que consome e depende principalmente de Estados Unidos e Austrália para abastecer seu mercado. Já o rebanho brasileiro “soma mais de duas vezes a soma da Austrália e da Índia”, disse.
“Nós podemos dar à Coreia segurança alimentar, controle da inflação — especialmente para as classes menos privilegiadas —, constância e diminuir a dependência de um mercado que não é promissor”, afirmou.
O CEO afirmou que a mesa representou uma oportunidade para acelerar o acordo sanitário e viabilizar o fornecimento de carne bovina brasileira ao mercado sul-coreano.
A avaliação foi reforçada pelo presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, que destacou que a companhia já possui estrutura logística consolidada para atender ao mercado asiático e que a parceria pode ir além das proteínas animais.
Segundo ele, a empresa também produz biodiesel, colágeno utilizado pela indústria de cosméticos e ingredientes de alto teor proteico para alimentação humana.
“Já conhecemos bem o mercado, conhecemos a logística […] atendemos subprodutos da nossa produção, como biocombustíveis — particularmente o biodiesel —, sebo bovino e colágeno, que serve como matéria-prima para os colegas aqui do setor de beleza”, disse.
O’Callaghan acrescentou que o sorgo para consumo humano, com alto teor de proteína, “está bastante demandado pelos produtores”.
As discussões sobre proteínas dialogaram diretamente com um dos memorandos assinados ao fim do encontro: a parceria estratégica entre a JBS e a sul-coreana Highland Foods para ampliar a cooperação comercial de longo prazo, expandir oportunidades de mercado e aumentar a presença dos produtos da companhia brasileira na Coreia e em outros mercados estratégicos.
Presidente do conselho de administração da JBS, Jerry O’Callaghan, (à direita), apertando a mão da fundadora e CEO da Highland Foods, Young Mi Youn (à esquerda)
Isabela Ortiz/g1
Ambev pede previsibilidade e segurança jurídica
Na mesma mesa, a vice-presidente da Ambev, Carla Crippa, afirmou que Brasil e Coreia já compartilham uma integração empresarial relevante, lembrando que a cervejaria brasileira faz parte do mesmo grupo controlador da sul-coreana OB. Segundo ela, cadeias produtivas complexas, como a de bebidas, dependem de um ambiente regulatório estável para sustentar investimentos de longo prazo.
“Para manter os investimentos de longo prazo, precisamos cada vez mais de previsibilidade e segurança jurídica nos nossos países”, afirmou.
Já no painel de indústrias avançadas, a aproximação entre empresas de tecnologia e saúde também resultou em acordos concretos.
A Eurofarma e a SK Biopharmaceuticals firmaram um memorando para ampliar a colaboração em neurociências na América Latina, incluindo terapias para epilepsia, expansão do uso do medicamento cenobamato e aplicação de inteligência artificial em saúde.
Embraer e Korea Aerospace Industries (KAI), por sua vez, assinaram um acordo para identificar novas oportunidades de cooperação no setor aeroespacial.
Durante o evento, Alckmin lembrou que a Coreia do Sul foi o primeiro país asiático a adquirir o cargueiro KC-390, da Embraer, e mencionou o lançamento de um foguete sul-coreano previsto para setembro, a partir do Centro Espacial de Alcântara.
Marco Billi, CEO Internacional da Eurofarma (à direita), assina acordo com Donghoon Lee, CEO da SK Biopharmaceuticals Co. (à esquerda)
Isabela Ortiz/g1