Apple trava nova batalha contra Reino Unido para impedir acesso do governo a dados de usuários

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A Apple entrou com uma nova ação na Justiça do Reino Unido para tentar impedir que o governo britânico obrigue a empresa a criar um meio de acessar dados criptografados de usuários armazenados na nuvem, informou o jornal Financial Times nesta segunda-feira (3).
Segundo a publicação, a empresa apresentou no mês passado uma contestação ao Investigatory Powers Tribunal, órgão independente responsável por julgar disputas envolvendo vigilância e poderes de investigação do Estado. A ação questiona uma exigência do Ministério do Interior britânico para que a Apple permita o acesso do governo aos backups criptografados de usuários do Reino Unido.
Esses backups são cópias de segurança dos dados armazenadas na nuvem. Eles são protegidos por criptografia, tecnologia que embaralha as informações para que apenas o dono da conta consiga acessá-las.
Uma pessoa usa um telefone para fotografar iPhones em exposição durante o evento da Apple.
Manuel Orbegozo/Arquivo/Reuters
O governo britânico quer que a Apple crie uma forma de contornar essa proteção — conhecida como “porta dos fundos” (backdoor) —, permitindo o acesso aos dados mesmo quando eles estiverem criptografados.
Não é a primeira vez
No ano passado, o Reino Unido desistiu de uma proposta semelhante, que permitiria o acesso a dados de usuários britânicos e americanos, após meses de negociações com o governo dos Estados Unidos, então presidido por Donald Trump.
De acordo com o Financial Times, as autoridades britânicas emitiram posteriormente uma nova determinação técnica direcionada à Apple. Dessa vez, a medida se aplica apenas aos dados de usuários do Reino Unido, sem atingir clientes nos Estados Unidos.
Procurado, um porta-voz do governo britânico afirmou que não comenta processos judiciais nem questões operacionais, incluindo a existência ou não de notificações enviadas a empresas.
Em nota, o governo afirmou que apoia o uso de criptografia para proteger a privacidade dos cidadãos, mas defendeu que as autoridades tenham acesso a comunicações quando isso for considerado necessário e proporcional para investigar casos de terrorismo, crimes graves e abuso sexual infantil.
Apple WWDC 2026
Reprodução/YouTube/Apple
A Apple não respondeu imediatamente ao pedido de comentário da Reuters.
Para Ruth Ehrlich, diretora de relações externas da organização de direitos humanos Liberty, o caso pode ter consequências duradouras para a proteção da privacidade. Segundo ela, criar uma “porta dos fundos” para acessar informações protegidas aumenta os riscos para os dados pessoais dos usuários e exige que o governo leve em consideração as preocupações de especialistas e da sociedade antes de adotar esse tipo de medida.

25 estados americanos entram na Justiça contra novas tarifas impostas por Trump

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Um grupo de 25 Estados norte-americanos governados por democratas processou o governo do presidente Donald Trump nesta segunda-feira (3), argumentando que a mais recente rodada de tarifas sobre produtos de 60 parceiros comerciais, assim como a maioria de suas tarifas anteriores, excede sua autoridade legal para tributar importações.
Em 24 de julho, o governo Trump impôs novas tarifas de 10% e 12,5% a 60 parceiros comerciais, incluindo a União Europeia e o Brasil, sob a alegação de que eles não estavam fazendo o suficiente para impedir a exportação de mercadorias produzidas com trabalho forçado. 
Movida pelos Estados no Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, em Nova York, a ação segue contestações anteriores apresentadas por pequenas empresas norte-americanas, que buscaram a via judicial para bloquear as tarifas no dia em que entraram em vigor, no mês passado.
Estados e pequenas empresas já contestaram com sucesso tarifas globais impostas por Trump em seu segundo mandato, mas o presidente seguiu com novas tarifas, apesar de uma série de reveses legais.
Pequenas empresas dos EUA processam Trump por novas tarifas sobre 60 países
Os Estados que entraram com a ação judicial, incluindo Oregon e Nova York, têm todos procuradores-gerais ou governadores democratas.
“Apesar de ter perdido em todas as etapas, Trump está tentando mais uma vez causar mais caos às famílias trabalhadoras e às empresas locais do Oregon”, disse o procurador-geral do Estado, Dan Rayfield, em comunicado.
O porta-voz da Casa Branca, Kush Desai, disse que as tarifas eram uma resposta apropriada e legal a práticas comerciais desleais de outras nações.
“O fato de um país estrangeiro não impor e não fazer cumprir efetivamente a proibição da importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é algo desarrazoado, prejudica o comércio dos EUA — incluindo os trabalhadores americanos — e precisa ser enfrentado”, disse Desai.
Trump fez das tarifas um pilar central de sua política externa, mesmo após uma dura derrota na Suprema Corte dos EUA, que emitiu decisão contra a maioria das tarifas mais abrangentes de Trump em 20 de fevereiro, concluindo que a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) não autoriza o presidente a impor tarifas unilateralmente a parceiros comerciais.
Trump respondeu a essa decisão intensificando sua guerra comercial, chamando os juízes da Suprema Corte de “desleais” e impondo novas tarifas temporárias de 10% sob uma autoridade legal diferente que, assim como a IEEPA, não havia sido usada anteriormente por nenhum presidente para impor tarifas.
O presidente dos EUA, Donald Trump, deixa o local após uma reunião de gabinete em Camp David, em Thurmont, Maryland, EUA, em 31 de julho de 2026
REUTERS/Nathan Howard/Pool
Essas tarifas também foram consideradas ilegais pelo Tribunal de Comércio Internacional dos EUA, mas permaneceram em vigor enquanto o governo Trump recorria.
A última rodada de tarifas globais foi imposta sob a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, que visa combater práticas econômicas desleais ou discriminatórias por parte de outras nações. As tarifas impostas em julho afetam mais de 99% das importações dos EUA.
Diferentemente da IEEPA ou da autoridade tarifária global temporária, a Seção 301 já foi utilizada por presidentes anteriores. Mas Estados e pequenas empresas alegam em seus processos judiciais que as tarifas da Seção 301 historicamente visam atingir nações e setores específicos, e a abordagem abrangente de Trump não tem precedentes históricos.
Segundo a queixa dos Estados, assim como duas ações judiciais anteriores movidas por pequenas empresas contra as tarifas, o “trabalho forçado” é utilizado como pretexto para reimpor tarifas que já haviam sido consideradas ilegais pelos tribunais.
Sustentam ainda que uma taxação abrangente sobre as importações não resolve os problemas reais do trabalho forçado em todo o mundo.

TikTok faz acordo em três processos sobre vício em redes sociais entre jovens antes de julgamento

Ícone do aplicativo de compartilhamento de vídeos TikTok.
AP/Matt Slocum/Arquivo
O TikTok concordou em fazer um acordo em três processos movidos por jovens que acusam empresas de redes sociais de projetarem suas plataformas para serem viciantes e prejudicarem a saúde mental dos usuários, disse um advogado dos autores na segunda-feira.
Os termos dos acordos são confidenciais e dependem da finalização dos documentos formais com o TikTok, segundo Joseph VanZandt, advogado dos autores.
O TikTok não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
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Os casos estão entre milhares de ações judiciais semelhantes consolidadas em um tribunal estadual da Califórnia.
As alegações dos autores contra a Meta Platforms, o YouTube (do Google) e o Snapchat (da Snap Inc.) prosseguirão. Um julgamento está agendado para outubro.
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Os três casos, movidos por autores identificados apenas pelas iniciais por serem menores de idade, foram selecionados como julgamentos-piloto dentre cerca de 3.300 processos que tramitam perante a juíza Carolyn Kuhl, do Tribunal Superior de Los Angeles.
A juíza supervisiona as ações consolidadas que alegam que as plataformas de redes sociais são viciantes e prejudicam usuários jovens.
🔍Advogados frequentemente usam veredictos de casos-piloto para avaliar como júris podem encarar alegações semelhantes, ajudando-os a estimar o valor potencial dos casos restantes e a orientar negociações de acordo.
As empresas negaram as acusações e afirmam adotar medidas abrangentes para manter adolescentes e jovens usuários seguros em suas plataformas.
Os autores que estão fechando acordo com o TikTok são:
S.J., uma jovem de 15 anos de Illinois que alegou que as plataformas de redes sociais levaram a quadros de automutilação, ansiedade, depressão, vício e transtorno alimentar;
P.M.Y., um jovem de 15 anos de Nova Jersey que alegou vício, depressão e automutilação;
e K.D.B., um jovem de 18 anos do Mississippi que alegou que o uso excessivo das plataformas causou ansiedade, depressão, vício, automutilação e transtorno alimentar, segundo VanZandt.
Os acordos ocorrem após outro caso-piloto ter sido encerrado antes do julgamento em julho, quando um autor adolescente desistiu de suas alegações contra a Meta depois que os outros réus firmaram acordos.
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Condenação inédita
Como o julgamento histórico da Meta e do Google pode impactar o Brasil?
O primeiro julgamento, encerrado em março, resultou em uma decisão condenatória de US$ 4,2 milhões contra a Meta e outra de US$ 1,8 milhão contra o Google. O TikTok e o Snap fizeram acordos para encerrar o processo antes do julgamento.
Este processo foi movido por uma mulher que alegou ter desenvolvido dependência de plataformas de rede social ainda jovem, devido ao design dessas plataformas voltado a capturar a atenção dos usuários.
Outros 2.600 processos com alegações semelhantes — movidos por indivíduos, distritos escolares, municípios e estados — tramitam atualmente em um tribunal federal da Califórnia.
Além disso, praticamente todos os procuradores-gerais estaduais processaram empresas de redes sociais nos tribunais de seus respectivos estados.
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Enel SP: Área técnica da Aneel rejeita pedido de perícia e defende manter processo para encerrar concessão

A área técnica da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) classificou como “desnecessário” o pedido da Enel São Paulo para a realização de uma nova perícia técnica no processo que pode resultar na recomendação de caducidade da concessão da distribuidora.
Segundo memorando da Superintendência de Fiscalização Técnica (SFT), uma nova perícia reexaminaria fatos que já foram registrados, analisados e debatidos ao longo do processo, sem acrescentar elementos relevantes para a apuração.
“A realização de nova perícia técnica para reexaminar fatos já registrados, analisados e debatidos nos autos mostra-se, na visão da SFT, desnecessária, pois não acrescentaria elementos relevantes à apuração e apenas retomaria questões técnicas já avaliadas no processo”, afirma o documento.
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A área técnica também considera que o processo já reúne provas técnicas, documentos e demais elementos apresentados tanto pela concessionária quanto pela própria agência, suficientes para embasar a decisão da diretoria colegiada.
O processo na Aneel foi aberto após falhas massivas na distribuição de energia e demora no restabelecimento do serviço pela Enel na Grande São Paulo em 2024.
🔎 Considerada uma medida extrema, a caducidade (ou extinção do contrato) pode ocorrer quando confirmado que a concessionária descumpre obrigações contratuais e não tem condições de manter a prestação de serviços à população.
RELEMBRE: Enel apresenta manifestação final antes de decisão da Aneel sobre perda da concessão em SP
O documento foi encaminhado à Procuradoria Federal vinculada à Aneel. No próximo dia 11 de agosto, a diretoria colegiada deve analisar o recurso apresentado pela Enel contra a decisão tomada em abril, quando a agência instaurou o processo que pode levar à extinção da concessão da distribuidora em São Paulo.
Em nota, a Enel afirmou que tem apresentado avanços em seu desempenho e que o pedido de reavaliação “considera as características diferenciadas do evento de dezembro — um ciclone com ventos fortes por mais de nove horas seguidas —, distintas dos eventos anteriores, de curta duração”.
“A Enel segue atuando de forma transparente e colaborativa para demonstrar o cumprimento integral das metas estabelecidas em contrato e no plano de melhoria apresentado ao regulador em 2024, reafirmando seu compromisso com a qualidade do serviço prestado a seus mais de 8,5 milhões de clientes na Grande São Paulo.”
No memorando, a SFT afirma ainda que o pedido da Enel não busca comprovar fatos novos nem esclarecer aspectos técnicos desconhecidos pela administração pública.
Funcionário da Enel trabalhando na manutenção de fiação na Marginal Tietê, em SP
GABRIEL SILVA/ATO PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
“Dessa forma, a prova pretendida possui caráter meramente revisional ou contrapositivo, não sendo necessária ao esclarecimento dos fatos tratados no processo administrativo”, diz o texto.
Os técnicos ressaltam que o foco da investigação “se concentra na avaliação dos danos causados à rede de distribuição e da capacidade da Concessionária em minimizar os impactos e responder de maneira eficiente às ocorrências registradas”.
Entenda o que acontece se o contrato da Enel em SP for encerrado
“Não se trata, portanto, de avaliar as caraterísticas específicas de um evento climático para delimitar a atuação da Distribuidora, ao contrário, o importante é buscar compreender como a Concessionária se organiza e lida com os consumidores na gestão do processo de recomposição nos períodos durante e após o evento climático em si”, destaca o memorando.

Mega-Sena pode pagar prêmio de R$ 135 milhões nesta terça-feira; acompanhe ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.040 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 135 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta terça-feira (4), em São Paulo.
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No concurso do último domingo (2), ninguém acertou as seis dezenas.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Loterias caixa.
Reprodução / Caixa
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

Por que os brasileiros estão trocando mais de emprego

A flexibilidade oferecida pelo home office é um fator importante para muitos profissionais
Erik Reis/IKOstudio/Zoonar/picture alliance
Há apenas seis anos formada em arquitetura, Clara Martinez já trabalhou em quatro empresas. Na primeira troca, o motivo foi exclusivamente financeiro. Depois ela passou a priorizar desafios e desenvolvimento profissional, a ponto de recusar uma contraproposta superior à nova oferta.
Na troca mais recente, ela deixou um emprego estável, mas sem perspectivas de crescimento, para ingressar numa empresa maior: manteve o mesmo salário, abriu mão do trabalho remoto e apostou num plano de carreira de longo prazo. “Eu não fugi de um ambiente ruim. Eu fugi da estagnação”, conta.
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A trajetória da arquiteta reflete um movimento cada vez mais comum no mercado de trabalho: o job hopping, prática de trocar de emprego com frequência em busca não apenas de salários maiores, mas também de desenvolvimento profissional, flexibilidade e até maior identificação com a cultura da nova empresa.
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Os números por trás da tendência
Dados da consultoria Michael Page comprovam essa tendência: 44% dos brasileiros buscam ativamente outra oportunidade, enquanto 39% consideram deixar o emprego atual.
Uma recente pesquisa do Ministério do Trabalho e Emprego mostra que principalmente os jovens estão trocando de emprego. Entre pessoas de 25 a 29 anos, 25,3% deixam o trabalho antes de completar um ano. Na faixa de 18 a 24 anos, esse percentual sobe para 38,2% e, entre adolescentes de 14 a 17 anos, supera a metade (52%).
Segundo o levantamento, baixos salários, longas jornadas e poucas oportunidades de desenvolvimento profissional ajudam a explicar esse comportamento. Diante da percepção de que não haverá investimento em sua carreira, muitos jovens optam por pedir demissão em busca de empregos semelhantes que ofereçam alguma vantagem adicional.
Para o consultor Lucas Oggiam, diretor executivo da Michael Page Brasil, o aumento da rotatividade tem diferentes causas. Em parte ela decorre de decisões voluntárias dos profissionais, e em parte reflete demissões ligadas ao cenário econômico.
Segundo ele, a troca frequente de emprego já vinha acontecendo nos últimos anos, mas não da mesma forma em todos os níveis hierárquicos. Funções operacionais e de entrada tradicionalmente têm maior rotatividade, enquanto executivos da alta liderança (os chamados C-levels) permanecem mais tempo na mesma empresa.
Já quando as mudanças acontecem por razões econômicas, ciclos mais curtos nem sempre representam uma escolha do trabalhador, mas, em muitos casos, cortes de custos e reestruturações nas empresas.
Currículo de sucesso: Dicas para impressionar no primeiro contato
Foto: Drazen Zigic/Freepik
Da estabilidade ao propósito
Para a pesquisadora Maira Blasi, especializada em futuro do trabalho, a estabilidade no emprego perdeu espaço para outras vantagens, como uma carreira mais diversificada e alinhada a um propósito profissional.
Ela avalia que a expansão do ensino superior e do acesso à internet ampliou o acesso à informação, às oportunidades e a diferentes referências de carreira. “À medida que os brasileiros se tornam mais escolarizados e que a informação mundial circula livremente, a população acessa outros referenciais no mundo, outros jeitos de viver a vida”, diz Blasi.
Ao mesmo tempo, a estabilidade oferecida pelas empresas não é mais a mesma. Demissões em massa, contratação de trabalhadores como pessoa jurídica e projetos mais curtos reduziram a atratividade de permanecer muitos anos na mesma organização.
“Um lado passou a não prometer estabilidade, e o outro passou a pensar: ‘Vou ver como está a minha carreira'”, diz Blasi. “Quando você ‘pejotiza’ alguém que antes ocupava uma vaga com características fixas, de CLT, abre espaço para essa pessoa se sentir menos presa à empresa”, diz.
Diversidade e inclusão
Outro fator para trocar de emprego é a busca por ambientes de trabalho mais inclusivos. A maior visibilidade midiática de temas como neurodiversidade e diversidade de gênero levou muitos profissionais a questionarem o ambiente de trabalho tradicional.
Em consequência, empresas que oferecem flexibilidade, políticas de diversidade e melhores condições para conciliar vida pessoal e trabalho se tornaram mais atrativas.
Para Blasi, depois da pandemia, a vida fora do trabalho ganhou mais importância, levando profissionais a experimentarem novas empresas e modelos de trabalho. “Se uma empresa não fala de diversidade, eu vou testar outra. Se aqui eu não posso cuidar do meu filho, vou tentar em outra”, resume.
A insatisfação com lideranças é outro fator que pesa, pois trabalhar num ambiente tóxico tem efeitos negativos também sobre a vida pessoal.
Autodescoberta profissional
Aos 36 anos, Ana Zampolo, especialista em educação corporativa, também se rendeu ao job hopping. Nos últimos seis anos, passou por cinco empresas e ainda abriu e fechou o próprio negócio. Também migrou da logística, sua área de formação, para a área organizacional. Para ela, as mudanças fizeram parte de um processo de autodescoberta profissional.
Para a profissional, nem toda mudança de emprego significou um aumento de salário. Em alguns momentos, ela aceitou ganhar menos para se aproximar da área em que desejava construir a carreira. “Eu aceitei fechar minha empresa e vir para cá porque era interessante no recálculo de rota. Eu vi um caminho.”
Hoje, ela afirma que, em vez de estabilidade, valoriza mais o propósito e os valores pessoais. “Eu não busco estabilidade. Eu busco realização, propósito, que a empresa seja conforme com aquilo que eu tenho como objetivos de vida. Se aquele lugar ou aquelas funções não estão me levando aonde eu quero como pessoa, como carreira, eu não continuo ali. O que me interessa é fazer carreira dentro da minha vida”, diz Zampolo.
Isso não significa descartar uma trajetória de longo prazo. Ela diz que aceitaria permanecer por muitos anos na mesma empresa se houvesse um plano de carreira claro, com metas, prazos e oportunidades concretas de crescimento.
O que pensam os recrutadores
Nem Martinez nem Zampolo dizem ter sido questionadas por recrutadores sobre as frequentes mudanças de emprego. Pelo contrário. “Na verdade, eu recebi como feedback positivo que eu nunca estou parada”, diz a arquiteta.
Especialistas alertam, porém, que o contexto dessas mudanças continua sendo determinante. Para Oggiam, quando o profissional está em início de carreira, é natural buscar cargos diferentes e numa velocidade maior de mudança. Já executivos tendem a construir trajetórias mais longas.
Segundo ele, aos recrutadores interessa sobretudo entender as razões por trás das mudanças. Já os empregadores tendem a avaliar se aquele comportamento pode voltar a se repetir. Ele também descreve que, mesmo em áreas com alta rotatividade, como tecnologia, muitas empresas continuam valorizando trajetórias duradouras.
Segundo os especialistas, não há um período considerado ideal para permanência num emprego. Blasi diz que o recomendado é permanecer pelo menos um ano em cada organização, mas o mais importante é ficar tempo suficiente para entregar resultados e saber explicar o impacto que o próprio trabalho teve.

Bezerro nasce com três orelhas, uma delas nas costas; entenda o caso

Bezerro com três orelhas
O nascimento de um bezerro em uma propriedade rural de Coromandel, no Alto Paranaíba (MG), chamou a atenção por uma característica incomum: o animal nasceu com três orelhas, uma delas nas costas, o que é mais raro ainda.
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Segundo o médico-veterinário Enrico Ortolani, trata-se de uma má-formação congênita, ou seja, uma alteração que ocorre durante o desenvolvimento do embrião. De acordo com o especialista, a anomalia provavelmente surgiu nos primeiros 45 dias de gestação da vaca.
Ortolani explica que esse tipo de ocorrência é considerado muito raro, especialmente pela localização da orelha extra, fora da cabeça do animal. Apesar de estar completamente formada externamente, ela não tem função auditiva, pois não possui as estruturas internas necessárias para captar sons.
A boa notícia é que a condição não deve comprometer a qualidade de vida do animal. Segundo o veterinário, o bezerro pode conviver normalmente com a má-formação, sem apresentar problemas de saúde relacionados à terceira orelha.
O especialista também afirma que a característica não deve ser transmitida aos descendentes. Isso porque se trata de uma má-formação, e não, necessariamente, de uma alteração genética hereditária.
Caso o produtor decida retirar a orelha extra por meio de uma cirurgia, a recomendação é que o procedimento seja realizado apenas com acompanhamento de um médico-veterinário qualificado.
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Bezerro com três orelhas
Globo Rural
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