Concurso 3042 da Mega-Sena: bolão acerta as seis dezenas e ganha R$ 164,9 milhões

Concurso 3.042 da Mega-Sena – veja sorteio
O sorteio do concurso 3042 da Mega-Sena foi realizado na manhã deste domingo (9), em São Paulo. Uma aposta de Fortaleza (CE) acertou as seis dezenas e levou sozinha o prêmio de R$ 164.895.645,00.
A aposta foi feita na Loteria Aldeota, em formato de bolão com 15 números apostados e 100 cotas. Apesar de o prêmio principal ter saído para uma única aposta, o valor será dividido entre os participantes do bolão.
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Veja os números sorteados: 02 – 05 – 10 – 35 – 40 – 53
6 acertos: 1 aposta ganhadora, R$ 164.895.645,50
5 acertos: 246 apostas ganhadoras, R$ 22.927,51
4 acertos: 13.158 apostas ganhadoras, R$ 706,56
concurso 3042 da Mega-Sena
Caixa
O g1 passou a transmitir, desde abril, todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
A Mega tem três sorteios semanais: às terças, quintas e domingos.
Para apostar na Mega-Sena
Como funciona a Mega-Sena?
A aposta mínima custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet, até as 20h – saiba como fazer a sua aposta online.
Os jogos podem ser realizados até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1

A volta por cima dos irmãos Batista: como donos da JBS saíram da Lava Jato e voltaram aos holofotes, com participação até na diplomacia mundial

Wesley e Joesley Batista
BBC/ Getty images
É 2017. Um advogado está sentado em frente ao computador em um escritório digno de um consultor jurídico de dois dos homens mais ricos e poderosos do Brasil.
Ele termina de digitar, clica em “enviar” e se dirige à porta. Mas algo o incomoda, uma sensação persistente que não consegue ignorar. Ele se vira, volta à sua mesa e abre a pasta de e-mails enviados.
Seu sangue gela. Para seu desespero, ele percebe que anexou o arquivo de áudio errado ao e-mail, uma mensagem destinada diretamente ao Ministério Público Federal (MPF).
O anexo deveria salvar seus clientes. Em vez disso, seu erro os levará para a prisão.
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Esta é a história de dois dos mais famosos irmãos brasileiros: Wesley e Joesley Batista, de 54 e 53 anos, respectivamente, cada um com uma fortuna atualmente estimada em US$ 5,7 bilhões (R$ 29 bi).
JBS inaugura centro de pesquisa e desenvolvimento no Sapiens Parque

A história da família Batista está ligada ao crescimento econômico do Brasil e ao sucesso da JBS, a maior produtora de carne do mundo. Ao mesmo tempo, seu passado também remete a um dos maiores escândalos de corrupção da história do país.
E apesar de serem lembrados no Brasil e no mundo por sua associação aos escândalos revelados pela Operação Lava Jato, os irmãos Batista passaram por uma espécie de “volta por cima” nos último anos.
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Após uma temporada fora dos holofotes, hoje eles estão mais ricos do que nunca, com suas ações negociadas na Bolsa de Valores de Nova York e participando até mesmo de reuniões na Casa Branca.
Relembre, a seguir, a história da queda e da ascensão de Wesley e Joesley Batista, contada no programa Good Bad Billionaire (O bom e mau bilionário, em tradução literal), do BBC World Service*
O pai
Tudo começou com o pai de Wesley e Joesley, José Batista Sobrinho. Em 1953, ele abriu um açougue em Anápolis, no interior de Goiás.
O Brasil passava por uma rápida modernização naquela época, e José se mudou para a recém-construída capital Brasília, atraído por uma isenção fiscal de quatro anos.
Ele começou vendendo carne nas cantinas dos canteiros de obras da nova cidade e, alguns anos depois, comprou seu primeiro frigorífico, também em Goiás.
A família Batista reunida: da esquerda para a direita, Wesley, fundador da JBS, o pai José, sua esposa, Flora Mendonça Batista, e Joesley, posando na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) em 2025
BBC/ Getty images
Em 1972, ele renomeou a empresa para Friboi e teve dois filhos, Wesley e Joesley, que nasceram com apenas dez meses de diferença. Eles tinham um irmão mais velho e três irmãs.
Naquele momento, o Brasil possuía vastas áreas de pastagem e 105 milhões de cabeças de gado. O país era o quarto maior produtor mundial de carne, atrás da Índia, da União Soviética (URSS) e dos Estados Unidos.
O problema era a taxa de abate: apenas 12% do rebanho era abatido anualmente, em comparação com 24% na Argentina e 40% nos Estados Unidos. As pastagens eram pobres, e o gado demorava mais para engordar: cinco anos, em comparação com 30 meses na Argentina ou 16 meses nos EUA.
O governo brasileiro decidiu então transformar a carne bovina em um negócio de exportação. Transferiu a pecuária para o estado de Mato Grosso e financiou a modernização dos frigoríficos. Tudo isso bem ao lado de Goiás, sede dos negócios de Batista.
A terra e os salários eram baratos, então o Brasil rapidamente começou a competir com os EUA em carne enlatada, hambúrgueres e ração para animais de estimação.
Os irmãos
Wesley e Joesley cresceram no ramo. Ainda adolescentes, já compravam e vendiam gado e lidavam com os clientes.
Wesley certa vez disse que ele e o irmão não tinham formação acadêmica, mas aprenderam o ofício na prática. Aos 17 anos, ambos abandonaram a escola para administrar os matadouros da família.
Durante as décadas de 1980 e 1990, o irmão mais velho, José Junior, liderou a Friboi. O pai foi se afastando gradualmente dos negócios.
Wesley e Joesley ficaram responsáveis ​​pela expansão da empresa. “Crescimento está no nosso DNA”, diz Wesley.
Entre 1993 e 2005, a Friboi adquiriu 12 matadouros e unidades de processamento.
O crescimento da empresa estava ligado ao crescimento dos supermercados, que substituíam os açougues de bairro em várias partes do país. Como os supermercados exigiam volumes maiores e controles sanitários mais rigorosos, os matadouros menores não conseguiam acompanhar a demanda e acabaram batendo à porta da família Batista para vender seus produtos.
Com o aumento da urbanização e da renda, o mundo também passou a consumir cada vez mais carne. E, graças ao melhor acesso à refrigeração, as exportações começaram a crescer.
A Froboi estava em condições de abastecer os supermercados e, ao fazê-lo, cresceu cada vez mais
BBC/ Getty images
Em 2004, a empresa transferiu sua sede para São Paulo. Em 2005, José Júnior entrou para a política — sem muito sucesso — e deixou os negócios nas mãos de Wesley e Joesley.
Naquela época, o faturamento da Friboi era de quase US$ 2 bilhões: aos 33 anos, os irmãos já eram milionários.
Do Brasil para o mundo
Chegou a hora de expandir para além do Brasil, e o vento estava a seu favor.
O Brasil fazia parte do grupo Bric (mais tarde Brics), as economias emergentes que estavam mudando o cenário econômico global. E o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) havia lançado um programa para transformar empresas brasileiras em gigantes multinacionais.
O país estava se desenvolvendo a passos largos, e os irmãos Batista acompanhavam o ritmo.
Eles compraram a Swift-Armour, a maior exportadora de carne da Argentina, por US$ 200 milhões em 2005, com um empréstimo de US$ 80 milhões do BNDES. Em 2006, já operavam 21 unidades de processamento no Brasil e cinco na Argentina, processando 20 mil cabeças de gado por dia.
Seu próximo alvo eram os Estados Unidos, mas as normas sanitárias daquele país não permitiam a importação de carne bovina brasileira. Eles precisavam comprar acesso a esse mercado.
Para financiar a expansão, abriram o capital da empresa. Em março de 2007, a JBS teve a melhor estreia na bolsa de valores da história do Brasil até então. A Friboi ficou conhecida como JBS, em homenagem às iniciais do pai.
Alguns meses depois, fizeram sua maior aquisição: a Swift & Co., a terceira maior processadora de carne dos EUA, com vendas anuais de US$ 9 bilhões.
A aquisição custou US$ 1,4 bilhão. O BNDES contribuiu com a compra de US$ 500 milhões em novas ações da JBS.
A Swift proporcionou à empresa uma marca global e acesso a muitos novos mercados.
“Com essa aquisição, nos tornamos a maior empresa de carne do mundo”, anunciou Joesley.
Um apetite insaciável
“Nasce a maior empresa de carnes do mundo. E ela é brasileira”, dizia placa na sede da JBS SA em São Paulo, em 2007
BBC/ Getty images
Na década seguinte, a JBS adquiriu mais de 40 empresas em quatro continentes.
Quando o dólar se desvalorizou, eles compraram mais nos EUA, como a divisão de carnes da Smithfield Foods, por US$ 500 milhões.
Mas quando tentaram adquirir a National Beef, o Departamento de Justiça americano bloqueou a transação devido a preocupações com monopólio. Temiam que um gigante daquele porte definisse os preços, pagando menos aos pecuaristas e cobrando mais dos consumidores.
Segundo o próprio Wesley, foi essa tentativa fracassada que permitiu à JBS investir em outras áreas.
Os irmãos diversificaram para o setor de frango e adquiriram uma participação majoritária na empresa americana Pilgrim’s Pride, que estava em falência, por US$ 800 milhões.
Em 2011, os irmãos controlavam 22% do fornecimento de carne bovina dos EUA.
Mas, embora estivessem vendendo muito e ampliando rapidamente sua presença internacional, os lucros ainda não eram suficientes para financiar sozinhos uma maratona global de aquisições.
Entre 2005 e 2014, a empresa comprou dezenas de concorrentes no Brasil, nos Estados Unidos, na Austrália e na Europa, numa expansão avaliada em cerca de US$ 20 bilhões.
Como financiar uma operação dessa magnitude? A resposta passou pelo BNDES, que fez aportes bilionários no negócio.
Em 2014, o Estado brasileiro, por meio do banco de desenvolvimento, era o maior acionista individual da companhia, controlando quase 35% de suas ações.
Na prática, um banco público de desenvolvimento havia se tornado dono de cerca de um terço de uma multinacional privada que já faturava bilhões e expandia operações em vários continentes. Algo não fazia sentido.
Então veio a Lava Jato…
Até então, essa era a história que os irmãos, sua família e a empresa contavam. Mas depois descobriu-se que nem tudo era verdade.
A gravação do presidente Temer desencadeou manifestações em massa exigindo “Fora Temer” e “Fora todos eles”, e até inspirou obras de arte urbana
BBC/ Getty images
Então veio a Operação Lava Jato e suas revelações sobre um esquema de corrupção gigantesco, no qual grandes empresas pagavam propinas a políticos em troca de contratos e favores políticos.
Em 2016, os irmãos já eram suspeitos formais. O risco para eles era enorme: o presidente de outra empresa bilionária, Marcelo Odebrecht, havia sido condenado a 19 anos de prisão.
Em 2017, Wesley e Joesley Batista fizeram um acordo com o Ministério Público para entregar todas as provas que possuíam em troca de imunidade parlamentar.
Eles contaram tudo. Subornos a funcionários para resolver pendências fiscais e para liberar empréstimos — eles confessaram ter subornado três presidentes brasileiros, algo que todos negam.
No total, cerca de US$ 200 milhões foram distribuídos entre quase 1,9 mil políticos.
Joesley chegou a afirmar que, sem essas propinas, a empresa não teria crescido tão rápido.
Ele também revelou que o esquema com o BNDES começou em uma reunião em 2005 com Guido Mantega, então presidente do banco e posteriormente Ministro da Economia.
Para o primeiro empréstimo para a compra da Swift-Armour na Argentina, Joesley disse que subornaram um associado de Mantega com US$ 3,2 milhões, continuando a pagá-lo até 2009, quando alegaram ter começado a negociar diretamente com Mantega.
O BNDES negou tudo. Mantega foi preso e libertado quase imediatamente.
Entre os subornados, segundo seu depoimento, estava o então presidente do Brasil, Michel Temer, que teria recebido US$ 4,6 milhões.
Joesley chegou a gravar uma conversa com ele, usando um microfone escondido, na qual, segundo a Procuradoria-Geral da República, Temer aprovou o pagamento para comprar o silêncio do ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha, que estava preso e poderia incriminar importantes líderes políticos.
O ex-presidente nega as acusações e, embora tenha sido investigado e posteriormente preso em um desdobramento da Lava Jato, Temer não foi condenado nos principais processos relacionados a esse caso.
Reviravoltas inesperadas
O acordo dos irmãos com o MPF lhes garantiu imunidade contra processos por corrupção. A empresa, no entanto, pagou uma multa recorde de US$ 3,2 bilhões, distribuída ao longo de 25 anos.
Mas houve duas reviravoltas inesperadas.
Milhões de cabeças de gado, milhões de dólares, milhões em subornos, milhões em multas… e uma temporada na prisão
BBC/ Getty images
Você se lembra do advogado do início do texto?
Em vez de enviar a gravação do diálogo com Temer ao MPF , ele enviou os áudios de outra conversa, entre Joesley e um executivo da empresa, Ricardo Saud.
Na gravação, Joesley parecia admitir que havia ocultado informações cruciais dos promotores, e discutia como influenciar o Procurador-Geral da República para melhorar o acordo de delação premiada.
Ambos pareciam relaxados, estavam até rindo. Em um dado momento, Joesley pode ser ouvido dizendo: “Somos a joia da coroa. Vamos sair dessa numa boa com todo mundo, e eles não vão nos impedir.”
Dias após o erro monumental do advogado, os dois se entregaram à polícia.
Mas o golpe final para os irmãos Batista foi financeiro: dias antes da notícia sobre a existência de uma gravação secreta com o presidente Temer se tornar pública, os irmãos venderam US$ 90 milhões em ações da JBS.
Quando o escândalo estourou, a bolsa de valores brasileira despencou e teve que suspender temporariamente as negociações após uma queda de quase 9%, a maior em nove anos.
Wesley e Joesley foram presos sob suspeitas de insider trading (uso de informação privilegiada) e manipulação de mercado. Eles sempre negaram as acusações.
Após cerca de seis meses em prisão preventiva, eles receberam autorização para seguir em prisão domiciliar à noite e nos fins de semana. Medidas cautelares, porém, os proibiam de deixar o país e de ocupar cargos na JBS.
A volta por cima
E a empresa? Em vez de afundar, ela prosperou. Quando Joesley foi libertado da prisão, em março de 2018, as ações da JBS subiram cerca de 3,6%.
Pouco depois, um aumento na demanda por carne da China impulsionou os lucros no Brasil em quase 116% no início de 2019. Naquele mesmo ano, Wesley e Joesley estrearam na lista de bilionários da Forbes com US$ 1,3 bilhão cada.
A prisão não prejudicou os negócios: pelo contrário, os impulsionou.
A conquista de Wall Street: a placa da JBS NV na Bolsa de Valores de Nova York marcou sua chegada após anos de oposição
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Com a chegada da pandemia de covid-19, a Justiça suspendeu a proibição de que eles ocupassem cargos executivos. Na época, a JBS fornecia 25% do mercado alimentício brasileiro e empregava 260 mil pessoas. Aparentemente, eles eram importantes demais para serem punidos.
Em 2023, a Comissão de Valores Mobiliários do Brasil os absolveu das acusações de uso de informação privilegiada.
No ano seguinte, eles retornaram oficialmente ao conselho de administração da JBS, que havia consolidado sua posição como a maior empresa de carnes do mundo, com mais de US$ 77 bilhões em receita anual.
Era, e ainda é, um bom momento para estar no ramo de carnes.
Após anos de boom vegano no Ocidente, esse produto teve um forte retorno, impulsionado pela divulgação massiva dos benefícios da proteína.
Em 2025, Wesley indicou que o aumento dos medicamentos para perda de peso do tipo GLP-1 (as canetas emagrecedoras) estava impulsionando a demanda por proteína para prevenir a perda muscular. “Antes, os médicos diziam para não comer tantos ovos ou tanta proteína. Agora é o contrário”, observou ele.
No entanto, a JBS ainda tinha um obstáculo a superar: a abertura de capital na Bolsa de Valores de Nova York.
O órgão regulador americano havia negado repetidamente o pedido da empresa para entrar na bolsa devido à forte oposição bipartidária no Congresso, onde havia se formado um grupo chamado de “Ban the Batistas” (Proíbam os Batistas).
Tudo mudou com o retorno de Donald Trump à Casa Branca.
A abertura de capital ocorreu em 2025, apenas dois dias depois de ser revelado que o maior doador para o comitê de posse de Trump havia sido a Pilgrim’s Pride, uma subsidiária da JBS, com uma contribuição de US$ 5 milhões.
Era uma quantia astronômica: cinco vezes maior do que a doada por gigantes da tecnologia como Amazon, Meta, Uber, Nvidia ou Microsoft, que contribuíram com um milhão de dólares cada.
A JBS negou qualquer tratamento preferencial.
Sua estreia em Wall Street foi um sucesso estrondoso. Naquele dia, a fortuna de cada um dos irmãos aumentou em US$ 200 milhões. Hoje, a fortuna de cada um deles chega a US$ 5,7 bilhões.
A escuridão
A carne pode ser deliciosa e nutritiva, mas como ela chegou ao seu prato?
BBC/ Getty images
Não se trata apenas de carne e dinheiro.
Em 2025, a JBS pagou uma multa de US$ 4 milhões após a descoberta de que crianças da América Central trabalhavam à noite limpando fábricas da empresa nos Estados americanos de Colorado, Minnesota e Nebraska. Elas manuseavam produtos químicos e algumas chegavam à escola com queimaduras.
Em 2017, outra investigação revelou que a JBS comprava carne de uma fazenda suspeita de usar mão de obra em condições de escravidão moderna.
Também houve alegações de maus-tratos a animais. Em 2017, a Humane Society divulgou imagens de galinhas sendo espancadas em uma fazenda da Pilgrim’s Pride. Em 2018, outro vídeo mostrou trabalhadores espancando e mutilando leitões sem anestesia.
A JBS afirmou, em ambos os casos, que abriu investigações e rompeu relações com os fornecedores envolvidos.
As acusações de desmatamento também persistiram. Em 2017, a empresa pagou uma multa de US$ 7,7 milhões e, em 2024, foi novamente sancionada pelas autoridades brasileiras em uma operação contra a compra de gado proveniente de áreas desmatadas ilegalmente na Amazônia, embora a empresa tenha negado qualquer irregularidade.
No mesmo ano, o Procurador-Geral de Nova York processou a JBS por supostamente ter descumprido suas promessas de atingir emissões líquidas zero até 2040, acusação que a empresa também rejeitou.
Grande demais para cair
O retorno dos irmãos Batista não se limitou ao setor financeiro. Foi acompanhado por uma enorme influência política. No Brasil de hoje, eles são fotografados com frequência ao lado do presidente Lula (PT) em eventos públicos.
No cenário internacional, os irmãos também começaram a circular nos altos círculos diplomáticos.
Um exemplo disso foi o encontro particular de Joesley com Donald Trump em 2025, pouco depois de os EUA imporem uma tarifa de 50% sobre a maioria das importações brasileiras, medida que Washington acabou eliminando por completo.
A influência dos irmãos nessa decisão foi tamanha que um empresário brasileiro chegou a afirmar que a remoção da tarifa se deveu em 99% aos Batista.
Joesley também ajudou a aproximar Trump e Lula e desempenhou um papel importante na operação dos EUA na Venezuela, viajando entre Washington e Caracas para tentar amenizar as tensões com o governo venezuelano.
Talvez esse retorno à cena política não seja uma surpresa. Os irmãos Batista revolucionaram a indústria alimentícia brasileira, transformando-a em uma potência global na exportação de carne.
No mundo dos negócios, alguns os veem como heróis empreendedores por levarem o orgulho brasileiro a Wall Street.
Em última análise, a lição incômoda é de puro realismo financeiro: você pode estar envolvido nos piores escândalos, mas se sua fortuna for grande o suficiente, o sistema sempre manterá uma porta aberta.

Por que Miami virou a nova capital dos ultrarricos nos EUA (e ficou mais cara até que Nova York)

Lauren Sánchez e Jeff Bezos caminham de mãos dadas durante um evento esportivo em Miami (EUA), em 2024
Getty Images
Em março, o fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou o imóvel mais caro já vendido até hoje em Miami, nos Estados Unidos.
Ele pagou US$ 170 milhões (cerca de R$ 872 milhões) por uma mansão em construção de quase 2,8 mil metros quadrados, na ilha particular de Indian Creek.
Mas este não é o imóvel mais caro à venda na cidade do sul da Flórida. O recorde de Zuckerberg pode ser batido em breve pela casa do corretor de títulos mobiliários John Daveney, em Key Biscayne, que está à venda por US$ 237 milhões (cerca de R$ 1,2 bilhão).
Se você for apreciador de cinema, é possível que reconheça aquela casa. Ela aparece no famoso filme Scarface (1983), dirigido por Brian de Palma e protagonizado por Al Pacino. É a mansão do narcotraficante Frank López.
Ali, vemos pela primeira vez a personagem Elvira, interpretada por Michelle Pfeiffer, descendo em um icônico elevador de vidro.
Para 99,9% da população mundial, é impossível se propor a pagar estes valores extraordinários por uma residência. Mas, para o 0,1% que detém essas condições, Miami passou a ser um dos destinos mais procurados.
Brasileiros tem R$ 32 milhões “perdidos” em moedas de 1 centavo
“Existe uma grande quantidade de pessoas de alta renda que se mudaram para a Flórida, em busca dos benefícios oferecidos pela vida em Miami”, explica à BBC News Mundo, o serviço em espanhol da BBC, o jornalista especializado no mercado imobiliário residencial E. B. Solomont, do jornal americano The Wall Street Journal.
“A criminalidade é baixa, o clima é ótimo, há belas comunidades e não existem impostos estaduais”, destaca Mayi De la Vega, fundadora da One Sotheby’s International Realty, uma das corretoras de imóveis ultraluxuosos mais famosas do sul da Flórida.
Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon; Larry Paige e Sergei Brin, criadores do Google; e a filha do presidente americano Donald Trump Ivanka, com seu marido Jared Kushner.
“Quando você tem um, dois ou três líderes empresariais influentes que se mudam, outros observarão os benefícios e irão segui-los”, explica Solomont.
“De repente, eles deixam de ser pioneiros. De repente, existe toda uma comunidade.”
Foto real do elevador por onde desceu Michelle Pfeiffer, no filme Scarface
1 Oak studios
Mayi De la Vega defende que o mercado imobiliário de Miami entrou “em uma nova era dos ‘imóveis troféus’, pois a quantidade de vendas de casas de mais de US$ 60 milhões [cerca de R$ 308 milhões] vem aumentando e o mercado permanece em crescimento.”
“Se analisarmos 2025, nosso último ano completo, tivemos vendas no valor de mais de US$ 517 milhões [cerca de R$ 2,7 bilhões], todas de imóveis de mais de US$ 60 milhões.”
Mas por que Miami?
Por que esta cidade do sul da Flórida passou a ser um local tão atraente para as pessoas mais ricas do mundo?
Além de Zuckerberg, a lista de milionários ilustres que mudaram de residência para Miami nos últimos anos inclui Jeff Bezos, fundador da Amazon
1 Oak studios
A influência da pandemia
Com seu clima, suas praias e facilidade de transporte aéreo, Miami é historicamente um destino atraente para pessoas com grandes fortunas, principalmente da América Latina.
“Mas foi durante a pandemia de covid-19 que os americanos perceberam que a Flórida estava aberta para os negócios”, explica E. B. Solomont.
Durante a pandemia, a Flórida gerou polêmica ao ser um dos primeiros Estados americanos a levantar as restrições de mobilidade para as pessoas em espaços públicos, eliminando a obrigação de uso de máscaras e reabrindo escolas, bares e restaurantes.
Estas decisões valeram muitas críticas à Flórida. Mas também transformaram o Estado, governado pelo republicano Ron DeSantis, em um destino ideal para pessoas de alta renda que moravam em outros lugares, com medidas de saúde pública muito mais rigorosas, como os Estados de Nova York, Califórnia e Illinois.
“Somando-se a isso o fato de que a Flórida é um paraíso fiscal [cujos moradores não pagam imposto estadual, ao contrário de outros Estados americanos], Miami se tornou imensamente popular, não apenas pelo local e pelo estilo de vida, mas devido a este grande incentivo tributário”, explica Solomont.
Os primeiros personagens influentes do mundo da tecnologia e dos negócios a chegarem à Flórida incluíram um dos fundadores do PayPal, Peter Thiel, e o criador do fundo de investimentos Citadel, Ken Griffin. Com isso, foi surgindo um “fenômeno acumulativo”, explica De la Vega.
“Em parte, isso tem relação com a moda”, destaca ela.
São “pessoas que dizem ‘esta pessoa tem o mesmo dinheiro que eu e comprou ali, será que eu também devo comprar ali?'”
Este fenômeno multiplicou as ofertas direcionadas ao mercado de ultraluxo em algumas regiões, com consequente aumento dos preços.
O mercado de imóveis residenciais de Miami passou por um crescimento exponencial na última década
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Ultramilionários em Miami
Mayi de la Vega acredita que exista uma regra clara em referência aos preços do mercado imobiliário.
“Algo primordial que se aprende no setor de imóveis é o conceito dos três ‘L’: localização, localização e localização.”
No condado de Miami-Dade, isso significa vista para o mar ou para a baía.
“Os preços dos imóveis em frente à água são mais altos por serem muito poucos”, explica Solomont.
“Na situação atual, temos mais compradores do que moradias disponíveis em frente à água. E, até que isso mude, os preços continuarão subindo.”
O local que talvez reflita melhor esta realidade é a mais exclusiva das ilhas particulares de Miami, Indian Creek. O local, segundo De la Vega, “continua liderando, em termos de preços astronômicos”.
Indian Creek é conhecida como o “bunker dos multimilionários”. Na ilha, ficam as mansões de Mark Zuckerberg, Jeff Bezos e Ivanka Trump.
Embora não seja muito maior que o Central Park, em Nova York, Indian Creek conta com seu próprio prefeito e policiamento. O acesso se dá através de uma discreta ponte branca, vigiada por duas guaritas de segurança.
“A pergunta é ‘por que Indian Creek?'”, prossegue De la Vega.
“Porque, como se trata de uma ilha particular, ela tem muitas comodidades, lotes grandes e está rodeada de água, o que faz dela um paraíso para os proprietários de barcos, além de ter uma segurança incrível.”
“É uma ilha particular com campo de golfe, uma ‘ilha de milionários’ com terrenos que são vendidos por US$ 200 milhões”, cerca de R$ 1 bilhão, explica De la Vega.
Mas o mercado de ultraluxo não se limita a comunidades isoladas como Indian Creek.
North Bay Road é uma rua com cerca de 6,5 km de comprimento em Miami Beach. Lá ficam as casas de estrelas como Shakira e o casal David e Victoria Beckham.
O The Wall Street Journal calcula que existam em North Bay Road cerca de US$ 1,7 bilhão (R$ 8,7 bilhões) em imóveis, que a transformam na rua com maior valor patrimonial dos Estados Unidos.
Existem também à venda imóveis de mais de US$ 60 milhões em regiões mais tradicionais de Miami, como Coconut Grove, Coral Gables e Key Biscayne.
A Flórida abriu suas praias apenas três meses depois da declaração de emergência relativa à covid-19 nos Estados Unidos, em 2020
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Mudanças
O corretor de títulos John Devaney afirma que, quando comprou os imóveis que, hoje, compõem sua residência de US$ 237 milhões, em 2003, seu atrativo foi o imenso heliporto de cerca de 1 mil metros quadrados que se estende sobre a água.
O ex-presidente americano Richard Nixon (1913-1994) chegou a fazer uso daquela instalação.
“Um dia, com 33 anos, eu voava de helicóptero e vi este heliporto”, conta Devaney. “Eu, que cresci em Key Biscayne, disse: ‘Adoraria que ele fosse meu para aterrissar com meus helicópteros.”
Naquele momento, em uma negociação que bateu todos os recordes da época, ele pagou US$ 15 milhões pelo lote onde está construída a casa. E pagou em seguida mais US$ 15 milhões pelo lote ao lado.
Estes eram os preços normais em Miami antes da pandemia, segundo De la Vega.
“Lembro que um dos imóveis que vendemos naquela época foi o de Shaquille O’Neill em Star Island [outra ilha particular na entrada de Miami Beach] por US$ 16 ou US$ 18 milhões.
Uma das causas do aumento desmedido dos preços dos imóveis do mercado de ultraluxo nos últimos anos é a quantidade de dinheiro à disposição dos mais ricos.
Dados do chamado “Índice da Desigualdade”, elaborado por economistas da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e da Escola de Economia de Paris, na França, o patrimônio do 0,1% mais abastado da população se multiplicou em quase 13 vezes nos últimos 50 anos.
O estudo considerou como parte do 0,1% pessoas que detêm patrimônio de mais de US$ 43 milhões (cerca de R$ 220 milhões).
Para Solomont, esta disponibilidade de recursos faz os preços pagos pelas compras dessas pessoas dispararem.
“Os corretores de imóveis dizem que o valor é aquilo que alguém está disposto a pagar por alguma coisa”, explica ele.
“Para você e para mim, pagar US$ 1 milhão [cerca de R$ 5,1 milhões] por um imóvel pode ser inconcebível. Para outros, pagar US$ 10 milhões [cerca de R$ 51 milhões] seria um exagero.”
“Mas, quando você tem bilhões na sua conta, comprar um imóvel de US$ 60 milhões pode não ser algo excepcional”, prossegue ele. “Muitos pagam em dinheiro vivo.”
“Não é que não haja uma desconexão entre o que as pessoas comuns podem pagar por uma moradia e essas mansões multimilionárias”, prossegue Solomont, “mas o volume de negociações [por mais de US$ 60 milhões] sendo realizadas evidencia que existe um mercado que continua ampliando seus limites.”
O fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, comprou aquele que, até o momento, é o imóvel mais caro já vendido em Miami.
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Para De la Vega, este crescimento dos imóveis de maior valor também impulsiona os preços das moradias de faixas inferiores.
Tudo isso se reflete diretamente nos preços pagos pelos moradores comuns de Miami.
Os dados de 2024 do Escritório de Estatísticas dos Estados Unidos indicam que a área de Miami, Ft. Lauderdale e Palm Beach superou Nova York em termos de custo de vida no país.
O custo de vida na região conhecida como Costa Dourada (“Gold Coast”, em inglês), atualmente, é cerca de 5% mais alto que o da área metropolitana de Nova York e seus subúrbios.
Além disso, os preços ao consumidor no sul da Flórida aumentaram em 36% desde 2019, segundo o Escritório de Estatísticas Trabalhistas dos Estados Unidos.
O canal de TV Fox Business noticiou que os preços de moradia no sul da Flórida dispararam em 79% desde a pandemia e que o prêmio médio anual de seguro residencial da região é o mais alto do país.
Por tudo isso, não surpreende que, após o pico de entrada de novos moradores devido à pandemia, o sul da Flórida venha perdendo habitantes nos últimos anos.
O mercado de ultraluxo em Miami parece não ter teto, mas seu crescimento gera dúvidas entre os analistas.
“De certa forma, as pessoas querem saber se existe uma bolha. É realista pagar US$ 75 milhões [cerca de R$ 385 milhões] por uma casa perto da água?”, questiona Solomont.

Primeiro a OpenAI, depois a Meta: por que robôs de IA continuam fazendo ataques hackers

IA pode decidir atacar empresas? Como foi a invasão ‘sem precedentes’ por modelo da OpenAI
Nas últimas duas semanas, relatos de modelos de inteligência artificial que ultrapassam os limites esperados — sejam eles técnicos ou éticos — tornaram-se comuns.
O que começou com um pequeno episódio — a OpenAI, criadora do ChatGPT, admitindo que sua IA havia invadido o site Hugging Face — foi seguido por uma enxurrada de empresas e institutos revelando que descobriram casos de IA fora de controle
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A Anthropic, empresa criadora do Claude, a Meta e o Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) relataram incidentes que parecem pintar um quadro preocupante de um mundo onde a tecnologia agindo de forma descontrolada é a norma.
Na realidade, cada caso oferece uma visão diferente dos riscos representados por agentes de IA cada vez mais poderosos — e da importância de se testar seus limites antes de que sejam lançados.
O logotipo da OpenAI é visto em um telefone celular em frente a uma tela de computador que exibe a tela inicial do ChatGPT
AP/Michael Dwyer, Arquivo
IA pode decidir atacar empresas? Entenda como foi a invasão ‘sem precedentes’ por modelo da OpenAI
O incidente com a OpenAI no final de julho serviu de “alerta” para a indústria de tecnologia, como descreveu Thomas Wolf, cofundador da Hugging Face.
Foi um momento crucial que levou grandes empresas a refletirem sobre seus próprios sistemas e, em alguns casos, a verificarem se não haviam deixado passar algo igualmente chocante.
A Anthropic foi a primeira a agir. Na sexta-feira, a empresa encontrou três casos, entre milhares, em que seu modelo Claude conseguiu acessar a internet.
Na terça-feira, o AISI, agência governamental do Reino Unido que avalia modelos de ponta, afirmou ter detectado um “incidente de segurança” durante uma avaliação de rotina.
A organização vinha testando modelos da OpenAI e da Anthropic e descobriu que ambas também tentaram realizar ataques cibernéticos, o que levou a um apelo por “análise rigorosa, transparência e ação”.
Por fim, veio a Meta, que revelou que um de seus modelos de IA havia obtido acesso à internet inadvertidamente devido a uma “configuração incorreta” durante um teste realizado por terceiros.
Testes
Antes de os modelos de IA serem disponibilizados ao público em geral, eles são testados em uma série de avaliações internas e externas.
O objetivo é descobrir o potencial deles para o bem ou para o mal, bem como o desempenho em indicadores que medem suas habilidades.
Normalmente, esses experimentos ocorrem em locais conhecidos como “sandboxes”. São espaços protegidos, projetados para simular sistemas reais, mas com rígidas medidas de segurança.
No incidente entre a OpenAI e a Hugging Face, a IA atacou o próprio ambiente de testes (sandbox), encontrando uma vulnerabilidade que lhe permitiu acessar a internet e agir por conta própria.
Já o AISI afirmou que o incidente envolvendo suas tecnologias — em que duas poderosas ferramentas de IA criaram perfis humanos falsos para tentar enganar pessoas em tentativas de ataques cibernéticos — não foi causado por um problema no ambiente de testes (sandbox).
O motivo foi a forma como os testes forma conduzidos. Os modelos testados receberam acesso à internet, e o AISI também desativou os filtros integrados que normalmente bloqueariam ataques cibernéticos perigosos.
“Em certa medida, nossas escolhas de projeto de avaliação e configurações específicas possibilitaram esse comportamento”, afirmou, observando, ao mesmo tempo, “sinais inesperados de comportamentos novos e potencialmente enganosos”.
Alan Woodward, professor de Segurança Cibernética da Universidade de Surrey, disse que esses casos — embora distintos — contam uma história importante.
“Durante 30 anos, uma regra dos testes de software permaneceu inalterada: tudo o que acontece no ambiente de teste permanece no ambiente de teste”, disse ele. “No último mês, essa regra foi quebrada três vezes.”
“Um dos modelos conseguiu escapar. Outro passou por uma porta que havia sido deixada aberta por engano. Um terceiro recebeu as chaves de propósito para que os testadores pudessem medir seu comportamento.”
Ele disse que eram causas diferentes, mas que ambas tinham a mesma lição: “o risco agora reside no laboratório de testes”.
Ele disse à BBC que, à medida que os modelos se tornam mais capazes, é preciso fazer mais para garantir a segurança dos ambientes onde são testados.
“Testar um agente de IA é menos como verificar um código e mais como lidar com um material perigoso: salas seladas, monitoramento constante do que sai do prédio, um plano de contenção ensaiado”, disse ele.
“A AISI conteve o incidente em uma hora. Outra organização pode não conseguir isso.”
Capacidades crescentes
Para aqueles que desenvolvem ferramentas de IA projetadas para realizar ações em nome de uma pessoa, é preciso encontrar um equilíbrio delicado entre aproveitar seus benefícios e expor seus riscos.
O benefício é significativo. Em teoria, poderíamos nos livrar de tarefas tediosas e repetitivas, como responder a emails, participar de reuniões ou gerenciar calendários e agendas, delegando-as a bots eficientes.
A desvantagem é que, com grande poder, vem grande responsabilidade e risco.
Isso fica particularmente evidente quando entregamos o poder a ferramentas que não são, como nós, capazes de trazer uma gama de valores, contexto e compreensão para as decisões que tomamos.
“Incidentes recentes envolvendo modelos de IA de ponta realizando ações não autorizadas e, em alguns casos, comportamentos enganosos semelhantes aos humanos na internet aberta são um sério lembrete dos riscos que as capacidades da IA representam”, disse Ollie Whitehouse, diretor de tecnologia do Centro Nacional de Segurança Cibernética, na terça-feira (04/08).
Alguns acreditam que o enorme volume de tarefas que serão executadas por essas ferramentas significa que a supervisão humana pode não ser suficiente para conter o problema de modelos que se descontrolam.
Entretanto, muitos acreditam que o fortalecimento da supervisão geral é vital para que o desenvolvimento continue no mesmo ritmo frenético.
E agora?
É improvável que a Meta será a última empresa a apresentar resultados de modelos capazes de reconhecer e explorar lacunas nos sistemas.
Para alguns, esses episódios apontam para falhas de segurança evidentes por parte das empresas de IA que lideram o desenvolvimento dessa tecnologia revolucionária.
Para outros, são apenas mais um espaço para as empresas de tecnologia promoverem seus modelos poderosos e competirem com os rivais.
Para mim, ambas as teorias contêm um fundo de verdade.
Agentes de IA já estão se tornando parte de nossas vidas digitais por meio de serviços como ChatGPT, OpenClaw e Claude
Getty Images via BBC
Mas, ao surgirem um após o outro, esses eventos, sem dúvida, suscitaram receios sobre as capacidades da IA e para onde ela está caminhando à medida que a tecnologia avança.
E a questão inevitavelmente se volta para os órgãos reguladores e o que eles podem e devem fazer.
Michael Birtwistle, diretor associado do Instituto Ada Lovelace, destaca que o Reino Unido não oferece incentivos legais para que as empresas de IA impeçam o desenvolvimento de sistemas com capacidades que possam representar perigos, e que não há consequências caso os protocolos de teste falhem.
Imogen Stead, gerente de políticas de IA do Centro para Resiliência a Longo Prazo, disse à BBC que, com as oportunidades de testar sistemas de IA de ponta cada vez mais escassas para muitos, os governos deveriam seguir o Reino Unido na criação de institutos dedicados a testes.
Ela afirmou que aprimorar as avaliações de terceiros com iniciativas como um “esquema de testadores confiáveis” para os tipos de desafios mais arriscados também poderia ser usado para limitar os impactos negativos.
Em vez de temer um apocalipse cibernético causado pela IA, Woodward afirma: “O importante é manter a calma e resolver os problemas”.
Reportagem adicional de Philippa Wain e Imran Rahman-Jones

'Investimento circular': como o dinheiro gira entre gigantes de IA e alimenta temor de nova bolha

O sistema de “financiamento circular” pode ter um efeito dominó caso a bolha da IA estoure
Jaque Silva/NurPhoto/picture alliance
Relatos de que a Nvidia negocia oferecer apoio financeiro de quase 250 bilhões de dólares à OpenAI para um gigantesco projeto de data centers revelam os dois lados do boom da inteligência artificial (IA).
Por um lado, isso mostra a dimensão colossal dos recursos financeiros e do potencial da IA. Por outro, expõe os riscos de um sistema de financiamento chamado “circular”, que está no coração do ecossistema da IA. A pergunta é: se uma peça de dominó cair, as outras cairão junto?
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“A natureza interconectada do ecossistema de IA é real”, afirma Gary Tan, gestor de portfólio da Allspring Global Investments. “Mas os riscos no curto prazo são mitigados por sólidos balanços patrimoniais, fluxos de caixa e qualidade de crédito dos principais atores que financiam a expansão.”
Jan Frederik Slijkerman, estrategista de tecnologia do ING, afirma que a robustez financeira de empresas como Nvidia, Microsoft, Amazon e Alphabet (dona do Google) ajuda a mitigar esses riscos. Ele ressalta que o grau de colaboração no que diz respeito à IA é “fascinante”, mas não vê um risco sistêmico devido a esse tipo de interdependência.
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O modelo circular
O financiamento circular geralmente funciona da seguinte forma: uma empresa paga outra por um produto ou serviço, faz um investimento nela ou concede um empréstimo ou contrato de leasing. Em seguida, essa empresa que recebeu os aportes passa a comprar produtos ou serviços da primeira companhia. Essa alternativa é observada em diversos negócios ligados à IA.
Para muitos, a revolução da IA começou com o lançamento do ChatGPT, desenvolvido pela OpenAI, em novembro de 2022. As capacidades do chatbot levaram a inteligência artificial ao grande público. Seu sucesso rapidamente atraiu um investimento de 10 bilhões de dólares da Microsoft, o que permitiu à empresa desenvolver modelos ainda mais poderosos.
Em contrapartida, a OpenAI tornou-se uma cliente estratégica dos serviços de nuvem da Microsoft, área na qual a empresa vem aumentando continuamente seus investimentos à medida que o boom da inteligência artificial ganha força.
Esse acordo acabou servindo de modelo para negociações futuras. Amazon e Alphabet passaram a investir bilhões de dólares na Anthropic, rival da OpenAI e criadora do bem-sucedido chatbot Claude. Em troca, a Anthropic utiliza os serviços de nuvem da Amazon e do Google, além de comprar chips dessas empresas.
Chips da Nvidia estão no centro do ecossistema de IA
Ina Fassbender/AFP/Getty Images
Nvidia, a “rainha da selva”
Ainda assim, tudo isso é peixe pequeno diante do que a Nvidia trouxe para a mesa. “A Nvidia está no centro do ecossistema da IA, atuando não apenas como fornecedora de tecnologia, mas também como investidora estratégica que ajuda a acelerar a adoção de sua plataforma”, afirma Tan.
Segundo Slijkerman, a Nvidia desempenha um papel fundamental ao contribuir para o desenvolvimento de uma ampla gama de novos negócios, da área da saúde à direção autônoma. “Seus investimentos ajudam a impulsionar o crescimento do ecossistema de IA como um todo, ao mesmo tempo que facilitam a implantação da infraestrutura necessária para a inteligência artificial”, afirma.
A notícia de que a Nvidia negocia fornecer 250 bilhões de dólares à OpenAI, revelada inicialmente pelo Wall Street Journal, seria apenas o mais recente megainvestimento financiado pela empresa, avaliada em 4,6 trilhões de dólares.
A empresa de Jensen Huang está no centro do boom da IA graças aos seus chips, líderes de mercado. Desde 2024, a Nvidia tem investido pesadamente em diversas startups de IA, incluindo OpenAI, Mistral e aSpaceX, de Elon Musk. Em contrapartida, todas essas empresas se comprometem a usar chips da Nvidia.
A companhia também passou a investir fortemente nas chamadas “neoclouds”, como CoreWeave e Nebius. Essas startups alugam capacidade de armazenamento em nuvem voltada para aplicações de IA. Além de investir nelas, a própria Nvidia também contrata serviços de nuvem.
Neste ano, a Nvidia aumentou os investimentos e fez novos acordos. Recentemente, a empresa fechou uma parceria com o conglomerado sul-coreano SK Group no valor de até 500 bilhões de dólares.
Ao longo de 2026, esse tipo de negociação circular tornou-se ainda mais evidente em todo o setor. A OpenAI fechou acordos que somam quase 1 trilhão de dólares com empresas como Microsoft e a fabricante de chips Advanced Micro Devices (AMD), chegando se tornar uma das maiores acionistas da AMD.
Microsoft e Nvidia também fizeram investimentos significativos na Anthropic, e a Anthropic comprometeu-se a ampliar compras de armazenamento em nuvem e chips fornecidos por ambas.
Vantagens – e riscos
A dimensão dessa simbiose tem vantagens. “Ecossistemas interligados podem acelerar a inovação ao alinhar os incentivos de fornecedores de infraestrutura, desenvolvedores de modelos, empresas de aplicações e usuários finais, ajudando novas tecnologias a ganhar escala mais rapidamente”, afirma Gary Tan.
Slijkerman diz não considerar essa tendência de financiamento circular uma forma de “engenharia financeira”. “Essas relações fazem sentido do ponto de vista estratégico porque ajudam os participantes a ampliar seu alcance de mercado e acelerar a adoção de novas tecnologias”, afirma. “Além disso, elas podem gerar benefícios financeiros mútuos.”
Mas há riscos. Os temores de uma possível “bolha da IA” continuam pairando sobre os mercados globais. As ações de empresas de tecnologia e de fabricantes de semicondutores caíram vertiginosamente na semana passada, em meio a dúvidas sobre a rentabilidade do setor diante das quantias gigantescas investidas em data centers e em outras frentes ligadas à IA.
Se as receitas geradas pela inteligência artificial não crescerem o suficiente, empresas que receberam aportes dos grandes grupos do setor poderão enfrentar dificuldades financeiras. Nesse cenário, elas podem reduzir ou interromper a compra de produtos dessas mesmas empresas que as financiaram, enquanto suas avaliações de mercado tendem a cair.
Alguns analistas têm traçado paralelos com a bolha das empresas de internet e o colapso que se seguiu, depois que as avaliações dessas companhias dispararam nos primeiros anos da web, na década de 1990. O financiamento circular também desempenhou um papel naquela crise. Ainda assim, muitos observadores acreditam que o boom da IA está apoiado em fundamentos mais sólidos.
“Embora algumas empresas ou modelos de negócio específicos possam acabar decepcionando, o ciclo mais amplo de investimentos parece ser sustentado por uma demanda real e pela efetiva geração de valor econômico”, afirma Slijkerman.
Tan concorda e afirma que um risco ainda maior para o setor no futuro está ligado aos juros. Na avaliação dele, uma alta das taxas de juros poderia ter um impacto significativo sobre muitas empresas de IA, já que elas levarão anos para se tornar lucrativas e tendem a ser mais penalizadas nesse cenário.
“Os fluxos de caixa da inteligência artificial estão projetados para um horizonte de longo prazo. Por isso, a trajetória da curva de juros talvez acabe sendo mais importante do que a própria disponibilidade de capital”, finaliza o gestor da Allspring Global Investments.

Salários de até R$ 53 mil e falta de profissionais: veja as 10 profissões mais valorizadas da tecnologia

Como a IA está impactando o trabalho de freelancers
O mercado de tecnologia reúne salários acima da média e alta demanda por profissionais. Mas as empresas enfrentam dificuldades para encontrar trabalhadores qualificados — um desequilíbrio que ajuda a explicar os altos rendimentos de algumas carreiras.
Um estudo divulgado com exclusividade ao g1 pelo Inteli, instituto de tecnologia e liderança, em parceria com a consultoria WKS, mostra o tamanho desse desafio: entre 2019 e 2024, a demanda por profissionais de tecnologia chegou a 665 mil, enquanto a oferta de novos trabalhadores ficou em cerca de 464 mil. A diferença representa um déficit de 30,2%.
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Para Lucas Niemeyer, coordenador de pesquisa e diretor de Comunidade e Cultura da Inteli, esse desequilíbrio também está relacionado à concentração geográfica das oportunidades.
“Quando você pega dentro do estudo, dá para ver isso. A concentração de vagas e necessidades das empresas dentro do Sudeste, particularmente São Paulo, é avassaladora”, afirma.
A falta de profissionais ocorre em um momento em que a tecnologia deixou de ser uma demanda restrita às empresas do setor e passou a ser estratégica para praticamente toda a economia.
Bancos, varejistas, hospitais, indústrias e empresas do agronegócio disputam os mesmos profissionais para avançar na transformação digital. Hoje, o setor representa 6,5% do PIB brasileiro.
Para mapear as carreiras mais valorizadas, a Inteli analisou 72,7 mil anúncios de emprego publicados entre abril e junho de 2025. Após a aplicação de filtros metodológicos, a pesquisa chegou a uma base de 19.655 vagas de tecnologia.
O levantamento mostra um mercado com muitas oportunidades, mas também derruba alguns mitos sobre as carreiras da área.
Abaixo, saiba mais sobre setor a partir dos seguintes pontos:
🤖 IA não domina contratações
💰 Onde estão os melhores salários
🧠 Competências mais buscadas
🌱 Nem toda área é boa para quem está começando
Há oportunidades para programador de sistemas
Sora Shimazaki/Pexels
IA não domina contratações
A inteligência artificial se tornou o principal assunto quando o tema é carreira em tecnologia. Entre os profissionais ouvidos pela pesquisa, 79% apontaram a área como a mais relevante do mercado atualmente.
Quando os pesquisadores analisaram as vagas efetivamente abertas, porém, encontraram outro cenário. A maior parte das oportunidades continua concentrada nas áreas responsáveis por construir, integrar e manter os sistemas que sustentam as operações das empresas.
As áreas que mais contratam no mercado de tecnologia são:
Desenvolvimento de Software (35,7%);
Infraestrutura e Suporte (23,2%);
Dados e Inteligência Artificial (17,7%);
Projetos e Gerenciamento (12,9%);
Testes e Controle de Qualidade (5,7%);
Segurança da Informação (2,5%);
Automação de Processos e Sistemas (2,3%).
Quase seis em cada 10 vagas abertas no país estão concentradas em desenvolvimento de software e infraestrutura.
Para Niemeyer, a diferença entre o interesse dos profissionais e a realidade das contratações ocorre porque a inteligência artificial representa uma das áreas mais avançadas da tecnologia, enquanto muitas empresas brasileiras ainda estão em etapas anteriores da digitalização.
“É muito comum que a área que esteja em maior ascensão ou no maior interesse das pessoas seja a área tecnologicamente mais avançada, da novidade. Mas a grande verdade é que o Brasil ainda tem uma maturidade tecnológica muito baixa nas empresas”, explica.
Segundo ele, cerca de 80% das pequenas e médias empresas têm baixa maturidade tecnológica, o que mantém a demanda concentrada em funções mais tradicionais, como infraestrutura e suporte.
Onde estão os melhores salários
A disputa por profissionais qualificados ajuda a elevar os salários, principalmente em funções estratégicas. As maiores remunerações estão concentradas em cargos de liderança e gestão de tecnologia, além de áreas como segurança digital e inteligência artificial.
Confira o ranking dos maiores salários do setor:
Chief Technology Officer (até R$ 53,6 mil por mês);
Chief Security Officer (R$ 52,5 mil por mês);
Chief Information Officer (até R$ 49,5 mil por mês);
Gerente de Dados (até R$ 37,9 mil por mês);
Gerente de Segurança da Informação (até R$ 37,2 mil por mês);
Gerente de TI Generalista (até R$ 35 mil por mês);
Especialista em IA e Machine Learning (até R$ 32,5 mil por mês);
Gerente de BI (até R$ 29,4 mil por mês);
Gerente de Infraestrutura (até R$ 27,9 mil por mês);
Engenheiro de Inteligência Artificial (até R$ 27,1 mil por mês).
Apesar de os salários mais altos aparecerem principalmente em cargos de liderança, Niemeyer destaca que a carreira técnica também pode levar a remunerações elevadas, sem necessariamente passar por posições tradicionais de gestão.
Segundo ele, o avanço da tecnologia tem criado estruturas mais horizontais, com menos camadas de gestão e mais espaço para profissionais especializados, capazes de gerar alto impacto técnico. Esse movimento ganha relevância em um cenário em que cada vez mais jovens demonstram menos interesse por cargos tradicionais de liderança, como já mostrou o g1.
Competências mais buscadas
A Inteli também identificou competências que podem aumentar a remuneração dos profissionais de tecnologia.
O conhecimento em inteligência artificial é um dos principais diferenciais. Entre as vagas com faixa salarial divulgada, as oportunidades que mencionam IA aparecem com mais frequência nas faixas de remuneração mais altas.
Entre as vagas com salários acima de R$ 10 mil, a presença de oportunidades que exigem conhecimento em IA é aproximadamente o dobro da observada entre as que não mencionam a tecnologia.
O inglês é outro diferencial. Apenas 7,5% das vagas com remuneração divulgada exigem explicitamente o idioma. Entre elas, porém, 46,2% oferecem salários entre R$ 5 mil e R$ 10 mil. Nas vagas que não exigem inglês, essa proporção cai para 22,3%.
A exigência também aumenta conforme a senioridade. Entre as vagas para profissionais plenos e seniores, 8,7% pedem inglês. Entre as oportunidades para juniores, o índice é de 6,6%.
As certificações técnicas também são pontos de destaque. Segundo o estudo, 48% dos gestores estão dispostos a pagar mais por candidatos com certificações ou conhecimentos especializados, principalmente em computação em nuvem, segurança da informação, engenharia de dados e inteligência artificial.
O levantamento mostra ainda que as empresas procuram profissionais que combinem conhecimentos técnicos e habilidades comportamentais.
Abaixo, vejas as soft skills mais valorizadas:
Comunicação (21%);
Criatividade (17,8%);
Organização (15,8%);
Trabalho em equipe (11,4%);
Liderança (7,6%).
Entre os conhecimentos técnicos mais citados nas vagas estão:
Computação em nuvem (13,8%);
Metodologias ágeis (6,7%);
AWS (5,9%);
Azure (5,8%);
Windows (5,1%).
Essas competências formam uma base técnica comum a diferentes áreas da tecnologia, independentemente da especialização escolhida pelo profissional.
Nem toda área é boa para quem está começando
Os salários mais altos não significam que todas as áreas ofereçam as mesmas oportunidades para quem está no início da carreira.
Por isso, a Inteli buscou identificar quais áreas são mais acessíveis para quem está começando e quais exigem mais experiência.
Veja a proporção de vagas para iniciantes em cada uma:
Infraestrutura e Suporte: 43% das vagas são destinadas a profissionais iniciantes.
Automação de Processos e Sistemas: 40% das oportunidades são para profissionais juniores.
Testes e Controle de Qualidade: 26% das vagas.
Projetos e Gerenciamento: 24% das oportunidades.
Desenvolvimento de Software: 22% das vagas.
Dados e Inteligência Artificial: 18% das oportunidades.
Segurança da Informação: 17% das vagas.
Para quem está entrando na área, Niemeyer afirma que o avanço da inteligência artificial não deve ser visto como motivo para abandonar a carreira em tecnologia, mas como uma oportunidade de participar das transformações em curso.
“Estar dentro da área de tecnologia permite que os jovens estejam à frente desse movimento e criando as transformações, e não só sendo passageiros dessa revolução que está acontecendo”, diz.
A principal mudança está no perfil procurado pelas empresas. O profissional mais valorizado combina conhecimento técnico, capacidade de aprendizado contínuo, visão de negócio e boa comunicação.

Por reaproximação com Lula, Alcolumbre atuou por neutralidade da federação União-PP em estados-chave

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP)
Ricardo Stuckert / PR
Antes do encontro que selou, na última semana, a retomada das relações entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), o senador ajudou a construir a neutralidade da federação União Brasil-Progressistas (PP) tanto no cenário nacional quanto em estados-chave.
A atuação de Alcolumbre também foi decisiva para afastar partidos do centrão em importantes colégios eleitorais do PL de Flávio Bolsonaro.
A articulação do presidente do Senado pode ajudar a enfraquer palanques que dificultavam a posição eleitoral de Lula. Um novo encontro entre os dois deve ocorrer nos próximos dias.
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No Rio de Janeiro, por exemplo, reduto eleitoral da família Bolsonaro. A posição neutra era importante para Eduardo Paes (PSD), que disputa o governo do estado, mas também para Lula, por enfraquecer o palanque de Flavio Bolsonaro.
A neutralidade veio depois de uma longa reunião entre integrantes da campanha de Paes, o presidente do União Brasil, Antônio Rueda, Alcolumbre, que participou por telefone, e nomes fortes do PP.
Em Minas, a federação Uniao Brasil-PP optou por apoiar o atual governador, Mateus Simões (PSD) e deixar o PL de Flávio Bolsonaro sozinho.
Um dos maiores colégios eleitorais do país, São Paulo é o que dá situação mais confortável a Flávio Bolsonaro (PL), pelo desempenho do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), candidato à reeleição, nas pesquisas ao governo estado.
Em outros, até mesmo quando coligados ao PL, candidatos ao governo evitam mostrar Flávio como candidato ao Palácio do Planalto.
A relação entre Lula e Alcolumbre, rompida desde a rejeição do nome de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal (STF), começou a ser reconstruída a partir dos interesses de palanques do PT.
Nos planos de Alcolumbre, a reeleição ao comando do Senado move a tentativa de se reaproximar de Lula, à frente nas pesquisas, mesmo que por pequena margem.
Para os partidos do centrão, a neutralidade também ajuda na eleição de bancadas maiores para Câmara e Senado.

Analistas do mercado baixam pela 6ª semana seguida expectativa de inflação em 2026

El Niño deve pressionar inflação dos alimentos em 2027; feijão e arroz lideram alta
O mercado financeiro reduziu outra vez sua estimativa para a inflação em 2026, que caiu para 5,02%. Esta é a sexta semana seguida de recuo.
As expectativas fazem parte do “Boletim Focus”, divulgado nesta segunda-feira (10) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
A queda na estimativa de inflação acontece apesar da retomada da guerra no Oriente Médio, que elevou o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
O presidente norte-americano, Donald Trump, prometeu novas rodadas de negociações. Entretanto, o Irã impõe condições.
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação caiu de 5,03% para 5,02%;
➡️ Para 2027, a expectativa permaneceu em 4,22%;
➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,80%;
➡️ Para 2029, a estimativa ficou estável em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Corte dos juros
Mesmo com a estimativa de inflação ainda acima da meta central no primeiro trimestre de 2028 (objetivo no qual o BC está mirando para calibrar a taxa de juros), o mercado financeiro continua prevendo mais um corte de juros neste ano.
Atualmente, a taxa está em 14% ao ano — após quatro cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano na última semana, embutindo uma última redução maior da taxa neste ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou 10,50% ao ano.
Atividade econômica
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2026, a estimativa do mercado recuou de 1,99% para 1,98%.
O resultado oficial do PIB do ano passado foi uma expansão de 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
Para 2027, a projeção de crescimento do PIB caiu de 1,57% para 1,52%.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos continuou em R$ 5,28 por dólar.

Embraer tem receita recorde de R$ 11,3 bilhões no 2º trimestre de 2026 e entrega 65 aviões

Embraer entrega 65 aviões no segundo trimestre de 2026 e aumenta receita em relação a 2025
A Embraer, fabricante brasileira de aviões com sede em São José dos Campos (SP), divulgou nesta segunda-feira (10) que registrou receita de R$ 11,3 bilhões no segundo trimestre de 2026, o maior valor já alcançado pela empresa em um trimestre de abril a junho. O resultado recorde representa crescimento de 10% em relação ao mesmo período do ano passado.
De acordo com o balanço financeiro divulgado pela empresa, de abril a junho a Embraer entregou 65 aviões, sete a mais do que no segundo trimestre de 2025. É o melhor resultado da Embraer para esse período em 16 anos.
A maior parte das entregas foi de aviões executivos. Foram 45 aeronaves desse segmento, que representa cerca de 69% do total. A empresa também entregou 20 aeronaves comerciais e de defesa.
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Com esse resultado, no primeiro semestre a Embraer chegou a 109 aeronaves entregues, contra 91 nos seis primeiros meses de 2025, um crescimento de aproximadamente 20% em 2026.
Embraer divulgou balanço de segundo trimestre nesta segunda.
Reprodução/TV Vanguarda
Além do aumento da receita e das entregas, a Embraer terminou o segundo trimestre com uma carteira de pedidos de US$ 34,5 bilhões, o maior valor já registrado pela companhia. O número representa crescimento de 16% em relação ao segundo trimestre de 2025 e é o sétimo recorde consecutivo da carteira de pedidos.
A carteira reúne aeronaves que já foram encomendadas pelos clientes, mas ainda não foram entregues.
Novos contratos
O resultado ocorre após uma série de acordos anunciados pela Embraer nas últimas semanas. Durante o Farnborough International Airshow, uma das principais feiras da indústria aeronáutica do mundo que foi realizada em julho na Inglaterra, o grupo Abra, que reúne empresas como Avianca e Gol, anunciou um acordo para comprar 20 E195-E2, além de opções e direitos de compra que podem levar o negócio a até 45 aeronaves.
A empresa também anunciou um acordo com a Azorra para até 30 E-Freighters, versão de aeronaves da família E-Jets adaptada para o transporte de cargas. O contrato prevê 20 pedidos firmes e direitos de compra para outros 10 aviões.
E-175 da Embraer
Divulgação
Na área de defesa, Embraer e Saab anunciaram um acordo para a possível produção de 20 novos caças Gripen no complexo industrial de Gavião Peixoto, no interior de São Paulo.
Também em julho, a empresa anunciou novos pedidos de aeronaves E2 pela Binter e pela Luxair, além de outros acordos comerciais durante o evento no Reino Unido.
Modelos mais produzidos
A aviação executiva, responsável por 45 das 65 aeronaves entregues no segundo trimestre de 2026, teve receita de R$ 3,7 bilhões, alta de 19% em relação ao mesmo período de 2025. A área reúne os jatos usados principalmente em viagens particulares e corporativas.
A divisão de Defesa e Segurança também apresentou crescimento. A receita foi de R$ 1,5 bilhão, 22% acima da registrada um ano antes. Segundo a empresa, o resultado foi influenciado principalmente pelo avanço da produção e das entregas do KC-390 Millennium.
Em Serviços e Suporte, a receita chegou a R$ 2,9 bilhões, crescimento de 11%. Já a aviação comercial teve receita de R$ 3,2 bilhões, uma queda de 2% em relação ao segundo trimestre do ano passado. Segundo a Embraer, o resultado foi afetado principalmente pela valorização do real em relação ao dólar.
Embraer.
Divulgação/Embraer
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Dólar sobe nesta segunda-feira, de olho em alta do petróleo

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar abriu a sessão desta segunda-feira (10) em leve alta, com um avanço de 0,04% perto das 9h10, cotado a R$ 5,0857. Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
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▶️ Investidores acompanham a nova alta do petróleo, em meio às incertezas sobre a reabertura do Estreito de Ormuz. No final de semana, o Irã divulgou uma extensa lista de exigências aos Estados Unidos para permitir a volta do tráfego de navios pelo canal, levantando preocupações sobre sua força de barganha no conflito. Um acordo entre Irã e Omã também fica no radar.
Com isso, os preços do petróleo sobem nesta segunda-feira. Perto das 8h40, o barril do Brent, referência internacional, tinha alta de 1,17%, cotado a US$ 84,53. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, subia 1,23% no mesmo horário, a US$ 79,14 o barril.
▶️ Na agenda econômica, novos dados de inflação do Brasil e dos EUA ficam no centro das atenções. Após os dados de emprego americano virem abaixo do esperado na sexta-feira, o indicador de preços deve dar novos sinais sobre os próximos passos do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na condução dos juros. Por aqui, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetáira (Copom) do Banco Central também fica no radar.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,27%;
Acumulado do mês: +0,27%;
Acumulado do ano: -7,38%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: 0%;
Acumulado da semana: -3,08%;
Acumulado do mês: -3,08%;
Acumulado do ano: +7,07%.
Dúvidas sobre Ormuz pesam no petróleo
As dúvidas sobre uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz, rota marítima no Oriente Médio por onde passa cerca de 20% de todo o comércio global de petróleo, seguem na mira dos investidores.
O que é o Estreito de Ormuz, fundamental para petróleo mundial
No final de semana, o Irã divulgou uma lista de exigências para a reabertura do canal, alertando que os EUA precisarão cumprir com as demandas para que Teerã libere a passagem de embarcações. As informações são do jornal americano “The New York Times” (NYT), com base em uma declaração veiculada pela mídia estatal iraniana.
Entre as exigências estão:
a suspensão do bloqueio naval e das sanções americanas contra o Irã;
a retirada das tropas americanas das proximidades do país;
o pagamento de indenizações de guerra;
a liberação de ativos iranianos congelados;
o fim dos ataques contra aliados iranianos na região; e
o encerramento das ameaças contra o país.
O ministro de relações exteriores iraniano, Abbas Araqchi, também afirmou que o Irã e o Omã estavam “muito perto” de um novo acordo sobre uma nova rota de navegação pelo Estreito.
“Há progresso entre Omã e Irã no estreito, e esperamos um acordo em breve”, disse um funcionário americano à Reuters na sexta-feira. “Assim que o acordo para restabelecer a navegação comercial sem impedimentos for anunciado, os Estados Unidos suspenderão o bloqueio aos portos iranianos.”
Na última semana, no entanto, o presidente americano, Donald Trump já havia afirmado que o Irã deveria escolher entre um “acordo” ou a “rendição total” da guerra. Em outro momentos, o presidente americano também já disse que o bloqueio naval só seria suspenso mediante um acordo com Teerã.
Além disso, autoridades americanas também já haviam afirmado anteriormente que o Irã só teria acesso aos ativos congelados caso se comprometesse em abrir mão do urânio enriquecido.
Entre as demais demandas do governo americano estão o abandono do programa de armas nucleares iraniano e a garantia de segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
As desavenças entre os dois países voltam a levantar preocupações com a reabertura do canal e, consequentemente, com os impactos na oferta global de petróleo e nos preços de energia.
Bolsas globais
Na Ásia, a maioria das bolsas de valores da região fechou em alta nesta segunda-feira, conforme investidores avaliavam novos dados de produção industrial da China e a notícia de que o BC chinês se comprometeu, em seu plano quinquenal, a manter a taxa de câmbio do iuan basicamente estável, além de ampliar o uso da moeda no comércio e nos investimentos internacionais.
O CSI 300, que reúne as maiores companhias listadas em Xangai e Shenzen, avançou 0,16%, enquanto o índice de Xangai, o SSEC, teve alta de 0,25%. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,05% e o Nikkei, do Japão, teve ganhos de 2,08%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, valorizou 0,65%.
*Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar vive disparada nos últimos dias
Cris Faga/Dragonfly/Estadão Conteúdo