Dona do Habib’s em recuperação judicial: quais os motivos? Lojas vão fechar? O que acontece agora?

Entenda os motivos que levaram o Habib’s a entrar em recuperação judicial
O Grupo Gennius, controlador das redes Habib’s, Ragazzo e Tendall, teve o pedido de recuperação judicial aceito nesta terça-feira (25), pela Justiça de São Paulo. O grupo declarou dívidas de R$ 265,2 milhões, e o processo reúne 178 empresas e dois produtores rurais.
Segundo o pedido apresentado à Justiça, a crise financeira foi provocada pela combinação de três fatores principais: os efeitos da pandemia, as mudanças no comportamento dos consumidores e a alta dos juros.
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Fundado em 1987, o Habib’s se tornou uma das principais redes de alimentação do país e ficou conhecido principalmente pelas esfihas e outros produtos de inspiração árabe. São 119 lojas no Brasil.
O grupo também controla o 26 lojas do Ragazzo, voltado principalmente a massas, salgados e lanches, seis churrascarias da rede Tendall, além de empresas que atuam na estrutura de franquias e em outras etapas da operação.
Nessa matéria, você vai ver:
Os 3 motivos que levaram o grupo à crise
Os restaurantes vão fechar?
O que acontece com os funcionários?
Qual a recomendação para os franqueados?
Dívida chega a R$ 265,2 milhões
Grupo tentou negociar antes de pedir recuperação judicial
O que acontece agora
Os 3 motivos que levaram o grupo à crise
A pandemia afetou especialmente as lojas localizadas em grandes centros urbanos. Segundo o grupo, as restrições de circulação reduziram o movimento nesses locais. Mesmo depois da reabertura da economia, o avanço do trabalho remoto e híbrido mudou a rotina de consumidores que antes frequentavam regiões comerciais e shoppings.
Ao mesmo tempo, o crescimento dos serviços de entrega mudou a forma de consumir refeições. Mais clientes passaram a fazer pedidos por aplicativos e outras plataformas digitais, em vez de frequentar os restaurantes. O delivery ajudou a manter as vendas, mas, segundo o grupo, também pressionou os resultados das lojas físicas.
O terceiro fator foi a alta dos juros. Segundo o grupo, dívidas contraídas para sustentar as operações ficaram mais caras com o aumento da taxa básica de juros, a Selic. Com isso, uma parcela maior do dinheiro gerado pelos restaurantes passou a ser usada para pagar juros e dívidas, reduzindo os recursos disponíveis para manter o negócio.
Os restaurantes vão fechar?
“Não há determinação de fechamento das lojas. Pelo contrário: a recuperação judicial existe justamente para tentar manter a empresa funcionando enquanto reorganiza suas dívidas”, explica Fernando Moreira, advogado especialista em direito do consumidor e professor da FGV.
A empresa informou que o atendimento e as operações seguem normalmente e reiterou que empresas franqueadas não integram o processo.
Entretanto, vale ficar atento. O advogado explica que “dentro de uma reestruturação, pode haver futuramente o fechamento de unidades deficitárias, venda de ativos ou outras medidas previstas no plano, mas isso dependerá da estratégia de recuperação que vier a ser apresentada”.
Ao aceitar o pedido de recuperação judicial, a Justiça determinou a suspensão temporária de parte das ações e cobranças contra as empresas, respeitadas as exceções previstas em lei. Também proibiu que credores interrompam contratos apenas porque o grupo entrou em recuperação.
O que acontece com os funcionários?
A recuperação judicial não significa demissão automática nem encerramento dos contratos de trabalho.
“A lógica da recuperação é justamente preservar a atividade empresarial, os empregos e a fonte produtora”, afirma Moreira.
Segundo ele, os salários correntes continuam tendo de ser pagos normalmente. Eventuais dívidas trabalhistas anteriores ao pedido de recuperação são congeladas e entram no processo, observadas as regras e prioridades previstas na lei.
Por exemplo, se a empresa pedir recuperação judicial em agosto e tiver uma rescisão de contrato de julho em aberto, esse valor é considerado uma dívida anterior ao pedido e entra na recuperação judicial. Já as demissões após agosto são pagas normalmente.
Qual a recomendação para os franqueados?
O primeiro passo é não tomar nenhuma medida precipitada.
“A recuperação judicial da franqueadora não extingue automaticamente os contratos de franquia e também não autoriza, por si só, o franqueado a deixar de pagar royalties ou outras obrigações contratuais”, enfatiza o professor da FGV.
“Minha recomendação é que cada franqueado revise seu contrato e a COF [Circular de Oferta de Franquia], acompanhe o processo e, principalmente, documente qualquer falha concreta da franqueadora”.
São consideradas falhas concretas:
Falta de produtos;
Problemas de abastecimento;
Interrupção de sistemas, publicidade, treinamento ou suporte operacional.
Na falha desses itens, poderá existir fundamento para discutir a relação contratual judicialmente ou em arbitragem.
Dívida chega a R$ 265,2 milhões
O grupo declarou R$ 265.207.959,83 em dívidas no pedido de recuperação judicial.
Desse total, R$ 22,3 milhões correspondem a dívidas trabalhistas.
Outros R$ 241,7 milhões são devidos a credores sem uma garantia específica de pagamento, grupo que reúne grande parte das dívidas com bancos, fornecedores e outros parceiros comerciais.
Há ainda R$ 1,15 milhão devido a micro e pequenas empresas.
Grupo tentou negociar antes de pedir recuperação judicial
Antes de pedir a recuperação judicial, o Grupo Gennius tentou negociar diretamente com os credores. Em 25 de junho, o grupo pediu à Justiça proteção temporária contra cobranças enquanto negociava com os credores por meio de uma mediação. A medida previa um período de 60 dias para que as partes tentassem chegar a um acordo.
A estratégia, porém, não foi suficiente para resolver a crise financeira. O grupo relatou que instituições financeiras estavam retendo recursos e que havia risco de interrupção de serviços e fornecimentos essenciais para manter as lojas funcionando.
Entre os problemas apontados estava o risco de interrupção dos sistemas de tecnologia usados pelo grupo. Segundo a empresa, a suspensão desses serviços poderia prejudicar vendas, gestão e outras atividades necessárias ao funcionamento das lojas.
Sem conseguir chegar a um acordo com os credores, o Grupo Gennius pediu recuperação judicial na segunda-feira (24). A Justiça aceitou o pedido no dia seguinte.
O que acontece agora
Das esfihas à dívida: trajetória do Habib’s
“O grande desafio será conciliar a renegociação da dívida com a geração de caixa necessária para manter a operação funcionando”, explica Fernando Moreira, advogado do direito do consumidor.
A KPMG Corporate Finance foi nomeada administradora judicial. Ela será responsável por acompanhar a recuperação, fiscalizar as informações apresentadas pelo grupo e auxiliar a Justiça durante o processo.
O grupo terá 60 dias para apresentar um plano de recuperação. O documento deverá mostrar como pretende pagar ou renegociar as dívidas e manter as empresas funcionando. Se o plano não for apresentado no prazo, o processo poderá ser convertido em falência.
Enquanto isso, o grupo deverá apresentar relatórios financeiros mensais e prestar contas à Justiça sobre a evolução de sua situação.
A recuperação judicial não significa que o Habib’s vai fechar as portas. O objetivo do processo é justamente permitir que as empresas continuem funcionando enquanto tentam reorganizar as dívidas e evitar a falência.
O futuro do grupo dependerá principalmente do plano que será apresentado aos credores e da capacidade das empresas de voltar a gerar dinheiro suficiente para manter as operações e pagar as dívidas renegociadas.
Crime ocorreu na unidade do Habib’s de Guarujá
Sílvio Luiz/A Tribuna Jornal
Saiba mais sobre o funcionamento da recuperação judicial:
Dona de Habib’s e Ragazzo entra em recuperação judicial; veja quais são os próximos passos

Governo não espera solução rápida para tarifaço, mesmo com retomada das negociações com os EUA

Apesar da retomada das negociações sobre o tarifaço, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não esperam uma revisão rápida das alíquotas impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros.
🔎No mês passado, os EUA aplicaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros e afirmaram que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio. Além disso, anunciaram outra sobretaxa de 12,5%, resultado de uma investigação para punir países que adotam práticas comerciais consideradas desleais por não proibirem nem fiscalizarem adequadamente a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado (leia mais abaixo).
Segundo relatos de negociadores brasileiros, dificilmente será possível chegar a um acordo antes do fim das eleições, em outubro deste ano.
Após ligação entre Lula e Trump, Brasil e EUA agendam reunião sobre tarifaço
O governo brasileiro espera que os assessores do presidente dos Estados Unidos Donald Trump apresentem uma proposta com pontos a serem negociados. Ou seja, os Estados Unidos devem dizer o que esperam do Brasil para dar início às tratativas.
O comércio e as tarifas aplicadas ao etanol estavam no centro das discussões para tentar evitar o novo tarifaço de Trump.
Atualmente, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol de milho importado dos EUA. Antes do novo tarifaço, os americanos aplicavam uma taxa de 12,5% sobre o etanol brasileiro.
Segundo integrantes do governo Lula que participam das negociações, o Brasil estaria disposto a um acordo para reduzir a alíquota cobrada sobre etanol norte-americano se os Estados Unidos reduzirem as barreiras à entrada de açúcar brasileiro.
Eventual acordo dependeria dos termos a serem apresentados pelos negociadores de Trump.
O mercado americano opera com cotas de importação de açúcar com tarifa reduzida. O Brasil, maior produtor mundial da commodity, pode exportar 155 mil toneladas por ano com tarifa menor — volume considerado pequeno pelo governo brasileiro.
O que ultrapassa essa cota pode ser cobrado com alíquota de 100%, segundo governo brasileiro.
Além das tarifas americanas, Brasil enfrenta barreiras de outros parceiros comerciais importantes
Jornal Nacional/ Reprodução
Reunião
O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, vão se reunir virtualmente na próxima segunda-feira (31), às 14h30, no horário de Brasília.
O encontro será a primeira etapa de uma agenda definida pelos dois países para a retomada das negociações técnicas sobre as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.
LEIA TAMBÉM: Após retomar conversas com os EUA, prioridade do Brasil é ampliar lista de exceções ao tarifaço, diz ministro
A disposição dos americanos de retomar as negociações surgiu após o telefonema realizado na semana passada entre os presidentes Lula e Donald Trump.
Na conversa, que durou cerca de 1h20, os dois trataram principalmente das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.
No encontro virtual, o governo brasileiro deve apresentar um roteiro para que a discussão seja dividida por setores. Assim, será possível aprofundar as negociações diante da realidade de cada segmento.
Por exemplo, começar por bens de capital, depois pelo setor automotivo, depois o químico.
No entanto, a reunião de segunda-feira deve ser preparatória para conversas mais técnicas e futuras novas discussões entre ministros.
Reciprocidade
Há poucas semanas, o governo brasileiro informou que deu início ao processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos por conta das tarifas impostas pelo governo norte-americano a produtos brasileiros.
Veja os próximos passos
Esse assunto deve entrar na discussão com o governo norte-americano na nova rodada de negociação.
Segundo interlocutores de Lula, o governo deve insistir que o tempo corre, tarifas estão em vigor e a lei pode ser acionada se governo achar necessário.
O discurso a ser adotado é que, se não houver um acordo nos próximos meses, o processo de análise de aplicação da lei da reciprocidade se encerra e o Brasil vai ter que decidir sobre o tema. Com isso, o país poderá aplicar tarifas sobre produtos norte-americanos.
Tarifaço
Os Estados Unidos aplicaram neste ano duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.
A primeira acrescentou 25% sobre parte das exportações do Brasil após uma investigação do governo americano concluir que o país adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio com os Estados Unidos.
Entre os pontos citados pelos americanos estavam o Pix e a regulação de plataformas digitais.
Posteriormente, os americanos anunciaram uma segunda tarifa adicional, de 12,5%, após outra investigação comercial. Com isso, parte dos produtos brasileiros passou a enfrentar uma alíquota total de 37,5% para entrar no mercado americano.
Apesar disso, milhares de produtos ficaram de fora da cobrança adicional, incluindo itens relevantes para as exportações brasileiras, como petróleo, café e carne bovina. Já setores como calçados, máquinas, madeira e açúcar continuaram submetidos à tarifa máxima.
Agora, a aposta do governo brasileiro é que a retomada das negociações técnicas abra caminho para a ampliação da lista de exceções e para um possível acordo que reduza os efeitos do tarifaço sobre as exportações do país.

Mega-Sena pode pagar R$ 25 milhões nesta quinta-feira; g1 transmite ao vivo

Como funciona a Mega-Sena?
O concurso 3.050 da Mega-Sena pode pagar um prêmio de R$ 25 milhões para os apostadores que acertarem as seis dezenas. O sorteio ocorre às 21h desta quinta-feira (27), em São Paulo.
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No concurso da última terça (25), nenhuma aposta acertou a faixa principal e o valor acumulou.
O g1 transmite todos os sorteios das Loterias Caixa, ao vivo. A transmissão começa momentos antes de cada dia de concursos, no site e no canal do g1 no YouTube.
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A aposta mínima para a Mega-Sena custa R$ 6 e pode ser realizada também pela internet – saiba como fazer a sua aposta online.
Volante da Mega-Sena
Ana Marin/g1
Para apostar na Mega-Sena
As apostas podem ser realizadas até as 20h (horário de Brasília) em qualquer lotérica do país ou por meio do site e aplicativo Loterias Caixa, disponíveis em smartphones, computadores e outros dispositivos.
Já os bolões digitais poderão ser comprados até as 20h30, exclusivamente pelo portal Loterias Online e pelo aplicativo.
Ainda segundo a Caixa, para os sorteios realizados aos domingos as apostas simples podem ser efetuadas até as 22h de sábado por meio das unidades lotéricas, pelo Portal Loterias Caixa e do aplicativo Loterias Caixa.
A comercialização dos Bolões Caixa nos canais eletrônicos, nesse caso, acontece até às 10h45 do domingo, quinze minutos antes da realização dos sorteios.
O pagamento da aposta online pode ser realizado via PIX, cartão de crédito ou pelo internet banking, para correntistas da Caixa. É preciso ter 18 anos ou mais para participar.
Probabilidades
A probabilidade de vencer em cada concurso varia de acordo com o número de dezenas jogadas e do tipo de aposta realizada. Para um jogo simples, com apenas seis dezenas, que custa R$ 6, a probabilidade de ganhar o prêmio milionário é de 1 em 50.063.860, segundo a Caixa.
Já para uma aposta com 20 dezenas (limite máximo), com o preço de R$ 232.560,00, a probabilidade de acertar o prêmio é de 1 em 1.292, ainda de acordo com a instituição.

A corrida da IA pode encarecer sua conta de luz? Entenda o impacto dos data centers

A IA pode deixar sua conta de luz mais cara?
A inteligência artificial depende de grandes centros de dados, que reúnem milhares de chips e consomem muita eletricidade. A Agência Internacional de Energia estima que o consumo dos data centers no mundo possa mais que dobrar até 2030.
O Brasil pode ganhar espaço nessa corrida por ter uma matriz elétrica com forte presença de fontes renováveis, como hidrelétrica, solar e eólica. Mas há um gargalo: nem toda a energia disponível consegue chegar a quem precisa dela.
Se a demanda dos data centers crescer mais rápido que a infraestrutura elétrica, será preciso investir para produzir mais energia e ampliar a rede que leva essa eletricidade até os consumidores.
A discussão é sobre quem vai pagar essa conta: as empresas responsáveis pelo aumento do consumo ou, dependendo de como os custos forem divididos, também os demais consumidores na conta de luz.
Toda semana, o g1 Explica simplifica a economia, o mercado financeiro e a educação financeira, mostrando como tudo isso afeta o seu bolso.

Lula determina que diretor-geral da PF procure André Mendonça para reduzir tensão

Lula articula reunião entre André Mendonça e diretor-geral da PF
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça deve se reunir nos próximos dias com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, numa tentativa de distensionar uma relação atualmente marcada pela desconfiança.
Mendonça é o relator de dois inquéritos considerados hoje os de maior potencial de desgaste político e eleitoral para o governo: os casos Dark Horse/Master e INSS/Lulinha (entenda mais abaixo).
Segundo relatos feitos ao blog, o encontro foi determinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e será mediado pelo ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
O pano de fundo da reunião é a crescente desconfiança entre integrantes da PF e o gabinete do ministro sobre o ritmo das investigações desses casos e também sobre vazamentos de informações.
Dentro do STF, a condução dos inquéritos também expôs divergências entre ministros.
A diferença de visão é mais evidente entre o vice-presidente da Corte, Alexandre de Moraes, e André Mendonça, responsável pelos processos com maior repercussão política no momento, especialmente o caso Master.
Nesse contexto, decisões e movimentos do diretor-geral da PF relacionados ao andamento das apurações, à designação de delegados e à alocação de recursos para as equipes passaram a ser alvo de críticas.
Entre interlocutores envolvidos nesse embate, essas iniciativas vêm sendo classificadas como de natureza política.
Montagem com fotos do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e do ministro do STF André Mendonça
Andressa Anholete/Agência Senado e Gustavo Moreno/STF
Investigações
A investigação sobre o filme Dark Horse é um desdobramento do caso Master, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
O inquérito relatado por André Mendonça passou a investigar repasses para a produção da cinebiografia de Jair Bolsonaro após a revelação de mensagens nas quais o senador Flávio Bolsonaro pedia recursos a Vorcaro para financiar o longa.
A Polícia Federal apura a origem dos recursos, a eventual existência de contrapartidas políticas e suspeitas de que parte do dinheiro tenha sido utilizada para custear atividades de aliados de Bolsonaro nos Estados Unidos.
O caso também provocou uma disputa sobre a relatoria no STF. Enquanto setores ligados ao PT defendiam a condução do tema por Alexandre de Moraes, a Procuradoria-Geral da República (PGR) entendeu que a investigação tinha conexão direta com o caso Master, sob responsabilidade de André Mendonça. O entendimento prevaleceu e o processo permaneceu com Mendonça.
Nos bastidores do STF, o avanço das investigações passou a se misturar a divergências entre grupos de ministros e a disputas sobre o ritmo das apurações, compartilhamento de provas e definição das estratégias investigativas.
Já o caso INSS/Lulinha reúne inquéritos abertos a partir de desdobramentos da Operação Sem Desconto, que apura fraudes envolvendo descontos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
As investigações alcançaram o empresário Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula, e são consideradas uma das principais preocupações políticas do governo no atual ciclo eleitoral.
Por envolver personagens com potencial impacto na disputa presidencial de 2026, os casos Master, Dark Horse e INSS/Lulinha são considerados hoje alguns dos processos de maior repercussão política em tramitação na Corte.

Polônia pede que UE multe Meta em € 250 milhões por golpes e anúncios fraudulentos

Meta, dona do Facebook, Instagram e Whatsapp, vai pagar indenização bilionária em processo por vício em redes sociais
A Polônia solicitou à Comissão Europeia que imponha uma multa de € 250 milhões (cerca de R$ 1,50 bilhão) à Meta, dona do Instagram e do Facebook, disse o ministro de Assuntos Digitais do país nesta quinta-feira (27).
Ele acusa a empresa de não combater adequadamente anúncios fraudulentos. Esta é a mais recente crítica às práticas da Meta após a gigante de tecnologia dos EUA ser obrigada a pagar US$ 16 bilhões em um acordo com estados americanos, anunciado na quarta-feira (26), para resolver alegações de que projetou suas plataformas de mídia social para viciar crianças.
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A Polônia acusa a Meta de publicar anúncios fraudulentos e de não removê-los quando é notificada.
“Temos provas concretas de que a plataforma não age no melhor interesse dos usuários, mas sim em seu próprio interesse, o que lhe permite monetizar publicidade enganosa”, disse o ministro polonês de Assuntos Digitais, Krzysztof Gawkowski, em uma coletiva de imprensa.
O CEO da Meta Platforms, Mark Zuckerberg, chega ao Tribunal de Los Angeles.
REUTERS/Mike Blake
Em uma carta datada de 26 de agosto à Comissão Europeia, o ministro citou testes conduzidos pela CERT Polska, a equipe nacional de resposta a incidentes de cibersegurança, que identificou 122 anúncios classificados como fraudulentos.
Gawkowski disse que, em 106 casos, ou 86,8% dos relatos, a Meta decidiu não remover os anúncios. Apenas 10 anúncios foram removidos, enquanto em seis casos não houve resposta.
“Já passou o tempo de dizermos ‘melhorem’. Eles dizem ‘estamos melhorando’, mas os cidadãos ainda não sentem isso. Agora chegou a hora dos pênaltis”, disse Gawkowski.
Ele também pediu à Meta que “introduza imediatamente ferramentas eficazes para eliminar golpes, publicidade enganosa e a promoção de aplicativos ilegais”.
A Meta, em um comunicado fornecido à Reuters, afirmou que está fazendo todo o possível para impedir fraudes em suas plataformas.
“Golpistas são criminosos persistentes que usam táticas cada vez mais sofisticadas. Por isso continuamos investindo fortemente em tecnologias e parcerias — com a indústria e as forças de segurança — para encontrar, remover e, em última instância, deter golpistas”, disse o comunicado.
Gawkowski disse que, durante a próxima cúpula do G20, buscaria persuadir líderes europeus a se manifestarem conjuntamente contra o que ele descreveu como práticas da Meta.
“Esta deve ser uma iniciativa conjunta que demonstre que temos argumentos fortes e estamos determinados a conter as ações da Meta”, disse ele.
Considerando a escala das operações da Meta e os danos causados aos usuários na Polônia, Gawkowski disse que uma multa de € 250 milhões “poderia constituir uma medida real e dissuasora de fiscalização”.
Em 2024, o bilionário polonês Rafal Brzoska processou a Meta por anúncios falsos no Facebook e Instagram, alegando que eles exibiam seu rosto e traziam informações falsas sobre sua esposa.
O tribunal de apelação de Varsóvia decidiu em abril deste ano que a Meta era responsável pelos anúncios hospedados em suas plataformas. A empresa argumentou no tribunal que não era responsável pelas ações fraudulentas de seus usuários.
ANPD multa TikTok em R$ 153,7 milhões por falhas na proteção de menores

Dólar abre em queda de olho em desemprego no Brasil e petróleo no exterior

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar iniciou a sessão desta quinta-feira (27) em queda, recuando 0,03% na abertura, cotado a R$ 5,1500. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h.
Por aqui, o mercado aguarda os números de emprego, que podem influenciar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central em relação aos juros. Lá fora, o petróleo e as empresas de tecnologia estão entre os principais pontos de atenção.
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▶️ No Brasil, a taxa de desemprego caiu para 5,3% no trimestre encerrado em julho, ante 5,8% no trimestre anterior, segundo a PNAD Contínua. O mercado de trabalho mais aquecido pode pesar na decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) sobre os juros, já que uma economia mais forte pode reduzir o espaço para cortes na taxa básica.
Na prática, uma mudança nos juros pode afetar o custo de empréstimos e financiamentos para consumidores e empresas.
▶️ Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 2,45 bilhões em julho, o maior valor para um único mês desde o início da série histórica do Banco Central, em 1995. O recorde anterior era de US$ 2,41 bilhões, em julho de 2014. O resultado ocorre em meio à queda do dólar, que fechou julho a R$ 5,0696, tornando viagens ao exterior mais baratas.
▶️ No exterior, os mercados acompanham as negociações entre Omã e Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, enquanto o petróleo sobe levemente. Por volta das 8h45, o preço do barril de Brent avançava 0,72%, para US$ 88,46, e o WTI subia 0,19%, para US$ 82,39.
▶️ Nos Estados Unidos, os resultados da Nvidia reduziram as dúvidas sobre a procura por produtos e serviços ligados à inteligência artificial. A empresa dobrou o lucro líquido e a receita no segundo trimestre.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: +0,14%;
Acumulado do mês: +1,61%;
Acumulado do ano: -6,15%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +2,08%;
Acumulado do mês: -1,92%;
Acumulado do ano: +8,35%.
Prévia da inflação: habitação e transportes puxam queda
A prévia da inflação no Brasil caiu 0,40% em agosto, segundo o IBGE. Isso significa que, em média, alguns preços ficaram mais baratos neste mês. (veja o que ficou mais caro e mais barato no mês)
A queda foi puxada principalmente por:
🏠 Habitação (como energia elétrica e custos da casa);
🚗 Transportes;
🍎 Alimentos e bebidas.
Mesmo com essa queda em agosto, a inflação ainda acumula 3,09% no ano e 4,24% nos últimos 12 meses. No entanto, esse índice ficou menor do que o registrado no mês anterior, quando estava em 4,52%.
Na prática, a desaceleração da inflação pode aliviar o custo de vida e aumentar as chances de o Banco Central reduzir os juros no futuro, embora essa decisão dependa de outros fatores econômicos.
Novos dados da economia dos EUA
Nos EUA, a inflação ficou em 3,7% em julho, repetindo o resultado de junho e permanecendo bem acima da meta de 2% do Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
No mês, os preços subiram 0,2%, acima do esperado pelo mercado.
🔎 Os números reforçam as dúvidas sobre os próximos passos do Fed. Como a inflação continua resistente, cresce a possibilidade de que o banco central volte a elevar os juros para tentar conter a alta dos preços, embora parte dos dirigentes defenda manter as taxas no nível atual.
Ao mesmo tempo, a economia americana segue mostrando força. O PIB dos Estados Unidos cresceu 1,5% no segundo trimestre, em linha com as expectativas, enquanto o consumo das famílias permaneceu robusto, indicando que a atividade econômica continua aquecida apesar dos juros elevados.
Bolsas globais
Os mercados globais fecharam sem direção única nesta quarta-feira, com investidores atentos a três eventos considerados decisivos para o humor dos mercados:
a divulgação do índice de inflação PCE nos EUA;
o discurso do presidente do Federal Reserve (Fed), Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole;
e o balanço da Nvidia.
Na Europa, as bolsas fecharam praticamente estáveis. Os investidores repercutiram os dados de inflação dos EUA, que vieram acima do esperado e reforçaram as apostas de uma alta de juros pelo Fed em setembro, além das negociações entre Irã e Omã sobre o Estreito de Ormuz.
As conversas trouxeram algum alívio, mas ainda há incertezas sobre um acordo definitivo.
Entre os destaques do dia, as ações dos bancos europeus avançaram, impulsionadas pelos ganhos do Deutsche Bank e do Commerzbank. Em contrapartida, o setor de tecnologia recuou antes da divulgação do balanço da Nvidia, enquanto o segmento de saúde liderou as perdas.
No fechamento, o índice pan-europeu STOXX 600 caiu 0,01%, aos 656,41 pontos. Em Londres, o FTSE 100 recuou 0,07%, para 10.878,12 pontos. O DAX, de Frankfurt, avançou 0,08%, aos 26.285,96 pontos.
Em Paris, o CAC 40 subiu 0,27%, para 8.462,39 pontos. Em Milão, o FTSE MIB ganhou 0,31%, aos 52.882,99 pontos. Já o Ibex 35, de Madri, avançou 0,05%, para 20.067,30 pontos, enquanto o PSI 20, de Lisboa, teve alta de 0,01%, aos 9.446,39 pontos.
Em Wall Street, os principais índices fecharam em queda, refletindo a cautela antes da divulgação do balanço da Nvidia. O Dow Jones caiu 0,21%, o S&P 500 recuou 0,02% e o Nasdaq teve perda de 0,08%.
🔎 A expectativa é que o resultado da Nvidia funcione como um teste para o otimismo em torno da inteligência artificial, enquanto os dados de inflação e o discurso de Kevin Warsh podem influenciar as expectativas para a política de juros nos EUA.
Na Ásia, a maioria das bolsas fechou em alta, impulsionada pelo avanço das empresas de tecnologia e da cadeia ligada à inteligência artificial, após a Nvidia interromper uma sequência de sete quedas em Wall Street.
Na China, o índice de Xangai subiu 0,59%, enquanto o CSI300 avançou 0,85%. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 0,56%.
Entre os demais mercados da região, o Nikkei, do Japão, avançou 0,62%; o Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,97%; e o Taiex, de Taiwan, teve alta de 1,47%. Já o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,24%, enquanto o S&P/ASX 200, da Austrália, recuou 0,40%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Dólar
Reuters/Lee Jae-Won/Foto de arquivo

Dólar mais baixo e férias escolares impulsionam gastos de brasileiros no exterior a US$ 2,45 bilhões em julho, recorde em mais de 30 anos

Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 2,45 bilhões em julho deste ano, informou o Banco Central (BC) nesta quinta-feira (27).
Trata-se do maior valor já registrado desde o início da série histórica da instituição, em janeiro de 1995.
O recorde anterior havia sido registrado em julho de 2014 (US$ 2,41 bilhões).
➡️ O aumento de gastos no exterior acontece em um momento de queda na cotação da moeda norte-americana. O dólar fechou julho em R$ 5,0696, com queda de 7,64% na parcial do ano.
Agora no g1
Passagens, despesas com hotéis e gastos com produtos e serviços no exterior, por exemplo, são influenciados ou cotados em moeda estrangeira.
Com isso, quando o dólar está mais baixo, os brasileiros acabam tendo gastos menores com esses itens.
➡️Também acontece em um mês de férias escolares, considerado “alta temporada”, quando as viagens familiares se intensificam.
➡️Outro fator que costuma influenciar os gastos no exterior é o crescimento da economia brasileira. Embora em desaceleração neste ano, a expectativa dos analistas é de nova expansão do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, as despesas de brasileiros no exterior somaram US$ 15,1 bilhões — valor que também representa recorde histórico para o período.
Entenda como a perda de valor do dólar pelo mundo tem impacto no Brasil
Jornal Nacional/ Reprodução
Contas externas
Ainda de acordo com o BC, o déficit das contas externas brasileiras recuou 9,6% nos sete primeiros meses deste ano.
🔎 O termo déficit indica que as despesas foram maiores do que as receitas no período.
Segundo a instituição, a conta de transações correntes registrou saldo negativo de US$ 35,97 bilhões de janeiro a julho deste ano, em comparação com um rombo de US$ 39,78 bilhões no mesmo período do ano passado.
O resultado em transações correntes, um dos principais indicadores sobre o setor externo do país, é formado por:
balança comercial: que é o comércio de produtos entre o Brasil e outros países;
serviços: adquiridos por brasileiros no exterior; e
rendas: remessas de juros, lucros e dividendos do Brasil para o exterior.
O Banco Central costuma explicar que o tamanho do rombo das contas externas está relacionado com o crescimento da economia.
Quando cresce, o país demanda mais produtos do exterior e realiza mais gastos com serviços também. Com a desaceleração da economia, o déficit tende a diminuir.
Somente em julho, o déficit em transações correntes somou US$ 8,11 bilhões, contra US$ 6,944 bilhões no mesmo mês do ano passado.
Investimentos diretos sobem
O BC também informou que os investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira registraram aumento nos sete primeiros meses de 2026.
Os estrangeiros trouxeram US$ 54,44 bilhões em investimentos entre janeiro e julho de 2026, contra US$ 43,74 bilhões no mesmo período do ano passado.
Com isso, os investimentos foram suficientes para financiar o déficit em transações correntes registrado de janeiro a julho meses deste ano.
Somente em julho, os investimentos estrangeiros diretos no país totalizaram US$ 7,46 bilhões, contra US$ 8,4 bilhões no mesmo período de 2025.