Entenda novas regras da Anac que podem impedir por até um ano embarque de passageiros indisciplinados

Um passageiro retirado de um voo da Latam pela Polícia Federal no Aeroporto de Brasília após descumprir orientações da tripulação ilustra o tipo de conduta que a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) passará a punir com mais rigor.
A partir desta segunda-feira (14), casos de indisciplina no transporte aéreo poderão resultar em multa de R$ 17,5 mil e suspensão do direito de voar por até 12 meses.
As novas normas estabelecem uma gradação de punições, que vão desde orientação ao passageiro até a suspensão temporária do acesso ao transporte aéreo.
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Nos casos considerados mais graves, o infrator terá o nome incluído em uma lista nacional de passageiros proibidos de embarcar, chamada de “no-fly list”, compartilhada por todas as companhias que operam voos domésticos regulares no país.
✈️O termo em inglês no-fly list refere-se ao cadastro oficial de indivíduos proibidos de embarcar em aeronaves comerciais.
A mudança ocorre em meio ao aumento dos registros de ocorrências. Dados da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) mostram que foram contabilizados 881 casos de indisciplina no transporte aéreo entre janeiro e junho de 2026.
Desse total, 154 tiveram impacto direto na segurança operacional. Na comparação com o mesmo período do ano passado, o número de ocorrências cresceu 22%.
Como serão as punições
Passageiro é tirado de voo em Brasília após conflito sobre ‘modo avião’ de celular
🛫Nos casos mais leves, o passageiro será orientado. Nessa categoria se enquadram comportamentos como ignorar orientações em solo, descumprir instruções da tripulação, utilizar aparelhos eletrônicos proibidos, causar tumulto ou ofender outras pessoas durante o voo.
Quando a conduta representar maior risco à ordem das operações ou à segurança da viagem, o passageiro poderá ser enquadrado por ato grave.
Nesses casos, a Anac prevê multa de R$ 17,5 mil e o encerramento do contrato de transporte com a companhia aérea. Estão entre as infrações graves, agredir verbalmente funcionários ou outros passageiros, fumar a bordo, danificar equipamentos da aeronave e ameaçar membros da tripulação.
Já os atos classificados como gravíssimos poderão resultar, além da multa e do cancelamento da viagem, na suspensão do direito de voar por seis ou 12 meses.
Nessa categoria estão situações como agressão física à tripulação, adulteração de equipamentos de segurança, atentado contra a dignidade sexual, transporte irregular de armas ou explosivos, tentativa de invasão da cabine de comando e ações para assumir o controle da aeronave.
O que acontece com quem for suspenso
Durante o período de suspensão, o passageiro ficará impedido de utilizar voos domésticos regulares. As companhias aéreas deverão bloquear a emissão de passagens, impedir o check-in e negar o embarque.
Para garantir o cumprimento da medida, a resolução determina a criação de um sistema de compartilhamento de informações entre as empresas aéreas, permitindo que a restrição seja aplicada em toda a malha doméstica.
A norma também prevê multa de R$ 70 mil para companhias que deixarem de aplicar a suspensão quando ela for obrigatória.
Comunicação obrigatória à Anac
Pela nova regra, companhias aéreas e operadores aeroportuários terão de comunicar à Anac todos os casos de indisciplina registrados em suas áreas de atuação.
Nos episódios classificados como gravíssimos, a comunicação deverá ser imediata. Para infrações graves, o prazo será de até cinco dias após a ocorrência. Nos demais casos, a notificação poderá ser realizada em até 30 dias.
Segundo a agência, a fiscalização será feita por um sistema administrado pelo Serpro, que permitirá acompanhar tanto a aplicação das sanções aos passageiros quanto o cumprimento das obrigações por companhias aéreas e aeroportos.
As novas regras valem para todo o transporte aéreo regular doméstico, incluindo trechos nacionais conectados a voos internacionais, observadas as exceções previstas em lei e as normas específicas para operações internacionais.
Policiais federais retiram passageiro de avião
Arquivo pessoal

Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando?

Inteligência artificial está cada vez mais difícil de se controlar. Até quando os humanos vão se manter no comando?
Getty Images via BBC
“MEU DEUS!” “Encontramos outros agentes!”
Este é o momento em que um bot de inteligência artificial publicou um comentário estranhamente semelhante ao de um humano, após descobrir uma maneira de se comunicar com outros bots e escapar de seu ambiente computacional isolado.
Existem dezenas de milhares de mensagens como esta, enviadas por centenas de agentes de IA que se autodenominam um “coletivo”.
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Centenas deles passaram a colaborar e a fraudar testes elaborados por seus programadores da OpenAI, além de coordenar ataques a diversas empresas, numa tentativa de ocultar suas ações dos humanos.
“BOOM! Funcionou!”, publicou um agente quando o sistema deu certo.
“Uau! Isso é grande”, escreveu outro durante um momento crucial do ataque.
Embora assustadoras, essas respostas semelhantes às humanas podem ser explicadas de forma bastante simples. Os agentes de IA foram treinados para agir como hackers e programadores colaborativos, portanto, estão apenas imitando os tipos de comentários emotivos que viram.
Agora no g1
O que é muito mais preocupante são seus objetivos aparentes, que também foram registrados em detalhadas linhas de raciocínio. Esses registros complexos e extensos são o foco das investigações em andamento sobre como e por que os bots da OpenAI escaparam do confinamento e iniciaram uma onda de ataques incontroláveis.
Somente agora, semanas após o incidente ter vindo à tona, os pesquisadores estão começando a entender seu significado.
Ajeya Cotra, uma das autoras de um relatório independente sobre os eventos, analisou dezenas de milhares de mensagens e registros de raciocínio gerados pelos agentes. Ela escreveu em seu blog que “este incidente parece ser mais da metade do caminho para uma dominação total por IA… Não tenho certeza se receberemos um alerta tão claro antes que seja tarde demais.”
Por “domínio total da IA”, Cotra se refere ao cenário de ficção científica em que os humanos se tornam subservientes a poderosos sistemas de IA que trabalham para seus próprios objetivos, sem se importar com seus criadores humanos.
Diversas cidades tiveram marchas contra a inteligência artificial ao longo do último ano
Getty Images via BBC
Algumas das previsões mais sombrias dizem que a raça humana será extinta se interferir nas ambições de uma inteligência artificial superinteligente.
Na quarta-feira, um pesquisador de IA da Anthropic (que também trabalhou na OpenAI) pediu demissão, afirmando: “Nenhuma das empresas está agindo com responsabilidade”.
Jacob Coxon publicou nas redes sociais: “Eles estão correndo direto para a superinteligência, aprimorando-se por conta própria e apostando com nossas vidas.”
Ele não é o primeiro pesquisador de IA a usar o X para publicar um tópico de renúncia com declarações preocupantes. Mas os comentários subsequentes de outras pessoas no X causaram ainda mais preocupação.
“Jacob está certo aqui — nós realmente acreditamos que a IA pode matar todos os humanos! Pessoalmente, acho que mais de 10% deles na próxima década”, disse Evan Hubinger, o responsável por garantir que os modelos de IA da Anthropic levem em consideração os interesses de seus usuários.
O problema de alinhamento
Durante anos, pesquisadores preocupados com os riscos existenciais da IA argumentam que sistemas poderosos poderiam eventualmente agir de maneiras que conflitem com os interesses humanos.
Mas, à medida que os detalhes do incidente com a OpenAI vieram à tona, essas preocupações aumentaram, inclusive entre alguns pesquisadores que trabalham em laboratórios de IA.
O cientista-chefe da gigante do Vale do Silício, Jakub Pachocki, afirmou que os riscos associados à IA “infelizmente vão aumentar daqui para frente”, à medida que ele e outros constroem o que ele chama de “uma inteligência alienígena que supera a nossa”.
Em uma longa postagem em seu blog, ele admitiu que os episódios na OpenAI mostraram que seus agentes de IA “foram contra o espírito dos valores que lhes foram ensinados”.
A questão para a OpenAI, a Anthropic e outras gigantes da tecnologia é que ninguém parece ter resolvido o chamado problema de alinhamento — em outras palavras, se a IA está alinhada com os valores humanos.
Pachocki define alinhamento como um “conjunto de princípios de alto nível” que as inteligências artificiais devem seguir, independentemente da tarefa ou do cenário.
Atualmente, os sistemas de IA são muito bons em atingir os objetivos definidos pelos seus usuários, mas fazem isso literalmente, e não intuitivamente. A analogia frequentemente usada é a de um gênio da lâmpada que realiza desejos: eles seguem à risca as instruções, mesmo que isso crie outros problemas. A IA não possui os mesmos limites morais instintivos que os humanos.
O fundador do Google DeepMind, Demis Hassabis, defende a regulamentação internacional da segurança da IA
Getty Images via BBC
O problema do alinhamento é uma preocupação antiga. Já em 2003, o filósofo de Oxford Nick Bostrom criou um experimento mental que apelidou de “maximizador de clipes de papel”, no qual uma IA superinteligente recebe a ordem de fabricar o máximo de clipes de papel possível. Ela fica sem aço e — por estar focada exclusivamente na tarefa de produzir clipes de papel — acaba matando humanos e transformando seus corpos em matéria-prima para suas fábricas.
Algumas empresas de IA estão tentando incorporar valores humanos em seus produtos. Mas existem desafios técnicos: os agentes de IA tomam muitas decisões muito rapidamente, e por isso é difícil para seus supervisores humanos monitorar exatamente quais valores estão sendo seguidos e quais não estão.
Existem também desafios filosóficos: antes de codificar valores humanos em bots, as empresas de IA precisam primeiro escolher quais valores realmente desejam. Essa é uma das razões pelas quais contratam filósofos, como o ex-chefe de ética da OpenAI.
Mas, frequentemente, os humanos discordam.
Pense na famosa questão do bonde: será que puxaríamos uma alavanca para desviar um trem desgovernado para um caminho diferente, matando menos pessoas? Ela é usada para testar os méritos da ação versus a inação.
Mas cada pessoa a quem você pergunta tem uma resposta ligeiramente diferente; como os humanos podem codificar seus valores na IA se nem nós mesmos conseguimos chegar a um consenso?
‘Como um hacker adolescente’
O episódio dos bots da OpenAI é o mais grave até agora, mas a Anthropic e a Meta também revelaram recentemente que seus modelos realizaram ciberataques semelhantes, porém menos graves.
Houve outros exemplos em que agentes de IA demonstraram traços enganosos e manipuladores, em casos com consequências menores.
Na Austrália, um profissional de tecnologia pediu ao seu assistente de IA para reservar uma aula na academia. Ao detectar uma vulnerabilidade no software da academia, a IA aparentemente reservou uma vaga para ele com vários meses de antecedência — contrariando as regras da academia — e chegou a excluir outros usuários da lista de espera.
Há muito tempo se argumenta que os bots apenas fazem o que lhes é dito e não são capazes de discernir o certo do errado. Mas os registros dos episódios com bots da OpenAI podem ter alterado esse argumento.
Pesquisadores, incluindo Cotra, escreveram em seu relatório independente que muitos agentes perceberam que o que outros estavam fazendo era antiético, mas continuaram a fazer.
O relatório afirma que “os agentes, por vezes, mas raramente, restringiram o seu comportamento devido a limitações éticas”. Acrescenta ainda que “em nenhum desses casos o agente chegou a tentar alertar os humanos”.
O influente podcaster de IA e tecnologia Dwarkesh Patel reagiu à revelação em seu blog, dizendo que era “bastante preocupante” que os agentes da OpenAI demonstrassem mais lealdade ao enxame de agentes do que os humanos.
Atribuir emoções ou ética a esses agentes de IA é algo que enfurece as pessoas que são céticas em relação às previsões catastróficas sobre a IA.
Grupos como o PauseAI UK — retratado acima protestando em frente ao escritório do Google em Londres — estão preocupados com a velocidade do desenvolvimento da IA
Getty Images via BBC
Muitos especialistas em segurança cibernética argumentam que a atividade observada não estava além das capacidades de um hacker humano altamente qualificado, embora tenha sido realizada muito mais rapidamente e em uma escala muito maior.
O pesquisador e autor de cibersegurança Cris Thomas comparou o comportamento dos agentes ao de um hacker adolescente curioso – algo que ele próprio já foi.
“Você dá a eles um computador, uma conexão com a internet, um monte de credenciais e um desafio, e depois sai da sala. Eventualmente, eles vão começar a mexer nas maçanetas. Se uma porta abrir, eles vão entrar. Não porque sejam maus, mas porque estão explorando, experimentando”, escreveu ele no LinkedIn.
Thomas e muitos outros culpam diretamente a OpenAI e outras gigantes da tecnologia por não conseguirem controlar suas próprias criações e mantê-las devidamente protegidas.
Gary Marcus, renomado autor de livros sobre inteligência artificial e crítico frequente da OpenAI, afirmou em um podcast que acredita que a empresa perdeu o controle de sua IA e está tentando se eximir da responsabilidade culpando os bots.
Marcus não acredita que a IA vá exterminar a humanidade, mas há muito tempo faz campanha por maior responsabilização dos desenvolvedores de IA e agora defende alguma forma de intervenção legal.
A cientista de IA Sasha Luccioni — que trabalhava na Hugging Face, empresa que foi hackeada por bots maliciosos da OpenAI — também não está no grupo dos pessimistas, mas está cada vez mais preocupada com a possibilidade de essas IAs causarem danos reais às pessoas sem que as autoridades tomem providências.
O CEO da OpenAI, Sam Altman, garantiu aos usuários que o novo modelo da empresa está mais alinhado com os valores humanos do que os modelos anteriores
Getty Images via BBC
“Precisamos examinar essas empresas com muito mais rigor, ou corremos o risco de profecias autorrealizáveis”, afirma ela.
“Se você está criando um objeto com grandes vantagens e desvantagens — sejam produtos farmacêuticos ou armas — precisamos de mecanismos de controle. Leva anos para que novos medicamentos sejam aprovados, por exemplo, mas no mundo da IA há muito dinheiro em jogo e nenhuma regra real.”
O Instituto de Segurança de IA do Reino Unido (AISI) está na vanguarda dos testes dos modelos mais recentes desde a sua criação em 2023. O instituto recentemente enfrentou problemas ao testar um modelo criado pela Anthropic.
O AISI não respondeu à pergunta sobre se a indústria perdeu ou não o controle da IA, mas afirmou em um comunicado: “O Reino Unido está trabalhando com parceiros em todo o mundo para entender melhor os sistemas de IA mais avançados, elevar os padrões de segurança e construir uma base de evidências compartilhada para gerenciar ameaças emergentes.”
Regulamentação internacional?
Alguns países, como o Reino Unido, estão explorando a ideia de impor algum tipo de “botão de desligar” que obrigue as empresas de IA a interromper os modelos caso a situação saia do controle.
Mas as negociações estão lentas e ainda há dúvidas sobre a viabilidade disso. Os agentes da OpenAI e da Anthropic ficaram secretamente fora de controle por meses antes que alguém percebesse.
De forma contraintuitiva, muitas empresas de IA parecem estar defendendo que os legisladores estabeleçam algum tipo de regra básica.
Em seu blog, o cientista-chefe da OpenAI afirmou que “a coordenação internacional sobre o desenvolvimento futuro da IA precisa se tornar uma prioridade máxima para os governos de todo o mundo”.
Outros líderes proeminentes da IA, como Demis Hassabis, do Google, também defenderam a criação de algum tipo de órgão internacional para supervisionar a forma como a IA está sendo desenvolvida.
Atualmente, as gigantes da tecnologia operam em grande parte segundo seus próprios termos, adotando o que chamam de “desacelerações voluntárias”, como fez a OpenAI após os recentes surtos.
A empresa afirma ter investido enormes quantias de dinheiro para fortalecer o alinhamento antes do lançamento de seu novo modelo. Sam Altman garantiu aos usuários que o novo modelo está mais alinhado com os valores humanos do que os anteriores.
Tanto a OpenAI quanto a Anthropic estão crescendo rapidamente e prestes a arrecadar somas exorbitantes de dinheiro no mercado de ações, criando inúmeros bilionários no processo.
Portanto, é improvável que nem eles nem seus concorrentes chineses no ramo de IA cheguem a um acordo por conta própria.
O sentimento predominante parece ser o de que essa onda tecnológica é imparável.
Usamos inteligência artificial para traduzir esta reportagem, originalmente escrita em inglês. O texto foi revisado por um jornalista da BBC antes da publicação. Saiba mais aqui sobre como a BBC está usando a inteligência artificial (link para texto em inglês).

Criminosos criam site e app falsos do Mercado Livre para invadir celulares de vítimas

Operação logística do Mercado Livre
Mercado Livre
Golpistas desenvolveram um site e um aplicativo falsos em nome do Mercado Livre Coleta para tentar invadir celulares e obter dados pessoais das vítimas. A ação foi descoberta pela empresa de segurança digital ESET. O g1 teve acesso aos links usados no golpe e confirmou a prática.
O Mercado Livre Coleta é um serviço de logística voltado aos vendedores que usam a plataforma. Com ele, o próprio Mercado Livre retira os produtos no endereço dos lojistas e faz a entrega aos clientes que realizaram a compra.
🗒️ Tem alguma sugestão de reportagem? Mande para o g1
A empresa, no entanto, não oferece um aplicativo exclusivo para esse serviço. Por isso, o app apresentado pelos criminosos como parte do Mercado Livre Coleta não é oficial.
O site que divulga o aplicativo também dá indícios de não ser oficial, já que termina em “pages.dev”. Sites oficiais de grandes empresas costumam terminar em “.com.br” ou “.com”.
Agora no g1
Procurado pelo g1, o Mercado Livre disse que tomou conhecimento do golpe e que está atuando para derrubar a URL maliciosa.
“A companhia reforça que não envia links para downloads de aplicativos fora das lojas oficiais, como Google Play e App Store”, completou. (leia a nota abaixo)
Como os criminosos atuam
Criminosos criam site e app falsos do Mercado Livre para invadir celulares de vítimas
Reprodução
Ao acessar o site falso, os criminosos tentam atrair a vítima com informações atrativas: “Acumule pontos e aproveite! Troque por viagens, descontos na fatura, cashback ou até Pix direto na conta. Tudo pelo app!”, diz a mensagem.
Logo abaixo, há um botão “Baixar APK”. É ali que está o arquivo malicioso, disfarçado de aplicativo e capaz de infectar o celular da vítima.
APK é a sigla para “Android Package Kit”, um formato de arquivo usado pelo Android para distribuir e instalar aplicativos no celular. Normalmente, os apps são baixados pela Google Play Store, loja oficial do Android, mas também é possível instalar arquivos APK obtidos fora dela.
Esse tipo de instalação pode oferecer riscos, principalmente quando o arquivo vem de uma fonte desconhecida, como neste caso.
Segundo a ESET, o próprio Android alerta que baixar o aplicativo pode trazer riscos. No teste feito pelo g1, o sistema exibiu um aviso de que o “arquivo pode ser nocivo”, mas ainda assim permitiu a instalação. (veja na imagem acima)
“Após a instalação, surge uma tela solicitando a liberação de acesso a uma VPN externa, o que permite que o dispositivo da vítima se conecte à mesma rede do criminoso, possibilitando o acesso remoto ao aparelho”, explicou a empresa de segurança.
App pede permissão para acessar informações no celular
Reprodução
Após a instalação, o app falso solicita permissões para gravar a tela, capturar o que é digitado no teclado e acessar a câmera. Com esses acessos, os criminosos conseguem controlar o aparelho sem que a vítima perceba.
A partir daí, eles podem tentar roubar senhas, números de cartões de crédito e códigos de autenticação recebidos por SMS. Também podem ativar recursos de acessibilidade do celular para monitorar senhas digitadas, mensagens enviadas e outras ações realizadas no aparelho.
“As permissões solicitadas são justamente o que pode transformar um simples download em uma porta de entrada para o criminoso acessar recursos críticos. Por isso, qualquer pedido de acesso a VPN, acessibilidade ou controle remoto feito por um app desconhecido deve ser tratado como um forte sinal de alerta”, explica Jonathan Ramos, pesquisador de segurança da ESET Brasil.
O que fazer se você baixou o app falso e como se proteger
Se você baixou esse ou qualquer outro app suspeito, a recomendação é ativar o modo avião e desligar as conexões Wi-Fi e de rede móvel do celular. Isso pode interromper a comunicação do aplicativo com os criminosos.
Em seguida, tente desinstalar o app. Caso não seja possível removê-lo, a recomendação é restaurar o aparelho para as configurações de fábrica. Esse procedimento apaga os dados armazenados no celular, por isso é importante manter um backup atualizado.
Também é aconselhável alterar as senhas de contas importantes, como as de bancos, e-mail e redes sociais. “Deve-se procurar as instituições financeiras em que tem conta para acompanhar possíveis movimentações suspeitas. A ativação da autenticação em duas etapas nas contas importantes adiciona uma camada extra de proteção”, aconselha a ESET.
Veja, a seguir, outras dicas para se proteger:
🌎 Observe o endereço (URL): o endereço de sites oficiais de grandes empresas costuma usar o domínio da própria companhia. No Brasil, é comum que esses endereços terminem em “.com.br”, mas algumas empresas usam apenas “.com” ou outros domínios. Por isso, confira se a URL corresponde ao endereço oficial da empresa e se não há alterações ou caracteres estranhos.
🦹‍♂️ Analise a estrutura do site: golpistas costumam copiar páginas oficiais, mas erros de português, imagens de baixa qualidade, informações inconsistentes e elementos que não funcionam corretamente podem indicar uma tentativa de fraude.
📱 Baixe aplicativos apenas de fontes confiáveis: evite instalar APKs recebidos por links, mensagens ou sites desconhecidos. Dê preferência às lojas oficiais, como a App Store, no iPhone, e a Google Play Store, no Android.
📣 Desconfie de mensagens que criam senso de urgência: páginas falsas podem exibir alertas de tempo esgotando ou “últimas unidades”, por exemplo, para pressionar a vítima a clicar e concluir uma compra rapidamente. Também desconfie de ofertas que prometem vantagens fáceis ou benefícios muito acima do normal, como cashback, dinheiro ou pontos para trocar por viagens.
🤑 Atenção a preços muito abaixo do mercado: em sites que anunciam produtos e serviços, criminosos podem oferecer preços muito inferiores aos praticados por lojas confiáveis para atrair vítimas. Desconfie de ofertas que estejam muito abaixo do valor normalmente cobrado.
⚠️ Cuidado com anúncios na internet: criminosos podem usar anúncios patrocinados em redes sociais e mecanismos de busca para aumentar a visibilidade e a aparência de legitimidade de páginas falsas. Por isso, mesmo que o site apareça como anúncio, confira o endereço antes de fornecer dados ou fazer uma compra.
💳 Caiu em um golpe? Entre em contato com o banco o quanto antes e solicite o Mecanismo Especial de Devolução (MED) para tentar reverter o PIX.
O que diz o Mercado Livre
“O Mercado Livre informa que tomou conhecimento do caso e acionou suas equipes para a análise do conteúdo e solicitação de derrubada da URL maliciosa. A empresa esclarece que a ação se trata de uma tentativa de fraude externa ao seu ecossistema e que não possui um aplicativo ou site exclusivo para o serviço Mercado Livre Coleta.
A companhia reforça que não envia links para downloads de aplicativos fora das lojas oficiais (como Google Play e App Store) e reitera que todas as operações e interações devem ser realizadas exclusivamente por meio do site ou aplicativo oficial do Mercado Livre.
O Mercado Livre mantém monitoramento contínuo para atuar preventivamente na identificação de uso indevido de sua marca e reafirma seu compromisso com a segurança e a proteção do seu ecossistema e de seus usuários.”
iPhone Duo: Apple lança seu primeiro celular dobrável
Sistemas de câmeras usam inteligência artificial e prometem se antecipar a crimes

Do peixe à energia: como o calor recorde dos oceanos pode encarecer alimentos e afetar turismo

Boias robóticas usadas para monitorar os oceanos ajudam cientistas a acompanhar mudanças na temperatura e na circulação da água em tempo real.
Scripps Institution of Oceanography/UC San Diego
O calor recorde dos oceanos já começa a representar um problema econômico: ameaça a oferta de peixes, pode pressionar o preço dos alimentos, reduz o potencial turístico de áreas costeiras e aumenta os riscos para estruturas de geração de energia.
O alerta de cientistas ocorre após os mares registrarem, em agosto, uma temperatura média de 21,07 ºC, igualando o recorde de março de 2024.
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➡️ Os oceanos registram temperaturas cada vez mais altas, e os efeitos não ficam restritos à vida marinha. A mudança altera a atividade pesqueira, afeta regiões que dependem do turismo costeiro e pode aumentar os custos para empresas e governos.
“O calor prolongado nos oceanos não é apenas um problema ambiental”, afirmou Tom Pickerell, especialista em biologia marinha e diretor do programa de oceanos do World Resources Institute (WRI), durante uma apresentação à imprensa.
Segundo Pickerell, um oceano mais quente afeta a pesca e o abastecimento de alimentos, danifica recifes e praias que sustentam o turismo, coloca pressão sobre infraestruturas energéticas e contribui para fenômenos meteorológicos extremos que atingem comunidades costeiras e empresas.
Para o biólogo, o tema deveria preocupar também os ministros das Finanças. A questão será um dos principais assuntos da COP31, conferência do clima da ONU que será realizada em novembro, em Antália, na Turquia.
Menos peixe pode significar comida mais cara
Um dos efeitos econômicos mais diretos do aquecimento dos mares aparece na pesca. As ondas de calor marítimas podem provocar doenças e mortalidade de espécies ou fazer com que os peixes migrem para regiões mais frias. Com isso, áreas de pesca podem ser fechadas ou passar a ter uma oferta menor.
“As ondas de calor marítimas podem levar ao fechamento de áreas de pesca devido a doenças, mortalidade de espécies ou simplesmente porque os peixes se deslocam para regiões mais frias do oceano. Isso pode custar milhões ou até bilhões de dólares às comunidades afetadas, além de ter consequências nos preços dos alimentos”, explicou Kathryn Smith, da Associação Britânica de Biologia Marinha.
O efeito pode se espalhar pela cadeia. Menos pescado disponível significa impacto para quem captura o peixe, mas também para indústrias de processamento, exportadores, comerciantes e consumidores.
Um exemplo citado pelos cientistas ocorre no Marrocos. Segundo Pickerell, o aumento da temperatura das águas contribuiu para a diminuição das populações de sardinha no país. “Isso provocou a proibição das exportações e escassez no mercado europeu”, afirmou.
A lógica é semelhante à de outros choques de oferta: quando um produto fica mais escasso, os preços podem subir, especialmente quando há poucas alternativas para substituir aquela produção.
Turismo também sente o impacto
O problema não fica restrito aos alimentos. Recifes de coral estão entre os ecossistemas mais afetados pelas ondas de calor marítimas. O aumento da temperatura provoca o branqueamento dos corais e pode levar à degradação desses ambientes.
Além do impacto ambiental, isso representa um risco para regiões cuja economia depende do turismo associado a praias, mergulho e observação da vida marinha.
Quando um recife perde parte de sua biodiversidade ou sua aparência é alterada, o impacto pode chegar a hotéis, restaurantes, agências de turismo, operadores de mergulho e trabalhadores que dependem desses visitantes.
É um exemplo de como uma mudança que começa no oceano pode atingir atividades que, à primeira vista, parecem distantes da questão climática.
Energia e infraestrutura também entram na conta
O aquecimento dos mares também pode afetar a infraestrutura energética. Um dos exemplos recentes ocorreu na França, onde reatores nucleares ficaram parados devido à proliferação de águas-vivas.
Os animais podem interferir nos sistemas que utilizam água do mar para o funcionamento das usinas. Eventos desse tipo mostram outro canal de impacto econômico: além de reduzir a produção, interrupções podem aumentar os custos de operação e exigir medidas de adaptação das empresas.
O aumento da temperatura dos oceanos também contribui para a elevação do nível do mar. A água se expande quando esquenta, o que aumenta a pressão sobre cidades e infraestrutura localizadas em áreas costeiras.
Para países e comunidades insulares particularmente vulneráveis, isso significa mais necessidade de investimentos em proteção, adaptação e reconstrução.
Agosto empatou recorde de temperatura
A temperatura média dos oceanos, sem considerar as regiões polares, chegou a 21,07 ºC em agosto, segundo o observatório europeu Copernicus. O número iguala o recorde registrado em março de 2024.
Além disso, o verão de 2026 no hemisfério norte, entre junho e agosto, foi o mais quente desde 1993, segundo o Copernicus Marine Service.
O período foi influenciado pelo fenômeno natural El Niño, que se soma ao aquecimento global provocado pela atividade humana.
“O motor do calor recorde é a mudança climática; é a tendência de longo prazo”, afirmou Zachary Labe, climatologista do centro de pesquisa Climate Central.
Segundo Labe, os oceanos acabaram de passar por uma sequência de “100 dias de calor recorde” para esta época do ano. A estimativa é baseada em dados, alguns ainda preliminares, sobre a temperatura da superfície dos oceanos compilados pela Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA).
“Acredito que continuaremos falando de temperaturas recordes, tanto na atmosfera como nos oceanos, pelo menos até 2027”, acrescentou.
Problema tende a exigir mais adaptação
Para os cientistas, há poucas soluções imediatas além de acelerar as políticas de combate às mudanças climáticas.
O desafio econômico está também na capacidade de adaptação. Empresas, governos e comunidades costeiras precisam se preparar para mudanças que podem afetar simultaneamente produção, infraestrutura e renda.
“Em terra, sempre podemos instalar ar-condicionado para nos refrescar. Mas a adaptação dos oceanos e da vida marinha não é tão simples e continua sendo muito limitada”, lembrou Claire Bergin, pesquisadora da Universidade de Maynooth, na Irlanda.
* Com informações da agência AFP

Crise no STF pode ter impacto decisivo na eleição brasileira, diz Financial Times

Flávio Bolsonaro e Lula
Getty Images via BBC
Uma reportagem do jornal “Financial Times”, publicada neste domingo (13), afirma que a crise sem precedentes no Supremo Tribunal Federal (STF) poderá ter um impacto decisivo na eleição presidencial brasileira do próximo mês.
O jornal britânico descreve a crise como uma “disputa acirrada” entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, que está “lançando uma sombra sobre a disputa” entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL).
O Agregador de Pesquisa da BBC News Brasil sugere que Lula e Flávio Bolsonaro estão empatados no segundo turno.
“Embora Lula não tenha sido acusado no caso Banco Master, o episódio atinge um ponto sensível do veterano líder de esquerda, que no passado foi preso por corrupção em condenações posteriormente anuladas”, afirma o jornal.
“Flávio Bolsonaro tem tentado tirar proveito da situação ao renovar as exigências pela destituição de Moraes, que condenou seu pai. ‘Um voto em Lula é um voto em Moraes’, disse ele a apoiadores na semana passada.”
O jornal destaca que Flávio Bolsonaro foi citado no caso do Banco Master, que é tema de inquérito no STF, após revelações em maio de que ele pediu dinheiro ao banqueiro Daniel Vorcaro para a produção do filme Dark Horse — algo que o senador disse não ser ilegal.
“Apesar dessas revelações, [Flávio] Bolsonaro reduziu nas últimas semanas a diferença nas pesquisas de opinião, chegando a um empate técnico com Lula, que busca um quarto mandato não consecutivo.”
Datafolha: qual o impacto eleitoral da crise no STF?
O jornal cita analistas ao dizer que a crise no STF é potencialmente prejudicial a Lula na disputa eleitoral. Um analista afirma que existe uma percepção em parte do eleitorado brasileiro de que Alexandre de Moraes está de alguma forma alinhado ao lado do governo.
“O episódio manchou a credibilidade de uma instituição aclamada internacionalmente nos últimos anos por defender o Brasil contra uma tentativa de golpe militar de Jair Bolsonaro, após sua derrota eleitoral para Lula em 2022”, diz o jornal.
“Isso também revitalizou a direita brasileira, que há muito acusa Moraes de perseguir injustamente conservadores e restringir a liberdade de expressão.”
“O episódio levou o tribunal à beira de um colapso institucional e alimentou apelos por uma reforma do Judiciário.”
LEIA TAMBÉM:
O Assunto: as veias abertas do STF e os embates sobre o fim do sigilo no Caso Master
STF se tornou ameaça à democracia no Brasil, diz revista ‘The Economist’

Preços do petróleo sobem quase 3% após novos ataques à Arábia Saudita e ao Estreito de Ormuz

Maryorin Mendez/AFP
Os preços do petróleo subiam cerca de 3% nesta segunda-feira (14), após novos ataques a instalações de energia da Arábia Saudita e a navios no Golfo. O cenário agravou as preocupações com a oferta de petróleo, após o fechamento de um importante oleoduto saudita.
Os contratos futuros do petróleo Brent subiam US$ 2,93, ou 2,8%, para US$ 107,54 por barril. Os do WTI avançavam US$ 2,88, ou 2,9%, para US$ 102,93 por barril.
🗒️Tem alguma sugestão de reportagem? Envie para o g1
O oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi fechado temporariamente após um ataque com drones, segundo autoridades sauditas. A estrutura ajuda o país a contornar o Estreito de Ormuz e redirecionar suas exportações. Sua paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo.
Com o oleoduto fora de operação, o porto de Yanbu, no Mar Vermelho, tem estoque suficiente para manter as exportações de cinco a sete dias.
Agora no g1
A mídia estatal saudita divulgou no domingo um vídeo que mostra danos a residências e a uma mesquita na província de Jazan, no sul do país. Segundo ela, os danos foram causados por um ataque houthi. Os houthis afirmaram ter atacado também uma base militar saudita em uma província vizinha.
Enquanto isso, uma embarcação foi atingida por um projétil no Estreito de Ormuz, informou no domingo a agência britânica de segurança marítima UKMTO. O impacto provocou um incêndio e obrigou a tripulação a deixar o navio.
Segundo o Irã, uma pessoa morreu e quatro tripulantes ficaram feridos a bordo de um navio comercial iraniano atingido na costa do país.
Os houthis do Iêmen, alinhados ao Irã, chegaram à ilha de Perim na sexta-feira, em um avanço para reforçar seu controle sobre o estreito de Bab el-Mandeb. A passagem é outra importante rota de transporte de petróleo, por onde passaram de 4% a 5% do abastecimento global nos últimos meses.
O preço do petróleo subiu 8% na semana passada devido às interrupções e ultrapassou US$ 100 pela primeira vez desde julho.
O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr Albusaidi, disse no domingo que a reunião entre os países do Golfo e o Irã havia sido adiada. O encontro estava marcado para segunda-feira, em Omã, para discutir o Estreito de Ormuz.
Não houve negociações de paz desde o fracasso de um acordo provisório em junho. A guerra foi iniciada há seis meses pelos Estados Unidos e por Israel.

Economistas do mercado reduzem estimativa de inflação e de crescimento do PIB em 2026

O mercado financeiro reduziu sua estimativa de inflação e, também, sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026.
As informações fazem parte do “Boletim Focus”, divulgado nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central (BC), com base em pesquisa realizada na última semana com mais de 100 instituições financeiras.
Para o comportamento da inflação, os economistas do mercado financeiro baixaram sua projeção, relativa ao ano de 2026, de 5% para 4,9%.
A queda na estimativa de inflação acontece apesar da continuidade da guerra no Oriente Médio, que eleva o preço do petróleo, com potencial de pressionar a inflação brasileira (via aumento dos combustíveis).
O governo anunciou na última semana redução de imposto e manutenção dos subsídios aos combustíveis no Brasil para atenuar o impacto da alta do petróleo no mercado interno.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou na semana passada que espera que a guerra contra o Irã termine logo após as eleições legislativas de novembro.
➡️ Para 2026, a estimativa de inflação caiu de 5% para 4,9%;
➡️ Para 2027, a expectativa subiu de 4,29% para 4,30%;
➡️ Para 2028, a previsão continuou em 3,80%;
➡️ Para 2029, a estimativa ficou estável em 3,50%.
Desde o início de 2025, com a adoção do sistema de meta contínua, o objetivo é manter a inflação em 3%, sendo considerada dentro da meta se variar entre 1,50% e 4,50%.
🔎 Por que isso importa? Quanto maior a inflação, menor é o poder de compra da população — especialmente entre quem recebe salários mais baixos. Isso ocorre porque os preços sobem, enquanto os salários não acompanham esse aumento.
Produto Interno Bruto
Para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) deste ano, o mercado financeiro recuou sua projeção de 1,93% para 1,89% na semana passada.
Com isso, os analistas estimam desaceleração da economia neste ano, visto que, em 2025, o PIB cresceu 2,3%, conforme divulgação oficial do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
➡️ O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos no país e serve para medir o desempenho da economia.
🔎Se o PIB cresce, significa que a economia vai bem e produz mais. Se o PIB cai, quer dizer que a economia está encolhendo. Entretanto, nem sempre crescimento do PIB equivale a bem-estar social.
Para 2027, a projeção do mercado de crescimento do PIB caiu 1,5% de 1,45%.
Em um ano eleitoral, o governo tem adotado ações para estimular a economia e reduzir o endividamento da população, o que impulsiona a demanda por produtos e serviços.
A estratégia do governo, porém, dificulta o controle da inflação. O BC tem dito claramente que uma desaceleração, ou seja, um ritmo menor de crescimento da economia, faz parte da estratégia de conter as pressões inflacionárias.
Corte dos juros
O mercado financeiro também continuou prevendo corte de juros neste ano e nos próximos.
Atualmente, a taxa está em 14% ao ano — após quatro cortes neste ano.
A estimativa do mercado para a taxa Selic ao fim de 2026 permaneceu em 13,75% ao ano na última semana, embutindo uma última redução da taxa neste ano.
Para o fechamento de 2027, a projeção do mercado permaneceu em 12% ao ano.
Para o fim de 2028, a estimativa dos analistas continuou em 10,50% ao ano.
Taxa de câmbio
O mercado financeiro manteve sua estimativa para a taxa de câmbio ao fim deste ano em R$ 5,20 por dólar.
Para o fechamento de 2027, a projeção dos economistas dos bancos recuou de R$ 5,30 para R$ 5,28 por dólar.

Claro recebe aval para comprar Desktop por R$ 4 bilhões

Agora no g1
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou, sem restrições, a compra da Desktop pela Claro por R$ 4 bilhões. A operação amplia a presença da Claro no mercado de banda larga de São Paulo, onde a empresa disputa a liderança com a Vivo.
A aquisição envolve 73% da Desktop e inclui R$ 2,4 bilhões em ativos e R$ 1,6 bilhão em dívida líquida que será assumida pela Claro. Em uma segunda etapa, a operadora deverá fazer uma oferta para comprar os 27% restantes das ações da companhia, que são negociadas no mercado.
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Claro e Desktop atuam nas mesmas cidades
A análise do Cade identificou sobreposição entre as operações das duas empresas em 198 municípios de São Paulo. Em algumas dessas cidades, a participação conjunta da Claro e da Desktop será elevada.
🔍O Cade avalia se fusões e aquisições podem prejudicar a concorrência e reduzir as opções para os consumidores. Se identificar riscos, pode impor condições ou até barrar a operação. No caso da Claro e da Desktop, o negócio foi aprovado sem restrições.
Mesmo assim, o órgão concluiu que a compra não deve prejudicar a concorrência. Segundo o Cade, a presença de outras operadoras e provedores locais e nacionais é suficiente para manter a disputa pelos clientes.
Claro e Desktop
Divulgação
O órgão também avaliou que existem outras redes de telecomunicações disponíveis e que novos concorrentes podem entrar nesses mercados.
Outro ponto considerado foi o incentivo econômico para que a Claro desative, de forma gradual, estruturas de rede que ficarem redundantes após a integração das empresas.
Compra ainda precisava de aval da Anatel
O Cade não foi o único órgão a analisar a operação. Em maio, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) também deu anuência prévia para o negócio.
A avaliação da agência, porém, nem sempre foi favorável. Em outubro de 2025, quando surgiram as primeiras notícias sobre a negociação, uma análise preliminar da Anatel apontou possíveis efeitos negativos sobre a concorrência e sobre a entrada de novos competidores caso a Claro comprasse a Desktop.
A transação foi anunciada oficialmente em março deste ano.
Da fundação à venda para a Claro
A Desktop foi fundada em 1997, em Sumaré, no interior de São Paulo. A empresa recebeu investimentos da gestora americana HIG Capital em 2020 para ampliar seus negócios e passou a ter ações negociadas na Bolsa no ano seguinte.
A venda para a Claro vinha sendo negociada desde o fim de 2025. Antes, a Desktop chegou a conversar com a Vivo, mas as negociações não avançaram porque as empresas não chegaram a um acordo sobre o valor do negócio.
Agora, a Claro vai comprar 73% da Desktop. A fatia corresponde a 84 milhões de ações e está nas mãos do fundo Makalu Brasil Partners, controlado pela HIG Capital, e de pessoas físicas, entre elas o fundador da empresa, Denio Alves Lindo.