Dólar opera em alta e vai a R$ 5,16, à espera de novas decisões de juros e de olho em quadro político brasileiro

Entenda o que faz o preço do dólar subir ou cair
O dólar opera em alta nesta segunda-feira (14), em meio a uma maior aversão ao risco no mercado. A moeda subia 0,76% perto das 9h35, cotada a R$ 5,1638.Já as negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h.
O mercado segue em compasso de espera pelas novas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, além de continuar atento ao quadro político brasileiro, tanto em relação à crise do Supremo Tribunal Federal (STF), quanto em meio à proximidade das eleições presidenciais.
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▶️ Investidores aguardam as novas decisões de juros do Banco Central do Brasil (BC) e do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), na chamada Superquarta. No Brasil, a previsão é que o Comitê de Política Monetária (Copom) promova mais um corte da Selic. Já para os EUA, o mercado aposta em uma nova alta de juros no país.
▶️ No Brasil, o foco fica com a crise no STF, com a suposta relação entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. A expectativa é que haja uma sessão nesta semana para determinar se Moraes será investigado no caso, após um relatório da Polícia Federal ter revelado mensagens trocadas entre os dois. (entenda mais abaixo)
▶️ Além disso, a proximidade das eleições presidenciais no Brasil também ficam no radar. Na última sexta-feira, uma pesquisa Datafolha, encomendada pela Globo e pelo jornal Folha de S.Paulo, indicou que o presidente Lula (PT) aparece com 46% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) tem 44% em eventual disputa de 2º turno. Eles estão empatados tecnicamente.
▶️ No exterior, novos ataques na Arábia Saudita e no Estreito de Ormuz voltaram a pressionar o petróleo. O oleoduto Leste-Oeste da Arábia Saudita foi fechado temporariamente após um ataque com drones, segundo autoridades sauditas. A estrutura ajuda o país a contornar o Estreito de Ormuz e redirecionar suas exportações. Sua paralisação ameaça até 4% do abastecimento global de petróleo.
Os ataques voltaram a levantar preocupações sobre a oferta global de petróleo e eventuais impactos na inflação de energia. Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, subia 3,67%, cotado a US$ 108,45. Já o West Texas Intermediate (WTI), referência nos EUA, avançava 3,45%, a US$ 103,50 o barril.
Veja abaixo mais detalhes do dia no mercado.
💲Dólar

a
Acumulado da semana: -0,10%;
Acumulado do mês: -1,06%;
Acumulado do ano: -6,63%.
📈Ibovespa

Acumulado da semana: +1,11%;
Acumulado do mês: +5,12%;
Acumulado do ano: +16,19%.
De olho nos juros
As decisões de juros do BC e do Fed — ambas previstas para quarta-feira desta semana — são o principal destaque da sessão.
No Brasil, a expectativa é que o Copom faça mais um corte da taxa básica (Selic), de 0,25 ponto percentual (p.p.), levando os juros para o patamar de 13,75% ao ano, no menor nível desde janeiro do ano passado.
O movimento acompanha a desaceleração nos preços de inflação. Nesta semana, por exemplo, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicou que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, na maior queda de preços desde 2022.
No Boletim Focus desta semana, o mercado financeiro também reduziu sua estimativa de inflação e para o Produto Interno Bruto (PIB) neste ano, reforçando a perspectiva de que o BC reduza os juros.
Já nos EUA, a maioria do mercado estima que o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, na sigla em inglês) interrompa a manutenção e decida por uma nova alta de juros nesta semana, em meio às novas altas da inflação americana.
No final do mês passado, o presidente do Fed, Kevin Warsh, já havia sugerido que o BC poderia ter que aumentar os juros nos próximos meses para conter o avanço dos preços. Isso porque, segundo ele, mesmo com a melhora dos indicadores, ainda há a necessidade de cautela.
“Precisamos ter certeza de que a inflação subjacente está se movendo em direção ao nosso objetivo, de forma clara e em velocidade suficiente”, disse Warsh, durante conferência anual do Fed em agosto. “Caso contrário, temos trabalho a fazer”.
➡️ A política de juros nos EUA tem reflexos no Brasil. Com as taxas em nível historicamente elevado, cresce a pressão para que a Selic, taxa básica de juros brasileira, permaneça em patamar alto por mais tempo, além de gerar efeitos sobre o câmbio.
Crise no STF deixa investidores cautelosos
Ainda no cenário doméstico, a crise no STF também tem aumentado a aversão ao risco por aqui. Na semana passada, o ministro Luiz Edson Fachin, presidente do Supremo, convocou uma sessão extraordinária para esta semana, voltada a analisar o relatório que revelou mensagens enviadas por Vorcaro a Moraes.
Segundo o documento, foram 52 mensagens trocadas entre o ministro e o ex-banqueiro, entre 28 de outubro e 17 de novembro de 2025 — dia em que Vorcaro foi preso pela primeira vez. Na época, o Banco Master já era alvo de investigações.
Nas mensagens, Vorcaro pede orientação jurídica, marca encontros com Moraes e ajuda para se proteger de investigações.
Na semana passada, ao tornar público o relatório, André Mendonça pediu que o STF se reunisse em uma sessão aberta para analisar os novos elementos apresentados pela Polícia Federal. O relatório da PF mostra que, no dia 15 de novembro, a dois dias da prisão, Daniel Vorcaro consultou Moraes sobre deixar o país.
Uma sessão para discutir um relatório como esse — com menção a ministro do Supremo — é inédita na Corte. A sessão aberta está prevista para terça-feira (15) e será presidida por Fachin.
Nos bastidores, a sessão de amanhã tem sido tratada com apreensão. Segundo o blog da Andréia Sadi, os próprios ministros ainda não sabem exatamente o que será submetido ao plenário, e há uma articulação para que não haja uma decisão sobre o mérito das mensagens além de um cenário com pedido de vista no radar.
O cenário ainda se soma à proximidade das eleições, em outubro — o que também aumenta a cautela diante da disputa acirrada entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Petróleo dispara em meio a tensões no Oriente Médio
Os preços do petróleo continuam em trajetória de alta nesta quinta-feira (10), em meio à escalada das tensões no Oriente Médio.
Nesta semana, ataques dos Houthis, grupo apoiado pelo Irã, atingiram instalações de energia na Arábia Saudita e provocaram incêndios em estruturas ligadas à produção de petróleo.
Os ataques dos Houthis podem ameaçar os embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, que se tornou uma importante rota alternativa ao Estreito de Ormuz. Antes da guerra, cerca de 20% do comércio mundial de petróleo passava pelo estreito, cujo fluxo foi severamente reduzido desde o início do conflito.
Após os ataques, um porta-voz militar dos Houthis afirmou que o grupo anunciará uma ampla operação em território saudita, sinalizando uma nova escalada da guerra.
Além disso, o Irã afirmou que atingiu embarcações americanas e petroleiros no Golfo em retaliação à destruição de navios iranianos.
O aumento das tensões volta a levantar preocupações sobre a oferta global da commodity, com vários bancos já elevado suas projeções para o preço do petróleo no mercado internacional.
Caso essa estimativa se confirme, a expectativa é que a alta do petróleo provoque novos aumentos nos custos de energia e pressione a inflação global. Isso poderia levar bancos centrais de diversos países a manter ou elevar as taxas de juros.
Bolsas globais
Nos EUA, os três principais índices de Wall Street fecharam em alta, após a inflação ao consumidor americano ter vindo em linha com o esperado e em meio à queda do petróleo.
O Dow Jones teve alta de 0,96%, enquanto o S&P 500 subiu 0,85% e o Nasdaq Composite avançou 0,94%.
Na Europa, os mercados acionários registraram uma alta generalizada diante da queda dos preços do petróleo. O índice pan-europeu STOXX 600 subiu 0,5%, para 639,1 pontos.
Entre os demais índices da região, o DAX, da Alemanha, teve ganhos de 0,82%, enquanto o CAC-40, da França, subiu 0,78% e o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 0,39%.
Na Ásia, a maioria dos dos índices fechou em queda, em meio às expectativas crescentes de uma nova alta de juros por parte do Fed.
O SSEC, índice de Xangai, perdeu 1,18%, enquanto o CSI300, que reúne as maiores empresas das bolsas de Xangai e Shenzhen, caiu 0,84%. Já o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 0,60%.
Entre os demais mercados da região, o índice Nikkei, do Japão, caiu 1,93%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, desvalorizou 1,76%.
* Com informações da agência de notícias Reuters.
Cédulas de dólar
bearfotos/Freepik

China alerta para risco da IA à sua segurança nacional

Empresários das ‘Big Tech’ defendem desacelerar o desenvolvimento da inteligência artificial
O chefe da Inteligência chinesa alertou que a inteligência artificial representa uma ameaça à segurança nacional do país, pois potências estrangeiras poderiam usá-la para minar a ordem social.
“Forças hostis” abusam de tecnologias generativas de IA para “fabricar rumores políticos e espalhar informações prejudiciais”, escreveu o ministro da Segurança do Estado, Chen Yixin, em um artigo publicado online no domingo.
“Elas estão travando guerras de opinião pública e guerras cognitivas contra a China, ameaçando diretamente nossa segurança política, institucional e ideológica”, afirmou.
O alerta surge em um momento em que o líder chinês, Xi Jinping, tem um encontro marcado com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em Washington neste mês, para uma reunião focada na governança e segurança da IA, em meio a crescentes apelos por controles mais rígidos sobre a tecnologia.
Líderes tecnológicos dos EUA também pediram uma desaceleração no desenvolvimento da inteligência artificial.